Notas iniciais
Meus amores (vulgo pessoas que já acompanhavam a fic), desculpe por abandonar vocês ;-; Se bem que acho que ninguém sentiu minha falta...
Para os que começarão a acompanhar agora, espero mesmo que gostem ><
Os leitores, vocês, não são obrigados a comentar, mas eu agradeceria se, em alguns capítulos, eu achasse um review >
Enfim, boa leitura >

OBS: Em comparação ao prólogo original, bem... Mudou tudo '-'

Ela examinava atentamente um pequeno objeto fixado na parede acabada daquela casa. O papel que a revestia estava inteiramente chamuscado, alguns pedaços ainda com as labaredas os consumindo de pouco em pouco, mas, de resto, encontrava-se todo preto. Preto por causa da fuligem que, pelo incrível que pareça, estava presente no ar ao redor da menina, como pó de uma casa abandonada.

Um sorriso surgiu em seus pequenos lábios. O objeto, outrora preso na parede, caiu, fazendo com que parte do reflexo da menina aparecesse diante de seus olhos. Franziu as sobrancelhas, praguejou rapidamente e saiu daquele recinto.

Os cheiros eram distintos naquela noite, para a menina. Um leve aroma de baunilha vindo de seus cabelos esvoaçantes atrás dela, o aroma leve e adocicado de flores de cerejeira, papel queimado e, sobretudo...

Pele queimada.

Uma pontada semelhante a uma facada em seu peito atingiu-a brutalmente. A menina caiu de joelhos e, sem notar, arfava rapidamente, como se estivesse se afogando. Sua garganta estava sendo carbonizada e seus olhos começaram a lacrimejar. No entanto, aquilo não deveria ocorrer. Não com ela!

O que está acontecendo?!, pensou.

Ah, já sei...

Seus joelhos doíam com o impacto repentino de ter caído no carpete da casa. Contudo, as dores na garganta, a queimadura que estava ocorrendo em seu corpo, pararam. Logo, ela se sentia nova em folha. Levantou-se rapidamente e continuou seu trajeto para fora da casa, descendo as escadas revestidas de carpete. O corrimão, onde havia detalhes curvilíneos talhados em toda sua extensão, estava coberto de fuligem, uma parte dele presa ao resto por apenas algumas fibras de madeira.

Desviou seu olhar daquilo e chegou ao final da escada, onde pôde olhar o estrago que acontecera.

A maior parte dos móveis, como o sofá, estante, mesa, entre outros, estavam carbonizados; a fuligem era a única lembrança de alguns outros. O papel de parede desprendia rapidamente, chamuscado e completamente destruído, enquanto o chão, outrora alvo de algumas brincadeiras, encontrava-se queimando lentamente.

Ao mesmo tempo em que ela constatava os danos que tinha acontecido, caminhava em direção à poltrona mais próxima, a qual estava sendo ocupada por uma sombra distinta. A menina nem precisou se esforçar para identificar o que era; uma risada nasceu em seu íntimo e ecoou por toda a casa, antes de voltar a admirar a sombra.

O rosto, as mãos que outrora seguravam o livro favorito, suas roupas... Tudo fora carbonizado. De alguma forma, o que restara do rosto estava voltado para a garota; de alguma forma, suplicando para ela. Ela grunhiu baixinho e virou-se rapidamente, enjoada com que vira e irritada com a ideia de, embora os humanos sentissem medo um dos outros, alguns eram capazes de morrer apenas pela pessoa que amava.

Estremecendo rapidamente, notou luzes fortes vindas do lado de fora da residência. Luzes vermelhas e azuis...

Seus olhos se arregalaram. Com um movimento rápido em direção à saída dos fundos, correu com todas as suas forças até a porta, saindo de lá o mais rápido possível. Seus pés batiam fortemente no asfalto da rua, mas não arriscou a ver se alguém a seguia. Apenas olhar para trás e, talvez, poderia significar sua morte. O aroma de água do mar misturado com o de hortelã era reconhecível até para a garotinha. Suas pernas se movimentaram mais e mais rápido. Ela tinha que se afastar ao máximo daquele local, e rápido!

Quando sentiu o cansaço vencer seu frágil corpo, parou um pouco para respirar. Encontrava-se num lugar desconhecido, repleto de árvores altas e pequenos arbustos ao redor de um belíssimo lago, que refletia a fraca luz da lua. A garotinha, com suas vestes rasgadas e esvoaçantes ao seu redor, caminhou até a beira do lago e sentou-se. O primeiro impulso seria colocar seus pés dentro da água; estavam cansados. No entanto, a primeira coisa que fez, com uma voz diferente da usual, foi:

— Que lindo... — ela murmurou. Levantou-se rapidamente para dar uma olhada no local Nunca tinha ido até lá. Não era como se ela pudesse ir a qualquer lugar facilmente. Sempre tinha um problema... Seus pulmões perderam o ar e sua visão começou a ficar embaçada. — Droga...

Não vou deixar que faça isso...

Essa é minha única chance de conseguir o que eu quero...

Os olhos da menina se fecharam. O som alto de seu corpo batendo contra a água do lago preencheu toda a área ao redor. Sua respiração estava fraca e sem ritmo...

Uma mão puxou-a para cima. A partir disso, a garota já não conseguia ver nada.

Notas finais
Gostaram? Espero que sim >
Minha meta é postar um capítulo por semana, quem sabe dois, mas acho que é mais provável que poste só um por semana T^T
Eu prometo que farei isso u.u