Laços Inquebráveis
13 Capítulo 13 — Doce Surpresa
Emmett tinha os braços de Makena em sua cintura quando começou a dizer:
— Não vou obrigar você a praticar qualquer esporte que não queira.
Makena afrouxou o abraço, dando um passo para trás. Olhou no outro lado do quarto, pensando a respeito. Se aproximou da cama e se sentou.
O pai a seguiu com o olhar.
— Papai.
— Sim?
— Por que não podemos ficar na fazenda? — imaginando o que diria, emendou: — Com você.
Ele se aproximou, sentando-se ao lado dela.
— A fazenda não me pertence. Meu trabalho e também o de Rose estão aqui. A família dela está aqui. Não seria viável para nós.
— Aqui não é meu lar.
— Luna e eu somos sua família. Estamos aqui.
— Sim, estão — a voz soou triste.
Emmett passou a mão na cabeça dela gentilmente.
— Volto a dizer que podemos ir à fazenda durante as férias de verão.
— Os rodeios acontecem durante o outono. Desta forma, não poderei participar.
— Sinto muito. Podemos encontrar algo que goste e possa fazer aqui.
— O quê?
— Não sei. Mas encontraremos algo.
A menina ficou em silêncio.
— Ei! — Ele passou o braço em volta dos ombros dela. — Eu estava pensando se não teria um vídeo onde eu pudesse te assistir patinando no gelo.
— Quer mesmo assistir? — Ela ficou de pé.
— Quero muito.
Makena pegou, na gaveta da mesinha de cabeceira, o tablet com capinha lilás.
— Quer ver também das competições de rodeio.
— Todos que você tiver. E que quiser que eu veja.
Ele a viu suspirar, toda aquela inquietação pôs bagunçar o quarto, parecia ter dado uma trégua.
— É a primeira vez que te vejo com um tablet — observou.
— Era da mamãe. Ela não me permitia ter um, mas me deixava usar às vezes.
Voltou a sentar-se ao lado do pai.
— Bem, sua mãe estava certa quanto a isso.
— A mamãe não fazia isso. — Ela o olhou com o rosto levemente inclinado. — Dizer que você estava certo em algo. Na verdade, dizia com frequência o quanto cometia erros.
— Você acha que sou assim, tão errado?
— Eu não sei. — Deslizou o dedo na tela do aparelho algumas vezes. Passou o tablet para as mãos do pai. — Me sinto confusa, meu coração discorda do que a cabeça diz.
— É normal se sentir confusa, quando ouviu tantas coisas.
Ele tocou na tela, iniciando o vídeo.
Makena surgiu com roupas de patinação artística num tom de azul-marinho. Nos cabelos, uma trança no alto da cabeça, com um coque prendendo o restante dos fios.
Havia algumas pessoas na arquibancada assistindo à apresentação.
Aurora lhe disse algo, uma palavra de incentivo, talvez. Bateu sutilmente em seus ombros e disse-lhe para ir em frente. A expressão determinada no rosto da mulher, ele conhecia bem. Agora, no rosto da filha, encontrou insegurança.
A menina fez um movimento inesperado, ao se colocar na posição inicial. O olhar preocupado encontrou o da mãe. A música começou nos alto-falantes. Ela estava linda, graciosa, deslizando no gelo, executando os movimentos. Podia dizer que estava feliz, mas o olhar não demonstrava isso. Ficou com a impressão de que Makena fazia tudo para agradar à mãe.
— O que você achou? — pediu, com um pouco de ansiedade.
— Que é ótima nisso. Foi uma apresentação belíssima.
— Está brincando, a mamãe era perfeita.
— Você teve uma excelente treinadora.
— Você me disse uma vez que se apaixonou por ela quando a viu patinando pela primeira vez. A mamãe estava treinando para as regionais. Você e seus amigos estavam em uma competição de hóquei no gelo, então decidiu ficar e assistir à patinação artística, pela mamãe.
— Exatamente.
— Depois disso, você se aproximou. Disse ser a garota mais bonita que se apresentou naquele dia. Então, trocaram telefones e começaram a se falar. O namoro aconteceu posteriormente. Não demorou, começou a acompanhá-la em quase todas as apresentações.
— Você não esqueceu nada.
— Quando a mamãe ficou grávida de mim, ela precisou parar. Vocês se casaram e eu nasci.
— Esse foi o dia em que descobri a mais linda forma de amor. O dia em que você nasceu. Quando a segurei em meus braços pela primeira vez, me tornei um novo homem. Entendi o que meu pai e minha mãe diziam sobre ter um pedaço do nosso coração fora do corpo.
Makena encostou a cabeça no braço do pai. Ele beijou no alto de sua cabeça.
— É bom tê-la de volta.
— Por que não foi me visitar? Por que nunca pude ficar com você? — Inclinou o rosto ao olhar para ele.
— Eu tentei…
— Parece que não foi o bastante.
Emmett ficou em silêncio.
— Senti sua falta, papai.
— Eu também senti sua falta, minha menina linda.
Ela voltou a deslizar o dedo na tela do tablet, mesmo estando nas mãos do pai. Um novo vídeo iniciou. Emmett notou a diferença no primeiro olhar. Era a mesma criança, mas, quando montava a cavalo, Makena estava confiante, segura do que tinha de fazer. A mesma determinação que Aurora tinha para a patinação artística, a filha tinha para a montaria. A habilidade atlética do cavalo e da amazona para contornar os tambores em um percurso triangular preestabelecido no menor tempo possível, era admirável. O traje western: calça, bota, chapéu e camisa de manga longa com botão.
— O que você achou?
— Que você é incrível. Todos os troféus e medalhas no seu quarto da fazenda foram entregues à garotinha certa.
— O vovô sempre estava lá para me vir competir, sabia? Muitas vezes, imaginei que fosse você.
O coração do pai apertou com a confissão.
— Eu teria gostado de te ver participando de uma prova dessas. Apesar de minha preocupação. E mesmo que não ganhasse, estaria orgulhoso da minha garotinha.
— Vovô falou que não se importava, por isso nunca apareceu.
— Eu me importo com qualquer coisa relacionada a você e a sua irmã.
Makena voltou a encostar a cabeça no braço do pai. Ele assistiu a alguns vídeos de patinação artística e também provas dos três tambores. Festas de aniversários, apresentações na escola. Quando se deu conta, Makena dormia recostada a ele. Deixou o tablet na mesinha de cabeceira, em seguida, deitou a menina com a cabeça no travesseiro. Ajeitou o cobertor sobre ela, lhe deu um beijo na testa. Ligou o abajur, ao sair, desligou a luz do teto no interruptor.
Do alto da escada, observou a sala de estar. Não encontrou Rosalie nem mesmo Luna por lá. Desceu a escada à procura das duas.
— Rose. Luna.
— Na cozinha — ouviu a voz da esposa soar baixa. — Estamos aqui — completou, ao vê-lo olhar em volta.
Ele as encontrou no chão, Luna no colo de Rosalie, que estava com as costas apoiadas na lateral da ilha da cozinha. Começou a se aproximar.
— O que estão fazendo aí? — pediu.
Rosalie olhou para cima de modo a conseguir olhar no rosto dele.
— Luna sentou aqui — explicou. — Sentei-me também e a peguei no colo.
— Obrigado. — Ele afagou os cabelos de Rosalie. — Vou levá-la para a cama agora. Espere! — surpresa estampou seu rosto. — Como conseguiu fazê-la dormir? Como fez para pegar no sono sem a crise de choro? Ao menos, eu não a ouvi chorar.
— Ela não chorou.
Um sorriso carregado de alívio estava em seu rosto agora.
— Como?
— Não sei, só cantei e ela apagou.
Ele se curvou para pegar a menina.
— Deixe que levo ela.
— Eu mesma faço isso — apressou-se em dizer. — Ela não é tão pesada. Makena já dormiu?
— Sim. E o quarto está outra vez arrumado. Tentei deixar o mais próximo possível do que você havia feito. Espero ter conseguido.
— Então posso levar Luna. Makena não vai me ver chegar.
— Vem! — Ele a ajudou a levantar, segurando nas laterais de seu corpo.
— Obrigada.
Emmett a beijou na têmpora direita.
— Ainda não acredito que ela dormiu sem todo aquele estresse. — Afagou as costas da filha. — Ele acompanhou Rosalie ao quarto das meninas. Abriu a porta e ficou esperando no limiar.
Ela entrou no quarto sem fazer barulho, colocou Luna na cama, mas os dedos da menina ficaram presos em uma mecha de seus cabelos.
— Amor… — murmurou. — Meus cabelos… a mãozinha dela.
Emmett entrou no quarto. Com cuidado, soltou os fios de cabelos da esposa da mão da criança. Lembrou-se do que Makena havia dito sobre Luna dormir segurando uma mecha dos cabelos da mãe.
Com cuidado, Rosalie a cobriu e beijou sua bochecha. Ao se afastar, olhou Makena dormindo. Nenhum dos dois queria acordá-la. Ambos saíram do quarto com passos cuidadosos.
Emmett fechou a porta com o mesmo cuidado.
— Acho que sei o motivo de Luna ter dormido com tranquilidade essa noite.
O olhar de Rosalie dizia não entender.
— Makena me contou que Luna enroscava os dedos nos cabelos de Aurora quando ia colocá-la para dormir. — Ele tocou os cabelos da esposa. — Luna se sentiu confortável em seus braços. Por isso, os dedinhos ficaram enroscados em seus cabelos.
— Claro — Rosalie sorriu. — Houve um momento que senti ela fazer isso, como uma naninha.
Emmett a abraçou.
— Obrigado. — Seus lábios tocaram no alto da cabeça dela. Ela o olhou. Ele segurou o rosto dela entre as mãos e a beijou devagar. A levou pela mão para o quarto deles. Conversaram um pouco sobre as mudanças recentes e o dia tido.
Rosalie pôde matar um pouco a saudade de estar na cama ao lado do marido. Adormecer em seus braços mais uma vez.
Durante a madrugada, Makena teve o sono agitado. Quando, sem esperar, o grito ecoou no andar de cima.
— Mamãe. Mamãe. — Ela sentou na cama no impulso, os cabelos bagunçados cobrindo-lhe o rosto. O quarto iluminado pela luz tênue do abajur. — Mamãe. — Afastou os cabelos dos olhos. Olhou ao redor, estranhando o ambiente, na esperança de que tudo não passasse de um pesadelo como o que acabou de acordar. O choro cheio de saudade fez o corpo balançar. — Mamãe.
Ao som do primeiro grito, Emmett despertou confuso. Rosalie ao seu lado, também acordou. Ao segundo grito, pulou da cama. Durante o terceiro, ele corria pelo corredor. No último grito, passava pela porta do quarto das meninas com os pés descalços, usando o short do pijama, sem a camisa.
— Makena. Filha. — Bateu a mão no interruptor, ouvindo o choro dela. O quarto se iluminou por completo. Deparou-se com a mais velha chorando, sentada na cama. Na outra cama, Luna tremia, segurando o coala de pelúcia. Os lábios projetados em um beicinho, prestes a chorar. Antes que tivesse de decidir qual das filhas amparar primeiro, a mão de Rosalie tocou seu braço, na sequência ela estava pegando Luna no colo. Ele se apressou até Makena, sentou na beirada da cama, segurou o rosto da menina entre as mãos.
Rosalie avisou em voz baixa:
— Levarei Luna para nosso quarto.
Ele ficou sozinho com a mais velha.
— Ei — falou, afastando os cabelos do rosto dela, limpando também suas lágrimas.
— A mamãe… O avião…
Ele a abraçou.
— Você teve um pesadelo. — Beijou no alto da cabeça dela. — Já passou.
— O avião estava caindo… a mamãe estava com medo. Ela não queria morrer — um soluço e uma fungada a atrapalharam. — O vovô a abraçou. O tempo todo protegeu a mamãe. Ela chamou meu nome e também o de Luna. Disse que nos amava e pediu perdão. — Voltou a chorar.
Emmett permaneceu confortando a filha pelo tempo que foi necessário.
Já mais calma, ela olhou em seu rosto.
— Acha que foi assim que aconteceu?
Emmett afagou o rosto úmido da filha.
— Não volte a pensar nisso.
— Você acha que o vovô tentou proteger a mamãe?
— Tenho certeza de que faria qualquer coisa para proteger sua mãe. Então, sim, isso é possível.
A resposta deixou Makena mais tranquila.
— Faria o mesmo por mim? Me protegeria?
— Faria qualquer coisa para proteger você e sua irmã. Não duvide disso jamais.
A menina apertou os braços ao redor do corpo dele.
— Espero que ela não tenha sofrido.
— Não pense mais nisso, meu amor.
Na suíte do casal, Rosalie sentou na beirada da cama com Luna no colo, a cabeça da menina apoiada em seu peito, um braço segurando o coala de pelúcia, o outro, mantinha erguido, enquanto seus dedos se enroscavam nos cabelos louros.
Beijou na testa de Luna, observando-a ficar com olhos sonolentos. Tocou o narizinho com a ponta do dedo.
— Você é um amorzinho. — Percebeu ela se esforçando para falar, os lábios se moveram sem emitir som. Acolheu com braços de amor. Seu queixo descansou no alto da cabeça da menina.
— Luna, qué mamãe. — A voz infantil soou com doçura aos seus ouvidos. Surpresa mesclada de euforia. De repente, desejou correr, chamando pelo marido para que soubesse que a criança falou. Suas mãos tremeram, o coração acelerou os batimentos, olhando no rosto da criança. Um sorriso genuíno enfeitou seu rosto.
— Você falou. — Segurou o rosto de Luna entre ambas as mãos. — Luna quer mamãe, foi o que disse.
Os olhinhos piscaram, nem um único momento deixou de olhar para ela.
— Sim, ouvi você falar. — De repente, se pegou pensando se aconteceu mesmo. — Não posso ter imaginado algo tão maravilhoso assim.
Luna soltou a pelúcia, mas a mão nos cabelos dela permaneceu. Pôs a mão pequena ao rosto de Rosalie. Levou um instante para voltar a fazer o pedido:
— Ose, Luna, qué mamãe.
Rosalie se pegou, olhando-a com olhos marejados. O coração alegre por ouvi-la falar.
— Ah, Luna, seu papai vai ficar tão contente quando souber que está falando.
Lágrimas molharam as bochechas da criança.
— É a mamãe que você quer. — Ficou de pé com a menina nos braços. Observou seu rosto, pensando como falar sobre a morte de Aurora. Seus olhos relancearam o vaso com tulipas rosa-claro em cima da penteadeira. Se aproximou, sentou-se na cadeira com a menina no colo. — Você lembra da rosa que achou hoje no estacionamento da loja? Ela estava morrendo. Vê as tulipas no vaso. — Mostrou o arranjo com a mão. — Todas elas nascem, crescem, vão perdendo suas folhas e morrem. — Pôs a mão no peito da menina. — O amor da mamãe por Luna estará sempre vivo aqui, em seu coração, assim como o seu por ela.
— Mamãe, não qué Luna? Mamãe volta?
Rosalie beijou na testa dela, apertando os olhos ao ter de lhe dizer:
— A mamãe da Luna não vai voltar. Assim como a rosa está no livro agora, sua mamãe estará no coração. O coração de Luna é o lugar seguro onde a mamãe vai estar para sempre. — Limpou as lágrimas no rosto da menina. — Pode fechar os olhinhos e pensar na mamãe sempre que quiser senti-la perto de você. Vai lembrar do cheirinho dela e de como te segurava nos braços com tanto amor. Ela te amava e te queria muito.
Luna pôs a mão no próprio peito.
— Mamãe — disse. Na sequência, deitou a cabeça do peito de Rosalie. Encontrando novamente a mecha dos cabelos louros com seus dedinhos.
Rosalie a envolveu com braços afetuosos.
— Sim, a mamãe vai estar no coração de Luna para sempre. — A menina adormeceu em seus braços, com os dedos enroscados em seus cabelos. Levou um tempo até a levar de volta para a cama. Seu pensamento era de amar e cuidar daquela criança como sua. Luna mexia com o melhor de seu coração.
Quando o marido entrou de volta no quarto, imediatamente se colocou na frente dele. Tão ansiosa quanto se lembrava de ter estado algum dia.
— Não vai acreditar no que aconteceu — cochichou, controlando-se ao máximo para não sair falando sem parar. O sorriso no rosto.
A primeira reação de Emmett foi abraçá-la.
— Do que está falando? Sabia que fica ainda mais linda quando sorri assim?
— Amor…
Ele lhe beijou a testa, sorrindo junto, mesmo sem saber o motivo. Seus olhos visualizaram a criança dormindo na cama.
— Luna, ela falou comigo. — Juntou as mãos, controlando a empolgação para não a acordar.
O rosto de Emmett tornou-se uma mistura de surpresa e alegria.
— Como assim, Luna falou com você?
— Sim, ela disse: “Luna quer mamãe”. “Rose, Luna quer mamãe”. Na verdade, ela disse “Ose” e foi a coisa mais adorável. Perguntou também se a mãe dela voltaria.
Emmett se aproximou da cama, cheio de esperanças.
— Ela falou tudo isso mesmo?
— Também disse “mamãe” antes de adormecer. Amor, ela realmente conversou comigo.
— Não posso acreditar. Desejei tanto que isso acontecesse e, quando aconteceu, não estava por perto para ouvir. — Sentou-se na beirada da cama. Afagou os cabelos da filha. — Como é a voz dela?
Rosalie chegou mais perto. Emmett passou o braço em sua cintura. Ela sentou na perna do marido e começou a falar, quase sussurrando:
— É tão doce e adorável quanto ela.
Um sorriso fez surgir covinhas no rosto dele.
— E ela dormiu outra vez com você, sem chorar — se admirou. — Parece que sua tranquilidade é o que ela precisava. Veja só, até conseguiu falar de novo. — Ele a abraçou com um misto de emoção, gratidão e alegria. — Parece bobagem, mas, para mim, é como saber que disse as primeiras palavras.
— Entendo — murmurou, correndo as pontas dos dedos na cabeça dele. — Faz sentido esse sentimento.
Emmett segurou uma mecha dos cabelos de Rosalie.
— Luna gosta realmente de você. Fico feliz que seja assim. Sabe quão grande é meu amor por você.
Rosalie anuiu, sem deixar de olhar nos olhos dele.
— Eu também o amo muito.
— Espero que, em algum momento, Makena consiga se livrar de toda essa revolta — lamentou ele.
— Como ela está agora? Foi um pesadelo, não foi?
— Está bem, voltou a dormir. Ela sonhou com a queda do avião. Ouviu a mãe falando no sonho, isso a deixou pensando a respeito. Provavelmente ouviu alguém comentar no funeral parte do que sonhou.
— Pode ser. — Ela ficou de pé. — É melhor voltarmos a dormir também. Não demora, será dia.
— Sim. — Ele observou Luna dormindo.
— Teremos essa adorável companhia por um tempinho até o sol aparecer. Tudo bem com isso? — Rosalie brincou.
— Eu quem deveria te fazer essa pergunta.
— Por mim, não há nenhum problema — comentou, se acomodando ao lado da menina, no outro lado da cama.
Emmett fez o mesmo, mas no lado em que já estava. Encostou o rosto ao de Luna, sussurrando:
— Durma bem, meu amor. — Quando se afastou, Rosalie o olhava. — Boa noite, meu outro amor.
— É incrível o quanto Luna se parece com você. Uma versão pequenina, feminina.
— É verdade — concordou com orgulho.
Passou o braço sobre Luna para tocar o rosto dele.
— Estou, positivamente, impressionada.
Ele segurou sua mão, beijando, assim, seus dedos. Fechou os olhos. Rosalie ficou um instante os olhando antes de também voltar a dormir.
[…]
Makena acordou com um raio de luz do dia passando pela brecha da cortina. Apertou os olhos antes de finalmente pensar em sair da cama. Reparou na cama da irmã, vazia.
— Luna — chamou. Olhou ao redor. Abriu a porta, olhando de um lado a outro no corredor. A porta da suíte estava entreaberta. Se aproximou de pés descalços. Espiou no interior do cômodo. Luna dormia com eles. Rosalie tinha um braço envolvendo a menina. Emmett, com um braço, acolhia a ambas. Respirou fundo, apertando os punhos junto ao corpo. Voltou a se afastar. — Vamos ver se você vai gostar disso — resmungou. Recolheu algumas fotografias de Aurora, sozinha, outras ao lado de Emmett. Também algumas com Luna e ela mesma.
Voltou ao quarto do casal sorrateiramente. Trocou a foto do porta-retratos deles por uma de Aurora e Emmett juntos. Virou de costas, começando se afastar. A voz sonolenta de Rosalie a pegou desprevenida, lhe dando um susto. Abriu e fechou as mãos em punho, apertando os olhos antes de olhar para trás.
Deitada de barriga para cima, Rosalie passou a mão no rosto.
— Makena — falou em voz baixa. — Você está bem? Precisa de algo?
A menina olhou, de canto de olho, a foto recém-trocada.
— Que você desapareça — arriscou. Virou-se e começou a sair do quarto.
Rosalie suspirou desmotivada, permitindo os braços descansarem na altura da cabeça sobre o travesseiro. Olhou para o lado, pensando conferir a hora no relógio digital, na mesinha de cabeceira, para sua surpresa, deparou com a foto de Aurora quase beijando Emmett.
— Makena… — sussurrou. Olhou o marido e a criança ainda dormindo. Sentou-se com as pernas para fora da cama. Esticou o braço, deitando o porta-retratos de modo que não pudesse vê-la. Se levantou, passou os dedos entre os fios de cabelos e os prendeu no alto da cabeça em um coque irregular. Entrou no banheiro e fechou a porta.
Emmett acordou e a primeira visão foi Luna de olhinhos abertos, observando-o. Sorriu para ela.
— Bom dia, meu anjo. — Fez carinho no rosto dela. — Você dormiu bem?
A criança permaneceu olhando-o em silêncio. O piscar lento de seus olhos sonolentos.
— Aconteceu uma coisa linda essa noite — confirmou. — Você voltou a falar. Rose me contou.
Luna observou a pelúcia.
— Estou ansioso por te ouvir, meu anjinho. — Aguardou. — Você pode falar o que quiser. Fale com o papai, meu amor.
A porta do banheiro abriu, Rosalie apareceu, atraindo o olhar de ambos. Iria desejar um bom dia, pronta a oferecer-lhes um sorriso, mas Emmett se antecipou.
— Luna não quer falar.
Ela viu tristeza nos olhos e no tom de voz do marido.
— Luna — chamou, voltando para perto da cama. — Por que não fala com o papai? — Sentou cuidadosamente a menina na cama. — Fale ao papai o que quiser, meu anjo.
Ambos aguardaram ansiosos por ouvir a voz da menina. Porém, Luna permaneceu em silêncio.
Emmett segurou nas mãozinhas da filha.
— Tudo bem — disse. — Não consegue agora, mas sei que, em algum momento, poderei ouvir sua voz.
Rosalie pôs a mão no peito dele em um gesto de carinho e apoio.
— Estou feliz que falou com você. Agora tenho certeza de que ouvirei ela falar em breve.
— Eu sei.
Ele beijou nas mãos de Luna. Percebeu o porta-retratos tombado. Quando levantou, foi ao outro lado da cama, colocá-lo como estava antes.
— O que significa isso? — pediu, sem deixar que Luna percebesse do que se tratava.
— Foi exatamente o que pensei — admitiu Rosalie.
— Makena — conclui ele.
— Exatamente.
Ele retirou a foto do porta-retratos, tendo o cuidado de não deixar Luna perceber. Colocou de volta a fotografia deles.
— Depois vou falar com ela sobre isso. — Ele entrou no banheiro.
Rosalie voltou a olhar Luna.
— Vem cá, meu amor. — Estendeu os braços.
Luna soltou a pelúcia, aceitando ir com ela.
— Hoje irei trabalhar de casa — Emmett avisou quando fechava a porta.
Rosalie cutucou a barriga de Luna, de forma brincalhona.
— Você ouviu? O papai vai trabalhar de casa hoje. Isso significa que ficará o dia inteirinho perto de Luna e Makena.
Deixou Emmett penteando os cabelos de Luna no quarto das meninas. Quando chegou na sala, outra surpresa, todas as fotos em porta-retratos no móvel haviam sido substituídas.
— O quê? — surpresa marcou seu rosto. E ao ver que todas as fotos do casal e de sua família haviam sido substituídas, lhe causou frustração e raiva. No escritório, não foi diferente, a fotografia do casal foi substituída por uma de Aurora.
O sorriso perverso no rosto de Makena ao ver que descobriu a retaliação.
— Você gostou? — A pergunta reforçou a intenção. — A foto de minha mãe ficou bem melhor que a sua.
— Makena…
— Como você gosta de mexer nas coisas dos outros, então…
— Você não podia fazer isso.
— O quê?
— Retirar todas as fotos do lugar ao qual elas pertencem.
— Fez o mesmo quando tirou o papai de nossas vidas.
— Não afastei seu pai de vocês.
— Mentirosa.
— As pessoas que mentiram para você não estão nessa casa.
Emmett chegou com Luna no braço. Levou a mão devagar ao ombro de Rosalie.
— Colocarei todas as fotos de volta — avisou.
Rosalie se esforçou em não deixar que percebessem seus lábios tremerem.
— Não precisa devolver todas, pode colocar algumas fotos das meninas. Compro mais porta-retratos para o restante delas.
A mãozinha de Luna também tocou seu ombro.
— Como está linda, meu anjo — elogiou. — O papai arrumou seus cabelos muito bem.
— Pode levar Luna para tomar café da manhã? Quero conversar com Makena um pouco. E não vamos tomar café até que terminemos de pôr as fotos no lugar.
— Não farei isso.
Ele aguardou Rosalie sair com Luna.
— Ninguém aqui quer te privar de ter fotos de sua mãe em porta-retratos, mas não pode fazer isso sem nos comunicar antes. Há outras pessoas vivendo nessa casa. Algumas das fotos que você retirou têm valor sentimental para Rose. Agora, me diga onde as colocou?
— Por quê?
— São importantes para Rose. Tinha fotos da mãe e da irmã dela, já falecidas. Por favor, me diga que não as destruiu.
Makena ficou em silêncio, sustentando o olhar do pai, sem o menor sinal de arrependimento.
— Onde estão as fotos?
A menina olhou para o lado, o saco de lixo sobre a poltrona do outro lado da mesa.
— Ali. — Moveu a mão.
Emmett se aproximou, com medo de estarem destruídas. Ao olhar no saco, estavam todas as fotos intactas. Sentiu como retirasse um peso dos ombros.
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