Left Behind

3 Illuminated


Notas iniciais
Mesmo ninguém tendo comentado no capítulo anterior, resolvi postar esse capítulo já, mas vamos ser fofos com a autora e comentar os dois, sim? Obrigado gente. Amo vocês

–Animal? Que tipo de animal?

–Eu não sei, Garrett. Mas não é humano. -Ele deu de ombros, parecendo de repente desinteressado.

–Então vou devolvê-lo. O treinador que se veja com Scott depois.

Com relutância, devolvi o sangue a ele. Alguma coisa me dizia que aquilo tinha um segredo a mais, mas por falta de provas ou pistas, fiquei com a opção mais óbvia: Scott forjara o sangue de alguma forma, porque realmente usa anabolizantes. O que também explica o desemprenho dele incrível durante os jogos. Assenti quando ele guardou o frasco.

–O que você vai fazer hoje a noite?

–Está me convidando para sair, Garry? -Ri baixo, arrumando melhor a alça da minha bolsa em meu ombro.

–Talvez. Na verdade é uma festa. A festa da luz negra. Acontece todos os anos. Ela vai rolar em um barracão no centro da cidade. O que acha de ir comigo?

–Festa da luz negra? O que é isso?

–Não conhece? Ahh, você vai amar. Só não vai com uma roupinha muito cara. Prometo que vai se divertir.

–Ta. É, posso fazer esse favor para você.

–Olha, só, se convencida. -Rimos, e juntos fomos para a aula de geográfia.
Quando cheguei em casa depois das aulas, peguei o computador. Precisava pesquisar para responder algumas questões de biologia que deviam ser entregues na semana seguinte. Eu digitava palavras chaves das questões e lia sobre os assuntos, fazendo resumos e escrevendo as respostas em folhas separadas.

Eu estava indo muito bem, até me deparar com o assunto "transmutação plasmática". Transformação do plasma. Imediatamente meus pensamentos foram para sangue de Scott. A diferença dada na analize fora exatamente no plasma do sangue, e nos glóbulos vermelhos, como se estivessem terrivelmente infectados, mas que ainda sim ajudassem no bom funcionamento do corpo. Aquilo não fazia sentido.

Abri uma aba nova e digitei a esmo: "Transformação do plasma". Nenhum resultado diferente. "Infecção do Plasma" Nenhum resultado. "Plasmaferese". Meus olhos pousaram em um site diferente. Cliquei, e comecei a ler a matéria.

"Podemos chamar o tal vírus de "Fator L", ou seja, "Fator Lobo, ou Fator Licantropía". O vírus se aloca no plasma da vítima, logo depois sendo espalhado pelos glóbulos vermelhos, podendo transmutar o dna da pess (...)"

Fechei a página. Mas que bobeira toda era aquela? Sangue de lobo? Não fazia o menor sentido. Olhei para o relógio. Céus, já estava atrasada.

Fechei o computador e fui tomar um banho. Troquei de roupa e arrumei o cabelo. Eu ainda estava colocando as coisas na minha bolsa quando recebi uma mensagem no celular.

"Já estou na porta. -Garret x"

Como diabos ele conseguiu meu telefone? Precisava lembrar de perguntar isso a ele depois. Terminei de arrumar a bolsa e logo desci as escadas, já com as chaves na mão. Abri a porta, e Garrett logo me puxou para um abraço.

–Pronta para festa? Está linda hoje.

–Só hoje? -Brinquei, e entramos no carro.

(...)

Era possível se ouvir a música vinda da festa do outro lado no quarteirão. Ena frente do barracão, e saimos do carro. Só quando entramos é que eu entendi o porque ele havia me pedido para não vir com uma roupa muito cara. A luz negra refletia na tinta neón, e era isso que os alunos passavam no corpo. Tinta neon. E todos dançavam com a música, fazendo a festa ficar mais colorida impossível.

–Hope, vá bebendo alguma coisa. Eu já volto, sim?

Eu disse que tudo bem, e ele saiu para fora da festa. Fui ao bar, pegando uma bebida fria. Fui virando de goles pequenos. Não era um dos meus grandes objetivos ficar bêbada naquela festa. De repente o "eu já volto" do Garrett acabou virando um "Eu não volto". Eu estava parada lá a um tempo, esperando-o.

–Hope, né? -Eu me virei quando ouvi uma voz masculina a minhas costas. Dei de cara com os olhos azuis de Liam. Eram os olhos mais claros e intensos que eu já havia visto, e eles ficavam ainda mais brilhantes ali, sob a luz negra.

–Sim. Liam?

–Sim. -Ele respondeu, rindo e afirmando com a cabeça.- Você está sozinha?

–Sim. Eu estava com Garrett, mas... Ele foi embora.

–Então agora você está comigo.

Eu não podia ver, e tinha certeza que nem ele, mas sabia que minhas bochechas deviam estar um pouco mais rosadas. Virei a cabeça, vasculhando uma última vez o barracão, e a entrada. Nenhum sinal de Garrett.

–Você quer dançar?

–Não. Eu não danço. -Tínhamos que nos obrigar a falar mais alto que o normal por conta da música alta, mas parecia que eu precisava me esforçar bem mais que ele para ouvir.

–É fácil, vem. -Liam me puxou mais para o meio, onde as pessoas dançavam as músicas eletrônicas tocadas.- É só mexer os quadris no ritmo da música, assim.

Senti as mãos do Liam nos meus quadris, e quase congelei. Eram quentes e firmes. Devagar, ele me obrigava a movê-lo de um lado para o outro, cada vez mais no ritmo da música.

–Viu? Está dançando. -Ele sussurrou perto do meu ouvido. Virei o corpo em direção a ele, e coloquei meus braços em volta do seu pescoço.

–É, eu acho que estou dançando.

Dançamos por bastante tempo antes de voltarmos ao bar para beber mais alguma coisa. E cada vez mais os olhos de Liam me puxavam para ele. Liam bebia bem mais que eu, e parecia nunca ficar bêbado. Já eu não gostava de beber tanto assim.

–Nova namoradinha, Dunbar?

–Cale a boca, Mccall. -Eu congelei. Droga, porque ele me perseguia tanto?- Essa é a Hope.

–É, eu já conheço ela. Eu já to indo, preciso levar a Kira pra casa. -Scott pegou mais uma bebida do bar e saiu de perto.

–Não liga para ele. Só quer perturbar. -Eu sorri em resposta.

Depois de mais quase duas horas de conversa e algumas danças, murmurei que precisava ir para casa. Como Liam sabia que eu havia vindo com Garrett (e o mesmo havia sumido), ele se ofereceu para me dar uma carona, e eu aceitei.

Saí do carro quando chegamos em frente a minha casa, e ele fez questão de me acompanhar até a porta.

–A gente se vê na escola. -Eu disse, acenando.

–Na escola. -Ele confirmou com a cabeça. Isso soou como um "tchau" mas ele não se mexeu. Não se mexeu até que eu desviei o olhar para a porta. Nesse momento, ele puxou meu rosto, e grudou nossos lábios. Retribui o beijo, que não durou muito.

–Boa noite. -Ele murmurou, e logo deu as costas, entrando no carro e indo embora. Entrei em casa, e apenas uma coisa passava pela minha cabeça. "O que diabos aconteceu nessa noite?".

Notas finais
E ai?