Laços Imperfeitos
12 Extra - O curioso caso de Ulquiorra Schiffer - Parte dois
Notas iniciais
Extra — O curioso caso de Ulquiorra Schiffer — Parte dois
Inoue olhou o relógio. Era meia-noite, a Lua estava em pico. O clima estava ameno, apesar do horário que a isso nada ajudava.
Respirou fundo algumas vezes.
Era mesmo necessário visitar alguém tão tarde? Bom, Rukia disse que ele ficaria feliz, e geralmente Rukia estava certa... Okay, era melhor não pensar no assunto e ir logo de uma vez. Abriu a porta de seu minúsculo apartamento e saiu, ouvindo os próprios passos ecoando enquanto caminhava, ainda que com mais cuidado e leveza que o necessário. O corredor estava escuro. A lembrança da tarde ainda se fazia presente, tornando o ambiente mais misterioso que o normal.
Deixou a covardia de lado e se aproximou da porta do apartamento vizinho. Os barulhos ainda continuavam, mais os ignorou, junto com o medo que crescia e o estranho frio na barriga que começava a sentir. Deu três breves batidas na porta e, sem saber bem o porquê, rezava para não ser atendida. Mas, suas preces não foram ouvidas, obviamente...
O mesmo rapaz que viu na noite anterior lhe atendeu. Pareceu um pouco surpreso com a visita inesperada da garota. Mas, rapidamente voltou a sua expressão nula, esperando que a visitante dissesse algo. Orihime estava extremamente nervosa, o que diabos foi fazer ali mesmo? Ah...
– E-eu... sou sua vizinha. Co-como não fez os cumprimentos, eu pensei que fosse alguém muito ocupado, então achei que seria uma boa ideia vir me apresentar... – Ao notar que tagarelava, parou de falar, colocando sem jeito uma mecha de cabelo atrás da orelha esquerda. Esperou uma resposta, que não tardou muito.
– Entendo. Não seria de bom tom fazer os cumprimentos tão tarde e durante o dia não estou em casa. – Notou que a garota ficou preocupada por estar ali naquele horário, aparentemente foi um pouco rude, mas, o que podia fazer? Não estava realmente acostumado a se socializar... – Mas, obrigado por vir. Sou Ulquiorra Schiffer. E você, mulher? – Ele pronunciou a última parte baixo e lentamente, sem dar a ruivinha a certeza do que ele havia dito no final.
– Orihime. Inoue Orihime. – Ela sorriu com simpatia e completou com entusiasmo: – Gostaria de um pedaço de torta? Fiz hoje mesmo.
– Claro, só um minuto. – se afastou, indo para algum canto do apartamento. Provavelmente, em busca de uma camisa, já que não vestia nenhuma. Corou ao notar, nem ao menos havia olhado um pouco que fosse. Corou ainda mais com o pensamento, como poderia ser tão pervertida? Talvez fosse a convivência com Rukia...
Deixou o pensamento de lado ao notar a “nova” decoração do lugar. Não havia nenhum sinal do caixão, das estacas ou dos manequins. Tudo isso deu lugar a um grande sofá preto com almofadas vermelhas, uma estante de madeira escura lotada de livros, um belo tapete preto felpudo e nas paredes havia três quadros. As molduras escuras contrastavam com os ambientes ensolarados representados nelas.
Apenas um deles era diferente, uma confusão de pessoas que pareciam muito distantes de uma espécie de borrão que era o centro do quadro. Queria vê-lo mais de perto, mas, Ulquiorra logo voltou. Ficou um pouco sem graça ao notar que inconscientemente deu alguns passos, adentrando assim o apartamento do moreno. Mas, ele fingiu não notar, seguindo-a até o apartamento dela.
A garota sentia uma estranha tontura; começava a considerar que teria sido melhor ter lhe levado um pedaço de torta e não o convidado. Abriu a porta de sua habitação de forma desajeitada devido ao nervosismo. O rapaz hesitou um pouco em adentrar o local, parecia esperar por algo.
– Pode entrar, sinta-se à vontade. – Disse com a gentileza habiatual. Mas, havia algo errado. Aquilo lhe parecia familiar, algo sobre não poder entrar sem ser convidado...
Ignorou o pensamento, trazendo de uma vez a bendita torta. O rapaz não se importou com o sabor exótico, o que deixou Orihime muito contente. Além disso, estava muito interessado no cotidiano escolar da garota. A ruivinha sentia-se uma tagarela, mas, não se importava tanto já que Ulquiorra sempre perguntava algo sobre algum detalhe que achou importante.
Perdeu o receio de conversar com o misterioso garoto, à seu modo ele era até simpático. Era apenas reservado, contou-lhe pouco sobre si, apenas que estudava durante o dia e que à noite, devido à insônia, aventurava-se a pintar e esculpir. Além disso, tinha fascinação por carpintaria e vendia algumas obras para um famoso ateliê no centro da cidade.
Bom, isso explicava muita coisa. Inoue estava satisfeita. No final das contas Rukia tinha razão, como sempre. A conversa estava tão boa que perdeu a noção do tempo, notando apenas quando já se passava das 3 da manhã. Caramba, tinha aula no dia seguinte... Mesmo assim, seria falta de educação expulsá-lo. Que idiota manipulável...
...
Foi praticamente se arrastando para a escola, estava tão sonolenta. Dois dias sem dormir era muita coisa. Para piorar, estava com dor no estômago e um forte enjoo. Ainda assim, estava animada. Nada como desvendar mistérios para te deixar cheio de energia.
Ao se aproximar da escola viu o carro do irmão de Rukia, logo depois ela e Renji desciam dele. Rukia parecia extremamente animada, Renji nem tanto... Talvez um pouco confuso. Viu de relance o Kuchiki mais velho, que usava óculos escuros. Que estranho, o dia nem estava ensolarado... Rukia, ao vê-la, correu em sua direção.
– Caramba, o que aconteceu com você? ‘Tá parecendo um fantasma... Péra, você falou com o cara? – Perguntou toda animada.
– Sim. Você tinha razão, ele é muito legal e... – interrompeu-se devido ao maldito enjoo.
– Orihime, você está bem?
– Sim. – Apesar das negativas de estar mal, ela não tinha tanta certeza. E nem a mínima ideia do porquê de estar assim.
Rukia ficou desconfiada, mas acompanhou a amiga enquanto ela contava sobre o tal cara. A baixinha não entendia bem, mas, por algum motivo estava preocupada com Inoue, principalmente pela aparência dela. Estava pálida e tinha profundas olheiras, além disso, andava cambaleando com uma mão na barriga como se sentisse alguma dor.
Mesmo com as constantes perguntas preocupadas da Kuchiki, Orihime sempre afirmava estar bem e voltava a falar animadamente sobre o vizinho. Caramba, que irritante... De qualquer forma, decidiu ficar de olho na garota. Tirando o fato de ela ter praticamente dormido a aula inteira, parecia bem.
Na troca de aula Rukia achou melhor acordá-la, todos estavam preocupados com o comportamento estranho e anormal dela. Entretanto, notou que ela estava quente e suava um pouco. Okay, hora de se preocupar de verdade.
– Renji, me ajude a leva-la à enfermaria, acho que ela está com febre.
O ruivo era o mais próximo, mesmo parecendo no mundo da lua, logo foi socorrer Orihime. Bom, era meio estranho ter que carregar a garota até a enfermaria, não seria mais prático acordá-la? Enfim, Rukia achou melhor não. E quando ele questionou, ela bateu o pé e disse novamente que não. Melhor não discordar, vai que ela endoida de vez...
– Anda logo, Renji. – Ela parecia mais impaciente com ele que o normal.
– Calma, não é você que está carregando um peso adicional.
No corredor da enfermaria, viram o diretor saindo de lá meio... irritado. Até bateu a porta, o que não era muito a cara dele. Foi na direção contrária, não notando os alunos presentes ali. Rukia sem muita cerimônia deu uma leve batida na porta e logo a abriu encontrando lá o enfermeiro (não, o encanador) e alguém que não esperava encontrar ali...
– Nii-sama?
{...}
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