Laços Sanguíneos
8 Capítulo Sete
Edward POV.
Eu não queria ser assim tão frio com Bella, mas não conseguia olhar para ela e não pensar em tudo o que tinha acontecido. Ela tinha mentido para mim. E, por mais que não tenha sido por maldade... Eu simplesmente não conseguia tratá-la bem depois de tudo.
E eu ainda tinha tanto a pensar; pensar em como tudo seria depois que o resultado do DNA saísse, pensar em como contaria a minha família, e, principalmente, como seria a minha relação com Bella quando tudo fosse esclarecido.
Relação? Que relação? Ela dissera não para mim, mentira – ou ocultara, tanto faz – algo tão importante para mim. E eu simplesmente não conseguia entender por que eu me sentia tão assim. Tudo bem que eu recebera uma notícia que nunca fora esperar, mas... eu conhecia Bella há apenas alguns meses. Seria possível que ela já fosse capaz de me fazer sentir-me assim?
Eu queria poder ser capaz de não sentir a raiva. Raiva por ter perdido os nove meses de gravidez, raiva por não ter estado presente em momentos tão difíceis, raiva por simplesmente sentir raiva. Eu tinha grande parcela de culpa nisso, mas não conseguia ser normal com Bella.
E isso me dava mais raiva ainda.
- Eu... – A voz de Bella tirou-me de meus devaneios e eu a olhei, vendo que ela se recusava a olhar para mim. – Eu posso ver nosso... meu filho?
Eu queria poder ser capaz de negar isso a ela, mas não podia. Eu podia ouvir e sentir o amor que cada palavra de Bella transbordava, e não podia tirar isso dela. Anthony era tanto filho dela quanto meu.
- Claro – respondi friamente. Percebi que isso magoou Bella, porque eu vi o modo que ela mordeu o lábio inferior.
Eu a apenas andei até o quarto de Anthony, sabendo que Bella estava atrás de mim. Recostei-me à porta e a vi adentrar o quarto.
Bella POV.
Eu sabia que Edward tinha o direito de me tratar dessa maneira. De certa forma, eu o enganei, fiz-o acreditar em uma coisa, disse não a ele, e, agora, eu simplesmente não sabia o que iria acontecer. Comigo, com ele e com Anthony.
Eu o segui, ansiosa, sentindo meu coração quase pular da boca, até o quarto de nosso bebê. Edward se recostou à porta e eu adentrei o quarto, andando até o berço.
Anthony estava acordado e brincava com um carrinho de pelúcia que ficava dentro do berço com ele. Seus olhos castanhos me olharam assim que me viu e ele abriu aquele sorriso banguela.
Meu coração se quebrou em mil pedacinhos só de pensar na possibilidade de Edward me proibir de estar presente na vida dele. Eu simplesmente não seria capaz de agüentar.
Anthony largou o carrinho, ainda sorrindo, e estendeu seus bracinhos gorduchos em minha direção. Eu o peguei cuidadosamente no colo, certa de que Edward nos observava. Não me importei; ele já sabia de tudo e eu tinha que aproveitar enquanto eu ainda podia ficar com meu filho.
- Oi, bebê – murmurei, sentindo que as lágrimas logo viriam. Eu não sabia como poderia evitá-las.
Anthony balbuciou alguma coisa e começou a brincar com os botões da roupa que eu usava. Eu fui até a poltrona que havia ali e me sentei, acariciando os cabelos de meu filho, sabendo que, futuramente, os cabelos dele ficariam da mesma tonalidade de Edward.
Eu respirei pesadamente e voltei meu olhar para Edward. Ele ainda estava nos observando, a expressão insondável.
Naquele momento, eu desejei poder ler a mente dele, nem que fosse por um minuto.
- Você... – hesitei. Seus olhos verdes penetrantes nunca se desviaram dos meus. – Você poderia, por favor, pegar uma mamadeira para Anthony?
Edward assentiu levemente, saindo do quarto. Eu tornei a olhar para Anthony e lhe sorri.
- Você tem os olhos da mamãe e do avô – sussurrei. – Mas seus cabelos são do papai, assim como o nariz e o formato dos olhos... De mim, você tem só a cor dos olhos e o formato da boca. Você vai ser tão lindo filho, e, aonde quer que eu esteja, eu sempre vou me lembrar de você.
Eu não podia me permitir pensar em nada disso agora, mas olhar para Anthony ali, imaginando-o crescer, falar sobre amigos, namoradas, ir para faculdade...
Saber que talvez eu não estivesse presente me matava.
E, então, Edward voltou com a mamadeira e a entregou para mim em silêncio. Eu alimentei Anthony, sorrindo e fazendo caretas para ele. Ele tomou tudo, e, quando terminou, bocejou.
- Isso, meu bem – sussurrei –, durma.
Em poucos minutos ele estava dormindo, então o levei de novo até o berço. Fiquei ali alguns minutos observando-o, certa de que eu também estava sendo observada. Respirei profundamente e me virei para Edward.
- Tenho que falar uma coisa com você – disse-me.
Eu assenti e o segui de novo até a sala, mas não me sentei. Eu simplesmente não conseguia me acalmar, manter-me sã e tudo o mais.
Eu só queria que tudo se resolvesse o quanto antes.
Edward POV.
Vê-la ali, tomando conta de nosso filho, com tanto amor e carinho, partiu-me o coração. Eu sabia que Bella estava com medo, mas não pude consolá-la.
Eu também estava.
- Temos que procurar outra babá – murmurei, assim que chegamos a sala. – Uma pessoa de confiança que possa tomar conta de Anthony.
Ela assentiu, ainda sem me olhar.
- Eu conheço uma pessoa – disse. – Ela iria cuidar de Anthony para mim. O nome dela é Bree, e, apesar de ser nova, era uma ótima pessoa. Eu posso pedir que ela venha até aqui se você quiser.
Eu a encarei, tentando tirar aquele sentimento de dentro de mim.
Eu não queria sentir tanta coisa.
- Mas, se preferir, pode ser alguém de sua confiança, se assim desejar.
Eu assenti.
Não era capaz de dizer mais nada naquele momento.
- Vou indo, então – suspirou. – Estarei aqui amanhã bem cedo.
Eu a vi sair pela porta querendo pedir que ela ficasse, porque eu sentia algo dentro de mim, querendo cuidar dela, protegê-la, amá-la...
Amá-la?
Fazia tanto tempo desde que eu me apaixonara pela última vez, e, mesmo assim, tinha sido uma paixonite.
Eu simplesmente não podia me permitir naquilo, porque não podia amar Bella.
Não podia.
Bella POV.
Edward não acreditava em mim.
Isso estava bem claro.
Ele nunca seria capaz de confiar em mim completamente.
E eu simplesmente não podia julgá-lo.
Acordei cedo no dia seguinte, arrumei-me e segui até a casa de Edward. Ele já estava ali, na porta, me esperando.
Anthony estava em seu colo, vestindo um macacão jeans azul, com uma camisa branca por baixo. Ele brincava com a gola da camisa de Edward, mas parou assim que me viu, sorrindo seu sorriso banguela.
- Vamos? – Edward indagou, sem me cumprimentar nem nada. Assenti, escondendo meus olhos dos seus, para que ele não visse como aquela atitude dele estava me magoando.
Ele prendeu Anthony na cadeirinha e lhe deu um brinquedo. Eu entrei no carro antes que Edward viesse abrir a porta para mim. Não queria que ele ficasse fazendo as coisas obrigatoriamente.
Não demorou muito para que chegássemos a clínica e todo o procedimento fosse feito. Eu me encolhi quando foi minha vez de retirar sangue.
E, quando acabou, tudo o que eu queria era receber logo o resultado.
Só que só ficaria pronto em sete dias.
Sete dias.
Sete dias longe de Anthony.
Era demais para mim.
_
Eu fiquei na casa de Edward durante a tarde, porque ele tinha que resolver alguns problemas dele. Ele me disse que chegaria a tempo de eu ir para a faculdade.
Eu não neguei.
Queria aproveitar todo e qualquer momento que eu teria com Anthony.
Eu estava com meu filho na sala, assistindo a TV, quando a campainha tocou. Estranhei isso, mas dei de ombros, levantando-me e indo ver quem era.
Era Esme.
- Oi, Bella – sorriu.
- Oi – murmurei, embora não conseguisse sorrir. Esme sabia de tudo já, fora ela quem me dera forças para contar tudo ao Edward, e eu simplesmente não podia fingir que tudo estava bem.
- Oi, meu netinho. – Ela pegou Anthony de meus braços e entrou. – Onde está o Edward?
- Ele saiu – suspirei.
- Você contou tudo a ele? – indagou-me sentando-se em uma poltrona, com Anthony ainda em seu colo.
- Contei – respirei fundo. – Eu volto para conversar com a senhora, Esme. Deixe-me só colocar o Anthony no berço.
Ela assentiu e me entregou o neto. Eu segui até o quarto dele e fiquei ali, com ele, até que ele adormeceu. Depois, voltei até a sala, e tornei a me sentar.
- Ele... – suspirei, deixando que as lágrimas que eu segurava por tanto tempo chegassem. – Ele pediu um exame de DNA, Esme. O resultado sai em sete dias, e eu não sei o que vai acontecer, porque Edward está tão frio, tão distante...
- Oh, Bella. Venha aqui, querida.
Eu deixei que ela me abraçasse, sentindo como nunca a dor de estar sozinha.
Porque eu tive que enfrentar a perda de meus pais sozinha, tive que enfrentar a gravidez de Anthony sozinha, e agora estava mais sozinha do que nunca.
E corria o risco de perder meu filho para sempre.
Esme ficou ali, me abraçando, enquanto eu chorava. Quando eu me acalmei, eu me separei dela, e ela sorriu para mim.
- Desculpe – murmurei.
- Você não está sozinha, Bella – disse-me, como se tivesse lido meus pensamentos. – Eu vou estar aqui com você, meu bem. E tenho certeza de que Alice também. E Edward, você vai ver. Ele só precisa de um tempo e ele verá que não pode viver assim para sempre.
Eu assenti, embora não tivesse muitas esperanças, porque eu simplesmente não conseguia acreditar que Edward um dia pudesse me perdoar.
Mas desejei com todas as forças, enquanto me despedia de Esme, que eu estivesse completamente errada.
Edward POV.
Assim que chegamos a minha casa, eu decidi que precisava pensar, e conversar com alguém, claro. Eu pedi a Bella que ficasse com Anthony e saí.
Fui até o hospital, mesmo estando de folga, sabendo que meu pai estaria lá. Eu segui até a sua sala, sabendo que a essa hora, provavelmente, ele estava em um intervalo.
- Pai... – murmurei, assim que abri a porta. Ele estava ali, como eu imaginava, e me olhou. – Podemos conversar?
- Claro, Edward – sorriu. – Entre.
Eu entrei e me sentei, olhando-o, hesitante.
- Qual é o problema? – perguntou-me gentilmente.
E eu simplesmente contei tudo, e em nenhum momento ele me interrompeu. Olhando-o, enquanto contava tudo, eu implorei que um dia fosse um pai tão bom para Anthony como meu pai sempre fora para mim.
Desejei que meu filho sentisse orgulho de mim, assim como eu sentia orgulho do meu pai.
- Eu não sei o que fazer, pai, eu não sei – admiti, olhando-o. – Eu estou assustado. Muito.
Carlisle se levantou e contornou a mesa. Ele se ajoelhou a minha frente, como costumava a fazer quando eu era pequeno, e sorriu.
- Siga seu coração – murmurou. – Independente do ódio, do rancor e de tudo o que estiver sentindo, pense na parte boa e siga o seu coração.
- Obrigado, pai – sussurrei. – Você não está decepcionado comigo? Por tudo isso ter acontecido? Eu sei que fui irresponsável, mas...
- Eu tenho orgulho de você, Edward – interrompeu-me. – E eu sei que você vai fazer a coisa certa. E nada vai mudar. Eu já considerava Anthony como neto. Agora... bom, eu só vou amá-lo, como iria fazer se ele ainda fosse apenas adotado por você.
Eu o abracei, dizendo-lhe através daquele gesto o que palavras eram incapazes de dizer.
Bella POV.
Uma semana depois, eu me encontrava na casa de Edward, esperando que ele voltasse do hospital. Estava com Anthony no colo, tentando me acalmar, mas a cada cinco segundos eu olhava para a porta.
Edward estava demorando muito.
E, então, ele chegou.
Tinha o mesmo semblante desde que eu lhe contara sobre Anthony. Frio e controlado. Ele só mudava quando olhava para Anthony.
- Anthony é nosso filho. – A voz dele me tirou de meus devaneios. – Eu já entrei com o pedido de reconhecimento legal disso e pedi a guarda dele também. Tudo agora vai se resolver.
Eu apenas assenti.
- E não vou proibi-la de ver o Anthony – continuou. – Você poderá vê-lo sempre que quiser.
Naquela noite, enquanto ia embora, Edward não dirigiu o olhar para mim.
E, então, deixando que as lágrimas caíssem de meus olhos, percebi que agora apenas os laços sanguíneos nos uniriam.
Sim.
Era isso.
Eu ainda o veria, participaria de sua vida, mas nunca participaria da de Edward.
Porque Anthony seria a única coisa que nos ligaria agora.
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