Leave Me on The Moon
7 Capítulo 7
A festa durou horas, todos se divertiram bastante na base e aos poucos foram indo embora. Durante os meses de planejamento do casamento, também houve o planejamento da mudança de Ruby. Ela ia morar com Don, e o apartamento que dividia com Kelly ficaria para ela e Cole. Quando o casamento aconteceu, havia poucos dias que Ruby tinha se mudado. Então, quando Cole entrou no apartamento com Kelly nos braços, o lugar já era todo deles.
— Não acredito que me trouxe no colo. — Kelly riu. — A gente quase não passa pela porta.
— A tudo dá-se um jeito, senhora Davis. — foi então que ele a colocou no chão, trancou a porta e quando se virou, Kelly o abraçou pela cintura. Cole sorriu e beijou a ponta de seu nariz. — Você pode usar esse vestido de noiva pra sempre? — Kelly riu com o pedido, ainda abraçada a ele. — Simplesmente a coisa mais linda que eu já vi, nunca tire ele.
Kelly riu de novo, lhe deu um beijo e ao separar seus lábios, não perdeu a oportunidade:
— Tem certeza? Eu jurei que preferia me ver sem nada.
Cole fez uma cara de que não tinha pensado nisso e tentou voltar atrás.
— Pensando melhor…
Kelly deu risada e pegou os braços dele quando ele agarrou sua cintura e tentou afastá-lo.
— Não, não, você quis que eu ficasse com o vestido, agora eu vou ficar com ele.
— Nãão. — ele riu. — Eu me equivoquei.
— Problema seu. — ela continuou rindo enquanto ele fingia tentar tirar a roupa dela e ela esquivava.
Kelly correu pro quarto enquanto ele ia atrás, os dois rindo feito bobos. Cole a alcançou no quarto e a abraçou por trás.
— Uma hora você vai precisar tirar, e vai precisar de ajuda.
— E se eu conseguir tirar sozinha? — Kelly o olhava de relance enquanto ele aspirava seu perfume e beijava seu ombro.
— Duvido, ele é de botão.
— Droga! — riram de novo e Kelly virou-se pra ele. — Bom, já que mudou de ideia, pode me ajudar a tirar.
Cole sorriu maliciosamente e lentamente aproximou o rosto para beijá-la enquanto suas mãos estavam na parte de trás do vestido desabotoando um botão de cada vez. Conforme ia descendo o vestido, beijava cada cantinho no caminho.
Não demorou para ele estar deitando por cima dela, ambos despidos. Quando do nada ele parou de beijá-la e não a possuiu, Kelly indagou ofegante:
— O que foi?
Cole sorriu.
— Eu já fiz isso antes muitas vezes, mas… com a minha esposa vai ser a primeira vez.
Kelly abriu um sorriso do tamanho do universo e agarrou o pescoço dele beijando-o com vontade. Entrelaçou as pernas na cintura dele quando finalmente o sentiu.
Seu namorado era sempre incrível, mas seu marido era ainda melhor.
Quando acabaram, já saciados, Cole deitou por trás de Kelly e entrelaçou suas pernas nas dela. Ficaram em silêncio até a respiração voltar ao normal.
— Meu marido está acordado?
Cole sorriu e a abraçou um pouquinho mais forte beijando sua nuca.
— Acordado, meu bem.
— Pronto pra viajar amanhã?
— Estou pronto pra qualquer coisa com você.
Kelly não resistiu e se virou um pouco só para conseguir olhá-lo e admirar aquela beleza, romantismo e sedução dele que nem mesmo Don Juan superaria. O amava tanto que era capaz de seu coração explodir de tanto que não cabia de amor lá dentro. Tocou seu rosto com a mão direita, assim de costas mesmo, e recebeu outro dos milhares de beijos que já havia dado e recebido naquele dia, naquela semana, naqueles quatro anos juntos.
O dia seguinte veio e com ele o voo pra Manhattan de quatro horas e meia com escala. Dormiram bastante no voo e quando chegaram foram direto pro hotel. Era hora do almoço, então já pediram serviço de quarto.
— Quais os planos pra hoje? — perguntou Cole.
— Nosso tour começa pelo centro de Manhattan, vou te mostrar os melhores restaurantes e o que eu gostava de fazer nos meus dias de folga com a Ruby. Vou te levar na Time Square e no Central Park durante a tarde, e à noite vamos ver uma peça na Broadway, jantar, voltar pro hotel, fazer amor, tomar banho e dormir. Amanhã vamos andar de barco no Rio Hudson e vamos ao cinema ver 007 antes que saia de cartaz. O que acha?
Cole sorria o tempo todo enquanto ela falava. Ela tinha pensado em cada detalhe.
— Adorei. Estou mais ansioso pra uma dessas coisas. — disse ele maliciosamente só pra ver a reação dela.
— Ah é? O que? — ela tentou não sorrir.
— A Broadway, claro.
Kelly gargalhou e lhe deu um beijo.
A lua de mel em NY foi ótima, seguiram a programação de Kelly e repetiram em outros dias de tanto que gostaram, eles aproveitaram muito os quatro dias. Chegaram na quinta-feira, e domingo eles pegaram o vôo de volta para Cocoa Beach.
— E aí? Como foi? Já tentaram ou ainda não? — Ruby quase pulava no sofá ao perguntar.
Kelly sabia exatamente do que a amiga estava falando. Apesar de terem conversado sobre terem um bebê, ainda não era a hora.
— Ainda não. Queremos aproveitar os primeiros meses de casados antes de começar a tentar. Mas foi perfeito. — Kelly se jogou pra trás no sofá de casa com os braços pra cima. — Se contos de fadas não existem, por que estou vivendo um?
Ruby sorriu.
— Lembra de quando você estava triste achando que ele não ia te perdoar pela mentira? — Kelly voltou a se sentar normalmente e assentiu. — Eu disse que ia desenhar o Cole te pedindo em casamento. Falei com o Joe e ele me descreveu como foi. Aqui. — Ruby pegou um pacote ao lado do sofá e entregou a amiga.
— Não acredito! Você fez mesmo? — disse Kelly incrédula ao pegar o pacote e abrir. — Que coisa linda, Ruby… — levou uma das mãos à boca admirando cada detalhe daquela arte. Amava os desenhos de Ruby, sua amiga era uma artista incrível. — Meu Deus, parece até que estava lá, não tem foto desse momento, só com a descrição do Joe você fez isso…! Ficou lindo! — Ruby sorriu e retribuiu o abraço que recebeu de Kelly. — Obrigada. Ele vai amar, vou mostrar quando ele chegar. Vamos arrumar um lugar pra essa obra de arte na sala.
* ☽ * ☾ *
Quase seis meses se passaram. O Natal e o Ano Novo foram do mesmo jeito dos outros, com as mesmas adoráveis pessoas da NASA. Kelly e Cole não queriam vida melhor que aquela.
O problema veio no final de janeiro, com a chegada do aniversário da tragédia da Apollo 1. Cole se transformava nessa data, todos os anos. Mas ele nunca demonstrava tristeza ou fragilidade, ele apenas se fechava e ficava na dele o dia inteiro. Todos respeitavam esse momento dele e Kelly estava ali pra ele caso ele quisesse conversar sobre. Ele nunca quis, a entrevista para a Apollo 11 foi a última vez que falou sobre aquilo e como todos se lembram — todos que estavam na gravação pelo menos—, Cole acabou perdendo a cabeça e partindo pra cima do entrevistador, ele e Kelly acabaram discutindo depois, foi tenso.
Na noite de 27 de janeiro de 1974, 7 anos após o incêndio da Apollo 1, Kelly acordava com a agitação do marido ao lado dela na cama. A culpa ainda o consumia e partia o coração dela vê-lo tão mal. Nunca presenciou ele tendo pesadelos até aquele momento. Estava suado, e parecia não conseguir acordar. Kelly tentava, mas ele não lhe ouvia.
Kelly sentou na cama, acendeu a luz do abajur na mesinha de cabeceira e tentou mais uma vez chamando ele e sacudindo seu corpo sem agressividade, mas não tão suavemente a ponto dele não sentir.
— Cole? Amor, acorda. Está tudo bem, é só um sonho.
Cole demorou um pouco, mas conseguiu despertar daquele pesadelo. Ofegante, ele acordou com os olhos arregalados, completamente assustado tentando identificar onde estava. Kelly percebeu isso e logo trouxe a atenção dele para si.
— Calma, calma. Está tudo bem, você não está lá, Cole. — ela a todo tempo acariciava o rosto dele e o fazia olhar pra ela. — Você está em casa. Eu estou com você, a gente está na nossa cama, foi só um sonho. Está bem?
A voz de Cole embargou. Ele não queria chorar, mas guardou isso o dia inteiro, sempre guardou isso.
— Eles… — Kelly tentou manter-se firme por ele, mas vê-lo sofrer lhe doía. — Faz 7 anos, Kelly…
— Eu sei, eu… eu sinto muito, amor.
Cole não se conteve e só a abraçou. Não precisava esconder os sentimentos dela. Quando se apaixonou por ela e a convidou pra dançar, deixou claro que estava contente com o fato de ela não querer ir embora; fez questão de ir atrás dela quando ela achava estar tudo acabado; se emocionou ao ouvir um “eu te amo” dela; se declarou num restaurante ao pedir sua mão e quase não se conteve ao vê-la vestida de noiva. Se tinha uma coisa que Cole não faria, era se fazer de forte quando tinha um colo para desabafar. O colo dela, onde sabia que nada do que dissesse ou fizesse sairia daquele quarto. Então chorou agarrado a única pessoa que teve acesso a ele por inteiro, que lhe dava força e o fazia querer viver por seus três amigos todos os dias sem nem perceber.
— Está tudo bem… — ela repetia baixinho pra ele enquanto o abraçava e acariciava sua cabeça e suas costas, com o coração partido em vê-lo daquele jeito.
Quando se acalmou, Cole desfez o abraço e secou as lágrimas. Kelly continuava lhe fazendo carinho.
— Quer conversar sobre o sonho?
— Acho que não. — ele fungou. Só queria esquecer.
— Tudo bem.
— Posso te pedir uma coisa?
— Claro que pode. — Kelly terminou de secar o rosto dele e manteve a carícia.
— Pode ficar acordada comigo por um tempo?
Ela sorriu por ele ter que perguntar. Claro que ela ficaria, não o deixaria sozinho. Foi exatamente o que respondeu e o fez sorrir.
— Quer ir pra varanda?
Após ele assentir, ambos foram juntos pra fora e Kelly arrumou umas almofadas no chão para ficarem mais confortáveis. Encostou em uma das paredes com almofadas nas costas e o chamou para deitar com as costas em seu peito. Cole o fez e ela o abraçou por trás beijando sua cabeça.
Cole suspirou, ainda melancólico.
— Parece que foi ontem, não há 7 anos. E toda vez é isso.
— Eu sei… Mas isso vai passar. Não foi culpa sua.
— Foi sim.
— Não foi, Cole. Foi um acidente.
— Que poderia ser evitado.
— Não foi culpa sua. — ela repetiu. — Eles não te culpariam.
O sentiu respirar fundo e se segurar pra não chorar de novo. Apertou ainda mais os braços dela em volta dele, como um alicerce, sua fortaleza.
— Você vai conseguir superar isso, tá? Vai ficar tudo bem. — beijou sua cabeça novamente. — Olha aquelas três ali juntinhas. — Kelly apontou para as estrelas do céu que apreciavam enquanto conversavam. — Certeza que são eles.
Cole sorriu, pegou a mão dela e beijou o dorso.
— Obrigado.
Ela o olhou de relance por cima do ombro.
— Pelo que?
— Por tudo. — respondeu ele ainda segurando sua mão. — Você é a melhor coisa que já me aconteceu, Winnie. — ela sorriu, quase completamente derretida. — Sua mãe ficaria orgulhosa de você.
Essa frase a pegou desprevenida, e ela que sentiu os olhos arderem, não esperava por isso. Fez o possivel para não demonstrar, mas ele soube assim que ela o abraçou mais forte e fungou. Ela nem precisou dizer nada.
Nos braços um do outro estariam seguros e por mais que coisas como essas os assombrassem ou quebrassem seus corações, tinham um ao outro pra juntar os caquinhos.
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