Leave Me on The Moon
6 Capítulo 6
Foi uma festa na base no dia seguinte quando Kelly mostrou o anel de noivado. Ninguém imaginaria que Cole pediria Kelly em casamento do dia de São Valentim de 73, apenas Ruby, que pediu todos os detalhes do jantar e enfatizou que era apenas do jantar que queria saber. Kelly contou tudo super feliz e riu da reação da amiga quando fingiu que contaria detalhes do pós.
— Nããoo! Por favor, Kelly, eu quero dormir à noite.
Kelly e Cole queriam se casar no dia do aniversário de namoro deles, ou seja, teriam cinco meses e dez dias até 25 de julho para se prepararem.
Kelly já sabia qual vestido de noiva queria usar, era tendência nos anos 70 os vestidos de manga comprida cheios de renda. Kelly só estava indecisa se usaria véu ou uma coroa de flores.
Ruby fez vários desenhos para ajudá-la a decidir, estava empolgada.
Kelly e Cole marcaram a data na igreja e no cartório da cidade, e depois foram lanchar no Píer Canaveral.
O vestidinho azul de Kelly balançava levemente com o vento e o anel de noivado brilhava em seu dedo. O Capitão Scott parabenizou os dois e lhes deu o famoso pão com camarão e maionese por conta da casa.
Cole a observava enquanto comia. Tinha um carinho enorme pela lembrança do primeiro encontro deles naquele píer, onde ele pagou um pão daquele para ela e ela nunca mais quis parar de comer.
Por vir de Manhattan, Kelly passava a impressão de ser da alta cheia de regalias, mas bastava passar dois minutos com ela que essa impressão caía por terra. Quando ofereceu aquele depósito empoeirado para que fosse seu escritório, fez de propósito achando que ela ia odiar e ir embora. Ela não só não se importou com a poeira, como trabalhou naquela bagunça sem reclamar até reformarem.
— Terra chamando Cole Davis. — Kelly o tirou do devaneio. — Na escuta, senhor Davis?
Cole riu.
— Na escuta, senhorita Jones, que logo será senhora Davis.
O sorriso bobo dela o enfeitiçou ainda mais.
— Quem diria, não é? Pra quem não queria nem me ver pintada de ouro quando cheguei na NASA.
— Não foi bem assim. Eu só achava que não precisávamos de ajuda.
— Que bom que eu não desisto por birra de homem, não é? — ela tirou uma com a cara dele e riu da reação. — Ainda me deve 5 dólares.
— Hey, achei que era em sentido figurado!
Kelly deu risada e levantou da mesa onde estavam comendo lhe estendendo a mão. Cole segurou e a seguiu de mãos dadas. Pararam no mesmo lugar que a primeira vez, ao lado de um banco, de frente pra vista da praia onde o Apollo 11 foi lançado. Cole a abraçou por trás e Kelly apoiou a cabeça no peito dele, respirando fundo no processo.
— Amor?
— Hm? — Cole beijou seu cabelo ao murmurar.
— Sei que nem casamos ainda, mas… você pensa em ser pai?
A pergunta o pegou de surpresa, mas ele sorriu ao pensar na resposta.
— Penso sim. Confesso que não pensava antes, mas isso mudou de uns anos pra cá. Sempre fui um cara focado no trabalho, constituir família não estava nos meus planos. Mas olha só como as coisas são. — a abraçou um pouco mais forte lhe dando mais um beijo no mesmo lugar. — Você me trouxe essa vontade.
— Mesmo? — Kelly não conseguiu conter o sorriso.
— Sim. Já até imaginei uma cena. Uma miniatura nossa correndo pela base e encantando todos ao redor com uma fantasia de astronauta.
Kelly sorriu mais ainda e se virou ficando de frente pra ele, encostada na madeira do píer atrás. Enlaçou o pescoço dele com os dois braços e olhou com a característica tombada fofa de cabeça.
— Agora quero ver essa cena acontecendo.
Cole sorriu e encostou a testa na dela.
— Vamos fazer acontecer.
Kelly se inclinou para lhe dar um beijo, ele beijou sua testa em seguida, e após isso, Kelly o abraçou e ficou ali por um tempinho. Onde amava estar.
Era só esperar o casamento passar para se prepararem pra isso também. Engravidar antes estava fora de cogitação.
Decidiram que iam fazer uma festa simples na base mesmo só para os mais íntimos e gastar dinheiro na lua de mel. Kelly queria levar Cole para Nova Iorque e ser sua guia turística. Ele até que não achou má idéia, pois já que já viviam num local paradisíaco, restava ir para a cidade grande se quisessem mudar de ares, aquela quebra na tradição da maioria.
* ☽ * ☾ *
Os meses passaram tão rápido que eles nem viram, apesar de estarem ansiosos e o tempo parecer não passar muitas vezes, cada vez que ia chegando perto, a ficha ia caindo um pouco mais: eles iam se casar!
Quando o grande dia chegou, Cole começou a ficar ansioso. Estava à beira de um ataque de nervos na igreja. A maioria dos convidados já havia chegado, faltava menos de uma hora para Kelly entrar e ele estava num nervosismo que só. Quando afrouxou a gravata do terno, Henry foi até ele.
— Calma, homem, vai dar tudo certo. Geralmente é a noiva que fica nervosa assim. — ele sorriu, mas tentou acalmar o amigo. — Relaxa, falta pouco, e a Kelly não atrasa. — afagou o ombro dele e arrumou sua gravata no lugar.
Não muito longe dali, Kelly terminava de se arrumar quase matando a amiga de tanto chorar.
— Eu acho que nunca vi uma noiva mais linda que você, Kelly! — disse Ruby assoando o nariz. — Ai eu não vou aguentar os votos.
Kelly riu e abraçou a amiga, evitando agradecê-la por tudo ali naquele momento pra ela não se acabar de chorar de novo. Retocou a maquiagem dela e ambas saíram de casa. Walter já esperava por elas no carro.
O caminho foi descontraído e Kelly a todo momento conseguiu esconder o nervosismo, mas só durou até a querida chegar na frente da igreja. Respirou fundo e tentou parar de tremer.
A caçula de Henry, sua daminha de honra, já esperava por ela na porta com a cestinha de pétalas que ia jogar pelo caminho. Ruby arrumou a cauda do vestido, lhe entregou o buquê, sorriu e foi pra dentro avisar que a noiva tinha chegado e que a cerimônia ia começar.
Kelly respirou fundo mais uma vez e olhou para Walter ao seu lado.
— Obrigada por isso, Walter. Por entrar comigo na igreja.
O simpático senhor sorriu e segurou a mão dela entre as suas.
— Não há de quê, querida. Vai ser uma honra. Você fez tanto por nós, é o mínimo que posso fazer. Vamos entrar lá e eu vou te levar até o Cole como um pai faria.
Kelly sorriu e não conteve as lágrimas acumulando em seus olhos.
— Ai, eu não posso chorar. — riu e soltou a mão dele para abanar o rosto. O abraçou, agradeceu novamente e ouviu a marcha nupcial.
— Pronta? — a menina perguntou para Kelly que sorriu e acariciou o rosto dela.
— Prontíssima. Vou logo depois de você.
A menina entrou e Kelly colocou o véu pra frente.
Cole quase se esqueceu como respirava, quase desaprendeu a falar e entender como a vida funcionava. Ela estava TÃO bonita, não achava que era possível ser mais bonita do que já era, mas Cole constatou que sim, era possível. De braço dado com o querido Walter, Kelly andava lentamente até ele. Não conseguia ver o rosto dela direito, mas tinha certeza que ela estava sorrindo. O sorriso que ele mais amava no mundo, o sorriso que o desconcertava.
Retribuiu o aperto de mão de Walter quando ele chegou com ela no altar, e segurou a mão dela em seguida, quente de nervosismo e amor, ansiedade e satisfação.
Subiram no altar e, vis-a-vis, Cole levantou o véu e o colocou para trás. Seu sorriso era o mais lindo do mundo ao vê-lo com nitidez e Cole deu um sorriso ainda mais lindo.
— Você está perfeita! — sem esperar uma resposta, Cole pegou a mão dela e beijou o dorso. Kelly não conseguia deixar de sorrir.
O padre deu início à cerimônia, que sim, é longa, mas vale cada segundo.
Com os votos ditos, Ruby chorando e Kelly segurando, eles trocaram as alianças. E aos dizeres da última frase do padre, Cole tomou o rosto de sua noiva nas mãos e beijou sua esposa.
A igreja foi à loucura. Kelly e Cole eram os queridinhos da NASA, quiçá da região — cidade pequena tende a conhecer bem seus ocupantes, ainda mais os que já apareceram na TV —, e estavam todos felizes por eles.
Após o beijo, Kelly fez o possível para engolir o choro, pois só o que ela queria era abraçá-lo e chorar de felicidade. Seguiram pra fora da igreja sendo atingidos por um monte de grãos de arroz. Após isso, seguiram pra base onde a festa já estava pronta, ou seja, o almoço. Kelly e Cole casaram às 10h da manhã, já era quase meio dia.
A vontade de chorar foi embora conforme ia conversando com as pessoas, rindo, comendo, bebendo, se divertindo. Só voltou na hora da dança, quando foi pro meio com Cole dançar ao som de My Love de Paul McCartney e Wings. Olhando pra ele enquanto ele olhava pra ela da forma mais doce que já viu ele olhar. Quando Cole tocou o rosto dela e disse que tinha a esposa mais incrível do mundo, Kelly não aguentou e o abraçou forte pelo pescoço, e só então soltou o choro. Cole foi pego de surpresa, mas sorriu e retribuiu o abraço.
— Eu te amo, Cole. Muito, muito, muito mesmo. — disse ela em meios aos soluços.
Com afagos, Cole tentou acalmá-la.
— Eu sei, meu bem. Eu te amo muito também.
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