Left Behind
2 Bad Blood
Notas iniciais
Terça feira, aula de biologia aplicada. Entrei na sala e a professora ainda estava fazendo a chamada. Sentei ao lado de uma garota japonesa, que sorriu e acenou.
–Oi. Sou Kira. E você?
Não precisei responder, porque a professora logo chamou o meu nome.
–Hope Marshall?
–Presente.
Kira deu um sorriso, e metade da classe riu pelo meu nome. "Esperança". Qual o problema, oras? Eu gostava do meu nome.
A professora começou a fazer perguntas e discutir respostas com a classe. Eu comecei a fitar meus colegas daquela classe. Nenhum tinha a minha idade. Todos mais velhos. Meus olhos logo pousaram em Scott. Rindo, e conversando, ele não parecia oferecer nenhum tipo de ameaça, mas a frase de Garrett do dia anterior ainda rondava em minha mente.
–Senhorita Martin?
Eu fitei a professora, pensando que ela tinha me chamado. Não. Ela havia chamado uma garota ruiva ao lado de Scott. Martin, não Marshall. Soltei um suspiro baixo.
–Lydia, Qual o nome da enzima contida nos retrovírus e que participa da síntese de DNA a partir de uma molécula de RNA viral?
A garota gaguejou. Alguns da sala a olharam com surpresa, incluindo Scott. Pareciam estranhar a garota não saber a resposta. Eu levantri minha mão, e Lydia fitou-me com a testa franzida.
–Sim, Hope?
–Transcriptase reversa.
Lydia arregalou os olhos e cruzou os braços. Pareceu não gostar do fato de eu ter respondido.
–Muito bem. Parece que está na classe certa, Marshall. Transcriptase reversa.
Eu afundei em minha cadeira. Não queria fazer inimigos no começo do semestre.
Logo que a aula terminou, saí rapido de lá, não querendo olhar muito para os outros alunos. Andei pelos corredores até o meu armário. Abri-o, e coloquei as minhas coisas lá dentro. No mesmo segundo que bati a porta, Lydia encostou-se ao meu lado.
–Como sabia da resposta, sendo do segundo ano?
Tomei um susto com a aparição da garota, e respirei fundo antes de responder.
–Estudei genética avançada ano passado. Minha mãe é pesquisadora.
Comecei a andar em direção ao refeitório, e Lydia foi me seguindo.
–Você se veste bem, sabia? Gostei de você.
–Gostou dela?
Garrett disse, aparecendo ao meu lado e colocando um dos braços sobre meus ombros. Eu tinha certeza que estava corada. Lydia não parecia gostar dele, porque logo murmurou um "Gostei. Nos vemos na aula." e saiu de perto.
–Hope, você pode me ajudar?
–Depende. Em que?
Ele tirou o braço sobre meu ombro, e abriu a própria mochila. De lá, ele tirou um tubinho lacrado com um líquido bordô. Eu sabia muito bem o que era.
–É seu?
–Não. Peguei um da sala do treinador. São dos jogadores mais antigos. É para o exame sobre anabolizantes que eu falei.
–Garrett, eu não acredito que roubou sangue do... -Peguei o tubo discretamente, e virei-o. Em uma etiqueta, estava escrito "Scott Mccall".- Do Scott, Garrett!
–Shiiiiiu. Eu só preciso fazer um trabalho com sangue. Mas tenho pavor de agulhas. Aí peguei um aleatório. Por favor, me ajude. É só analiza-lo. Só um pingo, e devolvo o resto. Sim?
Suspirei. Motivos acadêmicos. Engoli a desculpa, e peguei o tubo.
–Ta. Só espera até umas cinco da tarde, que é a hora que a professora deixa o laboratório. Eu peço a chave. E te ajudo, sim? E depois trate de devolver o tubo!
–Ta eu devolvo. Muito obrigado, Hope.
Ele me deu um beijo na bochecha e saiu andando, aparentemente atrasado mpara uma aula. Eu suspirei. Mal cheguei e já me enfio em encrenca.
Nossas aulaa acabam as três da tarde, mas naquele dia foi obrigada a ficar até as cinco. Sozinha, porque Garrett insistiu que precisava ir. Assim que deu cinco horas, a professora saiu do laboratório. Não foi difícil fazer ela deixar a chave comigo. Eu só precisava devolve-la na secretaria mais tarde.
Entrei no laboratório, e fui pegando o microscópio caríssimo que tínhamos ali. Posicionei-o na mesa, e peguei uma lasca de vidro, e um conta gotas. Tirei o vidro de sangue da bolsa, e abri, enfiando o conta gotas la dentro e tirando uma quantidade mínima, pingando-a na lasca de vidro, e colocando-a no microscópio.
Logo fui analizando-o. O tipo, as células, e... Não. Aquele não era o sangue de Scott. Não podia ser. Não fazia sentido. Os resultados não eram...
Meus pensamentos foram cortados quando um garoto -de aparentemente 14, 15 anos- entrou no laboratório, seguido por Stiles, e o próprio Scott. Quase derrubei o microscópio de susto. Scott e Stiles pareciam surpresos também.
–Ahh. Oi, Hope. -Perguntei me como Scott sabia meu nome, mas depois me lembrei da aula de biologia. A professora fizera chamada.- Esse é o primo do Stiles, Miguel. Estava correndo pela escola. Agora temos que ir, certo Miguel?
Eles pareciam mais nervosos que eu, que ainda pensava sobre o resultado dos exames. Quando eles saíram da sala, eu soltei o ar que segurava. Garrett precisava saber disso.
(...)
No dia seguinte, fui correndo em direção a Garrett logo que achei-o no corredor.
–Garrett, Garrett, Garrett!
–Calma gata. Não se altere. Qual o problema?
–O sangue. Não é do Scott. -Garrett franziu o cenho, claramente curioso.
–Como assim não é dele?
–É de um animal.
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