Legado Lestrange
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Notas iniciais

25 de Abril de 1979
Cobriu a cabeça com o capuz e bateu na porta. Estava um frio terrível e ninguém mais costumava se aventurar do lado de fora das portas naquele horário. Demorou mais do que imaginara, mas escutou uma voz do lado de dentro.
—É aquela Valentine. A tatuada. – disse uma voz que não reconheceu – Mas não custa nada conferir.
—Quem está ai? – perguntou a voz de Sirius.
—Sou eu. Emily Valentine. Transamos na cama do James no dia do casamento dele. – respondeu com um sorrisinho.
Sirius abriu a porta, a olhando corado, e olhou para trás. James e Lily olhavam com censura.
—Eu sabia que tinha sido você, Almofadinhas. – riu James sem parecer se importar tanto assim, mas Lily parecia realmente zangada. Emily entrou, sem ligar. Nunca gostara muito de Lily, de qualquer maneira.
—A que devemos sua visita, Valentine? – perguntou Moody. Ele quem soubera que era ela na porta. Ele tinha um olho mecânico no rosto, que o deixava simplesmente assustador – Acabaram as suas drogas e veio ver se Sirius tem mais?
—Eu estou limpa há mais de mês. – respondeu ela – Parei de beber também. – disse tirando a capa e a pendurando no cabide.
—E por que a mudança? – perguntou Sirius, que a olhava chocado. Sentiu o olhar do amigo em seu decote, mas não ligou.
—Já era hora, não acha? – perguntou se sentando – Eu só vim visitar um amigo... não sabia que a casa estava cheia. – adicionou tranquilamente, se sentando num sofá.
—Estávamos numa reunião. – murmurou James.
—Mas fique a vontade. – disse Sirius. Era o apartamento dele. Pequeno, bagunçado, com louça suja na pia. Copos de bebida e cinzeiros em todos os cantos da casa. Pouca mobília, afinal, era um apartamento de solteiro.
—Vou ficar. – disse simplesmente – Querem que eu saia? Que eu vá para o outro quarto?
—Não será... – começou Sirius, mas Moody o cortou.
—Por favor. Eu vou abafar a sala e você vai me dar sua varinha.
—Como quiser. – sibilou Emily.
Moody a levou até o quarto de Sirius. Emily lhe entregou a varinha e ele saiu trancando-a ali. Se deitou na cama de Sirius, onde várias vezes haviam dividido o leito, na intenção de se distraírem da vida de merda que levavam. Quantas vezes transara com Sirius? Só depois que terminaram Hogwarts que finalmente cedeu aos apelos dele...
Quase cem por cento das vezes estava chapada e bêbada. Só assim para ter coragem de se deitar com ele... Com Rabastan transara uma vez, na escola e ficara grávida. E agora de novo... alguns dias de sexo com ele e lá estava embuchada.
E o pior... não sabia o que fazer. Não sabia se tirava novamente e aguentava as consequências psicológicas que isso lhe causaria de novo... não sabia se procurava os pais dele, no desespero de encontrá-lo... ele nunca mais aparecera. Nunca mais escutara um rumor que fosse sobre ele. Não sabia nem se estava vivo...
Mas não podia criar aquele bebê sozinha... com que cabeça faria aquilo? Não era responsável o suficiente para ter um filho e não tinha dinheiro o suficiente para criar uma criança...
E a cada dia que passava com aquele bebê na barriga, as chances de um aborto bem sucedido diminuíam...
Abraçou o travesseiro de Sirius, sentindo-se estranhamente calma. Deveria estar surtando naquele momento, mas não. Estava muito calma, quase serena, apesar de ainda não saber qual decisão tomar.
Só sabia que não poderia esperar por Rabastan por muito mais tempo...
Os minutos se passaram lentamente e ela caiu no sono, abraçada ao travesseiro. Acordou com alguém a sacudindo levemente no ombro. Abriu os olhos e reconheceu Remus, sentado na beira da cama.
—Olá. – murmurou ele.
—Oi, Remus. – murmurou se sentando.
—Como você está? – perguntou ele.
—Sabe como eu sou. Sempre numa confusão nova. – disse sorrindo.
—Sim. Eu sei. – riu Remus – É verdade que está limpa? – perguntou ele.
—Sim. Me desintoxiquei. – respondeu – E não pretendo voltar praquela vida.
—Ótimo. – riu Remus – A reunião já terminou e Moody já foi. Vamos lá pra sala?
—Não. – disse sorrindo – Eu vim aqui atrás de você. Eu preciso de um conselho...
—Hum? – perguntou ele fazendo cara de surpreso.
—Eu te procurei na sua casa, mas você não estava lá. – disse – Então supus que, ou estava aqui, ou nos Potter... Ninguém nunca vai na casa do Pedro, porque ele mora com a mãe...
—É verdade. – riu Remus. Os dois deram uma risadinha – Mas então. No que posso te ajudar? – perguntou ele.
Emily respirou fundo. Tinha bolado toda uma história. Precisava ser muito convincente.
—Eu fiz uma besteira... antes de me limpar... eu fui num bar trouxa e conheci um cara. – murmurou ela – E fiquei tão bêbada que acabei indo pra cama com ele. Uma semana depois, o encontrei de novo e estava para repetir a dose, quando os comensais apareceram e começaram a matar todo mundo...
—Eu fiquei sabendo desse incidente. – disse Remus, um tanto desconcertado – Eles te reconheceram?
—Não sei. Mas o problema não é esse... – disse Emily – Ou ao menos não só esse.
—O que houve?
—Mataram o cara e agora eu descobri que... – ela respirou fundo – Estou grávida de novo.
Remus a olhou cocado.
—O que?
—Eu vivia bêbada e chapada, Remmy... eu não fiquei sóbria tempo o suficiente para tomar a droga do chá de lua... – resmungou ela – E não sei o que fazer.
Remus a olhou chocado.
—É... você... você acha que tem condições de... filhos? – perguntou ele.
—Eu não sei. Mas da última vez que eu abortei... foi um estrago tão fodido na minha mente... eu não sei se aguento de novo...
—Sempre pode botar na adoção... – disse Remus com uma careta.
—Eu... eu queria ter essa criança. – disse com um suspiro – Mas não sei se vou dar conta.
Remus a olhou com carinho.
—Então já tem sua resposta, Emms... você quer. – disse ele a acariciando no rosto – Mas no que puder ajudar, eu ajudarei. Você não vai ficar sozinha com essa criança, ok? – perguntou ele.
Emily sorriu agradecida e beijou as mãos de Remus.
—Obrigada, Remmy. – murmurou. Ela se deitou na cama de Sirius e Remus se deitou ao seu lado. Deitou a cabeça no braço dele e sentiu muita falta de Rabastan.
—Tenho um pouco de inveja de você... – murmurou ele – Eu nunca vou poder ter filhos...
—Por que?
—Meu filho pode nascer com a minha doença...
—Mesmo? – perguntou ela o olhando.
—Não sei... as pessoas como eu não costumam se reproduzir. – murmurou ele.
—Sabe, Remus... qualquer criança iria amar ter você como pai. Você é a pessoa mais meiga e carinhosa do mundo.
Ele não respondeu e ficaram em silêncio, até Sirius abrir a porta e pular em cima dos dois.
—MONTINHOOOO!
—Cresce, Black! – ralhou Emily.
Ficou até tarde na casa deles. Sirius disse que ela podia dormir lá, que ele dormia no sofá, sem problemas. Mas ela sabia que se aceitasse, o amigo iria mais do que simplesmente dormir. Sirius nunca fazia alguma coisa sem ter segundas intenções. Por isso negou e voltou para casa pela lareira mesmo.
Tirou a capa e a jogou no sofá. Se jogou na poltrona, e acariciou a barriga. Precisaria começar a economizar. Já estava juntando uma grana legal só por não estar mais pulando de farra em farra. Mas sabia que um bebê era muito mais dinheiro que isso... pediria um aumento para Madame Malkin ou tentaria um emprego melhor, na Travessa do Tranco.
Todos sabiam que os vestidos mais sofisticados eram de Madame Greengrass...
Fechou os olhos, fazendo planos e se perguntando se Rabastan estava bem, quando sentiu uma sensação agourenta de estar sendo observada. Abriu os olhos e viu uma figura encapuzada, de máscara.
Sorriu, aliviada e ficou de pé.
—Rabastan! Você voltou. Até que... – mas o homem lhe acertou com força no rosto, fazendo com que caísse no chão. Só então entendeu no perigo em que se encontrava. Tentou sacar a varinha, mas assim que a segurou, ela voou para longe, por causa de um feitiço. Se arrastou para longe dele, com medo – Por favor... por favor... – murmurou assustada.
—Rabastan quase morreu por sua causa. – rosnou o homem. Não reconheceu a voz dele – Você quase causou a morte dele. Não acha que já atrasou a vida dele o suficiente, Valentine? – perguntou o homem. E então ele tirou a máscara. Reconheceu Rodolfo Lestrange e seu corpo inteiro tremeu de medo.
—Rodolfo... por favor... me escute. – pediu assustada, mas ele apontou a varinha para seu rosto. Sua língua enrolou para trás, fazendo com que fosse impossível falar.
—Eu vou te dar uma lição. Uma lição da qual não vai esquecer, Valentine. Sobre ficar longe da minha família, do meu irmão. – entrou em pânico quando ele tirou a capa e começou a se despir. Tentou correr para a rua, sem conseguir gritar, mas Rodolfo a puxou pelos cabelos e a empurrou com muita força contra a parede – Você não vai gostar. Vai doer pra cacete. Vai ser demorado e eu vou apreciar cada segundo da humilhação que você vai passar, Valentine. – sussurrou ele em seu ouvido.
Emily tentou fugir dele, mas ele era simplesmente mais forte que ela. Chorou de desespero quando ele a despiu, rasgando seu vestido. Chorou ainda mais ao sentir a mão dele passear por seu corpo. Fechou os olhos, envergonhada e assustada.
—Isso mesmo. Chore. Chore que nem sua mãe chorou quando eu acabei com ela. – riu ele em seu ouvido. Emily piscou chocada, seu corpo inteiro ficando ainda mais tenso – Ah... Rabastan não te contou? Fui eu quem matei sua família. E hoje eu vou matar a última Valentine.
Não teve tempo de pensar em mais nada, pois Rodolfo acertou sua cabeça com muita força contra a parede. Sua mente virou uma confusão, sua visão enturvou. Sua noção de tempo ficou confusa. Assim como sua noção de espaço. Lembrava de estar em pé, com Rodolfo atrás de si a sussurrar ameaças, mas no momento seguinte estava deitada, com alguém a empurrar contra o chão, num movimento ritmado.
Piscou continuamente, olhando para frente, tentando focar. Por um momento achou que era Rabastan. Por um momento quis sorrir por ele ter voltado... mas sua visão começou a focar. Não era Rabastan, era o irmão dele. Ele a estava machucando, a beijando com desejo nos seios. Mas aquilo era simplesmente repulsivo. Chorou tentando afastá-lo, mas ele a socou no rosto com força.
—Por favor... pare... – pediu sentindo a parede acertar sua cabeça toda vez que Rodolfo a empurrava com os quadris, de maneira violenta. Tudo doía – Por favor... por favor...
—Cale a boca. Quer apanhar de novo? – perguntou ele sem parar de estuprá-la. Tentou empurrá-lo mais uma vez e acabou levando mais um soco. Pensou em falar que estava grávida do irmão dele, mas teve medo do que ele faria. Então ficou quieta, de olhos fechados, chorando baixinho, enquanto Rodolfo fazia o que queria com ela. – Abra os olhos. – ordenou ele. Negou em prantos e ele a socou de novo – Eu quero que veja meu rosto. E nunca mais se esqueça dele. – cuspiu um dente com aquele último golpe dele – Ande. Me olhe. – ela o obedeceu, tremendo de medo, chorando alto – Olhe pra mim e lembre desse rosto sempre que pensar em voltar para Rabastan. E saiba que isso tudo é culpa sua.
—Por que? – perguntou chorando. Rodolfo fechou o punho e ela se encolheu – Eu fico calada, por favor... – murmurou chorando.
Rodolfo seguiu a estuprando, sem permitir que ela olhasse para o lado. Precisou encará-lo enquanto ele fazia aquilo. Sentia uma dor horrorosa e só conseguia chorar. Quando ele terminou de estuprá-la, se levantou e a chutou nas costas.
—Agora... – murmurou ele – Crucio. – Gritou de desespero. A dor era excruciante. Se debateu no chão, chorando de dor. Depois de um tempo ele parou, mas logo fez de novo e de novo. Não soube dizer quanto tempo ficou naquilo.
Depois de um tempo, tudo ficou quieto e ela arriscou levantar a cabeça. Ele estava se vestindo, parecendo simplesmente furioso. Deitou-se muito quieta, sem saber onde sua varinha estava. Fechou os olhos com força, lamentando não ter aceitado o convite de Sirius. Soluçou, chorando, sem saber o que pensar ou fazer. Queria simplesmente morrer.
—Hora de terminar o serviço que o Lorde das Trevas me deu, anos atrás. – riu ele. Emily se encolheu, sabendo o que viria. Ao menos o Avada Kadavra era rápido e indolor... ou era o que se dizia – Sectumsempra. – Aquilo a pegou de surpresa. Sentiu sua pele se rasgar em vários lugares. O ar lhe faltou dos pulmões. A dor era terrível. Simplesmente terrível. Quis gritar, mas não conseguiu. – MORSMORDRE!
Não conseguiu ver o que aquilo fazia. Não conseguia ver coisa alguma. Não soube quando ele tinha ido embora. Nem viu se ele tinha ido embora... só viu aqueles coturnos negros com bico de ferro que Sirius usava. Foi a última coisa que viu...
*
Hogwarts
1992-1993
Gilderoy era ridículo. Alguém atacou a gata do Filch, sua irmã engordou ainda mais, Flint não deixou que ele entrasse pro time de quadribol e Draco não pegou o maldito pomo (estava na orelha dele!).
E aparentemente tinha um monstro horrível indo atrás dos nascidos trouxas na escola. Estava sentado na biblioteca, estudando com a irmã e Hermione, quando escutou aquela ameaça terrível pela primeira vez.
—Vão acabar fechando a escola... – disse um garoto da Corvinal, do quinto ano.
—Não podem fechar Hogwarts... – murmurou para a irmã, enquanto voltavam para o Salão Comunal – Podem?
—Claro que podem. E se esses ataques continuarem, é o que vai acontecer. – respondeu ela – É por isso que esse pensamento horrível de pureza de sangue é perigoso. Trate de se casar com uma nascida trouxa e corte o seu sobrenome do diretório puro sangue.
—Calma, jovem. – riu Rasalas – Casamento não é minha praia, ok?
Alhena apenas riu.
A cada ataque que acontecia, a apreensão e pânico aumentavam, não só por parte dos alunos, mas os professores também pareciam muito nervosos.
Alguns alunos começaram a nunca andar sozinhos. Outros, ficavam se gabando sobre ser de gerações antigas puro sangue.
—Pra quê isso? – perguntou Rasalas logo depois do café da manhã.
—Estão com medo. – explicou Alhena – De serem atacados, então ficam falando que são sangues puro, na tentativa de se proteger.
—Bem... somos Lestrange. Não precisamos falar isso por ai. – riu Rasalas.
—Ei, Lena. – riu Damian olhando para ela. A garota encolheu um pouco ao olhá-lo – Não está com medo do monstro te pegar? Todo mundo sabe que os Valentine eram traidores de sangue. Você e essa sua mania de querer insistir que não é Lestrange não é se colocar em risco?
Alhena pareceu empalidecer ao ouvir aquilo. E também sempre que alguém a chamava de Valentine – como os professores. Não demorou muito para que ela pedisse aos professores que não a chamassem mais de Valentine, e só de Alhena ou de Lestrange mesmo (apesar que ela fazia careta ao ouvir Alhena Lestrange).
Antes do natal os alunos teriam que escolher matérias extras que fariam no terceiro ano. Alhena pegou Runas, Adivinhação e Estudo dos Trouxas. As amigas dela a olharam com censura, mas ela deu de ombros.
Rasalas escolheu Trato de Criaturas Mágicas e Runas. Depois se virou para os amigos.
—Vamos fazer Estudo dos Trouxas?
—Não. – responderam Draco, Blair e Damian, ao mesmo tempo.
—Vamos! Vai ser legal. Vermos as esquisitices deles. – insistiu o garoto com um sorriso.
—Não vou perder meu tempo estudando isso. – resmungou Draco, que tinha pego as mesmas matérias que ele.
—Tipo isso. A única coisa que quero dos trouxas é distância. – concordou Damian, que tinha pego Trato de Criaturas Mágicas e Adivinhação.
—Trouxas são ridículos. – murmurou Blair, que tinha pego Trato de Criaturas Mágicas também e Aritmancia.
Rasalas soltou um muxoxo.
—É... então ok. Mas vocês não iriam conseguir de qualquer jeito. – murmurou Rasalas se fazendo de indiferente. Notou que os três o olhavam levemente ofendidos – Não é qualquer bruxo que consegue entender os trouxas. Eles são muito complexos.
—Sim. – concordou Alhena rabiscando seu caderno, fazendo um desenho de Dumbledore com saia de balé – E de qualquer maneira, eles não iriam entender as aulas de educação sexual.
Até Rasalas piscou ao escutar aquilo.
—O que disse? – perguntou Draco – Educação Sexual? Aprendemos sobre sexo em Estudo dos Trouxas?
—Os trouxas tem muito estudos sobre sexo. – concordou Alhena, sem olhar para cima, e Rasalas notou que as orelhas dela estavam vermelhas – Existe uma aula no sexto ano que é só sobre isso. Vem uma profissional aqui, ensinar algumas coisas... – Ela levantou o olhar para Rasalas, completamente vermelha – Lupin contou que teve uma aula em que eles tinham que simular que uma banana era um pênis e então... bem... ensinavam os métodos contraceptivos dos trouxas... Ele falou que o amigo dele ficou pedindo para a nossa mãe ser a dupla dele e ela deu uma joelhada nas bolas dele.
Rasalas engoliu uma risadinha.
—Isso parece ser cômico. – riu Rasalas.
—Sim. Sem falar que estudaremos teatro e música trouxa também.
—Teatro? – perguntou Draco. Ele coçou o queixo – Bem... não que eu esteja interessado em ter aulas sobre sexo. – riu ele marcando Estudo dos Trouxas – Mas vamos ver se os Trouxas entendem de arte.
—Eu vou pelas aulas de sexo mesmo. – riu Damian, também se escrevendo.
Blair os olhou com censura, mas revirou os olhos.
—Que se dane. – murmurou ele se inscrevendo na disciplina também.
Mas os ataques seguiram acontecendo, e quando Hermione foi atacada, tanto Rasalas quanto Alhena ficaram arrasados. Firam visitá-la uma vez apenas, já que depois proibiram as visitas.
Hogwarts, que sempre parecera um porto seguro, agora parecia assustadoramente ameaçadora. E tudo piorou quando Ginevra Weasley foi levada para a Câmara Secreta.
Havia um certo ar de pânico em todos os lugares. Alhena não parava de chorar, assustada e com medo de ser a próxima. Rasalas estava nervoso também. Afinal era amigo dos Weasley, de Harry e Hermione. Damian e Blair sempre falaram que aquele tipo de comportamento não era adequado. E agora estava correndo o risco de ser atacado...
Se tivesse sorte, fechariam a escola antes disso acontecer.
Mas muitos Sonserina não ligavam muito. Draco, Greg, Vince e Damian pareciam muito convencidos de que nada de ruim aconteceria com nenhum deles. Mas no geral, todos estavam preocupados...
Receberam a instrução de guardarem suas coisas e de não deixar seus respectivos salões comunais. Rasalas não tinha vontade nenhuma de desobedecer. Fez sua mala e então foi para um sofá, do salão comunal. As pessoas conversavam baixinho umas com as outras e o clima não era nada festivo.
Alhena logo apareceu, e se sentou ao seu lado, com seu caderno de desenho. Ficou observando a irmã desenhar um vestido de festa, quando notou que Daphne tinha se sentado do seu outro lado. Ela se curvou sobre ele para ver o desenho da amiga e sorriu.
—Minha mãe iria adorar esse.
—Até parece. – riu Alhena – Ainda está estranho.
—Não está! – riu Daphne. Ela então se deitou, com a cabeça no colo de Rasalas, esticando as pernas – Agora que vão fechar Hogwarts... vocês devem ir pra Durmstrang, não é?
—Ou Beauxbatons. – murmurou Alhena – E você?
—Beauxbatons, com certeza. – murmurou Daphne – O que você acha, Rasalas? Durmstrang ou Beauxbatons?
—Com certeza Durmstrang. – murmurou ele – Meu avô quem vai escolher a escola. Ele quem vai pagar. – adicionou. Alhena parou de desenhar e ficou estática, como se isso nunca tivesse lhe ocorrido.
—Ele... ele vai separar a gente. – disse ela colocando a mão na testa.
—Alhena? – perguntou Rasalas, não gostando nada daquilo. A irmã ficou tensa, como sempre ficava quando tinha alguma visão. Os olhos viraram, ficando completamente brancos e em seguida, ela respirou fundo, voltando ao normal. Rasalas viu a irmã o encarar com certo pânico.
—Ele não faria isso. – disse convicto.
—É... – concordou ela tremendo de leve – Ele não seria tão cretino assim... – murmurou ela, chocada – Ele não iria me separar de você... – ela pegou o próprio caderno e seguiu desenhando.
Daphne se sentou, olhando preocupada para a amiga. Ela e Rasalas trocaram um olhar preocupado.
—Ele não faria isso. Com certeza não faria! – disse Daphne segurando sua mão. Rasalas sentiu o rosto esquentar com o toque dela e puxou a mão, um tanto desconfortável.
—Eu... eu vou pro meu dormitório... ok, mana? – perguntou nervoso.
—Ok... – murmurou Alhena, sem olhá-lo.
Rasalas respirou fundo, indo para seu dormitório, mas antes de descer as escadas, olhou para trás e captou o olhar de Daphne. Sentiu um arrepio lhe subir a espinha e correu escadaria a baixo.
Entrou no dormitório e se jogou em sua cama. Draco estava na própria cama, brincando com um pomo de ouro qualquer.
—Ei... Draco?
—Hum?
—O que você acha da Daphne? – perguntou olhando para cima.
—Bonita. – murmurou ele dando de ombros – Por que?
—Ela segurou minha mão agora a pouco. Foi esquisito.
—Por que? Talvez ela goste de você. – murmurou o garoto.
—Mas... mas ela é a melhor amiga da minha irmã... seria esquisito, não?
—Eu não acho que ela se importaria, a Alhena... digo... Se algum garoto do nosso ano beijasse a sua irmã... você iria...
—Estrangular o idiota. – respondeu Rasalas. Draco se sentou na cama, com um sorriso debochado.
—Fala sério, Rasalas. Do jeito que sua irmã é, se algum garoto quisesse beijá-la, você deveria ficar feliz por ela.
—O que quer dizer com isso? – perguntou Rasalas se sentando.
—Que sua irmã não é popular com os garotos. E isso não é mistério pra ninguém. – Draco deu de ombros – Ela não é bonita como Daphne, nem tem auto estima e presença como Pansy... Nem mesmo o carisma da Emilia...
Rasalas franziu a testa, notando que aquilo era bem verdade.
—Alhena é muito legal. – murmurou ele – Mas ela é tímida. Se ela se soltasse um pouco, todo mundo iria gostar dela.
—Ajudaria se ela soubesse ao menos conversar. Outro dia Vince perguntou se ela podia passar o sal e ela quase sangrou pelos ouvidos de tão vermelha. – riu Draco – E teve aquela vez que ela desmaiou quando eu ofereci para acompanhá-la no baile.
—Foi culpa da dieta e do espartilho dela. – defendeu Rasalas.
—Que seja. – riu Draco – Sua irmã precisa melhorar ou fisicamente ou socialmente... ou nunca vai ser mais do que: Ah... aquela ali? É a irmã do Rasalas. Ou então: É a amiguinha nerd da Daphne. – Draco o olhou com os olhos estreitos – E não faz cara feia pra mim. Você sabe que é verdade.
Rasalas suspirou.
—Eu não sei o que vai ser dela se o vovô me colocar numa escola e ela em outra. – murmurou ele.
—Talvez ela melhore. – disse Draco dando de ombros.
—Como? – perguntou arqueando a sobrancelha direita até o limite.
—Oras... sem ter ninguém para protegê-la, ela seria obrigada a crescer por si mesma... a andar com as próprias pernas. Tanto em Durmstrang quanto em Beauxbatons... – explicou Draco – Mas esse é apenas meu ponto de vista.
—Eu acho que você é meio míope. – provocou Rasalas. Draco apenas deu de ombros.
—Nos vemos em Durmstrang depois do verão? – perguntou o garoto.
—Eu acho que sim. Meu avô não ia me botar na Beauxbatons... – murmurou Rasalas – É colégio de maricas.
—O uniforme combinaria com seus olhos. – provocou Draco.
—Temos os olhos praticamente da mesma cor, Malfoy! – riu Rasalas e o amigo corou de leve.
—Opa... falhei, nessa. – riu o amigo.
**
—De novo, Harry? – ralhou Rasalas abrindo a porta da cabine. Harry se deu ao trabalho de corar.
—Bem...
—Precisa ser herói todo final de ano e roubar a droga da nossa Taça das Casas? – riu Rasalas se jogando no banco com um sorrisinho. Alhena estava de pé na porta, com um sorriso.
—Obrigada por salvarem Hogwarts, Harry e Rony. – murmurou Alhena, incrivelmente vermelha – E que bom que voltou, Mione...
Rasalas sorriu e puxou a irmã, para que ela se sentasse ao seu lado. Ficaram os cinco conversando animadamente, sorridentes. Parecia que só ficavam juntos naquele trem, mas mesmo assim Rasalas se sentia muito bem com eles.
—Já pararam pra pensar que é a segunda vez em dois anos que vocês impedem a volta de Você-Sabe-Quem? – perguntou Rasalas – Espero que ano que vem seja um simples ano letivo. Sem nada de extraordinário. Assim, quem sabe, a gente ganha a droga da Taça das Casas!
—Bem... eu não me importaria de ter um ano comum, só pra variar... – resmungou Rony.
Ficaram conversando por longos minutos, até que a porta da cabine se abriu. Eram Pansy, Emilia e Daphne.
—Até que enfim te achei, Lena! – ralhou Pansy, parecendo impaciente, olhando para Alhena com censura – O que raios está fazendo com... – ela olhou com desdém para Hermione – Essa gente?
—São amigos dela também, Pansy. – respondeu Rasalas, enquanto Alhena olhava para os próprios pés.
—Não! Essas pessoas não são suas amigas, Lena. Nós somos. – disse Pansy com autoridade – Vamos embora. Se o seu irmão gosta de se misturar com eles é problema dele, ele não é meu amigo, mas você é. Não vou deixar que fique se relacionando com gente tipo Granger.
—E qual é o problema? – perguntou Hermione, corada.
—Vamos, Alhena. – insistiu Pansy, com a voz cheia de autoridade.
—Vamos, Lena... – murmurou Daphne, com um sorriso, estendendo a mão.
Alhena olhou completamente em pânico para o irmão, para os Grifinória e depois para as amigas. Ela então se levantou, parecendo sentir muito por aquilo e o olhou tristemente.
—Você vem?
—Não. – respondeu sentindo-se mal – Mas vai lá... ou não Pansy vai te excluir do grupo.
—Mas... Ras... – murmurou Alhena.
—Sabe de uma coisa? Antes sozinha do que mal acompanhada. – disse Rony – Parkinson não é sua dona, Lena.
—Ela é MINHA amiga e eu sei o que é melhor pra ela, Weasley. – rosnou Pansy – Agora vem, Lena. – disse a garota puxando Alhena rudemente pela mão.
—EI! – gritou Rasalas, sem aprovar aquilo, mas Parkinson não pareceu se importar. Ela arrastou Alhena para fora da cabine e as amigas dela olharam feio para Hermione antes de saírem atrás das duas.
—Parkinson vai transformar sua irmã numa escrava dela. – murmurou Hermione. Rasalas se levantou e fechou a porta da cabine.
—Já não transformou? – perguntou Harry franzindo a testa – Coitada dela...
Rasalas suspirou concordando. Depois teria uma boa conversa com a irmã, para que ela tomasse cuidado com o que Parkinson fazia. Parkinson não mandava nela. Ou ao menos não deveria...
***
Rasalas subiu os degraus de pedra, sentindo o cheiro do mar e ouvindo as ondas baterem com força contra os rochedos lá embaixo. Quando por fim chegou na recepção, foi até o balcão para assinar seu nome.
—O que está fazendo aqui? – perguntou uma mulher qualquer – Onde está a sua mamãe?
Rasalas a olhou feio por ela falar com ele como se ele fosse um bebê.
—Eu vim visitar meu pai. Rabastan Lestrange. Ele tem direito a duas visitas por mês. – respondeu com a voz firme.
—Rabastan tem um filho? – perguntou a mulher pegando um livro qualquer.
—Eu vim no último natal, com a minha mãe. – disse calmamente – Rasalas Lestrange.
—Sim... sim... está aqui no registro... – a mulher fechou o livro o olhando preocupada – Mas nós não costumamos deixar crianças desacompanhadas entrarem...
—Eu vou precisar falar para o meu avô, Rodolfo Lestrange, que você me causou problemas? – perguntou severamente, com o mesmo tom que Draco sempre fazia para ameaçar alguém com “meu pai ficará sabendo disso” – Como é mesmo o seu nome?
—Oh... calma, garoto. Está tudo bem. Ok? – perguntou ela um tanto nervosa. Rasalas respirou fundo com impaciência e esperou até que o guia aparecesse para levá-lo até a cela.
—Ele sozinho? – perguntou o homem.
—Aparentemente sim. – respondeu a mulher da recepção dando de ombros.
Rasalas recebeu um olhar desconfiado do homem, mas não teve problemas com ele. Logo estava atravessando os corredores sinistros de Azkaban. Estava se sentindo muito orgulhoso de si mesmo. Tinha conseguido. E sozinho! Estava decidido a fazer isso em todos os verões, natais e recessos de páscoa.
E um dia faria Alhena vir com ele.
O carcereiro destrancou uma porta e murmurou.
—Cuidado. Não ande perto das grades. Alguns deles gostam de...
—Eu estou ciente. – disse sorrindo – Obrigado pela preocupação.
—Hum... ok... sem problema – murmurou o homem, completamente sem jeito.
Rasalas atravessou o corredor, sentindo muito frio, afinal não tinha mais o patrono de sua mãe para esquentá-lo. Os dementadores flutuavam no teto, o acompanhando com as cabeças encapuzadas. Sentiu um certo arrepio com aquela visão e decidiu não ficar encarando aquelas criaturas.
Logo chegou na cela de seu pai. Ele estava sentado, bem no fundo da cela, abraçado aos joelhos, tremendo de frio. Rasalas encostou a testa na cela e ficou o observando.
—Pai?
Rabastan levantou a cabeça com velocidade e sorriu. Depois se jogou contra a grade, para abraçá-lo. Rasalas sorriu, ignorando o mal cheiro e abraçou o homem de volta.
—Como você está? – perguntou Rabastan – Quanto tempo passou? – perguntou ele – Está mais alto... – Rasalas sorriu e tirou uns bombons do bolso.
—Tome. Pra você. – disse ele.
—O que é isso? – perguntou Rabastan pegando. Mas logo ele soltou um suspiro – Vai precisar quando sair. Onde está a sua mãe? – perguntou Rabastan.
Rasalas fechou a cara e isso fez seu pai sorrir.
—O que foi?
—Não é nada. O que houve com a sua mãe?
Rasalas respirou fundo, sem saber o que dizer.
—Você conhece um tal de Remus Lupin? – perguntou o garoto. Rabastan fechou a cara também.
—O que houve? O que aquele homem fez? Ele machucou sua mãe? – perguntou ele um pouco mais apreensivo.
—Não... ele é um sonso. – resmungou Rasalas – Mamãe está bem... mas aquele tal de Lupin não sai mais lá de casa. E fica trocando sorrisinhos com ela. Eu não aguentava mais a mamãe toda boba, ele todo gentil e Alhena, achando tudo lindo. Então eu vim te ver.
—Sua mãe... está namorando o Lupin? – perguntou Rabastan com um olhar irado. Ele se levantou respirando apressado – Aquele mestiço?
—Hei! – ralhou Rasalas – Fica calmo, ok? – perguntou – Eles não estão namorando, mas Alhena acha que é apenas questão de tempo.
—E por que a sua irmã não veio? – perguntou Rabastan, ainda parecendo zangado. Rasalas desviou o olhar, sentindo-se mal por nem tê-la chamado – Ei... não faça essa cara. – murmurou o homem se ajoelhando de frente para grade – Estou muito feliz que tenha vindo, ok? – perguntou ele. Rasalas deu um sorriso triste e estremeceu. Estava muito frio ali. Ele pegou um dos chocolates e o tirou da embalagem.
—Vamos comer. – pediu ele. Rabastan suspirou e concordou. Rasalas se sentou do outro lado da grade – E então... hum... novidades?
—Ei... Garoto. – murmurou uma voz desconhecida. Rasalas olhou para frente e viu que tinha um homem ali. Sentiu um arrepio lhe percorrer a espinha, pois logo o reconheceu – Me dê um desses.
—Rodolfo. Viu quem é? – perguntou Rabastan. Rodolfo piscou e negou com a cabeça – É meu filho. Eu te contei sobre ele.
Rodolfo tossiu e se jogou contra a grade. Rasalas se sentiu um pouco intimidado pelo tio. Ele era mais alto que seu pai, com os cabelos negros e muito barbudo. Mas os três tinham os mesmos olhos prateados.
—É o Rasalas, não é? – perguntou Rodolfo.
—Sou eu. – murmurou. Sentiu seu pai colocar a mão em seu ombro.
—Está tudo bem. Seja um bom menino e dê um doce para seu tio... Onde está Bellatrix?
—Voltou para a solitária. Arrancou a orelha de uma das bruxas. – murmurou Rodolfo se esticando para alcançar o doce. Quando Rasalas chegou o suficientemente perto, o homem o segurou com força e o puxou de uma vez. Quase caiu no chão, mas o homem o segurou com firmeza – Olhe só pra você... é a cara do seu avô, Valentine. – riu Rodolfo.
—Não fale demais. Ele é só um garoto. – ralhou Rabastan.
Rasalas sentiu um frio no estômago com o olhar penetrante do tio. Ele o analisava com muita atenção.
—Eu não sou idiota. – respondeu o tio – Me diz, garoto. O que acha da causa puro sangue?
Seria muito idiota se falasse que não gostava. Até onde sabia, seu tio era um terrível assassino e braço direito do Lorde das trevas.
—Ah... é a mais nobre das causas. – disse imitando as palavras do avô – Eu sou um Lestrange e penso como um, é claro.
—É claro... – murmurou Rodolfo, ainda o encarando – Sua mãe já falou de mim?
—Não. – respondeu simplesmente – Ela quase não fala do meu pai... o que dirá do meu tio.
Rodolfo sorriu cruelmente e o soltou.
—Diga que eu mandei um “oi”. – riu Rodolfo – Fale que eu nunca esqueci da última vez que nos encontramos.
—E quando foi isso? – perguntou Rabastan.
—Logo depois que o Lorde das Trevas te castigou por sua desobediência. – respondeu Rodolfo – Eu fui visitá-la, para falar que você estava vivo e para dizer que você em breve voltaria... mas ela me expulsou de lá. Nunca gostou de mim, a Emily. – murmurou Rodolfo – E então ela entrou para a Ordem, como nosso espião descobriu e Yaxley foi enviado para matá-la. Por um bom tempo achamos que ele tinha matado... – Rodolfo olhou para o sobrinho e sorriu cruelmente – Mas vejo que os Valentine são difíceis de matar... alguns mais do que outros.
Rodolfo pegou o bombom e o colocou inteiro na boca. Rasalas recuou até ficar contra a grade do pai. Então ele se virou.
—Quem é Bellatrix? – perguntou com curiosidade.
—Sua tia. – respondeu Rabastan – A esposa do meu irmão.
—Que mulher. – riu Rodolfo – Você está morando com o seu avô?
—Não... mas passamos todos os finais de semana com ele.
—Imagino que o seu quarto seja o meu, não é?
—Sim. – respondeu Rasalas, calmamente.
—Bem... De baixo da cama, se meu pai não tiver descoberto, tem uma tábua que está solta. Eu fiz um buraco debaixo dela e a encantei para ficar maior do que realmente é... Eu guardava muitas coisas legais ali. Deveria dar uma olhada.
—Artes das Trevas? – perguntou com um sorriso cheio de entusiasmo.
—Álcool... – riu Rodolfo – Algumas revistas interessantes... e sim... tem uns livros que podem ser do seu interesse.
—Legal... – disse sorrindo – E você, papai? Tem algo no seu quarto?
—Não. – respondeu seu pai calmamente, ainda comendo o bombom – Eu sempre entregava minhas coisas ilícitas pro Rodolfo. Guardávamos no mesmo lugar...
—Hum... legal. Então está tudo no meu quarto. – riu Rasalas.
—Está em que ano, filho? – perguntou Rodolfo.
—Vou pro terceiro. – respondeu dando de ombros.
—Treze. Já está na idade de arrumar umas namoradas. – riu Rodolfo, escorado na parede.
—Eu não acredito que você REALMENTE disse isso. – ralhou Rabastan com um sorrisinho. Rasalas olhou para o pai, confuso – Seu tio nunca quis ter filhos. Ele não sabe lidar com crianças. – respondeu seu pai – Mas disse que seria um tiozão, que sempre faria essa pergunta pros meus filhos: e as namoradas?
—Eu sou um homem de palavra. – riu Rodolfo.
Rabastan riu negando com a cabeça.
—Mas bem... tem alguma garota especial? – perguntou Rabastan.
—Não. – respondeu o garoto – Mas... o Draco disse que a Daphne talvez goste de mim.
—Daphne o que? – perguntou Rodolfo.
Sempre os sobrenomes... resmungou Rasalas, mentalmente
—Greengrass.
—Eu namorei uma Greengrass na escola. – disse Rodolfo – Gostosa e santinha. Não queria descruzar as pernas pra mim... mas eu acabei a convencendo. – Mas ele falou aquilo num tom muito esquisito e o sorriso dele foi bastante cruel.
Rasalas chegou à conclusão de que não gostava de seu tio...
—Emily foi minha única namorada. – murmurou Rabastan.
—Como vocês começaram a namorar? – perguntou Rasalas com curiosidade.
—Ela era apaixonada por Lupin... – murmurou Rabastan franzindo a testa – Mas levou um fora dele, eu acho. Éramos amigos e ela veio falar comigo, para desabafar... acabamos fazendo muito mais do que conversar... – ele deu uma risadinha e Rasalas se perguntou se queria mesmo ouvir aquilo – Eu fiquei louco com ela. E quando Black começou a paquerar a Emily... eu fiquei doido da vida. Então a convidei pro baile da escola e começamos a namorar de verdade.
—Eu lembro quando você trouxe aquela cacatua lá pra casa. – riu Rodolfo.
—Ela não estava com os cabelos coloridos. – ralhou Rabastan – Parecia uma verdadeira dama.
—Eu nunca vi uma dama tatuada daquele jeito. – retrucou Rodolfo – Papai faltou expulsar ela lá de casa. Sua mãe brigou com o Rabs e eles terminaram.
—Foi... – murmurou Rabastan. Rasalas olhava de um para o outro, ansiando por mais informações – Quase fizemos as pazes no final do sétimo ano, mas ela descobriu que eu era um comensal... – Rabastan soltou um suspiro – Me evitou desde então... só nos reencontramos quando eu implorei pela ajuda dela, quando estava ferido.
—Ela cuidou muito bem de você, não é, mano? – riu Rodolfo.
—Sim. Ela é muito boa com poções regenerativas. – disse Rasalas inocentemente. Nem captou a troca de olhares de seu pai e tio – Ela sempre cuidava rapidinho dos meus machucados. Alhena nunca foi de se machucar muito, só eu.
Ficou conversando longamente com os dois, se divertindo e dividindo seus chocolates com eles, até mesmo com o tio. Quando o carcereiro gritou que seu tempo tinha terminado, o garoto se levantou e abraçou o pai mais uma vez.
—Quando vai poder voltar? – perguntou Rabastan.
—Ainda esse mês. – prometeu o garoto – Depois só no natal.
—Está ótimo. – riu Rabastan – Vou estar te esperando. E continue mandando cartas, ok? Eu adoro suas cartas... Peça para sua irmã escrever para mim também.
—Vou pedir.
—Ei, Rasalas. – chamou seu tio ainda recostado na grade – Quando é o aniversário de vocês?
Rasalas franziu a testa.
—Pretende me mandar um presente?
—Eu adoraria. – riu Rodolfo – Mas quando é.
—10 de Novembro. – respondeu o garoto.
Rodolfo começou a contar nos dedos e então sorriu.
—Ótimo.
—Estava vendo se batia, seu canalha? – riu Rabastan – Eu sei que ele é meu. Emily jamais mentiria sobre isso. E nosso pai não teria assumido os dois se não tivesse certeza.
—Tem razão... – murmurou Rodolfo parecendo levemente decepcionado – Ele é um bom garoto. Volte para nos visitar, Rasalas. Você quase me faz arrepender-me de não ter tido os meus... – riu ele daquele jeito cruel.
****
Rasalas abriu a porta e tirou a capa. Estava morrendo de calor, agora que tinha saído daquele ninho de dementadores. Jogou a capa em cima do ombro e foi abrindo os botões das vestes de bruxo. Queria tomar um banho, colocar uma regata e uma bermuda... depois tomaria suco até quase explodir.
Mas assim que chegou na sala, seu olhar cruzou o de sua mãe. Ela o olhava chocada.
—ONDE RAIOS VOCÊ ESTAVA, RASALAS? – gritou ela, enfurecida. Alhena não estava ali, e isso era muito esquisito.
—Eu fui ver o meu pai. – respondeu simplesmente, indo em direção a seu quarto.
—Como é que é? – perguntou ela, num sibilo furioso – E não te ocorreu avisar a idiota aqui?
—Não. Você estava muito ocupada trocando sorrisos e piscando demais pro Lupin. – Respondeu Rasalas, sem paciência – Ele já foi, por um acaso?
—Ele está na rua, com a Alhena, procurando por você! – rosnou sua mãe – Como você ousa sair sem me avisar! Nunca mais quero que faça isso.
—Eu vou visitar meu pai sempre que eu quiser. – retrucou Rasalas se virando para ela – E eu não vou ficar aqui vendo você passar ridículo praquele doente do...
Mas um tapa de sua mãe o fez se calar. Nunca tinha apanhado na vida e a primeira vez ser por conta daquele homem que não suportava o deixou simplesmente furioso.
—Nunca mais... – sibilou sua mãe com a voz tremida – Nunca mais ouse falar desse jeito do Remus.
Rasalas ainda estava com a mão na bochecha em que levara o tapa.
—Sabe o que, mamãe? Eu vou pra casa do meu avô arrumar um adjetivo melhor pra ele. Que tal: mestiço? – perguntou furioso – Nunca mais levante a mão pra mim.
—Ficou meia hora com Rabastan e já está falando essas coisas horríveis? – sibilou sua mãe.
—Pois é. E tio Rodolfo mandou “oi”. – adicionou furioso. Se virou para ir para o seu quarto, mas o silêncio que sua mãe fez foi simplesmente esquisito. Se virou e a olhou. Ela empalidecera muito ao ouvir aquele nome. Ela tremia dos pés à cabeça e parecia em pânico, aérea – O que foi?
—Nunca mais... nunca mais você vai... voltar pra lá. – sibilou sua mãe.
—O que? – perguntou ele – Você não pode me obrigar a...
—EU SOU A SUA MÃE. VAI PRO SE QUARTO. VAI PASSAR O RESTO DAS FÉRIAS DE CASTIGO! – disse ela com os olhos cheios de água.
Rasalas revirou os olhos. Estava zangado com ela. Talvez passasse o resto das férias na casa do avô, onde poderia fazer o que quisesse e provavelmente poderia visitar os amigos.
Foi para o quarto e se despiu, para ir tomar um banho demorado. Depois de limpo, foi para seu quarto e encontrou Alhena ali.
—O que você disse para a mamãe? – perguntou Alhena, que parecia assustada.
—Não disse nada de demais. – resmungou zangado.
—Ela está bebendo. – lamentou a irmã.
Rasalas sentiu um calafrio lhe subir a espinha. Se zangando de novo, foi até a porta, na intenção de tirar qualquer coisa alcoólica dela, mas Alhena o segurou.
—O que foi? – perguntou sem humor.
—Lupin pediu para que a gente não saísse do quarto.
—Lupin não mora nessa casa. Ele não me diz o que fazer e ele não vai cuidar da minha mãe. Ele NÃO é o nosso pai, Alhena!
—Nosso pai está preso, Rasalas! Porque ele é um homem mau! – disse ela com a voz aguda.
—E como você poderia saber? – perguntou ele se soltando dela – Você não foi vê-lo nenhuma vez. Nem o conhece!
—Você só o viu uma vez.
—Duas! E foi o suficiente para ver que ele gosta de mim e que só quer o melhor pra mamãe. Sem ter segundas intenções.
—Do que está falando? – perguntou Alhena.
—Que Lupin só quer entrar nas saias da nossa mãe.
—Pare de ser idiota! Eles são amigos.
Mas Rasalas abriu a porta e saiu. Andou até o quarto da mãe. Ela estava sentada no chão e Remus a abraçava falando baixinho com ela. Assim que o viu, Rasalas sentiu uma onda de fúria. Não entendia o porquê de detestar tanto aquele homem.
—Por que faz isso? – perguntou pra mãe.
—Rasalas... eu estou ajudando... – começou Lupin, mas o garoto o olhou enfurecido.
—Quer ajudar, Lupin? Comece nos deixando em paz. Vá embora! – rosnou zangado. Lupin o olhou surpreso e sua mãe o olhou furiosa.
—Rasalas Valentine! Eu já te disse... – começou sua mãe, completamente alterada pela bebida.
—Cale a boca! – rosnou Rasalas – Não percebe o papel ridículo que está passando? E está envolvendo outras pessoas nisso! – disse apontando para Lupin – Onde estão as garrafas de bebida?
—Isso não é da sua conta! Eu sou a sua mãe e... – começou ela, mas Rasalas só ficou mais furioso.
—ENTÃO COMECE A AGIR COMO UMA! OU QUER QUE MEU AVÔ TIRE A NOSSA GUARDA DE VOCÊ? É O QUE ELE VAI FAZER SE SEQUER PENSAR QUE VOCÊ SE DESCONTROLA DESSE JEITO POR BESTEIRA! – gritou furioso – É ISSO QUE VOCÊ QUER? SE LIVRAR DE MIM E ALHENA, PRA FICAR COM ESSE... ESSE... ESSE CARA? – perguntou apontando pra Lupin.
—Rasalas... – murmurou sua mãe frouxamente – Não, meu amor...
—Então, pelo amor de Merlin! – disse num tom mais brando – Alhena, ajuda a mamãe a tomar banho. – disse com autoridade para a irmã. Ela o olhava assustada, mas concordou, indo até a mãe – E você, vai embora! – rosnou Rasalas – Eu não quero te ver aqui, entendeu?
—Essa casa é da sua mãe, Rasalas. Enquanto ela me considerar...
—Se você voltar, eu saio. – disse o garoto, num tom gelado – É isso o que quer? Que ela tenha que escolher?
—Você é igualzinho a Rabastan. – disse Lupin franzindo a testa.
—Vou tomar isso como elogio. Agora vá embora, antes que eu perca a minha paciência.
Lupin ficou de pé e respirou fundo.
—Bem... se você vai se acalmar se eu me for... eu vou. – murmurou ele, calmamente – Mas você tem que entender que eu e sua mãe somos amigos e eu só quero o melhor pra ela. – disse ele. Rasalas cruzou os braços, olhando com asco para Lupin – E, se possível... não fale de Rodolfo Lestrange para ela.
—Ele é meu tio. E eu nem disse nada. – disse zangado.
—Bem... como quiser... eu vou indo. Espero que fiquem bem. Eu gosto muito da sua mãe.
—Que seja. – ralhou Rasalas.
Ele ficou observando Lupin sair. Só então se permitiu ficar mais calmo. Catou os cacos de vidro espalhados pelo quarto, assim como as garrafas de bebida. As despejou na pia e jogou as garrafas no lixo da rua. Depois voltou para a casa.
Muitos minutos depois, quando Alhena voltou para o quarto, ele se virou para ela.
—O vovô não pode nem sonhar com esse problema da mamãe, ouviu?
—Ok, Rasalas... – murmurou Alhena com os olhos evasivos – Nunca tinha te visto daquele jeito... você parecia outra pessoa.
Uma pessoa que vai ser cada vez mais presente, irmãzinha... pensou consigo mesmo.
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