Learning to love
16 The baby
Notas iniciais
A ruiva saía da cozinha pela terceira vez, ela corria e tentava a todo custo chegar ao banheiro.
— Clary?- chamou Glória, batendo na porta do banheiro.
— Sim?
—Você está grávida?
Clary sentiu o bile invadir sua boca novamente e o colocou para fora. Ela chorava, estava com Austin há um mês e meio e sabia bem que aquele homem não a amava.
— Clary?- chamou Glória mais uma vez. Um soluço audível rompeu o silêncio. Aquilo já bastou para a senhora. – Oh minha menina, eu sinto muito.
— Eu também, Glória.- disse ao abrir a porta.
(...)
— Meu amor?- chamou Austin ao entrar na cozinha.
— Sim?- disse Clary com um meio sorriso.
— Você está bem? Está pálida.
Austin era observador, sabia muito bem quando algo estava errado, e ele sabia, com certeza, que havia algo errado com sua ruiva.
— Estou... Na verdade, precisamos conversar.
— Baby, você está me assustando.
— Em uma escala de zero a dez, o quanto você quer ser pai?
— Ah... Eu não se... Espera, eu vou ser pai?
— Surpresa.- disse cabisbaixa, não sabia como reagiria.
— Eu vou... Céus, eu vou ser pai — disse, pegando Clary no colo e a beijando.
A ruiva sorriu e chorou, não sabia qual seria a reação do loiro, mas tinha quase certeza que não seria essa.
— Desde quando você sabe?
— Descobri há dois dias, não te contei, porque estava com medo da sua reação.
— Não precisava ter medo, meu amor.- ele beijou o nariz dela e depois deu um beijinho de esquimó.– Eu estou feliz, muito feliz.- ele sorriu.
— Eu também. Amo saber que vou te dar um filho.
— Amo ainda mais. Quer sair? Dar uma volta no shopping? Ainda é cedo.
— Claro, vou só tirar essa roupa.
— Tudo bem, vou aproveitar e tirar o paletó.
(...)
Ally estava em casa, irritada, odiava esperar. Ela andava de um lado para o outro na sala da sua casa.
—Você está me deixando tonta.- reclamou Cathy.
— Vá se ferrar! Seu cunhado é um idiota.- disse Ally irritada.
—Será que o neném nasce essa semana?
— Eu espero que não. Porque é capaz do pai dele não chegar a tempo.
Alguém toca a campainha e Ally quase pula de animação. Ela e Richard iriam no hospital, andava sentindo umas dores e já estava bem perto dos nove meses.
Sua irmã levantou em um pulo e foi abrir a porta, mas não voltou com Richard, mas sim com Penélope ofegante.
— O que você está fazendo aqui?
— Preciso confessar.- ela passou a mão no cabelo e olhou para Ally.– Eu o amo, Ally. O amo muito.
— Quem?
— Richard, por favor, não case com ele.
Ally viu lágrimas saírem dos olhos da ruiva.
— Você o quê? Olha só, eu perdi o Austin para você, não vou perder o Richard.
Nessa hora, Ally ouve sua porta ser aberta e logo ver Richard, também ofegante.
— Penélope, não...
— Eu quero contar a ela, não quero te perder Richard.
Ally viu a ruiva soluçar pelo seu noivo e futuro marido, depois o viu a abraçá-la , com tanto carinho, um carinho que ela nunca havia sentido mesmo depois de grávida. Ele a amava.
— Mas que merda está acontecendo aqui?- perguntou a irmã da morena.
— Por favor, vamos contar a ela.- pediu Penélope, olhando para Richard, ele apenas concordou. A ruiva voltou a olhar para Ally.– Richard e eu armamos para Austin e você. Nunca tive nada com ele depois que você apareceu. Austin te ama, Ally. Me perdoa, por favor.
— Você fez o quê?- gritou Ally.– Seus idiotas.
Ally pegou a bolsa e saiu andando.
—Onde você vai?- perguntou Richard.
— Pensar. Não vou desejar mal a vocês, mas os quero longe de mim.
— Mas nós temos...
— Não, nós não temos. Eu tenho, o bebê é só meu. Não quero um pai nojento como você para meu filho.
Ally saiu e nem olhou para trás. Se sentia uma idiota por ter deixado o loiro. Sentiu as lágrimas escorrer em suas bochechas. Não chorava pela nova traição, mas sim por não ter acreditado em seu namorado.
(...)
A morena andava pelo shopping sem rumo, não era um canto calmo, mas tudo o que desejava era pensar sem pirar, o silêncio a incomodava.
Não muito distante, Austin e Clary entravam em um loja de roupas para bebê. A barriga dela nem aparecia, mas o loiro quis entrar, queria comprar a primeira roupa de seu bebê.
— Olha, amor.- falou Austin, mostrando uma roupa branca.– Vamos levar.
— Austin, não precisa, minha barriga nem aparece.- falou, sorrindo.
Austin puxou a ruiva e a beijou com carinho.
— Me deixa comprar.- pediu manhoso.
Ela o olhava fascinada, nunca pensou que receberia tanto carinho do loiro, que a três meses atrás apenas sofria por outra.
Austin sorria para sua nova namorada quando avistou Ally perto dali. Ela os observava com lágrimas nos olhos, o loiro sentiu um aperto no coração, a barriga enorme da morena indicava que seu bebê poderia nascer a qualquer momento.
O loiro sem pensar, soltou a ruiva e andou em direção a morena. Não sabia bem o que estava fazendo, falar com Ally significaria sofrer por um passado mal terminado.
— Oi, onde está o Richard?
— Não sei, ele me traiu novamente.
Ela chorou, Austin sentiu raiva por ela ainda chorar por ele, mas então ela falou o que ele não esperava.
— Penélope me contou a verdade, vocês nunca tiveram nada.
— Eu...- Austin não sabia bem o que falar e ficou feliz em ser impedido de falar pela namorada.
— Oi, Ally.- disse Clary, sorrindo.
— Oi.- Ally sorriu sem graça e tentou esconder as lágrimas. – Tudo bem?
Nesse instante uma dor insuportável a fez gritar no meio do shopping.
— Ally, o que você tem?- perguntou Austin nervoso.
— Eu não sei, aii...
— Austin, a leve no hospital.- pediu Clary.
(...)
Chegava a ser irônico está entrando no mesmo hospital, socorrendo a morena, mas agora era por outro motivo, o bebê dela nasceria.
—Tá doendo muito.- berrou Ally.
— Amor, calma.- Pediu Austin.
A morena sorriu em meio a tanta dor, e só então, ele percebeu que havia a chamado de amor tão naturalmente. Austin engoliu seco, mas sorriu para ela, mesmo sem querer havia gostado de chamá-la de amor novamente.
Os enfermeiros chegaram e levaram ela para dentro. Austin foi até a recepção e informou os dados da morena. Quando terminou sentou na sala de espera. Clary logo chegou e sentou ao seu lado.
—Hey, como ela está?
— Sofrendo, acho que...
— Austin Moon?- chamou alguém e ele levantou em um pulo.
— Oi, sou Isadora, estou cuidando da Ally. Ela é sua namorada?
— Sim- respondeu sem pensar.
— Me acompanhe, por favor.
E lá estava ele novamente, mentindo para cuidar da morena.
— Ally entrou em trabalho de parto, mas sua bolsa não estourou. Um enfermeiro está lá, fazendo isso agora.
—Tudo bem.- falou nervoso e passou a mão no jeans.
Quando entrou no quarto onde ela estava, a encontrou deitada, olhando para o teto, parecia aliviada.
— Ally?- chamou.
— Ele está vindo.- ela o olhou por inteiro.– Adoro quando você está de All star, parece um adolescente, um adolescente rebelde.
Ele sorriu e começou a caminhar.
— Esse adolescente aqui está nervoso para caralho.- ele beijou a bochecha dela e inspirou seu cheiro de rosas. Quase chorou de saudade.– Como está?
— Me sentindo estúpida, eu deveria ter...
— Shh, esqueça isso. Seu bebê está vindo. Quer ligar para o Richard? Eu estou com seu celular.
— Não, eu não quero ele aqui. Eu preciso de você.
Uma lágrima solitária escorreu e Austin a enxugou e depositou outro beijo na bochecha da morena.
— Eu vou ficar, não se preocupe.
Ele deu a volta na cama e se acomodou ao seu lado. A morena deitou a cabeça em seu peito e chorou. Nunca imaginou que dividiria esse momento com ele.
Outra contração chegou, mas ela não gritou, apenas o apertou forte. Ele retribuía o aperto e a fazia carinho, enquanto beijava sua testa sem parar.
— Já vai passar. Shh.- a tranquilizou.
— Penélope e Richard estão juntos. Acho que eles realmente se apaixonaram.
— Não acredito.
— Ela foi em minha casa, chorando desesperada. Eles armaram para nós.
— Eu te avisei, Ally. Eu te amava, te disse diversas vezes.
— Amava?- perguntou se afastando, mas ele a apertou e continuou a acaricia-la.
— Ally, eu te liguei, te pedi chances e você me mandou seguir em frente. É o que estou fazendo. Clary está...
— Voltei.- disse a doutora, abrindo a porta e impedindo o loiro de falar.– Vou te examinar, pode abrir as pernas?
— Claro.
Ela abriu e a doutora a examinou, na mesma hora uma contração chegou, mas dessa vez ela gritou enquanto apertava o braço do loiro, que repetiu o gesto de antes.
— Nossa, tenho certeza que meu braço ficará roxo.- falou Austin.
— Desculpa, Aus.
— Tudo bem.
— Bom, eu aconselho que não deixe ela te apertar muito. Ally, você está com alguns centímetros de dilatação, ainda falta muito para a hora. Boa sorte.
(...)
Depois de seis longas horas, finalmente ouviram o choro do bebê encher a sala de parto. A enfermeira o enrolou em uma manta e entregou a Austin.
Quando viu o pequeno ser em seus braços não tinha certeza se sorria ou chorava. O garotinho era loiro e tinhas traços do Austin.
— Ally, ele... ele é meu filho.
Ally o olha de olhos arregalados. O loiro entrega o bebê a enfermeira e sai da sala. Ele precisava pensar. Quando chega a sala de espera, encontra todos lá, inclusive Penélope e Richard.
Quando Clary o vê se espanta, o namorado chorava. Ela o abraçou, mas ele não retribuiu, apenas encarava Richard.
— O bebê, ele é meu.
— Como assim seu?
— A criança parece comigo.- ele olhou para Clary. – Eu tenho outro filho.
— Como? Nós fizemos um teste, o filho é meu.
Richard andou em direção ao corredor, mas Austin o impediu.
— Você não encosta no meu filho. Eu quero você e sua vagabunda longe daqui, eu não sei como fizeram, mas trocaram os exames.
— Não trocamos. E eu não sairei daqui.
— O filho é meu. Saia daqui, você, Penélope e Penny.
— Eu? – disse Penny se fazendo de vítima.
— Você é podre, não chega perto do meu filho.
— Lester, olha como esse moleque está falando comigo.
— Ahh ,Penny, você o trai há muito tempo. Inclusive faz isso com o ex-namorado da sua filha e tentou comigo também. Se vocês acham que farão Ally e meu filho passar por isso de novo estão enganados.- Austin olhou para Clary – Baby, vá para casa.
Austin pegou a maleta do garoto e entrou, deixando todos para trás.
— Penny, você fez isso mesmo?- perguntou Lester quando todos já haviam ido embora.
— Eu não...
— Penny, não negue.
— Quer saber? Eu fiz. Lester você me traiu primeiro quando trouxe a filha da Susan para minha casa, e nada mais justo do que fazer ela sofrer.
— Foi você, não foi? Você trocou o exame.
— Sim, fui eu, conheço uma enfermeira de lá que me ajudou. O moleque é filho do Austin.
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