Laços Sanguíneos
7 Capítulo Seis
Edward POV.
Eu nunca, em toda a minha vida, imaginaria que, quando Bella disse que queria conversar comigo, aquelas palavras fossem sair de sua boca.
Nunca.
Então, comecei a rir, porque era impossível. Simplesmente impossível. Afinal, se eu tivesse transado com Bella, eu teria, com toda a certeza do mundo, me lembrado.
- Bella... – ri. – Isso é meio que impossível.
Eu a olhei, esperando que ela fosse começar a rir comigo, mas ela apenas me encarava, enquanto torcia as mãos nervosamente no colo.
- Edward – murmurou –, por favor, escute tudo o que eu tenho a dizer.
Imediatamente eu parei de rir, lembrando-me de uma coisa que Bella havia me dito. Ela dissera que eu era o pai de Anthony – o que era óbvio, já que eu o havia adotado –, mas disse, também, que ela era a mãe... Então...
Então, Anthony era o bebê que ela procurara por tanto tempo?
Com o coração acelerado, batendo tão rápido que eu achava que era impossível Bella não escutar, eu apenas assenti, esperando que ela falasse.
Ela iria querer levá-lo de mim? Ela iria tirar o meu bebê, o meu filho, o meu Anthony, de mim?
- Como você já sabe – começou – eu perdi meus pais há três anos. Eu fiquei completamente sozinha; meus pais eram filhos únicos e meus avós, de ambos os lados, já haviam falecido quando eu era mais nova. Eu segui com a minha vida, obviamente. Continuei estudando, pensando em meus pais todos os dias; eles seriam o meu motivo de continuar em frente, porque eu sabia que era isso que eles iriam querer.
“Então, no dia do aniversário de um ano de morte deles, eu resolvi sair um pouco, e acabei... bom, acabei em um bar. Não era o certo a se fazer, eu sei, mas parecia a única coisa certa, a única coisa que iria poder aliviar minha dor... E eu bebi, bebi tanto que eu mal me lembro daquela noite. Isso aconteceu há pouco mais de dois anos.”
Eu assenti, esperando que ela continuasse a falar.
- No dia seguinte, eu acordei em meu pequeno apartamento, sozinha, e... nua – suspirou. – Tentei me lembrar, mesmo, do que tinha acontecido, mas eu não conseguia... Continuei com a minha vida, até que quase dois meses depois, eu comecei a me sentir mal.
“Eu tinha enjoos, tonturas e vivia tendo desmaios. A realidade começou a bater e eu comprei alguns testes de gravidez... É claro que eu não confiava totalmente e fui procurar um médico logo depois. O médico confirmou o que eu temia e o que todos os exames de gravidez haviam apontado: eu estava grávida.
“Eu chorei tanto, mas tanto naquela noite. Eu estava sozinha, sem parentes nem nada do tipo, tinha uma bolsa integral na faculdade e uma renda mínima para sobreviver. A casa que meus pais moravam estava intacta na cidade onde eles viviam, em Forks, mas eu realmente não podia me mudar para lá, então...”
Bella respirou fundo e limpou algumas lágrimas que escorriam por seu rosto.
- Eu não sabia o que seria de mim – suspirou. – Muito menos o que seria daquela criança que crescia em meu ventre. Mas em nenhum momento pensei em aborto. Eu já a amava, apesar de tudo, e iria cuidar dela, mesmo sozinha.
“A gravidez foi complicado, mas eu consegui sobreviver. Eu conheci a Bree, quem me ajudava sempre, e foi ela quem me ajudou quando eu entrei em trabalho de parto. O meu bebê nasceu, o meu menino, e, assim que eu o vi, eu sabia que faria qualquer coisa por ele.
“Então, eu decidi dar a ele o nome Anthony, Edward, porque eu me lembrava de uma coisa, um pequeno detalhe. O pai do meu filho, carregava o nome Anthony. Era a única coisa que eu me lembrava.”
Naquele momento, todas as peças se juntaram. Anthony. O bebê de dois meses que eu peguei no orfanato e que, de alguma maneira, me encantou. Os olhos castanhos... No mesmo momento, olhei atentamente para o rosto de Bella – mais especificamente em seus olhos – e me chamei de tolo. Como nunca pude ter percebido que seus olhos tinham o mesmo tom do meu filho? Como nunca tinha percebido os traços que os dois tinham em comum?
- Só que as coisas só ficavam piores... – Bella respirou fundo, sem me olhar. Eu não sabia o que dizer, nem tinha consciência que eu tinha controle sobre meu próprio corpo. Estava congelado, enquanto ela continuava falando. – Eu tive que deixar meu bebê no orfanato, enquanto trabalhava, porque queria dar uma vida melhor para ele. No dia que eu fui buscá-lo, eu descobri que ele tinha sido adotado.
“Eu entrei em desespero. Ele não podia ter sido adotado! Eu tinha explicado toda a situação para uma irmã e ela tinha me garantido que cuidaria dele. Eu o via regularmente, alimentava-o com meu leite... Só que ele foi adotado, Edward. Eu o perdi, eu não fui uma boa mãe.”
Ela parou de falar, respirando fundo e soluçando um pouco, e eu, finalmente, levantei-me, começando a andar de um lado para o outro.
- E você – comecei, tentando controlar a fúria em minha voz –, por algum acaso, já sabia que o Anthony era seu filho quando veio aqui?
- Edward, eu...
- Só responda isso, Bella, por favor – pedi.
Ela finalmente me olhou e eu senti meu coração quebrar quando eu vi as lágrimas ali e a dor presente em seu rosto.
Queria correr, abraçá-la e dizer que tudo ficaria bem, mas nem eu tinha certeza disso.
- Sim. – Sua voz não passou de um murmúrio. – Eu sempre soube. Eu só vim me oferecer para ser babá aqui, porque queria ficar perto dele um pouco. Nem que fosse um pouco.
Eu respirei fundo.
Bella só tinha vindo aqui por causa do Anthony.
Só.
- E você vai o quê? – Minha voz tremia. Minhas mãos tremiam. – Veio tomá-lo de mim?
- Não! – gritou, levantando-se. – Você não imagina o que senti quando vi como ele é tratado aqui. Como ele tinha uma vida boa, como vocês o amavam. Eu nunca seria capaz de tirá-lo disso, Edward. De uma vida que eu nunca serei capaz de dar a ele.
“Mesmo tendo o adotado, vocês o tratavam como se ele fosse mesmo da família. E ele é, Edward. Como eu te disse, antes, eu contratei um detetive. E ele descobriu quem é o pai do meu filho.”
- Quem é? – murmurei. Eu não queria saber quem era o pai, mas precisava. Eu não estava entendendo o que Bella queria dizer com aquilo, mas precisava saber de tudo. Absolutamente tudo.
- Você.
Eu ri, nervoso.
- Bella, se eu tivesse transado com você, eu saberia disso.
Bella suspirou.
- Edward, você esteve no Jame’s Bar há pouco mais de dois anos? – perguntou. – Você bebeu?
Então, tudo se encaixou.
Só que era irônico demais para ser verdade.
Todos os sonhos que eu estava tendo não eram sonhos. Eu estava me lembrando da minha noite com Bella. Foi com ela que eu transei há pouco mais de dois anos.
E era ainda mais irônico que Anthony fosse meu filho. Nosso filho.
Ele era mesmo meu filho.
E isso me atingiu. Emocionou-me.
Não que eu não o amasse antes, mas... ele era mesmo meu. Eu ajudei a fazê-lo; eu participei. E ele teria características minhas...
- Meu filho... – sussurrei. – Anthony é mesmo meu filho.
Bella assentiu.
- Sim, ele é.
Eu respirei fundo, passei a mão nos cabelos. Não sabia o que iria fazer agora, nem como iria agir.
- Bom... – suspirei. – Eu vou pedir um exame de DNA. Para confirmar que o Anthony é mesmo nosso filho. Depois vou entrar com um pedido para que ele seja reconhecido como meu verdadeiro filho e pedirei pela guarda dele.
Por enquanto, seria o que eu iria fazer. Depois, pensaria no que iria acontecer.
Bella POV.
Tudo bem, eu não sabia o que esperar, mas... vê-lo ali, parecendo que duvidava de mim... Ele iria pedir um exame de DNA, ele iria pedir a guarda do Anthony.
E depois?
Ele iria me proibir de vê-lo também?
Eu apenas assenti, sem saber o que fazer.
Então, respirei fundo, procurando controlar as lágrimas que queriam tomar conta de mim, e peguei minha bolsa.
- Eu estou indo – disse.
- Ok.
Eu comecei a andar até a porta, mas parei e hesitei.
- Hmmm... Edward? – Virei-me e ele estava ali, parado no mesmo lugar, me olhando. – Eu... Eu posso vir aqui amanhã?
- Claro – assentiu. – Iremos conversar direito sobre isso amanhã.
Com o coração apertado eu saí da casa dele, pensando em tudo o que tinha acontecido. E tentando não pensar no que poderia acontecer.
Porque se ele me proibisse de ver meu filho. Se ele me odiasse para sempre...
Eu realmente não queria – e nem podia – pensar nisso agora.
Edward POV.
Depois que ela saiu, segui até o quarto de meu filho e fiquei ali, olhando para ele, pensando em tudo o que Bella havia me contado.
Eu não sabia o que sentir.
Sentia raiva por Bella ter mentido para mim. Sentia raiva por não conseguir me lembrar totalmente da noite que eu havia passado com ela. Sentia-me feliz por saber que Anthony era mesmo meu filho.
Era tudo misturado, tanto a pensar!
Respirei fundo, beijei a testa de Anthony adormecido e fui para o meu quarto.
Tomei um banho quente e me joguei na cama. Pouco antes das dez da noite, Anthony acordou e eu fiquei um tempo com ele, alimentei-o e depois o coloquei para dormir de novo.
- Nada vai mudar em relação a você – sussurrei. – Eu só vou te amar ainda mais, meu filho.
Eu ainda tinha que contar aos meus pais, a Alice, Emmett... Mas deixaria para fazer isso depois. Só depois que eu tivesse o resultado do exame nas mãos.
E eu faria o possível para ele sair rapidamente.
Porque eu queria resolver aquilo o quanto antes.
_
Era quase meia noite quando eu fui me deitar. Tinha pedido folga no hospital por mais dois dias. Amanhã eu iria acertar os últimos detalhes com Bella e avisar-lhe que eu havia marcado o exame para ser feito no dia seguinte.
Respirei fundo, fechei os olhos e procurei me acalmar...
Eu acariciei sua barriga, ouvindo um leve ronronar vindo de Bella. Minha blusa e a dela já estavam em algum lugar, mas eu estava pouco me importando para isso.
Eu só queria estar ali.
Com ela.
Apressadamente, eu desci as mãos para o fecho de sua calça e o abri, descendo o zíper logo em seguida. Comecei a abaixar sua calça, olhando em seus olhos castanhos, que transmitiam um desejo imenso... Eu me abaixei, para beijá-lo logo acima da calcinha, ainda com os olhos fixos nela...
Eu abri os olhos rapidamente, ofegando, me matando por ter acordado antes de me lembrar de tudo. Ao meu lado, o despertador tocava freneticamente e eu suspirei pesadamente.
Levantei-me e segui até o quarto de Anthony. Ele estava acordado, embora permanecesse quieto. Eu o peguei e fiquei ali com ele por alguns minutos. Depois de alimentá-lo, segui até meu quarto, tomei banho e troquei de roupa. Assim que eu saí, a campainha tocou, e eu senti toda calma se esvair.
Bella havia chegado.
Bella POV.
Eu mal consegui dormir durante a noite. Mesmo tentando não pensar eu pensava. Pensava no que seria da minha vida se eu não tivesse o Anthony por perto. Se eu não tivesse Edward por perto. Porque eu sabia que sentia algo por ele. Sabia que era mais do que um carinho especial.
No dia seguinte, eu me arrumei e resolvi aparecer na casa de Edward no horário de sempre. Toquei a campainha e fiquei extremamente nervosa, esperando que ele abrisse.
- Oi, Bella.
Eu olhei para cima e desejei sair correndo dali. Edward me olhava de uma forma tão... fria. Eu senti meu coração se apertar e as lágrimas querendo vir, mas as controlei. Não podia chorar. Não agora.
Não na frente dele.
- Oi – sussurrei.
- Entre – disse, sério. – Eu preciso conversar com você.
Eu assenti e entrei na casa dele, tentando não me virar e pedir-lhe para ver Anthony. Edward apontou para o sofá e eu me sentei, respirando fundo.
- Pode falar.
- Bella – começou –, eu marquei o exame para amanhã.
Amanhã?
Tão rápido.
- E depois... Depois veremos o que iremos fazer.
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