Laços Imperfeitos
11 Pecado
Notas iniciais
Capítulo Oito – Pecado
– Eu sei. Eu sei... – A voz dele saiu estranha, como se carregasse conformidade e algo mais. Algo que dizia "pare e se arrependa". Talvez fosse a maldita tensão sexual que os assolava há dias.
Renji nem deu tempo para Byakuya se arrepender ou algo do tipo. Até porque Byakuya não se arrependeria mesmo, nem pensava nisso. Estava muito ocupado pensando nos lábios do ruivo que praticamente esmagavam os seus sem nenhum cuidado. Não era igual às ideias ou experiências de Byakuya em relação a beijos, nem mesmo era igual às descrições nos livros. Era melhor. Coisas assim vividas em primeira pessoa são sempre melhores, de fato.
Um som erótico e sensual foi ouvido naquele ambiente que era ocupado pele barulho da chuva batendo nas vidraças, além dos sons de beijos. Eles pararam o que estavam fazendo, Renji olhando surpreso e Byakuya tentando assimilar o que era. E a surpresa de Renji deu lugar a malícia, enquanto a confusão de Byakuya deu lugar a surpresa. Ele, Kuchiki Byakuya, realmente fez um som tão... tão... constrangedor? Renji realmente ficou tão animado por algo tão bobo?
Perguntas sem respostas...
Byakuya queria se afastar pra respirar, mas a sua mão escorregou. Droga. O Abarai praticamente rosnou com a fricção que a mão de Byakuya, de forma não intencional, fez em seu colo, justamente entre as pernas.
– O que você está fazendo? – Ele nem esperou uma resposta e foi logo se livrando da camisa. A pressa foi tanta que ele apenas estourou os botões e se livrou da peça, que no momento estava incomodando. E ele não queria incômodos.
A mão sempre tão fria de Byakuya, que no momento estava quente como ele todo, foi para o peitoral largo e bem definido de Renji, passando pelas tatuagens tribais. Estava com uma puta curiosidade para saber até onde elas iriam. Acariciou levemente ali. De certa forma, ainda que estivesse excitado, estava debilitado. Ele não sabia, mas, tomou mais coisas suspeitas que Renji. Por estar debilitado, estava consequentemente mais maleável.
Renji gemeu. Qualquer mínimo toque parecia fazer sua pele pegar fogo, e juntos da imaginação fértil dele, era algo incrível, sério. Byakuya parecia um cordeirinho, de tão fofo e vulnerável; mesmo que sua expressão dissesse "eu gosto disso, pode me comer, senhor lobo". Não nessas palavras.
– Senpai... – Gemeu arrastado, mas arrumou o tom de voz assim que os olhos cinzentos pousaram em si. – Eu sei que você quer... eu acho. – Ele resmungou a última parte. – Eu preciso ter certeza... pra poder continuar... – Controlou-se para não gemer novamente. E Byakuya? Ora, mesmo que estivesse gostando de tudo isso, estava nervoso. Muito nervoso. Em uma carícia trêmula, segurou o rosto de Renji entre as mãos finas e o beijou, com mais delicadeza que antes dessa vez, ainda que o desejo desesperado se fizesse presente. Renji aceitou de bom grado. Podia fingir que não, mas queria Byakuya. Precisava dele, como se precisa de ar. Precisava de mais daqueles toques inseguros, daquela boca com sabor de luxúria misturada com inocência. E se Byakuya deixava, quem era ele pra parar? Um idiota, provavelmente.
– Não me obrigue a dizer. – O Abarai deu um risinho frouxo.
– Ninguém precisará dizer alguma coisa. – E realmente não precisaram. Estavam ocupados demais tirando as roupas. As mãos vacilantes do Kuchiki desabotoavam a camisa, mas ele não se deu ao trabalho de tirar do corpo. Estava com muita pressa para consumar o ato e por logo a culpa na maldita sensação que os vitimava desde meia hora atrás. Estavam livres das roupas de baixo, e, mesmo que estivesse gostando de tudo isso, a timidez se fazia presente.
Renji beijou o pescoço de Byakuya, sentindo-o estremecer. Rapidamente abraçou a cintura dele, impulsionando-o para cima.
– O que acontece agora? – O moreno perguntou um pouco inseguro, claramente nervoso e cheio da vontade de se livrar dos sentimentos que pareciam só atrapalhar.
– Eu acho que não daria certo apenas explicar. – Ele beijou o peito do outro. – Se eu fizer será melhor, senpai... – Ele sussurrava tudo, como se não tivesse forças para muito mais. E provavelmente não tinha, que legal.
– Esse calor vai passar? – A imagem de cordeirinho fofo voltou para a mente de Renji, mas logo foi dissipada.
Isso parece mais a voz do demônio, que veio para me tentar.
– Vai sim. Vai ficar bem melhor. – Renji, que há poucos minutos estava se tocando, tocou Byakuya. E tudo o que este último já fez na vida pareceu falso em seguida. Que a verdade seja dita, pois Byakuya nunca... tocou-se para obter prazer. E a sensação foi tão indescritível... Era como um peso oco no quadril, um formigamento, um aperto. E era tudo muito, muito bom. Jogou a cabeça pra trás e sua boca entreabriu, em um gemido mudo. Se estava assim com um simples carinho, como ficaria nos finalmente? Melhor não pensar nisso...
– Por que estamos fazendo isso? – Ele perguntou, sabendo que não fazia sentido, pois há dez minutos, ele parecia ser o mais seguro de ambos. Mas, o problema não era esse. O problema é que tinha medo. Medo de esta estúpida noite não passar disso. De uma estúpida noite, onde um homem molestava uma criança, onde duas pessoas se usavam para fazer os ânimos acalmarem.
– Eu estou fazendo o calor passar...
– E vai passar? – Choramingou com o aperto mais forte que recebeu em sua intimidade. A verdade é que precisava de uma desculpa. Sempre precisou de uma desculpa, não faria realmente isso sozinho.
– Vai sim, senpai...
Beijo-o novamente, afinal, o que vinha a seguir iria realmente doer. E Byakuya provavelmente não tinha nenhum tubo de lubrificante na biblioteca. É, provavelmente. A distração pareceu funcionar, então, começou o preparo básico no outro (você não quer mesmo saber como. Ou talvez queira...). Byakuya achava que nesse momento, não podia nem sequer se mexer. A cabeça estava projetada para trás, os gemidos nada castos pareciam sair do fundo da garganta. Renji encostou o rosto no pescoço do outro; assim tinha apoio e podia sentir aquele perfume maravilhoso. Depois de algum tempo, chegou à conclusão de que o Kuchiki estava suficientemente preparado.
– Vai doer um bocado... Se quiser que eu pare, fala agora.
– Apenas... faça... parar de que-queimar... – Enquanto falava, ele tomava generosas golfadas de ar, na esperança de diminuir o calor. Iludido...
– Eu vou parar pra você. – Sussurrou com dificuldades. A verdade é que Renji também se sentia fervendo.
Levantou o quadril de Byakuya, o posicionando encima da própria intimidade. Se ia doer? Oh, sim, pode apostar. Mas nenhum deles estava ligando pra isso naquela hora.
Byakuya mordeu o lábio inferior levemente, como reflexo pelo desconforto inicial, que logo progrediu para uma dor diferente de todas as outras que já havia sentido. Era ardida, intensa, queimava, rasgava; mas, de modo inexplicável, era boa. Logo mordia com força suficiente para fazer verter um pouco de sangue, que Renji logo lambeu, a tempo de tomar a boca de Byakuya para um beijo selvagem e com sabor metálico.
Já Renji estava agora completamente dentro do outro. Parou para fazê-lo se acostumar com a situação, afinal, não acreditava que ele já tivesse vivido uma experiência parecida.
– O-o quê? Por que parou? – Byakuya parecia confuso. As sobrancelhas estavam franzidas, a pele estava suada e o rosto estava corado e quente.
– Se eu me mexer, vai doer.
– Quem se importa, idiota? – Em uma cena totalmente bizarra para uns e incrivelmente erótica para outros (eu, Renji, talvez você), Byakuya começou a se mexer ele mesmo. De alguma forma Renji conseguiu se controlar diante daquela face que sempre carregou um olhar frio e indiferente, mas, agora ostentava um olhar cheio de luxúria, ao mesmo tempo em que era lindamente inocente, bem diferente do que estavam fazendo.
Os quadris de Renji pareciam ter vida própria. Ou talvez fosse apenas a cena que desequilibrou qualquer sanidade que ainda restava no ruivo tatuado. Incrível! Os movimentos se tornaram mais e mais frenéticos, deixando os dois mais perdidos nas próprias sensações. Byakuya foi o primeiro a se entregar ao orgasmo, achando que esta pode ter sido a sensação mais incrível que já teve o prazer de experimentar. O abdômen de Renji recebeu a libido do outro. Byakuya não ficou nervoso ou culpado por este fato, ainda estava perdido com Renji indo cada vez mais forte, acertando um ponto em especial. Já estava ereto novamente, ainda que sensível pelo primeiro... E Renji chegou ao ápice, preenchendo o Kuchiki, que, com isso, gozou mais uma vez.
Estavam trêmulos e ofegantes, ainda não tinham a real consciência do que fizeram. Renji pegou com os dedos o líquido esbranquiçado que proveio de Byakuya e levou-os até a boca. O Kuchiki tinha que admitir: a visão era suja, excitante e sexy. E tinha que admitir outra coisa também: nunca imaginou na vida que acharia algo do tipo tão sensual.
Estavam deitados, Byakuya no peito do ruivo, ao mesmo tempo em que refletia em tudo o que aconteceu em tão pouco tempo em sua vida, sentindo as mudanças que poucas palavras poderiam causar em um ser humano.
– Senpai? – Renji chamou, bocejando em seguida.
– O quê? – Byakuya respondeu, ainda absorto nos próprios pensamentos.
– O que acontece a partir de agora? – Ele perguntou inocentemente, sem perceber o peso que aquilo trouxe para o Kuchiki.
– Eu não sei... – O moreno suspirou cansado.
– Senpai?
– Sim.
– Se não sabe o que está tendo entre nós agora, dorme, ‘tá bom?
– Por quê? – Ele perguntou apenas por perguntar.
– Se pensar muito, pode acabar fazendo algo que não quer realmente...
A sombra (só a sombra, mesmo) de um sorriso passou pelo rosto de Byakuya. O que Renji entendia sobre isso? Era apenas uma criança afinal. Não entendia o turbilhão de pensamentos que dominariam – se é que já não dominavam – a mente de Byakuya no dia seguinte a todos os seus pecados.
– Certo... – Ele percebeu que a própria voz saiu expressando todas as dúvidas quando a isso, o traindo. Tentou de novo, depois veria o que fazer com toda a culpa. Talvez uma tese... – Certo.
{···}
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