Legado De Poder
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Assim, na quinta-feira, a noite descia lenta e quente sobre a Fortaleza de Prata, banhada por um brilho suave refletido pelos balizadores que dominavam a paisagem ao redor. O evento, em seu esplendor, transformara o ambiente opulento em um cenário encantador, onde a pompa e a ostentação se misturavam em harmonia. O salão, situado logo após a larga escada do saguão, resplandecia em esplêndida decoração, um verdadeiro banquete para os sentidos.
Candelabros de cristal pendiam do teto alto, lançando uma luz cálida e cintilante sobre as mesas cuidadosamente dispostas. Cada mesa estava adornada com toalhas de linho branco, vasos com flores frescas e talheres de prata reluzente. Ao fundo, uma orquestra tocava melodias suaves num palco montado que tinha um púlpito de acrílico com um microfone pronto no meio.
Gigi estava sentada a uma mesa central, seu olhar vagando pelas interações ao seu redor. Os convidados, uma mistura de nobres e figuras reconhecidas, conversavam animadamente, suas vozes formando um murmúrio constante, como um mar de cochichos e risos. Taças de cristal tilintavam em brindes sofisticados, enquanto risadas melodiosas ecoavam pelo salão, misturando-se com as suaves melodias da orquestra. No entanto, algo a incomodava.
Ela percebia algo estranho no ambiente, um desconforto que se manifestava na forma como os outros a olhavam. Diferente da vez do baile oculto, onde estivera de máscara e ninguém a olhara diretamente nos olhos, agora os convidados a observavam com uma curiosidade quase intrusiva. Gigi notava os olhares furtivos, a maneira como desviavam o olhar rapidamente quando ela os encarava, e isso a deixava inquieta.
Os sorrisos desviados, por mais cordiais que fossem, carregavam uma pitada de segredos não revelados. A jovem sentia-se exposta, como se todos soubessem algo que ela ainda não sabia, e essa sensação a fazia se remexer desconfortavelmente na cadeira. Tentava se concentrar nas conversas ao redor, mas a estranheza daqueles olhares a perseguia, tornando a atmosfera ainda mais densa e carregada de mistério.
Luca estava sentado ao lado. Ele tinha sido obrigado pela mãe a permanecer ao lado da jovem. Eliane vinha com essa ideia de tentar aproximar o filho da garota, uma jogada estratégica para mostrar aos demais convidados uma aliança firme. A proximidade dos dois, ali, numa das mesas centrais, era uma mensagem clara: a herdeira estava totalmente alinhada com Eliane.
Luca, embora relutante, fazia seu papel. Para os outros, essa aproximação parecia natural e amigável, mas para Gigi, cada gesto dele era carregado de uma artificialidade desconcertante. Ela sabia que Luca estava ali por obrigação, não por vontade própria, e isso apenas aumentava sua sensação de isolamento e desconforto.
Ela percebia que ele mal olhava para ela, sua cabeça permanecia virada para os lados, observando o ambiente com uma indiferença disfarçada. Seus olhos pareciam evitar o contato direto, e ele se limitava a murmúrios monossilábicos quando precisava falar. O comportamento de Luca não fazia nada para aliviar a tensão que já pairava no ar; ao contrário, contribuía para a sensação de que ela estava cercada por um ambiente de intriga e distanciamento. Cada gesto e cada palavra de Luca reforçavam a sensação de que ela estava mais sozinha do que nunca, mesmo cercada por uma multidão que parecia alheia ao seu verdadeiro estado de espírito.
Gigi deixou seus olhos caírem sobre as próprias mãos, que repousavam sobre o colo. Os dedos finos entrelaçados, a pele macia quase translúcida sob a luz suave que emanava dos lustres acima. Sentia-se pequena e invisível, como se a única coisa que a mantivesse ancorada à realidade fosse o contato frio da seda do vestido contra sua pele. A frieza do tecido contrastava com o calor crescente de sua frustração e solidão, sentimentos que se acumulavam como uma tempestade prestes a desabar.
Enquanto mantinha o olhar fixo nas mãos, Gigi percebeu um leve movimento ao seu lado. Luca, com um gesto quase imperceptível, começou a levantar-se da cadeira. Seus movimentos eram silenciosos, fluídos, como se temesse perturbar o delicado equilíbrio que parecia envolver a cena. Ele se endireitou, ajeitando o casaco com um gesto automático, ainda sem lhe lançar um olhar. Era como se a presença dela fosse algo que ele preferisse ignorar, um incômodo que ele não estava disposto a enfrentar diretamente.
— Vou pegar algo para beber — disse Luca, sua voz baixa e distante, cortando o silêncio de forma brusca. Ele finalmente quebrou o silêncio que pairava entre eles, mas o fez sem a menor intenção de iniciar uma conversa real. Havia uma distância gelada em seu tom, um eco de formalidade desinteressada.
Gigi levantou o rosto, observando-o com uma expressão que oscilava entre o desalento e a resignação. Ela balançou a cabeça de leve, os lábios se curvando em um sorriso fraco, desprovido de qualquer alegria.
Luca assentiu com uma indiferença controlada, antes de se afastar, seu passo firme e determinado. Enquanto ele se afastava, Gigi observou suas costas se distanciando, cada vez mais longe.
Ela voltou a olhar para as próprias mãos, como se procurasse algum consolo na visão familiar de seus próprios dedos, na simplicidade de sua própria presença. A multidão ao redor dela, tão cheia de vida e movimento, parecia desfocar-se em um borrão indistinto, tornando-se nada mais que um pano de fundo para o desespero silencioso que começava a crescer dentro dela. Gigi sabia que Luca não voltaria tão cedo, e mesmo que o fizesse, o gelo que havia entre eles parecia impenetrável.
Sozinha em meio a uma multidão, ela sentiu como se estivesse desaparecendo, sua existência reduzida a uma presença fantasmagórica que ninguém realmente notava. As vozes ao redor dela se transformavam em murmúrios indistintos, ecos distantes de um mundo ao qual ela não pertencia mais. O salão, antes tão grandioso e cheio de luz, agora parecia uma câmara sombria, onde cada reflexo no chão brilhante era um lembrete cruel de sua solidão.
Gigi permaneceu imóvel, perdida em seus pensamentos sombrios, quando sentiu a presença de alguém se aproximando. Sua mente, ainda envolta em uma neblina de isolamento, registrou a figura ao seu lado antes que seus olhos se fixassem nela. Era Lorenzo, que sempre parecia estar onde menos se esperava, com uma expressão tão calma e controlada que Gigi se perguntava como ele conseguia manter tamanha compostura.
— Soube que hoje é seu aniversário. Meus parabéns. — disse Lorenzo, a voz suave e cheia de uma cordialidade que soava desconcertante naquele momento. Ele sorriu de leve, como se tentasse quebrar a barreira invisível que ela parecia ter erguido ao redor de si.
As palavras dele ecoaram em sua mente, mas Gigi demorou um segundo a mais do que o normal para processá-las. Como ele soubera? Ela percebeu que algumas pessoas no salão olhavam para ela, mas seus olhares eram provavelmente de curiosidade, apenas tentando identificar quem era a pessoa nova entre eles, sem um real interesse em saber mais sobre ela. Instintivamente, seus pensamentos voltaram-se para o pai. Embora ele não tivesse o hábito de falar sobre a vida dela, Gigi imaginou que ele poderia ter mencionado algo sobre o aniversário dela, considerando que ela estava na cidade e na casa de conhecidos dele.
Por um instante, ela ponderou sobre como deveria responder. As palavras de Lorenzo pareciam um gesto gentil, mas ao mesmo tempo, uma parte de Gigi se sentia irritada pela invasão de sua privacidade, por mais bem-intencionada que fosse.
— Obrigada — respondeu ela, tentando esconder a confusão em sua voz. Seus olhos buscaram os dele, mas Lorenzo, com sua habitual perspicácia, percebeu a hesitação e a inquietação em Gigi.
Antes que ela pudesse dizer mais alguma coisa, Lorenzo continuou, como se adivinhasse seus pensamentos.
— Fiquei sabendo por Eliane — explicou ele, a voz baixa e quase confidencial. — Ela mencionou o seu aniversário durante uma de nossas conversas. Achei que seria apropriado vir cumprimentá-la.
Gigi franziu levemente a testa, surpresa. Não esperava que Eliane, com todo o seu comportamento distante e calculado, mencionasse algo tão pessoal a Lorenzo. O desconforto aumentou em seu peito, uma mistura de desconfiança e apreensão que ela não conseguia ignorar.
— Não sabia que vocês conversavam sobre esse tipo de coisa. — disse Gigi, tentando disfarçar a sensação incômoda que crescia dentro dela.
Lorenzo sorriu, mas havia algo nos olhos dele que Gigi não conseguia decifrar completamente.
— Conversamos sobre muitas coisas. Mas não se preocupe — ele acrescentou rapidamente, percebendo o desconforto dela. — Só queria garantir que você soubesse que alguém se lembrou de você hoje.
Gigi esboçou um sorriso fraco, sem saber se devia agradecer ou questionar o verdadeiro motivo de Lorenzo ter se aproximado. Algo em sua postura, em suas palavras, parecia ocultar mais do que ele estava disposto a revelar.
Antes que pudesse dizer qualquer coisa, Luca retornou com um suco nas mãos, surpreendendo Gigi ao voltar bem antes do que ela imaginara. Ele notou a presença de Lorenzo ao lado de Gigi e, com um gesto cortês, ofereceu seu lugar. Lorenzo, no entanto, recusou com um leve aceno de cabeça.
— Já estou de saída — disse Lorenzo, lançando um olhar que parecia carregar um subtexto, algo que Gigi não conseguiu decifrar no momento. Ele se despediu com um breve sorriso, desejando-lhe um feliz aniversário antes de se afastar.
Luca então se sentou ao lado de Gigi, colocando o suco na mesa à sua frente. O silêncio que havia sido interrompido momentaneamente por Lorenzo, voltou a pairar entre os dois. Eles ficaram ali, lado a lado, mas novamente distantes, presos em seus próprios pensamentos, sem palavras para preencher o vazio que os envolvia.
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No pequeno, mas elegante apartamento que Ettore alugara na cidade, ele se preparava para o evento com meticulosa atenção aos detalhes. O local era modesto, com uma decoração minimalista e funcional, refletindo a praticidade de seu morador. As paredes eram pintadas em tons neutros, e a mobília era simples, mas de boa qualidade. O piso de madeira escura contrastava com os tapetes claros espalhados pela sala de estar, criando um ambiente acolhedor. A janela grande permitia que as luzes da cidade penetrassem no espaço, iluminando suavemente os poucos objetos decorativos que Ettore mantinha: uma estante com livros organizados, um quadro com uma paisagem do campo, e uma pequena planta em um canto da sala.
No quarto, a cama estava impecavelmente arrumada, exceto pelo blazer do terno que Ettore deixara ali, esperando ser vestido. O resto do traje estava pendurado, cuidadosamente preparado para a noite. Ele passava colônia, o aroma amadeirado preenchendo o ar enquanto ele ajeitava a camisa branca e ajustava a gravata. Sua expressão era séria, os pensamentos focados no que estava por vir.
Com o telefone preso entre o ombro e a orelha, Ettore falava com Enrico enquanto continuava a se arrumar. A voz de Enrico soava distante, mas firme, do outro lado da linha.
— Você tem certeza de que essa é a melhor decisão? — a voz de Enrico carregava uma ponta de dúvida.
Ettore ajeitou a gravata mais uma vez, certificando-se de que estava perfeitamente alinhada. Ele pegou o blazer, sentindo o peso do tecido entre os dedos antes de colocá-lo sobre os ombros.
— Não há dúvida. Eliane não me daria um convite, mas depois de uma pequena conversa, ela não teve outra escolha senão aceitar me convidar. — A voz de Ettore era calma, mas determinada, enquanto ele colocava o blazer, ajustando-o com precisão.
O apartamento era modesto, mas bem cuidado, refletindo a natureza pragmática de Ettore. O aluguel não era dos mais baratos, mas o salário que ele ganhava pagava bem, permitindo-lhe manter um estilo de vida confortável. Ele apreciava as coisas boas, mas sem ostentação, preferindo investir em qualidade do que em quantidade. A cozinha, compacta, estava equipada com eletrodomésticos modernos, e a geladeira continha uma seleção de ingredientes frescos, embora ele raramente cozinhasse algo elaborado.
Enrico suspirou do outro lado da linha, hesitando por um momento antes de responder.
— Eliane não é alguém que se deve subestimar. Ela pode parecer complacente, mas sempre tem uma carta na manga.
Ettore pegou o relógio sobre a cômoda, prendendo-o ao pulso enquanto caminhava até o espelho para uma última verificação. Seu reflexo mostrava um homem decidido, preparado para o que viesse pela frente.
— Não estou subestimando ninguém. Estou apenas me certificando do que ela preparou para a noite. — Ele ajeitou o colarinho, satisfeito com o que via no espelho. — E quanto a você, já decidiu o que vai fazer? Já pensou em quando vai buscar sua filha?
— Ainda estou avaliando minhas opções, — respondeu Enrico, a voz mais distante agora, como se seus pensamentos estivessem em outro lugar. — Só tome cuidado. Esse tipo de jogo pode se voltar contra você.
Ettore sorriu de leve, um sorriso que não alcançou seus olhos.
— Sempre tomo cuidado. É assim que eu sobrevivo. E, acredite, sei muito bem o que estou fazendo.
Ettore desligou o telefone, colocando-o no bolso interno do blazer. Ele deu um último olhar ao apartamento, verificando se estava tudo em ordem antes de sair. O lugar tinha uma aura de transitoriedade, como se ele nunca tivesse a intenção de ficar ali por muito tempo. Mas, por enquanto, era o suficiente.
Ele pegou as chaves do carro e saiu, fechando a porta atrás de si com um clique suave. A noite prometia ser interessante, e Ettore estava mais do que preparado para qualquer coisa que pudesse acontecer.
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No salão, a presença inusitada do Sr. Tarcísio ao lado de Gigi e Luca servia como um escudo contra o silêncio que poderia se estabelecer entre eles. Gigi olhava ao redor com um olhar distante, enquanto Luca, absorto em seu copo de suco, parecia alheio ao mundo à sua volta.
A presença de Tarcísio na mesa não parecia ter sido acidental. Ele fora deixado ali pelo marido de Melina, que, ao que tudo indicava, achou que aquele seria o lugar ideal para acomodá-lo, tentando se livrar das conversas cansativas de Tarcísio e garantindo que ele ficasse entretido com outros ouvintes por um tempo, além de confiar em Luca para lidar com isso. Pensando nisso, Luca imaginou que o marido de Melina provavelmente escolheu aquele lugar por acreditar que seria mais fácil para Melina encontrar o avô com facilidade, caso ela estivesse circulando pelo salão com Eliane.
Tarcísio continuava sua exposição, gesticulando de maneira enfática enquanto ajustava a gravata que parecia um pouco desalinhada. Falava com uma paixão que beirava o exagero, mergulhando em detalhes sobre um novo projeto de infraestrutura que, segundo ele, era verdadeiramente inovador. A sua empolgação era palpável, e ele abordava a revolução prometida na urbanização com uma convicção quase teatral. A conversa se desenrolava para temas como a integração de novas tecnologias e a eficiência energética, áreas que ele descrevia como fascinantes e cruciais para o futuro. Tarcísio não hesitou em mencionar a última conferência, destacando como os tópicos de sustentabilidade foram amplamente discutidos, como se esperasse que cada palavra sua carregasse um peso inquestionável.
Luca, com um olhar meio entediado, continuava a mexer no suco, observando as bolhas de gás subirem lentamente no líquido. Ele lançava olhares esporádicos para o Sr. Tarcísio, mas logo desviava o olhar, como se o assunto fosse de pouco interesse para ele.
Gigi, por outro lado, estava fixada em um ponto qualquer da mesa, tentando evitar o contato visual com o falador. Seus pensamentos estavam longe dali, talvez refletindo sobre o evento ou a situação que a levara até ali. O ambiente ao redor parecia distantes, como se fosse um cenário de fundo para suas preocupações internas.
Tarcísio prosseguiu, alheio ao desinteresse crescente dos ouvintes ao seu redor. Continuou, animado, falando sobre o mercado e sua resposta às mudanças em curso. Para ele, o equilíbrio entre inovação e tradição era um ponto crucial, constantemente discutido em reuniões. Sua empolgação aumentava ao descrever como os novos métodos de construção estavam transformando a paisagem das cidades. A sua voz transmitia uma mistura de admiração e urgência, como se estivesse revelando algo de importância vital.
À medida que Tarcísio continuava, Gigi começava a observar a decoração da mesa. O brilho dos talheres e a elegância das flores pareciam mais intrigantes do que as palavras do Sr. Tarcísio. Ela se perguntava se o jantar de gala realmente tinha algum propósito além de manter a aparência de normalidade e sofisticação.
Luca, sem muita vontade de participar da conversa, acabava distraído pela atmosfera opulenta do salão. Ele passava o dedo pelo cristal do copo, criando pequenos redemoinhos na superfície do suco, em um gesto quase meditativo.
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Pedrina avançava pelos salões com a energia inquieta de uma criança que não compreende o peso da ocasião. Seus pequenos pés batiam contra o chão de mármore xadrez, e o som de seus sapatos ecoava, misturando-se com as conversas educadas e a música suave que preenchia o ambiente. Ela se esquivava com destreza das pessoas, quase como se estivesse em um jogo, rindo e correndo, o vestido esvoaçando atrás dela. As expressões de espanto e surpresa dos convidados mal a incomodavam; para ela, aquilo era apenas uma grande aventura.
— Pedrina! — chamou Kadu, tentando manter a voz baixa, mas não conseguindo esconder o tom de urgência. Ele se movia rapidamente atrás dela, tentando não esbarrar em ninguém, mas claramente preocupado com a direção que a pequena estava tomando. — Você vai acabar se machucando ou pior, derrubando alguma coisa!
Pedrina olhou para trás por um breve segundo, os olhos brilhando com a travessura, e ao invés de parar, aumentou a velocidade. Ela riu alto, achando graça na perseguição, e se esgueirou entre duas mesas decoradas com arranjos de flores extravagantes, quase derrubando uma taça de cristal no processo. Kadu quase tropeçou ao tentar segui-la, mas conseguiu se recompor rapidamente.
— Você não pode continuar correndo assim! — insistiu Kadu, agora mais próximo. — E se a sua mãe te ver? Aí sim você vai estar encrencada!
— Só se ela me pegar primeiro! — Pedrina respondeu de forma desafiadora, mas a menção da mãe pareceu fazer com que ela hesitasse por um segundo. Foi tempo suficiente para Kadu finalmente conseguir alcançá-la.
Com um movimento ágil, ele estendeu a mão e segurou o braço de Pedrina, gentil mas firmemente. Ela deu um pulo de surpresa, mas ao ver que era Kadu, sua expressão se suavizou, embora ainda houvesse uma centelha de rebeldia em seus olhos.
— Tá bom, tá bom! — ela disse, bufando um pouco, mas sem realmente lutar contra o aperto dele. — Eu paro, mas só porque você pediu, Kadu!
Ainda segurando a mão dela, Kadu começou a conduzi-la para o salão, evitando os olhares curiosos dos outros convidados. Enquanto caminhavam, Pedrina continuava olhando ao redor, como se ainda estivesse mapeando mentalmente o ambiente para suas próximas aventuras.
Ao chegarem ao salão onde Gigi, Luca e Tarcísio estavam sentados, Pedrina soltou a mão de Kadu e, com um sorriso travesso, apontou diretamente para Luca.
— Ali está ele! — disse ela, quase como se estivesse revelando um segredo.
Kadu seguiu o gesto e encontrou o olhar de Luca, que parecia alheio à chegada da irmã e de Kadu, ainda absorto em seus próprios pensamentos.
Enquanto Kadu e Pedrina se aproximavam da mesa, a pequena se contorcia com uma energia juvenil, ainda visivelmente animada após sua corrida pelos salões. Seus olhos brilhavam com entusiasmo, e seu vestido parecia quase dançar ao ritmo de seus movimentos frenéticos. Kadu, por outro lado, mantinha um olhar atento, sua expressão uma mistura de frustração e afeto. Ele segurava a mão de Pedrina com firmeza, tentando suavizar a agitação dela. Quando chegaram à mesa, ele puxou Pedrina gentilmente para um lado, suavizando a correria com um sorriso cansado.
— Não é fácil lidar com a sua irmã quando está nesse modo de energia infinita.
Enquanto falava, Kadu passou a mão pelo cabelo, um gesto de frustração leve. Seus olhos, que antes estavam focados em Gigi, agora voltaram-se para Luca. Com um leve sorriso de quem estava tentando manter a situação sob controle, ele fez um gesto que indicava a exasperação com a situação, balançando a cabeça de forma quase cômica. Ele soltou a mão de Pedrina e continuou a explicar a situação.
— Pedrina decidiu fazer uma corrida pelo salão, e eu tive que correr atrás dela. — Ele se voltou para os outros à mesa, tentando aliviar a situação. — E vocês, o que estão fazendo por aqui?
Luca, que estava perdido em seus pensamentos e no seu suco, olhou para Kadu com um leve aceno de cabeça, sem muita expressão. Tarcísio, sempre pronto para engatar uma conversa, aproveitou a chance para falar.
— Acontece que estamos discutindo sobre as novas tendências em infraestrutura. É um tópico fascinante, realmente.
Kadu tentou disfarçar a careta de tédio ao ouvir Tarcísio, enquanto puxava uma cadeira e se acomodava ao lado de Gigi. Seus olhos brilharam ao encontrar o olhar dela, e ele não conseguiu esconder o sorriso que surgiu espontaneamente. Cada movimento de Gigi parecia captar sua atenção, e ele se inclinou ligeiramente para mais perto dela, como se tentasse se envolver mais na conversa que ela estivesse participando.
— Ah, tendências em infraestrutura, é? — disse Kadu, tentando soar interessado, mas com um tom que deixava transparecer um pouco de desdém. — Deve ser realmente fascinante... se o senhor é um entusiasta desse tipo de coisa.
Pedrina, com a sua energia incessante, estava agora explorando os assentos ao redor. Ela apalpava as cadeiras como se estivesse testando-as para um jogo imaginário, até finalmente parar ao lado de Luca. Com um sorriso travesso, ela colocou as mãos nos ombros dele e começou a balançá-lo levemente.
— Luca, olha, eu encontrei você! — exclamou Pedrina, sua voz cheia de alegria infantil.
Luca, ainda imerso em seus pensamentos, ergueu os olhos para Pedrina e forçou um sorriso que mal disfarçava sua irritação. O sorriso era tenso, quase contido, e sua expressão revelava claramente o desagrado pela interrupção. Ele tentou se concentrar no que Tarcísio estava dizendo, mas a conversa parecia cada vez mais distante e enfadonha.
Tarcísio, alheio à dinâmica ao seu redor, continuou sua palestra, aproveitando cada oportunidade para detalhar suas ideias.
Kadu, tentando manter a conversa leve e talvez mudar um pouco o foco, lançou um olhar para Gigi, esperando encontrar algum sinal de interesse ou pelo menos uma expressão mais animada. Enquanto Tarcísio continuava a falar sobre as novas tendências em infraestrutura, com sua voz ainda retumbante e cheia de entusiasmo, Kadu inclinou-se um pouco mais perto de Gigi, fazendo um gesto sutil para chamar sua atenção.
— Você deve ter alguma opinião sobre isso? — perguntou Kadu, esforçando-se para manter um tom casual e encorajador. Sua voz era suave, quase como se estivesse tentando escapar do barulho da conversa ao redor.
Gigi, percebendo a sutileza da pergunta, ofereceu um sorriso que, embora educado, carregava um tom de leve desinteresse. Ela se inclinou na direção de Kadu, falando de forma que apenas ele pudesse ouvir claramente.
— Eu realmente não conheço muito sobre o que ele fala — admitiu Gigi, com um leve tom de cumplicidade. — Mas sempre é interessante ouvir o que as pessoas têm a dizer sobre suas paixões.
Pedrina continuava a brincar, agora tentando pegar uma colher do conjunto de talheres de Luca. O ambiente ao redor da mesa tinha uma energia quase caótica, mas também era marcado por momentos de conexão sincera e tentativas de se envolver, mesmo que o tema da conversa fosse tudo menos empolgante.
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