Lamentações E Esperanças De Um Monstro
2 Capítulo 2 - Yllianna Version - The fish
Notas iniciais
PoV Yllianna
Não sei como começar. Vou começar pelo de sempre. Meu nome é Yllianna, tenho 22 anos e vou contar a história da minha vida. Se não quiser saber dela mude a pagina e... Para quê introdução? O que vou contar aqui não é algo de que me orgulhe mesmo. Nada aqui é algo de que me anime ao dizer, mas vou contar o que posso, para os que quiserem ler.
Minha vida não era muito boa nem no começo. Tive o coração muito maltratado, mas mesmo assim meu amor foi maior que a minha raiva e meu ódio. Bem... Tudo começou quando me apaixonei por um delinquente. Ele tinha uma má reputação na minha cidade. O que ele fazia? Eu não vou dizer, pois pode lhe deixar sem dormir a noite, mas ele era tachado como violento e perverso, mas eu não resisti e me apaixonei por ele. Fiquei perdidamente apaixonada. Não sei o que me deu. Algo me dizia para me afastar, mas eu não conseguia. Era impossível para o meu corpo mortal.
Acho que ele notou o meu olhar diferente para ele, pois em certo dia ele veio falar comigo e estava com um sorriso no rosto. Minha primeira reação foi me afastar, mas ele falava de um jeito que eu não aguentei e fiquei ainda mais apaixonada. Minha cabeça dizia não, mas quem ouve a cabeça em momentos como esse? Eu sei que eu não ouvi. Ele começou a falar que me olhava há tempos e eu só consegui dizer:
- Eu também.
Depois disso ele foi embora. Emocionou-me e me encantou, mas depois de algumas horinhas foi embora. Que tipo de pessoa faz isso? Eu sei, é aquela por quem eu me apaixonei. Passamos umas três semanas juntos, nos encontrando em praças e cantos simples. Era tudo normal e muito bom, até ele me levar para um piquenique no parque da minha cidade. Eu aceitei e coloquei a minha rouba mais bonita. Um vestido vermelho longo com uma faixa na cintura. Ás 14h00min ele veio me buscar.
No piquenique ele me mostrou as árvores e me fez ficar ainda mais encantada com ele. Estava tudo bem, até ele olhar nos meus olhos e pegar uma cesta cheia de frutas belas e vermelhas como sangue. Eram suculentas, mas nunca havia visto essas frutas antes. Eu fiquei morrendo de vontade de comê-las, mas, algo no meu coração dizia que aquelas frutas não eram boas. Parecia até que era pecado comê-las, mas algo me atraia para elas. Meu corpo era atraído por elas:
- Que frutas são essas?
- Frutas da Luxuria.
- Luxuria?
- Sim.
- Que nome estranho. Acho que é por causa de serem muito bonitas. Onde você conseguiu?
- Com um amigo.
- Depois quero conhecê-lo.
Estava pronta para dar uma bela mordida na fruta, mas senti um frio na espinha e derrubei-a no chão. Ele ficou me olhando e me perguntando o que havia acontecido. Eu não conseguia responder, pois estava sem voz e sem fôlego. O meu fôlego ficava cada vez menor e só o que eu consegui fazer foi fechar meus olhos e esperar a morte chegar. Desmaiei ali mesmo naquela toalha de piquenique em cima da grama.
Quando acordei estava amarrada em uma cama, em um quarto branco e sem saber o que estava acontecendo, parecia um quarto de experiências, pois tinha um grande armário de remédios, substâncias e aparelhos cirúrgicos, além da cama onde eu estava que era dura e cheia de amarras. Quando me observei levei um grande susto, pois estava sem roupa e com várias linhas e observações feitas em caneta por todo o meu corpo.
Dei um grito de socorro esperando que alguém viesse me salvar, mas a única coisa que vi foi o meu grande amor com um jaleco branco segurando uma seringa e uma sacola com algumas partes de animais. Achem que fossem de enfeite, mas não podia estar mais errada. Olhei para ele e disse:
- Ah! Antes que eu me esqueça... Qual é o seu nome? – Não me culpem por ter três semanas de namoro e não saber o nome dele.
- Meu nome é Roberto! Não se preocupe meu amor! Viveremos só nós dois felizes para sempre. Como o fruto não funcionou, vou dar um jeito eu mesmo.
- Fruto... Esquece! Tudo bem! Confio em você
Ele sorriu e me deu uma injeção que me fez desmaiar naquela cama dura de hospital.
Quando acordei estava deitada na minha cama, no meu quarto, com uma bandeja de café-da-manhã em cima das minhas pernas. Estava coberta somente pelo meu lençol. Estranho, pois eu geralmente dormia de pijama, mas achei que a noite anterior não tivesse passado de um sonho. Errado de novo.
Na minha bandeja tinha um prato de Petit gateau (bolo de chocolate quente, com recheio de chocolate quente e um sorvete do lado). Aquela era a minha sobremesa preferida e, não sei por que, ela me lembrava Roberto. Era estranho, mas eu, pela primeira vez, não comi e fui atrás dele.
Enquanto eu andava pela rua as pessoas me olhavam estranho, achei que era porque tinha se esquecido de me vestir e estava só de lençol, mas não era por isso. Quando vi meu reflexo em um salão de beleza, de onde as pessoas saíram correndo ao me ver, eu vi que estava horrenda. Minhas pernas estavam cheias de escamas e guelras. E tinha algumas faixas e costuras na pele, nos braços e, principalmente, nas pernas.
Eu levei um susto, saí correndo desiludida pela rua até bater em um corpo um pouco mais alto e cair no chão. Era Roberto. Ele estava sorrindo. Vê-lo me reconfortou, me acalmou me senti melhor, pois ele não tinha medo de mim, coisa que até eu mesmo estava com um pouco. Medo, eu estava com tanto medo que não raciocinei para que pudesse entender a situação e notar que ele é quem tinha me deixado daquele jeito. Ele me olhou nos olhos e me disse que tudo se resolveria. Levantei-me o segui até notar que ele tinha feito aquilo comigo. Perguntei: a ele:
- Por que você fez isso?
- Para vivermos felizes. Vamos para uma casa nova e feliz.
- Eu não te entendo mais sei que me ama.
Roberto me fez segui-lo até a floresta. A floresta era escura e estava de noite. Ele parou quando chegamos a uma casa grande e branca que era um tanto quanto sombria. Quando entramos lá dentro ele me disse:
- Entre no segundo quarto a esquerda e se arrume para se apresentar. Você só vai ter que dançar. Eu tenho um amigo que quer começar uma coleção.
- De imagens?
- É! Talvez. – Dito isso, ele fechou a porta com força.
Quando entrei no quarto. Havia duas garotas. Uma com, ou melhor, sem pernas, somente um enorme corpo de cobra no lugar de cada perna. Eram duas caudas de cobra e um tronco e cabeças humanas. A outra garota tinha patas de leão no lugar das mãos e das pernas. Ela também tinha orelhas de gato e uma cauda de gato. Ela era a mais normal de nós três.
Entramos todas pela porta número um. A garota-leão foi para a mesa servir a Roberto e a outro homem com guaraná. Eles só tinham dezesseis anos e eram espertos demais para perder a noção e serem enganados um pelo outro, pois estavam fazendo negócios. A garota-cobra foi para um bar e ficou preparando comidas e servindo aos dois. Roberto me mandou subir em um palco e começar a cantar e dançar. A única coisa em que conseguia pensar era em petit gateau e em como eu queria que Roberto voltasse a ser quem era ou pelo menos quem eu achava que ele era. Cantei sobre isso e dancei no palco. Ouvi-o falarem alguma coisa sobre um futuro cano no palco. Ignorei.
Depois da apresentação voltamos as três para o quarto. Ficamos com os nervos a flor da pele. Roberto chegou dizendo que fomos aceitas e nos forçou a ir com ele, mas eu não o ouvi e fiquei no quarto, Roberto disse que eu só iria quando quisesse e levou as outras duas.
Passei anos naquela casa, vendo pessoas entrarem e saírem. Muitas delas diziam que alguns assassinatos estavam ocorrendo, mas eu não sabia quem os cometia. Só sabia que não era Roberto porque o ficava vigiando vinte e quatro horas por dia.
Certo dia, eu cansei de vê-lo com outras garotas sempre e fui perguntá-lo como ele conseguia conquistá-las tão facilmente. Ele me disse que eu também poderia ser assim, mas algo em mim não deixava.
- Vamos direto ao ponto. –Eu disse.
- Tudo bem!
Ele me disse que a fruta do pecado foi dividida em sete outras sementes que viraram frutas também. Se você comesse as sete frutas você saberia de tudo, inclusive como viver para sempre sem ser morto por outra pessoa, como conquistar a mente das pessoas, como se dar bem na vida e etc, mas teria um futuro ruim, pois iria direto “lá para baixo”.
Eu fiquei abismada. Será que aquelas “frutas” das quais ele se referia eram os pecados? Será que ele tentou me iniciar pela luxuria? Será que ele sentia algo por mim? Comecei a me perguntar coisas assim.
Nunca pude tirar minhas duvidas devido a ele nunca mais ter falado direito comigo depois da sua confissão. Passei cinco anos presa naquela vida infeliz e fiz uma única amizade. Clynn que nunca se apresentava direito e por isso não era levada. Ela não contou muito da vida dela para mim, mas ele tinha muito medo de todos os dois. Roberto e do outro homem.
As coisas permaneceram iguais até uma garota loira com chifres de alce e unhas, que mais pareciam garras aparecer. O cabelo dela também tinha se misturado com pêlos de animais. O nome dela era Lira. Era uma pessoa triste. Não posso definir muito bem o que ela sentia, mas com certeza não era algo bom.
Chegou a nossa hora de se apresentar. Nesse dia foi Lira quem dançou no palco, que já tinha um cano. Você sabe para quê. Não me faça explicar. Lira nem tocou naquele cano e fez uma bela apresentação. Ela dançava muito bem e tinha uma bela voz. A música também era boa. Ela tocava o coração. O meu trabalho nesse dia foi diferente. Ao invés de dançar eu tive que distrair o outro homem para ele assinar um documento sem pensar muito antes.
Estávamos todas fazendo nosso trabalho. Eu confiava plenamente na bondade de Roberto e sabia que o outro homem não era uma pessoa ruim e que, se fosse necessário, Roberto nos defenderia e não nos deixaria ir com aquele homem.
As coisas mudaram quando a porta bateu e Roberto foi olhar. Um rapaz jovem apareceu e derrubou Roberto, depois o rapaz segurou uma navalha na garganta de Roberto, o que o fez se render. O rapaz havia chamado a policia, mas ao ver nossa situação ele nos levou para a mansão do outro homem. Roberto já havia me mostrado o caminho um dia, por isso, eu os guiei até lá.
O rapaz retirou as outras garotas da mansão e as levou para uma cabana na floresta. Fui junto. Ele estava nos encorajando e ia estava se preparando para ir chamar um especialista, mas Roberto apareceu se arrastando ensanguentado e atirou no rapaz. O tiro atravessou em cheio o estomago do rapaz e isso fez os dois caírem mortos no chão.
Nem uma das garotas queria, pois sentiam ódio de Roberto, mas eu fiz questão de fazer um funeral para alguém amável e sem preconceito como ele. Lira foi quem mais chorou fazendo um funeral para o rapaz.
Depois de todo aquele choro fomos à busca de alguém que nos ajudasse, pois não íamos nos deixar morrer e desistir das nossas vidas por causa de um problema estético. Eu só tenho uma lição de vida para dar se é que posso dá-la. Digo que nunca desista de quem você ama, nunca desista dos seus sonhos e nunca se esqueça de enxergar o lado bom e aquilo de bom que as pessoas fizeram e fazem para você.
PoV Normal
Yllianna se levantou de um banco juntamente com várias das garotas resgatadas e disse:
- Agora que vocês já ouviram um resumo podem me dizer se é uma boa história para se colocar em um livro.
- Eu gostei. – Lira veio andando em direção da amiga. Ela não estava no grupo que estava ouvindo. Ela estava dando uma volta na idade.
- Vamos indo. Teremos muito tempo para escrever o que quisermos durante a nossa procura. – Lira deu um sorriso fazendo um gesto para todas se levantarem e continuarem a andar.
- Assim que terminar de escrever. Eu gostaria muito de ler Senhora Yllianna. – Uma garotinha de 11 anos falou para ela, mas logo após foi puxada pela mãe que teve medo da aparência de Yllianna e deu um sermão na menina.
Yllianna deixou uma lagrima cair e disse para todas as outras.
Lembrem-se somente de uma coisa a mais! Não desistam. Ainda existem muitas pessoas boas no mundo! – Yllianna sorria e deixava várias lágrimas caírem no chão.
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