Laranja Azeda

40 Capítulo 40 – Noite Sangrenta


Notas iniciais
O capítulo mais sangrento e perturbador chegou, dessa vez não há espaço para risadas. Preparem seus corações e provem do gosto amargo das ações de Raul, o personagem mais odiado de Laranja Azeda! Não sei se todos aqui acompanham minha outra histórias: As Desventuras Sexuais de Dylan Stark, os que ainda não o fazem, venho mais uma vez convida-los: https://fanfiction.com.br/historia/614794/AsdesventurassexuaisdeDylanStark/ Boa leitura e segurem as lágrimas e os queixos.

15 minutos antes do incêndio.

A voz na cabeça de Raul o guiou para uma parte ainda não visitada por este na ilha. O latino se deslumbrou ao se deparar com um cemitério de navios, como era noite de lua cheia podia ter uma visão quase que completa daquele lugar.

–Veja esses barris –Disse a voz sibilante –Eles estão cheios de óleo, use-os para provocar um incêndio.

–E como eu vou fazer pra carregar tudo isso sem ser visto?

–Eu ainda não posso entrar na ilha, mas posso fazer um pouco mais do que só falar com você.

Tudo ficou escuro e no segundo seguinte Raul se viu na porta do castelo/caverna e então sorriu.

–É hora de começar o show –Ele olhou pra cima de uma árvore e sorriu –Mas primeiro preciso de mais uma coisinha.

Foi ouvido o barulho de abelhas.

Os barris de óleo foram distribuídos da seguinte maneira: Alguns foram derramados molhando as paredes, outros empilhados dentro do castelo, e outros empilhados do lado de fora. Raul colocou um pavio nos que foram empilhados e explodiu o do lado de fora. Ele não esperava que a explosão fosse tão forte, sentiu o chão tremer e viu a noite ficar completamente clara devido as enormes chamas.

Como um suicida ele adentrou no castelo com uma tocha tocando fogo pelo caminho e correu direto para o quarto do rei. A serpente lhe sussurrava o caminho.

Otto se levantou assustado com a explosão, olhou pela janela e viu as chamas e o povo se aproximando aos gritos sem saber o que fazer. Foi ai que sua porta foi aberta e o latino entrou segurando os dois facões. O rei só levou um pequeno susto e depois se recompôs.

–Você só facilitou o meu trabalho, já que esta aqui esta sujeito a minha vontade, foi muita burrice sua querer enfrentar meu hormônio da irresistibilidade –Raul riu e falou gritando:

–Não faço ideia do que você esta falando, não posso te ouvir –Ele apontou para orelha –Meus ouvidos estão cheios de cera de abelha.

Otto sentiu o medo diante daquela estratégia e recuou, os dois andaram em círculos. A porta se abriu novamente e o filho do deus da noite adentrou no recinto. Ned viu o latino avançar pra cima do rei brandindo os dois facões.

Do outro lado da ilha, Santana levitava mediando na posição de lótus, quando sentiu o perigo que Otto corria e abriu os olhos assustada.

–Aquele maldito latino ousa atacar meu futuro marido?! Vou dar uma lição nele –Ela se concentrou para usar a projeção astral e chutar a bunda do Raul, mas nada aconteceu –Por que não esta funcionando?! James!

–Lamento dizer, mas você não poderá ajuda-lo –Disse o xamã que a treinava.

–Mas por que?

–Há muito tempo atrás, quando fui banido, o rei regente, o Senhor Dois, colocou uma proteção mística ao redor da tribo, é impossível se projetar pra lá. Agradeça que você ainda consegue ver o que acontece por lá, nem isso eu posso, sou completamente isolado da tribo.

–Maldito Senhor Dois até morto complica minha vida! O Otto corre perigo tenho que ajuda-lo!

–Lamento dizer que mesmo que saia correndo não chegará a tempo, tudo o que você pode fazer é rezar e assistir.

A tribo lutava para apagar o incêndio usando baldes de água e de areia.

–Neeeddd! –Gritava Branca querendo entrar no castelo em chamas, mas era segurada pelos outros moradores.

–Não podemos deixar que o Otto morra! –Gritou Fabrício –É a nossa missão.

–Pessoal acho que isso deve ser uma distração –Disse Estrela chamando a atenção de todos –Não acho que o Raul ia tocar fogo e depois entrar lá, ele deve querer nos distrair enquanto vai atacar a Eve!

–Acho que a Estrela esta certa –Concordou Nicolas.

–Mas ainda que o Raul não esteja lá dentro, o Otto corre perigo do mesmo jeito! –Diz Felix.

–Vamos nos dividir novamente –Sugere Lau.

E o fizeram, Nicolas, Lau, Estrela e Anna correram em direção ao centro da ilha, enquanto os outros ficaram para ajudar a apagar o incêndio.

–Vamos pegar baldes e ajudar os outros! –Grita Hector.

–Sei que não é hora de fazer piada –Começa Felix –Mas de onde tiraram todos esses baldes?

–Shania! –Gritou Fabrício e os garotos se viram a tempo de ver o mulherão atravessando as chamas e entrando no castelo.

Shania correu pelos corredores em chamas.

–Não vou deixar que aquele monstro tire meus amigos de mim!

Shania cresceu ao lado de Ned, ela como a garota doente e ele como o filho de um deus. Tinham tudo para serem opostos, mas gostavam um do outro. Quando cresceram se distanciaram um pouco devido a divergência de opiniões, Ned achava que o prazer estava contido na dor e ela achava que o prazer estava em cada um que se submetesse a picada do escorpião. Ainda assim eram amigos e ela faria de tudo pra salva-lo.

O mesmo se deu com o Otto, ele cresceu trancado no castelo, ela mal o tinha visto, mas se divertiu muito transando com ele, e adora seu gosto doce. Otto e Ned não podiam morrer, ela não deixaria!

No quarto do rei, Raul avançou num ataque brutal, Otto não tinha como desviar, mas Ned movido pela adrenalina arrancou a porta do quarto e arremessou-a. O latino se assustou com aquela sombra retangular que se chocou contra seu corpo, ele rolou no chão, mas não soltou suas armas, ele tinha treinamento militar e era muito bom em matar.

Otto correu em direção ao negão. Raul se levantou e arremessou um dos facões que girou e atingiu o rei nas costas! Otto sentiu uma dor e pensou que morreria, entretanto teve a enorme sorte de que no giro do facão ao atingi-lo, o golpe foi com o cabo e não com a lâmina. A pancada ainda sim o derrubou.

Raul correu erguendo o facão e atacou novamente, só que dessa vez seu ataque foi bloqueado pelo outro facão. Ned tinha pegado a arma branca e começou a lutar contra o latino, lâmina batendo em lâmina, parecia uma batalha de espadas versão de pobre.

Otto engatinhou se afastando da batalha e se levantou, sua respiração estava disparada, seu nível de adrenalina estava à mil, e para piorar duas mentes brigavam em seu corpo.

–Tenho que ajudar o meu amigo!

–Não seja idiota temos que fugir!

–Esse é o meu corpo!

–Nosso corpo! Você ainda não procriou, se você morrer não terei outro corpo pra saltar!

–Você já vive há milênios! Por que teme tanto a morte?!

–Tudo que eu temo é não poder ficar com minha amada!

Ele agarrou a cabeça a sacudindo sentindo uma enorme dor devido seu confronto mental e espiritual. Ele caiu de joelhos.

Ned e Raul atacavam com ferocidade, mas o negro já estava com vários arranhões, mesmo sendo enorme não tinha o treinamento e a experiência do seu inimigo. Ele se lembrou de sua luta com Hector, lembrou do loiro marrento gritando sem medo de morrer, gritando dizendo que o negro não era um possuidor dos hormônios dos deuses, gritando que ele não era especial, que tudo que ele tinha era um pênis grande e mais nada e...

Raul girou aproveitando uma brecha e fez um ataque horizontal, o negro se afastou protegendo sua barriga, mas algo maior ficou esticado e nesse movimento a enorme piroca do filho da noite foi decepada.

–Aaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa!!!!!!

–Ned!

O negro caiu viu os quatro centímetro que sobrou do seu gigantesco pênis, por incrível que pareça a dor não foi tão grande, talvez por causa da adrenalina, mas o sangue que jorrou o assombrou e a ideia de perder a única coisa que o fazia se sentir especial, era a maior dor que poderiam lhe afligir.

O latino o chutou no peito e o negro rolou as escadas, no turbilhão de giros ele soltou o facão e ao chegar aos pés da escadaria, tinha a lâmina enfiada entre suas costelas.

–Ned! –Gritou Shania chegando até ele –Não! Por favor não! –Ele olhou pra loira, sua vista já estava embaçada.

–Branca? É você? –Shania engoliu seu pranto e mentiu:

–Sim, sou eu.

–Acho que eu não sou mesmo especial.

–Não! Não diga isso! Você é especial pra mim!

–Durante toda minha vida eu só causei dor, obrigado Branca, pelo menos você me amou.

O negro fechou os olhos pela última vez, com seu pulmão afogado em sangue.

–Aaaaaaaaarrrrraaaaa! –Shania berrou aos prantos!

Do lado de fora do castelo Branca parou de gritar sentindo um aperto no peito.

–Ned... Eu... Sinto... Eu...

A loira caiu nos braços que a seguravam.

–Branca? Branca!

–Deixem-me vê-la! –Gritou o Dr. Logan chegando o pulso dela –Ela... Teve um ataque cardíaco! Se afastem! –Ele começou uma massagem cardíaca! Mas foi inútil, a loira seguiu seu amado em morte.

–Isso esta um caos! –Gritou Felix –A Branca morreu de ataque cardíaco e o Ned, o Otto e a Shania estão correndo perigo!

–Por mim o Ned pode morrer! –Cochichou Hector.

No quarto real, Otto gritou e chorou pela morte de seu amigo, mas logo teve que lutar por sua vida. Raul girou a lâmina, Otto se abaixou desviando, a lâmina passou riscando a parede. Desarmado ele olhou pra baixo e sentindo-se péssimo, usou o que estava ao seu dispor como arma. Raul se virou e foi atingido no rosto pelo que pareceu uma chicotada molhada. Otto tinha lhe dado uma rolada na cara, tinha usado a rola decepada de seu amigo.

Aproveitou-se da confusão e expressão de nojo do latino, o rei soltou o chicote improvisado e correu descendo as escadas. Ele viu a loira chorando sobre o corpo do negro.

–Shania!

–Otto! O Ned ele... Ele esta morto.

Otto a abraçou e beijou sua testa.

–Eu sei, mas temos que sair daqui antes que... –Houve outra explosão e parte do telhado começou a cair –Temos que sair daqui agora!

Na barraca hospital estavam internados apenas três pacientes: Mike, Charmosa e Beatriz. Os dois primeiros estavam acordados ouvindo as explosões e toda aquela movimentação do lado de fora, enquanto a terceira estava perdida num sono profundo.

–Parece que o mundo esta se acabando! –Diz Mike.

–Como ela consegue dormir com todo esse barulho?

Beatriz estava tendo o sonho mais real de toda a sua vida. Estava na numa casa velha de madeira, viu uma cesta deixada numa porta e dentro dela um bebê de pele escura.

–Sou eu.

A porta se abriu e dela saíram três mulheres.

–Vejam irmãs abandonaram um bebê em nossa porta –Disse a criança.

–Nossa casa é tão acabada, tá na cara que somos pobres, por que alguém a abandonaria aqui? –Perguntou a jovem.

–Vejam isso como obra do destino irmãs –Começou a velha –Não importa quem trouxe esse bebê até nós, seu futuro agora esta ligado ao nosso e vamos dar um papel importante à ela –A velha olhou pra frente diretamente pros olhos da Beatriz adulta –Seu papel é nos ajudar a voltar pra casa, nos ajudar a voltar para o paraíso, mas primeiramente tem alguém que você deve proteger assim como protegemos você.

Beatriz se levantou de um pulo da cama.

–Valei-me que susto da porra! –Gritou Charmosa!

–Preciso correr!

A morena se vestiu sem dizer nada e correu floresta à dentro ignorando o incêndio do seu lado.

Otto e Shania caminhavam desviando das chamas e das paredes que despencavam.

–A saída esta logo ali! –As chamas aumentaram de tamanho cobrindo quase todo o caminho –Não vamos conseguir!

Shania tomou a frente.

–Não vamos desistir sem tentar –Ela fechou os olhos e ergueu os braços –Scorpion me empreste seu poder!

Escorpiões desceram pelo corpo de Shania, e continuaram descendo mais e mais, dezenas, centenas, milhares, milhões! Os primeiros eram incinerados, mas outros tomavam seu lugar e assim sucessivamente formando um túnel de escorpiões.

–Vamos!

Os dois correram por aquele túnel assustador!

Raul desceu as escadas, mas uma parede despencou impedindo que ele seguisse pela mesma direção que Otto e Shania.

–Droga! Me tire daqui serpente! Me leve até a outra pessoa que tenho que matar.

–Não é assim tão fácil, não sou uma empresa de transporte público, nem estou na ilha, meus poderes são limitados.

–Maldito! Vai me deixar morrer aqui? Se eu morrer seus objetivos não serão alcançados!

–Não se ache muito importante, nunca aposto todas minhas fichas sem ter certeza de que vou ganhar. O levarei o mais próximo de Eve que eu puder, mas ficarei totalmente sem energia, não poderei nem se quer falar com você. Então seja útil e não morra.

A serpente tele transporta Raul uma última vez, bem a tempo, pois nos segundos seguintes a última pilha de barris de óleo explode, derrubando todas as estruturas do castelo.

As pessoas se afastam diante da maior de todas as explosões.

–Não tem como alguém sobreviver à isso –Diz Fabrício sentindo que fracassara em sua missão.

Aos pés dele a gata Estrela miava e o mordia.

–Ai! Para com isso!

Estrela miava e guinchava desesperada.

–O que foi? Tenho coisas mais importantes que... –A gata cai morta aos seus pés –Estrela?

–Vejam! –Gritou Hector apontando pras chamas.

Uma bola escura em chamas saiu dos destroços e estão explodiu lançando escorpiões queimados pra todas direções revelando Shania e Otto sãos e salvos. Todos correram em sua direção, todos menos Fabrício que segurava o corpo da gata.

–Isso... Meu Deus.

Perto do centro da ilha quatro dos escolhidos pararam sua corrida.

–Ai –Anna sentiu uma dor na barriga e se apoiou numa árvore.

–Anna? Você esta bem? –Perguntou Nicolas a ajudando a ficar de pé.

–Eu não sei, me deu uma dor de repente, eu grughh –Ela se virou vomitando.

–Eca! –Exclama Lau se virando.

De repente um lampejo de luz chama a atenção de todos. Estrela se vira vendo parado diante dela um latino cheio de cicatrizes, coberto de fuligem e segurando um facão todo vermelho, aquilo era sangue? A loira olhou pra baixo vendo um buraco em sua barriga.

–Estrelaaaaaaa! –Gritou Lau.

–Oh meu Deus não! Estrela! –Gritou Nicolas.

A loira tocou o ferimento, afastou a mão a vendo coberta de sangue.

–Nicolas, Lau –Ela despenca pro lado.

–Vou matar todos vocês e foder seus cadáveres.

O dia começara a amanhecer, mas as mortes e o sangue fresco ainda dardaria a parar de jorrar.

Continua em breve...

Notas finais
O que acharam desse perturbador capítulo? Desculpem por tanta sangria, mas foi necessário.