Notas iniciais
Gen do céu, desculpa a demora! Confesso que esse capitulo já estava pronto a algum tempo, porém, eu não tive tempo para postar ele, então peço desculpas pela inconveniência. Não consegui nem mesmo responder os comentários, me perdoem por isso, logo irei responder, saibam que sempre leio e fico muito feliz. Enfim, espero que gostem e qualquer erro me perdoem, dei aquela revisada, toda via, as vezes alguns passa despercebido. Boa leitura!

Capítulo LIV

Quanto tempo levava para um coração se recuperar de uma ferida? Pois não havia dor maior do que a dor interna, ela queimava e ardia mais do que a ferida exposta. Lucy sentia um incômodo em seu coração que de longe lhe parecia mais doloroso que a ferida em seu pescoço. A carne estava queimada ao ponto de expor bolhas e a epiderme avermelhada, desde o momento que o ferimento foi feito, sua cura obteve dificuldade em realizar o processo, e pelos longos dois dias desde que o momento ocorreu, a ferida ainda não havia se curado por completo. Contudo, não era aquilo que perdurava pela mente da sereia ao longo desses dias.

—Isso está horrível!- ergueu os olhos castanhos para o rosto do moreno que a encarava com uma careta de aversão, enquanto as mãos grandes seguravam delicadamente o rosto da jovem para erguer e expor o local ferido. – poderia até dizer que sua cura não está funcionando. – permaneceu com o rosto inexpressivo sem saber o que dizer ao amigo que estava entre as pernas dela enquanto o corpo da loira estava sobre a mesa do capitão. – Lucy... Você não está...

—Está tudo bem! – o cortou antes que ele terminasse e sorriu para o homem tentando lhe passar a confiança necessária. – eu nem sinto dor. – deu de ombros disfarçando a mentira descarada. Gray pareceu notar e a olhar com curiosidade, porém, apenas deixou de lado este fato. Conhecia a sereia o suficiente para saber que ela iria se esconder mais se ele a questionasse. – como... Ele está?- os olhos escuros do moreno a analisou com cuidado.

—Sendo o idiota de sempre, evitando todo mundo. – a voz saiu raivosa. Gray não estava com raiva de Natsu pelo o que ele fez, e sim por como ele estava lidando com a situação.

—Gray...- a voz manhosa e baixa da loira foi interrompida pelo o outro.

—Não Lucy!- ditou firme. – Natsu precisa crescer e lidar com as coisas, ele não pode continuar agindo feito um babaca... Olha o que ele fez com você! Ele acha que fugindo vai resolver alguma coisa?- a loira se encolheu por saber que infelizmente era verdade o que o amigo dizia.

—Irei conversar com ele!- respirou fundo descendo da mesa. – olha Gray, compreendo que a maneira que o Natsu lida com as coisas não é a melhor, porém, cada um tem sua maneira de lidar com suas dores, é quase impossível saber como ele está de sentindo... Independente de tudo, vamos apenas ser pacientes com o sofrimento dele. – Gray bufou passando a mão nos cabelos e olhou a sereia.

—Argh, odeio que não consigo negar nada a você. – sorriu vitoriosa e o abraçou forte, depositando no carinho sua demonstração de gratidão. – mas se ele não resolver, irei dar um cascudo naquele esquentadinho. – Lucy riu contra o peitoral forte.

A sereia não poderia imaginar que teria tantas pessoas especiais em sua vida, principalmente estando em meio a sua espécie inimiga. Porém, não poderia desejar algo melhor.

**

Não sabia quanto tempo estava sentado observando as ondas baterem contra a madeira do navio, o que sabia era que não possuía vontade de sair dali. Ao menos ali ele estava em paz, ao menos externamente, já que em sua mente estava um turbilhão.

—Natsu!- não precisou se virar para saber quem era. Apenas observou o pequeno corpo se aproximar de si. – por que está agindo assim? O Natsu que eu escolhi para ser capitão, não é assim. – o rosado abaixou a cabeça fechando os olhos por alguns segundos.

—Talvez, não tenha feito uma boa escolha de capitão, mestre. – falou simplório voltando o olhar para o mar. Estava sentado na beirada do navio se segurando em uma corda para apoio.

—Bobagem!- Makarov não disfarçou o leve tom irritadiço. – o que te faz pensar que não é digno?

—Qualquer um que fere seus amigos, não é digno!- respondeu com asco em uma careta nítida de desapontamento. Para ele aquilo era claro como a água. – eu não sei o que acontece comigo, muito menos os motivos... Eu só sei que estou cada vez mais perdendo a consciência.

—E acha que se afastando vai resolver? Se escondendo dos outros e de você mesmo. – apesar de parecerem duras as palavras do mais velho, eram na verdade um consolo. – Natsu, as coisas não modificam apenas por que desejamos. Fugir do problema, apenas dar poder a ele sobre você. – O pequeno senhor olhou para o horizonte, para o tom alaranjado do céu ao entardecer em contraste com o mar. — apenas não esqueça de que não está sozinho! – com isso, se virou voltando para sua cabine deixando o rosado pensativo atrás de si. Preocupava-se com o garoto que considerava filho, porém, infelizmente havia coisas que estavam além de sua capacidade.

O momento sozinho e reflexivo do capitão não durou muito, logo ouviu passos novamente. Nem ao menos pensou ou observou para perceber quem estava se aproximando.

—Já entendi velhote, o que... — as palavras morreram em seus lábios no momento em que virou o rosto e notou quem estava atrás de si. Engoliu em seco como se pudesse fazer com que o bolo na garganta sumisse. Seu corpo inteiro se arrepiou apenas para deixa-lo mais nervoso e faze-lo lembrar do que tentava a todo custo fugir. – ah é você... – se virou pousando os pés no chão. – vou entrar. – Lucy fechou os olhos quando o corpo do rosado passou próximo ao seu. Era nítido que ele a estava evitando e nem fazia esforço para disfarçar, ele queria que ela percebesse para que assim não tentasse se aproximar dele. Mas ela não compartilhava do mesmo pensamento.

—Vai continuar me evitando por quanto tempo mais?- o corpo do rosado paralisou no lugar e apenas ficou ali, a ouvindo. – Natsu... Eu compreendo como esteja de sentindo, mas não se afaste... Eu não o culpo, nunca ousou passar esse pensamento em minha mente.

—Mas eu sim droga! — se virou irritado a olhando que permaneceu da mesma maneira. – eu não sei quando irei perder a cabeça novamente, então, é melhor que nós mantemos longe.

— Você não pode decidir as coisas por mim!- falou firme não se abalando com as palavras dele. – eu sei muito bem me defender, seja de você ou qualquer outra pessoa. – os olhos castanhos lhe passavam toda a firmeza necessária e ela não os ousou desviar nem por um segundo se quer. – passei minha vida toda fazendo isso, não é como se agora eu tivesse medo. – os olhos verdes do homem pousaram no pescoço delicado que anteriormente era macio e alvo, agora, possuía um ferimento profundo que inutilmente ela tentou esconder com a gola da camisa. – você quer agir como um idiota? Tudo bem, mas não se esqueça de que esse caminho é vazio e solitário, e ninguém merece isso. – ela não queria ter dito aquelas palavras, porém, as coisas entre os dois sempre funcionavam assim. Palavras duras ditas um ao outro.

Respirou fundo antes de passar pelo o corpo paralisado dele e se encaminhar para outro lugar, que não fosse a cabine do capitão. Aquele momento ela também queria ficar longe dele, apenas por que era difícil de suportar estar tão perto e ao mesmo tempo tão longe.

O capitão por outro lado ficou no mesmo lugar, como se suas forças para se mover tivessem se esvaído. Respirou fundo antes de se virar e socar com força o mastro do navio e sentiu a madeira se enrijecer abaixo de seus dedos e por um segundo desconfiou que pudesse ter quebrado o próprio navio. Com isso em mente se direcionou até sua cabine que parecia fria e vazia demais, sem o aconchego que costumava sentir antes. Não pensou muito e apenas socou repetidamente a parede sentindo a lasca da madeira entrando em sua pele, porém, aquilo não lhe causava dano o suficiente, não o dano que ele merecia e desejava sentir.

Encostou a testa contra a madeira e respirou fundo, fechando os olhos. O cheiro dela estava impregnado por todo o local, como se fosse possível ele se esquecer daquele cheiro tão característico e único. Queria se afundar em algo que o retirasse dos pensamentos tão incômodos, juntamente da sensação. Encaminhou até o seu pequeno bar e se serviu logo da garrafa de rum, diretamente do bico e foi assim que permaneceu ao longo da noite.

**

—Natsu é tão estúpido às vezes!- Lucy apenas encolheu os ombros com as palavras da ruiva. Não queria ficar no mesmo lugar que Natsu e muito menos que ele saísse de seus aposentos por culpa dela, decidiu então, ir para a cabine de uma de suas amigas. O quarto de Erza assim como os demais, não era tão espaçoso quanto o do capitão, já que o restante dos marujos dormia abaixo do convés em quartos pequenos com espaço para uma cama e um armário.

—Vou o deixar ter o espaço dele, mas não o deixarei sozinho! – a loira estava encostada na cabeceira da cama abraçada aos joelhos. Erza sentou-se na cama frente a amiga e a observou com cuidado.

—Acho que vocês dois precisam de um tempo, é muita coisa para lidar, sentimentos novos os quais não tem conhecimento, e ainda tem essa questão do Natsu. – apenas balançou a cabeça concordando. – descanse, está bem? Você não descansou direito desde que saímos do portal e muito menos ficou o tempo necessário na água, seu corpo está protestando. – não havia como negar, era perceptível o cansaço da sereia, seu corpo mal se aguentava em pé.

—Eu estou bem!- porém, a sereia ainda insistia em ficar em negação quando a confirmação já era óbvia.

—Pois então me faça companhia!- a ruiva disse simplesmente se engatinhando pela cama até chegar ao lado da loira e se acomodando na beirada contra a parede. Era bem pequena para as duas, mas de longe desconfortável. – a cama é pequena, mas damos um jeito. – Lucy sorriu se deitando e abraçando a amiga que acariciou os cabelos loiros. Erza emanava uma energia maternal que deixava Lucy confortável, era uma ligação muito especial. E era tudo o que ela precisava naquele momento.

—Obrigada Erza!- fechou os olhos sentindo o cheiro de morango da amiga, aquilo anestesiou seu corpo com o cheiro familiar.

—Eu não fiz nada demais!- ditou simplória olhando para o teto de madeira. – descanse agora. – foi com aquelas palavras que Lucy se acomodou no mundo dos sonhos.

Infelizmente o sono não durou muito e tão rápido quanto veio tão rápido foi embora. O corpo sofre quando a mente está doente, e Lucy não se sentia mentalmente estável e consequentemente seu corpo replicava de maneira negativa, seu pescoço estava curando lentamente devida a natureza do ferimento, mas também por seu corpo estar frágil.

Estava parada olhando para um nada específico enquanto o corpo de Erza caia preguiçosamente encima do seu. Não se incomodou com o fato, a amiga era leve sem suas armaduras, bem como se sentia ingenuamente estimada. Um barulho na porta atraiu sua atenção à mesma, como se algo tivesse batido contra a parede e feito um barulho oco. Tão logo batidas surgiram na porta a fazendo retirar com delicadeza o corpo da amiga acima de si, e se erguer caminhando até o local.

Assim que abriu a porta os olhos se arregalaram surpresos quando notou o corpo do rosado debruçado sobre o patente da porta. A camisa estava aberta e o rosto estava tampado devido aos cabelos que caiam sobre a face, e em sua mão uma garrafa de rum já vazia.

—Natsu?- ergueu o rosto ao ouvir a voz melodiosa e se desiquilibrou quando tentou se erguer, a sereia segurou o corpo do homem contra o seu o impedindo de ir ao chão, porém, quase caindo junto.

—Luce...- a voz, mesmo que embriagada, causou um arrepiou contra sua pele ao sentir o hálito dele em seu pescoço.

—Por deuses Natsu, o que está acontecendo?- segurava firme a cintura do garoto que mal conseguia se mantiver em pé. Afastou o suficiente para olhar o rosto da mulher, que sabia de cor cada detalhe e feição.

—Me... Disseram... Que estava... Aqui... — entre soluços as palavras saíram de seus lábios. – eu... Precisava te ver!- a loira sentiu o corpo arrepiar e a mão dele se guiou até o rosto dela o tocando com delicadeza, e descendo de modo contemplativo ao pescoço ferido. A mágoa e o arrependimento eram sentimentos perceptíveis nos olhos verdes. Um resmungo vindo da cama atraiu a atenção da loira, que se virou para trás olhando a ruiva que apenas se encolheu na cama.

—Vamos sair daqui!- não queria acordar Erza, pois imaginava o quão irritada ela poderia ficar, e também por que desejava ter um momento de privacidade com o rosado.

O caminho até a cabine do capitão foi complicado, pois a mesma se localizava no convés, e subir escadas com alguém maior e mais musculoso que ela, era deveras uma ação difícil. Sem contar que Natsu não estava conseguindo se manter em pé o suficiente para ajudá-la, contudo, apesar das dificuldades, conseguiu jogar o rosado na cama e suspirar cansada. Mal havia recuperado o fôlego quando Natsu a puxou pelo pulso a fazendo cair sobre o corpo dele, com isso os braços fortes se acomodaram ao redor do corpo curvilíneo. Um grito surpreso saiu de seus lábios e o coração bateu acelerado.

—Fica assim... Por favor, só por alguns segundos!- passou a língua nos lábios e permaneceu quieta, mesmo que se sentisse nervosa.

—Natsu... Você precisa decidir o que quer!- falou frustrada e se afastou o suficiente para olhar no rosto dele e observar o semblante cansado. – você está bem?- sua resposta foi apenas um aceno em confirmação, porém, os olhos lhe diziam outra coisa. Tocou o rosto dele com delicadeza apreciando o calor da pele dele contra a sua. – vamos conversar sobre isso... É melhor do que apenas fugir e fingir que nada aconteceu.

—Não é o melhor momento para uma conversa! – olhou para cima tentando focar sua visão embriagada. – estou bêbado o suficiente para dizer alguma merda.

—Você sempre diz alguma merda!- foi quase impossível ele não sorrir com as palavras da loira, e aquilo a acalmou por alguns segundos. – por que foi atrás de mim quando estava decidido a me ignorar?

—Caralho Lucy, quer que eu deixe explícito que não suportei ficar sem te olhar por mais tempo? Mais alguma ideia de humilhação?- ela deu uma risada mediante ao que o rosado disse.

—Tenho várias ideias em mente, principalmente depois de você ter me ignorado. – ele suspirou e se sentou com ela ainda em seu colo. – Natsu, eu quero que pare de se culpar!- virou o rosto a fim de fugir dos olhos castanhos, porém, ela segurou o rosto dele. – olhe para mim!- a voz baixa e delicada o fez se virar e olhar para ela, com a face o encarando feito um anjo. Era como se toda sua embriaguez tivesse evaporado. – o que aconteceu foi algo que estava além do nosso controle, e eu quero que você tente resolver isso comigo ao invés de fugir da situação. – demonstrou todo o cuidado necessário nas falas. – você não precisa lidar com isso sozinho!- olhou nos olhos um do outro com firmeza, uma conexão invisível, mas extremamente forte de modo quase palpável. – vamos resolver isso junto! – apenas observou a garota a frente com carinho.

—E tem alguma solução?- pousou as mãos delicadas no pescoço dele o acariciando e sorriu.

—Sempre tem!- permaneceu quieto a observando, como se ainda não estivesse certo sobre tocar nela. – me conte o que aconteceu no portal. – pediu delicadamente e por alguns segundos ele se permitiu fechar os olhos e inspirar profundamente. Ela aguardou o tempo dele, apenas esperando que ele se sentisse bem o suficiente para dizer.

—Quando Virgo me prendeu naquela esfera de rocha, eu não estava sozinho. – uniu as sobrancelhas loiras o olhando confusa. – a coisa que estava lá, usou da aparência da minha mãe para me atingir. – o olhou compadecida. – a coisa possuía consciência de como me ferir, disse coisas que me fizeram vacilar por alguns segundos e me submeter às sombras do lugar, fiquei preso em meio a lama que parecia roubar minha vitalidade, mas ao mesmo tempo me impulsava a outra coisa. – apenas o observou atenta, enquanto sua mente trabalhava para decifrar os acontecimentos. – é possível que tenha acontecido o mesmo que os outros?- questionou mesmo sabendo que não era o caso. A loira negou com um semblante triste pelo garoto.

—Foi algo diferente, quando ocorreu a “possessão” com os outros, eles não herdaram poderes ou alguma outra coisa além de força. – ergue os olhos pensativa. – mas você... Irradiava algo, seu corpo parecia brasa. – Natsu desceu os olhos para o pescoço dela, se recordando a que ponto havia chego e feito. – a probabilidade e que isso está ligado ao seu lado desconhecido, na verdade, é óbvio que é isso, apenas não possuímos uma definição.

—Eu sou um monstro!- ditou simplório com o rosto inexpressivo e ela apenas balançou a cabeça e os fios dourados em negação.

—Não, você é humano!- ditou convicta. – cada ser possui um tipo diferente de áurea que serve para diferenciá-los, você possui áurea humana, mesmo que seja um pouco diferente, ainda é humana. – a olhou de sobrancelhas unidas em questionamento.

—Diferente? Quer dizer que eu sou algum tipo de híbrido?- a face demonstrava sua incompreensão mediante ao assunto.

—Eu pensei nessa possibilidade, porém, eu nunca vi uma áurea como a sua... — lambeu os lábios de modo nervoso e olhou para cima. Lucy podia sentir o corpo tensionado abaixo de seus dedos leves. – olha Natsu, apesar do que as histórias dizem, é quase improvável ocorrer união de espécies diferentes. Assim como as sereias que só podem ter filha mulheres, o fruto de determinadas espécimes não sobrevive ou vivem com sequelas para o resto da vida. – Natsu sentia que a cabeça explodiria com tanta informação. – os deuses devem ser o único exemplo de mestiçagem que obteve sucesso. – levou a mão até o queixo pensativa. – o seu lado desconhecido parece possuir uma conexão com magia negra, o que significa que a natureza da sua descendência vem dela, e que ocasionalmente força o seu outro lado vir à tona. – aquilo poderia ser um choque para ele, mas a vida toda sentindo um lado obscuro o chamando o impedia de se surpreender. – contudo, demônios não podem procriar isso não é apenas uma constatação e sim um fato! – antes que o rosado pudesse a questionar ela prosseguiu. – demônios não possuem uma forma física para isso, por isso possuem pessoas para idealizar seus desejos e vontades, contudo, as pessoas depois de serem possuídas geralmente morrem devido a grande carga negativa e também por que ele rouba a vitalidade da mesma, assim como os sentimentos malignos, por isso sempre preferem pessoas instáveis pela facilidade, estão sempre expostas.

—É quanto ao que nossos amigos sofreram nos portais?- questionou com uma ruga na testa e a loira negou com a cabeça.

—Não, no portal não foi uma possessão direta, foi apenas uma influência que os demônios usaram sobre eles. – arregalou os olhos surpreso. – para um demônio permanecer em um corpo humano ele tem de roubar a vitalidade de outras pessoas para o corpo permanecer forte, isso torna quase impossível a procriação, a criança sempre morre por que se alimenta da vitalidade da mãe e consequentemente a mesma morre antes do parto, ou por que o corpo é frágil demais para suportar a mestiçagem.

—Existe alguma possibilidade do hospedeiro não morrer? Você havia dito que a Oracion Seis estavam possuídos e continuaram vivos. – confirmou com a cabeça e o rosado colocava suas engrenagens para funcionar.

—Isso por que eu retirei os demônios e repus a vitalidade perdida, como sereia Celestial e dona dos portais, eu posso controlar isso. – Natsu quase bateu na própria cabeça, tudo estava muito confuso. – eu disse que quase certo que morrem quando possuídos Natsu, mas não sempre, geralmente quando sobrevivem é porque roubam a vitalidade de outras pessoas, e com isso a do hospedeiro é mantida. – explicou notando a incompreensão do homem a frente. – a certeza é que nunca podem procriar!

— Quais são os outros seres que fazem uso de magia negra?- a embriaguez havia se esvaído de seu corpo há muito tempo e estava completamente sóbrio no momento.

—Poucos, mas não tem a possibilidade de serem eles. – ele não soube definir se aquilo poderia ser um alívio ou algo pior. – o estranho é que seu corpo possui atração pela magia negra específica de demônios, mas você não tem áurea de demônio... — a loira refletiu por alguns segundos sobre o assunto e ele apenas observou o rosto concentrado dela, guardando aquela reação na mente. – pode ser que sua áurea seja diferente por ser uma espécie desconhecida, e como apenas a sua parte humana está exposta por ser a única desperta, e a sua outra metade está adormecida, logo eu não consigo identificá-la.

—Ou seja, talvez eu só descubra quando for tarde demais. – falou já sem muitas esperanças. Fazia alguns anos que ele nunca se importou em descobrir a verdade sobre si, porém, Lucy o passava uma certeza que o fazia desejar saber, como se ela fosse o gatilho necessário para fazê-lo descobrir e buscar se controlar, por ela.

—Não!- falou com uma firmeza que Natsu de longe não sentia. – eu posso descobrir isso, eu darei um jeito. – sentia uma necessidade de ajudar o rosado a sair da escuridão que o cercava. Não havia nenhuma garantia que o que descobrissem fosse algo agradável, porém, fariam isso para que o coração do garoto alcançasse a paz. – já pensou na possibilidade... — a olhou curioso devido à incerteza que ela passava. – que seu pai possa saber alguma coisa? – o corpo do rosado enrijeceu e sua respiração se prendeu por alguns segundos.

—Ele não vai ajudar! Não se importa comigo o suficiente para fazê-lo. – falou sincero e direto, pois era a realidade e não havia nada que pudesse fazer para muda-la.

—Eu posso o fazer falar!- falou firme e ele negou precisamente.

—Nem fodendo!- falou como se fosse óbvio e a olhou em choque. – você não precisa se aproximar daquele desgraçado.

—Eu nem preciso usar o encantamento das sereias, apenas mexendo nas memórias dele eu posso conseguir alguma coisa. – falou se explicando e o outro negou sucinto.

—Não Lucy!- falou firme irredutível sobre sua escolha. – não vai ver nada que vai lhe agradar. – a loira suspirou olhando o capitão. – eu nem ao menos sei onde ele está e nem se está vivo, e não tenho vontade de descobrir. – suspirou derrotada.

—Está bem!- notou o corpo do rosado relaxar, mesmo que no fundo ela ainda não estivesse satisfeita, deixou assim até o momento. – e sua mãe? Ela era mesmo humana?

—Sim, ela também possuía uma saúde um pouco frágil, por isso o marido dela era sempre criterioso quanto a tudo na vida dela. – apertou os olhos o observando pensativa. Ele se recusando a chamar aquele homem novamente de pai. – meu passado é uma droga... Não sei se quero desenterrar ele.

Em um momento de impertinência, Lucy pensou em procurar o pai de Natsu sem que ele soubesse, contudo, ao notar como aquilo o deixava, decidiu por abandonar a ideia. Não faria algo que o deixava tão desconfortável e frágil.

Era importante descobrir sobre Natsu, mas mais importante ainda era tê-lo ali.

—Não precisa fazer isso!- passou os braços ao redor do pescoço dele o envolvendo em um abraço que foi prontamente recebido.

Havia coisas importantes serem feitas, porém, havia outras muito mais indispensáveis.

**

O mar estava revolto enquanto um grande homem andava sobre as águas, homem esse que não podia ser visto pelos olhos humanos. Seu caminho predestinado era o grande pico de rocha mais a frente, aonde uma mulher de longos cabelos escuros e profundos olhos azuis, e pele de oliva brilhava por baixo da lua crescente. Anfitrite observou o homem se aproximar e não esboçou reação além da face inexpressiva. Eles não se davam bem, apenas possuíam um interesse em comum e faziam disso sua breve interação.

—Anfitrite!- a voz grossa do homem soou feito uma trombeta pelo local, a deusa não se incomodou com a presença esmagadora do homem que parecia ter corpo espectral em poeiras brilhantes ao redor de si, poeira espacial. O cumprimento havia sido realizado por educação e nada, além disso.

—Rei dos espíritos!- devolveu o cumprimento no mesmo tom, os olhos azuis perfurantes ao homem de bigode branco comprido. – o que devo a honra de sua visita? O rei das estrelas não costuma vir a terra, por motivos insignificantes.

—De fato!- passou a mão nos longos fios brancos sobre os lábios. – imagino que saiba que sua sereia está limpando os portais. – a deusa uniu as sobrancelhas com a resposta do homem. Sabia que Lucy estava mantendo o equilíbrio como seu dever, porém, nem ousou pensar que isso teria haver com os portais, mesmo que fosse óbvio. – oh, então não sabe? Ela está fazendo pelas suas costas, então significa que ela não quer que você saiba. – aquilo irritou profundamente a deusa que demostrou o descontentamento em sua feição.

—Não profira absurdos!- a voz saiu grossa demais para tal face delicada. – acho que no fundo eu imaginei isso... Estava apenas desejando que não fosse verdade.

—É o papel dela, nada impactante. – falou sem muito entusiasmo. – apenas quero deixar pontuado, que o poder dos céus não está sob o comando de vocês. – a sereia manteve a face inexpressiva. – ter a sereia celestial sob o comando de vocês, apenas dá a ideia ilusória de que são vocês que comandam. – sorriu satisfeito ao notar o incômodo da mulher.

—Possuímos um trato rei, em prol de algo maior! – respondeu da mesma maneira, não se permitindo abalar. – e quanto à maldição que Acnologia lançou sobre os portais?

—Toda maldição pode ser desfeita! – olhou nos olhos azuis profundamente. – inclusive Lucy, compreende bem sobre esse determinado assunto. – uniu as sobrancelhas negras o encarando sem compreender.

—O que quer dizer?- questionou já irritada, sua paciência havia desaparecido naquele momento. O homem apenas sorriu satisfeito e sem intenção de lhe dizer mais nada. Já não lhe cabia mais informar isso.

—Logo você saberá deusa!- e com isso o homem se retirou a deixando sozinha com seus devaneios.

Sua mente trabalhava arduamente em decifrar o pequeno enigma que lhe foi exposto. Seu coração batia acelerado, e apertou os punhos com força.

—Delfim!- o golfinho colocou a cabeça para fora da água e olhou a mulher extremamente quieta. – mande tropas atrás de Lucy, não façam nada, apenas a observe!

—Sim, minha deusa!- falou receoso e voltando para o mar para acatar a ordem.

A deusa permaneceu sentada nas rochas pensativa. Não importava o que estava acontecendo, ela resolveria isso. E nem mesmo Lucy estaria impune das consequências.

Fim!

“Quando você foge dos problemas eles não te perseguem, acumulam aguardando seu retorno.”

—Bruno Queiroz-

Notas finais
Fiiim! Foi isso, o capitulo foi mais parado e explicativo, espero que tenham gostado e me digam o que acharam e também caso tenham ficado confuso determinadas partes. O que esperam dos próximos capítulos heheh? Não sei quando o próximo vai ser postado, mas tentarei ser ágil. Me sinto na obrigação de sempre agradecer quem lê, favorita e comenta em minha historia, isso significa muito para mim, ainda mais quando não consigo manter uma fic atualizada quase sempre, e eu sei o quanto isso desanima, mas infelizmente tem dias que são puxados. Então, muito obrigada pela compreensão e paciência, vcs todos estão no meu coração :D. Beijocas e Arigatou! I.C.S