Legado De Poder
24 118—120
118
Nicolas, com o coração inquieto, não conseguia se adaptar àquela imensa mansão de Vincenzo que o envolvia de forma quase sufocante. As manhãs eram piores. Logo ao amanhecer, o aroma das rosas azuis invadia o ar, espalhando-se pelos corredores de mármore frio, impregnando cada recanto da casa. Para muitos, o perfume das rosas seria um bálsamo, um sinal de delicadeza e riqueza. Mas para Nicolas, aquele cheiro era um tormento, um miasma que embrulhava seu estômago e lhe dava a sensação de estar mergulhado em algo perverso, um pesadelo florido do qual não conseguia acordar.
O horror daquele perfume era apenas o início. Nicolas detestava os jardins vastos que se estendiam até os limites da propriedade, cada canto minuciosamente planejado para exalar uma perfeição opressiva. As extensões verdes e vibrantes pareciam sufocá-lo, como se a própria natureza conspirasse para mantê-lo prisioneiro naquele lugar. E o ápice de seu desgosto estava na estufa gigante de vidro, um monumento ao excesso. Dentro dela, as rosas azuis floresciam em uma profusão que era quase obscena, ladeadas por árvores de pequeno porte que exibiam frutos delicados, mas sem vida.
Nicolas não conseguia compreender a obsessão com aquelas flores. Ao falar com os funcionários da mansão, soube que fora Leonardo, o irmão de Vincenzo, quem plantara as sementes na estufa, dando início a esse pequeno universo de azul opressivo. Era Leonardo quem, anos atrás, havia cuidado pessoalmente do jardim, com uma dedicação que Nicolas não conseguia entender, transformando aquele espaço numa obra de arte doentia. Ao conversar com um e outro funcionário, aos poucos foi desvendando as histórias por trás das paredes da mansão, histórias de um cuidado quase maníaco com os mínimos detalhes, de uma busca incansável pela beleza e pela ordem que, para Nicolas, soava mais como uma maldição do que como um dom.
Enquanto os outros viam nos jardins uma obra-prima, Nicolas sentia apenas um profundo desconforto. Não era apenas o cheiro, mas a atmosfera da mansão em si, a sensação de que cada elemento ali estava imbuído de uma intenção que ele não conseguia decifrar, mas que lhe causava repulsa. A vastidão da propriedade, o perfeccionismo mórbido dos jardins, tudo aquilo o deixava inquieto, como se estivesse vivendo num cenário irreal, construído para aprisionar seus sentidos e lhe roubar a paz.
Cada manhã, ao abrir os olhos e sentir o aroma das rosas azuis, Nicolas sabia que estava preso num lugar que não lhe pertencia, num ambiente que o rejeitava tanto quanto ele o rejeitava. Mas, ainda assim, não havia escapatória imediata. Aquelas rosas azuis, tão delicadas e belas para os outros, eram para ele um símbolo de seu próprio desconforto, de seu desejo de fugir e do horror silencioso que sentia cada vez que o perfume lhe invadia os pulmões.
Nicolas nunca fora de se misturar muito com a família, sempre mantendo uma distância calculada, quase como uma proteção natural contra o caos que parecia envolvê-los. Desde jovem, optava por uma vida mais isolada, evitando as reuniões familiares cheias de pompa e circunstância. Poucas vezes se lembrava de ter visto Vincenzo, e a lembrança mais vívida era a de uma vez em que fora praticamente arrastado pelo pai até a Fortaleza de Prata para o aniversário de Vincenzo. Naquela ocasião, conheceu pela primeira vez a mansão dos Rosa Azul, com sua imponência e seus jardins opressivos. Aquela visita apenas reforçou sua convicção de que pertencia a um mundo completamente diferente do que a família cultivava.
Nicolas sempre preferiu viver em lugares onde o silêncio reinava, permitindo que seus pensamentos se desenvolvessem sem interrupções. Com uma mente sempre em ebulição, ele valorizava a tranquilidade acima de tudo. Essa busca por paz o levou a construir uma vida distante da família, tornando-se sócio de um banco na Austrália. Era uma vida confortável e estável, bem longe das extravagâncias e dramas familiares. Mas, ao contrário do que seus parentes poderiam imaginar, Nicolas não vivia sozinho e recluso.
Seus dias eram preenchidos com a presença calma e terna de Chaisee, sua esposa. Ela era tailandesa, de origem simples, e trabalhava em um spa asiático na Austrália, onde se especializara em thai massagem. Foi ela quem introduziu Nicolas às práticas de relaxamento asiáticas, ensinando-o a importância do equilíbrio entre corpo e mente. Apesar de sua natureza reservada e de sua seriedade que intimidava muitos, com Chaisee, Nicolas era um homem diferente, mais aberto, mais leve. Era como se ela conseguisse acessar partes dele que ninguém mais conhecia, partes que ele mesmo guardava com tanto cuidado.
Nicolas chamava carinhosamente sua esposa de “Cheese”, um apelido que surgiu meio por acaso, mas que se tornou um símbolo do carinho e da intimidade entre eles. Chaisee gostava do apelido, achava engraçado, e o aceitava como uma pequena demonstração do afeto peculiar de Nicolas. Com ela, ele não precisava manter a fachada de seriedade ou isolamento. A presença dela o acalmava, e em sua companhia, ele se permitia relaxar de uma forma que nunca conseguia com mais ninguém.
Eles estavam casados há seis anos, e a relação deles era marcada por uma cumplicidade silenciosa, algo que não precisava ser verbalizado para ser compreendido. Agora, Chaisee estava aguardando o primeiro filho do casal, uma gravidez que trazia a ambos uma mistura de excitação e nervosismo. Nicolas, que sempre fora tão distante dos outros, estava completamente absorvido pela ideia de se tornar pai. Todos os dias, ele ligava para Chaisee, fazendo vídeo chamadas para vê-la, para ver a barriga que crescia, e para matar um pouco da saudade que sentia.
Naquelas chamadas, sua expressão se suavizava, os olhos sérios ganhavam um brilho diferente, uma ternura que só Chaisee conhecia. Ele falava pouco, como sempre, mas suas palavras eram carregadas de significado. Perguntava sobre o bebê, sobre como ela estava se sentindo, e, por vezes, apenas ficava olhando para ela, como se quisesse memorizar cada detalhe de seu rosto, de sua expressão, antes que a ligação terminasse.
Com Chaisee, Nicolas não era o homem reservado que o mundo conhecia. Ele era mais humano, mais vulnerável, e essa vulnerabilidade o tornava ainda mais devotado à esposa e ao filho que estava por vir. Cada ligação era uma reafirmação do laço que os unia, um laço que, apesar da distância física, parecia mais forte a cada dia. Ele sabia que sua vida na Austrália, ao lado de Chaisee, era o que realmente importava, e fazia de tudo para que, mesmo à distância, ela soubesse o quanto ele a amava e o quanto estava ansioso para conhecer o filho que logo chegaria.
119
No início da tarde, Davide havia marcado uma visita a Nicolas, e este aguardava com certa impaciência. Havia muito o que discutir, e Nicolas, embora reservado, sentia a necessidade de colocar alguns pontos em ordem. Sua mente ainda estava presa àquela noite em que fora apresentado aos Rosa Azul. As lembranças daquele evento não eram boas; pelo contrário, eram impregnadas de uma sensação amarga.
Ele se recordava das muitas faces que encontrou naquela ocasião, rostos sorridentes e palavras doces que, para ele, soavam falsas. Aquele ambiente estava repleto de pessoas dispostas a aparentar uma ordem que, na verdade, não existia. Nicolas sentia que, se precisasse ficar à frente de uma organização como aquela, precisaria agir com extrema responsabilidade e discrição. Não havia espaço para deslizes.
A verdade sobre sua presença na Itália era algo que Nicolas não planejava compartilhar com Chaisee. Quando deixou a Austrália, foi com a desculpa de que estava indo resolver negócios herdados da família, sem um representante até então. Para Chaisee, essas questões envolviam finanças e investimentos, assuntos que sempre interessaram a Nicolas e que, para ela, eram plausíveis e seguros. Ele sabia que era melhor assim, manter as aparências, pelo menos até que tudo se resolvesse.
Nicolas nunca havia vivido sob os costumes da máfia, sequer estivera a par dos segredos e intrigas que corriam nas sombras dessa organização. Tudo o que sabia, e isso apenas por ouvir falar, era que Vincenzo liderava uma estrutura poderosa, capaz de controlar praticamente toda Monte dos Reis. Para ele, a ideia de herdar esse império era uma novidade desconcertante, uma surpresa com a qual talvez não estivesse preparado para lidar, especialmente considerando as queixas e ambições dos demais membros.
O peso dessa possibilidade o deixava em constante reflexão. Nicolas não estava disposto a se dobrar diante dos risos e das palavras falsas que permeavam aquele ambiente. Não planejava conquistar a confiança de ninguém com sorrisos forçados ou promessas vazias. Sua intenção era ser direto, franco com todos, sobretudo com aqueles que demonstrassem ser dignos de sua confiança e que pudessem colaborar para uma gestão séria. Para Nicolas, a liderança não deveria servir como um caminho para benefícios próprios, mas como uma responsabilidade a ser assumida com retidão, algo que ele pretendia deixar claro desde o início, mesmo que isso o colocasse em confronto com aqueles que tinham interesses próprios.
Nicolas desceu as escadas do saguão com passos firmes, embora sua mente estivesse distante, envolta em pensamentos que lhe traziam mais perguntas do que respostas. O saguão da mansão dos Marquese era antigo, um espaço que carregava a história e o peso das gerações passadas. O piso de mármore, polido ao ponto de refletir as luzes dos lustres de cristal, mostrava-se impecável. As paredes, adornadas com painéis de madeira escura, abrigavam pinturas antigas, representando cenas bucólicas e retratos de figuras austeras que um dia haviam governado com mãos de ferro. Apesar da idade, o ambiente estava impecavelmente conservado, o que conferia ao espaço uma aura de autoridade e respeito, como se o próprio lugar exigisse que seus ocupantes estivessem à altura de sua grandeza.
Ao atravessar o saguão, Nicolas ajustou o casaco kimono estampado que trazia, um toque de sua vida na Austrália que contrastava com a formalidade da mansão. Ele caminhou com determinação até a sala de reuniões, onde sabia que Davide o aguardava. Ao entrar na sala, o contraste entre a mobília pesada e o casaco fluido de Nicolas não passou despercebido. A sala era ampla, com uma grande mesa de madeira no centro, cercada por cadeiras de couro que há muito tempo haviam testemunhado discussões fervorosas e decisões implacáveis.
Davide, sentado em uma das cadeiras, folheava uma revista sem muita atenção, claramente esperando a chegada de Nicolas. Quando percebeu a presença do anfitrião, levantou-se prontamente, estendendo a mão com um sorriso cordial, mas formal. Nicolas aceitou o cumprimento com firmeza, o contato breve, porém significativo, como se ambos estivessem conscientes do que estava por vir, das palavras que seriam trocadas e das decisões que precisariam ser tomadas.
Após o cumprimento, Nicolas lançou um breve olhar ao redor da sala, como se estivesse se certificando de que tudo estava em ordem. Antes de prosseguir com a conversa, ele acenou discretamente para um dos empregados que estava à porta. O homem, vestido de forma impecável, entrou na sala em silêncio, esperando por instruções.
Nicolas, com a voz baixa e calma, mas carregada de autoridade, pediu:
— Traga-nos bebidas quentes. Um café forte para mim. E para o senhor Davide? — ele voltou-se para o convidado, esperando a preferência dele.
Davide, que já se acomodava novamente na cadeira, pensou por um instante antes de responder:
— Um chá, por favor. Verde, se tiver.
O empregado fez uma leve reverência, confirmando os pedidos sem dizer uma palavra, e saiu da sala com a mesma discrição com que havia entrado. O silêncio voltou a dominar o ambiente, mas não era um silêncio incômodo. Era como se ambos os homens estivessem usando aquele momento para se preparar, para reunir seus pensamentos antes de mergulharem na conversa que se seguiria.
Nicolas se acomodou em sua cadeira, ajustando o casaco kimono mais uma vez. O tecido leve parecia destoar da rigidez da sala, mas ele gostava dessa contradição, era como um lembrete de que, apesar de estar ali, sua mente e coração ainda pertenciam a outro lugar, a outra vida.
— Então, vamos falar sobre o que realmente importa — disse Nicolas, com um leve aceno de cabeça, indicando que estava pronto para iniciar a conversa.
120
Davide cruzou as mãos sobre a mesa, inclinando-se um pouco à frente, em um gesto de interesse.
— O que você tem em mente?
Nicolas deixou escapar um suspiro, desviando o olhar por um breve instante, como se ainda estivesse organizando os pensamentos.
— Andei pensando muito desde a última noite com os membros — começou ele, com um tom pausado, quase meditativo. — Não é segredo para ninguém que eu nunca estive realmente envolvido nos negócios da família. Mas agora, com tudo isso caindo sobre os meus ombros... — Ele fez uma pausa, os olhos voltando-se para Davide com uma intensidade que não costumava demonstrar. — Eu percebi que, se é para seguir em frente com isso, não posso fazer de qualquer jeito.
Davide assentiu, mantendo-se em silêncio, encorajando Nicolas a continuar.
— Não quero ser apenas mais um nome em uma lista de líderes que seguiram os mesmos passos errados. Estou determinado a impor uma nova ordem, uma nova forma de fazer as coisas. Não vou tolerar joguinhos, interesses mesquinhos. Quem quiser trabalhar comigo terá que estar disposto a colocar os interesses da organização acima dos próprios — completou Nicolas, com firmeza.
Davide o observava atentamente, avaliando cada palavra. Sabia que Nicolas não era como os outros; havia nele uma seriedade, uma honestidade incomum naquele meio.
— E quanto a Chaisee? — Davide perguntou, cauteloso. — Ela sabe o que está acontecendo?
Nicolas balançou a cabeça lentamente.
— Não. Para ela, estou aqui cuidando de questões financeiras, investindo o que restou da fortuna da família. E é assim que pretendo manter as coisas. Chaisee é minha prioridade, ela e nosso filho que está por vir. Não quero que se envolva nisso, não quero que o cheiro de sangue chegue até ela.
Davide compreendeu o dilema. A vida dupla que Nicolas estava prestes a enfrentar não seria fácil. Mas o que importava naquele momento era saber até onde Nicolas estava disposto a ir para proteger sua família e, ao mesmo tempo, restaurar a honra do nome que carregava.
— Entendo. A responsabilidade que você está assumindo é imensa. Mas tenha em mente que, ao entrar nesse mundo, é quase impossível manter os dois universos separados.
Nicolas fitou Davide por um longo momento, considerando suas palavras.
— É um risco que estou disposto a correr — disse ele finalmente, com uma voz firme, mas um olhar que deixava transparecer uma sombra de preocupação. — Mas vou fazer isso do meu jeito.
Ele se recostou na cadeira, os dedos tamborilando levemente na superfície da mesa, como se estivesse organizando as palavras antes de continuar.
— Se eu ganhar a votação — começou Nicolas, com uma pausa significativa — vou exigir que os perdedores saiam da cidade. Não tenho a menor intenção de liderar essa organização com as mesmas famílias ao meu redor. Nem todos me agradaram. Alguns deles... — ele fez uma breve pausa, como se revivesse a noite anterior em sua mente — não têm lugar no futuro que estou planejando.
Davide franziu o cenho, interessado em saber mais. Nicolas raramente fazia julgamentos precipitados, mas quando o fazia, era porque algo realmente o incomodava.
— Lorenzo, por exemplo — continuou Nicolas, com um leve tom de desprezo. — Achei-o falso. Ele sorri demais para o meu gosto, como se estivesse sempre planejando algo por trás daqueles sorrisos. Não confio nele, e acho que ele sabe disso.
Davide acenou com a cabeça, sem interromper, mas atento às palavras de Nicolas. Sabia que Lorenzo era um peixe fácil de pescar, sempre deixava transparecer suas intenções.
— E quanto àquela mulher? — Nicolas mudou de assunto abruptamente, sua mente voltando à figura que havia lhe causado um desconforto peculiar na noite anterior. — Como é o nome dela mesmo...?
Davide rapidamente captou o que Nicolas queria dizer.
— Eliane — respondeu ele, com um tom mais sóbrio. — Ela é casada com Pasini, mas não se engane, é ela quem comanda as coisas na família. Pasini é uma figura que só serve de fachada.
Nicolas assentiu, seus olhos ficando mais sombrios enquanto absorvia a informação.
— Percebi que é com ela que estou disputando, não com o marido. Eliane é perigosa, já entendi que tipo de pessoa ela é. Ela tem uma presença... inquietante. — Ele fez uma pausa, como se ainda estivesse refletindo sobre a mulher. — Existe alguém muito conhecido na família dela?
Davide respirou fundo antes de responder.
— O pai dela era um homem formidável. Muito responsável com os objetivos que traçava. Fazia o possível para conseguir o que queria, e pelo que sei, Eliane herdou esse traço dele. Era um estrategista nato, alguém que sempre conseguia o que queria, custasse o que custasse.
Nicolas ficou em silêncio por um momento, processando a informação. Agora entendia que Eliane não era apenas mais um jogador nessa disputa pelo poder. Ela era uma adversária formidável, alguém que tinha o mesmo sangue frio e a mesma determinação que ele estava começando a desenvolver.
— Ela vai ser um problema — murmurou Nicolas, mais para si mesmo do que para Davide. — Mas problemas existem para serem resolvidos, não é?
Davide sorriu de lado, percebendo que, apesar das incertezas de Nicolas, ele estava começando a abraçar o papel que o destino lhe reservava.
O empregado retornou com a bandeja, equilibrando-a com uma destreza que indicava anos de prática. As xícaras de café e de chá estavam fumegantes, e o aroma reconfortante das bebidas quentes se espalhou pela sala, misturando-se com o ambiente opulento da mansão. Ele serviu a Nicolas e Davide com um gesto profissional, e depois de garantir que os homens estivessem bem atendidos, retirou-se silenciosamente.
Nicolas pegou a xícara com mãos firmes e tomou um gole do café, a bebida quente trazendo um conforto momentâneo. Observou Davide, que parecia estar apenas começando a apreciar a bebida, soprando um pouco sobre a superfície da xícara e levantando as mangas do blazer nos cotovelos para um toque de informalidade.
— Davide — começou Nicolas, quebrando o silêncio que se instalara na sala —, quem são as famílias mais antigas dos Rosa Azul?
Davide hesitou por um momento, ponderando sobre a pergunta, antes de responder.
— Por que a curiosidade?
Nicolas olhou para Davide, sua expressão mais séria e contemplativa.
— Eu preciso saber se posso confiar em você quando digo que os Rosa Azul ainda são uma máfia com costumes antigos. — Ele fez uma pausa, como se pesasse suas palavras. — Meus planos podem se encaixar melhor com essas famílias mais antigas, que ainda valorizam as tradições e as raízes da nossa organização.
Davide franziu o cenho, a pergunta de Nicolas o pegando de surpresa.
— O que você está planejando?
Nicolas pousou a xícara na mesa e olhou diretamente para Davide.
— Pretendo ganhar a votação pela tradição, pelos costumes, pelas raízes dos Rosa Azul. Esta é a essência da máfia de Monte dos Reis. E como estou disputando com alguém como Eliane, que tem uma abordagem completamente diferente e mais moderna, eu preciso entrar no terreno dela com toda a experiência em lógica e observação que possuo.
Ele se inclinou para frente, seus olhos fixos nos de Davide, transmitindo a intensidade de sua determinação.
— Se eu for respeitado por minha compreensão das tradições e pela minha habilidade em manejar os velhos costumes, isso pode me dar a vantagem necessária. Não estou apenas competindo por poder; estou lutando para assegurar que a essência do que os Rosa Azul representam seja preservada e honrada.
Davide, agora visivelmente intrigado, balançou a cabeça lentamente, começando a compreender a profundidade dos planos de Nicolas.
— Entendi — disse Davide, com um olhar mais atento. — Você quer reverter o jogo, usar a tradição e os costumes como sua arma principal. É uma abordagem audaciosa, mas parece que você já pensou em tudo.
Nicolas assentiu, um leve sorriso de satisfação nos lábios.
Fale com o autor