Laços de Sangue: O Despertar
2 Welcome
— Então há uma pequena possibilidade de eu encontrar a minha família? — indaguei, com os meus olhos arregalados, de surpresa.
— Sim, senhorita Montgomery. Há uma possibilidade de algum integrante de sua família estar vivo. — disse o homem.
— E quem você arrisca, de estar vivo? — arrisquei a pergunta.
— Você mencionou que no sonho, havia uma mulher a chamando de “filha”... — pausou o coroa, brevemente — Então, creio eu... que sua mãe esteja viva.
— O QUÊ? — questionei, em tom de voz alto.
— Este é o meu palpite, Serena. — protestou o homem de cabelos grisalhos.
Suspirei fundo, tentando ficar aliviada. Minha mãe, viva? Impossível. As chances dela estar viva são pequenas. Só de pensar nisso, me causava calafrios. Se ela estava viva, por quê nunca me procurou? Por que diabos, teria me abandonado? Eu precisava de respostas e quanto mais investigasse, teria mais perguntas.
— E o que propõe, que eu faça? — perguntei.
— Você sabe o que fazer, senhorita Montgomery. Sempre soube, o que fazer. Não precisa de meus conselhos, para essa jornada. Só o que desejo é... boa sorte. — respondeu, o senhor Bauer.
— O-Obrigada... — engoli um seco, arrepiando-se.
Levantei-me da cadeira, em frente do senhor Bauer, quase caindo no chão. Respirei fundo, novamente, enquanto eu apressava os meus passos, em direção a saída do escritório, nervosa e ao mesmo tempo, ansiosa com o que poderia descobrir de bom ou pior.
Ao invés de ficar conversando com o meu professor de psicologia, fui até uma parada de ônibus, onde peguei um. Ele me mandara em direção ao hospital local, da cidade. Bem, assim que entrei no hospital, senti o frio do ar condicionado, invadir o meu corpo, causando mais arrepios involuntários, pela minha pele. Caminho até a recepção do hospital, onde encostei meu corpo na bancada e olhei para uma mulher magra de cabelos pretos, corte Chanel, com óculos retangulares, que digitava algo no computador. Ela olhou para mim e eu fiz questão de retribuir o olhar. E ao mesmo tempo, se levantara com um sorriso no rosto, estendendo os braços para trás, pronta para me atender.
— Boa tarde, querida. No que posso ser útil? — perguntou a mulher com aparência de alienígena.
— Estou em busca de respostas, sobre o meu nascimento. Pra ser mais direta... sobre os meus pais. — respondi, determinada.
— Desculpe, senhorita. O hospital não revela as identificações dos pacientes, sem autorização da justiça. — protestou, ela.
— Talvez tenha um preço nisso, não? Digamos bem... — pausei por alguns segundos, colocando minha mão direita, por dentro do meu bolso da calça, retirando minha carteira e mostrando algumas notas de cem dólares. — Eu posso passar, por isso.
A mulher com aparência de alienígena, me encarou. Seguidamente, estendeu discretamente sua mão e com isso, eu joguei pelo menos, quatrocentos dólares, na região. Ela fechou a palmatória e assim, guardou o dinheiro. Sentou-se novamente na cadeira e voltou a digitar no computador, com um sorrisinho.
— Data de nascimento, por favor. — pediu, ela.
— 15 de Abril de 1998. — falei.
Ao dizer a data, ela começara a digitar no teclado, o informado e assim, começaria uma pesquisa em torno dos arquivos de noventa e oito, dos nascimentos locais.
— Há pelo menos, trezentos e cinquenta e duas, crianças, nascidas nesse mesmo dia. Não posso achar você, com pequenos detalhes. Me diga mais... — insistiu, a mulher.
— Bem... é... — pensei, por alguns segundos, até lembrar-se de algo — Já sei!
Retirei de dentro da minha bolsa, uma bússola. Eu sempre a carregava. Ela é feita de bronze, meio enferrujada, e não funciona. Era a única coisa, que havia sido deixado pelos meus pais. Abri a bússola, mostrando a foto de uma cidade, com a descrição pela metade de “Brooke”. A mulher me olhara feio, achando aquilo inútil.
— Querida, me poupe. Isso não vai ajudar, nem ao Barack Obama, a ganhar nas futuras eleições. Faça-me um favor... retire-se, antes que eu chame a segurança. — ordenou ela, fazendo um sinal de dispensa.
Fiquei vermelha, de raiva. Não só pelo modo em que a mulher havia me tratado, mas também pelo o que ela disse, que de certa forma, era verdade. Voltei para casa, depois de um tempo. Tomei um banho para relaxar e fui para o computador. Comecei a fazer diversas pesquisas, em relação ao paradeiro de minha suposta mãe, viva.
Após pelo menos, uma hora de pesquisa, meus olhos já se fechavam lentamente. Até que, certo momento, desabei. Meus olhos se cerraram e lá estava eu, dormindo e prestes a mergulhar em mais um sonho, hostil.
POV. NARRADOR
“Girando. Mil pensamentos estavam em torno da mente, dela. Mas quando chegou ao seu destino, tudo se acalmou. Encontrou-se de pé, no meio de uma estrada vazia, cercada por uma vegetação, composta por árvores, arbustos, plantas e etc, aos seus lados. Confusa, olhou para frente e para trás. Desta vez, não estava sendo perseguida e muito menos, havia acordado no meio de um bosque.
Sem saber o que fazer, começou a caminhar pela estrada vazia, a procura de algo. Olhava para os lados, pro alto, para frente e para trás, analisando tudo com total cuidado. Após um tempo andando pelo trajeto, viu que estava se aproximando de alguma coisa. Apressou os passos, até ver que estava alcançando a placa, e parou de frente a ela. O letreiro, dizia: “Welcome to Storybrooke”. Assim que leu aquilo, conseguiu desvendar completamente, o nome da cidade. Para saber mais, tentou caminhar mais um pouco, agora em direção ao bairro, até ser barrada por uma espécie de cúpula. O céu começara a ficar nublado, um nevoeiro surgiria e com isso, o clima se tornaria um pouco estranho. Quando menos esperava, o céu relampejou. Como sempre, seria um aviso? Serena, virara para trás e com isso, havia uma figura feminina, de cabelos negros, utilizando um véu preto, “quadrados” longe, da garota. Estavam frente à frente, encarando-se, como se fossem duas personagens de um filme, de faroeste. Com uma voz rouca, a figura sombria, pronunciara-se.
— Você não pode vir para esta cidade. Vá embora, antes que se arrependa! — ordenou a figura, fechando o punho direito.
Serena, engoliu um seco. Não sabia bem, o que dizer. Ela mal havia chegado e já estava sendo expulsa? Uma coisa era certa: Ela não desistiria fácil, de saber a verdade.
— Você não pode me obrigar! Eu mereço respostas! — exclamou Serena, determinada.
O frio invadia o lugar. A figura feminina, ergueu a cabeça, mas ainda o seu rosto, não podia ser visto, totalmente.
— Não há nada para se fazer aqui, sua hipócrita! — disse a voz.
Serena, ficara novamente, vermelha. Odiava quando as pessoas, a subestimava.
— HIPÓCRITA? CALE A SUA BOCA IMUNDA! EU SOU SERENA MONTGOMERY, VIM ATRÁS DE RESPOSTAS, SOBRE A MINHA FAMÍLIA. EU TENHO MEUS MOTIVOS DE ESTAR AQUI. SE NINGUÉM EM 17 ANOS, ME IMPEDIU DE FAZER ALGO, NÃO VAI SER VOCÊ, QUE VAI IMPEDIR OU ATRAPALHAR, O QUE EU QUERO FAZER! — berrou a jovem, irritada.
A mulher, em alta velocidade, iria se aproximando de Serena, parecendo voar. No minuto em que aconteceu isso, uma explosão de luz tomou conta do espaço, trazendo Serena, a realidade”.
POV. SERENA
Meus olhos, se abriram de leve. Eu ainda estava deitada, em cima da mesa de computador. Ergui o meu corpo, espreguiçando-se. Fui até a cozinha preparar um café e seguidamente, bebi. Preparei uma mochila, colocando roupas, acessórios, tudo que fosse de importante para mim. Arrumei-me, como se estivesse prestes a passar férias em um outro, país.
Saí de Nova Iorque, indo para algum aeroporto. Tinha dado um breve pulinho no banco, para fazer uma retirada de dinheiro. Peguei um avião para o Maine, onde durou pelo menos, algumas horinhas. Eu dormi, durante esse tempo. A sorte, é que não havia mais sonhado, desde aquela última vez, o que era estranho.
Embarquei em um aeroporto do Maine, até pegar um táxi. Passamos por algumas rodovias, até pararmos em uma desconhecida. Eu havia informado ao taxista, de que não havia dinheiro suficiente, para pagar a longa viagem. Sendo assim, o homem me expulsou do veículo e me jogou no meio da estrada. Eu estava no meio do nada. Decidi caminhar um pouco pela rota, a procura de algum carro. Desisti da procura, andando mais um pouco, traçando um caminho, involuntário. Cansada, eu estava. Joguei-me no meio da estrada, ficando de braços abertos, olhando pro céu, que agora estava escuro e principalmente para as estrelas, já que agora estaria de noite. Respirei fundo, sem esperanças. Fixei bem os meus olhos nas estrelas e algumas pareciam estar brilhando, especialmente para mim. Pensava que era coisa da minha cabeça, mas não era. Entortei meu crânio, confusa. Decidi me levantar, prosseguindo, enquanto eu olhava para o céu, seguindo as estrelas, que criavam um caminho especial. Tive total atenção focada no céu. Andei em passos lentos, cortando caminho pelo bosque, até perceber que as estrelas haviam parado de piscar. Estava agora no meio de um bosque.
— Obrigada, Deus! — exclamei, irônica.
Coloquei a mão na minha bolsa, procurando o meu celular. Sem saber, pego a minha bússola. A olhei, como se fosse dispensável. Porém, tive uma ideia de última hora. Abri ela e respirei fundo, confiante. Deixaria que o objeto velho de dezessete anos atrás, fizesse o meu caminho. Mas achava impossível que pegasse. Fechei os olhos, aguardando. Abri eles, depois de alguns segundos, vendo que não havia se mexido. Com raiva, taquei o objeto para longe, que bateria contra o tronco de uma árvore e ficaria jogado no chão. Coloquei as mãos, em cada lado de minha cabeça, gritando pro céu.
— ESTOU CANSADA DISSO TUDO! CHEGA! — berrei.
Assim que estava prestes a ir embora, eu ouvi um barulho. Olhei para os lados, conferindo. O que eu menos imaginava, era o responsável pelo barulho. A bússola, estava dourada. Andei até ela, até se agachar e pegar o objeto com minha mão direita e a observar. Estava funcionando. Indicou então a minha esquerda e com isso, comecei a prosseguir em direção a oeste. Depois indicou norte, oeste, leste e leste. Foi quando eu sai do tal bosque e parei no meio de outra estrada e quando eu olhei pro meu lado, havia uma enorme placa. Nela estava escrito: “Welcome to Storybrooke”. Era a mesma placa, que eu havia sonhado. Tremi, só de pensar que aqueles sonhos, poderiam estar virando realidade. Passei pela placa, já nos arredores da cidade. Engoli um seco, olhando ao redor e principalmente, para trás. Estava tudo normal.
Andei mais um pouco pela estrada, agora da cidade, indo em direção a ela. Enquanto eu andava, percebi um automóvel, vindo em minha direção. Parei no meio do caminho, após o veículo se aproximar. Uma figura, havia saído do carro, deixando os faróis acesos e se aproximava de mim. Andei lentamente para trás, temendo quem fosse. Quando eu vi, era apenas uma mulher de cabelos loiros, um pouco mais velha com expressão de preocupada.
— Ah, quem é você? — indaguei.
— Eu que pergunto. Quem é você? Não é daqui, pelo que posso perceber. — falou a mulher de cabelos loiros.
— Sou Serena Montgomery, prazer. Viajei de Nova Iorque até aqui. Em busca de... respostas. — respondi.
— Sou Candice Thorne, prazer. Nova Iorque? Interessante. Saiu da cidade grande, a procura de respostas? Creio que seja, importante. — ela disse.
— Sim... e é, importante. — comentei — Há algum hotel ou alguma pousada, aqui?
— Você pode vir comigo. Moro sozinha. — sugeriu a loira.
— É... bem... — falei, um pouco desconfiada.
— Não se preocupe. Não sou nenhuma assassina. Sou apenas uma professora de literatura. — disse Candice, sorrindo.
— Então... tudo bem. — comentei, acompanhando a mulher, até o veículo. Sentei-me ao seu lado, no banco de acompanhante do motorista.
— Por curiosidade... para onde iria? — indaguei.
— Bem... digamos que eu tive um pressentimento. Então... decidi dirigir um pouco, até a fronteira da cidade. — ela respondeu.
— Ah, certo. — comentei, colocando o cinto.
— Ah, Serena... — ela me chamara a atenção.
Desviei meu olhar, a fitando no volante, ao meu lado.
— Bem-Vinda a Storybrooke. — disse.
Assenti com a cabeça, agradecida por aquele gesto de simpatia e humildade. Saímos finalmente dali, prosseguindo em direção a residência.
POV. NARRADOR
Assim que Serena adentrara a fronteira da cidade, a sua bússola a partir daí, começara a funcionar de forma normal. Além disso, o relógio da torre da cidade, começara a se mover lentamente, indicando os primeiros indícios de que em breve, tudo voltaria ao seu perfeito estado normal.
Mãe e filha, haviam se reencontrado. Mal sabiam elas, que eram ligadas. Mal sabiam elas, dos laços em que possuíam. O destino, as ligariam, possivelmente um dia.
CONTINUA...
Fale com o autor