Laços
9 O amor é como um campo de batalha
Notas iniciais
Neji bateu levemente na porta do quarto da prima, mas depois de esperar por alguns minutos, ninguém respondeu. Bateu novamente, aguardando, mas não houve qualquer resposta. Ele então girou a maçaneta, abrindo um pouco a porta, apenas o suficiente para ver se havia mesmo alguém lá dentro.
A cama estava vazia.
Um pouco nervoso, ele entrou para checar o restante do aposento, mas não precisou procurar muito. Hinata estava sentada na janela, observando as árvores que se espalhavam pelo novo espaço do clã Hyuuga.
Os olhos perolados de Hinata acompanhavam o cair das folhas, que dançavam com o vento antes de tocarem o chão. Ela pensava que aquela era uma boa comparação. Ela também dançara com o vento antes de cair no chão.
Já havia se passado quatro dias desde que pedira que Naruto se afastasse, e começava a acreditar que o loiro entendera seu pedido como algo definitivo. Será que demoraria tanto tempo assim para que ele se decidisse quanto ao que sentia? Será que havia desistido de tentar?
Por que ele não a procurava?
Ela sentava todos os dias na janela de seu quarto, observando o entardecer que lhe lembrava de Naruto. Vendo o sol se pôr por mais um dia sem que ele a procurasse, derramava lágrimas silenciosas, o peito apertado. Aquele era o momento do dia que mais lhe doía. As lembranças a torturavam sem que ela pudesse controlar o pranto que insistia em rolar. Por mais um dia não contemplaria o entardecer ao lado dele, por mais um dia a árvore sob a qual sentavam para admirar o céu de Konoha estaria vazia, por mais um dia não ouviria aquela risada rouca que a fazia ruborizar... Por mais um entardecer, via os raios de sol de sua vida sendo levados pelo anoitecer de Konoha.
Ela fechou os olhos. Começava a anoitecer também em seu coração.
–Hinata-sama... – começou Neji. O estado da prima o preocupava. Hinata realizava suas atividades de forma mecânica, sem prestar atenção a nada. Já não ajudava mais a equipe médica, pois distraída como andava, poderia acabar por prejudicar a saúde de alguém. As vezes ajudava as esposas de alguns ninjas a organizarem suas casas para receberem a família, ou ajudava Tenten a distrair as crianças, mas passava pelo dia sem notar nada ao seu redor. Hinata agia como um robô. Sua vida havia parado quatro dias atrás.
–Desculpe entrar dessa forma em seu quarto, mas quando ninguém respondeu ao meu chamado, fiquei preocupado...
–Desculpe... não ouvi... – ela falou, ainda fitando a dança das folhas... e o céu.
–Não quer comer alguma coisa? – perguntou o primo, a preocupação audível em sua voz. –Podemos ir ao Ichira...
–Não. Obrigada.
Pela resposta, Neji percebeu que tinha tocado em alguma ferida, mas não sabia qual. Prosseguiu.
–Hinata-sama... não quer conversar? – disse, aproximando-se da prima. Estava realmente preocupado.
–Neji nee-san, já disse que não precisa me tratar com toda essa formalidade... Nós somos uma família.
–Eu sei... mas gosto de manter as formalidades em sinônimo de respeito à família principal.
Hinata sorriu para Neji. O primo era mesmo alguém muito apegado às formalidades.
O olhar carregado de tristeza de Hinata apenas o deixou mais preocupado.
–Tem certeza de que não quer sair um pouco daqui? Caminhar, conversar...?
Sim, ela gostaria de poder falar tudo o que sentia, mas não para Neji. Vasculhou a mente em busca de alguém que pudesse compreendê-la. Mas lembrou-se de que a única pessoa capaz de se identificar com aquela dor não estava na vila.
Fazia algum tempo desde que Sakura partira. Será que estava tudo bem?
–Será que você... pode chamar a Tenten? – ela perguntou.
Neji deu um passo involuntário para trás, a expressão perplexa e um pouco corada:
–Tenten? Por quê?
–Você perguntou se eu gostaria de conversar... Pensei que poderia conversar um pouco com Tenten. Algum problema?
–Não... Mas... – Neji vasculhava sua mente em busca de uma desculpa para o seu súbito nervosismo. – Não pode ser a Ino? A casa dos Yamanaka é aqui perto, não vai levar nem um minuto.
–Ino-chan é uma boa amiga, mas... ela não... entenderia. Neji nee-san, por que está corado?
Neji pigarreou.
–Estou indo procurar Tenten. – falou, saindo do quarto.
Um pálido sorriso brotou de seus lábios que já não se curvavam dessa maneira há alguns dias.
A quem Neji queria enganar? Será que ele não se lembrava de que Hinata conhecia bem o significado daquele rubor?
***
Neji aproximou-se do espaço aberto onde Lee e Tenten investiam um contra o outro em um treino pesado. Ele suspirou ao ver que Lee ainda estava empolgado, mesmo estando ali desde manhã.
–Mas vocês ainda estão aqui? Passei aqui ao meio-dia e vocês dois já estavam treinando.
Os dois continuaram como se não tivessem ouvido nada.
–Vamos lá, Tenten! Venha pra cima com toda a força da sua juventude! Não vou perder pra você!
–Cala a boca e vem pra cima, Lee! – gritava a outra.
–Isso mesmo! Já sabe da aposta! Se eu ganhar, dou cem voltas em toda a vila plantando bananeira... e seu eu perder, dou duzentas!
–Quem é que faz uma aposta ridícula dessa? – reclamou Tenten, avançando na direção de Lee.
Como sempre, Lee tinha entusiasmo de sobra para realizar qualquer atividade. Ele chamava aquilo de “Força da Juventude”. Neji chamava de “maluquice sem sentido”.
–Será que vocês podem dar um tempo? Preciso falar com a Tenten. – pediu o Hyuuga.
–Agora não! – os dois gritaram em coro para Neji.
–Mas será possível... – indignou-se o Hyuuga.
Os dois continuavam o “treino” animadamente, até que Neji cansou de esperar por atenção.
Correu para o meu dos dois, e antes que a perna de Lee batesse de encontro ao braço de Tenten, Neji segurou os membros de ambos. Paralisados pela surpresa de ver o Hyuuga entre eles, os dois não reagiram quando Neji torceu a perna e o braço dos amigos, fazendo os dois caírem no chão, provocando um baque surdo.
–AI! – reclamou Tenten –O QUE PENSA QUE ESTÁ FAZENDO, TEME?!
–Estou fazendo os dois pararem com esse treino patético e me escutarem. – respondeu, indiferente. Tenten levantou-se, lançando ao Hyuuga um olhar estreito. Ele fingiu não ver.
–Neji! Agora que você interrompeu, eu nunca vou poder saber o resultado do treino, e vou ter que dar trezentas voltas! – reclamou Lee.
–Por que não esquece isso? – perguntou Neji.
Lee arregalou ainda mais seus olhos para Neji:
–PORQUE É ASSIM QUE SE PROVA A FORÇA DA JUVENTUDE!
Neji revirou os olhos.
–O que é que você quer? – perguntou Tenten, enquanto limpava o suor que pingava de sua testa. Neji observava aquele gesto com um olhar abobalhado.
–Eu... – começou, esquecendo-se completamente do que ia dizer.
–Alô, Neji! – chamou Tenten – Terra chamando!
–Ah... sim... er... Hinata-sama quer ver você. – falou, tomando controle de si.
–Hinata? Aconteceu alguma coisa?
–Sim... acho que sim. Ela anda muito triste, há dias... mal come e não fala com ninguém. Achei que seria bom ela ver uma de suas amigas, se distrair um pouco.
–E por que não falou isso assim que chegou, Neji?! Eu teria ido correndo!
Uma veia saltou da testa de Neji, desfazendo sua máscara de indiferença:
–E você deixou?! Ficou aí a tarde toda atirando essas suas armas pra tudo quanto é lado como se não houvesse amanhã e sequer me viu chegando!
–Não ouse falar das minhas armas!
–Isso é... O FOGO DO AMOR! COMO A JUVENTUDE É LINDA! – intrometeu-se Lee.
–COMO É QUE ÉÉÉÉÉ?! – gritaram em coro Neji e Tenten.
–Vamos lá, continuem, coloquem pra fora esse fogo!
–Comece a plantar suas bananeiras agora antes que eu parta a sua cabeça ao meio, Lee... – ameaçou Tenten, já erguendo o punho na direção do amigo.
–Já estou indo! – apressou-se Lee, correndo para longe da fúria de Tenten.
A garota virou-se novamente para Neji:
–Vamos. Me leve até ela.
Os dois caminharam lado a lado até a nova mansão do clã Hyuuga. Ambos engolindo em seco e tentando sufocar a todo custo a irritação e euforia que provocavam um no outro.
***
–Hinata? – chamou Tenten, colocando a cabeça para dentro do quarto. – Posso entrar?
A menina assentiu. Estava encolhida na cama, abraçando os joelhos. Não queria olhar para Tenten. Não conseguia ver ninguém. E se fechava os olhos, a imagem que lhe vinha em mente era a do rosto dele...
–Estranhei você não ter aparecido ontem para ajudar. Nem hoje. O que há com você?
–Ele... ainda não me procurou, Tenten. – começou Hinata, falando baixinho.
Tenten mordeu os lábios, sem saber como confortar a amiga. Não sabia lidar direito com essas coisas sentimentais. Se no lugar do coração, tivesse uma kunai, ou qualquer outra arma, saberia exatamente o que fazer. Mas como poderia consolar Hinata, se não conseguia sequer conversar direito com o garoto de quem gostava sem acabar brigando?
–Hinata, não fique assim... você não queria um tempo? Não precisava dar a ele espaço para pensar se realmente essa história de vocês tem um futuro?
–Sim, mas... eu... sinto falta dele. Muita... muita falta. Essa saudade dói... – falou Hinata, as lágrimas começando a rolar. Sim, precisava de um tempo para ter certeza de que Naruto sentia algo por ela. Para ter certeza se valeria a pena continuar. Não queria ser um peso na vida dele. Mas... Havia um buraco em sua vida desde o dia em que ele, aceitando seu pedido, não a procurou mais. Será que ele havia se dado conta de que não poderia correspondê-la daquela maneira?
–Hinata... não sei como posso te ajudar. Mas acho que você precisa sair um pouco daqui. Não quer sair um pouco dessa casa, ver a rua, as pessoas?
–Não...
–Ah, vamos lá, Hinata – falou a amiga, puxando Hinata pelo braço. Vendo que a Hyuuga ainda resistia, Tenten ameaçou. –Vou ter que levar você a força ou vai cooperar comigo? Eu trouxe minhas armas, Hinata. Estou falando sério.
A Hyuuga quase sorriu ao ver a amiga esforçando-se para animá-la. Levantou-se, refletindo que talvez fosse melhor sair um pouco de casa. Afinal, se ficasse alí, correria o risco de ir para a janela novamente, fitar aquele céu escuro.
Desde que vira Naruto pela última vez, a lua não aparecia mais no céu.
***
Naruto caminhava nas ruas de Konoha, os ombros arriados, fitando o chão. Seguir o conselho de Kiba estava acabando com ele. A dor da saudade o dilacerava a cada dia mais. Devagar, aquele sentimento ficava cada vez mais claro. Não podia viver sem ela.
Alguém esbarrou em seu braço, mas ele não parou para ver quem era, nem para pedir desculpas. Seguiu seu caminho, ainda olhando para o chão. Não ousava olhar para o céu. Seria pedir demais de seu corpo e de sua mente, suportar as lembranças trazidas por aquela imensidão escura.
–Naruto? – chamou alguém.
O loiro continuou seu caminho, até sentir alguém agarrar-lhe o braço.
–Naruto! – chamou Iruka. –Não está me ouvindo te chamar?
–Iruka... sensei... desculpe... Não tinha te ouvido.
–Eu percebi – falou Iruka, a expressão tomada pela preocupação. Nos últimos dias, estava reparando que Naruto não era mais o mesmo. Não falava ou olhava para ninguém. Apenas ajudava na reconstrução das casas, mas antes do entardecer, o loiro sumia e se trancava em casa.
–Naruto, espera. Venha comigo. – falou, arrastando o outro.
Naruto sequer protestou. Em outros tempos, ele teria feito um escândalo, e questionado o porquê de estar sendo arrastado daquela maneira. Agora, como um zumbi, Naruto se deixava levar por Iruka, a expressão distante.
Eles chegaram até o banco onde haviam conversado pela última vez desde que Naruto perdera o sorriso. Forçou os ombros do loiro até que ele se sentasse. Então, começou:
–O que está acontecendo com você?
Naruto não respondeu. Não tinha importância. Hinata lhe pedira para ficar longe, e não tinha ouvido noticias dela desde então. Ela não havia ido lhe procurar. E prometera a si mesmo que seguiria o conselho de Kiba até o fim, e só a procuraria quando estivesse no limite. Mas qual era seu limite? Talvez já o tivesse ultrapassado. Não achava ser possível que aquela dor pudesse latejar com ainda mais intensidade em seu peito.
–Isso é por conta da Hyuuga Hinata?
O loiro arregalou os olhos para Iruka, e depois voltou a baixar o olhar. Ouvir aquele nome o arrasava. Respirou fundo para não deixar caírem as lágrimas que se acumulavam em seus olhos, deixando a vista embaçada.
–Fiz uma pergunta. Mesmo que não seja mais meu aluno, ainda sou seu superior. Me responda!
–Eu... Não importa. – respondeu.
Iruka suspirou pesadamente e se sentou ao lado de Naruto.
–Não sei direito o que se passou entre você e Hinata, mas reparei que vocês andavam bem próximos nos últimos tempos. Vocês estão...?
–Não quero saber dessa conversa. –disse Naruto, pronto para se levantar e ir embora.
Iruka ergueu o punho cerrado e acertou com força a cabeça de Naruto, em um cascudo certeiro.
–Sente aí que eu ainda não acabei de falar!
Surpreso e certo de que em breve um galo imenso brotaria de sua cabeça, o loiro se sentou.
Iruka voltou a falar:
–Pelo visto você está apaixonado pela Hinata.
–Não comece a falar do que você não sabe. – cortou Naruto. Iruka sorriu.
–Engraçado, sempre achei que você fosse louco pela Sakura-chan... Mas pelo visto, foi a Hinata quem trouxe a paz e o desespero para o seu coração.
–E isso é que é amor? – questionou, sentindo o desespero corroendo seu cérebro, enquanto as palavras de Iruka ecoavam em sua mente. Falar dela não era fácil. Será que ela também estava se sentindo daquele jeito? Será que aquela saudade doía nela também?
–Naruto, o amor não se resume à momentos de calmaria... Ele também pode fazer um coração doer e sangrar a ponto de enlouquecer uma pessoa. Pode levar qualquer um ao desespero... mas, como eu disse, também pode trazer a paz e a felicidade.
–Isso não me parece amor. Parece tortura.
–Sabe, Naruto... quando eu tinha a sua idade, eu me apaixonei por uma garota de uma vila vizinha. Ela era uma grande ninja, muito habilidosa, mas acabou morrendo na guerra. Nessa época, eu também achei que fosse morrer.
–Como... como você superou isso?
–Amadurecendo. Compreendi que o amor é como um campo de batalha: você pode ganhar ou perder... mas em qualquer uma das possibilidades, o resultado só valerá mesmo a pena se tivermos lutado até o fim.
–Eu não... vou conseguir. Não vou conseguir aguentar isso. Dói demais, Iruka-sensei... a saudade dela dói como um veneno me matando por dentro. – falou, sem conseguir mais segurar as lágrimas.
Iruka sentiu uma pontada de dor pelo sofrimento de Naruto. Ele era mais que um ex-aluno, era como um filho. Um filho louco, desmiolado, desastrado, irresponsável e cabeça-oca. Mas um filho.
–Lembre-se do que eu lhe disse: você só poderá passar por isso se tentar amadurecer. E, seja qual for o resultado... tenha certeza de ter lutado até o fim.
–E se não valer a pena? E se... e se ela não quiser mais me ver?
–Já disse que você precisa lutar, seja qual for o resultado. Naruto, se tem uma coisa pela qual se vale a pena lutar nesta vida... é o amor. Pense nisso, está bem?
Naruto assentiu. Iruka levantou-se dalí, e já de costas, disse:
–Vá andar um pouco, tente esfriar essa sua cabeça-oca. Você nunca foi de pensar muito nas coisas, cuidado para não fritar seus miolos.
O loiro soltou um riso fraco.
Bom, se era para deixar doer, então não custava nada ir até aquele lugar. Precisava de algo que lhe dissesse que valia mesmo a pena lutar por aquilo. Que Hinata ainda sentia algo por ele, mesmo com aquela distância.
Caminhou lentamente até a árvore que selava todas as tardes que passou ao lado dela.
***
Hinata caminhava sozinha sob o céu escuro da Vila da Folha. Tenten não havia sido de grande ajuda, pois realmente não era muito boa em lidar com sentimentos. Mesmo agradecida pelo esforço da amiga, precisava de um tempo andando sozinha. Talvez aquilo ajudasse a limpar sua mente da dor que turvava seus pensamentos.
Mesmo que fosse contraditório, queria que Naruto lhe procurasse. A ausência dele dava às suas lembranças um tom etéreo, como se tudo não tivesse passado de um sonho. Não tinha mais certeza se os dias que passaram juntos haviam sido reais.
Para provar para si mesma que ainda havia um raio de esperança, ela decidiu ir até aquele lugar. “O nosso lugar”, como ele havia lhe dito, certo dia. Parecia que aquilo havia acontecido há muitos anos...
A Hyuuga parou no meio do caminho. Havia alguém sob a árvore.
Sentado, de olhos arregalados, Naruto via Hinata parada, perplexa, olhando para ele.
–Hi...Hinata...?
***
Ela não sabia onde estava sua voz. Permaneceu imóvel por longos cinco segundos, até que se lembrou de que precisava dizer ou fazer alguma coisa. Recomeçou a andar, indo na direção do loiro.
Sentou-se na grande pedra que havia ali. Colocou uma mexa do cabelo para trás da orelha, tentando disfarçar o nervosismo.
–Naruto-kun... Olá.
Naruto estava sentado no chão, olhando atônito para ela. A dor o atingia como mil kunais sendo cravadas em seu corpo. Ela estava ali. Por que ainda doía?
Ele sabia a resposta. Ainda doía porque não a tinha em seus braços. Ainda doía porque ela estava distante demais, e não podia sentir a maciez daquela pele pálida ou daqueles cabelos negros, não podia sentir o cheiro que emanava dela...
–O-Olá... eu... –tentou Naruto, mas nada de muito plausível saía de sua boca.
Apesar da timidez, apesar de seu coração estar sangrando, foi ela quem falou primeiro.
–Como você está?
–Nada bem... – disse o loiro, exibindo um sorriso amargurado.
–E-eu sinto muito, Naruto-kun...
–Não sinta. A culpa é minha.
Ela não sabia como responder àquelas palavras. Não conseguia pensar direito com aquela dor latejando insistentemente dentro de si. Ela ficou de pé, preparando-se para ir embora. Mas Naruto também se levantou, fitando-a nos olhos.
–Vai embora? Vai fugir de mim? – perguntou. Hinata ainda não conseguia responder. Queria, mas não conseguia.
–Antes de você ir, posso perguntar uma coisa?
Hinata continuava muda, olhando para ele. Tinha medo do que ele pudesse dizer.
–Você... você ainda... ainda sente o mesmo por mim?
–Na... Naruto-kun, eu...
–Preciso saber, Hinata. Preciso saber se essa saudade também está te enlouquecendo, preciso saber se está doendo em você tanto quanto está doendo em mim. Preciso saber se você sente a minha falta, nem que seja um pouquinho, nem que seja uma migalha do seu amor. Preciso saber se você ainda pensa em mim. – disse, dando um passo a frente.
Mas Hinata não falava nada. Seus olhos arregalados era a única resposta que conseguia dar.
–Porque... – continuou ele – Essa saudade está me matando. Eu não consigo parar de pensar que posso ter te perdido, que você pode nunca mais querer estar comigo dessa maneira, e quanto mais essa dor lateja dentro de mim, mais eu sinto que estou prestes a perder o controle.
A morena continuava muda. Sentia um certo torpor querendo lhe induzir ao desmaio, mas aguentou firme. Não podia desmaiar agora.
Naruto deu outro passo a frente, ficando agora tão próximo a Hinata que podia sentir sua respiração. O hálito doce da Hyuuga quase o fez perder a noção. Lutava contra o impulso de toma-la em seus braços. Precisava ouvir dela. Iria lutar.
O amor é como um campo de batalhas.
–Preciso saber, porque... –disse, tocando o rosto de Hinata – Porque não consigo mais passar nenhum dia sem poder sentir a tua pele na minha, sem poder sentir o teu cheiro... – falou, percebendo que estava perdendo o controle. Já não comandava suas palavras, nem suas ações. Seus rostos agora estavam tão próximos que seus narizes se tocavam – Eu vou lutar por você, minha hime-chan... Eu vou lutar pelo seu amor até o fim, porque você vale a pena. E se você me mandar embora, eu irei. Mas não sem antes ter lutado. Não sem antes poder sentir o teu abraço me envolvendo mais uma vez.
–Na-Naruto-kun... eu... também...
–Preciso de você, Hinata. Ou vou enlouquecer. Preciso de você, porque eu não aguento mais essa dor... não aguento mais essa saudade... não vou conseguir suportar ficar longe de você. Então por favor, por favor, não me deixa... não me manda ir embora...
Hinata engoliu em seco, tentando achar as palavras. Elas finalmente vieram.
–Também... sinto sua falta... Naruto-kun... –falou, as lágrimas começando a rolar – Também não aguento mais... ficar longe de você!
Pela primeira vez naqueles quatro dias, Naruto esboçou um sorriso sincero de plena satisfação. Aproximou seu rosto do dela um pouco mais.
–Era tudo o que eu precisava ouvir... meu amor. –falou, colando por fim seus lábios nos dela.
Aquele beijo era diferente do primeiro que tiveram. Os lábios de Naruto moviam-se urgentes nos de Hinata, num enlace desesperado pela saudade que ainda doía. Ele a abraçava com força, num ato possessivo, sentindo cada célula de seu corpo respirar o cheiro que emanava da morena. Ela, por sua vez, o abraçava com a doçura da qual Naruto tanto sentira falta, os dedos da Hyuuga apertando com força a camisa do loiro, enquanto sua outra mão enlaçava-se na nuca dele. Ela também o queria. Seu corpo também doía pela urgência com a qual o desejava.
Quando o fôlego faltou, Hinata afastou seus lábios dos dele, mas Naruto não se conformou. Buscando novamente a boca da morena, ele selava seus lábios aos dela como se nenhuma proximidade fosse suficiente para aplacar a saudade que o consumia.
Enfim, ele afastou seu rosto, a testa apoiada na de Hinata, os olhos fechados. Os dois estavam ofegantes, ainda enlaçados em um abraço.
–Naruto-kun... eu amo você...
–Hina... eu...
–Naruto! – uma terceira voz soou, fazendo com que os dois se assustassem e desgrudassem um do outro imediatamente. Naruto procurava o dono da voz, irritado.
Já podia dizer aquilo à Hinata? Ainda tinha medo. Sabia o quanto doía ficar longe dela, mas lhe doeria mais ainda magoá-la.
–Finalmente encontrei você. – falou Shikamaru, correndo na direção dos dois. Temari vinha andando mais devagar, logo atrás.
–O que você quer, teme?
–Preciso falar com você. Tenho más noticias.
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