Laços Sanguíneos
5 Capítulo Quatro
Marks POV.
Dia 22 de dezembro de 2010.
Nos dias que se seguiram, eu me dediquei ao caso de Isabella Swan o máximo que pude. Sabia que seria difícil, mas não custava tentar. Eu tinha uma família também, e não conseguia me imaginar longe deles.
Então, dediquei-me o máximo que pude. Ia ao bar todos os dias, conversava com as pessoas do bar. Só que estava sendo extremamente difícil. Ninguém parecia se lembrar de algo que acontecera há dois anos e ninguém parecia conhecer ninguém chamado Anthony, nem mesmo sabiam se tinha alguém naquele bar que o tinha como segundo nome.
Estávamos quase no Natal e eu estava indo para o bar mais uma vez – prometendo a mim mesmo que seria minha última tentativa nesse ano. Eu apenas entrei no bar, sentei-me e pedi uma bebida qualquer.
Eu esperava pedir mais algumas informações para o dono do local novamente, quando vi três caras entrando e se sentando em uma mesa ao lado da minha.
Foi impossível não escutar a conversa deles, mesmo eu não querendo não prestar atenção; tudo o que me interessava era descobrir o pai do filho de Bella.
E, então, o cara mais alto, mais forte e com ar de criança riu alto.
- Olha só – zombou. – Edward Anthony Cullen está apaixonado.
Congelei.
Anthony.
Podia não ser nada, claro, mas... mas era a única pista que eu tinha naquele momento. Procurei manter a calma. Podia ser o cara que Bella procurava, mas podia não ser também...
Pensei por alguns minutos e depois me levantei, caminhando em direção a mesa deles.
- Boa noite. – Três pares de olhos se viraram para mim enquanto eu os cumprimentava formalmente.
- Boa noite. – Um cara loiro, alto, forte, disse, balançando a cabeça. – Podemos ajudá-lo em alguma coisa?
- Ah... – murmurei, tentando me lembrar de tudo o que eu tinha planejado. – Eu gostaria de saber se vocês freqüentam muito esse local, porque... bom, não costumo dizer isso, mas sou detetive e...
Os olhos do homem que tinha ar de criança brilharam e ele sorriu.
- Claro, sente-se – riu. – Eu sou Emmett Cullen, primo dele. – Ele apontou para um rapaz de cabelos em um tom estranho. – Ele se chama Edward. E esse aqui, loiro, é o Jasper, nosso amigo e cunhado.
Eu assenti.
- É a primeira vez de vocês aqui? – perguntei, tentando não parecer ansioso.
- Não. – O Emmett riu mais uma vez. – É a minha terceira ou quarta... Não me lembro. Mas é a primeira do Jasper aqui e é a segunda do Edward.
Aquilo me deu esperanças.
- Quando foi a última vez que vieram aqui?
- Hmmm... – murmurou Edward pela primeira vez. – Há pouco mais de dois anos, não é, Emmett? Eu não me lembro muito bem, para ser sincero. Viemos para uma despedida de solteiro de um amigo de Emmett, mas eu bebi muito.
Oh! Meu Deus!
- É – riu o Emmett novamente. – O Edward teve uma noite intensa com uma garota, mas no outro dia ele não se lembrava de nada. Apenas que gostara muito da noite com a garota. Ele tentou achá-la no dia seguinte, mas acordou na casa dos meus pais. Ele não sabe muito bem, apenas que saiu da casa da menina durante a madrugada.
Assenti.
Era bom demais para ser verdade acreditar que eu havia descoberto quem era o pai do Anthony.
- Nem venha, Emmett. – Edward revirou os olhos. – Não precisa entrar em detalhes, o senhor aqui provavelmente não quer saber de uma noitada...
- Bom, vocês vieram aqui antes? – perguntei, mais para fingir. – O caso que eu estou investigando ocorreu há cinco anos – menti.
- Ah, não. – Edward disse. – Eu só vim naquela noite mesmo e hoje, em ambas as vezes porque o Emmett insistiu muito.
- E eu não freqüentava aqui há cinco anos, cara – Emmett disse. – Desculpe.
Eu suspirei.
- Ok. – Olhei as horas. Eu precisava ligar para Bella. E logo. – Bom, obrigado, de qualquer forma. Preciso ir para casa. Amanhã continuo investigando.
Eles assentiram e eu me despedi. Agora que eu conseguira o nome do Edward, seria fácil conseguir pelo menos o endereço de sua casa. Eu não precisava saber mais da vida pessoal dele.
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Quando cheguei em casa, tentei me comunicar com Isabella, mas não consegui. Respirei fundo, me acalmei, e fui dormir.
No outro dia eu iria avisar a ela.
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Era noite, quando, finalmente, consegui um pouco de paz no trabalho e liguei para o celular da Isabella. Ela atendeu logo.
- Oi, detetive Marks. – Ela atendeu parecendo um pouco nervosa.
- Olá, senhorita Swan – disse. – Então, eu descobri. Foi mais fácil do que eu imaginei.
- Descobriu?...
- Descobri o nome do pai do seu filho.
Eu achei melhor dizer de uma vez. Não era o tipo de cara que ficava enrolando ao dar uma notícia a alguém.
- E qual é?
- Edward Anthony Cullen – informei. – Eu ainda vou descobrir o endereço dele, mas já descobri que ele é médico e trabalho...
- Deus! – sussurrou, interrompendo-me. – Eu... Eu o conheço.
- Conhece? – indaguei, confuso.
- Sim. – Sua voz não passava de um murmúrio. – Ele é meu chefe... Ele adotou o próprio filho... Será que ele sabe de alguma coisa?
- Não. Pelo que eu descobri, ele estava muito bêbado também.
- Ai, Deus. Obrigada, Sr. Marks. Eu vou olhar o que vou fazer e logo entro em contato com o senhor, para acertar o pagamento. Boas festas.
Nós nos despedimos e eu sorri um pouco.
Finalmente, ela poderia dar algum rumo a sua vida.
Edward POV.
Faltavam dois dias para o Natal. Eu consegui convencer Bella a passar o dia 24 e 25 conosco. E hoje, ela viria aqui, para me ajudar a organizar tudo. Eu havia pedido sua ajuda, mas, na verdade, era apenas uma desculpa; eu queria ficar perto dela.
Desde os nossos beijos, eu tinha a sensação de que a conhecia de algum lugar e me sentia bem com ela. Emmett e Jasper, na noite anterior, ao descobrirem isso, resolveram me arrastar para um bar. Todos os locais que costumávamos freqüentar – eu não mais, já que desde que começara o processo de adoção de Anthony, me tornara alguém mil vezes mais responsável do que eu já era – estavam cheios, então Emmett nos levou até um bar que ele mesmo havia me levado há pouco mais de dois anos, para uma despedida de solteiro de um amigo.
Eu não ia mais àquele bar desde aquela noite. Porque eu havia feito algo que nunca havia feito: ficado bêbado e ido para a cama com uma garota que eu mal me lembrava.
Eu tentei achá-la no dia seguinte, mostrar que não era aquele tipo de cara, mas eu não me lembrava de praticamente nada. Do endereço, que eu aparentemente tinha deixado no meio da madrugada, e nem das feições dela.
Achei estranho um detetive vir falar logo conosco, mas ignorei essa sensação. Fiquei muito pouco ali, depois que ele se despediu. Eu estava ansioso, porque queria ver Bella logo. Queria estar perto dela.
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Eu me encontrava ansioso, com Anthony no colo, esperando Bella, que a qualquer momento chegaria.
Anthony estava inquieto em meu colo e eu sorri para ele. Ele já estava com cinco meses e simplesmente estava cada dia mais lindo.
- Logo a Bella chega, garotão – ri. – Eu sei que você também gosta dela. Ela daria uma ótima mamãe, não é?
Ele apenas balbuciou, achando o botão de minha camisa muito interessante.
- Sabe, filho – murmurei –, queria ajudar a Bella a achar o filho dela... Sei que isso a faria feliz... Você acha que, um dia, futuramente, ela aceitaria ser sua mamãe também? Eu não vejo problemas em ser papai do filho dela...
Fui interrompido de minha ‘conversa’ com meu filho quando a campainha tocou. Eu estava sozinho; era noite e a empregada havia ido embora. Eu tinha pedido Bella para vir aqui para me ajudar a escolher a roupa de Anthony do Natal.
Uma desculpa ridícula, mas era a melhor que eu pude inventar.
Quando abri a porta, sorri um sorriso enorme, mas Bella não sorriu. Ela apenas me cumprimentou timidamente. Anthony abriu o sorriso banguela ao vê-la e rapidamente Bella o pegou nos braços.
- Edward... – disse, meio hesitante. – Eu vou separar a roupa de amanhã e depois de Anthony, ok? Eu tenho um compromisso agora... E talvez amanhã eu não possa vir.
- Como assim? – sussurrei. Eu não tinha o direito de cobrar nada dela, embora já estivesse bastante envolvido. Queria mais do que nunca tentar ter algo com ela e esperava profundamente que os beijos que havíamos trocado não tivessem passado de beijos para ela.
- Hmmm... – murmurou. – Eu recebi umas pistas...
- Sobre seu filho? – perguntei, esperançoso.
Ela assentiu, apenas.
Eu não procurei insistir muito, mesmo estando com a sensação de que Bella ocultava algo e/ou mentia para mim. Ela deixou as roupinhas do primeiro natal do Anthony separado e se despediu da gente, partindo rapidamente.
Eu procurei entender que ela tinha que procurar o filho, mas permaneci um pouco mal-humorado no resto da noite.
Depois de dar uma mamadeira para Anthony e colocá-lo para dormir, eu, fui, finalmente, para a cama e me permiti pensar mais uma vez nos lábios de Bella...
Eu estava em um local onde nunca havia estado antes. Era um local pequeno. Eu estava em uma sala que era conjunta com a copa, e a cozinha era separada por uma bancada.
Minha cabeça rodava muito e eu ria de alguma coisa idiota, sem ter noção do que estava fazendo ali. Ri ainda mais ao ouvir uma risada – conhecida – de uma mulher, e quando me virei, era Bella ali.
Ela estava com os cabelos castanhos um pouco mais curtos e parecia bêbada também.
Ela se virou para mim e o riso foi morrendo.
Quando dei por mim, estávamos nos beijando sofregamente.
- Droga! – murmurei, abrindo os olhos.
Eu nem conseguia acreditar que havia tido um sonho daquele com Bella.
Antes que eu pudesse pensar em qualquer outra coisa, um choro vindo da babá eletrônica tirou-me de meus devaneios. Eu respirei fundo, balançando a cabeça, e me levantei, indo em direção ao quarto do meu filho.
Por que diabos eu tinha que ter sonhado com Bella?
Bella POV.
Eu deveria contar para Edward, criar coragem, mas não era fácil, pelo contrário, era extremamente difícil.
Eu tive que mentir para ele, quando, na verdade, eu queria sair daquela casa o mais rápido possível. Não porque queria ficar longe do nosso – pensar em nosso me assustava muito – filho, mas porque eu não me sentia capaz de esconder isso do Edward por muito tempo.
Era assustador, temeroso.
Eu estava sozinha nisso.
E não tinha a mínima ideia do que fazer.
Cogitei, seriamente, no outro dia, não ir a pequena comemoração que teria na casa de Edward, mas só de imaginar meu Anthony ali, vendo a árvore de Natal, as decorações, ouvir aquelas músicas. Era o primeiro natal do meu filho e eu não podia, de maneira alguma, perder.
Por fim, tomei banho, me arrumei e suspirei. Os presentes seriam entregues no almoço que teria – na casa de Carlisle e Esme dessa vez – no dia 25, então, eu peguei apenas minha bolsa, e fui.
Eu acho que Edward não me esperava, porque ele pareceu um pouco surpreso quando Alice abriu a porta de sua casa e eu entrei, sorrindo ao ver Anthony com o macacão azul que eu escolhera para ele. Eu realmente não havia entendido porque Edward pedira minha opinião, já que ele tinha Alice, mas resolvi não questionar.
Eu cumprimentei Edward, fugindo do seu abraço o mais rápido que pude, e já indo em direção a Rose e Emmett. Emmett era primo de Edward, mas seus pais haviam falecido quando ele era criança, então quem o criou foram Carlisle e Esme.
Esme e Carlisle ainda não haviam chegado, então, ficamos ali. Todos estavam conversando, mas eu preferi ficar quieta, lembrando-me de como as noites seriam se meus pais tivessem aqui. Eu sentia falta deles.
Depois que os pais de Edward chegaram, nós fomos a ceia. Esme conversava bastante comigo e eu me sentia bem com ela. De alguma forma, ela me lembrava a minha mãe, e era impossível não rir do modo que ela falava ao se lembrar de histórias de seus filhos bebês. Eu me emocionei com isso; sabia que no futuro, independente do que acontecesse, sempre me lembraria de Anthony e teria exatamente essa mesma saudade que Esme dizia ter. Anthony estava crescendo muito rápido.
- Aproveite, Edward – Esme riu. – Logo seu filho estará indo para a escola, faculdade, vai se casar, e aí você vai entender o que estou falando.
Eu já imaginava isso, e fiquei imaginando pelo resto do jantar, até que simplesmente, quando todos conversavam animadamente na sala, pedi licença e fui até a varanda. Eu precisava ficar sozinha.
E se eu não tivesse presente no futuro de Anthony? E se Edward não permitisse, quando descobrisse?
Ele ia me odiar, eu tinha certeza absoluta disso.
- Bella... – A voz de Edward tirou-me de meus devaneios e eu respirei fundo, procurando me acalmar. – Algum problema?
- Não – menti. – Apenas... pistas falsas com relação ao meu filho.
- Eu sinto muito – murmurou.
- Eu também. – Sinto muito por ter que mentir para você, por ter que ocultar isso de você, mas eu simplesmente não posso te contar. Você não iria entender.
Eu fiquei pensando nisso, pensando no que aconteceria se essas palavras não tivessem passado de um pensamento. Respirei fundo e me virei, pronta para voltar para a sala, mas a mão de Edward em meu braço me impediu de sair.
- Bella – murmurou. – Você está meio distante de mim... Não acho que seja só por causa dessa pista... Bella, eu... você ficou assim por causa do beijo?
- Edward, eu...
- Eu sei que nunca havia demonstrado nenhum interesse. – Cortou-me. – Mas ao te ver ali... Eu simplesmente não pude pensar em mais nada. Eu tinha que te beijar...
- Edward, por favor – sussurrei.
- É por que você não está pronta? Eu posso esperar. Eu quero me envolver com você, Bella, eu gosto de você... Eu... Eu quero que, depois que você encontrar seu filho, sejamos uma família.
Eu fechei os olhos e suspirei pesadamente. Eu queria chorar. Mas não podia ser ali. Perto de Edward, perto da família dele, perto de nosso filho.
- Eu não posso agora – sussurrei, sem entender porque essas palavras pareciam acabar comigo. – Eu sinto muito, mas tenho que resolver algumas coisas primeiro.
Tenho que criar coragem de te contar tudo primeiro, Edward. E, se quando descobrir tudo, você não me odiar, podemos ficar juntos... Porque eu também quero tentar.
Ele assentiu, e eu não me permiti olhar muito tempo em seus olhos. Eu podia ver a dor ali e me odiei por isso. Ele iria me odiar. Iria. Eu sabia que iria.
- Eu sinto muito – sussurrei mais uma vez. Sem suportar ficar ali, eu voltei para a sala, despedi-me rapidamente de todos – dando um beijo carinhoso em Anthony antes, sem saber quantos dias perto dele me restavam – e fui para casa.
Eu estava sozinha, sem saber o que fazer, sem saber com quem conversar.
A solidão nunca doeu tanto.
-xx-
n/a: Nem acredito *suspira* Eu cheguei a pensar que nunca conseguiria terminar esse capítulo, porque tudo parecia dar errado ¬¬. Na semana passada, eu fiquei em Belo Horizonte, então não pude adiantar esse capítulo como queria. Quando cheguei em casa no domingo, descobri que meu monitor não queria ligar... Enfim, quem lê a Innocence sabe que meu PC teve que ser formatado e tal, então fiquei sem ele até essa sexta. Postei na Inn rapidamente porque eu já tinha o capítulo pronto... Eu pretendia escrever esse capítulo na sexta a noite e postar no sábado, mas por alguma ironia do destino, meu teclado estava uma coisa u.u. E usar teclado virtual é um saco. Só consegui resolver a situação hoje, então, desculpem pela demora.
Enfim, agora falando do capítulo. Não julguem a Bella, coitada :/ Ela está assustada e está sozinha, mas não se preocupem que isso logo vai mudar ;)
Espero que tenham gostado desse capítulo.
E gostaria de agradecer a LauraCullen pela capa. Obrigada, flor! :}
Ah, antes de me despedir, gostaria de pedir a vocês, leitores da Full Circle, que votem nela. Ela está concorrendo a melhor drama e eu simplesmente ficaria muito feliz e honrada se ela ganhasse. Aqui está o link: https://docs.google.com/View?id=dhjz4hs_10cvhrzfht
Acho que por hoje é só.
Beijo, beijo e até o próximo :*
Deh C.
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