Laços Inquebráveis

14 Capítulo 14 — Eliminar Efeitos


Pai e filha trabalharam juntos para as fotografias retornassem aos porta-retratos. Nenhum dos dois demonstrou vontade de conversar. Makena parecia estar irritada durante parte do tempo. Quando a curiosidade despertou, as perguntas começaram a surgir. Primeiro, queria saber mais sobre o casal e o garoto ruivo numa das fotos.

— Quem são eles?

Emmett a olhou como já esperasse por isso.

— Carlisle, o pai de Rose. A mulher é a Esme, esposa dele. — Notando a dúvida, esclareceu: — Sim, ela é madrasta. O menino é Jonah, ele é filho dos dois. — Fez-se silêncio antes de ele voltar a falar. — Rose se dá muito bem com a Esme. Na verdade, todas as irmãs gostam muito dela.

— Por que está me dizendo isso?

— Imaginei que pudesse estar se perguntando.

A próxima fotografia, alvo da curiosidade, foi uma das quatro irmãs, ainda na infância, juntas, seguindo a ordem de nascimento, num campo com dentes-de-leão em um dia ensolarado.

Emmett chegou mais perto.

— Estas são Rose e suas irmãs. A primeira é Kate, Tanya, Rose e Lily.

— Parece que todas elas se parecem com o pai. Menos o menino, Jonah.

— A mãe delas também era loura. — Ele encontrou a fotografia da mãe de Rosalie. — Aqui, essa é Leonor, a mãe das meninas. A primeira esposa de Carlisle.

Makena segurou a foto, observando a mulher com o rosto levemente inclinado para o sol, os olhos verdes brilhantes, refletindo a luz em seus cabelos louros. Ali, percebeu que somente a mais nova das filhas nasceu com os olhos na mesma cor dos da mãe. As demais, herdaram a cor dos olhos do pai, o âmbar.

— Papai.

— Sim?

— Qual das irmãs morreu no mesmo dia que a mãe?

— Lily. Ela tinha oito anos quando aconteceu.

— Lily era a mais nova, certo?

— Isso mesmo.

— Você sabe o que aconteceu? Como elas morreram?

— Elas estavam fazendo compras quando um homem armado chegou, atirando em todos que encontrou no caminho. Rose também estava lá, por sorte, conseguiu se esconder. Lily e a mãe, Leonor, não tiveram tempo. Não foi fácil para Rose vivenciar dor tão grande. Por muito tempo, precisou de terapia.

— Quantos anos ela tinha?

— Doze anos. Isso foi antes de a família se mudar para Wilmington. Eles vieram de Detroit no mesmo ano em que tudo aconteceu. Aqui, Carlisle conheceu a Esme, eles se casaram e tiveram o Jonah.

— Se Rose tivesse morrido no lugar de Lily? Não teria conhecido ela e não teriam se casado.

— Como pode pensar algo assim? Me assusta te ouvir dizendo coisas como essa.

— Ela não teria roubado você da gente. Nossa família teria permanecido unida.

Ele descansou a mão no ombro da menina.

— Rose não me roubou de ninguém. Isso não existe. Meu casamento com sua mãe já vinha se desgastando ao longo da relação. O fim de nosso casamento envolveu outras questões.

— Quais?

— Você não precisa saber de certas coisas. É ainda muito nova para entender.

— Não sou burra.

— Claro que não. É até muito esperta.

— O vovô costumava dizer isso.

Emmett avaliou a informação.

— Vovô garantiu que não puxei a você.

— Acha que seu avô estava certo quando lhe disse isso?

Makena desviou o olhar, envergonhada.

— Acho que não deveria ter dito. Não foi legal.

Emmett lhe deu um abraço apertado.

— Papai, os meus ossos.

Ele afrouxou o abraço com ar risonho.

— Me desculpe, querida.

— Continua com abraços de urso.

Emmett sorriu.

— Senti sua falta, filha.

O rosto dela já não demonstrava tanto aborrecimento quando instantes atrás.

Cutucou o canto dos lábios dela, forçando seu sorriso.

— Acho que vi alguma coisa aqui.

— O quê? Não comi nada ainda.

— A sombra de um sorriso — brincou ele.

A menina encarou as próprias mãos.

— Certo, vamos terminar isso, porque estou ficando faminto. Ursos famintos, podem ser desagradáveis.

Makena o cutucou com o braço. Na sequência, pegou a fotografia do casamento onde os avôs paternos apareciam.

— Papai.

Emmett a olhou após deixar mais um porta-retratos no lugar ao qual pertencia.

— Sim?

— A vovó Elle e o vovô Matthew, onde eles estão agora? E a minha tia Bella?

— O vovô e a vovó estão morando agora em Shallotte, uma cidadezinha não é muito longe daqui. Sua tia, Bella, está em Nova Iorque.

— O que ela faz lá?

— Sua tia, é gerente de vendas.

— Ela se casou?

— Não.

— Eles nunca perguntam de mim?

— Sempre que nos falamos.

— Eles sabem que a mamãe e o vovô… que eles morreram?

Emmett estendeu a mão, afagando os cabelos da filha.

— Eles ainda não sabem. Foi tudo muito rápido. Ir até você era minha prioridade. Então, Luna também estava lá. Anda, vamos tomar café. — Convidou a se levantar.

— Aonde vamos depois?

— Hoje irei trabalhar de casa mesmo.

— E quanto a ela?

— Quer saber sobre Rose? Provavelmente irá à floricultura agora pela manhã.

Rosalie estava sentada ao lado de Luna, à mesa de jantar, cortando panquecas para a menina. Ela olhou o marido, que sinalizou com a cabeça, dando entender que as fotografias foram devolvidas ao local ao qual estavam antes.

Ele indicou a cadeira a Makena. Ela pegou o prato com panquecas e xarope de bordo, morangos, mirtilos e também um copo de leite e foi se sentar diante a ilha da cozinha.

Da sala de jantar, Emmett conseguia ver as costas dela. Ao olhar Rosalie e Luna, sorriu para ambas.

— Estão terminando?

— Ainda podemos te fazer companhia, não é mesmo Luna? — Ela limpou o xarope de bordo no queixo da criança com o guardanapo de papel.

— Tem panquecas para o papai? — brincou ele.

Luna esticou o braço, encostando a mão no prato com as panquecas.

— Vocês não comeram muito, não é mesmo?

A pequena deu de ombros, com a boca cheia.

Rosalie o acompanhou em uma risada. Ele chegou mais perto para poder beijar na testa de Luna. Na sequência, beijou o alto da cabeça da esposa.

— Que cheirosas.

Luna cheirou o próprio braço, isso os fez rirem um pouco mais.

— Você é uma garotinha cheirosa — concordou Rosalie.

A menina apontou com o dedo sujo de xarope de bordo para ela.

— Está dizendo que sou cheirosa?

Luna concordou com um leve movimentar de cabeça.

— Ela tem razão — concordou Emmett, levando uma garfada com panqueca à boca. — Todos nessa mesa são muito cheirosos, inclusive eu. Até mesmo aquela garotinha que prefere tomar café da manhã sozinha.

[…]

Depois que Rosalie saiu, de tempos em tempos, Luna ia perto da porta da frente.

Makena saiu do escritório, onde o pai estava trabalhando, após um tempo mexendo no tablet.

— Por que toda hora vem aqui? O que você quer?

A irmã deu um pulinho, com cara de assustada.

— Está esperando-a voltar? Por quê? Você não pode gostar dela.

Luna chegou um passo para trás.

— Não é para gostar dela, está ouvindo? Você está traindo a mamãe.

Os lábios de Luna projetaram um beijinho.

— O que estão fazendo? — Emmett chegou à sala de estar. Não demorou, percebeu a mais nova prestes a chorar. — O que aconteceu? Vem com o papai, amor.

A pequena correu até ele. A pegou no colo e ela deitou a cabeça em seu ombro largo.

— O que disse para sua irmã?

— Não disse nada importante.

— Espero que esteja me dizendo a verdade.

Ele começou fazer o caminho de volta ao escritório.

— Papai.

Parou, olhando sobre o ombro para Makena.

— Posso morar com a vovó e o vovô em Shallotte?

— Não, você não pode.

— Mas, papai.

— Me odeia tanto assim, a ponto de querer morar com eles?

A menina desviou as vistas, sabendo que o magoou.

— Papai.

— Essa história de morar com avôs, acabou.

— Só ia perguntar se posso ficar lá fora um pouco.

— Sozinha, você não pode. Daqui a pouco vamos dar uma volta.

— Não quero ir à floricultura.

Luna levantou a cabeça, esperançosa de encontrar Rosalie.

— Ainda não sei aonde vamos, mas se Luna quer ir à floricultura, passaremos por lá. Pode escolher um lugar de sua preferência para ir também.

— Nunca me leva aonde eu quero.

— Porque o lugar que quer ir, não é uma opção.

[…]

Passava das quatro da tarde, quando Emmett pagou o parquímetro com moedas depois de estacionar na praia de Wrightsville. Caminhou com as meninas pela orla, então no píer.

Luna quis que a colocasse no chão. Ele segurou na mão dela, numa caminhada morosa. A criança olhava na direção das águas sempre que uma águia-pescadora sobrevoava as ondas. Um catamarã, deslizava na superfície da água.

Emmett observou Makena se aproximar do corrimão de madeira e apoiar os braços, olhando o mar. O vento agitou os cabelos escuros, levando-a afastar alguns fios do rosto.

— É lindo, não é?

Makena inclinou o rosto ao olhar para ele.

— Sim, mas ainda prefiro a fazenda.

— Eu sei. — Havia compreensão em seu tom de voz ao dizer isso.

Makena surpreendeu o pai, ao abraçar a cintura dele. Emmett sentiu que nem tudo estava perdido, havia uma pequena chance de ela o perdoar. Percebeu Luna forçando para soltar a mão. Olhou para ela e também para trás, o caminho percorrido até ali. Rosalie estava indo ao encontro deles, seus cabelos presos em um rabo de cavalo no alto da cabeça, balançando levemente com o vento.

— Espero não ter demorado! — falou com alegria.

Emmett soltou a mão de Luna. Para sua surpresa, a pequena correu para encontrá-la.

Makena finalizou o abraço, colocando a expressão aborrecida no rosto.

— O que ela está fazendo aqui?

— Mandei uma mensagem, convidando-a se juntar a nós.

Ambos observaram Rosalie se abaixar para receber Luna nos braços. O olhar dela encontrou o do marido bem quando os bracinhos da menina se enroscaram em seu pescoço. Sorriram automaticamente um para o outro.

Rosalie beijou na bochecha de Luna, então ficou de pé com ela nos braços.

Emmett viu a expressão zangada no rosto da filha mais velha. Ofereceu a mão, porém, ela recusou, cruzando os braços na frente do corpo.

Rosalie caminhou até eles. Olhou para Makena, sem saber o que esperar.

— Está gostando do passeio?

— Até um minuto atrás — respondeu. Virou de costas e começou se afastar.

Sem graça, olhou no rosto do marido.

— Talvez não tenha sido uma boa ideia ter vindo até aqui.

— É claro que foi — encorajou ele. — Luna gostou muito de te ver. Eu também gostei muito. Makena está fazendo pirraça.

Rosalie pôs Luna no píer. Permaneceu segurando sua mão pequena. Luna moveu a mão da direção do mar.

— Você gostou? — tentou Rosalie.

A menina concordou com um movimentar de cabeça.

— Quer vir um dia comigo para um banho de mar?

Um sorrisinho reforçou o balançar de cabeça.

Rosalie olhou no rosto do marido.

— Tenho sua autorização?

— Confio em você. Se elas quiserem, confirmo.

Ela sorriu para Luna.

— Temos um passeio combinado. Falta escolher o dia e a hora.

Começaram a caminhar rumo a ponta do píer. Quando Makena percebeu estarem prestes a darem-se as mãos, apressou-se em ficar entre eles.

Rosalie fingiu não ter notado o que fez. Seguiu em frente, segurando a mão de Luna na sua.

Makena segurou na mão do pai, olhando-as de canto de olho.

— O que acha de vir com Rose e Luna para um banho de mar?

— Uma ideia horrível, papai. Não vou correr esse risco.

— Não vai acontecer nada.

— Não mesmo.

— Se não quer, não tem problema.

O vento jogava os cabelos de Luna no rostinho dela. Rosalie se abaixou, usou os dedos para controlar os fios e os prendeu em um coque no alto da cabeça da menina. Ajeitou a franja na testa com as pontas dos dedos ao finalizar.

— Assim ficou melhor — disse.

Luna pôs ambas as mãos em seu rosto.

— Você gostou?

Ela concordou ao mover a cabeça.

Ao ficar de pé, Rosalie notou os cabelos de Makena sendo chicoteados pelo vento o tempo todo. Teria se oferecido para fazer um coque nos cabelos dela também, no entanto, achou melhor não.

Passaram por dois senhores que pescavam. E um casal de namorados. Fizeram uma parada para olhar o mar e logo retomaram a caminhada de volta.

— Podemos passar na confeitaria de Kate? — ela ofereceu. — Estava pensando em pegar uns doces.

— É uma excelente ideia.

Rosalie precisou voltar no próprio carro. Emmett com as meninas no carro dele. Isso após explicar à Luna que a encontrariam em alguns instantes.

Ele pegou a menina no colo, após parar no estacionamento da confeitaria. Rosalie deixou o carro na vaga ao lado. A loja de dois andares, com paredes brancas, vitrines em toda a frente, toldos cor-de-rosa e vasos com plantas à direita de quem chega.

— Makena — o pai chamou a menina instante após perdê-la de vista.

Ela apareceu com as mãos atrás das costas, o olhar arisco.

— Estou aqui.

— Fique por perto, por favor.

— Está bem.

Rosalie foi a primeira entrar na loja. Emmett deixou Luna à vontade, ela seguiu os passos de Rosalie. Não demorou para ambas estarem de mãos dadas novamente.

— Abigail, minha irmã está por aí?

A jovem negra, com uma trança nagô lateral que se estende ao longo do cabelo, a recebeu com um sorriso.

— Ela saiu já tem um tempo.

— Que pena, achei que fosse encontrá-la por aqui. — Chegou mais perto da vitrine de doces com Luna. — De qual você gosta? Sem canela. Não podemos esquecer.

Mekena cutucou a mão do pai.

— Papai, pode comprar donuts para mim?

— Pode escolher. Pegue para sua irmã também.

— Luna já pegou.

Emmett olhou para o lado. Luna estava no colo de Rosalie, recebendo das mãos de Abigail, o donut com cobertura de morango. Deu uma pequena mordida no doce, na sequência, abriu um sorriso.

— Pode pôr oito desses para viagem? — ele pediu. — Já escolheu o seu Makena?

Depois de olhar os doces, a menina voltou para perto dele com um cupcake de cobertura azul e confeitos coloridos.

— Não era donuts?

— Mudei de ideia.

— Tudo bem, peça alguns para levar.

— Abigail, vamos levar oito cupcakes também — Rosalie pediu. Olhando Luna comer, brincou: — Que delícia de doce.

A pequena a olhou com a boca suja de cobertura cor-de-rosa.

— Aposto que o cupcake de sua irmã também está muito bom. — Olhou a mais velha, que a olhou de esguelha.

Abigail entregou as caixas com os doces nas mãos de Emmett. Ele se encaminhou ao caixa onde um rapaz de cabelos escuros o atendeu. Na sequência, saíram da loja.

— Já estão indo? — A voz de Kate chamou a atenção. Ela vinha na direção deles, com a bolsa e chave do carro na mão.

— Passamos para pegar uns doces. Achei que fosse te encontrar lá dentro. — Rosalie falou com a irmã.

— Precisei resolver umas coisas fora. Aproveitei que Esme foi pegar Jonah na escola e pedi para pegar Alyson. — Já perto da irmã, reparou com atenção na criança. Relanceou o olhar ao cunhado, logo ao lado delas. — Imagino que essa boneca seja a Luna.

A menina se encostou ao ombro de Rosalie.

— Isso mesmo. Ah, e… — procurou pela outra. Ela estava logo atrás do pai. — Ali está a Makena.

Emmett levou a mão ao ombro da filha, conduzindo-a para frente.

— Kate é irmã de Rose — lembrou ele. — Viu fotos dela, quando mexemos nos porta-retratos.

— Olá! — Kate tentou.

— Oi!

— Em breve as coisas irão se ajeitar. — Ergueu a mão para tocar o rosto de Makena, mas ela recuou. — Sei que agora você deve estar achando impossível. — Sorriu para Emmett. — Suas meninas são lindas.

— Obrigado.

— Ah! — disse para Makena. — Minha filha, Alyson, quer muito te conhecer.

Ela deixou Kate sem resposta ao morder o cupcake.

— Rose, o que aconteceu com seu carro? — voltou a falar com a irmã.

— Como assim? Não aconteceu nada com meu carro.

— Você não viu? Tem uns aranhões no lado do carona.

O olhar de Rosalie encontrou o de Emmett, surpresa com o que acabou de ouvir.

— Não estava arranhado quando cheguei. Eu teria visto.

Todos eles chegaram mais perto do carro.

— Como isso foi acontecer? — Emmett avaliou os arranhões na lataria cinza do veículo. — Kate, será que podemos dar uma olhada nas imagens da câmera de segurança?

— Claro que sim. Podemos ir agora mesmo se não estiver com pressa.

— Papai, não estou me sentindo bem. Minha barriga dói.

Ele segurou na mão da filha.

— Tudo bem, nós já vamos.

— Kate — Rosalie pediu —, pode enviar as imagens para mim depois.

— Claro. Pode deixar.

Emmett pegou Luna para levá-la para a cadeirinha no carro dele. Ela ficou triste por ter de se despedir de Rosalie mais uma vez.

Makena entrou no carro em silêncio.

Kate sussurrou para a irmã antes de ela entrar no veículo.

— Por que estão em carros separados? Não vai dizer que a menina…

— Não, não foi nada. É que encontrei eles na praia, após sair da floricultura.

— Ah, bom.

— Conversamos em outro momento. Fale para Alyson que mandei um beijo.

— Pode deixar.

Emmett esperou Rosalie sair com o carro dela para então segui-la.

Mais tarde, durante o preparo do jantar, Emmett fez uma pausa, pegando a taça borgonha na bancada ao lado do fogão, para um gole de vinho tinto. Dessa forma, conseguia relaxar enquanto preparava o jantar.

— Eu poderia te ajudar — ofereceu Rosalie, sentada na banqueta ao lado de Luna.

— É minha vez de cozinhar — lembrou. O purê de batatas estava pronto em cima do fogão. Os legumes e a costela de porco ao molho barbecue perfumavam toda a cozinha. Ele olhou Luna desenhando. — Está ficando lindo seu desenho, minha princesa.

A pequena o olhou. Emmett segurou sua mão e deu um beijo. Pegou os guardanapos e levou para a mesa. Quando retornava, Rosalie comentou:

— Kate me enviou as imagens da câmera de segurança da loja. O momento em tudo ocorreu.

— Você já viu? — Pegou o restante da comida, levando também para a mesa.

— Ainda não.

— Vou subir para chamar Makena. Me mostre quando eu voltar.

— Claro.

Instantes depois, retornou sozinho.

Rosalie tinha a expressão cética.

— É sobre as imagens? Conseguiu ver quem fez os aranhões?

— Makena não vai jantar?

— Ela disse que a barriga ainda doí. Mas, e aí, quem aranhou seu carro?

Como demorou em falar, chegou mais perto, pegou o telefone das mãos dela gentilmente, conferindo ele mesmo as imagens. Raiva, decepção e vergonha marcaram seu rosto.

— Não acredito que Makena fez uma coisa dessas.

Rosalie segurou seu pulso.

— Não fale nada.

— Como pode me pedir isso? Ela riscou a lataria de seu carro com uma pedra.

— Não é um bom momento. Ela está muito magoada e aborrecida. Brigar, não vai ajudar, ou mudar o que já está feito.

— Makena está ultrapassando todos os limites. Não posso me calar e permitir que continue fazendo esse tipo de coisa.

— Amor, por favor, não fale sobre isso agora. Será melhor assim, acredite em mim. Ela começa na terapia por esses dias. Tudo isso vai passar. É uma fase ruim.

— Mesmo assim, preciso falar com ela. — Beijou de leve nos lábios da esposa. — Eu mesmo levo seu carro para arrumar a pintura. Não vou me calar e deixar que pense que venceu. Pode ficar com Luna?

Ela olhou a criança distraída com o desenho.

— Claro.

Emmett bateu à porta antes de entrar no quarto. Encontrou Makena deitada na cama, olhando a fotografia da mãe, a medalhinha da virgem de Guadalupe na mão.

— Como se sente? — Se aproximou.

Ela respondeu, sem olhar para ele.

— Não me sinto muito bem.

Avaliou seu rosto. — É mesmo? Porque estou achando que a dor de barriga é mentira. Pode me dizer por que riscou o carro de Rose?

Makena sentou-se devagar na cama.

— Não adianta mentir dizendo que não foi você. Kate nos enviou as imagens da câmera de segurança.

— Não disse nada.

— Mas, agora vai dizer. O que te motivou fazer o que fez?

— Você já sabe, papai. Não gosto dela. Sinto tanta raiva.

— Por quê? Qual a origem de sua raiva? O que Rose te fez?

— A centopeia loura roubou você de mim e da mamãe. Agora está me roubando a Luna.

Emmett segurou nas mãos dela, com a medalha da santa entre os dedos.

— Conversamos sobre isso mais de uma vez. Não existe essa coisa de que Rose me roubou. E também não está roubando sua irmã. Você está afastando Luna. Não a acolheu em momento algum. Sequer permite acolherem a você. Mesmo comigo, tem sido difícil.

Os olhos da menina se encheram de lágrimas.

— Não precisa chorar.

— Sinto falta da mamãe e do vovô. — Um soluço fez sua voz falhar.

— Eu sei. — Afagou o rosto da filha. — Pense nas coisas boas que viveram. Não se torture mais. Sua mãe te amava muito, não iria gostar de te vir assim. — Limpou a lágrima no canto do olho dela com o polegar. — Você e Luna irão começar na terapia. Sua irmã vai na parte da manhã, você na parte da tarde, depois da escola.

— Eu não vou.

— Não tem escolha. É um comunicado, não uma pergunta.

— Não pode me obrigar.

— Estou fazendo isso para o seu bem. Me preocupo com você.

— Então me leve de volta para a fazenda. É lá que quero ficar.

— Meu coração se parte toda vez que me diz isso — confessou. — Quero muito você ao meu lado. Mas você quer ir para longe. Chama outro lugar de casa. Se sua mãe estivesse lá, mesmo me doendo muito, a levaria de volta.

— Por que não diz coisas feias sobre a mamãe? Ela falava coisas feias de você o tempo todo.

— Como você se sentia com isso?

— Mal. Preferia que nunca tivesse dito nada.

— Imaginei que fosse assim.

Sem aviso, Makena passou os braços ao redor do pescoço do pai, chegando a ficar de joelhos na cama.

Emmett a acolheu, com carinho.

— Eu te amo, papai.

O abraço tornou-se apertado.

— Achei que nunca mais fosse te ouvir dizer isso. — Os olhos dele marejaram. — Tive muito medo.

Após um suspiro, Makena confessou:

— Ainda continuo não gostando da centopeia loura.

O abraço foi desfeito. Ambos se olharam.

— Não a chame assim. Terá de pedir desculpas pelo que fez com carro dela.

— Não consigo fazer isso. Não posso.

— Por que não?

— Não me arrependo. Estaria mentindo se fizesse isso.

Emmett se levantou.

— Eu teria gostado se o fizesse com verdade. Pedirá desculpas, mesmo que não queira. — Fez uma pausa, então avisou: — O jantar está pronto. Eu mesmo preparei.

— Não estou com fome.

— Tudo bem, mas não trarei a comida aqui depois. E o pedido de desculpas, ainda não foi resolvido. Não importa o momento, vai fazer isso quando sair daqui. — Virou de costas e começou se afastar.

— Papai.

Parou e tornou olhar para ela.

— Vai voltar para me dar um beijo de boa-noite?

— Só se você quiser.

— Eu quero.

Ele anuiu. Makena voltou se deitar, olhando a medalhinha da virgem de Guadalupe na mão.

— Filha, eu nunca deixei de te amar.

Já estava saindo do quarto quando a ouviu dizer:

— Nunca deixei de te amar, papai.

Emmett sorriu de leve para ela. Fechou a porta ao sair para o corredor. Do alto da escada avistou Rosalie, de mãos dadas com Luna, aguardando. Ela sorriu em resposta ao sorriso no rosto dele. Luna soltou sua mão e começou subir os degraus ao encontro do pai, ansiosa.