Lealdade sem Fronteiras #1
1 Capítulo 1 - Versus Bulbasaur
Notas iniciais
Eu achava que minha vida era complicada... Até viajar para Kanto.
Espere, esse não é o melhor método de começar uma história, certo? Mas digamos que eu não possa dizer muito sobre mim mesma por conta... de minha própria segurança. Porém, ainda assim, permito-os chamar-me de MH.
Vivo em um mundo diferente do de vocês, o Mundo Pokémon. Meu mundo é habitado por criaturas com habilidades peculiares, até mesmo seus gostos são diferentes, pois eles gostam de treinar essas habilidades em batalhas. Por isso, nós, os humanos, criamos as Jornadas Pokémon. Nós viajamos através das cidades, florestas e lagos e levamos eles conosco, sempre batalhando e nos tornando mais amigos...
Ou pelo menos foi assim algumas gerações atrás.
Vivo duas gerações depois da época mais conhecida, a que Ash Ketchum viveu. Ele foi um exemplo de determinação no meu mundo, é um nome que nunca esqueceremos. Não houve mais ninguém com tal importância até agora, mas também não quer dizer que não houve mudanças de lá pra cá.
Agora tudo é mais perigoso, eu diria que o mundo está à beira de uma crise, à beira de uma guerra entre espécies.
Os humanos criam armas radioativas que machucam os Pokémon. Alguns até pararam de existir. Mas eles revidam, se afastam de nós e se reúnem em grupos para atacar as cidades. Acho que sou uma das poucas pessoas que percebem e é contra tudo o que acontece. Mas o que eu poderia fazer? Sou apenas uma adolescente.
Não é só isso, existem rivalidades profundas entre as regiões e as cidades, entre as pessoas e a Natureza... Mas ainda existem pessoas que são boas, pessoas que percebem e querem mudar o que está acontecendo. Eu quero muito acreditar que existem.
Tudo começou em um dia especial, muitas crianças começavam sua jornada, como nos velhos tempos, uma delas era Dan.
— Que preguiça... — falou para o nada.
O garoto se levantou e deu de cara com o espelho, como em todas as manhãs anteriores. Seus cabelos pretos estavam espetados em diversas direções, ele tinha a vaga sensação de que, se estivessem um pouco maiores, poderia esconder alguma coisa dentro deles. Sua pele morena lembrava a de seu pai, o que apenas o fazia pensar em quanto se pareciam, ainda que alguns traços de sua aparência, tal como as sobrancelhas finas ou o formato dos olhos, lembrassem sua mãe. Além disso, seus olhos apresentavam leves olheiras das noites que pensara nos pais. Usava ainda seu pijama verde com vários Caterpie e Larvitar que sempre usara.
Seu quarto não era tão grande, ainda assim de um tamanho normal para todos da cidade. Não havia muita bagunça, talvez só os brinquedos espalhados ao redor tornassem o quarto desorganizado. Aqueles brinquedos, como os de qualquer pessoa de sua idade que tanto sonhava em ter os verdadeiros consigo, eram réplicas de itens e miniaturas de Pokémon. Dan tinha um grupo grande de brinquedos. Eles eram sua única diversão havia meses.
Ele era um garoto normal de uma família normal. Morava com os pais em Pallet, que tinha crescido e se tornado a maior cidade de Kanto. Sophia e Lan, os pais dele, estavam viajando por conta do trabalho, só voltariam em dois meses. Dan ficava o dia nos vizinhos e dormia em casa. Não gostava muito disso, mas não tinha muita escolha ultimamente.
— Ah, merda! Hoje vou pegar meu inicial! Estou atrasado! — Tentou correr, mas acabou tropeçando em um boneco de Mega Metagross. O material da qual ele era constituído era tão duro que Dan jurou ter chutado o Pokémon verdadeiro. — Ai! — Ele não segurou sua exclamação e saiu correndo com uma perna só. Seria esse seu primeiro hematoma da jornada? Um tropeço em uma miniatura de brinquedo?
Tinha colocado o despertador para tocar duas noites antes, porém, por uma ansiedade que poderia muito bem ser seu sobrenome, acabou não dormindo direito a noite e sequer havia escutado o som do celular, o que resultou em acordar quase duas horas depois. Ele realmente não se preocupava por ficar sem um Pokémon Inicial. O Professor que os entregava sempre dava um jeito de entregar a todos os que podiam conviver com os Monstros de Bolso. Talvez perdesse a chance de conseguir algum de outra região, mas não importava. A verdadeira preocupação do garoto era não ter tempo de visitar os arredores da cidade antes de entardecer para capturar outros como havia planejado.
Ele se vestiu o mais rápido possível um boné verde-claro e branco, uma blusa de frio cinza e verde-folha, uma camiseta preta por baixo, uma calça Jeans e um tênis preto. Por sorte, deixara a mochila pronta, com outras roupas e alguns itens, que dessa vez (e finalmente!) não eram apenas réplicas.
Estava mais feliz do que qualquer dia daquele ano. Finalmente teria liberdade de sua rotina chata e poderia conhecer a incrível sensação de uma Batalha Pokémon. Saber como aqueles que considerava heróis, como Ash Ketchum ou Red, se sentiram em sua jornada. Ambos foram de sua cidade e se tornaram mestres. Apesar de ainda nem ter saído de casa, esse era um sonho se realizando.
O frio que fazia do lado de fora não o impedira de correr a toda velocidade. A distância também não faria diferença para o garoto.
Ao chegar ao laboratório, ele encontra Kao Carvalho, um Criador e Professor Pokémon muito jovem, de apenas 27 anos. Kao é descendente do, nesta época, "Lendário" Professor Samuel Carvalho, e mesmo ainda sendo jovem ele tem o mesmo conhecimento. Seguia a tradição de entregar o inicial com todo o orgulho que poderia ter com seu trabalho. Amava-o como a sua vida.
— Bom dia, Kao. — cumprimentou Dan ao encostar-se na parede da entrada. Estava ofegante e suor escorria por sua testa pela longa corrida até o laboratório. Seu pé ainda latejava, sentia repuxões em suas pernas pela velocidade, mas aquilo não importava. Não queria se atrasar mais um minuto sequer.
O lugar não era reformado há anos, Kao pedia para fazê-lo, mas ninguém acreditava em algum Professor Pokémon de pouco mais de 25 anos. Mesmo assim, não parecia que precisava mesmo de uma reforma, já que, todo ano, ele mesmo pintava as paredes de azul/verde e branco. As únicas coisas que denunciavam a situação daquele laboratório eram as rachaduras em certos pontos e os computadores grandes e lerdos demais comparados aos modernos da época.
Mesas metálicas estavam espalhadas pelo ambiente. Em um canto havia uma máquina da qual Dan tinha certeza que recuperava os Pokémon daqueles que visitavam a cidade. Nos fundos havia duas portas paralelas, a da esquerda havia um símbolo de injeção, provavelmente algum tipo de Centro de Recuperação Intensiva para os Pokémon que não se recuperavam apenas com a máquina. A outra porta parecia pesada e havia algo como um painel com números, provavelmente para colocar alguma senha. Dan supôs que ali ficassem os Pokémon dos Treinadores.
Quando notou a presença da criança, Kao sorriu.
— Oi. — O mais velho encarou o futuro Treinador como se tentasse lembrar se o vira em algum lugar. — Você é o Sam? Sabe como é. Não é fácil saber o nome de todos os Pokémon e todos dessa cidade ao mesmo tempo.
Kao estava com uma roupa branca, como a de um enfermeiro, e um sapato social preto. Por um segundo, o garoto na porta se perguntou se o Professor já usara algo diferente antes. Sua pele parecia pálida naquele ambiente, quase transparecendo o azul das paredes. Seu cabelo louro aparentava não ser cortado há um tempo, e, além de grande, atrapalhando um pouco de sua visão, estava bagunçado como se tivesse entrado em algum lugar apertado. Do jeito que todos o conheciam, ninguém duvidava que ele realmente entrara na casinha de seu Herdier para estudá-lo.
— Na verdade, sou o... — Tentou dizer Dan, mas foi interrompido.
— Ah, sim! — interrompeu o professor. — Entre, Lan. Veio pegar seu Pokémon não é? Aqui estão eles.
Ele entrou. Kao deu alguns passos para o lado e revelou uma mesa atrás de si. Nela, havia objetos redondos de duas cores, vermelho em cima e branco em baixo. No centro de cada uma delas havia um botão que as fazia funcionar. Eram as Poké Balls. Dan conseguiu lembrar-se do nome antigo dos Pokémon, os Monstros de Bolso, e pensou se aquilo tinha a ver com o fato daqueles “monstros” poderem ficar em seu bolso por conta daquelas bolas.
O Professor Pokémon pegou uma Poké Bola de cada vez e ativou-as, colocando as criaturas para fora. O primeiro tinha cerca de oitenta centímetros, era verde-azulado com olhos vermelhos, além de um grande bulbo nas costas. O segundo era um pouco menor obviamente era do tipo Fogo, pois em seu rabo havia chamas vermelhas e amarelas que pareciam infinitas. Seu corpo era esguio e alaranjado, enquanto em sua barriga a cor era creme. O último, mas não menos importante, era uma espécie de tartaruga de cor azul com um casco laranja e de um amarelo pálido na barriga.
A mente de Dan não levou nem mesmo um segundo para lembrar-se das informações das criaturas ali presentes. Aquele tipo de informação era algo que todos os iniciantes em jornadas sabiam, até mesmo aqueles da qual não era treinadores, ainda assim, Kao se deu ao trabalho de dizer-lhe sobre os monstros ali presentes:
— Nessas Poké Bolas têm, respectivamente, um Bulbasaur, um Pokémon tipo Folha e Veneno, um Charmander tipo Fogo e um Squirtle tipo Água. — declarou o mais velho demonstrando orgulho e sabedoria.
O problema era que todos sabiam aquilo.
— Kao, todos já sabem disso, por que repetir? — reclama, fazendo uma careta. Estava enjoado ao ouvir sempre a mesma frase durante muitos anos.
— Está bem. Parei. Escolha um deles para ser seu primeiro Pokémon. Você tem sorte que sou um Professor sábio e deixei esses Pokémon extras. Está muito atrasado. — disse o cientista, e depois apontou para um relógio que havia na parede.
O mais novo voltou a encarar os três Pokémon. Sabia dos riscos de uma criança começar sua jornada com um Pokémon 15 níveis acima do que era antigamente, mas não importava. Ele teria um deles. E mais quantos quisesse. Por mais que fosse difícil, bem mais do que nos antigos tempos, onde os Pokémon Inicial praticamente haviam acabado de sair do ovo e os adversários das Rotas e Florestas primárias eram ainda piores em experiência, ele não podia desistir. Não podia se deixar ficar em casa parado apenas esperando o retorno dos pais. Além disso, ele se sentia pronto. Diferente do que conhecia dos Treinadores Pokémon que eram seus heróis, que em sua maioria começaram sua jornada com 10 anos, ele tinha 13 anos. Podia muito bem se cuidar.
As criaturas estavam ansiosas também, sorrindo e com os olhos brilhando de expectativa. Os três queriam visitar outros lugares com aquele estranho que logo se tornaria um grande chefe e/ou amigo. Aquele também era um sonho para os Pokémon, mas poucos humanos sabiam disso, e isso infelizmente não incluía nem o novo treinador nem o Professor Pokémon.
Afinal, se todas as pessoas desacreditavam que Pokémon podiam pensar ou sentir qualquer coisa humana, por que alguém discordaria?
— Hum... Eu escolho... — Dan ficou em dúvida, apesar de ter pensado em quem escolher durante a semana inteira. Ver aquela expectativa dos três o deixava indeciso, mas ele já tinha alguém em mente. — O Charmander.
Os outros dois sorriem para o amigo sortudo e este começou a pular de alegria. Dan se abaixou e afagou o novo amigo, que diz algo em sua língua que o treinador não entende, repetindo seu próprio nome. Talvez esteja agradecendo, pensou Dan, se é que agradecem, completou.
— Aqui está seu Pokémon, suas Poké Balls e sua Poké-Agenda. — disse o professor.
O mais velho colocou o Pokémon Lagarto em sua respectiva Poké Ball, pegando mais cinco das esferas em sua forma minimizada e um equipamento avermelhado que serviria para ver mais informações sobre as criaturas daquele mundo. Por um momento, Kao hesitou a entregar, sua expressão se tornando séria.
— Lembre-se: esses Pokémon estão com níveis avançados. Você não vai querer levar um ataque deles. — O novo treinador assentiu sombriamente, sabia muito bem dos riscos de seguir uma jornada naquela época. — Boa sorte em sua jornada.
Dan agradeceu de forma apressada e seguiu até a saída, mas se virou antes de sair.
— E, professor, Lan é meu pai. — disse. — Eu sou na verdade o Dan.
O louro pareceu confuso por um instante, mas logo deu de ombros e voltou-se ao seu trabalho. Dan correu. Dessa vez, seguiu apenas em uma direção: norte. Estava indo para a floresta. Antigamente, se estivesse em Pallet City, ao seguir ao norte, você se depararia com um caminho de terra cercado por grama alta e Pokémon nesta para depois de uns dez minutos andando encontrar a Cidade de Viridian. Mas, naquele futuro, tudo o que encontra ao norte é uma floresta enorme, que de alguma forma surgiu da Floresta de Viridian. Ela invadira a localização da antiga cidade de mesmo nome e da antiga rota, porém ambas foram reconstruídas em outro lugar.
Ao chegar lá, Dan logo soltou seu novo e até aquele momento único Pokémon apertando o pequeno botão na Poké Bola. Daquele botão surge uma luz ofuscante que segue até o local do qual Dan apontava com o objeto. O fulgor toma forma e, com um último brilho, surge a criatura com uma expressão que deveria ser um sorriso.
— Chaaaarr! — comemora o Pokémon, feliz por ver o novo treinador novamente.
— Ajude-me a achar outro Pokémon. Quero uma equipe cheia.
Charmander assente com confiança. Ambos esperavam encontrar os mais comuns ali, como Caterpie, umas lagartas verdes, Weedle, outras lagartas, porém amarelas e venenosas, e suas evoluções, ou até mesmo aqueles mais raros ali, os Spinarak, aranhas que imigraram para o local havia alguns anos. Não demorou muito até verem um Pokémon, mas não era nenhum que realmente apareceria ali. Era o mesmo de antes, aquele com bulbo nas costas. Apesar de ser da mesma espécie, este parecia um pouco diferente. Seu bulbo era um pouco maior e, depois de questionar o motivo a sua Poké-Agenda, Dan entendera que aquele era mais velho. O garoto acreditou que aquele Pokémon fora abandonado pelo antigo treinador, então poderia capturá-lo. Resolvera tentar.
— Entre na batalha!
— Saaaurrr! — rosna o inimigo posicionando-se de forma defensiva já prevendo a iminente batalha.
— Use o movimento Arranhão. — ordenou o garoto.
As garras nas patas do Tipo Fogo brilharam com sua força direcionada àquela parte do corpo. Charmander correu, pulou e acertou o adversário em cheio, seguindo de volta ao seu anterior localização. A perna esquerda do Bulbassaur fica temporariamente avermelhada, porém não fizera muito efeito, pois a pele dele era dura, por isso, poucos segundos depois, a vermelhidão sumira. Provavelmente, por ser mais velho, aquele Bulbasaur também era de nível superior. Ele atacou com Chicote de Cipó. Vinhas saíram de seu bulbo sendo comandadas pelo Pokémon. A distância de sete metros entre as duas criaturas fora rapidamente superada pelo ataque. Este pegou o outro pelas pernas e deixou-o pendurado, incapacitado de escapar ou atacar.
— Não! Charmander! — desesperou-se o treinador. — Livre-se dele!
O Pokémon Lagarto sacudia e contorcia-se com toda a força que tinha. Não adiantou, pois as vinhas apenas envolveram-no ainda mais e apertaram seu corpo, deixando-o sem ar. A Poké-Agenda de Dan mostrou a barra de saúde de seu Pokémon diminuir com o movimento. Bulbasaur começa a diminuir a distância de seus cipós, puxando o outro Pokémon em sua direção. Dan sabia que ele jogaria seu Pokémon longe e que assim a batalha acabaria. Não podia perder. Não em sua primeira batalha. Sua sorte foi que, ao prever tal movimento, conseguira criar um plano a tempo.
— Rápido, Charmander, usa suas garras no chão!
O Pokémon obedece. Terra se junta às patas dele e assim que chega próximo o suficiente joga tudo nos olhos do outro. Ninguém nunca acreditaria em Dan se ele dissesse que o primeiro Pokémon da qual capturou era um Bulbasaur que por acaso fora enfraquecido por um tipo de Ataque de Areia, algo que um Charmander nunca aprenderia.
Bulbasaur tentou atacar, mas, por sua visão prejudicada, seu movimento errou. Ele se inclinara e jogara, com seu bulbo, algo que provavelmente era uma semente, um pouco maior e mais redonda que uma de abóbora com uma cor de vermelho enegrecido um pouco amarronzado. O objeto seguiu diretamente para uma árvore à esquerda de Dan. A semente se abriu repentinamente em finas videiras que envolveram o tronco da árvore com uma força surpreendente. Algumas folhas tornaram-se amarelas com uma velocidade anormal e caíram.
Semente Sanguessuga.
Dan esperou nervosamente o Pokémon adversário se recuperar, mas não pareceu haver diferença. Talvez o ataque só funcionasse se atingisse um Pokémon e não quando atinge uma planta. Começou seu contra-ataque.
— Derrube-o com uma Investida. — o garoto de início não sentiu segurança em outro ataque direto, afinal, a pele daquele Pokémon parecia ser dura como aço, mas seguiu seus instintos.
Charmander assumiu uma posição que lembrava um atleta se preparando para a largada em uma corrida e correu com toda a velocidade que conseguia. Jogou-se com toda a sua força contra o Bulbasaur, que acabou caindo de costas por cima de seu bulbo e ficou remexendo as patas, parecendo uma tartaruga emborcada.
O treinador pegou uma de suas Poké Balls vazias e a retirou do modo minimizado apertando o botão, mas hesitou. Aquele Pokémon, apesar de imobilizado, teria capacidade de escapar. Precisava de uma finalização para conseguir capturá-lo.
— Finalize o combate com Brasas! — Dan sabia que, por não ter batalhas antes, o tipo fogo talvez tivesse dificuldades com ataques indiretos como aquele. Ainda assim, precisava confiar em seu Pokémon. Precisava de uma finalização com um ataque forte. Algo super efetivo como Brasas daria conta do serviço.
Sua confiança no novo amigo valeu a pena. As chamas que saíram da boca do tipo fogo foram fortes o suficiente para fazer o outro afastar-se e, no final, desmaiar por conta do calor. Aquela era a sua chance.
— Poké Bola, vai! — exclamou, lançando o objeto.
Os vinte segundos seguintes foram preocupantes. A bola atingiu o adversário que se tornou apenas uma luz avermelhada. O brilho perdeu forma e entrou na Poké Ball, que até aquele momento estava aberta. O objeto se fechou, caiu na terra úmida da floresta e passou a se mover levemente da esquerda para a direita. Aquilo significava que o Pokémon ainda lutava para sair ou ainda não tinha escolhido permanecer lá dentro. Porém, quando o tempo acabou e a Poké Ball parou, tanto o treinador quanto o Charmander puderam relaxar: Bulbasaur havia desistido.
— Isso! — comemorou, pegando o objeto de volta. Em seguida pegou sua Poké-Agenda, verificando os detalhes sobre os dois Pokémon em sua equipe, e descobriu que Bulbasaur era dois níveis acima de Charmander. Ainda assim, eram bons números. Verificou a condição dos dois. O Pokémon Planta estava bem debilitado, não aguentaria outra batalha, mas seu outro Pokémon não. — Você ainda tem bastante energia. Que tal capturarmos mais alguém na Rota Um? — não era como se o treinador esperasse uma resposta.
Ele sorriu para o Pokémon que se sentiu ainda mais feliz ao ser chamado daquele jeito. Os dois esperavam e torciam para que, durante aquela jornada, ninguém deixasse ninguém para trás. Dan esperava não ser traído como ouvira dizer na televisão, onde um Pokémon roubou a própria Poké Bola e deixou um treinador para servir ao exército de sua espécie.
Já Charmander esperava que aquilo que ouvia dizer de seus amigos fosse mentira. Que não existissem treinadores ruins, que abandonavam seus leais Pokémon, e, se existissem, Dan não estivesse incluído na lista.
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