Laços Inquebráveis
17 Capítulo 17 — Brincando Na Chuva
O aroma de comida se espalhou por toda a casa. O som das suas vozes mostrou à Makena onde encontrá-los. Não perceberam sua chegada, estavam todos concentrados nas atividades culinárias. Emmett provou a sopa de brócolis com queijo cheddar ao desligar o fogo. Deixou o talher na pia, com uma expressão de satisfação no rosto.
Rosalie mostrou a Luna como adicionar os bisquets na bandeja, forrada com guardanapo em xadrez azul e branco. A menina estava ajoelhada na banqueta e fez exatamente como foi explicado. Quando ela concluiu, tocou de leve na pontinha de seu nariz. A criança parecia contente ao seu lado.
O monstro da raiva quis despertar em Makena. No entanto, a voz de seu pai o fez permanecer no poço escuro onde cultivaram toda raiva e ciúmes, alimentados, em sua maior parte, por mentiras.
— Você está aí. — Sorriu para ela.
Luna virou o rosto para olhar a irmã no limiar da porta. Rosalie olhou, de canto de olho, na mesma direção.
— Está com fome? — ele tentou. — Estamos terminando aqui. Rose e Luna fizeram os pãezinhos de que gostamos tanto. Pode levar os guardanapos, esqueci de levá-los quando arrumei a mesa.
Makena se aproximou em silêncio.
— Onde estão os guardanapos? — solicitou.
— Aqui. — Ele os alcançou na ilha, perto do braço da esposa, e passou para a filha sobre a bancada. — Hoje, quem preparou tudo foi Rose, Luna e eu fomos os ajudantes. Amanhã é minha vez de cozinhar, então você pode ser minha ajudante. Quer fazer isso, ajudar o papai a preparar nosso jantar?
Makena confirmou, balançando a cabeça.
— Ótimo! — Ele sorriu. — Vamos preparar algo saboroso. Podemos aceitar mais ajuda? O que acha?
— Não quero. — Ela não esperou a resposta, virou as costas, indo deixar os guardanapos na mesa de jantar.
O olhar de Emmett para Rosalie foi como um pedido de desculpas.
— Tudo bem. Vai ser bom para ela um momento na cozinha com o pai.
Emmett deu a volta em torno da ilha e pegou Luna no colo.
— Quem está com fome?
— Luna — a criança respondeu.
Rosalie cutucou sua barriga de forma brincalhona.
— É mesmo? E o quanto é essa fome? Pequena ou grande?
— Um pouco gande.
— Sério?
— Uhun.
— Leve essa criança para a mesa logo, papai — brincou Rosalie.
— Não podemos esperar mais. — Ele entrou na brincadeira. Beijou no rosto dela e a colocou no chão.
Luna correu para a sala de jantar. Subiu na cadeira onde ficava o assento de elevação e se acomodou.
Makena a observou. Antes que tivesse a chance de dizer algo, Emmett se aproximou trazendo a sopa. Logo atrás dele, Rosalie com a cesta de bisquets e suco de uva para as crianças, para eles, uma garrafa de vinho.
— Quero que jante conosco à mesa. — Ele pediu a Makena. Como demorou em responder, insistiu: — Por favor.
Ela meneou finalmente a cabeça, concordando. Em seguida, ocupou o lugar ao lado da irmã.
A expressão no rosto de Rosalie revelou surpresa em vê-la sentar à mesa com eles. O olhar cruzou com o do marido, uma comunicação silenciosa, dizendo ao outro que estava indo tudo bem naquele momento.
Mais tarde, quando se preparavam para dormir, Emmett encontrou Rosalie no corredor ao lado da porta do quarto das meninas. Parou, levando a mão ao braço dela.
— Tudo bem?
— Sim. — Olhou a mão dele, na sequência, pôs a sua por cima. — Estou esperando por Luna. Ela foi pegar a pelúcia.
Ele inclinou a cabeça na direção da porta, com desânimo.
— Logo Luna terá um quarto só para ela. Assim, poderá entrar e sair sempre que quiser, porque é claro que quer você ao lado dela.
Ela anuiu, embora seus olhos tenham mostrado preocupação.
— Vai dar tudo certo.
— Vai dar tudo certo. — Rosalie repetiu a fala dele, como quisesse convencer a si mesma.
— Vou dar um beijo de boa noite em Makena, já te encontro.
Outra vez, ela anuiu.
Emmett viu Luna beijar a foto de Aurora no porta-retratos ao lado da cama da irmã após pegar a pelúcia. Ela passou por ele, sacudindo o coala. O rosto de Rosalie se iluminou ao vê-la sair.
— Irei até vocês em breve — disse e entrou no quarto.
— Encontrou o senhor Coala? — comentou Rosalie.
— Ele tem um nome agola.
— Como ele se chama?
— Bolota.
O sorriso desenhou seus lábios.
— Deu a ele o nome de Bolota?
— Sim. Igual à sua pelúcia de cando quiança.
— Igual à pelúcia de quando eu era criança?
— Sim.
— Você lembrou do que te contei quando chegou aqui.
— Luna lembou, sim.
— Coisa linda. — Ofereceu a mão à menina. — Vem! O que você prefere ouvir? Uma canção ou uma história?
— Luna gosta de canção e de histólias. Gosta dos dois.
— Eu também gosto das duas coisas. Às vezes é difícil escolher, não é?
Luna balançou a cabeça, positivamente.
— Sim.
Makena guardou o tablet ao ver o pai chegar. Emmett se aproximou da cama e lhe deu um beijo na testa.
— Muito bem. — Ele fechou a gaveta da mesinha de cabeceira onde ela guardou o tablet. — Estou feliz por você aceitar se sentar à mesa conosco hoje.
Makena anuiu.
— Quer que eu leia um pouco para você?
— Quero.
— Escolha o livro.
Makena se levantou. Ele ficou olhando-a entrar no closet e voltar com um livro de capa amarrotada, reconheceu na mesma hora. O coração apertou com culpa e arrependimento.
— O Pequeno Príncipe, de Antoine de Saint-Exupéry.
— Você nunca terminou de ler ele para mim, papai.
Emmett abriu os braços. Makena o abraçou, sem soltar o livro.
— Você nunca chegou na última página?
Ela negou, movendo a cabeça.
— Li várias vezes, mas sempre parava no mesmo ponto onde você parou. Não conseguia ir adiante.
Ele segurou o rosto da menina entre as mãos, e lhe beijou a testa.
— Precisamos terminar. — Puxou o cobertor para ela voltar para a cama.
Makena se acomodou embaixo do cobertor. Emmett sentou ao seu lado, apoiando as costas na cabeceira da cama. Olhou o livro nas mãos, com os olhos cheios de lágrimas.
— Você marcou o ponto onde paramos? — O coração apertou por ter de fazer a pergunta.
A menina levantou a cabeça, segurou o livro, folheando as páginas até encontrar a marcação em lilás. Emmett se sentiu o pior pai do mundo, ao ler o que a criança escreveu nas bordas da página onde a leitura foi interrompida por tanto tempo. “Papai. Esperar o papai. Não leia sem o papai. Ele prometeu voltar. Por que o papai não vem? Ele nunca mais voltou. O papai não me ama mais.”
— Minha demora tem perdão? — Seus olhos encontraram os da menina, que também sentiu os olhos marejarem.
— Papai… — murmurou.
Ele afagou seus cabelos e deu um beijo no alto da cabeça. Retomar a leitura daquele livro, tanto tempo depois, fez reviver memórias felizes entre pai e filha. Mas também lhe causou uma dor muito grande.
Na suíte do casal, Rosalie abraçou Luna, cantando baixinho para ela dormir. Os dedos da menina enroscaram-se em seus cabelos e os olhinhos a olhavam com ternura e confiança.
Pela manhã, Emmett estava ao lado das duas na cama. Cansada demais, Rosalie não viu quando retornou.
— Bom dia — desejou, observando-a despertar.
— Bom dia — respondeu de volta, passando a mão no rosto. Olhou Luna juntinho de seu corpo.
— Fiquei com pena de tirá-la de seus braços. Ela estava tão confortável com você. As duas dormiam tão bem.
Ela afagou o rosto da menina.
— Não tem problema. — Afagou também o rosto do marido. — Ela se parece tanto com você.
— E eu nem sabia da existência dela. O quão injusto isso pode ser? Não merecíamos conviver com algo assim.
Rosalie voltou a acariciar o rosto da menina.
— Quando olho para Luna, sinto que algo em meu coração já não é o mesmo.
— Gostaria que Makena pudesse receber também um pouco desse amor e carinho. Iria fazer bem a ela. A falta que sente da mãe é muito grande. Há momentos em que sinto que a dor a sufoca.
— Estou tentando… Makena não me permite aproximação.
Ele sentou-se na cama. Olhou uma vez mais para ambas. Na sequência, se levantou.
— Mesmo comigo tem sido difícil. — Deu dois passos, parou e olhou para trás. — Se Luna se parecesse mais com Aurora que comigo, assim como a irmã, seu carinho por ela ainda seria o mesmo?
A pergunta a incomodou.
— Que tipo de pergunta é essa? Meu carinho por Luna se deve à criança doce e carinhosa que ela é. E ao que espera de mim. Não tem relação alguma com quem se parece. Não vejo problema em Makena se parecer mais com Aurora. Mas, parece que ela é quem vê problema em mim.
— Desculpe, não quis dizer dessa maneira.
— Mas foi o que pareceu.
Ele voltou a se aproximar da cama, no lado onde ela estava.
— Me expressei mal. Não quero sair de casa, deixando você chateada comigo. — Sentou ao lado dela e segurou suas mãos. — Me desculpe. Hum… estamos bem?
Ela apertou os olhos e, ao abri-los novamente, passou os braços ao redor do pescoço dele.
— Não volte a fazer isso.
Emmett a abraçou de volta.
— Não farei. — Segurou o rosto dela entre as mãos e a beijou nos lábios brevemente. — Vou ver se Makena já acordou.
Após o café da manhã, no qual ele mesmo preparou, foi deixar a menina na escola.
Rosalie terminava de retirar a mesa do café da manhã, quando Luna parou ao seu lado e pôs a mão em seu braço. Olhou a criança, a expressão de tristeza no rosto dela chamou sua atenção. Devolveu a tigela de cereal vazia à mesa.
— O que aconteceu, meu amor? Por que essa carinha?
— Tá tudo bagunçado — contou.
— Onde está bagunçado? Quer me mostrar? — Segurou a mão pequena na sua.
Luna a levou ao escritório. Mesmo da porta, Rosalie percebeu os desenhos que pintaram, todos destruídos. Os tubos de tintas, espremidos na lixeira. Entendeu perfeitamente o que Luna sentiu ao descobrir aquilo.
— Não foi Luna quem fez isso, Ose.
Rosalie se abaixou, ficando na altura dos olhos dela.
— Sei que não foi você quem fez isso. — O nome da outra criança deixou seus lábios em um murmúrio aborrecido. — Makena. — Tornou a reparar na bagunça. A mão pequena afagou seu rosto. Conseguiu sorrir de leve. — Vou arrumar tudo, não se preocupe. Então, sairemos para comprar mais tinta e outros materiais de pintura.
Luna voltou a fazer carinho no rosto dela.
— Ose ficou tiste?
— Não, não estou triste. — Segurou a mão dela na altura dos lábios, beijando o dorso. Se levantou. — Vou organizar tudo rapidinho, você vai ver.
— Luna ajuda.
— Não precisa, minha princesa. Você pode brincar enquanto isso.
Ao retornar das compras com Luna, percebeu que Esme esperava por ela na frente da casa. Estacionou o carro ao lado do dela na entrada de veículos. O farfalhar das folhas no jardim indicava uma mudança no tempo para logo mais.
Saiu do carro. Esme fez o mesmo. Ambas se cumprimentaram com um breve abraço. De dentro do veículo, Luna as observou.
— Estive na floricultura hoje mais cedo. Fui buscar umas flores. Roxie disse que você esteve na loja e logo saiu. Como respondeu à mensagem dizendo estar vindo para cá, então resolvi esperar. Espero não estar atrapalhando.
— Você nunca atrapalha. Minha casa está sempre de portas abertas para você, Esme. Vamos entrar, lá dentro conversamos melhor. Deixe só eu chamar Luna. A atenção de Esme voltou-se à criança, na cadeirinha, no banco traseiro. Rosalie abriu a porta e a ajudou a descer.
Esme ofereceu à menina um sorriso afável.
— Então, você é Luna?
A criança a olhou com curiosidade.
— Que boneca linda você é.
Pouco à vontade, Luna recuou atrás das pernas de Rosalie.
— Está tudo bem. — Ela segurou sua mão. — Não precisa ficar com medo.
Luna olhou a visita com desconfiança.
— Ela se chama Esme. É a esposa do meu pai, assim como sou casada com o seu papai. — Percebeu a pergunta silenciosa nos olhinhos. — Não, ela não é malvada. Esme sempre foi muito boa para mim e para minhas irmãs. Nos damos muito bem. Ela não irá gritar ou fazer ameaças. Não se preocupe.
Assim, Luna se sentiu confortável a chegar um passo à frente.
Esme se abaixou para falar com ela.
— É um prazer conhecê-la, Luna. — Ofereceu a mão.
A pequena olhou para Rosalie antes de aceitar o aperto de mão.
— Que lindeza você é. — O elogio rendeu um rostinho contente.
Esme voltou a ficar de pé. Rosalie pegou as sacolas no porta-malas. Esme ajudou a carregá-las para dentro de casa. Algumas ficaram no escritório, outras na cozinha.
Esme observou Luna voltando à sala, carregando duas LOL Surprise e dois Kinder Ovo. O olhar terno de Rosalie ao olhar para ela.
— Parece que essa criança ganhou seu afeto. E você o dela.
O sorriso no rosto entregou.
— Luna é um doce de criança.
— É sim. Ela ainda não voltou a falar?
— Aos poucos tem conversado comigo e com Emmett. Ainda há momentos em que ela prefere não falar. — Guardou algumas coisas na geladeira. — Como estão o papai e o Jonah?
— Com saudades. Não tem ido nos visitar ultimamente. Evitamos vir para não tumultuar. Sua rotina já não é mais a mesma. O momento agora é para criar uma nova rotina. — Notou a mudança no rosto dela, algo como preocupação. — Então, como estão as coisas?
Rosalie se certificou de que a criança não estava por perto para ouvir.
— Difíceis. Não por Luna, como você já percebeu. Makena é a causadora do caos. É como se ela me odiasse. E a necessidade, para que eu saiba disso, me assusta.
Esme se aproximou, tocando-lhe o rosto com carinho.
— Minha querida, me entristece que tenha de passar por tudo isso. Sei que ama seu marido como ninguém e está fazendo o melhor por essas crianças. É uma mulher forte. Venceu momentos dolorosos, mesmo muito jovem. Seu coração bondoso jamais mudou. Tem o coração curador. Seu pai e suas irmãs voltaram a sorrir no momento em que você também sorriu. Pelo que sei, seu marido também estava infeliz até fazer parte da vida dele. Luna chegou aqui assustada e silenciosa, acalmou o coraçãozinho dela com amor. Tenho certeza de que, um dia, Makena vai sentir o poder desse amor.
Rosalie secou uma lágrima no rosto.
— Vem cá, minha querida, me dê um abraço.
Quando o abraço foi finalizado, Esme afagou seu rosto.
— Há outra coisa me preocupando agora. Suas irmãs me falaram de os pesadelos terem retornado.
— Foi só uma vez.
— Fazia bastante tempo que não acontecia. Talvez devesse procurar sua terapeuta e falar sobre isso.
— Vou procurá-la se acontecer novamente.
— Se estiver bem, todos ao seu redor ficarão bem. — Percebeu Luna retornando à cozinha. — Especialmente essa linda garotinha. — Sorriu.
— Ose, Luna pode comê molangos?
Rosalie passou as mãos no rosto. E abriu um sorriso.
— É claro que sim, meu amor. Vou lavá-los e já entrego a você.
— Ose está tiste?
— Como posso estar triste com você ao meu lado. — Segurou ambas as mãozinhas e as beijou. — Vou lavar seus morangos.
Luna prestou atenção em Esme.
— Você gosta de molangos?
Esme sorriu.
— Eu adoro morangos. Você vai dividi-los comigo?
— Pode sê.
Estendeu a mão, afagando o rosto de Luna.
— Obrigada, querida.
[…]
Rosalie afagou a franja na testa de Luna. A menina se encontrava recostada ao seu corpo enquanto assistiam desenho animado na televisão. A tigela de pipocas ao lado delas estava vazia. Chovia lá fora fazia quase uma hora e a previsão era de mais chuva para o resto do dia.
— Parece que o papai e a Makena chegaram — contou Rosalie ao perceber o carro do marido chegando. Olhou na direção da porta automaticamente. A criança olhou para ela, na sequência, olhou na direção da porta também.
Emmett parou o veículo ao lado do dela, onde antes esteve estacionado o de Esme. A chuva escorria nas janelas da casa e também do veículo.
— Por que não entrou com o carro na garagem? Assim vamos nos molhar, papai.
— Não importa. — Olhou para trás com uma expressão divertida no rosto.
— Você não está falando sério.
A resposta estava escancarada no rosto dele.
— Vai molhar tudo.
Emmett voltou-se para a frente, pôs a mão na porta e saiu do carro.
— Papai — chamou de volta, custando acreditar que estava debaixo da chuva.
Ele fechou a porta do lado do motorista, então abriu a porta traseira.
— O que está fazendo, papai?
— Encontrando um jeito de fazer você se divertir. — Estendeu a mão. — Venha!
— Não.
Ele se inclinou, soltando o cinto de segurança em volta dela.
— Papai.
— Você adorava brincar na chuva. Tinha até um par de galochas lilás. Não podia ver uma poça que queria pular nela.
— Lembra delas?
Segurou a mão da filha.
— Claro que sim. Vamos reviver esse momento.
— Mas, não estou usando galochas agora.
— Não tem problema.
Makena finalmente decidiu sair do carro. Passou as mãos no rosto molhado. Os cabelos escuros começaram a ficar grudados na cabeça.
— Está fria — se fez ouvir embaixo da chuva.
A porta do carro fechou atrás de suas costas. Emmett permaneceu segurando sua mão. Ela começou com pulos cautelosos. Então se sentiu confiante, pulando e correndo na chuva. Memórias de um tempo feliz, embaralhando com o momento atual.
Emmett correu atrás dela, sorrindo.
Luna não aguentou a demora em vê-los passar pela porta, levantou e foi olhar pelo vidro da janela. Afastou a cortina branca, espiando. A chuva escorria nos vidros, ainda assim, conseguiu enxergá-los.
Rosalie chegou ao seu lado, para ver o que acontecia. Viu o momento em que Emmett ergueu Makena no alto embaixo de chuva. Eles pareciam se divertir. Ele colocou a menina novamente no chão. Ela começou a correr em volta dele.
— Papai e Kena estão bincando na chuva. — Pôs a mão no vidro.
Rosalie passou uma mecha dos cabelos da menina para detrás da orelha.
— Você quer ir brincar lá fora com eles?
— Luna pode?
— Claro que pode, meu amor. — Segurou na mão pequena. — Vem, vamos chamar o papai e a mana. — Abriu a porta. As risadas se misturavam ao som da chuva. — Emmett — o chamou. — Emmett.
Quando virou o rosto para olhá-la, ele parecia muito feliz, as covinhas brincavam em seu rosto. Makena correndo no entorno dele.
— Luna. — Mostrou a criança ao seu lado. — Ela quer brincar na chuva com vocês.
— Venha, minha pequena — chamou. — Pode vir.
Luna deu uma última olhada em Rosalie antes de sair correndo embaixo de chuva. Seus gritinhos e risadinhas a fizeram sorrir.
— Luna gosta de chuva — ela falou com entusiasmo.
Emmett a pegou no colo, pulando com ela embaixo da chuva. Makena se juntou a eles, quando colocou Luna no chão. Os três deram-se as mãos, pulando na poça de água.
— Chuva, chuva, chuva — Luna cantarolou.
— Cai a chuva — Emmett e Makena cantarolaram juntos.
Luna caiu de bumbum no chão, o pai a colocou de pé novamente. Após um tempo, a pequena declarou:
— Flio. Luna está com flio. Não quelo mais bincá na chuva. Quelo voltá pla Ose.
— Nós já vamos. Makena, vamos entrar, filha. Depois, pegamos as coisas no carro.
— Pela garagem — Rosalie lembrou da porta. — Entrem pela garagem. Levarei toalhas para vocês lá.
Emmett pegou Luna no colo e Makena pela mão, andando depressa. A porta da garagem abriu e eles entraram correndo e pingando no chão.
Rosalie entregou as toalhas. Passou uma em volta de Luna, ainda com ela no colo do pai. O rostinho contente olhava-a de perto. Usou a ponta da toalha para secar o rosto da menina.
— Que divertido — comentou com a criança.
Embrulhada em outra toalha, Makena comentou:
— Foi muito divertido, papai. Foi como voltássemos no tempo.
Rosalie relanceou os olhos na menina. Viu a covinha brincar na bochecha esquerda dela.
— Não disse que seria divertido. — Ele se curvou, beijando no alto da cabeça dela, molhada pela água da chuva.
— Luna gosta também de bincá na chuva. Mas pecisa das galochas.
O que disse fez o casal sorrir.
— Obrigada, papai — Makena agradeceu, deixando Rosalie surpresa.
— Que bom que se divertiu. Agora, apresse-se para tomar banho e colocar uma roupa seca.
Makena anuiu. Passou perto de Rosalie, segurando a toalha sobre os ombros. Ela observou se afastar. Então sorriu para Luna, que sorriu de volta. Esfregou seu nariz ao da menina com um beijo de esquimó.
— Espero você dar banho em Luna para tomar o meu.
— Essa pequena tomará um banho quentinho nesse momento.
Luna colocou ambas as mãos no rosto dela.
— Foi uma ótima ideia brincar na chuva — comentou com o marido. — Elas se divertiram, especialmente Makena.
Emmett inclinou o rosto, beijando de leve os lábios dela.
— Em uma próxima vez, queremos você pulando na chuva conosco. Não é, princesa do papai?
— Sim, quelemos. É muito divetido, Ose.
— Ah, eu tenho certeza de que é sim.
— Você pecisa bincá na chuva.
— Eu preciso, sim.
Entraram na casa pela porta de acesso à garagem. Rosalie carregando Luna nos braços. Emmett aguardou, do lado de fora do banheiro, ela dar banho na menina. Ela iniciou a canção da Dona Aranha, mas Luna fez um pedido.
— Não, não, Ose. Essa não.
— Não?
— Luna não gosta de alanha. Tenho medo.
— Ah, me desculpe, eu não sabia. Posso cantar outra, então?
— Pode, sim.
— Borboletinha, você gosta?
— Sim. Boboletas são lindas. Elas gostam de foles, igual a você, Ose.
Cantaram juntas a canção da Borboletinha. Emmett se pegou rindo.
— Que lindas, vocês cantam muito bem.
Risos soaram no interior do banheiro.
[…]
— O que está fazendo? — Makena encontrou Luna no escritório, olhando o material de pintura e desenho que compraram mais cedo. A pequena se assustou com a chegada inesperada, escondeu rapidamente as mãos atrás das costas.
A irmã chegou mais perto.
— O que está escondendo? Posso ver?
Um balançar de cabeça revelou um não.
— Por quê? — Chegou mais perto. — O que você tem aí? — Tentou ver atrás das costas dela, porém, Luna girou o corpo, impedindo-a de ver. — Aquela centopeia amarela comprou mais tintas. — Com um gesto rápido, segurou o braço da irmã. — Me dá o que você tem aí. — Na disputa entre proteger o tubo de tinta, Luna caiu de joelhos no chão. — Me dá, Luna.
Luna começou a chorar.
— Solta isso! — Ignorou o choro da irmã, puxando o objeto.
Assim que percebeu o choro, Rosalie deixou de lado o que fazia na cozinha e foi ver o que acontecia. O choro a levou ao escritório. Ainda da porta, viu Makena arrastando a irmã no chão enquanto disputavam o tudo de tinta. Sua reação foi rápida, segurou a mais velha pelo pulso, obrigando-a a soltar a menor.
— Já chega! Pare com isso.
— Saia daqui! — Makena revidou.
— Solte isso, Luna. — Rosalie pediu. — Pode soltar, meu amor. Está tudo bem.
Makena exibiu uma expressão vitoriosa.
— De nada adiantou o seu esforço. O tubo de tinta é meu agora.
Luna esticou o braço, tentando pegar de volta. Makena ameaçou dar um tapa na mão da irmã, acertando o braço de Rosalie, que rapidamente se colocou no caminho.
— Não vou deixar que machuque ela. — A pegou no colo. Passou a mão nos cabelos que cobriam o rosto da pequena. Em seguida, limpou suas lágrimas.
— Luna não é sua filha. Você não é nada para ela — desafiou. — E eu bato se eu quiser.
Luna e Rosalie se olharam. Então, ela esfregou seu nariz ao da criança com o beijinho de esquimó. Os braços da menina envolveram seu pescoço, a cabeça descansou em seu ombro.
— Por que está fazendo isso com sua irmã?
Não teve tempo para responder. Em sua visão periférica, Makena viu o pai chegando.
— O que está acontecendo aqui? Por que Luna está chorando? — Olhou a filha mais velha, então a mais nova, no colo da esposa.
Makena abraçou sua cintura.
— Elas não querem me deixar usar o material de pintura — choramingou. — Luna chorou porque eu peguei.
O olhar de Emmett cruzou com o de Rosalie.
— Por que Luna pode usar as tintas e Makena não?
— Não foi assim que aconteceu.
— As duas são minhas filhas.
— Sei disso.
— Então, qual o problema se as duas usarem as tintas?
— Ela pode usar.
Emmett recolheu o tubo de tinta no chão e entregou na mão da mais velha.
— Use com cuidado.
— Não quero mais.
— Tudo bem. — Ele guardou junto aos demais. Parou ao lado de Rosalie, afagando as costas de Luna. — Não chore mais, meu anjo.
— Emmett…
— Tudo bem, Rose. Vamos deixar como está. É minha vez de preparar o jantar. Vou começar agora. — Olhou para o lado, procurando Makena. — Quer me ajudar?
— Sim, eu quero. — Ela segurou na mão do pai.
— Quer ajudar também, Luna?
Ela negou, movendo a cabeça devagar.
— Não quer falar com o papai?
Não houve respostas. Isso o deixou desanimado.
— Rose, quer que eu prepare algo em especial?
— Não, o que preparar, está ótimo.
Assim que saíram, Rosalie sentou-se em uma das cadeiras com Luna no colo. Afagou o braço da menina.
— Você está bem? Quer colorir com giz de cera?
— Sim — a resposta foi quase um sussurro.
— Ok. — Colocou a menina na cadeira. Vou pegar o giz de cera e o papel.
— Ose.
Virou-se para olhar para ela.
— Oi, meu amor.
— Não fique tiste.
— Não estou triste. Tenho você aqui comigo. Vamos colorir juntas.
A expressão no rosto de Luna foi de amor e carinho.
Rosalie pegou o que precisava e sentou-se na cadeira ao lado da que a criança ocupava, ambas de frente para a mesa de trabalho.
— Vamos fazer um desenho bem bonito.
— Com um sol bilante igual ao seu cabelo?
Um sorriso alegrou o rosto de Rosalie.
— Pode ser.
Durante o tempo em que desenhavam, Luna percebeu tristeza nos olhos dela. Deixou o giz de cera sobre o papel e pôs a mão em seu rosto. O olhar de Rosalie encontrou o seu. Dessa vez, foi Luna quem esfregou seu nariz ao dela com beijinho de esquimó.
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