Bella POV.


Eu realmente pensei em não ir a casa dos pais de Edward no dia seguinte, mas o Anthony iria receber seus presentes – embora ainda não fosse entender tudo isso – e eu queria estar presente nesse momento, porque, simplesmente, o futuro era incerto.

Não conseguia me esquecer da expressão de Edward quando eu disse aquilo para ele... Eu não conseguia – na verdade, eu não podia – nem imaginar como seria quando ele descobrisse toda a verdade.

Eu tinha que contar.

E não podia demorar muito.

Procurei me acalmar no banho e enquanto escolhia uma roupa. Depois de pronta, segui para meu carro e dirigi até o endereço que Edward havia me passado; a casa dos pais dele.

É claro que a casa era enorme, mais para uma mansão que para uma casa mesmo. Foi Esme quem atendeu a porta, sorrindo assim que me viu.

- Bella! – riu. – Feliz Natal.

- Feliz Natal – sorri também, já escutando as risadinhas de Anthony.

Mas meu sorriso morreu assim que eu vi Edward. Ele estava sorrindo, vendo o nosso filho todo animado olhando para os presentes – embora não entendesse exatamente o que aquilo era. Só que seu sorriso morreu assim que ele me viu. Eu apenas acenei para ele, um pouco envergonhada, e rapidamente comecei a cumprimentar os outros.

Nós concordamos em almoçarmos primeiro e depois olharíamos os presentes. Eu me peguei enrolando, fingindo que comia, e podia notar os olhares de Esme e Edward em mim.

Depois do almoço, todos foram abrir os presentes. Eu coloquei os que comprei para todos na árvore e me afastei; todos estavam animados para abrir os presentes de Anthony primeiro.

Não agüentei ficar ali, quando vi meu filho olhando para os presentes, tentando entender o que era aquilo. Calmamente, sem que ninguém me visse, segui até a varanda e me permiti ficar ali.

Eu sabia que o quanto antes teria que contar tudo a família Cullen – principalmente ao Edward. Eles não mereciam que eu escondesse isso deles. Eu sabia que eles amavam o Anthony, mesmo pensando que ele não tinha o sangue Cullen. E eu ficava imaginando como eles ficariam quando descobrissem a verdade.

- Oi, Bella.

Eu me assustei, virando-me. Esme olhava para mim e sorria.

- Ah, desculpe – murmurei. – Eu só estava pensando.

- Sem problemas, querida. – Ela riu. – Podemos conversar?

Eu a olhei, sem entender, mas assenti. Passamos pela sala – todos ainda abriam os presentes de Anthony e não prestaram atenção em nós.

Esme me levou até o escritório e indicou uma poltrona para eu me sentar. Ela se sentou na outra, ainda sorrindo.

- Um dia desses – começou – eu encontrei Edward pensativo e perguntei a ele o que tinha acontecido. Ele não quis me dizer no começo, mas eu conheço meus filhos, todos eles. Sei quando algo está errado. E ele me disse. Disse-me que você procurava pelo seu filho...

Eu assenti, dando a entender que ela podia continuar. Não conseguia captar o que Esme estava querendo dizer com aquilo.

- Então, eu pensei em muitas coisas, Bella – sorriu. – Principalmente no fato de que, embora pareça loucura, Anthony tenha diversos traços seus... E, por mais incrível que pareça, do Edward.

Eu congelei.

Esme descobrira.

E agora?

- Eu observei fotos de quando Edward era pequeno – começou –, só que parecia loucura, então deixei isso para lá durante alguns dias... Até ele me dizer isso, que você estava procurando por seu filho.

“Eu não estou aqui para te julgar, Bella. Eu sou mãe e seria capaz de qualquer coisa para e por meus filhos. Só peço que me responda com sinceridade... O Anthony é seu filho com Edward? Eu sei que parece loucura, porque o Edward não parece se lembrar de você de algum lugar e nem você...”

Eu respirei fundo. Durante todos esses três anos – desde a morte de meus pais – eu estive sozinha, e, agora, pela primeira vez, eu parecia ter alguém para contar, alguém para conversar.

Eu olhei nos olhos de Esme e vi a sinceridade ali. Poderia parecer loucura, mas eu senti que poderia confiar nela. Então, suspirei pesadamente e assenti.

- Eu... – murmurei, pensando no que poderia dizer. – Eu não sabia que o Edward era o pai, Esme. Descobri tem poucos dias...

- Você pode me explicar um pouco, Bella? – indagou.

- Sim – suspirei. – Bom, meus pais faleceram há três anos. No aniversário de um ano de morte deles, eu segui até um bar, e fiquei ali, bebendo. Não sei dizer o que aconteceu direito, mas eu sei que passei a noite com alguém... Eu nunca tinha feito isso antes, Esme... Quando acordei no dia seguinte, já não havia mais ninguém ali.

“Eu decidi seguir com a vida, e teria seguido com ela normalmente, se, um mês depois, não descobrisse que estava grávida. Eu tentei achar o pai do meu filho, mas eu não me lembrava de praticamente nada. Apenas alguns flashes... E não me lembrava das feições também... Só me lembrava que o pai tinha ‘Anthony’ no nome.”

- Entendo – assentiu. – Continue, Bella.

- Eu não tenho parente em lugar nenhum, Esme. Meus pais eram filhos únicos e tudo o mais... Eu fazia faculdade e continuei estudando durante a gravidez. Anthony nasceu em julho, eu estava de férias e tudo o mais.

“Eu não tinha condições de criá-lo e tal, então resolvi deixá-lo um tempo em um orfanato, por mais que doesse em mim. Eu o via frequentemente, porque simplesmente morria de saudades dele. Um dia, estava indo buscá-lo, definitivamente. Eu tinha arrumado um emprego, uma babá... Só que a irmã que sabia da minha história falecera e o Anthony foi adotado.

“Eu sei que você deve pensar que só vim aqui me aproveitar da bondade do seu filho, Esme, mas tudo o que quero é poder ter um pouco de Anthony comigo. Eu sei que aqui ele vais ser bem cuidado, vai ser amado... Vocês vão poder cuidar dele, caso algo aconteça com ele.”

- Bella... Eu nunca pensei que você pudesse estar se aproveitando. Eu só queria conversar com você, querida.

- Eu estou tão confusa – confessei. – Eu não sei o que fazer. Não sei como contar para o Edward. Ele vai me odiar, Esme. E eu tenho medo. Medo de que ele me afaste de Anthony... Eu só quero o bem do meu filho.

- Vai dar tudo certo, Bella. Você só não pode esconder isso por muito tempo. Edward tem direito de saber.

- Eu sei. Eu só...

- Eu sei, meu bem – riu. – Olha, vamos deixar passar esse fim de ano, você pensa com calma, e, qualquer coisa, qualquer coisa mesmo, você pode contar comigo, ok?

Ela se levantou e me deu um abraço. Eu sorri.

- Obrigada, Esme.

_

Eu me despedi de todos pouco tempo depois. Dei um beijo em Anthony, sentindo seu cheirinho de bebê e procurei conter as lágrimas. Agora eu só o veria depois ano Ano Novo.

Segui para casa pensando em tudo o que Esme havia me dito. Eu sabia que Edward tinha o direito de saber, e eu tinha que conter. Não poderia fugir para sempre.

Só que eu realmente tinha medo.

Medo da reação dele, medo de que ele me afastasse de meu filho.

Por fim, decidi que usaria esses dias para pensar.

De alguma forma, eu sabia que não poderia esconder de Edward por muito tempo.

Uma hora ou outra eu teria que contar.

Edward POV.

Eu cheguei em casa completamente exausto, pensando no que acontecera hoje. Anthony dormia pesadamente em meus braços. Eu sorri para seu semblante adormecido e o levei até o quarto. Troquei sua roupa rapidamente e o coloquei no berço. Depois de pegar a babá eletrônica, segui para meu quarto e respirei fundo.

Bella não olhou muito para mim, embora meus olhos não conseguissem desviar dela por muito tempo. Ela e minha mãe sumiram por alguns instantes, e eu quis muito saber o que as duas podiam ter conversado.

Fui tomar banho, sem conseguir me esquecer de tudo o que Bella havia me dito.

Eu queria tentar ter algo com ela, mas teria que esperar, por mais que isso doesse em mim.

Deitei na cama, respirei fundo, e me procurei dormir...

As mãos de Bella foram rapidamente até meu cabelo, bagunçando-o ao mesmo tempo em que me puxava para si. Eu movi minhas mãos até sua cintura, acariciando, e sorri quando ouvi um gemido bem baixo.

Antes que eu pudesse me dar conta, eu estava me deitando sobre ela, no tapete daquela sala. Bella riu e eu também, sem conseguir me concentrar em outra coisa a não ser ela.

Olhando em seus olhos, retirei a blusa lentamente, arrancando suspiros de Bella. Eu me aproximei para beijá-la novamente...

Eu abri os olhos rapidamente, sentindo minha cabeça doer um pouco. Estava amanhecendo, ainda era cedo, mas eu sabia que não iria conseguir dormir mais.

Levantei-me, tentando entender porque eu estava sonhando isso com Bella. Eu iria respeitar seu espaço, eu iria respeitá-la.

Ouvi um resmungo vindo da babá eletrônica e me levantei. Era hora de alimentar Anthony.

_

Os dias se passaram e o Ano Novo foi bem simples. Hoje era dia primeiro de janeiro. Eu voltaria a trabalhar amanhã, e, agora, estava sentado no sofá, com Anthony no colo.

A qualquer momento, Bella chegaria.

Quando a campainha tocou, eu me levantei de um pulo, correndo e abrindo a porta.

E ali estava ela.

Linda.

Como sempre.

Bella POV.

If Eyes Could Speak – Devon Werkheiser

Era hoje.

Eu tinha decidido que hoje iria contar tudo para o Edward.

Passei todos esses dias pensando e decidi que não poderia mais adiar.

Ficando perto de mim,

perto o suficiente para alcançar a hora perfeita para dizer para ela

Mas eu não consigo nem juntar as palavras

Olhos que conseguem penetrar no meu disfarce

Você não consegue ver que estou me escondendo?

Mais cedo ou mais tarde, eu teria que abrir o jogo.

Então, levantei naquele dia decidida – por mais que estivesse com medo. Eu não sabia se Edward iria me proibir de ver Anthony.

Dirigi até sua casa, respirando fundo e procurando me acalmar.

O que eu estou com medo de encontrar?

Eu sei o que estou pensando

Mas as palavras não saem

Quando Edward abriu a porta de sua casa, com Anthony no colo, eu o olhei, esperando que, com o olhar, ele pudesse entender tudo o que eu queria dizer.

- Oi – murmurei, incerta.

- Oi, Bella.

Eu me virei para Anthony e o peguei no colo, abraçando-o apertado. Depois, entramos e eu suspirei.

De hoje não podia passar.

Se os olhos pudessem falar

Um olhar diria tudo

Sobre o jeito como você sorri,

O jeito como você dá risada

O jeito como você se veste,

O jeito como sua beleza me deixa sem ar

- Algum problema, Bella? – Edward indagou.

- Não. – Tentei sorrir. – Vou preparar a mamadeira de Anthony.

Eu iria contar tudo para ele no final do dia. Assim, eu poderia aproveitar o Anthony – nem que fosse por uma última vez.

Se os olhos pudessem falar

Eu não teria que conversar

Eu não conseguia imaginar-me longe do meu filho, sem vê-lo, saber que ele estava bem.

E isso me matava.

Porque eu o amava demais, amava muito, e se estava aqui, era por ele, somente para que ele tivesse uma vida melhor.

E ele sempre teria Edward, independente de qualquer coisa.

Aqui vamos nós, tentado fingir a minha mão tremendo

O modo como ela está hoje à noite não ajuda

Minha visão está ficando turva, preciso acalmar meus nervos,

é agora ou nunca

Só tem um jeito de conseguir a resposta

Procurei aproveitar cada minuto.

Enquanto dava banho no Anthony, sorrindo enquanto ele batia suas mãozinhas fechadas em punhos na água. Sorrindo, enquanto vestia sua roupa e ele olhava atentamente para mim, como se quisesse dizer alguma coisa.

- Pronto – murmurei, depois de vestir sua roupinha.

Eu sei o que dizer para ela

Mas as palavras não saem

Enquanto o alimentava, vendo aqueles olhinhos castanhos me observavam, enquanto puxava o bico da mamadeira.

E o sorriso banguela que ele deu quando terminou...

Era de partir o coração pensar que talvez aquela fosse a última vez que eu iria vê-lo.

Se os olhos pudessem falar

Um olhar diria tudo

Sobre o jeito como você sorri,

O jeito como você dá risada

O jeito como você se veste,

O jeito como sua beleza me deixa sem ar

Talvez eu não estaria aqui quando ele completasse seis meses e fosse se alimentar de comida pela primeira vez. Não estaria por perto quando ele engatinhasse, quando dissesse sua primeira palavra, quando andasse...

Eu perderia, talvez, tudo isso.

Só dependia de Edward.

Se os olhos pudessem falar

Eu não teria que conversar

Por fim, o final do dia foi chegando, e Anthony adormeceu. Edward estava no banho, e eu aproveitei para abraço bem forte, tentando controlar as lágrimas.

- Mamãe te ama – murmurei, baixinho, minha voz embargada. – Sempre vou te amar, meu bem, sempre.

Olhei-o uma última vez e levei a babá eletrônica até a sala, onde me sentei, ficando a espera de Edward.

Talvez eu consiga finalmente cuidar de nós

Finalmente entender a mente das pessoas nervosas

E lhe dizer as coisas que eu não consigo dizer

E baby, eu olharia nos seus olhos

E talvez você finalmente perceberia

Que palavras são apenas palavras de qualquer jeito.

Ele desceu alguns minutos depois e sorriu.

- Edward – suspirei –, podemos conversar?

- Claro, Bella – sorriu. Ele se sentou na poltrona a minha frente. – Pode falar.

- Eu peço que escute tudo, ok? – Ele assentiu.

Respirei fundo.

Se os olhos pudessem falar

Um olhar diria tudo

Sobre o jeito como você sorri,

O jeito como você dá risada

O jeito como você se veste,

O jeito como sua beleza me deixa sem ar

Se os olhos pudessem falar

Eu não teria que conversar

- Não sei bem como aconteceu – murmurei. – O detetive que contratei não entrou em detalhe, mas ele descobriu quem é o pai do meu filho. – Não levantei os olhos; eu sabia que Edward estava me encarando, surpreso. – Eu já sabia onde meu filho estava, Edward. Eu só queria saber quem era o pai dele.

“Eu estava bêbada na noite que transei com o pai de meu filho. Eu acordei sozinha no dia seguinte e simplesmente não me lembrava de quase nada.”

Eu lhe diria tudo sobre

O jeito como você sorri,

O jeito como você dá risada

O jeito como você se veste,

O jeito como sua beleza me deixa sem ar

- Bella, que bom – sorriu. – Você vai poder ter seu filho.

- Eu... – murmurei. – Você vai me odiar, Edward.

- Por quê? – perguntou, confuso. – Eu não tenho motivos para te odiar, Bella, pelo contrário.

Se os olhos pudessem falar

Eu não teria que conversar

- Acontece... – hesitei. – Acontece que eu sou a mãe de Anthony... E... E você é o pai.

Notas finais
n/a: Oi, povo! Nem consigo acreditar que finalmente terminei esse capítulo! *-* E que a Bella contou para o Edward. Provavelmente, vocês vão me matar por terminar nessa parte, mas relaxem, vou tentar postar rápido. Tudo depende de quando minha internet for instalada de novo e tudo o mais. Espero que gostem do capítulo, amores. Ah, eu sei que estou demorando para responder os reviews, mas é que essa semana está corrida T.T. Assim que der, eu os responderei, ok? Beijo, beijo, Deh C.