“Correndo. Só o que podia ser visto, era uma silhueta feminina, deslizando pela longa estrada abandonada, fugindo de alguma coisa. Seus cabelos castanhos, poderiam ser reparados, a medida em que eles saltavam, por causa do percurso, dela. Sua respiração arfante, quebrava o silêncio do lugar ao mesmo tempo que sua corrida. Olhava para trás, sem parar de correr. Alguém a perseguia, como se quisesse a matar. Foi quando parou e deu de cara com um penhasco. Era o fim, da linha. Olhou novamente para trás, e tudo pareceu escurecer. O céu pareceu relampejar, por causa dos trovões. O tempo estava nublado e a névoa parecia deslizar pela região, em que ela se encontrava.Foi quando observou duas árvores. Ambas, eram diferentes. E nessas duas árvores, havia um rapaz, em cada uma delas. A árvore esquerda, estava com a metade de suas folhagens, caídas no chão, como se fosse uma época do outono e debaixo dela, tinha um rapaz com aspecto estranho, segurando um coração, com a palma da mão destra. Enquanto a árvore direita, tinha suas folhagens esverdeadas, bastante vivas, pareciam brilhar assim que os olhos se mantivessem fixos, nela. E abaixo dela, tinha outro rapaz. Diferente do primeiro, esse rapaz, segurava uma moeda de ouro, com a palma da mão, canhota. Porém, havia igualdade nos dois. Sombras, escondiam os seus rostos, impedindo de serem identificado. Foi quando relampejou, de novo. Escutou um sussurro, que tinha dito: “Venha para mim, filha”. E quando se virou para trás, observou uma mulher de cabelos loiros, com a mão estendida. Seu rosto, também, era ofuscado por uma luz branca, que impedia a sua identificação. Relampejou, novamente. E quando olhou para frente, viu outra mulher. A outra, tinha cabelos negros e seu semblante parecia vir das trevas, já que trajava roupas esquisitas e era oculta, pelas sombras, também. Olhou para frente e para trás, diversas vezes. As duas mulheres, pareciam se encarar. Foi quando cada uma, lançou um feixe de luz branco e negro, que atingiria em pouco tempo, a garota. Assim que a luz lhe tocou, seus olhos se despertaram, assim como o resto do seu corpo”.
POV. SERENA— Aaaaaaah! — berrei, sentando-se na cama, após acordar com os meus olhos molhados, simbolizando o meu choro. Respirei fundo, sentindo o suor escorrer pela a minha testa.
Estou bem acordada. Graças a Deus, aquilo havia sido mais um sonho. Levantei-me da cama, indo em direção a janela de meu quarto, abrindo-lhe. Fitei a rua, e ao mesmo tempo que observava o bairro, respirei o ar fresco, que me fazia bem. Sai de perto da janela, fechando ela, olhando o despertador. Caramba! Era 09:50. Faltava pelo menos, 10 minutos, para a minha aula de psicologia, começar. Corro em direção ao banheiro, cumprindo todas as minhas necessidades e inclusive, tomando um banho, relaxante. Ao se trocar, peguei uma maçã da fruteira, e saí de casa, apressadamente. Fui até a parada de ônibus mais perto e peguei quaisquer um, que passasse pelo colégio.
Cheguei. Lion High School. Não era como a escola da trilogia, High School Musical ou como Mckinley de Glee. Bem que eu queria, que fosse. Passei pelas portas do colégio e lá estava eu, naquele longo corredor, lotado. Corri pelo corredor, empurrando as pessoas, até chegar na sala de psicologia. Chego então, porém é tarde demais. A porta está fechada e vejo pela janela da porta, o senhor Bauer, um homem coroa de cabelos grisalhos e barba branca longa, utilizando o seu típico paletó cinza, enquanto se apoia a uma bengala de cabo dourado. Olhei para ele que inclusive, tinha percebido que eu estava ali. Ao invés de me mandar entrar, apenas entortou a cabeça com uma expressão decepcionada. Eu sabia o que aquilo significava. Simples: sua sala. Ele queria que eu o aguardasse lá, para uma converssa.
Eu maioria das vezes, me atraso de forma involuntária. O Senhor Bauer, já me barrou diversas vezes de sua aula, por causa do atraso. Essa, parecia a gota d’água. Ao invés de insistir para entrar em sua aula, apenas caminhei pelo corredor, que agora estava vazio, em direção ao seu escritório. Ao chegar lá, entrei e me sentei em uma cadeira de frente a sua poltrona, que ele fazia questão de chamar como, “trono de Zeus”. Mas não era só isso que me impressionava. O senhor Bauer, era uma grande inspiração para mim, principalmente em questão de bom gosto. Seu gabinete era decorado em um tema de idade média, algo medieval. Havia quadros por toda a sua sala, com pinturas de seres místicos. Nunca parei para ver todos os seus quadros. Eram vários, que eu até perdia a conta.
Resolvi repousar a cabeça em cima da sua mesa, feita de madeira e espera-lo. Quando dou-me conta, estou fechando os olhos lentamente, até coisas involuntárias, repentinamente, invadirem a minha mente.
POV. NARRADOR“Abriu os olhos. E assim que os abriu, viu-se no meio de uma estranha floresta e deitada. Aquilo de fato, parecia real. Levantou-se do chão, confusa. Olhou pros lados, procurando algum sinal de vida, não tendo quase nenhuma resposta. Foi quando olhou pro alto e viu a torre de um relógio, que ficava em uma cidade próxima, dali. Quando iria caminhar até aquela torre, escutou uma voz sussurrando, dizendo: “Filha...”. E então quando se virou, a sua visão foi invadida por um feixe de luz branca, que desperta a garota”.
POV. SERENAAbri os meus olhos lentamente, com um pouco de minha visão desfocada. Ergui a minha cabeça, vendo o senhor Bauer ao meu lado, me chamando. Fixei meus olhos nele, confusa. Após isso, ele andou até a sua poltrona e se sentou nela, ficando de frente a mim. Enrijeci a minha postura, o observando, enquanto piscava os olhos várias vezes.
— Agora sei o real motivo, de ter faltado a aula. — comentou ele, retirando os óculos.
— Não foi por isso, se for o que está pensando. — protestei, imediatamente.
— Não sabia que entre seus dons de faltar, tinha a telepatia em si, senhorita Montgomery. — julgou, ele.
— Senhor Bauer... sei que está frustrado por causa do ocorrido, mas eu posso explicar. — digo rapidamente.
— Serena... você sabia que tem 15 faltas em Psicologia? Mas também sabia, que tem faltas em outras disciplinas, também? Os professores estão achando que a senhorita está envolvida em drogas. Algo a comentar em sua defesa? — perguntou-me.
— NÃO SENHOR! EU NUNCA USARIA ISSO, SENHOR BAUER! EU JURO! — exclamei, antes de mais acusações — Senhor Bauer... eu sinto muito por estar faltando tantas aulas, mas meus problemas não são relacionados a “drogas”.
— E do que se tratam os seus problemas, senhorita Montgomery? — indagou.
— Sonhos... — falei baixinho, porém suficientemente, para ser escutado pelo homem.
— Sonhos? Que tipos de sonhos? — perguntou.
— Estou tendo os mesmos sonhos, todos os dias. Dois homens, duas mulheres, duas árvores, relâmpagos, uma torre de relógio e um penhasco. — informei-lhe.
— Conte-me melhor, sobre isso. — pediu, ele.
— Bem... eu estou correndo no sonho, como se estivesse fugindo de um alguém. Quando menos espero, dou de cara com um penhasco, que corta o meu caminho. E então... vejo duas árvores. Uma parece morta e outra, viva. Havia um homem, em cada árvore. O primeiro segurava um coração. O segundo, segurava uma moeda de ouro. — suspirei — Então, eu escuto uma voz feminina, me chamando de “filha”. Olho para trás e vejo a figura que me chamava, dessa forma. O curioso, é que uma luz estava bem no rosto dessa mulher de cabelos loiros. Quando eu olhei para frente, havia outra mulher. Cabelos negros e seu rosto era ocultado, pela escuridão. O sonho termina, com uma luz preta e branca, me atingindo e eu acordando, gritando.
— Hum... perturbador, senhorita Montgomery. — comentou o senhor Bauer — Porém, de fato é um sonho estranho. Mas e os relâmpagos?
— Os relâmpagos pareciam me avisar sobre a aproximação de cada ser, no sonho. — respondi.
— Realmente perturbador... — disse o coroa, levantando-se e andando até uma das estantes, de sua sala.
Observei o senhor Bauer, receosa. Engoli um seco, acompanhando os seus movimentos, com os meus olhos, respirando fundo.
— Há alguma resposta, nisso? — questionei.
Ele não respondera. Ao invés disso, retirou um livro de uma das estantes e voltou para o seu devido lugar, ficando a minha frente. Abrira o livro, escolhendo um capítulo e colocara seus óculos em sua face, novamente, para acompanhar a leitura de modo, agradável. Depois de um certo tempo lendo, ele ergueu a cabeça e olhou para mim.
— E então? — questionei, de novo.
— Senhorita Montgomery... geralmente os sonhos significam os opostos, da vida real. Mas também, os sonhos simbolizam uma parcela de nossa vida, sendo alguns deles, capazes de serem realizados, no mundo da realidade. — disse ele, suspirando — Porém, os sonhos também são capazes de retratar os nossos antepassados. E no seu caso, senhorita Montgomery... vejo passado nisso. E além disso, há um fato nessa história...
— Hum... e qual seria esse fato? — indaguei.
— Bem... os seus sonhos... — o homem disse, sem completar, engolindo um seco.
— Os meus sonhos... — repeti, pedindo para ele completar.
— Visam a história da família que você nunca conheceu, isto é, os sonhos são avisos de como “chegou” no mundo.
Ao ouvir aquilo, eu amolei. Os meus batimentos cardíacos, aceleraram. Eu estava tendo sonhos, ligados a minha família e a infância que eu nunca tive. Então quer dizer que minha mãe estava viva? Mas o que os dois rapazes significava? E o que a mulher sombria, simbolizava naquele sonho? Esses sonhos, como ele tinha dito, seriam de fato, visões? Gelei, só de pensar nisso. Respirei fundo, nervosa. Eu descobriria finalmente, a verdade sobre a história que eu nunca tive e a história que eu nunca comecei.
CONTINUA...
Notas finais
Agradeço pela leitura e espero que tenham gostado. Me perdoem por quaisquer erro gramatical.
Fale com o autor