Notas iniciais
Boa leitura.

A ruiva saía da cozinha pela terceira vez, ela corria e tentava a todo custo chegar ao banheiro.

— Clary?- chamou Glória, batendo na porta do banheiro.

— Sim?

—Você está grávida?

Clary sentiu o bile invadir sua boca novamente e o colocou para fora. Ela chorava, estava com Austin há um mês e meio e sabia bem que aquele homem não a amava.

— Clary?- chamou Glória mais uma vez. Um soluço audível rompeu o silêncio. Aquilo já bastou para a senhora. – Oh minha menina, eu sinto muito.

— Eu também, Glória.- disse ao abrir a porta.

(...)

— Meu amor?- chamou Austin ao entrar na cozinha.

— Sim?- disse Clary com um meio sorriso.

— Você está bem? Está pálida.
Austin era observador, sabia muito bem quando algo estava errado, e ele sabia, com certeza, que havia algo errado com sua ruiva.

— Estou... Na verdade, precisamos conversar.

— Baby, você está me assustando.

— Em uma escala de zero a dez, o quanto você quer ser pai?

— Ah... Eu não se... Espera, eu vou ser pai?

— Surpresa.- disse cabisbaixa, não sabia como reagiria.

— Eu vou... Céus, eu vou ser pai — disse, pegando Clary no colo e a beijando.
A ruiva sorriu e chorou, não sabia qual seria a reação do loiro, mas tinha quase certeza que não seria essa.

— Desde quando você sabe?

— Descobri há dois dias, não te contei, porque estava com medo da sua reação.

— Não precisava ter medo, meu amor.- ele beijou o nariz dela e depois deu um beijinho de esquimó.– Eu estou feliz, muito feliz.- ele sorriu.

— Eu também. Amo saber que vou te dar um filho.

— Amo ainda mais. Quer sair? Dar uma volta no shopping? Ainda é cedo.

— Claro, vou só tirar essa roupa.

— Tudo bem, vou aproveitar e tirar o paletó.

(...)

Ally estava em casa, irritada, odiava esperar. Ela andava de um lado para o outro na sala da sua casa.

—Você está me deixando tonta.- reclamou Cathy.

— Vá se ferrar! Seu cunhado é um idiota.- disse Ally irritada.

—Será que o neném nasce essa semana?

— Eu espero que não. Porque é capaz do pai dele não chegar a tempo.
Alguém toca a campainha e Ally quase pula de animação. Ela e Richard iriam no hospital, andava sentindo umas dores e já estava bem perto dos nove meses.
Sua irmã levantou em um pulo e foi abrir a porta, mas não voltou com Richard, mas sim com Penélope ofegante.

— O que você está fazendo aqui?

— Preciso confessar.- ela passou a mão no cabelo e olhou para Ally.– Eu o amo, Ally. O amo muito.

— Quem?

— Richard, por favor, não case com ele.

Ally viu lágrimas saírem dos olhos da ruiva.

— Você o quê? Olha só, eu perdi o Austin para você, não vou perder o Richard.
Nessa hora, Ally ouve sua porta ser aberta e logo ver Richard, também ofegante.

— Penélope, não...

— Eu quero contar a ela, não quero te perder Richard.

Ally viu a ruiva soluçar pelo seu noivo e futuro marido, depois o viu a abraçá-la , com tanto carinho, um carinho que ela nunca havia sentido mesmo depois de grávida. Ele a amava.

— Mas que merda está acontecendo aqui?- perguntou a irmã da morena.

— Por favor, vamos contar a ela.- pediu Penélope, olhando para Richard, ele apenas concordou. A ruiva voltou a olhar para Ally.– Richard e eu armamos para Austin e você. Nunca tive nada com ele depois que você apareceu. Austin te ama, Ally. Me perdoa, por favor.

— Você fez o quê?- gritou Ally.– Seus idiotas.

Ally pegou a bolsa e saiu andando.
—Onde você vai?- perguntou Richard.

— Pensar. Não vou desejar mal a vocês, mas os quero longe de mim.

— Mas nós temos...

— Não, nós não temos. Eu tenho, o bebê é só meu. Não quero um pai nojento como você para meu filho.

Ally saiu e nem olhou para trás. Se sentia uma idiota por ter deixado o loiro. Sentiu as lágrimas escorrer em suas bochechas. Não chorava pela nova traição, mas sim por não ter acreditado em seu namorado.

(...)

A morena andava pelo shopping sem rumo, não era um canto calmo, mas tudo o que desejava era pensar sem pirar, o silêncio a incomodava.

Não muito distante, Austin e Clary entravam em um loja de roupas para bebê. A barriga dela nem aparecia, mas o loiro quis entrar, queria comprar a primeira roupa de seu bebê.

— Olha, amor.- falou Austin, mostrando uma roupa branca.– Vamos levar.

— Austin, não precisa, minha barriga nem aparece.- falou, sorrindo.
Austin puxou a ruiva e a beijou com carinho.

— Me deixa comprar.- pediu manhoso.
Ela o olhava fascinada, nunca pensou que receberia tanto carinho do loiro, que a três meses atrás apenas sofria por outra.

Austin sorria para sua nova namorada quando avistou Ally perto dali. Ela os observava com lágrimas nos olhos, o loiro sentiu um aperto no coração, a barriga enorme da morena indicava que seu bebê poderia nascer a qualquer momento.

O loiro sem pensar, soltou a ruiva e andou em direção a morena. Não sabia bem o que estava fazendo, falar com Ally significaria sofrer por um passado mal terminado.

— Oi, onde está o Richard?

— Não sei, ele me traiu novamente.
Ela chorou, Austin sentiu raiva por ela ainda chorar por ele, mas então ela falou o que ele não esperava.

— Penélope me contou a verdade, vocês nunca tiveram nada.

— Eu...- Austin não sabia bem o que falar e ficou feliz em ser impedido de falar pela namorada.

— Oi, Ally.- disse Clary, sorrindo.

— Oi.- Ally sorriu sem graça e tentou esconder as lágrimas. – Tudo bem?
Nesse instante uma dor insuportável a fez gritar no meio do shopping.

— Ally, o que você tem?- perguntou Austin nervoso.

— Eu não sei, aii...

— Austin, a leve no hospital.- pediu Clary.
(...)

Chegava a ser irônico está entrando no mesmo hospital, socorrendo a morena, mas agora era por outro motivo, o bebê dela nasceria.

—Tá doendo muito.- berrou Ally.

— Amor, calma.- Pediu Austin.
A morena sorriu em meio a tanta dor, e só então, ele percebeu que havia a chamado de amor tão naturalmente. Austin engoliu seco, mas sorriu para ela, mesmo sem querer havia gostado de chamá-la de amor novamente.

Os enfermeiros chegaram e levaram ela para dentro. Austin foi até a recepção e informou os dados da morena. Quando terminou sentou na sala de espera. Clary logo chegou e sentou ao seu lado.

—Hey, como ela está?

— Sofrendo, acho que...

— Austin Moon?- chamou alguém e ele levantou em um pulo.

— Oi, sou Isadora, estou cuidando da Ally. Ela é sua namorada?

— Sim- respondeu sem pensar.

— Me acompanhe, por favor.

E lá estava ele novamente, mentindo para cuidar da morena.

— Ally entrou em trabalho de parto, mas sua bolsa não estourou. Um enfermeiro está lá, fazendo isso agora.

—Tudo bem.- falou nervoso e passou a mão no jeans.

Quando entrou no quarto onde ela estava, a encontrou deitada, olhando para o teto, parecia aliviada.

— Ally?- chamou.

— Ele está vindo.- ela o olhou por inteiro.– Adoro quando você está de All star, parece um adolescente, um adolescente rebelde.

Ele sorriu e começou a caminhar.

— Esse adolescente aqui está nervoso para caralho.- ele beijou a bochecha dela e inspirou seu cheiro de rosas. Quase chorou de saudade.– Como está?

— Me sentindo estúpida, eu deveria ter...

— Shh, esqueça isso. Seu bebê está vindo. Quer ligar para o Richard? Eu estou com seu celular.

— Não, eu não quero ele aqui. Eu preciso de você.

Uma lágrima solitária escorreu e Austin a enxugou e depositou outro beijo na bochecha da morena.

— Eu vou ficar, não se preocupe.

Ele deu a volta na cama e se acomodou ao seu lado. A morena deitou a cabeça em seu peito e chorou. Nunca imaginou que dividiria esse momento com ele.

Outra contração chegou, mas ela não gritou, apenas o apertou forte. Ele retribuía o aperto e a fazia carinho, enquanto beijava sua testa sem parar.

— Já vai passar. Shh.- a tranquilizou.
— Penélope e Richard estão juntos. Acho que eles realmente se apaixonaram.

— Não acredito.

— Ela foi em minha casa, chorando desesperada. Eles armaram para nós.

— Eu te avisei, Ally. Eu te amava, te disse diversas vezes.

— Amava?- perguntou se afastando, mas ele a apertou e continuou a acaricia-la.

— Ally, eu te liguei, te pedi chances e você me mandou seguir em frente. É o que estou fazendo. Clary está...

— Voltei.- disse a doutora, abrindo a porta e impedindo o loiro de falar.– Vou te examinar, pode abrir as pernas?

— Claro.

Ela abriu e a doutora a examinou, na mesma hora uma contração chegou, mas dessa vez ela gritou enquanto apertava o braço do loiro, que repetiu o gesto de antes.

— Nossa, tenho certeza que meu braço ficará roxo.- falou Austin.

— Desculpa, Aus.

— Tudo bem.

— Bom, eu aconselho que não deixe ela te apertar muito. Ally, você está com alguns centímetros de dilatação, ainda falta muito para a hora. Boa sorte.

(...)

Depois de seis longas horas, finalmente ouviram o choro do bebê encher a sala de parto. A enfermeira o enrolou em uma manta e entregou a Austin.

Quando viu o pequeno ser em seus braços não tinha certeza se sorria ou chorava. O garotinho era loiro e tinhas traços do Austin.

— Ally, ele... ele é meu filho.

Ally o olha de olhos arregalados. O loiro entrega o bebê a enfermeira e sai da sala. Ele precisava pensar. Quando chega a sala de espera, encontra todos lá, inclusive Penélope e Richard.

Quando Clary o vê se espanta, o namorado chorava. Ela o abraçou, mas ele não retribuiu, apenas encarava Richard.

— O bebê, ele é meu.

— Como assim seu?

— A criança parece comigo.- ele olhou para Clary. – Eu tenho outro filho.

— Como? Nós fizemos um teste, o filho é meu.

Richard andou em direção ao corredor, mas Austin o impediu.

— Você não encosta no meu filho. Eu quero você e sua vagabunda longe daqui, eu não sei como fizeram, mas trocaram os exames.

— Não trocamos. E eu não sairei daqui.

— O filho é meu. Saia daqui, você, Penélope e Penny.

— Eu? – disse Penny se fazendo de vítima.

— Você é podre, não chega perto do meu filho.

— Lester, olha como esse moleque está falando comigo.

— Ahh ,Penny, você o trai há muito tempo. Inclusive faz isso com o ex-namorado da sua filha e tentou comigo também. Se vocês acham que farão Ally e meu filho passar por isso de novo estão enganados.- Austin olhou para Clary – Baby, vá para casa.

Austin pegou a maleta do garoto e entrou, deixando todos para trás.

— Penny, você fez isso mesmo?- perguntou Lester quando todos já haviam ido embora.

— Eu não...

— Penny, não negue.

— Quer saber? Eu fiz. Lester você me traiu primeiro quando trouxe a filha da Susan para minha casa, e nada mais justo do que fazer ela sofrer.

— Foi você, não foi? Você trocou o exame.

— Sim, fui eu, conheço uma enfermeira de lá que me ajudou. O moleque é filho do Austin.