Le Chant des Sirènes
50 Capítulo XLIX
Notas iniciais
Capítulo XLIX
Costumam dizer que quando o seu fio da vida está prestes a ser cortado, você vê toda sua vida passar diante dos seus olhos. E naqueles momentos agonizantes você observa como foi sua estadia na terra e se você seria digno dos céus ou abaixo dele. Gajeel nunca acreditou muito nessas coisas, ou que suas ações tomavam um rumo inesperado em sua vida. Sempre acreditou piamente que as pessoas fazem as coisas por que querem, e se não as fizeram de fato com o coração, as boas ações de nada valiam. Então, nunca se preocupou em manter a aparência de um bom moço, afinal, ele era tudo menos um cavalheiro requintado de um livro de princesas. Era um pirata amargurado e apaixonado unicamente pelo mar e as aventuras que ele poderia lhe proporcionar.
Entretanto, se viu diante de um filme que percorreu em sua mente e a única pessoa que nele surgia, era aquela que ele arriscou e arriscaria mais vezes a vida. A garota que era o completo inverso dele, pequena e delicada, cheia de sonhos e esperanças com um futuro amoroso de tirar o fôlego, Levy vivia para os livros em busca de se tornar a história de um. E o moreno possuía plena consciência de que ela não era uma garota para ele, que poderia a quebrar com apenas um toque errôneo. Porém, por que ele não conseguia se afastar dela? Mesmo quando todas as circunstâncias não estivessem a favor dos dois, Gajeel não conseguia se ver longe da pequena e única Levy. Ela o possuía na mão e nem fazia ideia disso, que com apenas uma palavra ela poderia o desarmar.
Ao abrir os olhos, jurou que estaria indo de encontro ao barqueiro e pedia aos deuses que seus amigos não houvessem esquecidos a moeda para pagar sua partida ao Caronte. Tamanha fora sua surpresa ao olhar ao redor e constatar estar dentro do navio, em uma cabine pequena dos marujos. Porém, o que de fato atraiu sua atenção como um ímã, fora a garota de cabelos azuis deitada com a cabeça na cama e o corpo sentado na cadeira ao lado, completamente torta, mas em paz. A mão pequena e delicada segurava firme a imensa e desjeitosa mão de Gajeel. Por alguns segundos ele apenas se limitou a engolir em seco sem saber como reagir quando os olhos castanhos se abrissem e o encarasse, ele havia quase morrido para salva-la e faria isso quantas vezes fosse necessário, contudo, não estava pronto para dizer isso pessoalmente. Gajeel não era bom com palavras, completamente diferente dela que sempre parecia saber o que dizer com suas palavras difíceis e certeiras, talvez esse fosse o resultado de muita leitura, Gajeel deveria ler mais.
Levou a mão livre até o abdômen apenas para notar as cicatrizes rosadas com a pele fina, mas nada além disso. Estava bem, estava a salvo. Um sorriso surgiu de sua cara fechada, estava devendo uma a loirinha.
Como se pressentisse que o grandão houvesse acordado a azulada abriu os olhos sonolentos, e então quando foi conferir o moreno e o encontrou acordado, arregalou os olhos e os lábios surpresa apenas para logo depois pular em cima dele em um abraço desesperador, como se buscasse a certeza que precisava para saber que ele estava vivo e bem. Gajeel ficou por alguns minutos imóvel e sem reação, contudo, logo tratou de passar os grandes braços ao redor do corpo pequeno. Ela era tão mais baixa que ele que o mesmo tinha medo de a quebrar no menor toque. O coração bateu acelerado apenas com aquele contato e aproveitou o momento para cheirar o pescoço dela e guardando em sua mente aquele cheiro que ele esperava nunca esquecer.
—Graças aos Deuses, você está bem!- falou aliviada com o coração batendo tão rápido que ela temia que ele pudesse sentir pelo contato tão íntimo. – Por que fez aquilo? — se afastou apenas o suficiente para o encarar de modo sério e lhe dar um tapa no ombro, que não o fizera nem cócegas. – Nunca mais faça isso, seu idiota.
—Eu não me arrependo do que fiz, faria de novo e irei fazer caso seja necessário. — a retrucou firme e a mesma o olhou de olhos arregalados, como alguém poderia ser tão cabeça dura? Era seu maior questionamento.
—Você quase morreu! — falou como se aquilo fosse o suficiente para ele sair da bolha de arrogância e perceber o quão imprudente fora suas atitudes.
—Se não o tivesse feito, seria você. – Ditou firme com a boca apertada em uma linha fina, a outra engoliu em seco diante da afirmação. – E eu não suportaria que isso viesse a acontecer diante dos meus olhos e não fazer nada! — não conseguiu desviar os olhos do dele, era uma sensação tão forte, e algo a prendia ali, ainda mais após as palavras dele. Gajeel deveria dizer mais essas coisas.
—E como acha que eu me sentiria? Sabendo que se sacrificou por mim. — Não retrucou por que não sabia o que dizer, não havia pensado nisso e mesmo se tivesse, não teria o efeito de mudar suas ações. – Apenas tome cuidado, está bem? — ele assentiu virando o rosto para frente incapaz de encarar os olhos preocupados e carinhosos dela.
—Vou sair um pouco, preciso de ar! — se levantou rapidamente, porém, acabou por se desequilibrar e foi o corpo pequeno de Levy que o amparou. Os braços finos seguraram a cintura dele com firmeza e a posição o deixou com o rosto próximo do dela, sentindo a respiração da mesma contra sua pele. Tê-la tão próximo de si, nunca foi tão desejoso e um martírio ao mesmo tempo. – Apesar de você ter a altura de uma bengala, não acho que eu vá precisar de uma. – Caçoou dela com a intenção de desviar a atenção daquele momento tão íntimo e próximo. A garota o encarou irritada e lhe deu um tapa no peitoral no qual foi recebido com uma careta de dor.
—Meu deus, você está bem? Me desculpe! — logo tratou de sorrir do desespero dela, o que serviu para deixá-la mais irritada. – Asno! — se virou para ir embora, porém, ele a segurou no pulso dela e a fez se virar para olha-lo.
—Pode me ajudar? — pediu coçando a garganta e não a encarando, se Levy não o conhecesse, poderia dizer que ele estava corado. Revirou os olhos para depois sorrir e o segurar na cintura na lateral, enquanto ele passou o braço por cima do ombro dela e juntos se guiaram para fora da cabine. Ele não precisava da ajuda dela, na verdade ele parecia novo em folha, contudo, a queria manter por perto e usou disso a seu favor. Temia que após seu susto, tudo fosse apenas um sonho.
Ao chegarem no convés do navio, notaram que estavam atracados a uma ilha e um grupo se reunia no navio, sentados, bebendo e conversando e foi até ali que os dois se encaminharam e se sentaram ao lado dos amigos.
—Aonde estamos?- questionou a azulada a Mirajane que estava sentada no colo de Laxus.
—Paramos em uma ilha para Lucy poder se recuperar e reabastecermos a comida e bebida. – a azulada rapidamente de sentiu culpada por não ter reparado na amiga, ficou tão preocupada com o moreno que não pensou na sereia. E falando no moreno, o mesmo ainda estava com braço por cima dela e ela também nele, e nenhum dos dois pretendiam se afastar. – alguns foram cuidar dessa parte, Natsu, Gray, Erza,Juvia e Wendy foram com Lucy.
—Ela está bem?- questionou culpada e a albina apenas lhe forneceu um sorriso aconchegante.
—Sim, ela não demonstrou estar mal, como sempre. – Mira deu um pequeno sorriso. – Ela precisa de algo que o nosso pequeno tanque não pode fornecer para ajudá-la, são as medidas preventivas que Porlyusica advertiu. – A azulada assentiu e se virou para Wakaba que segurava um violão e dedilhava algumas notas.
—Está ficando cada vez mais perigoso! — Macau soltou olhando para nada em específico, os outros apenas ficaram quietos reflexivos em relação ao assunto.
—Vai me dizer que está desistindo?- Wakaba o questionou com deboche segurando seu charuto, o outro apenas lhe lançou uma carranca em desagrado.
—Claro que não!- retrucou como se fosse óbvio. – é apenas uma constatação.
—Não existe uma aventura sem risco!- Laxus falou passando o dedo nos cabelos platinados da namorada, parecia atento no que fazia.
—Sim pai! — o mais velho se virou para o filho que o olhava cheio de esperança. – Isso faz parte da vida de um pirata, da vida que escolhemos. – Sorriu passando a mão nos cabelos de Romeu e os bagunçando, e consequentemente ocasionando em uma careta fechada do pequeno.
—Você é tão maduro e decidido meu filho!- falou orgulhoso secando uma lágrima imaginária do canto do olho.
—Claro, tendo o pai que ele tem, só resta o menino ser assim. – Wakaba falou atiçando o amigo e arrancando uma risada dos outros. Logo começou a dedilhar uma canção tão conhecida por todos em seu violão. — O rei despertou a rainha do mar, num barco a acorrentou, por onde andares, são teus os mares, quem ouviu, remou. – O castanho começou a cantar.
—Yo,ho Todos juntos, Nossas cores erguer, Ladrões e mendigos, Jamais irão morrer. – Os outros continuaram a cantar a canção se unindo em um coral. — Uns morrerão, outros vivos estão, outros, navegam no mar, com as chaves da prisão, E o Diabo de prontidão, remando sem cessar. Da fossa profunda sobe o sino a tocar, ouço um som sepulcral, vem convocar pra retornar, ao destino final. – Entoavam a canção sob o olhar da lua de testemunha. — Yo, ho Todos juntos, Nossas cores erguer, Ladrões e mendigos, Não aceitam morrer. – E ao cantarem aquela música eles sabiam, que não importa qual seriam seus destinos. Jamais morreriam, pois seus nomes seriam lembrados para sempre, como os marinheiros que entraram nos portais do zodíaco.
**
—Vai ter de cortar a pele! — a pequena Wendy não conseguiu disfarçar a careta que surgiu em seu rosto, após ouvir o que Porlyusica havia dito através do lacrima de comunicação. — a região está contaminada com magia negra, consequentemente está atrapalhando o desenvolvimento da cura, pois a mesma está tendo de cuidar da magia negra primeiro, e posteriormente do ferimento, como o contato das magias pode causar deterioração na região e na magia, a cura dela está bastante ocupada para chegar ao ferimento. – A senhora falou simplória enquanto a pequena assentia com a cabeça e olhava Natsu ajudar a sereia a entrar no lago e se sentar em uma pedra que havia ali. – depois jogue água na ferida, vai acelerar o processo de cura, e Wendy. – a azulada se virou para a mais velha que a olhava seria. – precisa arrancar antes dela fazer a transformação de sereia. – ela assentiu e logo a senhora desligou o lacrima sem mais delongas. A pequena se guio próxima a sereia e se abaixou ao lado dela.
—Eu... Vou precisar arrancar a pele! — os olhos do rosado saltaram para fora, assim como os dos outros presentes, apenas a sereia não parecia surpresa e sorriu concordando com a pequena.
—Tudo bem! — Lucy falou e a azulada assentiu pegando sua pequena faca no cinto, sua mão estava um pouco trêmula, porém, se manteve firme, aquilo era algo que ela deveria fazer e deveria ser forte. Os outros ficaram ao lado da sereia a segurando para suportar a dor e a pequena entrou na água ficando ao lado da sereia, depois ergueu a blusa para mostrar a carne queimada e pútrida, levou a faca até o ferimento e olhou para sereia que assentiu, antes de passar a faca na carne que estava escura. A sereia mordeu o lábio com força enquanto sentia a pele ser rasgada, apertou os punhos com força, mas permaneceu quieta para não atrapalhar o trabalho de Wendy. Sangue manchava a água límpida do lago, juntamente da crosta da pele chamuscada.
—Eu... Não consigo olhar isso!- Gray se virou correndo até uma árvore próxima e vomitando o que estava em seu estômago. A sereia acabou soltando um grito alto quando a faca fora perfurada uma região mais profunda, e depois, havia acabado e ela pode respirar em paz. Wendy levou as mãos em forma de concha até o fundo e depois ergueu jogando água na pele que escorreu em cor Scarlet. Depois o liquido foi guiando como se tivesse vida, até chegar no machucado da loira e então curando tecido e músculo, e por fim a pele.
Todos olhavam aquilo boquiabertos, os seres mitológicos eram mesmo algo a se surpreender. Natsu se levantou engolindo em seco e então levou a mão coçando a cabeça.
—Vou ficar de guarda com Gray!- se virou segurando o moreno pela camisa e o guiando para seus postos. A ilha estava localizada a uma região propícia para atracar piratas, então era melhor ficar à espreita. As garotas se entreolharam e Lucy logo foi para sua forma sereia.
—Ele está se sentindo culpado. – Erza falou olhando por onde o amigo havia passado. — e não sabe o que fazer, está sem jeito. – Lucy ficou olhando na mesma direção com a mente perdida.
—Apesar de eu já ter lhe dito que a culpa não é dele. – a sereia falou baixo passando a mão pela água.
—Natsu é cabeça dura, ele exigi demais de si mesmo. — A ruiva falou reflexiva. – Não importa o que diga, ele logo dará um jeito de contornar a situação e não permitir que ocorra de novo. – Deu de ombros. – No fim, é isso que faz dele um bom capitão. – Sorriu orgulhosa do amigo.
—Deve ser desagradável não poder ficar em sua forma de sereia. – Wendy falou atraindo a atenção da loira. – desculpa por estar se sujeitando isso, por nossa causa.
—Oh não! — tratou rapidamente de explicar. – Isso é algo que estou fazendo por minha escolha, e eu gosto de estar na forma humana, por algumas vezes até me esqueço. – Deu um sorriso sem mostrar os dentes.
Logo as meninas engataram em uma conversa animada de um assunto diverso, e a sereia se perdeu em seus pensamentos antes de entrar mais afundo na água. Afinal era aquilo que ela era, uma sereia, e por mais que por alguns segundos tenha se esquecido desse fato, não era algo que ela poderia alterar. Enquanto estava ali com eles parecia tudo bem, mas e quando tudo aquilo passasse? Como seria? Não queria pensar no futuro por que temia o que poderia ocorrer, mas era quase impossível não ponderar sobre o assunto. Lucy uma hora teria de voltar a sua vida de sereia e abandonar a Fairy Tail? Abandonar Natsu? O peso que aqueles questionamentos lhe proporcionavam, era quase insuportáveis e mais insuportável ainda, era a resposta que eles poderiam denotar.
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O cheiro que perdurava pelo local era forte e ardia o nariz. A vegetação em volta da casa, estava negra e completamente morta, como se sentisse o que havia ocorrido ali. Era um segredo que não fora compartilhado com mais ninguém, os humanos ali presentes ainda não conseguiam descobrir o que havia acontecido e os corpos em decomposição do que fora uma família, eram as únicas pistas que tinham.
—A filha mais nova não está em lugar nenhum!- Lahar falou atraindo a atenção do amigo que estava agachado próximo ao corpo das vítimas, em busca de alguma pista que pudesse lhe guiar.
—Identificaram os corpos? – questionou ainda atento a pele decomposta, não havia como saber apenas analisando a olho nu.
—Sim, os pais e os irmãos mais velho. – o moreno assentiu se levantando. – ou ela conseguiu escapar ou...
—Ela é a culpada!- Doranbolt completou as falas do companheiro que apenas concordou com um aceno.
—De qualquer forma é nossa única pista. — Mostrou a foto da família e apontou para a jovem de cabelos escuros. O homem pegou a foto encarando a família na tentativa de imaginar o que poderia ter ocasionado um fim tão terrível a eles, o que havia de ter acontecido para destruir o lar que parecia em paz, aos olhos dos outros. Contudo, era sempre assim, aos olhos dos outros sempre parecia tudo bem.
Um homem baixinho vestindo uma túnica, entrou pela porta junto de mais algumas pessoas que poderiam ser qualificadas como seus guardas pessoais. O homem então se guiou até a família e fechando os olhos, ao observar o fim que haviam levado e depois uniu as mãos em uma prece silenciosa.
—Por que esse homem está aqui? — questionou não compreendendo o que estava ocorrendo. Lahar olhou de um para o outro antes de responder.
—É a legião, uns adoradores dos deuses. – aquilo fora o suficiente para o outro fazer uma careta em desagrado. Doranbolt não era um homem que acreditava nos deuses, afinal eles nunca o ajudaram em nada. – o conselho decidiu os envolve-los para apaziguar a fúria dos deuses. – quase gargalhou com as palavras do amigo.
—Fúria dos deuses você diz? – não disfarçou o sarcasmo em sua voz e pouco se importou com isso. — isso é ridículo!
—Não deve ir contra os deuses meu jovem. — Se virou para o pequeno senhor que agora o encarava de modo impassível. — Os humanos irritaram os deuses e como punição, estamos tendo de lidar com suas fúrias. – Para Doranbolt aquilo não fazia sentindo, não entrava em seu cérebro que os deuses lançavam maldições a quem deveriam proteger apenas por que se sentiram ofendidos.
—O conselho não conseguiu esconder por muito tempo, as pessoas já estão cientes e tem nomeado como a doença da morte. – Lahar explicou ao amigo. – As pessoas tem desacreditado nos deuses e isso pode tê-los irritado, agora fazem suas orações pedindo que a praga vá embora.
—Isso não me parece uma simples praga. – falou defendendo seu ponto de vista, ele não acreditava em nadas dessas baboseiras que as pessoas usavam de desculpas por suas merdas.
—E não é!- se virou para o senhor que olhava ao redor da casa. – Tem enxofre por toda a casa, isso é coisa de demônios, o cheiro fétido do próprio inferno.
—Demônios? – questionou incrédulo e um sorriso sarcástico enfeitava seu rosto. – magia negra e demônios, me parece que estão apenas buscando uma desculpa.
—A magia negra está interligada aos demônios, você pode invocar demônios com ela. – o homem o olhou firme, não se deixando abalar pelas palavras do outro. — Demônios não conseguem fazer nada no mundo humano, por estarem no outro mundo, por isso ele precisam possuir um corpo, para destruir tudo que encontram pela frente. – O moreno uniu as sobrancelhas olhando para o senhor sem compreender o que ele lhe dizia, ou talvez não quisesse entender. — é como se os portões do inferno estivessem abertos. — Passou a mão por sua túnica e suspirou pesado. – Nos resta rezar aos deuses e pedir que tenham piedade de nós.
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Não sabia ao certo aonde estava, contudo sentia que seus pés estavam presos a uma crosta gosmenta que parecia a puxar cada vez mais ao fundo. O desespero fora maior ao olhar ao redor e notar uma fumaça espeça e todos os corpos presentes se desintegrarem feito pó, se desmanchando aos céus feito uma poeira ao vento. Olhava desesperada para os amigos sem conseguir se aproximar ou lhes direcionar uma palavra se quer, era como se estivesse muda naquele local com o som abafado de gritos e um som estridente de explosão. Quando tentou esticar a mão para tocar a mão de alguém em busca de a salvar, ela acordou em um sobressalto.
Ao olhar ao redor com respiração acelerada teve a certeza que necessitava, de que fora apenas um sonho. Porém, um arrepio insistia em correr por sua pele lhe lembrando do momento tão assustador e angustiante a qual fora obrigada a passar. Passou a mão nos cabelos de maneira nervosa e nadou até a beira do tanque, repousando os braços na borda e olhou para cima, para as estrelas em busca de paz e calma. E como se uma estranha calma se apossasse de si, ela sentia uma presença reconfortante e acolhedora, fora o suficiente para dispersar a angústia e ao olhar para frente, sabia o que encontraria ali. Seus olhos se encontraram como imãs incapazes de se verem livres um do outro, era assim como se sentiam.
—Por que está acordado? — o navio balançava conforme as ondas do mar se remexiam abaixo deles, em um movimento de paz.
—Talvez eu tenha desacostumado a dormir sozinho!- deu um pequeno sorriso ladino se encostando no mastro com as mãos no bolso da calça, com o modo despreocupado de sempre. Foi quase impossível de não sorrir com as palavras dele.
—Acho que está muito dependente!- sorriu de modo brincalhão e ele deu de ombros.
—Acho que estou!- piscou os olhos sendo pega de surpresa pelas palavras, a sinceridade dele sempre a pegava desprevenida. Natsu tinha medo dos seus sentimentos, porém, não possuía medo de expô-los.
—Não é muito saudável. – brincou com um sorriso tímido no rosto, podia sentir suas bochechas esquentarem e agradecia a pouca luz para tampar suas reações tímidas.
—Acho que posso sobreviver com isso. – Seu rosto ainda se mantinha com a mesma expressão de sempre, despreocupada como se o mundo inteiro estivesse aos seus pés. E talvez estivesse mesmo, pois, ele possuía todas as artimanhas necessárias para tal, ao menos assim, na visão dela. — Você está bem? — ele conseguia a ler como um livro bem exposto, mesmo as coisas que ela tanto se empenhava em esconder dos outros. Ele a questionava a respeito de tudo, ele desejava saber tudo sobre ela.
—Sim!- falou simplória, não possuía muita vontade de entrar em mais detalhes. — Nova em folha. – Apontou para a região que estava ferida anteriormente, e agora, a pele alva e imaculada se dava no lugar, como se nunca houvesse sido marcada.
—O corpo sim, a mente nem tanto. – Ela engoliu em seco e ele se aproximou se apoiando no tanque. – Você parece perdida aqui. – Levou os dedos e tocou delicadamente na cabeça dela que apenas piscou os olhos avaliando a aproximação. Desceu os olhos verdes musgo até os dela e então avaliou de modo criterioso cada parte do rosto, como se quisesse se recordar dos mínimos detalhes. — Daria tudo para saber seus pensamentos. – Era fato que ele sempre sabia como ela se sentia, o que a fazia se questionar se era uma pessoa muito transparente, contudo, anos fingindo a levaram a perfeição, Lucy transparecia a imagem de uma impecabilidade indestrutível, mas não para ele. Não era ela que deixava exposto como se sentia sobre determinadas situações, mas sim, ele que sabia tudo dela.
—E o que você teria a me oferecer?- sorriu ladino no qual ele acompanhou com o olhar parando demoradamente nos lábios dela. Estava frustrada e nervosa com várias coisas, porém, não era algo de demasiada preocupação, era coisa de Lucy consigo mesma.
—O que você quisesse!- o sorriso sumiu de seu rosto para olha-lo com uma surpresa contida. A maneira calma que ele dizia as palavras, parecia ser bobeira o frio na barriga que sentiu. Os olhos verde musgo se voltaram para os achocolatados em uma conversa silenciosa e intensa. – espero ser o suficiente para afastar suas frustrações, por que você é suficiente para as minhas. – colocou a mão no rosto dela para apenas tocar sua testa na dela e fechar os olhos apenas apreciando o cheiro dela e acariciando sua bochecha como se ela fosse o tesouro mais precioso e delicado da terra.
Ela nada disse, pois não precisava dizer. A pele arrepiada e o coração acelerado, que ela possuía a plena certeza de que ele ouvia, eram o suficiente para deixar exposto a quem quisesse saber, que ele era mais que suficiente. Levou as mãos pequenas até o pescoço dele e acariciou a pele exposta o sentindo arrepiar. A luz do luar acima parecia o suficiente para ilumina-los e mostrarem o quão mercê um do outro estavam, e não pareciam preocupados com isso. Com apenas aquele contato toda a angustia que o sonho lhe trouxe foi embora, como se fosse um passado distante. Como se o corpo dela desejasse mais dele, se aproximou mais, subindo quase o corpo inteiro para fora do tanque. Os braços dele passaram ao redor da cintura e então a trouxe para fora que agora brilhava enquanto tomava a forma humana e no fim, estava ela abraçada a ele com a camisa molhada contra o corpo dele.
Sempre usava uma camisa quando entrava na água e não a tirava pois nunca se sabia quando seria necessário sair do tanque. E no momento lhe pareceu a melhor alternativa, desceu os olhos para o corpo dele junto do seu e deu um pequeno sorriso ao constatar que agora molhava o corpo quente e seco dele.
—Me desculpe, acabei te molhando. – ele sorriu junto, ainda a segurava pela cintura sem a deixar colocar os pés no chão.
—Eu sei um jeito de me pagar por isso. – então rapidamente, atendendo ao desejo desesperador dos dois, ele a beijou. Levando uma mão até o pescoço dela intensificando o beijo e a outra mão a segurava firme na cintura. Aquilo foi o suficiente para afastar qualquer medo ou pensamento que insistisse em surgir em sua mente. Como se o absurdo fosse ficarem separados e não o contrário.
Tamanha era a tensão que os perdurava, como sem nem toda água do mundo, fosse possível apagar as chamas deles, que ardiam como brasa na fogueira. Como se o corpo de um completasse o outro, como uma perfeita combinação feita especificamente um para o outro. Como diziam as lendas das almas unidas destinadas a se encontrarem. O coração batia como um só, como se cada parte deles se unissem em uma e completasse o que estava em falta no outro. E se os deuses lá de cima estivessem os vendo, estariam testemunhando o amor capaz de qualquer coisa, até mesmo quebrar maldições.
Fim.
" Console-o ,Salve-o , ame-o. Diga-lhe que o ama e que será dele"
— Charlotte Bronte-
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