Notas iniciais
Olá, queridos leitores de Legado De Poder! Gostaria de informar que fiz algumas mudanças na estrutura dos capítulos da nossa história. A partir de agora, cada capítulo será marcado com um número e dividido em cenas. Por exemplo, vocês verão capítulos como (1-7) e assim por diante. Tomei essa decisão para facilitar a leitura, já que alguns capítulos estavam ficando muito longos e percebi que nem todos poderiam ter tempo para ler tudo de uma vez. Agora, com capítulos mais curtos, vocês poderão acompanhar a história de maneira mais fluida e continuar de onde pararam com mais facilidade. Essa nova estrutura também me permitirá explorar múltiplas perspectivas dos muitos personagens da trama de forma mais dinâmica. Espero que gostem dessa mudança e que ela torne a leitura ainda mais prazerosa para todos.

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Luca retornou para a mansão na tarde do dia seguinte, o sol já se escondia preguiçoso por trás dos montes. Eliane, sem muita cerimônia, recebeu o filho com um ar distante e reservado. Enquanto os empregados se movimentavam diligentemente, carregando as malas de um lado para o outro, ela aproveitou o momento e, apressada, retirou-se para um canto mais tranquilo da casa. Com a destreza de quem tem pressa, discou o número do marido e, numa voz baixa e urgente, informou sobre a chegada do garoto.

Pasini estava no banco traseiro do carro em movimento quando o telefone tocou. Havia saído de uma das suas empreitadas comerciais. O restaurante que necessitava de reformas era uma das suas preocupações atuais. Enquanto atendia a ligação da mulher, revisava meticulosamente os cálculos dos gastos anotados em seu bloco de notas. Para ele, a gestão financeira era uma obsessão; mesmo não realizando os cálculos pessoalmente, sempre revisava os números, assegurando-se de que tudo estivesse meticulosamente alinhado. Era seu hábito concordar com aqueles encarregados dos estabelecimentos, confiando plenamente nas cifras que lhe eram apresentadas.

Ele não mostrou grande entusiasmo; na verdade, desde a noite passada, Eliane notou seu marido agindo de maneira um tanto distante. Ela vinha pensando na proximidade entre sua irmã e ele, algo que ele não havia explicado completamente o que havia ocorrido.

Poderiam ser os negócios que o estavam deixando impaciente. Ele havia avisado a ela que iria visitar os estabelecimentos antes de sair de casa, ele nunca deixava de dar explicações ao sair.

Em pouco tempo, Pasini chegou e Eliane, no salão, avistou-o adentrando com um suspiro profundo. O tecido do terno escuro, impecavelmente cortado, caía suavemente ao redor de seus movimentos, enquanto a camisa de algodão branco por baixo proporcionava um contraste refinado.

Na hora do jantar, Luca desceu para a mesa onde todos já estavam reunidos. A atmosfera era de convívio familiar, com a sala de jantar iluminada suavemente pelas luminárias espalhadas. Os pratos cuidadosamente arranjados refletiam a variedade e o requinte da refeição preparada.

Eliane observou o marido deixar a mesa primeiro, levando consigo a taça de vinho branco. Ela subiu as escadas depois de Gigi e o encontrou no quarto, o maldito bloco ainda em suas mãos.

— Não acha que já é hora de me explicar o que está acontecendo?

Pasini levantou o olhar, surpreso pela presença da esposa. Suspirou fundo, deixando o bloco de notas de lado.

Desde problemas estruturais de infiltrações até a necessidade de substituir os equipamentos da cozinha, Pasini relatava tudo com grande terror, como se fossem desastres imensos. Nunca estava à frente dos negócios no dia a dia, mas, quando algo dava errado, era sempre o primeiro a perder a cabeça.

Eliane passou pela penteadeira, entrou no outro cômodo gigantesco, sem divisões de portas, apenas um arco elegante separando os espaços. Caminhou até o closet próximo à suíte, e logo em frente encontrou a sala de descanso, cujas janelas permitiam a entrada suave da luz do sol e, naquele momento, da lua. Ela retornou ao quarto, amarrando o roupão neutro de seda, os passos suaves ecoando no piso de madeira. Com as mãos, embaraçou os cabelos castanhos achocolatados, o gesto lento e pensativo. Demorou-se, fixando o olhar no espelho, reunindo coragem para dizer ao marido o que precisava ser dito.

— Eu não estava me referindo ao seu restaurante.

A mulher voltou a adentrar o outro cômodo, as bordas do roupão de seda aparecendo de tempos em tempos na entrada da suíte. Quando finalmente saiu completamente e retornou ao quarto, retomou a conversa.

— Tenho dúvidas sobre o que você esteve conversando com Fiorella ontem à noite. — Do espelho da penteadeira, ela avistou novamente o marido com os olhos fixos no bloco de notas. — Está escutando?

Pasini surgiu com uma caneta na mão e, resmungando como resposta, rabiscou a folha do bloco.

— Você ainda está questionando isso?

— Vocês dois poderiam ter falado sobre Caius na minha frente, não em outro lugar.

— Não foi ideia dele, se você estiver imaginando. Se bem que... — Eliane se virou, encarando o marido com um frasco de hidratante nas mãos, quando ele interrompeu, estalando a língua e revisando os próprios rabiscos feitos no bloco. — Eu vou ter que passar pelo restaurante no final de semana. — Eliane saiu da suíte pensando que o marido estava falando consigo mesmo.

Ela passou a cuidar da pele diante do espelho da penteadeira, afundando os dedos em massagens no rosto. Pasini a observou por um momento, procurando uma maneira de interrompê-la.

— Você teria disposição de fazer um favor para mim? Acho que não vou ter tempo... — Ele ajustou-se na poltrona, ergueu a perna e começou a mexer os dedos distraidamente. — A sua irmã me chamou para conversar com aquele rapaz que trabalha para Caius. — Ele voltou a dizer enquanto ajeitava a postura na poltrona.

Eliane desviou os olhos, franzindo as sobrancelhas em uma expressão de desconfiança. Pasini continuou a explicar:

— Ela disse que ele estava querendo conversar comigo. Enrico está pensando em vir aqui no sábado. — Pasini escutou a mulher questionar se ele havia permitido, e em seguida ela fez outra pergunta sobre o que Enrico iria fazer na mansão. — Eu não sei.

— Isso deve ter a ver com a garota, as malas dela estão prontas. Ettore conta tudo para Enrico, é por isso que não quero ele por aqui.

— De todo modo, se eu não tiver tempo para ficar e recebê-lo, você poderia fazer isso?

Depois de andar de um lado a outro enquanto ouvia o marido, Eliane fez uma pausa indecisa. Sustentando o cotovelo no braço, sugeriu que ele fosse no final de semana apenas para resolver os problemas do restaurante. “Não se preocupe, eu posso resolver isso com ele.”

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Eliane, após resolver o que tinha de ser resolvido, deixou o quarto e caminhou em direção ao aposento de Gigi. Com uma voz melíflua, anunciou que Enrico viria buscá-la no sábado. Seus olhos, carregados de inquietação, fitaram a jovem, avaliando sua reação. Conhecendo bem o desafeto entre Gigi e Enrico, não conseguia compreender por que, de repente, ela mudaria de opinião. “Está se sentindo bem aqui na mansão?” – perguntou, a mente tomada por perplexidade. “Eu não me importo se você ficar mais tempo aqui.” Eliane tentava mascarar sua curiosidade com uma oferta de hospitalidade, mas a dúvida sobre os verdadeiros sentimentos de Gigi e o impacto da chegada de Enrico permanecia latente.

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Tanto na mansão de Lorenzo quanto na de Eliane, Gigi não encontrou paz. Sonhara com um refúgio na residência que seu pai supostamente tinha na cidade, conforme fora sugerido, mas, logo de cara, encontrou desconfianças e uma inquietação crescente. Decidiu retornar para casa o quanto antes. Havia algo de perturbador naquela cidade. Já ouvira rumores inquietantes sobre seu pai e as explicações superficiais de Eliane não a convenciam.

Seria mais sensato retornar para casa, pois assim estaria em seu próprio espaço, sem esconder sua intimidade complicada e estranha dos julgamentos que Eliane supostamente imaginava em mente. Poderia esquecer o ambiente ruim da cidade e a vida passada do pai, que parecia percorrer Monte dos Reis.

Um problema se resolveria, mas outro persistiria: a rotina insuportável e os rostos virados, tanto o dela (mais o dela) quanto o de Enrico, na mansão. A perda de privacidade se tornaria ainda mais severa, ressecando-se na frieza, na falta de voz, na ausência de vida. Pareciam dois mortos-vivos perambulando pela casa, cada um castigado à sua maneira.

Realmente, seria mais sensato retornar para casa? O pai já estava com o dia marcado para buscá-la, mas ela estaria realmente pronta para ir embora? Teve a oportunidade de sair de casa, e era isso o que ela também queria: afastar-se do pai. Se soubesse algo da mãe, ela nem mais estaria com ele; já teria o abandonado há muito tempo. Porém, reapareceu a mãe de criação, Helena, que morava em outra cidade mais distante. Talvez desse certo Gigi convencê-la a passar uns dias em Portofino. Sabia que Helena também sentia sua falta. Nem perceberia os dias se passando e a filha de criação ainda na casa, ficando de vez, deixando a casa do pai sem ao menos avisá-lo de nada.

Ficou decidido assim: Gigi partiria da mansão de Eliane no sábado para a casa de sua mãe de criação. Tudo já estava planejado para o sábado. Eliane não se oporia, pois já havia sido avisada pelo marido. No entanto, ao invés de Enrico, outra pessoa viria buscá-la. Quanto ao pai, Gigi precisaria encontrar uma maneira de evitar que ele a interrompesse ou descobrisse seu abandono. Teria que conversar com Helena, explicar a situação e suplicar para que pudesse ficar alguns dias em sua casa, ajudando a convencer Enrico a não aparecer em Monte dos Reis. Tudo estava certo; mudar os planos não era um erro. Deixar o pai, que não lhe trazia felicidade, não era pecado. Pensava assim porque ele sempre encontrava respostas para tudo na Bíblia, e logo diria que a filha se perdeu no mundo, imaginando que foi o pecado de Monte dos Reis que a desviou.

Pecados da cidade ou os dele próprio? Existia um Enrico tanto para Pormadre quanto para Monte dos Reis. Eram duas pessoas distintas que ela mal chegou a conhecer verdadeiramente.

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Sendo assim, Gigi resolveu conversar com Helena no dia seguinte. Trocou mensagens esclarecendo tudo, explicando suas intenções e pedindo o auxílio necessário para realizar sua mudança. Helena não fez muitas promessas à garota; apenas disse que precisaria resolver a situação de maneira adequada, apresentando desculpas insuficientes. Ela conhecia a verdade sobre Gigi e aceitou convencê-la a ir para Monte dos Reis, temendo que alguém da cidade viesse atrás da jovem. Quem poderia garantir que ninguém a seguiria agora?

Sair de Monte dos Reis como planejava e ainda ficar por um tempo na casa da mãe de criação parecia um plano fadado ao fracasso. O que poderia ocorrer em Monte dos Reis com a súbita ausência dela? Como Enrico reagiria? Descobriria ele que Helena agiu como uma cúmplice?

Helena refletiu sobre as intrigas que envolviam Enrico em Monte dos Reis. Sabia que ele tinha inimigos, mas desconhecia os detalhes, especialmente a participação de Eliane e Lorenzo nas intrigas. Sempre foi desejo de Gigi manter distância de Enrico, e a inquietação que ela carregava pela situação na cidade recaía sobre ele. Afinal, foi Enrico quem a entregou para Monte dos Reis, incapaz de resolver as coisas por si próprio. Preferia que outros se encarregassem de revelar a verdade, mesmo que isso trouxesse mais confusão e perigo para Gigi. A revelação da verdade sobre sua origem também pesava sobre Helena, mas ela sabia que precisava agir com cautela para proteger a garota.

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Enrico estava decidido a não voltar atrás. Já havia feito tudo o que estava ao seu alcance para que Ettore conversasse com Pasini, contando com a colaboração de Fiorella. Ettore considerou prudente explicar a situação à patroa, ciente de que ela era a única capaz de compreender a complexidade da irmã ardilosa. Aproveitando o momento da visita de Pasini, Fiorella buscou entreter a irmã enquanto os dois se ajustavam discretamente atrás da mansão.

Apesar das preocupações de Helena, Enrico permaneceu firme em sua decisão de não cancelar os planos para o sábado. Ele acreditava que seria perigoso para Gigi permanecer mais tempo em Monte dos Reis. Enrico, que recordava dos pequenos desafetos enfrentados na cidade, estava resoluto em sua determinação. Durante a conversa com Helena, ele mencionou que os Rosa Azul estavam se preparando para uma nova votação para decidir quem lideraria a Sociedade. Ele temia que, mesmo que a presença de Gigi não complicasse diretamente a situação, ela poderia ser usada por alguém na disputa para obter vantagem. A iminente mudança na liderança amplificava a urgência de sua ação para proteger Gigi de possíveis manipulações.

Helena havia sugerido que Enrico poderia inventar uma desculpa para justificar sua presença em Monte dos Reis. Ela propôs que ele alegasse uma visita ao pai, cuja chegada à cidade ocorrera no sábado, como uma justificativa aceitável. Como ninguém sabia que seu pai havia retornado a Monte dos Reis, essa desculpa poderia permitir a Enrico evitar problemas adicionais e ajustar seus planos sem levantar suspeitas.