League of Legends: As Crônicas de Valoran
12 Capítulo 11: Zed
Capítulo 11:
Zed – Ordem de Ninjas Kinkou – Ionia
Acordou com uma imensa dor de cabeça numa cadeira. Abriu os olhos e se deparou com o Conselho de Kinkou à sua frente. Havia uma coisa que parecia uma muralha super alta, e dentro dela haviam algumas cadeiras, e tudo ao estilo da Ionia.
Sentados nas cadeiras estavam alguns chefes de Kinkou, alguns ninjas bastante conhecidos, bastante poderosos. Ao centro estava Mestre Shyon, e ao seu lado estava Hikaru, seu braço direito, e do outro lado, estava Kelsen, uma ninja do equilíbrio, mãe de Akali. Todos os mestres se vestiam com roupas orientais, como quimonos, mantos de seda, etc.
Zed franziu a testa, confuso.
– O-Onde, estou? – perguntou.
Shyon respondeu com rispidez.
– Você sabe muito bem, aonde está!
O garoto olhou ao redor. O teto, as paredes, a ornamentação... Sim, ele estava em Kinkou, mas no Conselho, onde eram resolvidas infrações de jovens ninjas. O que ele estava fazendo ali? Não fizera nada de errado, isso se fazer birra era motivo de julgamento. A última coisa que se lembrava era da sala escura, com aquela caixa preta, mas não lembrava de muito do que ocorrera depois disso. Também não se lembrava aonde estava a caixa, só se lembrava de tê-la encontrado.
Kelsen irritou-se com Shyon.
– Não seja rude com o garoto, Chanceler!
Todos olharam para a mulher com pavor nos olhos. Ninguém nunca falava dessa forma com Shyon. Nunca. Até o próprio achou estranho.
Kelsen fez uma cara irritada para o Chanceler, e depois voltou-se para Zed.
– Fique calmo, garoto. Nós só o trouxemos aqui por um simples motivo: queremos saber o que você fazia, desmaiado, numa câmara sombria.
Câmara sombria? Zed não entendia muito bem o que estava acontecendo. Tudo aconteceu tão rápido, e ele acabara de acordar. Ele teria sido achado ali, naquela sala? Mas como? Como o encontraram ainda era um mistério, mas ele não estava concentrado nisso. Ele sabia que não era muito interessante para um ninja ser detido e levado ao Conselho. O lugar era bem pequeno; fofocas corriam rápido. Logo estaria dizendo que ele foi detido por fazer alguma coisa realmente ruim. Mas o que ele fizera de tão ruim, iria descobrir agora.
Ele engoliu em seco; não sabia bem o que responder. Shyon o fuzilava com os olhos.
– Responda logo, garoto! – gritou o Chanceler.
Hikaru sussurrou algo em seu ouvido.
– Como eu poderia não gritar?! – ele parecia furioso com alguma coisa. – Você sabe o que esse garoto fez, não sabe?
– Sim, eu sei. Mas...
– Então não o defenda!
Kelsen bateu fortemente na mesa.
– Shyon! O que pensa que está fazendo? E todo aquele papo de proteger seus aprendizes?
O Chanceler fez uma careta.
– Ele não é meu aprendiz – olhou para Zed com nojo. – Não passa de um bastardo entregue a nós pelo destino. E que maldito seja o destino!
Kelsen virou-se para Zed, que parecia levemente abalado. Ela queria ajudar. Não gostava de ver jovens desamparados, pois ela sabia que a falta de amor e equilíbrio poderiam destruir todo um mundo. Não queria perder aquele garoto para o lado negro de Shyon, que parecia que iria destruir tudo àquilo que odiava.
– Não o chame de bastardo, Shyon!
Ele quase avançou nela.
– Como diabos pensa que pode falar assim com seu Chanceler?!
– Fique calmo! – gritou um homem idoso, que se sentava ao lado de Kelsen. Ele usava um manto azul de seda e tinha uma barba branca. – Tenha equilíbrio, Shyon. Sinta a harmonia do nosso ambiente. Respire fundo... Reflita no quanto você está amedrontando esse garoto.
Shyon olhou no fundo dos olhos de Zed. O que estava fazendo? Gritando com todos ao seu redor e se enfurecendo por que? Nunca soube do porquê de nunca ter conseguido aturar Zed. Ele sempre sentiu algo ruim vindo daquele garoto, e, ao invés de tentar ajuda-lo, estava ali, xingando-o.
Ele respirou fundo.
– Me desculpem – fechou os olhos profundamente, e depois abriu. – Me perdoe, garoto.
O coração de Zed batia mais rápido; ele tinha medo do que o Chanceler podia fazer com ele, mas agora, estava se acalmando.
– Tudo bem – disse o garoto, por fim. – Só quero saber o que faço aqui.
– Poderemos lhe responder se você contribuir conosco – respondeu Kelsen. – Olhe, não sei se você se lembra, mas nós te encontramos caído, desmaiado, numa sala... digamos, secreta. Lá está escondido um mal antigo, e temo que você possa ter, err... libertado.
Zed se lembrava do que havia acontecido quando abriu a caixa. Sombras. Escuridão. Frio. Sussurros malignos. E tudo isso parecia martelar em sua cabeça. Não tinha tempo de recapitular o que havia ocorrido e, de forma alguma, deveria contar o que havia acontecido à eles.
– Não sei do que estão falando – respondeu sem hesitar.
Shyon disse, bem lentamente:
– Acho que você sabe muito bem do que estamos falando.
– Não achou nenhuma caixa preta lá? – perguntou Hikaru.
Zed balançou a cabeça, negativamente.
– Nada de escuridão, nem sussurros malignos?
– Não.
Shyon franziu a testa.
– Não acredito em você, garoto.
Kelsen se virou rapidamente para ele.
– Shyon!
– O que você quer que eu faça?
– Se ele disse que não havia caixa, então... talvez não houvesse. Nós nunca encontramos aquele compartimento, talvez não devesse ter sido ali onde fora escondido por séculos.
Todos do conselho começaram a falar simultaneamente, debatendo sobre a possibilidade. Zed só se perguntava quando aquilo ia acabar.
– Conselheira Kelsen – chamou o garoto. Ela rapidamente se virou para ele, juntamente de todos os outros mestres dali, que pararam de conversar para ouvirem o que ele tinha a dizer.
– Diga, meu jovem – ela respondeu, com um sorriso no rosto.
– O que, exatamente, tinha naquela caixa?
Ela engoliu em seco, e Shyon, com um pouco de rispidez, tomou a frente, respondendo.
– Algo que não interessa a jovens como você, Zed.
– Shyon! – Kelsen chamou-lhe a atenção. – Se nós o trouxemos aqui, deveríamos, ao menos, contar-lhe o porquê.
O velho enrugado de antes disse:
– Aquilo é um segredo que há anos fora escondido, Kelsen. Espero que isso fique somente entre nós, do Conselho. Já que ele não achou a caixa, espero que esse papo morra aqui – ele se virou para o garoto. – Certo, Zed?
Ele fez que sim com a cabeça.
– Ótimo – disse o mestre.
Com um pouco de desaprovação, Shyon disse:
– Está dispensado, Zed.
O garoto se levantou da cadeira, se espreguiçando.
– Bem, muito obrigado por toda essa atenção – disse com sarcasmo. – Vou-me indo. Tenho mais o que fazer a ficar ouvindo especulações sobre o que eu possa ter feito – deu as costas e foi embora.
Shyon bufou de raiva.
Quando a porta do Conselho bateu às suas costas, Zed respirou fundo. Conseguira livrar-se de tais acusações de ter encontrado aquela caixa, mas agora vinha a pergunta: que caixa era aquela? Ele se lembrava de ter sentido sombras envolve-lo quando abriu a caixa... mas o que era aquilo?
Andou reto pelo corredor da entrada do conselho, e não teve tempo de se perguntar mais nada; Kyrie o esperava à frente da entrada, sentado no chão, dormindo. Zed se perguntou o que diabos ele fazia ali; ainda era de dia, então ele percebeu que não haviam se passado muitas horas desde que encontrara a caixa sombria. Ele cutucou o amigo, dizendo:
– Acorda, Kyrie!
Com um pulo, o garoto acordou. Ele olhou para Zed com espanto, e depois sorriu.
– Zed! Você está bem!
– É – respondeu com indiferença. – Eu estou sim.
Kyrie deu um pulo de felicidade.
– Fiquei te procurando por um tempão depois que você perdeu para o Shen.
Zed grunhiu.
– Não precisava lembrar.
Ele começou a andar à frente, e Kyrie foi atrás, correndo em passos curtos, devido ao seu tamanho.
– É, mas eu não desisti. Te procurei por todos os cantos do templo, e quando descobri que você foi encontrado desmaiado e levado até os mestres, eu fiquei preocupado.
Zed franziu a testa.
– Pera aí, como você soube que eu fui encontrado desmaiado?
– Todos os aprendizes foram avisados do seu sumiço, aí quando você foi encontrado, disseram a eles para pararem de procurar, pois você já tinha sido achado.
Eles já estavam quase chegando até o pátio principal, quando Akali e Kennen vieram de encontro a Zed. O sorriso malicioso da garota logo denunciou sua intuição.
– Perder pro Shen é tão impactante pra você assim, Zed? – ela perguntou.
Kennen, o Yordle, riu. Ele tinha pouco menos de um metro, e tinha a aparência de um esquilo grande. Ele usava uma roupa roxa, um capuz e tinha uma shurikens nas mãos.
Zed recuou um passo, e Kyrie grunhiu de raiva.
– O Zed só perdeu porquê o Shen trapaceou! – gritou o garotinho.
– O Shen nunca trapaceia – respondeu Kennen. – Ele é um verdadeiro guerreiro do equilíbrio; trapacear é uma palavra que não existe em seu vocabulário!
Ky cerrou os punhos.
– Tudo bem, Kyrie – disse Zed. – Posso enfrenta-los sozinhos.
Akali riu.
– Duvido muito. Você não passa de um perdedor chorão!
– Por que você não para de puxar o saco do Shen e me deixa em paz?!
Akali suspirou.
– Tudo bem.
– Ótimo – exclamou Zed. Ele avançou à frente, esbarrando em Akali, que se virou para vê-lo ir embora. Kyrie hesitou, olhou-a com raiva, e tornou a seguir o melhor amigo.
Akali grunhiu.
– Mas que raiva!
– Fique calma – disse Kennen. – Talvez fosse bom nós deixarmos ele em paz. Ele não nos fez nada. Se ele tem mesmo uma rivalidade com o Shen, que ele mesmo resolva.
Ela engoliu em seco.
– Você tem razão. Mamãe sempre me ensinou a ser uma garota honrada e equilibrada; implicar com Zed só mostra que eu sou o contrário disso.
– Pois é – o Yordle pegou na mão dela, e começou a andar, levando-a consigo. – Vamos falar com o Shen sobre isso. Quer apostar corrida?
Akali deu uma gargalhada.
– Sério mesmo? Eu sei muito bem que você vai ganhar. Tem a velocidade de um trovão.
– Eu sei – ele sorriu. – Por isso mesmo.
Fale com o autor