NENHUMA DAS DUAS NOTOU O QUE ESTAVA acontecendo até que fosse tarde demais. Isabel estava distraída projetando aquelas imagens na mente de Serena que, por sua vez, não conseguia não se maravilhar com as habilidades da avó.

Então, aquele estrondo estourou pelas paredes do saguão. Tão alto e poderoso que cortou a conexão entre as duas.

Serena piscou uma vez. Duas.

A cena seguinte se passou tão rápido que mal conseguiu acompanhar: Isabel repousando um pequeno frasco de vidro sobre sua mão e o zunido de tiro perto dela. Perto demais. Mas foi só quando sentiu o cheiro de pólvora e o sangue começou a jorrar que a compreensão do que estava acontecendo a atingira. Que a avó tinha sido alvejada.

O mundo ao seu redor parou de girar.

Isabel Valente tinha sido atingida por uma bala.

Bem. Na. Cabeça.

Serena teve a nítida impressão de ter sido expulsa do próprio corpo por uma fração de segundo, embora não tivesse feito mais que abrir a boca. Talvez tivesse gritado. Talvez não. Era difícil dizer.

Ao longe, conseguia enxergar a expressão de choque surgindo gradativamente no rosto de Sam Wilson e de Bucky e o sorriso de cobra de Orlov logo atrás, como se os homens estivessem sob as lentes de uma daquelas câmeras superlentas.

A coisa toda estava acontecendo por causa de sua avó, ela sabia. A queda de uma inumana como Isabel Valente, uma criatura tão poderosa, certamente podia alterar o andamento do tempo e espaço — ou criar a ilusão disso. Fosse como fosse, para ela, aquele milésimo de segundo se estendeu por minutos. Horas. Uma vida.

Serena viu tudo. Alternando o olhar, viu as gotas de sangue jorrando da cabeça dela, a crescente onda de microexpressões no rosto plácido de Bucky, o palavrão se formando na língua do Falcão...

O cheiro de pólvora da bala que ainda se enterrava no cérebro de Isabel a atingira com força. Sons inescrutáveis da carne e dos ossos partindo e rasgando conforme o metal passava por dentro da cabeça dela quase a fez vomitar, mas se forçou a encarar a avó.

E, enquanto presenciava a cena, imagens de toda uma vida piscaram em sua mente. O primeiro encontro das duas no laboratório de Vronsky, quando ainda era uma garotinha assustada. Os meses que se passaram depois disso. As duas vagando mundo afora até chegarem ao Brooklyn. Serena descobrindo o que era um parque de diversões e brincando na montanha-russa de Coney Island aos onze anos. As competições de ginástica artística que vieram anos depois. Momentos delas cozinhando juntas. Os sorrisos. Os conselhos. Aquela tarde em 2018... tudo que tinham vivido por todos aqueles anos, repassados em uma única fração de segundo.

Quando a avalanche de memórias se encerrou, Serena encarou o rosto de Isabel e encontrou uma expressão límpida, como se a mulher estivesse em paz, como se abraçasse seu destino. O brilho de seus olhos desaparecia gradativamente, como uma estrela se extinguindo. Dedos longos se esticaram numa tentativa de alcançar o rosto de Serena pela última vez, mas ela estava atônita demais para reagir.

Você sempre foi minha melhor parte, ouviu a voz dela em sua cabeça. Não perca isso.

Então, Isabel caiu.

As últimas palavras de sua avó ecoavam em sua cabeça ao passo em que o corpo esguio desfalecia, o coração ainda batendo. Eram batidas letárgicas e espaçadas feito o compasso arrastado de um relógio antigo, aos poucos silenciando. Os olhos marejaram.

Tudo que Serena queria era alcançá-la. Ajudá-la. Mas o corpo continuava travado. Não podia se mover — a bem da verdade, nem sabia como continuava respirando. A garganta fechou e ela só conseguia encarar e encarar enquanto o corpo da avó deslisava até o chão, a visão clareando e turvando, como se uma guerra de poderes estivesse sendo travada pelo controle de sua mente.

E, quando olhou nos olhos cinzentos dela pela última vez, Serena podia jurar ter visto um brilho de orgulho voltado para ela. Orgulho e amor.

Então... o vazio.

O estrépito das costas de Isabel contra o piso ecoou pelo saguão e o tempo voltou a correr.

Serena começou a gritar. A voz que tinha sido engolida pela coleira por todas aquelas semanas, enfim liberta. Devagar, os joelhos cederam; como se as cordas que a amarravam tivessem sido cortadas. Curvou a cabeça, desejando que aquilo fosse um pesadelo. Mas não era. Aquilo realmente estava acontecendo.

Então ela gritou ainda mais.

Gritou tão alto que sentiu gosto de sangue pela garganta, assim como sentiu parte de sua alma se estilhaçando.

Isabel Valente. Sua avó. O centro de seu universo. Sua família — não de sangue, mas que tinha escolhido para si — sumindo diante de seus olhos pela segunda vez.

Ainda agachada, Serena implorou. Implorou aos céus e a qualquer divindade para que a ajudasse, que salvasse sua avó. Mas era inútil.

Isabel Valente já não respirava mais.

✧❄✧

Um silêncio agoniante preencheu o corpo de Bucky no instante em que se deu conta de que batidas do coração de Isabel Valente cessaram. Ele parou de ouvir a respiração pesada do senador. Parou de enxergar Sam. Parou de ouvir os crepitares da fiação e o som dos canos batendo no chão. Não conseguia prestar atenção em nada que não fosse o grito sofrido que escapava da garganta de Serena, igualmente alheia ao resto do mundo.

Bucky deu um passo para frente, tentando alcançá-la, mas se deteve no último instante. O senador ainda estava ali.

— Não é tão poderosa quanto pensa, bruxa. — Sussurrou o homem, com um sorriso odioso nos lábios.

Sam reagiu primeiro.

Puxou uma das pistolas que escondia na perna, apesar de Orlov estar desarmado e indefeso. Ele ergueu os braços, se rendendo. Bucky contraiu o rosto. No fim das contas, Orlov era apenas um homem. Um homem odioso, mas sem nenhum poder de verdade.

— Eu pensaria duas vezes se fosse você, Wilson — emendou ele, como se tivesse se esquecido daquele detalhe. Como se Bucky e Sam fossem pedras em seu sapato. — Cansei de brincar com vocês — e ergueu o rosto, os olhos cravados em Serena.

Bucky travou.

—Devotchka, venha — gritou Orlov.

Daquela vez, no entanto, Serena não respondeu. Sequer parecia ter ouvido. Em vez disso, suas mãos pequenas estavam repousadas sobre as coxas, as unhas pressionando as palmas. Mesmo dali, o sargento conseguia ver as lágrimas escorrendo, apesar do cabelo cobrir os olhos.

E vê-la daquele jeito... merda, aquilo o corroía por dentro. Mas não podia simplesmente agir por impulso, não enquanto Orlov a controlasse.

Ciente disso, Sam o encarou como se perguntasse "qual o plano?"

Só que Bucky não tinha plano algum. E aquilo estava matando-o.

Se ao menos tivesse um pouco mais de tempo...

— Devotchka — Orlov repetiu, impaciente.

Não — ela sussurrou. Baixinho, mas Bucky ouviu mesmo assim.

Uma ruga de irritação se formou no rosto do senador.

— O que disse?

— Não vou a lugar algum, senador — ela murmurou, a voz rouca. Perigosa.

O ar ficou pesado. Congelante.

Bucky piscou. Sam arfou e engatilhou a arma.

— É uma ordem — Orlov insistiu. — Obedeça.

O saguão ficou em silêncio por um momento. Bucky encarou Serena outra vez, a respiração dela ressoando estranhamente calma. Suave. Quase como se estivesse planejando alguma coisa.

Por três segundos inteiros ela ficou imóvel.

Bucky ajeitou a postura, assim como Sam que, discretamente, acionou os dispositivos do traje. Redwing se posicionou, esperando pelo que viria a seguir, aguardando o próximo ataque.

Mas Serena não atacou. Em vez disso, cerrou os punhos. Forte.

— Eu disse não — ela repetiu, erguendo o rosto, o olhar voraz. E castanho — senador.

Bucky ouviu um estalido de vidro estilhaçando. Um som fraco, quase imperceptível.

Então, fumaça vermelha se espalhou ao redor de Serena.

✧❄✧

Isabel tinha dado a ela apenas três segundos de vantagem.

Um, para que recuperasse.

Dois, para que se preparasse.

Três, para estourar o frasco.

Serena sabia exatamente o que tinha de fazer, Isabel tinha passado o plano todo em sua mente em menos de um minuto. Mostrara o que tinha feito por todos aqueles anos e o que precisava ser feito para dar um fim naquela história de uma vez. Para deter Orlov. Para que aquele monstro pagasse por seus crimes. Ela.

Ela tinha que pegá-lo.

O antídoto da droga de Dreykov... Isabel tinha deixado aquilo com ela, apenas para ser alvejada por Orlov um segundo depois. Será que tinha previsto aquilo? Será que sentira a própria morte chegando?

Serena não quis pensar muito a respeito.

O gás se infiltrou nas narinas e se espalhou pelo corpo feito um incêndio. Queimando pelas veias. Então sentiu os dedos formigando, o corpo expurgando o maldito soro. Mexeu a cabeça. Aos poucos, retomava o controle dos músculos.

Kakova tvoya tsel'...

Ela não permitiu que Orlov terminasse a frase.

Ódio puro fervilhava nas veias quando usou seu poder para hasteá-lo em uma pilastra de gelo, apesar de o homem estar sob a mira da arma de Sam Wilson; apesar de estar imobilizado, encurralado e indefeso. Serena não dava a mínima.

Então, lentamente, caminhou na direção dele.

— Acabou, senador — sussurrou. Sam e Bucky abriram passagem para ela.

Mas Orlov não recuou. Em vez disso, suas narinas dilataram, o olhar altivo.

— Então a agente quatro sabia que eu estava usando o soro de controle químico? — ele disse, a voz firme. — Impressionante, devo admitir.

Serena soltou uma risada seca.

— O soro é menor dos seus problemas, senador — completou ela, a voz fria. — Isabel destrinchou e estudou cada partezinha do seu plano de merda. Ela passou anos reunindo provas para ligá-lo aos crimes que vem cometendo. Desde a S.H.I.E.L.D, a Hidra, o GRC, as pesquisas de Vronsky. Essa porcaria de prédio... tudo.

Ainda que estivesse preso, ainda que o maldito terno da Armani estivesse em frangalhos e o rosto parcialmente desfigurado, o Senador Orlov mantinha a postura de quem tinha o controle da situação, encarando Serena como se ela fosse uma criança mimada.

Então o desgraçado riu.

— Uma pena que ela tenha morrido antes de terminar o serviço.

Serena abaixou a cabeça e curvou os ombros, mas não permitiu que ele saboreasse a dor de seu luto. Não, ela se aproveitou da raiva e reuniu seu poder.

Ele não teve tempo nem de piscar.

Em poucos segundos, ela materializou uma adaga de gelo. Girou o pulso e lançou na direção dele. Sua mira não era das melhores, mas acertou o alvo mesmo assim. O ombro dele.

Orlov urrou e se debateu, mas não havia nada que pudesse fazer para se soltar ou tirar a adaga fincada na carne. Ela ergueu um lábio para cima. A máscara tinha caído.

— Você é um homenzinho patético, senador — Serena declarou.

E invocou outra adaga. Atirou. Na perna desta vez.

Perdendo ainda mais a compostura, lágrimas escorreram dos olhos do senador enquanto gritava de dor. O sangue dele vertia, mas aquilo não o mataria, ao menos não de imediato. Ela sopesou a ideia. Isabel o queria preso, mas Serena poderia muito bem acabar com aquilo de uma vez por todas. Poderia... matá-lo.

Matá-lo. Uma vozinha diabólica em sua mente a incentivava, dizia que deveria fazer aquilo. Que ele merecia. E, sendo sincera, parecia muito pouco em comparação ao que tinha feito.

Com ela; com aqueles que amava; com Isabel.

A mente de Serena deslizou através de memórias. Viu a avó, Erika, Bucky e a si mesma. Invocou uma terceira adaga. Por culpa de Orlov, Isabel e Erika estavam mortas. Por culpa de Orlov, ela tinha ferido Bucky. Isso sem contar em todos os outros crimes contra a humanidade e...

Não, Orlov não merecia respirar o mesmo ar que ela. Não merecia viver depois de tudo que tinha feito.

Arfou. Nunca em toda a vida tinha sentido tanta... raiva.

Serena ergueu o rosto olhou no fundo dos olhos verdes de Orlov. Era como encarar um abismo execrável. Não conseguia enxergar nada que valesse a pena ali. Fechou os olhos e respirou. Seria aquilo o certo?

Depois que o sangue escorrer por entre os dedos, ouviu a voz de Bucky dentro de sua cabeça, depois que você cruzar essa linha, não tem volta.

Aquela era a linha, o limite que ele havia mencionado. Mas seria capaz de cruzá-lo? Seria capaz de acabar com a vida daquele homem?

— Se for me matar, devotchka — o Senador Orlov cuspiu. — Faça isso de uma vez.

Ela voltou para o saguão.

No chão, o sangue de Orlov pingava, lentamente empossando. Serena deu um passo para frente. Tocou no rosto do senador, olhou no fundo daqueles olhos outra vez e finalmente viu um resquício de emoção. Medo. O mesmo medo que tinha sentido enquanto era rasgada e cortada. O mesmo medo que sentiu quando era uma criança presa em um quartinho sufocante sem saber direito o motivo. O mesmo medo que sentiu enquanto ele a controlava feito uma marionete.

Serena girou a adaga entre os dedos e a pressionou contra o pescoço dele. O senador engoliu em seco. Daquele ângulo, Orlov não passava de um homenzinho minúsculo e covarde. A lâmina pesou na mão. Uma passada e cortaria a jugular dele da mesma forma que os mercenários haviam feito com o vigilante do museu. Seria tão fácil.

O mundo seria um lugar melhor.

— Anda logo, me mate — Orlov repetiu. — Você venceu. Vocês duas venceram.

Ela forçou a adaga de leve. Uma gota de sangue escorreu.

Foi quando ela sentiu a presença dele. Bucky.

— Serena — a mão de metal a tocou com ternura.

Sentiu os ombros tensionando. Atrás dela, Bucky a encarava enquanto Sam Wilson analisava os dois de longe, como se a avaliasse. A arma não estava engatilhada, mas o drone dele pairava por cima de sua cabeça. Tinha certeza de que não seria difícil para eles agirem, se necessário.

Será que interviriam caso soubessem o que estava planejando? Será que a impediriam ou prenderiam?

Ela encarou Bucky de volta.

Nenhum dos dois disse nada, mas não era como se precisasse. E em seus olhos, Serena entendeu a mensagem. É isso o que quer, coisinha? ele parecia perguntar. Como se a decisão fosse única e exclusiva dela. Os lábios tremeram. Não, não a prenderiam, enfim percebeu. Bucky não, pelo menos.

Algo dentro dela se aqueceu. O sargento estava do seu lado.

Então, para reforçar, ele acenou com a cabeça e deu um passo para trás.

— Não finja que não quer isso, aberraçãozinha — disse o senador, fazendo Serena virar na direção dele outra vez. — Me mate de uma vez.

Ela exasperou.

Você sempre foi minha melhor parte. Não perca isso.

— É isso que você quer, senador? — sussurrou.— Que eu o mate?

Uma risada.

— Sabe que se me deixar vivo, devotchka, eu irei atrás de você outra vez. Irei atrás de todos vocês — cuspiu ele. — Esperei por isso por mais de vinte anos. Posso esperar mais um pouco. Eu vou destrui-la. Devagar. E vou adorar fazer isso.

Serena travou o maxilar. Um movimento... um movimento e tudo aquilo acabaria.

Não perca isso.

— Anda logo — Orlov gritou, ensandecido — me mate. Faça o que a agente quatro não teve coragem de fazer.

Seu coração batia tão rápido que parecia estar prestes a atravessar o peito. Com a lâmina, sentia a artéria carótida dele por debaixo da lâmina de gelo, sentia os batimentos cardíacos. Serena então fechou os olhos e respirou fundo, exatamente como Bucky havia ensinado.

Inspirou.

Isabel a entenderia.

Não perca isso.

Expirou.

Estava fazendo aquilo por ela.

Não perca isso.

Inspirou.

Para vingá-la.

Não perca isso. Não perca isso.

Expirou...

E desfez a adaga.

— Eu não vou matá-lo, senador — ela sussurrou contra o pescoço dele. — Seria fácil demais.

O Senador Orlov respirou pelo nariz.

— E o que pretende fazer? Vai me prender? — ele a encarou com esgar — Por favor, vá em frente. Tente.

Serena não respondeu de cara. Em vez disso, puxou de volta a adaga que estava cravada no ombro dele, que se desfez em água. Ele urrou.

— Ah não, não vou prendê-lo — disse ela, olhando-o de cima a baixo, como o verme que era. — Isabel vai. Na verdade, ela já se encarregou disso.

Um brilho de assombro surgiu nos olhos dele.

— Enquanto conduzia seu espetáculo, senador, Isabel Valente conseguiu a última prova que precisava para condená-lo — ela apontou para o saguão, a evidência que o ligava diretamente ao esquema todo. — O senhor colaborou bastante, a propósito.

Ele apertou os olhos.

— Não entendo aonde quer chegar.

Serena ergueu uma sobrancelha.

— Minha amiguinha, uma engenheira de Software com amplo conhecimento de algoritmos, um pen-drive com décadas de crimes reunidos em um dossiê e muita raiva de você. Está tudo na internet uma hora dessas.

O senador arfou.

— Está blefando.

— Estou?

Ele soltou um palavrão. Serena prosseguiu:

— Não foi o senhor quem disse certa vez que as pessoas compram boas histórias? — um passo para frente — pois imagine o seguinte cenário: senador corrupto desvia bilhões de dólares do fundo do Centro de Repatriação Global para financiar pesquisas ilegais com aprimorados no Brooklyn. Acha que é bom o bastante? Acha que as pessoas vão comprar essa história?

— Não — ele rosnou, curvando a cabeça — não é verdade.

Mas Serena puxou os cabelos dele para trás, forçando-o a olhar em seus olhos e completou:

O que seu eleitorado vai pensar quando o FBI o pegar aqui dentro, senador? Quando se derem conta de que você é o principal responsável por essa espelunca? Acha que sua palavra vai bastar?

Ele trincou o maxilar.

— Acha que não posso reverter a situação?

— Talvez. Talvez não. Isso cabe ao júri decidir, mas... — Serena admitiu — acho que vou pagar para ver.

Foi quando Serena ouviu o som de sirenes ao longe. O rosto dele ficou pálido feito a morte.

— Seu tempo acabou, senador — Serena declarou, erguendo um lábio para cima. — Vai passar o resto de seus dias em uma cela. E, enquanto apodrece, espero que se lembre de quem o derrotou. Não eu. Não Íris ou Bucky ou Sam Wilson, mas a Agente Quatro. Isabel Valente. Ela foi a responsável por sua queda.

Serena estalou os dedos e a pilastra se desfez em água. Orlov caiu no chão em um baque surdo e, quando tentou se levantar, ela pisou em seu ombro forçando-o a continuar deitado.

— Última coisa — disse, a voz congelante. — Se tentar ferir meu homem, minhas amigas ou alguém que amo outra vez...

Ao passo em que Serena pisava no ombro machucado, Orlov urrava de dor.

— Eu irei atrás de você. E não haverá uma terceira chance — ela completou, tirando o pé. — Aproveite sua estadia na prisão federal.

E enquanto os carros da polícia e do FBI cercavam o centro poliesportivo e o Senador Orlov se contorcia no chão, Serena se virou e viu Bucky.

Notas finais
Olá, vocês devem ter notado que eu mudei os títulos,certo? Não se preocupem é apenas uma forma para me ajudar na organização, não muda nada para vocês. Bom, aproveitando a edição eu gostaria de acrescentar que esse capítulo deu um bom trabalho (foram mais 3 versões até chegar nesse resultado). Eu fiquei pensando em várias formas de como o Orlov deveria terminar. Sei que talvez muitos de vocês gostariam de vê-lo indo de arrasta (pelas mãos do Bucky ou da Serena), mas eu não consegui fazer isso. E o motivo? Bom, não acho que isso seria coerente com a história que construí até aqui. Primeiro, o Bucky. Toda a jornada dele se baseia em se desvincular do Soldado Invernal, tirar a impressão assassino que tem sobre si mesmo. Fazê-lo matar o senador (porque sim ele poderia e, seria fácil) para mim seria regredir sua evolução. E a Serena... eu simplesmente não consegui esvcrevê-la fazendo isso. Quando eu a construí, minhas maiores refêrencias de super heroís foram o Homem-aranha, a Sailor Moon, a Katara de Avatar e a Estelar (DC). E, depois, lendo e relendo desde o primeiro capítulo eu não achei que combinaria com tudo que foi estabelecido até então e, principalmente, não é o tipo de mensagem que eu queria passar aqui e, a bem da verdade, eu gostei bastante do resultado final. Por enquanto é isso pessoal, um beijão.