Legado Lestrange
13 Criando Garras
Notas iniciais

Azkaban
25 de Dezembro de 1994
Rabastan entrou na sala de visitas e sentiu o estômago dar uma cambalhota. Imaginou que seria Alhena e Rasalas... Talvez até Emily, apesar dela só ter vindo uma vez sozinha... Mas era Moody quem estava ali.
Recuou um passo, com medo, mas o carcereiro o empurrou para que ele se sentasse na cadeira de pedra. Moody sorriu parecendo se divertir. Rabastan respirou acelerado, completamente assustado e estremeceu quando o carcereiro o acorrentou na cadeira. Quando o corcunda saiu, o deixando sozinho com Moody, ficou se perguntando se finalmente iriam acabar com ele.
Queria ao menos se despedir dos filhos e de Emily... até mesmo dos pais...
Mas não deixou que Moody notasse que estava com medo. Ficou encarando o velho auror, em silêncio, notando que os anos não tinham sido nada generosos com ele.
—Já faz muito tempo, não é mesmo, Rabastan? – rosnou Moody.
—Nunca é tempo de mais, Olho Tonto. – respondeu friamente. Moody riu com desdém.
—Eu vim aqui para te mostrar uma coisa. – riu Moody pegando algumas fotos. Ele as jogou em cima da mesa e Rabastan viu que eram fotos de Rasalas, em trajes a rigor, num baile no que parecia Hogwarts. Ele dançava com uma garota bonita, de cabelos castanhos. Levantou o olhar para Moody e bufou.
—Se tocar num fio de cabelo do meu filho...
—É um excelente aluno, o Rasalas. Muito dedicado. Sempre com uma turma muito apropriada de colegas... menos essa menina ai. Ela é sangue ruim. – riu Moody. Rabastan piscou chocado.
—Sangue ruim?
—Pois é... deve ser má influência de...
—Desde quando você fala isso de nascidos trouxas? – perguntou franzindo a testa. Moody deu um tique com a língua, a passando pelo canto da boca. Depois ele deu uma risadinha.
—Azkaban está acabando com você. – riu ele – Ainda bem que consegui sair daqui antes que ficasse louco. – Rabastan piscou, completamente confuso.
—Do que está falando?
—Não reconhece seu velho amigo, Rabastan? Fomos presos pelas mesmas acusações... eu estou diferente, mas por dentro eu sou o mesmo. – riu Moody. Rabastan franziu a testa, se perguntando se aquilo era a ideia que Moody tinha de uma piada – Já foi mais esperto, Rabs. – riu Moody – Eu vim te dar um recado. Você deve passá-lo para os outros. – Moody se curvou sobre a mesa e sorriu – O Lorde das Trevas está retornando. Ele tem um plano para botar as mãos no garoto Potter... ele vai retornar ainda mais poderoso e não vai se esquecer daqueles que sempre se mantiveram fiéis. Daqueles verdadeiramente leais... ele vai vir por vocês e vai tirá-los daqui... e então retomaremos a batalha que foi interrompida naquele Dia das Bruxas.
—Quem é você? – perguntou Rabastan, confuso.
Moody sorriu mais uma vez.
*
Beauxbatons
Abriu os olhos de uma vez e se sentou, no susto, sentindo um frio absurdo tomar todo seu corpo. Ouviu as risadas femininas se transformarem em gargalhadas e isso a fez olhar ao redor. Mona estava com seu baú de cartas e Belle e Cecille lhe apontavam as varinhas. Mona tinha uma carta nas mãos e tinha um diabólico sorriso no rosto.
Alhena olhou para si mesma e notou que estava completamente encharcada. Aquelas garotas tinham jogado água em sua cama e agora a olhavam com puro deboche.
—Lestrange... – riu Mona, olhando a carta que tinha em mãos – Está toda molhada... será que seu amado Damian sabe que você costuma molhar a cama? – perguntou ela com um inglês carregado de sotaque.
—Mona... – sussurrou olhando para seu baú de cartas. As cartas que Damian lhe tinha enviado desde que fora para Beauxbatons – Me devolve isso. Não tem graça.
—Eu acho engraçado. – riu Mona olhando para uma carta qualquer – Você lê as cartinhas de seu namorado para depois brincar com os dedos antes de dormir? – perguntou ela lhe olhando com um sorriso cruel.
Alhena a olhou com frieza. A época em que caía no choro e implorava para que a francesa lhe deixasse em paz já tinha passado.
—Mona. Devolva minhas coisas agora mesmo. – disse zangada.
—Eu não gosto quando fala desse jeito comigo. – rosnou Mona – E nem quando me olha desse jeito. Desafiadoramente. Você precisa de uma lição. Precisa deixar o passado para trás. Precisa esquecer Hogwarts. Está em Beauxbatons agora. – ela riu novamente, daquele jeito cruel. Não ficava menos linda por isso. – Sim... é isso que você precisa. Esquecer o passado.
—Me devolva, Mona. – avisou novamente, ficando de joelhos na cama, olhando atentamente para a garota. Mas Mona tocou a ponta da varinha no papel e este começou a pegar fogo – Não! – gritou, querendo pegar de volta, mas o feitiço de Belle a colocou de volta na cama, com as mãos e joelhos grudados no colchão. E então Mona queimou todas as suas cartas.
—Durma bem. – riu Mona com aquele mesmo sorriso. As amigas dela sorriram do mesmo jeito.
Alhena se viu livre da azaração e suspirou. Seu pijama estava completamente molhado, seu colchão também. Coçou os olhos, querendo chorar, mas nem uma lágrima desceu por suas bochechas. Estava cansada de chorar. Estava cansada de se lamentar. Queria ao menos voltar para casa no natal, mas isso seria impossível. Seu avô lhe escrevera que tanto ela quanto Rasalas deveriam ficar na escola, pois ele estava muito ocupado com o ministério.
Alhena se levantou e tirou a roupa molhada, ficando apenas de calcinha e sutiã. Queria conhecer um feitiço secante, mas como não conhecia, pendurou o pijama no pé da cama e soltou um suspiro, sentindo o corpo todo se arrepiar com uma brisa gélida.
O inverno em Beauxbatons era muito mais ameno do que em Hogwarts, mas as pessoas em Hogwarts eram mais calorosas. Não se lembrava de já ter sentindo frio junto de suas amigas da Sonserina.
Mas não estou mais na Toca da Serpente. Repetiu para si mesma.
—Pelo amor de Deus, Lestrange. Se vista. Se eu ver essas suas banhas por mais um minuto eu acho que vou vomitar. – riu Cecille lhe olhando com divertimento.
Alhena a olhou com desprezo e se abaixou para procurar outro pijama no malão. Foi quando viu que suas roupas tinham desaparecido. Soltou um suspiro, aborrecido e foi para o banheiro. Lá, pegou uma toalha e se embrulhou. Sentou-se no chão pensando no que poderia fazer. Só poderia buscar um uniforme na lavanderia.
Se enrolou com cuidado na toalha e desceu as escadas. Passou direto pelo trio confusão, que ria com desdém pra ela. Quando chegou na porta, escutou uma delas se levantar.
—Onde pensa que vai? Não pode sair a essa hora. – disse Cecille.
Alhena a olhou com descaso e girou a maçaneta, abrindo a porta. Saiu do dormitório e desceu as escadas. Sentindo muito frio e um pouco de vergonha por estar só de toalha, caminhou o mais silenciosamente possível.
O chão estava insuportavelmente gelado e suas canelas doíam por causa do frio. Queria ao menos estar de meias, mas elas estavam molhadas, em cima da cama. Soltou um suspiro zangado e continuou caminhando, em direção às dependências dos Elfos. Se perguntou se eles ficariam zangados com ela por acordá-los. Nem mesmo sabia que horas eram.
Virou em um corredor, temendo ser vista por uma sentinela, mas o caminho parecia estar vazio. Abriu uma porta branca e desceu as escadas com a varinha na mão.
—Lumus. – murmurou, iluminando os degraus. Já era desastrada o suficiente vendo por onde andava. Imagina sem ver. Desceu os degraus de pedra, apurando os ouvidos. Só queria alguma roupa quente e seu uniforme. Só podia torcer para que os elfos já tivessem lavado suas roupas sujas. – Nox... – murmurou surpresa por ver que a luz do cômodo no final do corredor estava acesa.
Caminhou o mais silenciosamente possível e espiou pela porta. Estava nas cozinhas e mais adiante era a lavanderia. Mas nas cozinhas, encostado na parede, estava Jacques Pierre. Piscou, constrangida, por estar só de toalha, mas não viu opção que não fosse entrar ali.
O garoto estava fumando um cigarro e a olhou com curiosidade.
—Você é a garota Lestrange, não é? – perguntou ele, em francês. Alhena já estava dominando bastante bem a língua, que precisou aprimorar na marra. Mas não respondeu. O olhou sem expressão, se abraçando para fugir do frio. Concordou em silêncio e marchou para a próxima porta, procurando pela lavanderia – Por que está de toalha?
Quis responder o que Mona tinha feito, mas preferiu ficar em silêncio. Quanto menos falasse com o garoto, menos Mona iria querer confusão – ou assim esperava. Caminhou até a lavanderia e procurou por um elfo. Achou um monte deles, dormindo em caixas acolchoadas. Pareciam camas para cães ou gatos... mas eles pareciam satisfeitos. Se abaixou e cutucou um elfo qualquer, que piscou confuso, antes de encará-la.
—Preciso que me entregue um pijama e uma muda do meu uniforme. – disse baixinho.
O elfo deu um longo bocejo e concordou, coçando os olhos. Depois desapareceu num estalo. Se levantou e voltou para a cozinha, onde Pierre ainda fumava. Ele a olhou com a mesma curiosidade de antes, mas notou algo novo no olhar dele. O ignorou novamente e se sentou em uma cadeira qualquer, esperando que o elfo aparecesse.
Pierre deu uma risadinha e se levantou, caminhando até ela. Então ele lhe ofereceu o cigarro que estivera fumando. Negou com a cabeça, e virou o olhar para o outro lado.
—Não sabe falar francês? – perguntou ele em inglês.
—Sei falar perfeitamente. – respondeu ela em francês. Pierre deu uma risadinha e bagunçou os próprios cabelos negros, espetados, com um topete.
—Então fale. – riu ele – Fume.
—Não fumo.
—Experimente. – insistiu ele – Eu não vou contar pra ninguém. E ficaria mais tranquilo de que não iria me dedurar, se fumasse também. – riu ele.
Alhena soltou um suspiro e pegou o cigarro. Pierre a olhou com expectativa e ela colocou o cigarro na boca. Puxou o ar, mas não tragou de verdade, deixando a fumaça na boca. Em seguida soprou a fumaça e devolveu o cigarro. Pierre pegou de volta e o tragou com propriedade, a olhando com astúcia. E aquela outra coisa, que não soube identificar.
Sempre era olhada com desprezo ou chacota. Mas algo nele lembrava o olhar de Draco para Pansy... ou o de Blair para as garotas bonitas.
—O que Mona fez com você? – perguntou ele.
—Nada. – mentiu o olhando nos olhos.
—Você mente bem. – riu ele.
—Estou aprimorando. – retrucou ficando de pé, segurando a toalha, para que ela não caísse.
—Sabe guardar segredos, Valentine? – perguntou o garoto. Alhena o olhou, com as sobrancelhas arqueadas.
—Não. – respondeu. Ele sorriu e deu uma última tragada no cigarro, antes de jogá-lo no chão. Ele soprou a fumaça, a olhando obliquamente.
—Eu estou disposto a pagar pra ver. – riu ele. Alhena se esforçou para controlar cada músculo de seu rosto. Estava praticando aquilo com frequência, pois não queria que as pessoas a vissem como uma menina medrosa e chorona. Domando a si mesma, e as próprias emoções, acabou por manter quase todos os que implicavam com ela longe. Apenas Mona e sua dupla de seguidoras não pareciam cansar-se das implicâncias. Mas foi realmente difícil quando Pierre puxou sua toalha para baixo.
—O que está fazendo? – perguntou zangada, sentindo o rosto ficar quente. Cruzou os braços ao redor do busto, o olhando surpresa. Pierre jogou sua toalha no chão e a olhou dos pés à cabeça.
—Hum... alguma reação da Rainha do Gelo. – riu Pierre, se aproximando um passo. Alhena sentiu os joelhos tremerem e recuou três. Mas Pierre avançou e a puxou pela cintura – Vamos nos divertir, loira. – riu ele.
—Me solte agora mesmo. Você e Mona voltaram! – disse tentando empurrá-lo. Mas Pierre deu uma risadinha em seu ouvido.
—Tenho certeza de que vai guardar esse nosso segredinho. – riu ele em seu ouvido, a acariciando de maneira indecente nos quadris.
—Eu não sei guardar segredos.
—O que Mona vai pensar se souber que me seduziu? Imagina só... o que ela faria com esse seu rostinho lindo? – perguntou ele.
Sentiu um arrepio quando ele falou aquilo e o olhou chocada.
—Me solte. Eu vou contar à professora Beaumont! – ameaçou. Pierre sorriu e a puxou mais para perto.
—Conte. – riu ele em seu ouvido.
Alhena o olhou com frieza e os dois escutaram um estalo. A garota olhou para o lado e viu o elfo, com as roupas que havia pedido. Ele olhou de um para o outro e depois para Pierre.
—Solte a menina. – disse ele – Ou vou contar para a Madame Beaumont!
Pierre riu com desdém e a soltou, levantando as mãos. Alhena caminhou até o elfo e pegou o pijama, se vestindo o mais rápido que conseguiu.
—Desculpe, Lestrange. Não consegui resistir... – riu Pierre. Escutou o clique de isqueiro umas duas vezes. Se virou vestindo as calças do pijama e notou que ele tinha acendido outro cigarro – Você é muito gostosa.
Revirou os olhos e pegou o uniforme que estava com o elfo.
—Você mente muito bem. – disse rispidamente.
Depois marchou para fora. Porém, escutou os passos do garoto a lhe seguir.
—Vem comigo e te provo que não estou mentindo. – disse ele. Alhena o olhou com desdém.
—Como? Me levando para cama? – perguntou desdenhosamente.
—Exatamente. – riu ele – O que me diz?
—Eu digo pra você ir se foder. – respondeu zangada, voltando a marchar de volta para o dormitório. Pierre deu uma risadinha.
—Eu preferiria foder você.
—Isso é problema seu. – retrucou, impaciente – Me deixe em paz.
—Beauxbatons fez bem pra você. – riu Pierre – Quando chegou aqui, era um filhotinho assustado. Mas agora está aprendendo a se defender. Está criando garras. – riu ele tragando o cigarro. Alhena o ignorou, sem diminuir a marcha, mas quando ele lhe ofereceu o cigarro, ela suspirou e se interrompeu. Pegou o cigarro e o tragou de verdade, para começar a tossis desesperadamente.
Pierre a segurou pelo cotovelo e a puxou para dentro de uma sala.
—Me... cof, cof... me solte! – exigiu tentando se livrar dele. Mas o garoto pediu silêncio com o dedo e a puxou para a janela – O que está...?
—Psssiu – pediu ele – Pule.
Alhena não discutiu e pulou. Ele logo veio atrás e seguiu puxando-a. Se sentiu meio idiota por segui-lo, depois do que ele tinha feito, mas sua intuição não pareceu apitar, mostrando perigo.
Logo notou que ele a levava para a estufa.
Entraram em silêncio e ele por fim a soltou. Pierre tragou outra vez seu cigarro e mais uma vez lhe ofereceu. Ela aceitou e tragou novamente, para mais uma vez começar a tossir.
—Você acostuma com o tempo.
Ela concordou e continuou tentando fumar aquilo, por mais que fizesse sua garganta doer e lhe deixasse tonta.
Pierre se sentou num pneu velho que tinha ali e Alhena colocou sua muda de uniforme em cima de uma mesa de madeira, onde a professora Blanche normalmente corrigia as tarefas de Herbologia.
—O que Mona fez com você? – perguntou Pierre.
—Por que quer saber? – perguntou soprando fumaça. Pierre soltou um suspiro.
—Ela está me traindo. – murmurou ele – Com meu melhor amigo...
—Edmond? – perguntou, chocada.
—Pois é... – riu Pierre brincando com seu isqueiro dourado – Engraçado como as coisas são... – ele soltou um suspiro – Mona odeia você... por isso... por isso forcei a barra aquela hora. Não foi correto. Me desculpe.
—Não desculpo. Você ultrapassou todos os limites. – disse friamente. Pierre concordou com um sorriso triste.
—Quando passamos tempo demais com alguém cruel... acabamos ficando cruéis também... – murmurou ele – Sabe o porquê de Mona te perseguir tanto?
—Porque ela está apaixonada por mim? – perguntou com um sorrisinho zangado – Ela queimou as cartas do garoto que eu gostava em Hogwarts... só pode ser ciúmes.
Pierre deu uma risada.
—Uma coisa que eu gostaria de ver... você e Mona. Uau. – murmurou ele a olhando com divertimento. Alhena riu com pouco caso.
—Eu sou um amontoado de banha. O que teria de erótico nisso? – perguntou tragando o cigarro e ficando satisfeita por ter conseguido não tossir. Seus olhos estavam marejados por conta da fumaça, mas mesmo assim parecia estar pegando o jeito. Pierre a olhou com atenção.
—Você não é esquelética como as garotas daqui, é verdade. Mas homens gostam de ter o que apertar a noite, sabe? – perguntou ele dando de ombros. Alhena se lembrava de ter ouvido sua mãe lhe dizer aquilo uma vez, em outra vida. Não acreditara daquela vez e não acreditara desta.
—Um dia vou ser magra como espero. – disse jogando o toco de cigarro fora – E então...
—O que? – cortou Pierre – Vai ser mais uma garota de plástico, artificial? Vai posar pro Semanário das Bruxas, dizendo qual o método correto de prender aquele garoto especial? – perguntou Pierre com desdém – Por que as garotas nunca estão satisfeitas com os próprios corpos?
—Você está satisfeito com o seu? – perguntou arqueando a sobrancelha.
—Sim. – respondeu ele ficando de pé e retirando a blusa. Alhena respirou fundo, sentindo o rosto queimar novamente. Seus olhos percorreram a barriga magra e definida dele, analisaram o peitoral bonito e os ombros largos, assim como os braços bonitos e definidos. Ele não era musculoso. Mas certamente tinha um corpo atraente – Gostou?
Alhena desviou o olhar, sentindo as bochechas queimarem. Sentiu mais do que ouviu Pierre se aproximar dela. Quando se atreveu a olhá-lo novamente, notou que ele estava absolutamente próximo.
—O que foi? – perguntou ela. O garoto sorriu.
—Nada. – murmurou ele segurando sua mão. Alhena sentiu todo o corpo se arrepiar. Uma onda de energia lhe atravessou inteira. Ela olhou para a mão dele, que a segurava e o viu guiá-la para os lábios dele – Você parece tão inocente... tão... tão...
—Boba, eu sei. – murmurou puxando a mão, mas ele não a soltou.
—Eu gosto na verdade... você parece... parece uma maçã suculenta. Vermelha... – disse ele passeando o polegar por seus lábios – Apetitosa, mas que ainda não foi provada. – ele se aproximou, a tocando nas coxas. Alhena respirou fundo o olhando nos olhos – Aposto que nunca foi beijada.
—Já fui. – retrucou o encarando desafiadoramente – Eu já beijei mais de um garoto. E em uma das vezes foi na cama de um deles.
—Hum... – riu Pierre a massageando de maneira erótica na coxa – Vou ficar com ciúmes.
—Mona também, se souber o que está fazendo.
—Você não vai contar, vai? – perguntou ele de maneira divertida.
Alhena soltou um suspiro.
—Não.
**
Ela viu Jacques passar o braço pelo ombro de Mona e deu uma risadinha maldosa. Voltou seus olhos para seu café da manhã e deu uma mordida em sua maçã. Depois seguiu para a aula.
Transfiguração.
Feitiços.
Almoço.
Depois teria um tempo para descansar e esse tempo foi usado na terceira sala de música. A que nunca era utilizada. Não até ela e Jacques se enfiarem ali, para se beijarem no sofá.
Fazer aquilo pelas costas de Deshayes era simplesmente maravilhoso. Não conseguia deixar de sorrir com satisfação sempre que a garota passava.
Sem falar que era um tempo legal. Pierre era um garoto que a fazia sentir coisas novas... Coisas intensas e inéditas.
Na primeira semana não deixava que ele passasse dos limites. Mas quando o sábado chegou e Deshayes fingiu que tinha tropeçado para derramar chá quente nela, decidiu não se deixar acanhar com coisas bobas como limites.
Então foi para a sala de música, empurrou Pierre contra o sofá e se sentou em seu colo. Quando ele lhe apertou os seios, não ligou. E quando ele lhe abriu a blusa, ela o ajudou a achar o caminho para dentro de seu sutiã.
Sempre ia dormir pensando nos beijos dele. Em como aquilo parecia sair do limite. Por uns momentos se sentiu suja, por ser “a outra”. Mas era Deshayes quem estava sendo enganada. Queria não ligar para isso...
Mas era só ficar zangada... era só a patricinha lhe aprontar uma afronta... que lá estava ela, deixando que Pierre lhe tocasse onde bem entendesse. Quando ele a tocou entre as pernas, por dentro da calcinha, achou que iria morrer. Apenas duas semanas como amante dele... apenas isso... e já deixava escapar gemidos com os toques indecentes dele.
Ela sabia que ele iria querer mais. Mas não sabia se estaria disposta a ceder.
Mais uma semana e outra depois dessa. Ele colocou sua mão dentro de suas cuecas e ela sentiu um garoto pela primeira vez. Ficou chocada com o tamanho, mas a excitação... oh... a excitação.
Minutos depois de tocá-lo ali com as mãos, ficou de joelhos por iniciativa própria e o provou com os lábios. Pierre sorriu para ela e soltou um gemido de satisfação, que só a encorajou. Ele lhe mostrou como fazer aquela carícia e ela o obedeceu, desejando arrancar mais e mais gemidos dele.
E quando ele explodiu em sua boca, não ligou. Logo era ela quem estava no chão, completamente exposta, sentindo a língua dele a lhe proporcionar sensações únicas.
Dezembro.
Janeiro.
Fevereiro.
Março.
—Lena... oh, Lena... – suspirou Jac, em seu ouvido, enquanto ela o masturbava na cozinha – Lena, Lena... oh, minha Lena. – murmurou ele roucamente, tremendo de cima a baixo. Sorriu satisfeita e se afastou. Ele a olhou confuso, desesperado por seu toque.
—“Minha Lena”? – perguntou cruzando os braços. A parte de cima de seu pijama estava no chão. Seu sutiã estava em uma cadeira. Sua calça presa em seu tornozelo e sua calcinha quase nas coxas.
Pierre sorriu para ela.
—Se você aceitar. – murmurou ele.
—E Mona?
—Ela que vá pro inferno! – riu ele avançando contra ela.
—Não podemos. – riu Lena, sentindo os beijos de Jac em seus seios.
—Por que?
—Ela iria me infernizar.
—Ela não precisa saber... – murmurou Jacques – Só nós dois precisamos saber. – murmurou ele entrelaçando seus dedos nos dela – Só nós dois...
E no dia seguinte sorriu satisfeita ao ver Mona chorando, suas amigas a lhe darem tapinhas nas costas, tentando de alguma maneira, confortá-la.
—Ele terminou comigo. Eu não acredito que ele fez isso! – chorou ela.
Alhena riu com desdém e se sentou em sua cama, para pentear os cabelos. Mona levantou o olhar para ela, furiosa.
—Do que está rindo, sua porca? – perguntou ela.
—De você. É de você que eu estou rindo. – devolveu – Me dá pena. Tão superficial, tão ridícula.
Deshayes a olhou em completo choque e Alhena notou quando ela sacou a varinha.
—Como ousa? – rosnou ela – Eu vou te ensinar a ter boas maneira.
Alhena sacou a própria varinha, pronta para se defender.
—Ou eu possa te dar essa lição. Há muito eu deveria ter feito isso! – rosnou, zangada.
As outras muitas garotas do dormitório olharam de uma para a outra. Mas nenhuma parecia querer se envolver. Nem mesmo as companheiras de Deshayes. Alhena ficou de pé e a outra também, se encarando com fúria. E então, quando estava prestes a começar um duelo, a professora Beaumont entrou no dormitório.
—O que está acontecendo aqui? – perguntou ela. Alhena baixou a varinha antes de Deshayes.
—Estava me defendendo dessa louca. – disse fingindo estar assustada – Ela ameaçou me azarar só porque eu e Jacques Pierre estamos namorando!
—Você e Jacques? – perguntou Deshayes – Faça-me o favor. Até parece que...
—Por que acha que ele terminou com você, garota? – perguntou Alhena, com um sorriso.
—Nos seus sonhos, Lestrange! – rosnou a outra, levantando a varinha.
—Deshayes! – ralhou a professora – Eu esperava esse comportamento de Lestrange! – a professora a olhou com reprovação, mas Alhena apenas riu com descaso – Ela nunca soube se portar adequadamente... mas você? – ela se voltou para Deshayes – Perdendo o controle por conta de um namorico?
—Para algumas mulheres, um bom pau é tudo na vida. – debochou Alhena. Notou que o dormitório ficou completamente mudo – Pena que ele não gostava muito do que você tinha a oferecer, não é, Deshayes?
Passou a noite de castigo, nas masmorras e seu ombro ficou com um roxo tão grande e dolorido que não conseguia colocar a mochila. Mas isso não fez seu sorriso diminuir. Não mesmo. Principalmente quando Pierre lhe deu um beijo de bom dia nos lábios. Sorriu com provocação para Deshayes, que a olhava furiosa.
Poções.
Feitiços.
Almoço.
Um amasso nada comportado nas estufas.
Herbologia.
Aula de atividades Físicas.
Jantar.
Namorou um pouco com Pierre e então foi para o dormitório de seu ano. Trancou o malão com suas coisas e então foi tomar banho. Não se separou de sua varinha por nem um segundo. Estava atenta a tudo.
E quando estava para se deitar, Deshayes tentou lhe azarar. Se defendeu e a desarmou. As amigas dela a olharam, surpresas e chocadas. Alhena Lestrange era conhecida por nunca se defender. Por sempre aceitar ser subjugada. Mas não daquela vez. Não mesmo...
—Eu já contei como o meu pai foi parar em Azkaban, Deshayes? – perguntou Alhena caminhando lentamente, com um sorriso vitorioso. As bruxas de sangue puro fizeram careta e a olharam com desgosto – Sim, meu pai está em Azkaban. Ele era meio louco... – se aproximou o suficiente para levantar o queixo da garota com a ponta da varinha – Ele torturou uma família até a insanidade. Ele era seguidor do Lorde das Trevas, um soldado assassino... um cachorro louco. – Alhena apertou mais a varinha contra a garganta da garota – Acho que... que posso ter mais em comum com ele do que imaginei.
—Por favor... – choramingou Deshayes.
—Por favor? – repetiu Alhena. Sorriu com falsa doçura e apertou ainda mais a varinha contra ela – Acha que não falaram isso pro meu pai antes? Quantas vezes eu pedi “por favor” pra você e você ignorou, heim?
—Por favor... me desculpe... – chorou Deshayes, levantando as mãos.
—Não se meta comigo, Deshayes. Ou vou transformar esse seu rostinho bonito em algo que reflita esse seu caráter. Estamos entendidas? – perguntou Alhena. Deshayes concordou movendo minimamente a cabeça. Alhena sorriu com satisfação e se afastou. Depois olhou para a cama dela – Aguamenti! – um jato de água saiu de sua varinha, molhando o colchão da garota. – Durma bem, queridinha.
Então se virou e saiu pela porta. Ainda queria se encontrar com Pierre, afinal de contas. Mas ao abrir a porta, deu de cara com a professora Beaumont.
—Vai a algum lugar, Lestrange? – perguntou ela severamente.
Droga...
***
Hogwarts
Em meados de Abril Rasalas e Hermione não estavam mais aos beijos e amassos. Começou a ficar realmente cansativo, por conta de seus amigos e os dois optaram por voltarem a ser apenas amigos.
Rasalas tinha absoluta certeza de que Ronald nunca mais seria seu amigo e de que o ruivo estava apaixonado pela garota. Mas a última coisa que passou foi tentar se resolver com ele. Há muito tinha se afastado de Harry e Ronald, permanecendo amigo apenas de Hermione. Os dois garotos não faziam realmente falta.
Mas sentia falta dos beijos e amassos quentes de Hermione, por mais que nunca tenha acontecido mais do que naquela noite. Uma vez Hermione quase tomou coragem para masturbá-lo, mas no último segundo ela desistiu e ele simplesmente aceitou. Não queria forçar a barra com ela, mesmo que isso significasse se masturbar no chuveiro, antes de dormir.
Uma obrigação quase diária se não quisesse que suas bolas explodissem.
Maio veio e foi.
Junho passou a galope.
E quando, finalmente, o dia da última tarefa chegou, Rasalas se sentia exultante. Harry e Cedrico. Qualquer um dos dois poderia ganhar aquele torneio. Só desejava que fosse um dos dois. Que fosse Hogwarts.
Os campeões entraram no labirinto e eles esperaram. Esperaram. Esperaram.
Uma brisa fresca soprava. Draco, Greg e Vince estavam discutindo a possibilidade de Harry morrer – Draco parecia ansiar bastante por isso... – Damian estava liderando as apostas entre os alunos e contava os bilhetes e as moedas que estava lucrando. Blair estava beijando Daphne, como se o mundo pudesse acabar a qualquer momento.
Mas Rasalas não ligava mais. Hermione o ajudara a superar de vez a situação Daphne-Blair.
Pansy olhava um tanto descontente para Daphne e Emília brincava com sua trança de cabelo, olhando sonhadoramente para Draco.
Rasalas sorriu e se permitiu lembrar da irmã. Só podia torcer para que ela estivesse bem. Logo chegaria o dia de voltar pra casa. Logo estaria junto dela novamente e teriam milhões de coisas para conversar...
Mas todos seus pensamentos foram interrompidos quando Harry apareceu, puxando Cedrico Diggory com ele.
****
Azkaban
Rabastan levantou o olhar para o patrono de serpente e o reconheceu imediatamente. Ficou de pé e mirou o rosto de Emily Valentine, que o mirava, parecendo chocada. A olhou com curiosidade, para dentro de seus olhos verdes. Ela o olhou de volta e ele encontrou medo, ali.
—O que houve? – perguntou ele. Emily lhe entregou uma carta. Não reconheceu a caligrafia, mas leu apressadamente.
“Cara Emily Valentine.
Temo dizer que dias difíceis estão para cair sobre nós...” Rabastan soltou um suspiro. O que qualquer um desses libertos sabia sobre ‘dias difíceis’? “O Ministério se recusa a aceitar e a alertar a população, mas eu não farei o mesmo. Infelizmente eu estou muito atarefado agora, mas gostaria de te ver pessoalmente. É de extrema urgência.
Atenciosamente
Albus Dumbledore”
Rabastan levantou o olhar para a mulher, sem entender coisa alguma. Mas então... um pouco de compreensão o atingiu. Ele sorriu com expectativa e encarou Emily, extasiado.
—Ele... ele voltou, não foi? – perguntou feliz – O Lorde das Trevas... ele está de volta!
Emily o olhou com decepção no olhar.
—Eu preciso te perguntar uma coisa, Rabastan... – murmurou ela – Se eu morrer... meus filhos estarão seguros? Ou vocês irão caçá-los? – perguntou ela com a voz firme – Eles são apenas crianças... que destino terão?
—Ninguém tocará nos seus filhos, Valentine. – respondeu Rodolfo, atrás dela – Eles são puro sangue. Se agirem de maneira apropriada... estarão a salvo.
Emily olhou para Rodolfo. Ela se virou e o encarou nos olhos. Rabastan não podia ver a expressão dela, mas o irmão parecia se divertir.
—Me dê sua palavra, Rodolfo Lestrange... que ficará longe dos meus filhos...
—É claro que dou. – respondeu ele – Desde que eles se comportem direito.
—Ninguém machucará Rasalas e Alhena. – assegurou Rabastan – Eles, como meus filhos, estarão seguros e num patamar cheio de honras e prestígio. Aqueles que não deram as costas para a causa...
—A causa... – cortou Emily – A causa... você vai lutar pela causa, não vai? – perguntou ela com descaso – Depois de tudo...
—Quem é você pra julgá-lo, amante de lobisomem? – riu Rodolfo – Rasalas me contou o que você andou fazendo... ele parecia completamente enojado de você. – Rabastan viu o irmão cuspir nos sapatos de Emily – E eu não o culpo.
Emily olhou novamente para Rabastan.
—Adeus. – murmurou – Espero que... que um dia você aprenda...
Rabastan sorriu com desdém.
—Talvez você aprenda primeiro.
—Eu estou cheia das lições da família Lestrange. Eu perdi tudo por conta delas. – retrucou ela – Eu perdi os dois homens que eu já amei, perdi a coragem, a vontade de viver e os meus filhos... perdi até mesmo a minha família, graças aos Lestrange... – ela olhou para Rodolfo com desprezo – Eu perdi tudo... Mas não vou deixar meus filhos morrerem... Eles estarão mais seguros com o seu pai? – perguntou ela.
—Sim. – respondeu Rabastan.
—E se... e se eu entrar para a Ordem da Fênix? Eles ainda estarão seguros? – perguntou ela.
—É claro que... – começou Rabastan.
—Se eu fosse você, Valentine. – sibilou Bellatrix, abraçando as grades e colocando a face contra elas, com um sorriso louco no rosto – Eu tomaria muito cuidado com minhas ações... eu adoraria desfiar um dos seus filhotes só pra te ver sofrer. Sua traidora de sangue. Amante de trouxas. Você é uma vergonha.
Emily pareceu não ser capaz de respirar. Ela olhou para Rabastan e suspirou.
—Adeus, Rabastan. Espero que mofe aqui dentro. – ela olhou para Rodolfo e Bellatrix – Todos vocês.
—Sinto lhe informar, Valentine. Mas nossa espera está chegando ao fim... nosso mestre virá por nós... e quem virá por você? – perguntou Bellatrix – Ninguém.
Emily a olhou com desgosto e se virou, saindo de lá. As gargalhadas de Bellatrix ecoaram pelo corredor, acompanhando a mulher, até que ela fosse embora. Rabastan soltou um suspiro e olhou para a cunhada.
—Se alguém tocar em um fio de cabelo que seja, dos meus filhos... – rosnou ele – Eu mato. Ou talvez faça sentir na pele, o que fizemos aos Longbottom.
—Fizemos? – caçoou Bellatrix – A única coisa que você fez foi ninar o bebê gorducho. Você é um frouxo, Rabastan.
—Eu não arriscaria no seu lugar, Bellatrix. – sibilou Rabastan – Fique longe da minha família.
—São garotos que você nem conhece. Sua filha nem ao menos gosta de você. – riu ela – Pare de colocá-los num pedestal.
Doeu escutar aquilo. Rabastan bufou e voltou a entocar-se no fundo de sua cela.
O Lorde virá nos buscar... Pensou consigo mesmo. E então... serei livre para viver... para recuperar os anos perdidos. Ele pegou o caderno que Alhena lhe presenteara e o primeiro chocolate que Rasalas lhe trouxera. Eu vou compensá-los, Rasalas e Alhena... Eu juro que vou. Vou ensiná-los quão glorioso é o Lorde das Trevas.
Ele sorriu abraçando o caderno de Alhena.
Eu juro.
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