Le Chant des Sirènes
56 Capítulo LV
Notas iniciais
Capítulo LV
A escuridão era fria, porém, convidativa, pois ela não se importava com quem você era ou que já fez, e consequentemente atraía pessoas desavisadas a irem a sua direção e ver nela uma maneira de se esconder, um refúgio. As lendas sobre o que vivia na penumbra da noite com passos lentos e olhos vermelhos, eram reais, havia monstros nas terras escuras, mas não tão diferentes dos humanos frigidos.
Pois, diferentemente dos humanos, os monstros não precisam fingir quem não eram, e os tolos humanoides faziam isso para conseguir o que desejavam.
Os humanos tinham medo dos monstros debaixo das camas, sem imaginar que o pior deles dormia acima delas.
Sentado em sua cadeira e as mãos postas sobre um livro velho e empoeirado, o homem da longa barba branca lia e relia os trechos com a tinta já desgasta no papel velho e amarelado. Ao redor de si, estavam vidros e embalagens que continham seus experimentos, insumos utilizados para orquestrar o poder da escuridão.
—Mestre!- não foi necessário que erguesse os olhos para saber de quem se tratava. Os passos ligeiros e quase inaudíveis de Ultear a fazia ser inigualável a qualquer outro ser existente naquele navio. – o senhor está há bastante tempo aqui em baixo, e isso tem ocasionado uma sensação nervosa nos marujos. – parou frente à mesa em uma posição de respeito hierárquico, e os olhos vermelhos observaram as aberrações em potes e torceu o nariz com o cheiro pútrido do local.
—Como os marujos estão se sentindo, é a minha última preocupação Ultear!- falou com a rigidez comum de sua voz, em um tom debochado deixando nítida sua falta de preocupação. – se não fosse por mim, esses mortos de fome estariam em uma vala qualquer da prisão do conselho ou com os pescoços torcidos na forca. – ergue os olhos para a garota que mantinha o rosto impassível mediante a frieza do homem, como se estivesse anestesiada a tais atitudes. – deveriam ser gratos, ao invés de serem tão inconvenientes.
—Passarei o recado mestre!- em outras palavras, mais chibatadas nas costas esqueléticas dos homens. Porém, era inegável a sensação de temor que causava aos outros quando mestre Hades decidia por ficar em seu laboratório, nunca de fato significava algo bom. – como tem sido o desenvolver das pesquisas?- era aquilo que ele gostava em Ultear, ela não era intrometida o suficiente para ser indelicada nas perguntas, toda via, não era desinteressada o suficiente para não dar importância as coisas que ele fazia. Era tudo medido.
—Não diferiu do que eu já sabia!- falou levemente intrigado e irritado, não gostava quando as coisas não estavam sob seu controle, quando não conhecia sobre algo, você poderia não obter controle sob ele. E isso, o irritava profundamente. – contudo, ao menos uma notícia boa. – o olhou curiosa e ele sorriu ladino. – o selo que fiz no filho do mestre está cada vez mais frágil feito uma pluma, e qualquer coisa pode o desfazer por completo. – ditou satisfeito e a morena o observou curiosa.
—Por que não desfaz o selo por completo?- questionou o que para si fazia mais sentindo e menos trabalhoso, contudo, o homem negou com a cabeça levemente.
—Por que não me seria útil que ele viesse perder o controle por agora, tenho outros planos anteriormente a isso. – Assentiu ainda curiosa, mas se manteve calada. – o tempo e as vivências daquele garoto será o calcanhar de Aquiles, para que o selo seja enfim desfeito. – passou os dedos na barba longa e branca. – eu estipulei que o selo duraria até os vinte anos dele, e isso significa que ele irá acabar a qualquer momento.
—Isso também significa que as memórias dele retornaram também?- questionou com uma sobrancelha erguida e o outro assentiu em concordância.
—Sim, assim como sua verdadeira natureza, e o que pode inclusive se perder do que é hoje. – Ultear permaneceu quieta, mesmo que por dentro estivesse ansiosa por mais, mas deveria ser cautelosa ao lidar com o homem a sua frente.
—O senhor nunca me disse quem é ele, poderia lhe ajudar se tivesse conhecimento dessa informação!- falou baixo e de maneira firme, mas com o respeito necessário. Se nem mesmo Ultear sabia quem era o garoto, ninguém naquele navio poderia saber, e ela já havia tentado saber por outros e obteve a mesma resposta de sempre. Apenas o mestre possuía o conhecimento. O homem sorriu ladino, toda via, era um gesto carregado de maldade.
—Isso é uma informação que apenas eu terei querida Ultear!- as frias palavras causaram um pequeno arrepio na pele sensível. – eu não sei quando alguém poderia a vir me trair, não é mesmo?- o sorriso foi desfeito e apenas o olhar frigido era direcionado a ela.
—Claro meu mestre!- abaixou a cabeça em submissão, fazendo o homem sorrir satisfeito.
Natsu Dragneel seria o seu triunfo, como também poderia ser sua queda.
**
“Não importa o quanto as pessoas dizem sobre como você é, as únicas palavras que deveria lhe afetar, são as suas próprias, pois apenas você sabe o que passou.”
Lucy leu aquelas palavras no diário de sua mãe e as ficou repassando em sua mente, fazia algum tempo em que sua mão ficou entre aquelas mesmas folhas sem ousar mudar de página. Mesmo que se esforçasse para tentar prosseguir com a leitura se agarrava aquela frase específica e pensava sobre Natsu, e o que as pessoas diziam de si e sobre como estava longe de ser real.
Deitado na cama um pouco a frente à poltrona que estava o rosado repousava entre os lençóis com os olhos fechados e a respiração baixa. Ela sentia uma necessidade enfadonha de conferir a cada segundo como ele estava, pois temia que a qualquer momento houvesse a acontecer mais algum surto. O que não estava longe de acontecer devido às últimas atitudes do rosado. Desde que conversaram e decidiram resolver a situação juntos, Natsu se manteve mais quieto e fechado do que costumava a ser, como se tivesse regredido e voltado a ser o capitão que ela havia conhecido. Frigido e reservado.
Sentia constantemente dores de cabeça que o fazia acordar com surtos durante a noite, também sentia irritação na maior parte do tempo, o que ocasionava brigas constantes com os amigos.
A sereia estava preocupada e mesmo quando tentava pensar em algo plausível para o que estava acontecendo, não chegava a nenhuma resposta convicta, e se sentia frustrada com isso. Por ver o amigo sofrer e nada poder fazer a respeito.
Duas batidas leves na porta a fizeram se levantar e caminhar até a mesma após deixar o diário acima da mesa. E ao abrir deu de encontro com o senhor baixinho, que estava por conta de cuidar da tripulação enquanto Natsu não melhorava.
—Podemos conversar Lucy?- a loira assentiu fechando a porta atrás de si e caminhando com o senhor até a proa do navio. Makarov subiu em um barril e se sentou observando o por do sol, que deixava o mar do horizonte em um tom alaranjado devido ao reflexo do céu. – como ele está?
—Na mesma, não progrediu, mas também não houve um decaimento. – o senhor assentiu e engoliu em seco antes de proferir as palavras que pretendia dizer. Estava a um bom tempo trabalhando na maneira de dizê-las.
—Eu estive pensando em algo Lucy, como capitão temporário, preciso tomar decisões em prol da minha tripulação. – ela concordou compreendendo o que ele dizia. – é nítido que o que aconteceu a Natsu foi devido ao que Virgo fez a ele, os portais de alguma forma tem o feito piorar. – ela também havia notado aquilo, porém, desde que havia colocado os olhos no rosado, notou que ele possuía tendência para as trevas. – e pensando nisso, eu decidi que não deveríamos ir mais aos portais, ao menos até ele melhorar. – arregalou levemente os olhos castanhos para o homem que apenas mantinha o olhar em direção ao horizonte. – eu tenho consciência do quão importante para você é ir aos portais, assim como é para a Fairy Tail, por isso após conversar com Erza e Gildarts decidimos por separar um grupo, e os mandar para a missão dos portais. – a loira se virou para frente observando o mar de ondas leves a frente, e ficou pensativa.
—A prioridade é a melhora de Natsu, e eu concordo com sua decisão. – suspirou aliviado e ela olhou em sua direção. – contudo, eu posso ir até os portais sozinha, não quero colocar mais ninguém em risco!- Makarov observou a garota a sua frente, não demonstrou nem reagiu com qualquer outra expressão, apenas permaneceu quieto.
—Você precisa parar de se sacrificar Lucy!- falou baixo, porém, as palavras causaram o devido impacto na loira que engoliu em seco. – sei bem que Natsu já falou a respeito com você, toda via, irei repetir. – a olhou nos olhos antes de prosseguir. – você não está sozinha, e não precisar fazer tudo sozinha! Aqui somos uma família, e todos nós sabemos bem o porquê estamos nos sacrificando, sabemos bem pelo que estamos lutando!- a sereia permaneceu quieta, incapaz de dizer algo a mais. – e isso já foi decidido, e decisões tomadas precipitadamente ou com intenções altruístas, não serão aceitas!- falou direto a fazendo sorrir em resposta.
—Acho que não tenho como refutar a isso!- falou sorrindo e colocando uma mecha loira atrás do cabelo.
—Não tem mesmo!- falou firme e sorriu ao fim. – amanhã vocês desceram no porto Hargeon para resolver as pendências para irem ao portal, mais tarde discutirão a respeito. – ela assentiu em concordância e o senhor a olhou. – e mais uma coisa Lucy!- ergue os olhos curiosa. – não conte ao Natsu, ele jamais concordaria!- engoliu em seco antes de assentir.
Retornou com passos lentos até a cabine, e assim que abriu a porta, notou o rosado sentado na cama com os braços apoiados nos joelhos e cabeça abaixada. Caminhou rapidamente até ele depois de ouvir a porta bater atrás de si, e se abaixou a frente do garoto em meio às pernas dele.
—Você está bem?- perguntou com tamanha delicadeza e observou o rosto inexpressivo do capitão, e então o olhar vazio e vago ser direcionado até ela. O tom verde musgo não havia mais aquele brilho que possuía toda vez que ele a olhava, havia algo opaco no lugar. – Natsu!- falou baixo e triste com o impacto que aquilo havia causado em si.
—Luce!- a voz rouca causou um arrepio em sua pele, e ergueu a mão levando-a até o rosto suado dele, aonde acariciou as bochechas e retirou os fios rosados grudados na testa. Tudo sobre o olhar calculado dele a si, porém, ela apenas permaneceu o acariciando e o olhando com carinho.
—Sim?- falou com um pequeno sorriso nos lábios rosados. – eu estou aqui!- falou olhando nos olhos dele e notou quando o mesmo ergueu a mão e colocou por sobre a sua, a pele grossa e áspera dele causou uma sensação engraçada contra a sua. Acariciou devagar a mão dela, antes de delicadamente retirar a mão de seu rosto. Uniu as sobrancelhas o olhando em incompreensão.
A rejeição havia doido feito uma dor física.
—Eu quero ficar sozinho!- falou baixou e desviou dos olhos dela olhando para o chão. Lucy piscou os olhos surpresa, e tentou afastar a dor que havia sentindo com aquilo e se ergueu devagar.
Olhou uma última vez para a figura do rosado antes de se virar e caminhar até a porta, seu coração parecia sentir exatamente como ela se lembrava do que era a dor. Pousou a mão na maçaneta da porta, porém, antes de girar a mesma, se virou, e correu em direção ao capitão. Jogou-se nos braços dele, passando os seus pelo pescoço do rosado e o apertou contra si. Sentindo seu coração bater acelerado com apenas aquele movimento, e se acalmou ao sentir o dele no mesmo estado contra si. Ele não poderia negar como se sentia a respeito dela, não quando seu corpo pertencia completamente à loira.
Afastou-se apenas para olhar nos olhos dele que a olhava com certa curiosidade, estava tão próxima que podia sentir a respiração dele contra seus lábios. As mãos dele não ousaram a tocar, porém, ele parecia fazer um grande esforço para isso.
—Eu não irei te deixar sozinho Natsu, eu apenas farei isso quando for o que você desejar de verdade. – falou baixou, mas sabia que ele havia ouvido ao notar a pele dele se arrepiar. – enquanto isso vai ter de me suportar ao seu lado!- olhou em seus olhos e desceu até os lábios do homem que pareceu prender a respiração antes de soltá-la profundamente.
Imaginou que ele se afastaria ou tiraria suas mãos de si novamente, entretanto, tamanha fora sua surpresa quando ele encostou sua testa na dela de olhos fechados e respirando fundo o cheiro que apenas ela tinha. E como se fosse um calmante para si, seu corpo inteiro se relaxou e ergueu os braços passando ao redor da cintura fina da garota, a trazendo para mais perto e se deliciando com aquela sensação.
Aquilo que os ligava ultrapassava o desejo ou qualquer coisa carnal, era muito mais puro e intenso.
**
A reunião em si estava ocorrendo no andar inferior do navio, aonde baús de rum e outros determinados alimentos eram guardados. Um enorme contraste com o local que costumava ocorrer tais decisões, porém, não poderiam fazer uso da cabine do capitão quando a presença do mesmo era proibida. Então, sobraram para os marujos agirem feito espiões e disfarçarem os reais motivos de estarem ali do rosado trancado na cabine.
—Tenho certeza que o salamandra não vai concordar, na verdade isso é óbvio!- soltou Gajeel com sua negatividade de sempre, cruzando os braços e então apontando um dedo em direção a Lucy que ergueu uma sobrancelha. – ainda mais se a loirinha for!
—Não importa o que o Natsu ache, situações desesperadoras exigem medidas desesperadas!- respondeu Erza com o seu tom de líder fazendo o moreno responder em uma careta.
—Quem não garante que ele não vá seguir a gente feito um louco?- questionou como se fosse óbvio. Gajeel compreendia o rosado por obterem algumas características semelhantes.
—Ele não irá!- fora Lucy quem respondeu atraindo a atenção do moreno e do restante. – precisa de uma sereia para lhe guiar até o caminho e principalmente para abrir um portal, ele não vai saber para aonde ir.
—Eu confesso que também não me agrada fazer as coisas pelas costas do esquentado. – respondeu Gray passando a mão nos cabelos negros. Poderia brigar sem pausas com o rosado, contudo, sempre estariam um ao lado do outro.
—Ninguém aqui se agrada disso Gray, porém, estamos fazendo pelo bem dele!- Makarov falou fazendo o moreno abaixar a cabeça pensativo. – é apenas temporário, até resolvermos a situação. – todos assentiram incertos. – Laxus e Mira irão ficar para me ajudar com a tripulação e Natsu. – falou o último em uma pequena careta de preocupação. – vocês devem seguir em direção à taberna dos piratas em Hargeon e encontrar o meu contato, ele vai chegar até vocês.
—E quem é esse contato velhote?- questionou Jellal o que todos desejavam saber, e olhares curiosos se direcionaram até o senhor que apenas deu de ombros antes de levar o cachimbo aos lábios.
—Irão descobrir na hora!- a resposta fez com que os presentes bufassem frustrados e o senhor apenas desse um risinho. – ele vai se aproximar de você Lucy e dizer o código. – olhou para a garota que assentiu em concordância. – Happy vai ser nosso meio de comunicação, e através dele que iremos saber sobre os eventos que percorreram, e caso seja necessário intervenções. – concordaram novamente. – agora se aprontem que irão descer pela madrugada no porto.
Aos poucos o grupo constituído por Erza, Jellal, Gray, Juvia, Gajeel, Levy e Gildarts, foram se dispersando cada um seguindo seu caminho em direção as cabines para um pouco de conforto, antes de iniciarem a missão.
A sereia parou antes de ir embora ao notar o gatinho sentado no barril com a cabeça baixa, e decidiu se aproximar e se abaixou frente ao mesmo o olhando.
—Está tudo bem Happy?- Assentiu não convencendo à loira. – eu também não queria fazer sem ele... Mas é necessário.
—Não é só isso!- falou baixo e ela o olhou com as sobrancelhas juntas. – o Natsu vai ficar bem, não é Luxy?- a voz chorosa indicava a preocupação do bichano, e a garota sentiu compadecida com o sentimento.
—Vai sim Happy, nós iremos ajudá-lo!- sorriu pequeno ao animal que devolveu o gesto, mas não muito entusiasmado, mas melhor que antes.
De coração, a garota desejava que aquilo fosse verdade, pois nem ela saberia dizer o desfecho daquilo.
**
O sol ainda não havia se posto quando o navio da Fairy Tail parou no porto de Hargeon e os devidos marujos descessem. Lucy havia passado a noite no tanque para renovar suas energias, e saiu sem que acordasse o rosado, mas não sem antes deixar um beijo delicado em sua bochecha.
O navio tratou de zarpar assim que todos desceram e acompanharam, quando lentamente o navio foi se afastando cada vez mais, tornando assim quase impossível de enxergar a bandeira da Fairy Tail.
Os oito presentes iniciaram sua caminhada pela rua deserta em direção à taberna que parecia não possuir horário para fechar. Sobrevoando sobre a cabeça deles, estava o exceed azul que assim que entraram no local, se acomodou no colo da sereia a qual se prontificou em ficar em um local mais afastado dos demais com os olhares atentos de seus amigos em sua direção.
A taberna estava cheia com vários piratas bêbados e acompanhantes risonhas sentadas em seus colos, nada de diferente ou suspeito e muito menos alguém que viesse a fazer se questionar se era o contato de Makarov.
—As fadas possuem caudas?- a frase que Makarov havia dito mais cedo para ela que seria o código, soou em seus ouvidos ditas por uma voz grossa. E ela a conhecia. Virou-se devagar dando de encontro com os olhos azul feito o céu e os cabelos loiros revoltos.
—Sting?- não disfarçou a cara surpresa ao constatar quem era o contato. O loiro apenas sorriu de ladino antes de levar sua caneca aos lábios e bebericar sua bebida.
—Surpresa por ser eu?- a olhou com uma sobrancelha erguida e ela concordou sincera. – Makarov me pediu encarecidamente que colocasse o pescoço dos meus marujos em risco, para ajudá-los. – bebeu sua bebida se sentando ao lado da loira que o olhava curiosa.
—E por está aqui, significa que aceitou!- concordou com a fala da loira e pousou a caneca sobre o balcão antes de direcionar o olhar para ela.
—Eu devo muita coisa ao Natsu, então, não poderia negar o pedido de Makarov, independente do quão louco fosse. – desceu os olhos azuis pelo rosto da sereia, ele não conseguia disfarçar o quão atraído se sentia por ela. – e eu também estou curioso para saber se a lenda dos portais e sereias celestiais é real!
—Eu não ficaria tão animado!- falou sincera e ele sorriu soprado. Happy permanecia quieto no colo da garota. – não é muito empolgante.
—Oh eu não diria isso!- ergueu uma sobrancelha e sorriu divertido. – já posso dizer que a viajem já está valendo!- olhou profundamente nos olhos castanhos da loira antes dela virar o rosto em outra direção.
—Não vai dizer isso quando um demônio chutar seu traseiro!- o loiro olhou curioso para o gato que parecia levemente irritado.
—Ora Happy, eu não havia o notado!- falou sorrindo ao observar o bichano que cruzou os braços e virou o rosto em uma nítida careta.
—Claro, não parecia estar vendo nada além da Lucy!- o loiro arregalou os olhos e a sereia sentiu as bochechas corarem. – vou até anotar isso para não esquecer de falar ao Natsu!- os olhos azuis do capitão da Sabertooth se arregalaram surpresos e antes que pudesse dizer alguma coisa, foi interrompido pela ruiva e os demais marujos da Fairy Tail.
—Sting, você é o contato de Makarov?- ele concordou com a cabeça e a ruiva o observou contemplativa. – você tem certeza disso? Podemos fazer sozinhos...
—Está tudo bem Erza!- falou sincero antes que ela terminasse. – é meio que tedioso apenas observar a Fairy Tail fazer tudo!- sorriu divertido fazendo com que os outros repetissem o gesto.
—Deixa o trabalho duro para os profissionais, vocês ficam por conta da carona!- Gajeel falou ajeitando a gola de sua camisa em uma pose de superioridade, fazendo com que o loiro revirasse os olhos, mas fornecesse um sorriso ao fim.
O grupo caminhou devagar em direção a saída para que fossem até o navio da Sabertooth iniciar sua nova jornada, com os corações inquietos, porém, aquecidos. A incerteza preenchia seus sentimentos os deixando nervosos, toda via, a garantia de estarem juntos era o suficiente para que a confiança sobressaísse a qualquer outra sensação inoportuna.
A sereia ergueu os olhos para o céu e observou as estrelas sumirem devagar, enquanto o sol surgia no horizonte indicando o começo de um novo dia. E seus últimos pensamentos foram em direção a um rosado que dormia tranquilamente, sem obter a menor ideia do que estava para acontecer.
Fim!
“Que o amor, de olhos vendados, encontre o caminho para a sua vontade”.
—William Shakespeare-
Fale com o autor