League of Legends: As Crônicas de Valoran
43 Capítulo 42: LeBlanc
Notas iniciais
Capítulo 42:
Emília LeBlanc – Noxus – Castelo Negro
Fazia uma semana ou mais desde que Swain fora para Kalamandra. Enquanto isso, Emília LeBlanc, sua assistente, permanecia em Noxus, como conselheira real. Sem Swain, o pequeno conselho era formado por Boram Darkwill, LeBlanc, Elise, Keiran e Phildora Couson (a governanta da família Du Couteau).
– Como ficamos sabendo, Swain foi acusado de conspiração contra Demacia – comentou Keiran, quase rindo. – Como podemos ver, ele não era tão competente assim.
LeBlanc soltou uma gargalhada.
– Você não perde uma chance de difamar seu amiguinho, não é? Chega a ser fofo.
Keiran olhou-a com deboche.
Boram falou em alta voz, antes que o filho pudesse argumentar.
– Não acredito que Jericho possa ter feito uma coisa dessas! – socou a mesa.
– Acredite se quiser, papai – continuou Keiran –, Swain não é lá aquelas coisas. Deveria ter me mandado no lugar dele. Como pode ver, ele e Katarina não foram competentes o suficiente.
– Não venha falar da Lady Katarina! – exclamou a velha Phildora.
– Cale-se, velha. Só está aqui por causa do sumiço de seu patrão!
– CALADO! – o rugido de Boram poderia ter sido ouvido a quilômetros. – Não venha ofender a Lady Couson em minha frente, garoto!
Keiran fez uma cara envergonhada, porém, irritada por dentro. Poderia matar qualquer um naquele momento, só de frustração.
– Conseguimos pensar bem melhor com você de boca calada, querido Keiran – disse LeBlanc.
Boram olhou para todos de forma fuziladora.
– Voltando ao assunto... – esperou para ver se ninguém mais o interromperia. – Muito bem. Como já sabem, Jericho está sendo acusado de conspiração... mas eu acredito na inocência dele. Sei de suas verdadeiras intenções, sei que ele não quer o mal para nossa nação.
– Concordo plenamente – LeBlanc ergueu a mão rapidamente.
– Acredito que alguém possa ter armado o esquema das bombas na mina demaciana somente para incriminar-nos – argumentou Elise.
Boram assentiu.
– Essa teoria está se espalhando bastante rápido e é a melhor, em minha opinião.
– Faz um bom sentido, levando em conta a oportunidade de ferrar com a gente – comentou Keiran.
– É tudo preconceito por sermos noxianos – disse LeBlanc.
Boram fez uma cara pensativa.
– Preciso ir à Kalamandra defender Jericho.
– Ué – debochou Keiran –, você não o superestima tanto assim? Espere que ele irá se virar sozinho.
Boram se virou para o filho, como se fosse estapeá-lo. Diferente do que normalmente faria, ignorou o comentário arrogante do filho mimado, simplesmente voltando-se para LeBlanc.
– Emília, agendarei uma visita àquela cidadela com uma caravana, gostaria de sua presença.
– Dispenso – retrucou.
Boram franziu a testa.
– Como é? Você... dispensa?
– Pois é, dispenso. Não acredito que Swain possa se virar, vá lá e ajude-o, mas não conte comigo. Prefiro ficar aqui e cuidar do castelo junto de Keiran, não é, meu querido?
Keiran a olhou com ira.
– Bom – Boram parecia um pouco desapontado –, preciso que me arrumem os melhores homens, caso precaução.
– Caso role uma guerrilha? – perguntou Phildora.
– Talvez. É sempre bom se prevenir.
LeBlanc olhou para a janela mais próxima e viu uma sombra negra, um corvo. Era Beatrice. Ela cutucava a janela, como se quisesse entrar. Um toque, dois toques, três toques. Intervalo. Um toque, dois toques. Intervalo. Um toque. Intervalo.
LeBlanc sorriu.
– Deixe que eu me encarrego de conseguir os homens para a sua caravana, Lorde Darkwill.
[...]
Terminando a reunião, Emília LeBlanc foi ao salão real, onde estavam sendo feitos os preparativos para o casamento entre Keiran e Cassiopeia. Haviam vários homens trabalhando, decorando o local e arrumando tudo. A cerimônia seria em três dias, já que Noxus iria sair de Kalamandra no mesmo tempo, chegando a tempo de ver o casório.
Emília seguiu reto até o quarto de Cassie, onde a encontrou provando o vestido. Ela estava lindíssima, vestindo um vestido de casamento negro – em Noxus os vestidos de casamento eram pretos, não brancos –, usando um penteado rabo-de-cavalo cheio de ondulações ornamentadas, pulseiras escuras e joias brilhantes. Uma serva terminava de costurar a cauda do vestido.
– Está linda – disse LeBlanc, rindo por dentro.
Cassiopeia se virou para Emília, sorrindo.
– Obrigada, Emília. Estou super feliz!
– Acha que Katarina irá gostar disso?
Cassiopeia fez uma cara séria à frente do espelho, se encarando.
– Não me importo com ela, quero mais é que se exploda – fez uma pose em frente do espelho, fazendo “carão”. – Ela sempre odiou Keiran, mas eu o amo, e é isso que importa.
LeBlanc cruzou os braços.
– Tudo bem, entendo. Mas não acha que Keiran não só quer casar com você para se candidatar ao trono? Sabe que o pai está velho, mesmo na possibilidade de chegar aos quinhentos. Boram não se alimenta bem, só isso já retarda o feitiço.
Cassiopeia se virou para LeBlanc, enfurecida.
– Está dizendo que meu Keiran só me quer como esposa para adquirir o trono? Está louca?
– Senhora Du Couteau... – advertiu a serva, que tentava arrumar o vestido.
Cassie se pegou fora do pedestal onde deveria estar.
Se acalmou e fez uma pose em frente ao espelho.
– Não vou deixar que você estrague minha felicidade!
– Não quero estragar sua felicidade – argumentou LeBlanc, sem alterar a voz. – Só quero adverti-la pois conheço Keiran Darkwill desde que nasceu. Às vezes me esqueço que o jovem nasceu de uma mulher humana – e deu uma breve risada.
– Não deprecie meu Keiran!
Emília riu mais ainda, deixando-a encabulada.
– Suponho que você também quer se casar para esquecer do sumiço de seu pai, certo?
Cassiopeia sorriu para o espelho, fazendo uma pose e um carão.
– Não me importo tanto. Ele só deve ter ido numa missão solo, nada demais. Acho que estão todos fazendo uma grande tempestade em copo d’água.
LeBlanc riu internamente.
– Mas e se não for? Mas e se ele fugiu, foi morto, pego por demacianos...? As possibilidades são infinitas.
Cassiopeia continuou a fazer poses, quase como se as possibilidades de morte do pai não lhe interessassem.
– Se ele morrer, para mim é ganho.
Pela primeira vez, quase que em anos, LeBlanc se sentiu mal. Pensou que o sumiço do General Du Couteau afetaria as filhas, porém... Não podia prever a reação de Katarina pois não estava em Kalamandra, mas quanto à Cassiopeia... Ela deveria sentir alguma coisa pelo pai, pensou. Mas se lembrou que como nunca tivera um pai, não poderia falar muito. Na verdade, LeBlanc já teve um, mas não se orgulhava nada dele.
– Realmente – concordou com Cassiopeia. – Seu pai é o melhor candidato ao cargo de Alto Comandante, já que é o braço direito de Boram. Keiran jamais poderia assentar-se no trono com seu pai por perto.
– Exatamente – Cassiopeia não teve medo de concordar.
– Garota, garota... – LeBlanc sorriu. – Só lhe digo uma coisa: não coloque tanta esperança em Keiran, pois ele não é, digamos, o melhor partido.
– Ouvi meu nome!
Keiran adentrou na sala, fazendo com que Cassiopeia se assustasse, gritasse e se jogasse pro lado. LeBlanc empurrou-o com toda a força contra o chão, fazendo com que ele se machucasse e urrasse de dor.
Emília LeBlanc se inclinou sobre o garoto no chão.
– Não sabe que ver o vestido da noite antes do casamento dá azar?
[...]
Como prometido, LeBlanc organizou as tropas da comitiva de Boram Darkwill com toda a competência que adquirira em toda a sua grande vida. Foram exatos vinte homens dos mais fortes e melhores da guarda real. Cinco carruagens e exatos trinta cavalos armados.
LeBlanc somente observou enquanto Boram ia embora junto de sua comitiva, rumo à Kalamandra.
– E o contrato termina aqui.
Deu as costas e foi embora.
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