Laranja Azeda

61 Capítulo 61 –Reflexões Matinais


Notas iniciais
Um capítulo simples, mas intenso. Preparem o coração e vamos nessa!

Viver num navio era difícil no começo, mas o jovem médico já estava se adaptando. Estava tomando uma chuveirada, não costumava usar os chuveiros dos marinheiros, já que tinha um banheiro particular, no entanto uma faxineira o estava limpando e o calor não o deixou esperar e resolveu ir pela primeira vez se banhar na área comum. Quando saiu pelado enxugando a cabeça se deparou com um grupo de marinheiros que o encaravam boquiabertos.

—Que foi? –Perguntou sem entender.

—Que mundo injusto! –Comentou um jovem.

—Doutor, você é abençoado –Disse outro aos risos –Que jeba grande da porra! Fiquei até com vergonha de tirar minhas roupas, acho que vou tomar banho com a farda –O grupo caiu na risada.

—É... Obrigado, eu acho.

O jovem médico se enxugou e foi para proa observar o mar, passar no concurso da marinha não tinha sido uma tarefa fácil, teve que deixar amigos e amores pra trás, felizmente sentia que ainda não tinha conhecido o amor de sua vida.

—Quem sabe encontre numa de nossas paradas?

Infelizmente na noite daquele mesmo dia o navio foi pego por uma tempestade tão brutal que o afundou, o único sobrevivente foi o jovem médico que despertou numa praia junto de vários destroços de sua antiga casa marinha. Ele tossiu liberando água de seus pulmões, respirou fundo e quando olhou pro lado viu uma enorme multidão de pessoas seminuas.

—Acho que os deuses nos agraciaram com um presente –Disse uma jovem loira completamente nua com vários escorpiões andando por seu corpo.

—Isso é um sinal –Disse um velho com dois órgãos sexuais masculinos. O jovem médico piscou e balançou a cabeça, mas não estava enxergando mal, o velho tinha duas pirocas mesmo –Bem vindo à Ilha do Escorpião. Você foi escolhido pelos deuses para transar com meu filho em sua coroação.

Logan acordou com Shania em seus braços, sorriu ao lembrar de seus dias no navio, sua chegada à ilha foi traumatizante, por ter sido obrigado à transar com um garoto, mas como hoje já estava tudo resolvido entre ele e Otto, sentia-se libertado. Ele beijou os lábios de Shania que fez uma careta e se ajeitou em seus braços.

Mike acordou de pau duro como de costume, odiava ter que urinar com o membro ereto. Se esticou se alongando e viu os gêmeos que ainda dormiam abraçados e pelados.

—Se meu pai super conservador visse isso, teria um ataque. Nunca falei com ele sobre homossexualidade, mas se ele fosse contra e ainda somado à incesto? –Mike sorriu imaginando o ataque que seu falecido pai daria –Já eu, acho toda forma de amor valida, ou de prazer.

Ele sorriu e se abaixou chupando as rolas gêmeas que ainda estavam flácidas, Nicolas gemeu e se ajeitou, Lau deu um sorriso safado achando que estava tendo um sonho erótico.

—Ai, tenho que mijar primeiro –Disse o asiático deixando o boquete pela metade.

Beatriz acordou, mas continuou deitada perdida em seus pensamentos, tanta coisa havia mudado em sua vida que estava sendo difícil acompanhar. Primeiro suas três mães adotivas eram na verdade uma oráculo que tinha magicamente se dividido em três partes para retardar seu envelhecimento, depois presenciou um confronto envolvendo deuses e seus escolhidos. Teve também que participar de uma orgia num casamento onde perdeu sua virgindade. Tinha sido incumbida de proteger Anna, mas depois acabaram se tornando amigas, uma amizade bem colorida de fato, mas ainda assim, ou principalmente por isso, uma amizade muito especial.

—Anna que vida louca você teve, mas o que será que vem depois? –Sua colega de cabana, Charmosa, deu um alto ronco e coçou a bunda.

Fabrício tinha acordado e sentido que Santana estava jogando um jogo perigoso, sua habilidade nata de vidência estava gritando alerta.

—Bom dia! –Disse a cantora gorda atrás dele.

—Oi, bom dia.

—Quer transar?

—O que?

—Não é assim que vocês da ilha se pegam?

—Você também é da ilha agora e também não é assim que a gente se pega –Nessa hora Tobias passou por eles. A cantora até se ajeitou.

—E aí quer transar?

—Só se for agora, negão! –A gordinha sexy saiu saltitando deu os braços com o ex-líder da seita do bode e seguiu feliz para transar.

—A Cupido esta certa, é assim mesmo –Fabrício entrou no quarto dos garotos e viu Felix e Hector dormindo abraçados –Tenho que tomar alguma atitude, não posso ficar pra sempre esperando ele se decidir.

Otto passou por trás dele o fazendo dar um salto.

—É... Eu só estava pensando em voz alta.

—Todo mundo sabe do seu triângulo amoroso, não precisa tentar esconder.

—Esta tão na cara assim?

—Mais do que imagina. Deixa eu te dar um conselho, estamos na Ilha do Escorpião, aqui tudo é permitido, por que ao invés de se martirizar e fazer o Felix sofrer em ter que escolher um dos dois, você não sugere simplesmente ficarem os três juntos?

—Tipo um casal triplo?

—Os gêmeos e Estrela tentaram, por que vocês não?

Otto saiu deixando Fabrício com seus pensamentos confusos.

—O Hector pelo menos é bonito.

—Ruiva safada –Hector falou dormindo –Não é por que é minha amiga que vou dizer que tu é santa –E riu.

—Ele esta sonhando com a Santana?

Numa outra cabana, uma velha senhora gorda batia duas panelas para acordar seus dois novos colegas de cabana:

—Isso é hora de estarem dormindo? Preferia a Anna, aquela ali sabe como tratar uma idosa. E vocês dois?! Nem tentaram dar em cima de mim! Onde já se viu tanta falta de consideração?!

—Dona Pérola, bom dia pra você também –Disse Rosa sarcasticamente. Ela e seu marido tinham pegado o lugar de Anna na casa da velha Pérola, uma vez que a garota de mechas azuis e grávida do deus bode, dormia com James e Diana.

—Querida vai comigo ao hospital, ou barraca com nome de hospital? –Perguntou Tony.

—Você esta parecendo uma criança em seu primeiro dia no jardim de infância.

—É que o outro médico é todo grandão e senti que ele não gostou muito da ideia de ter que dividir seu oficio comigo.

—É só imaginação sua querido, o Dr. Logan vai adorar sua ajuda.

Toda a tribo estava acordando e tendo um início normal de uma manhã, a não ser Santana que viajou para o mundo dos espíritos, a terra dos deuses e criaturas abissais, transou com Solaris aquele que pode achar ou apagar tudo, ao redor de doze caras com nariz em formato de pênis que formaram um circulo de punheta à sua volta. Agora a ruiva estava de volta com um buraco negro hipotético em seu xibiu, que podia tirar os hormônios dos deuses do próximo possuidor com quem transasse. Coisa típica de segunda-feira.

—O que você fez?! –Disse a voz de James que se aproximou seguido por Diana –Olhe só pra você.

—O que foi? –Santana percebeu que tinha voltado um pouco diferente, Duas mechas enormes de seu cabelos estavam brancos e em seus braços estavam tatuagens tribais –Uau! Além de tudo que passei, ainda voltei mais estilosa do que nunca.

—Onde você esteve? –Perguntou James aos berros –Que tipo de barreira você ultrapassou? Essas marcas?

—Não tenho tempo pra falar com vocês agora e o que faço ou deixo de fazer não é de sua conta –Ela ia passar direto por eles, mas James a segurou com toda sua força.

—Santana!

—Me solte! –Os olhos dela brilharam totalmente brancos e um impulso arremessou James longe.

—James! –Diana correu até ele e se pôs entre seu amado e a ruiva tatuada –Você esta diferente.

—Só estou pronta para finalmente ter meu final feliz, se o destino se inventar de colocar mais obstáculos entre mim e meu amor, vou chutar o saco dele sem dó! –Santana seguiu seu caminho deixando os dois alarmados.

—Você esta bem, James?

—Ela já me atacou antes, mas dessa vez foi diferente, ela não levantou nenhum dedo. Tentei me defender, mas foi como se nossos poderes estivessem num nível completamente diferente.

—O que você quer dizer?

—Se for necessário enfrenta-la, não conseguirei vencê-la.

Santana seguiu saltitante, mesmo passando por uma experiência cósmica, estava extremamente feliz.

—Adorei essas mechas brancas, pareço a vampira dos x-men, o Felix e o Fabrício vão adorar meu novo visual.

—Santana? –Ela se virou e viu o rosto de seu amado confuso –O que aconteceu com você?

—Otto! Meu amado rei! Senhor da minha vida! Magnânimo!

—Como eu odeio o efeito do meu hormônio em você!

—Não precisa odiar mais, achei um jeito de pararmos com isso.

—O que? Você conseguiu uma forma de recuperar seu hormônio?

—Não exatamente –Mesmo o assunto sendo sério, a ruiva não conseguia parar de sorrir e elogia-lo –Querido rei, eu fiz o impossível pelo amor que sinto por vossa majestade. Fui ao reino dos deuses, nenhum deles chega aos pés de sua beleza, é claro, mas um deles me concedeu a capacidade de remover o hormônio do próximo possuidor com quem transar.

—O que? –Otto demorou a processar as informações contidas no meio daqueles elogios –Você conseguiu um jeito de remover o meu poder?

—Sim! Desse modo poderemos ficar juntos de uma vez por todas sem esses hormônios para nos atrapalhar.

—Isso é pedir de mais, Santana. Abrir mão do que me faz especial?

—Mas, nós...

—Eu preciso ficar sozinho pra pensar.

—Otto, querido, nós temos...

—Nos vemos depois –O rei saiu correndo deixando a ruiva pra trás.

Quando ele se afastou e Santana saiu do efeito de seu hormônio, caiu em tristeza, seu peito doeu e seus olhos lacrimejaram.

—Achei que ia ser diferente, que transaríamos e seriamos um casal normal novamente, normal que se entenda, normal para nosso padrão.

Cansada e tristonha caminhou até a tribo, no caminho teve um flashback de tudo que passou com o Otto, dos primeiros dias quando sentia-se completamente atraída por ele e não conseguia dizer, de seu primeiro beijo agridoce, sua transa na frente do Senhor Dois, seu casamento, seu vestido de noiva, os bizarros e engraçados rituais que a Padra Shania os fez passar, o “não” que recebeu de seu noivo então possuído. Lembrou-se de quão rápido foi treinada por James e voltou para exorcizar seu amor, quando se beijaram na mente de Otto, quando sentiu todo seu amor se transformar em poder. Lembrou-se de suas conversas bobas por telefone na casa dos tios de Fabrício e de todos os outros desafios que enfrentaram.

Santana passou perto da tribo vendo que a maioria estava tomando café, não estava com animo pra se juntar à eles e seguiu para praia.

James andava de um lado para o outro observando a área cujo o solo estava em cinzas.

—Santana usou a energia desse lugar para realizar alguma magia muito poderosa.

—Toda magia deixa traços, posso sentir o poder, mas não reconheço seu padrão. E você?

—Não sinto nenhum padrão que conheça.

—Mas você quem a ensinou, como ela pode conhecer uma magia que você não saiba.

—Talvez –James teve que fazer uma pausa ao pensar naquilo –Talvez ela tenha inventado um feitiço novo.

—Isso é impossível.

—Ela foi a xamã mais talentosa que já existiu, sei disso, por que achava impossível alguém aprender tanto em apenas uma semana, Santana dominou o que levei anos para aprender.

—Temos que fazer alguma coisa, James! Não podemos ficar parados esperando ela destruir nossos sonhos.

—Quando Sinep nascer, não importa o quanto Santana for poderosa, não poderá impedi-lo.

—Ainda faltam uns oito meses, muita coisa pode acontecer nesse meio tempo. E se Santana impedir o nascimento de Sinep, se ela fazer Anna abortar.

—Nunca permitirei isso! –James estava revoltado e na verdade assustado, o progresso que Santana estava fazendo era sem precedentes –Diana, você tem razão, temos que fazer alguma coisa.

—Mas o que?

—Vamos adiantar o nascimento de Sinep.

—Isso é possível?

—Sim, mas vai custar caro –Os pensamentos de James estavam à mil, ele sabia que o preço seria caro de mais e não haveria volta –No mínimo dois sacrifícios humanos.

—Então que bom que estamos numa ilha cheia deles –Respondeu Diana sem pestanejar, concordando em sacrificar dois dos moradores da Ilha do Escorpião.

Hector estava rindo de uma piada que o Fabrício contara, não estava entendendo muito bem por que seu rival no amor estava lhe tratando tão bem. Ele olhou pro lado e viu a ruiva de costas caminhando rumo à praia.

—Eu voltou daqui à pouco –E saiu atrás de sua amiga.

Ao chegar na praia à viu sentada na areia vendo o mar e sem aviso sentou-se ao seu lado.

—Você esta bem?

—Estou –Santana respondeu no automático –Não, eu... –Durante toda sua reflexão matinal tinha ficado calada, agora que ouvira sua própria voz sofrida, ruiu em lágrimas e apoiou o rosto no peito do loiro que a abraça meio sem jeito –Eu não estou bem!

—Santana! O que aconteceu? Tipo, além dessas mechas de cabelos brancos e essas tatuagens tribais super maneiras.

—São maneiras mesmo, não são? –Conseguiu dar um sorriso em meio suas lágrimas.

—Pode apostar que sim.

Santana continuou a chorar no peito dele. Hector sentiu seu coração acelerado e seus olhos lacrimejarem, odiava vê-la daquele jeito.

—Quem te fez chorar desse jeito? Me diz, que acabo com ele! Só eu posso te fazer chorar! –Santana riu novamente.

—Você vai acabar com quem, magricela? Tá mais fácil eu defender você.

—Tá legal, senhorita fodona. Deixe-me xingar seu agressor e depois você dá uma surra espiritual nele.

—Obrigado por me animar.

Santana levantou a cabeça para lhe dar um beijo no rosto, no entanto Hector virou-se de modo que seu lábios acabaram se tocando. Os dois se olharam assustados com o pequeno acidente, houve alguns segundos de silêncio e então se atracaram num beijo de verdade.

Isso é um erro! Ela pensou, mas aquele beijo estava tão bom que seguiu em frente. Todo mundo transar, é normal na ilha. Pensou Hector, mas eles não estavam transando, aquilo não estava sendo uma pegação casual, e este era o problema.

Eles continuaram se beijando como se fosse o último que dariam na vida, o coração do Hector batia tão alto que sentia-o em sua garganta, Santana sentia aquilo de forma ainda mais intensa, sentia a alma do loiro, a sua própria e a do filho deles que crescia em seu ventre.

Notas finais
Se um triângulo amoroso já é complicado o que dirão de um pentágono?