League of Legends: As Crônicas de Valoran
44 Capítulo 43: Swain
Notas iniciais
Capítulo 43:
Jericho Swain – Kalamandra
Um ainda vive...
– Qual o seu nome, jovem? – perguntou o Rei Jarvan III para o jovem prisioneiro de Jericho Swain.
– Thom Garvin – respondeu.
– As ordens de quem você estava seguindo ao tentar incriminar Noxus, meu caro?
O garoto hesitou.
– Eu obedeci às ordens de seu filho, o príncipe.
Todos se espantaram, pareciam surpresos com a alegação do garoto. Até os noxianos ficaram espantados, não sabiam do verdadeiro culpado por trás disso, pois o General Swain havia dito que só iria contar quem era ao final de tudo. O caos se espalhou, todos cochichavam coisas e até mesmo falavam alto. Alguns xingavam o príncipe, outros o defendiam.
Jarvan III fez uma cara de espanto que faria qualquer um sentir pena. Ele olhou para o filho, que suava em frio. Jarvan IV parecia querer pedir que não acreditasse em Swain, mas as palavras não saíam da boca. Foi quando se virou para Swain, levantou-se da cadeira e apontou para ele. Gritou:
– Mentira! – rangia os dentes e a fúria parecia sair de dentro pra fora. – Você está mentindo, manipulando tudo. Nem mesmo conheço esse tal prisioneiro!!
Swain sorriu.
Jarvan IV fez um gesto, enviando seus homens para cima de Swain. Três soldados demacianos apontaram suas lanças para o mestre tático, que nem mesmo moveu-se um centímetro (enquanto que Thom Garvin se encolhera de medo). Riven e Draythe colocaram-se à frente. A imensa lâmina rúnica de Riven espantou os homens demacianos, que voltaram à posição logo em seguida. Draythe ergueu seu escudo para defende-la.
Jarvan III bateu a mão na mesa com toda a força, de forma que chamou a atenção de todos. Rainha Jaynee se espantou com a fúria do marido, assim como Sona Buvelle, que teve de melhorar seu toque musical para tentar aplacar tão ira.
– Soldados demacianos: SEU REI ORDENA QUE RECUEM!!
Os homens demacianos recuaram rapidamente, assim como Riven e Draythe. Swain agradeceu à defesa dos aliados e depois voltou-se para Jarvan IV. Esperou que todos os cidadãos ficassem em total silêncio, encarando o rei e príncipe, depois disse:
– Se o que Thom disse é mentira, por que ficastes irado?
Jarvan IV começou a tremer, talvez de medo, talvez de raiva. Não sabia. Queria matar Jericho com suas próprias mãos, queria xingá-lo de tudo quanto era nome, mas não podia. Seus olhos trêmulos passaram por todos os cidadãos da cidadela, que começaram a olhá-lo de outra forma. Antes o olhavam com admiração, agora, com repulsa. Estava claro que ele era o culpado, e pela primeira vez, Noxus saiu na frente. Sentiu um leve desconforto na cabeça e nos olhos, que começaram a formigar. Fechou-os e encostou a cabeça na mesa. Começou a tremer de forma que assustou os outros. Depois de alguns segundos ergueu a cabeça, assustado.
O prefeito Anson Ridley colocou-se à frente do rei, antes pediu a permissão para falar: concedida. Virou-se para o público, pediu silêncio, obteve o que queria... Jarvan III já sabia o que era, sentiu-se humilhado por aquilo que iria vir, e ver seu filho tremer de medo, assustado como um cordeiro, não ajudava em nada.
– Solicito que a assinatura seja adiada até segunda ordem, para que se possa ser feita uma... investigação sobre a situação.
Swain sorriu. Missão concluída, pensou.
[...]
– Um brinde a mim – Swain propôs a todos que estavam ao redor.
Riven, Draythe, Darius, Talon, Sion e Katarina. Todos tinham um copo de vinho na mão, todos brindaram, menos Kat. Até mesmo Talon, que parecia completamente diferente do que geralmente era, ela percebeu. Ele nunca sorria, e agora ele estava brindando junto de Swain.
– Um brinde a Swain! – exclamou Riven, animada.
Katarina fitou o general com olhos fuziladores. Estava sentada em uma das poltronas da tenda de Jericho, no acampamento de Noxus. Eles deveriam se retirar em dois dias, mas agora, com a descoberta do real criminoso por trás de tudo, Noxus recebeu uma quase que segunda chance.
Testemunhas afirmaram que Jarvan IV havia sumido um tempo antes de vir até Kalamandra, tempo suficiente para combinar tudo com Thom Garvin – que agora permanecia numa cela, ao ar livre, no acampamento noxiano. A sorte de Jarvan era de ser um príncipe, senão já teria sido preso culpado por conspiração. Como era herdeiro à coroa, foi-lhe dada uma nova chance, a chance de investigação, algo que não era dada a todos os plebeus que sofriam este tipo de acusação.
– Um ainda vive – recitou Kat a Talon, irritada por dentro. – Era disso que estava falando, não era? Swain te contratou para matar aqueles com quem o príncipe estava compactuado e trazer um para testemunhar contra Demacia.
– O plano original era trazer os dois, mas... – Swain fez uma cara engraçada – pelo visto a lâmina de Talon era mais faminta que o esperado, haha.
Katarina o fitou com os olhos.
– Só não entendi, até agora, por que fui colocada de fora desse plano, general...
Swain bebeu um gole de vinho e cruzou os braços.
– Então é isso? Por isso está irritada? Pois bem. Digo que não te convoquei para se unir ao plano por um simples motivo: desconfiança.
Riven pareceu espantada.
– Swain...! Disse que só iríamos falar com ela sobre isso depois.
Katarina ficou boquiaberta de raiva.
– Desconfiança? Está desconfiando de mim?
O clima havia esquentado. A alegria de terem se livrado do decreto de Ridley havia sido devorada pela ira de Katarina Du Couteau, enfurecida pela afirmação de Jericho. Ela estava com os punhos cerrados. Ainda vestia o manto de Sir Lyam, que deveria estar seja-lá-aonde, esperando ela voltar com sua roupa principal.
– Acalme-se, Kat – advertiu Draythe Darkwill –, não queríamos o seu mal. É só que...
– Você se envolveu com Garen Crownguard pelas minhas costas – Swain não hesitou em “jogar as cartas” na mesa. – Além de dormir com ele... – deu um sorriso malicioso.
Katarina tremia de raiva, assim como Jarvan IV fizera à frente do mestre tático. Swain parecia ter esse poder, o poder capaz de infligir um grande dano psicológico a qualquer pessoa com simples palavras afiadas. Parecia Fiora Laurent, mas não era uma simples duelista egocêntrica... mas um general inteligentíssimo, com uma mente ardilosa e sombria. Katarina nunca quis perceber, mas ele sempre foi assim, desde jovem. Queria culpar LeBlanc, sua responsável, mas não podia.
– Você... – ela disse, quase sem palavras.
Riven foi até a amiga e a abraçou. Levou-a para fora da tenda de Swain, dando uma rápida, porém cruel, última olhada de desdém para aquele ardiloso homem, capaz de passar por cima de qualquer um, até mesmo de uma aliada para conseguir o que quer. Deixou-o sozinho com Darius, Talon, Sion e Draythe.
– Bom – disse Sion –, agora que as mulheres foram embora... – deu um sorriso, mas ele logo sumiu – eu vou embora junto.
Logo a festinha particular de Jericho Swain havia se feito em cinzas, restando apenas seu guarda pessoal e melhor amigo, Darius. Sentou-se na poltrona mais próxima e cruzou as pernas. Fitou a entrada da tenda com olhos de águia. Fechou-os e pareceu sentir algo. Era uma presença diferente, a tempos não era vista.
Foi quando um corvo adentrou na tenda, voando, batendo as asas rapidamente. Era Beatrice, o corvo de estimação de Swain. Ela pousou em seu braço e o olhou de forma fixada. Ele sorriu para a amiga, vendo bem fundo nos olhos dela o que estava para acontecer.
[...]
– Jericho Swain!
Swain saiu da tenda para dar de cara com Jarvan III, Xin Zhao, Sona Buvelle e mais dois homens da guarda real. Notou que cada homem tinha duas espadas em cada bainha do cinto, ou seja, duas, menos Xin, que tinha sua lança presa nas costas.
Quando percebeu o quanto Sona estava bonita, corou. Sorriu para ela e se virou para o rei demaciano, mais sério.
– O que quer comigo, Terceiro? – perguntou.
O rei sorriu.
– Vim aqui para pedir, com extrema educação, que você me entregue o prisioneiro, Thom Garvin, para que meus homens demacianos possam interroga-lo.
– Como é que é? – Swain perguntou. – Você quer que eu lhe entregue a testemunha-chave de minha acusação?
Jarvan III fez que sim com a cabeça.
– Me desculpe, rei, mas Garvin não pode ser confiado a um ou outro governo. Simplesmente não posso entrega-lo em mãos assim, do nada.
Jarvan III cruzou os braços.
– Entendo a sua situação. Não somos amigos, muito pelo contrário. Você já quase matou meu filho inúmeras vezes e roubou a carta de convite para as escavações em Kalamandra. Eu pensei que, por você ter a educação de devolvê-la e nos permitir participar, talvez...
– Eu fosse concordar...? – Swain fez que não com a cabeça. – Lorde Lightshield, eu sou justo, não idiota.
O cenho do rei ficou franzido; definitivamente ele não havia gostado da resposta do atual líder noxiano. Percebeu que o corvo havia voltado a pousar-se no ombro de Swain, o que era estranho. Não havia visto aquele corvo, Beatrice, desde que havia chegado.
– O corvo – comentou –, ele acabou de chegar de viagem?
– Muito bem observado, rei – respondeu Swain –, minha bela Beatrice acabou de chegar de viagem. Ela foi até Noxus, notificar Boram Darkwill sobre os ocorridos, e advinha só? Boram está vindo para cá. Cedo ou tarde ele trará mais tropas para Kalamandra – disse tudo isso olhando e acariciando o corvo. Em momento algum ele olhou nos olhos do rei... a partir de agora.
Olhou fundo nos olhos do rei demaciano, de forma obscura e sombria que só ele sabia fazer.
– Você não quer arranjar guerra com Boram, quer?
Jarvan III semicerrou os olhos.
– É claro. Não quero transformar Kalamandra num local de guerra.
Swain percebeu que muitas pessoas arrumavam as malas e deixavam as suas casas, levavam todos seus pertences, animais... tudo. Eles iam embora, temendo que uma guerra estourasse e não queriam morrer.
– É tarde para dizer, meu caro rei – falou. – Pelo que posso ver, os moradores já estão abandonando as suas casas, temendo por suas vidas.
– Percebi – o rei não parecia tão pacífico, parecia irritado por dentro. – Então não acontecerá um acordo, estou correto?
– O único acordo que poderemos tratar...
– É um de paz – o rei assentiu. – Eu não atacarei se você não atacar, certo?
Swain sorriu e apertou a mão do rei.
– Certo.
[...]
A noite caiu em Kalamandra e todos foram dormir. Katarina se acomodou em seu hotel, Swain e os seus no acampamento, e outros tiveram que se virar. As ruas da cidadela estavam vazias, o vento soprava a poeira para o alto, fazendo nuvens de areia.
O grande cristal de Kalamandra ainda estava lá, brilhando no pedestal. Algo nele emanava uma energia poderosa que parecia envolver toda a cidade. Dava para sentir esse poder de longe, o que já atraiu muitos ladrões que já tentaram roubá-lo, sem sucesso.
Uma forma sombria caminhava pelas ruas, seu longe manto negro arrastando pelo chão. Usava capuz e era relativamente baixo, de um tamanho não tão grande nem tão pequeno. O manto não permitia saber se era mulher ou homem, só se sabia que ele carregava um frasco em mãos, um frasco com um líquido negro.
Entrou de fininho pelo acampamento noxiano, passando por barracas, homens dormindo no chão, fogueiras e arsenais ao ar livre. Seus passos eram leves, não fazia barulho algum. Não seria possível ouvi-lo andar, de forma alguma.
Dirigiu-se até uma cela ao ar livre, onde um homem descansava, preso em correntes nas mãos e nos pés. Era Thom Garvin. Um sorriso brotou no rosto do ser encapuzado.
[...]
– Está morto! – gritou Draythe Darkwill, ainda sem camisa, utilizando somente as calças de dormir. Era claro que soldados naquele estado deveria dormir preparados, armados e protegidos com suas armaduras, mas existem exceções.
Ele abriu a cela de Thom Garvin e retirou o homem morto de dentro da cela. Logo um monte de soldados noxianos o rodeavam, enquanto ele testava o pulso do homem pálido.
– Não pode ser – Jericho Swain apareceu, observando o corpo da única testemunha do crime de Jarvan IV, com um desespero interno inegável. – C-Como...
Riven estava agachada sobre o homem ao lado de Draythe. Ela se virou para o general.
– Nós o encontramos morto quando viemos aqui para... – ainda estava amanhecendo, não deviam nem ser sete da manhã quando eles o encontraram, logo, o motivo dos dois terem ido para lá deveria estar bem claro.
– Não importa! – interrompeu Draythe. – Ele não sofreu lesões e nem parece ter sofrido. Aparentemente foi envenenado.
Todos ali perto se espantaram. Quem diabos iria envenená-lo? As suspeitas logo iriam cair em Demacia, já que Garvin iria testemunhar contra o príncipe demaciano e contra a coroa. Swain começou a tremer de raiva, o punho cerrado na bengala, e ver Beatrice ciscando no corpo não ajudou muito.
– Os demacianos vão pagar por isso! – exclamou.
Lembrou-se do trato que havia feito com Jarvan III, e isso o irritou mais ainda. Conseguia sentir o cheiro de guerra tanto quanto qualquer cidadão de Kalamandra, isso estava mais do que claro.
Fale com o autor