Notas iniciais
Oiii gente, demorei um pouquinho, mas aqui estou eu como prometido. Segura meu poodle, pq o capítulo de hoje está cheio de emoção! E infelizmente tenha uma noticia triste, apesar do próximo capítulo estar pronto, eu preciso refazer ele, então não posso dizer com precisão se ele vai ser postado nesse domingo, é um capitulo importante, então eu quero fazer com mais cuidado e zelo e ainda não ficou do meu agrado, mas tentarei ser rápida. Obrigado a todos que tem apoiado, vocês são essenciais! Qualquer erro me perdoem e boa leitura!

Capítulo LXI

—Não... Isso não é possível!- as palavras pareciam presas a sua garganta, o choque era nítido em sua face. – deve ser outra pessoa!

—Não é!- arregalou os olhos após a voz esganiçada soar em seus ouvidos. Virou o rosto em direção as mulheres de pele tão pálida que chegava a ser cinza. – nunca cortamos o fio da vida de Zeref!- disseram em uníssono, em vozes baixas. Não soube reagir de outra maneira se não o espanto, olhos tão arregalados que pensou que saltariam para fora.

—O que?- sua voz saíra tão baixa que estava quase inaudível. – se ele não houvesse morrido no dia de sua sentença, teria morrido de velhice!- falou exasperada, enquanto seu cérebro trabalhava com as informações. – isso ocorreu anos atrás!

—No momento em que a tesoura foi cortar, o fio se tornou sólido e ao mesmo tempo espectral. – piscou os olhos assimilando o que as vozes haviam dito. – sendo impossível de ser cortado!

—Ele... Tornou-se imortal!- os lábios se mantiveram entreabertos, parecia completamente irreal tudo que estava acontecendo, mas vivendo no mundo em que vivia, sabia que não. – como isso aconteceu?

—Dá mesma maneira que ocorreu com Mavis!- as vozes se completavam uma a outra. – pediu a um Deus que modificou sua natureza humana. – se não estivesse ao chão, cairia com aquela informação. – e então, um Deus que nunca recebera orações, acabou atendendo aquele que o pediu tão avidamente. – suas mãos tremiam assim como os lábios, os olhos opacos observavam as mulheres que passavam um fio brilhante na roca. – e então, Zeref que havia esquecido o valor da vida adquiriu uma maldição que roubava vidas, assim como roubaram a dele. A balança sempre rouba algo de volta para manter o equilíbrio, e ele perdera o valor da vida assim como sua humanidade. – iniciaram a tecelagem, se sentando ao lado da roca. – se tornou o demônio da morte! – seu corpo tremeu por inteiro. – agora vá Lucy Heartfilia seu tempo aqui acabou seu destino está apenas começando! – as vozes soaram risonhas de maneira malignas.

Ergueu seu corpo e se esforçou a correr, os passos pareciam pesados demais para movimentar seu corpo. Assim que saiu pela caverna, seus joelhos tremeram como se não fossem fortes o suficiente para se mantiver em pé, e então, acabou caindo na beira do lago. Suas mãos adentraram a água escura e pegajosa, no entanto, não conseguia se preocupar com aquilo. Sua mente se focava apenas na nova descoberta e em tudo que ela impactava, e apenas se limitou a tremer compulsivamente.

**

Tudo ocorreu relativamente como o habitual, jazia dois dias em que receberam a informação sobre o grupo irem a Alakitasia, e desde então, o assunto não fora abordado para que não houvesse riscos de Natsu escutar. Já que nesse meio tempo ele havia recuperado sua sanidade a ponto de não ser um perigo interno, contudo, sua expressão permanecera vaga e inexpressiva, como se de alguma forma, algo dentre de si houvesse morrido.

—Pelas coordenadas que Erza passou, eles foram a uma missão nessa região!- apontou o senhor para o mapa exposto sobre a mesa. Seu dedo estava direcionado a uma ilha perdida em meio aos reinos, no mais profundo subconsciente do oceano, sem proximidade com o exterior. – pedi para que retornassem em seguida. – o senhor cruzou os braços frente ao peito após suas palavras. Estavam na cabine discutindo as ações prosseguistes que tomariam.

—É uma viagem de dois dias até Magnólia!- o ruivo falou reflexivo, o polegar acariciava a barba rala no queixo. – isso se o mar estiver favorável!

—Não importa desde que cheguem ao local de encontro!- falou suspirando, admitia vergonhosamente que não queria mais prosseguir com seu plano inicial. A família deveria permanecer unida, era desta forma que superariam os obstáculos. Gildarts ao seu lado observou o senhor preso em seus pensamentos.

—Tem alguma notícia sobre o que conseguiram em Alakitasia?- Questionou receoso, como se ainda estivesse aprendendo a dizer tais palavras e a lidar com o choque que elas ocasionavam. Makarov suspirou antes de responder.

—Ainda não, porém, Erza me repassou que não fora inútil. – um suspirou aliviado soou do ruivo. – no entanto, não devemos contar a Natsu por enquanto...

—Contar o que?- suas falas foram interrompidas por uma voz grossa e impaciente. E ao direcionarem os olhos até a porta, encontraram o rosado com uma expressão que indicara que ele não havia se agradado do que acabara de ouvir. – anda logo velhote!- a voz se tornou mais firme assim como o olhar em direção aos dois, especificamente no pequeno senhor. Os homens se entreolharam e suspiraram aceitando o que o destino havia proposto sem alternativa de recorrer à outra opção.

—Natsu... — o senhor encarou o garoto que se aproximou a passos lento feito um felino. – o grupo que foi enviado separadamente tinha outra missão além dos portais. – um vinco se formou em sua testa, não compreendendo o que o senhor estava dizendo. – eles deveriam procurar por meios de lhe ajudar!- parou como se esperasse a próxima bomba a ser jogada contra seu colo. – e eles foram até Igneel, em busca de respostas!

Fora direto sem intenção de enrolar mais aquela situação desastrosa, o que ocorreria agora, estava nas mãos do próprio Natsu e maneira a qual decidiria lidar com a situação. Os olhos verdes se tornaram anuviados como se a última fagulha de luz nele se apagasse, o tornando um ser que fazia as coisas comuns, sem de fato estar vivo. Algo como a confiança havia sido quebrado e aquilo os assustou, pois era perceptível como havia impactado no garoto.

Algumas dores são profundas demais para serem curadas, mesmo que tenha se passado bastante tempo, ela sempre fica lá escondida à espreita para se tornar danosa novamente.

**

—Puta merda!- Gajeel soou impactado, o primeiro a dizer alguma coisa desde que a loira havia contado sua descoberta.

Encontraram a sereia com a aparência pálida e os olhos perdidos, precisaram de alguns segundos para digerir o que possivelmente teria ocorrido naquela caverna, o que as Moiras poderiam ter feito. No entanto, qualquer ideia não passou de um rastro de consciência quando a loira começou a dizer o que havia de fato descoberto. E nenhum deles estava preparado para aquilo.

—Mas como... Você havia dito que demônios não podem procriar!- Erza soou com as falas trêmulas, sua pele estava mais pálida que o comum.

—Um com corpo astral não!- explicou a loira antes de suspirar. – o que não é o caso de Zeref. – todos pareciam abalados demais para dizer qualquer elocução, apenas digerindo as informações. – aparentemente ele se tornou um ser imortal como eu, com poderes de demônio. E por ser uma singularidade, não temos muitas informações, mas basicamente por ele não possuir um corpo astral, ele não necessita roubar a vitalidade de humanos, e consequentemente sua cria também não precisaria. – estavam boiando ao bote, ainda naquele pântano vazio e escuro.

—Isso explica o por que dá gravidez de Natsu ter ocorrido sem problema!- completou a pequena azulada e a sereia assentiu em concordância.

—Mas quanto a esse selo? O que ele vai se tornar quando for desfeito por completo?- Gray encarou a amiga de maneira nervosa, todos se sentiam do mesmo modo.

—Eu não sei... — falou sincera com a sensação de incapacidade a afogando. – a mãe dele me disse que fora alguém com o nome Hades quem colocara o selo.

—Hades?- questionou o azulado nervoso. – tens certeza?- assentiu receosa e Jellal suspirou. – é o capitão da Grimoire Heart, é uma das embarcações piratas que tem inclinações com a magia negra, assim como a Oracion Seis. – arregalou os olhos castanhos absorvendo o que havia ouvido.

E como em um click, se recordou de onde havia ouvido sobre aquele nome. Não o Deus do submundo o qual Zeref havia rogado por ajuda, mas sim um seguidor que o havia se nomeado como o tal, após realizar magias proibidas às quais mexiam com o equilíbrio. Era um homem temível, pois havia ultrapassado o limite que vários humanos jamais conseguiram.

—Ou seja, sem chance de ajuda!- falou Gajeel como se fosse óbvio. Porém, a mente da loira trabalhava nas informações nas entrelinhas. Por que Hades havia selado Natsu primeiramente? Com que ele se beneficiária?

—O que essa informação pode ajudar ao capitão?- Juvia questionou com sua voz doce, reflexiva sobre o estado de seu amigo.

—Obtendo conhecimento sobre sua natureza, Natsu pode conseguir se controlar!- Levy explicou a amiga que assentiu em compressão. No entanto, todos possuíam consciência de que não seria fácil.

—Natsu apenas por existir, já é uma incógnita!- a sereia observava o mar mais a frente com o olhar perdido. – não sabemos o que vai acontecer e muito menos prever quando o selo vai se desfazer. – voltou a olhar os amigos, com olhares tensos e respirações pesadas. – no entanto, toda natureza da magia é igual, então, tentarei auxiliá-lo. – sabia que o poder dele seja qual fosse, era distinto do seu, mas repassaria seus conhecimentos para que quando ocorresse o momento inoportuno, ele soubesse como reagir.

Um momento de silêncio preencheu o local, cada um dos presentes absorvia de sua maneira as informações. Mas haviam deixado implícitos que ninguém além do Fairy Tail deveria ter conhecimento de tais informações tão íntimas, por isso trariam de ludibriar as perguntas dos demais da Sabertooth. Mesmo que possuíssem boas intenções, era imprevisível o que poderia ocorrer.

—Zeref voltou à vida como um demônio. – a voz baixa do azulado atraiu a atenção dos demais. – somente eu, estou pensando o quanto isso pode impactar negativamente?- um silêncio quase palpável se instalou no local.

Nada poderiam dizer, pois se sentiam da mesma forma, porém, não havia nada ao que recorrer. Contudo, uma sensação preenchia seus ossos em uma alerta de perigo, afinal, havia um tempo prolongado a qual havia retornado, e ainda assim... Ninguém jamais ouvira falar sobre.

**

Ao retornarem ao navio da Saberthoot era perceptível o olhar curioso dos demais, no entanto, não ousaram se aproximar para questionar o que haviam descoberto. A missão de ajudar Natsu era exclusivamente da Fairy Tail e somente Sting juntamente de seus três fiéis escudeiros, sabiam sobre. E mesmo que tenha se esforçado em não parecer tão desesperado para obter conhecimento do que havia ocorrido no meio tempo em que estava fora, as perguntas simplesmente saíram de seus lábios como se há tempos estivesse sendo preparadas. Contudo, Lucy respondera que era algo pessoal demais para dizer ao capitão e quem deveria decidir quando contar os demais era o próprio Natsu.

Sua mente rodopiou com as possibilidades e se viu em uma curiosidade que arrebatou o corpo, porém, nada poderia fazer além de respeitar a decisão da garota. Era o certo a se fazer, e apesar do tempo que passara com os marujos da embarcação amiga, ele não fazia parte dos planos e problemas da Fairy Tail. Como amigo, ele deveria observar e aguardar para quando precisassem dele.

O navio tomou rumo em direção a Magnólia para deixar os marujos em solo, para encontrar sua embarcação. Todos se sentiam igualmente tensos em voltar e encarar Natsu e ter de contar a verdade a qual não possuíam conhecimento de como irá impactar na vida dele. Estavam ansiosos para voltar para casa, todavia, se sentiam nervosos com o que poderia ocorrer posteriormente.

A viajem durou cerca de dois dias e meio, e ao cair da noite, o navio da Saberthoot estava sendo atracado próximo ao da Fairy Tail. Na encosta próxima a casa que haviam construído para quando precisassem ficar em terra. Lucy observou o local no topo da colina com o céu estrelado sobre si. Automaticamente se sentiu nervosa apenas com possibilidade de vê-lo novamente, e seu corpo se preencheu de uma sensação que percorreu dos dedos do pé até os fios loiros, sobrepujando qualquer outro sentimento de aversão.

Ao colocarem os pés em terra na areia macia e fofa abaixo de seus calçados, encontraram com Gildarts e Makarov a espera dos jovens, se encaminharam para recebê-los no momento que notaram o navio ao horizonte.

Após todos se cumprimentarem rapidamente, o pequeno senhor suspirou quando os marujos da Sabertooth caminharam com Erza em direção a casa, e voltou os olhos a sereia.

—Me repasse às informações que descobriram, para que possamos prepara-lo. – aquilo, por algum motivo, causou um incômodo na sereia. Ao constatar o quão instável o rosado estava.

E então, ela contou. Tudo o que fizeram e descobriram desde que caminharam em direção a Alakitasia em busca de Igneel, e a descoberta pelas Moiras. Assim como os demais, os dois presentes a sua frente, receberam as informações com surpresa e choque, os quais necessitaram de alguns segundos para absorver o impacto de tais esclarecimentos.

—Melhor que seja você a dizer isso a ele Lucy!- os olhos de Makarov pareciam perdidos por alguns segundos. Porém, logo se focaram nos castanhos da sereia. – você é a única que pode conseguir conte-lo.

Lucy não sabia o poder daquelas palavras ou o que elas poderiam significar por completo. E muito menos como lidar com o peso delas.

Assim que passaram pelas portas do local, foi recebida por sorrisos e abraços ansiosos dos amigos o qual sentira tanta falta. Entretanto, de modo inconsciente seus olhos correram pelo local em busca de uma pessoa em específico, e se sentiu frustrada quando não encontrou.

—Está bem pessoal, mais tarde todos podem receber Lucy devidamente!- o mestre atraiu a atenção de todos e depois encarou a loira. – os outros nos aguardam no escritório. – assentiu caminhando atrás do senhor após se despedir dos amigos.

Sentia-se extremamente nervosa, como se seu coração fosse sair pela boca. Jamais, em seus últimos dezessete anos, pensou que sentiria algo como aquilo. Uma adrenalina quase nauseante, sendo a única coisa que a mantinha em pé, já que as pernas pareciam amolecidas.

A porta de madeira foi aberta e ela encontrou os amigos que a acompanharam na jornada, assim como Sting, e claro, ele. Sentado em sua poltrona com braço apoiado no encosto e o rosto repousando na mão, observava tudo de maneira tediosa, como se não houvesse nada que merecesse sua valiosa atenção.

—Decidi com os demais, que eu e meus três camaradas fiéis os acompanharemos no próximo portal!- o loiro falou decidido cruzando os braços frente ao peito. E então atraindo a atenção do rosado que o encarou inexpressivo.

—O que te levar a pensar que precisamos de sua ajuda?- soou frio e desinteressado, porém, o loiro parecia anestesiado ao humor amargo do outro e apenas o ignorou.

—Não seja tão rabugento garoto!- Makarov falou caminhando mais adentro atraindo a atenção dos demais. Incluindo de Natsu, que finalmente havia notado a presença da loira. No entanto, diferentemente de como ela imaginava, não fora recebida com nenhuma outra expressão além de uma frieza que lhe tremeu os ossos. Apesar disso, notou um lampejo de saudade nos olhos verdes. – será bem vindo Sting, obrigado pela ajuda!- se sentou na poltrona disponível e a sereia ficou em pé no local disponível, próximo ao loiro. – mas, não se preocupe, lidaremos com a situação.

—Não tem o que agradecer!- falou o capitão da Sabertooth com um olhar de canto em direção a loira, a qual não percebeu, todavia, não havia passado despercebido pelos olhos do rosado.

—Quais seriam as coordenadas do próximo portal Lucy?- questionou a ruiva, na tentativa de desfazer o clima que havia se instalado.

—Bom... — a loira observou o mapa exposto na mesa e segurou o compasso para delimitar o local da constelação de Scorpion. – o signo de escorpião tem associação com a história do gigante de Órion. Um filho de Poseidon que era um exímio caçador, contudo, possuía grande apetite sexual, e tinha muitos impulsos levados por seus desejos, e em um destes, acabou tentando violar Artêmis a Deusa da caça. E por esse ato de violência, a deusa enviou um escorpião gigante para mata-lo, e o animal picou o calcanhar de Órion o matando. E em agradecimento pelos serviços, a Deusa transformou o escorpião em uma constelação. – falou enquanto marcava no mapa e então se afastou após finalizar. – Que ironicamente, está localizada próxima ao cinturão de Orion.

—São três dias velejando!- observou Jellal a marcação do mapa. Makarov assentiu e observou o rosado sentado a poltrona à frente.

—Decidimos que aguardaríamos alguns dias para que descansem, antes de partirmos! – os outros assentiram não cativados a desacatarem a ordem do mestre.

Afinal, todos se sentiam exaustos após tantos dias sem descanso, em busca de uma descoberta que os desgastaram emocionalmente. Todos necessitavam de um pouco de descanso, e paz entre os amigos.

Aos poucos, todos se caminharam até a saída, ficando apenas a sereia e o capitão o qual parecia empenhado em ignora-la.

—Podemos conversar Natsu?- o encarou ansiosa, era nítido que ele não estava com intenção de ter um diálogo com ela. E aquilo a deixava nervosa.

—Agora você quer conversar?- ergueu uma sobrancelha a encarando com sarcasmo. A loira recebeu a indireta com os olhos arregalados em surpresa. – ao que tudo indica você tem tendência a agir pelas minhas costas!- sua voz estava carregada de um amargo, e os olhos brilhantes em raiva.

—Você já sabe!- respirou fundo antes de prosseguir. – compreendo que esteja com raiva, está no seu direito, contudo, eu tenho o direito de me explicar!- falou calma sem perder a compostura.

—Explicar o que?- a encarou debochado. – que foi contra a minha vontade, atrás daquele desgraçado?

—Sim, e eu o faria de novo se isso significasse te ajudar!- falou mais alto, firme, sobressaltando com as emoções que a preencheram.

A encarou com os olhos arregalados por alguns segundos, antes de virar o rosto e suspirar, passando as mãos de maneira nervosa nos fios róseos.

—Você não tinha esse direito!- gritou a assustando, se ergueu da poltrona a olhando profundamente nos olhos. E a maneira a qual a encarou, os sentimentos que transpassavam em seus olhos verdes, a incomodou como uma dor física. – espero que tenha válido a pena ter quebrado minha confiança!

O encarou com os olhos castanhos em choque e então, ele se virou caminhando até a saída a deixando sozinha. Passou pela baderna que os amigos fazia, e se direcionou ao balcão recolhendo uma garrafa de rum, para então caminhar até a saída, ignorando os chamados direcionados a sim.

Parou seus passos quando chegou a areia da praia, o local o quão algum tempo atrás havia reencontrado a loira. Era nauseante a distinção dos dois reencontros, porém, os sentimentos que afloravam em seu peito o impedia de pensar racionalmente. Estava frustrado, irritado e com aquilo em mente, abriu a garrafa bebendo do bico para afogar os sentimentos excruciantes, na tentativa de utilizar daquilo que tinha sido sua calma nos últimos dias, quando ouviu por passos atrás de si.

—Você nunca soube lidar com conflito!- o loiro parou ao seu lado, tomou a bebida de sua mão e bebeu da mesma. Ficou olhando para o mar que batia as ondas contra a areia da praia.

—E você sempre se intromete no que não é da sua conta!- tomou-lhe a garrafa para beber do líquido amarronzado que descia queimando sua garganta.

—Tem razão, já que fui eu quem deu a localização de Igneel para Lucy!- Natsu o encarou de olhos arregalados e empurrou o corpo do loiro com as duas mãos o ódio exalando de seu corpo.

—Por que fez essa merda?- veias saltavam de seu pescoço devido à odiosidade que se apossou de si. Mas nada que o fizesse perder o controle, ao menos, não ainda.

—Por que eu não poderia negar um pedido, olhando naqueles olhos esperançosos, nos olhos de alguém que estava disposta a fazer tudo para ajudar!- a reposta o fez engolir em seco e ficar sem reação por alguns segundos. O loiro o encarou sério e soou firme ao prosseguir. – e eu invejei, por que desejei que alguém lutasse por mim daquela maneira. – o rosado virou o rosto incomodado, encarando o mar sob a lua. – você tem medo que ela se afaste ao ver o seu outro lado, que não percebeu que ela continua aqui, e o único que está a afastando, é você mesmo!- encarou o homem ao lado, os dois mantendo um olhar firme ao outro. – você tem sorte por ser amado assim!

E fora a última coisa que o loiro disse antes de se direcionar, até o caminho de volta a casa. Natsu permaneceu na praia por mais algum tempo, com sentimentos conflitantes. Sentou-se na areia e observou a garrafa que já não lhe parecia mais tão atrativa. Nem mesmo aquilo que o dopava daquelas sensações parecia obter êxito em livrá-lo dos sentimentos impetuosos que o assolavam por causa da sereia.

Decidiu por retornar a casa, aonde se trancafiaria em seu quarto se vendo obrigado a suportar tudo sem um amparo. Ele sentia que merecia aquilo.

Passou pelos amigos deixando a garrafa em uma mesa qualquer, ciente de que alguém a pegaria a qualquer momento. E subiu as escadas até o seu quarto que era afastado dos outros, e ele agradecia pelo privilégio de capitão naqueles momentos conflitantes, aonde tudo que desejava era afundar em uma solidão profunda.

Não lhe fora uma surpresa quando abriu a porta e a encontrou ali, havia sentindo seu cheiro na entrada. No entanto, ousou pensar que fosse seu subconsciente o enganando como das últimas vezes. Porém, ela estava ali de verdade e por alguns segundos se questionou o que o impedia de fazer o que desejou nos últimos dias.

—Eu vou lhe dar o tempo que você precisa para absorver tudo, e quando se sentir a vontade, gostaria que me dissesse. – suspirou colocando uma mecha atrás da orelha, apesar da voz gélida os olhos brilharam em preocupação. E ele se amaldiçoou por aquilo, havia a magoado, e mesmo que não merecesse, ela ainda estava ali para ele. – ainda temos muito que falar, e ao fim você pode decidir como se sentir a respeito! – o encarou nos olhos uma última vez antes de caminhar até a saída.

Assim que passou ao seu lado, inconscientemente a mão dele caminhou até o pulso dela o segurando com delicadeza. Ergueu o rosto o encarando com surpresa, enquanto a atenção dele parecia estar em suas mãos, o qual ele acariciou levemente o pulso até os dedos dela, os segurando contra os seus, os entrelaçando.

—Não vá!- falou baixo, mas alto o suficiente para que ela ouvisse e arrepiasse a pele em resposta. E o coração já nervoso, se viu em colapso quando ele ergueu o rosto encarando seus olhos. – fique aqui!- os dedos subiram delicadamente, passando por um caminho tortuoso da mão pelo braço, até o ombro.

E então, passando por seu pescoço alvo até chegar à bochecha que ele acariciou delicadamente. Absorvendo o contraste da pele macia contra a aspereza de sua mão, guardando a pele arrepiada e a respiração entrecortada dela em sua mente.

—Eu não vou a lugar algum!- a voz baixa e suave dela, lhe pareceu como uma doce melodia que acalmou sua pele. Cada terminação nervosa de seu corpo, cada sentimento conflitante se tornava inexistente na presença dela. E estava tão dependente daquilo, mas não conseguia se sentir mal por isso. Foda-se, ele se deleitaria daquilo.

—Me desculpe, por ter sido estúpido!- estava tão próximo que suas falas ricochetearam o rosto dela a fazendo sorrir. E aquilo foi o suficiente para ascender uma fagulha em seu ser. Negou com a cabeça.

—Está tudo bem!- levou as mãos até a cintura dele, tomando coragem de o tocar, mas ainda temendo ser rejeitada. – me desculpe por ter ido atrás dele!- negou com a cabeça e tocou sua testa na dela.

—Não quero falar sobre essa merda!- deu uma risada baixa com o jeito indelicado do garoto, que a abraçou beijando-lhe o rosto e a fazendo sorrir.

—Preferível, já que eu seria obrigada a lhe dar um soco se gritasse comigo novamente!- falou firme o fazendo sorrir com os lábios contra sua pele.

—Confesso que mereço!- afastou-se o suficiente para observar o rosto dela. Cada parte estava cravada em sua mente, e suas memórias foi seu deleite quando não pode presenciá-las pessoalmente.

As testas se encostaram uma à outra, tornando os olhos mais expressivos e intensos, como se pudessem sentir cada contato antes do toque. Os olhos possuíam tamanha intensidade, que não era necessário sequer utilizar alguma palavra do vocabulário, eles por si só diziam tudo. E as palavras lhes pareciam faltosas próximas deles.

Tomou a coragem de tocar delicadamente seus lábios nos dela, de maneira tão singela que era quase imperceptível. Sugou levemente o lábio inferior, o trazendo para si e aprofundando em um beijo. Pediu a passagem com a língua a qual não fora negada, e se deliciou do gosto dela em seus lábios. O beijo havia saudade, e todos os sentimentos que sentiram no decorrer dos dias, sejam eles de irritação a felicidade, tudo fora minimamente depositado ali.

O corpo da sereia foi de encontro à cama a qual foi muito bem recebida pelo colchão macio, posteriormente sentindo o corpo quente do rosado contra o seu. Em um beijo avido para afogar as sensações massacrantes, a mão grande e áspera dele desceu até a coxa dela subindo com firmeza até a cintura fina, aonde ele segurou para afasta-la de si, mesmo que o que mais desejasse fosse se mantiver ali. As testas estavam encostadas uma na outra, e a respiração irregular e os olhos se encontraram apenas para obterem a certeza de como se sentiam.

—Eu te amo Natsu!- lhe era sempre uma surpresa ouvir tais palavras dos lábios doces, se deleitava daquilo, não importava a quantidade que fosse dito. Era sempre inédito a si. – eu te amo exatamente como é com todas as falhas e defeitos!- levou a mão até o rosto o qual acariciou. Ele não sabia, mas aquela frase havia outro sentido o qual ainda lhe era desconhecido. – e eu lhe quero por inteiro!- falou decidida o fazendo sentir o coração bater acelerado. E um turbilhão de sensações corresse por seu corpo, extasiado. – me faça sua Natsu!

Fim!

“A alegria e o caos,
Os demônios de que somos feitos,
Eu estaria tão perdido se você me deixasse sozinho.”

—Chord Overstreet-

Notas finais
Fiiiiimmm! Finalmente o reencontrou veio, o que acharam? ansiosos para o próximo? Altas descobertas e emoções hehe Espero verdadeiramente que tenha gostado, por que eu amo a parte desses dois e já estava com saudade de escrever os dois juntos! Espero vocês no próximo! Beijocas e Arigatou! I.C.S