Lake Forest Academy
9 Capítulo 9
Dessa vez desci pelo elevador, Zoe estava arrumando suas coisas e desviou o olhar pra vem que estava ali.
- Allan Stewart, já esta muito tempo aqui hoje. – Ela disse séria.
- Agora tá me expulsando? – Perguntei a olhando.
- Eu tô te expulsando há alguns dias. – Ela ainda me olhava séria. – Vai Allan eu preciso ter certeza que nem um homem ficou aqui antes de sair.
- Tá saindo já? – Perguntei.
- Uhum. Só tava esperando a boa vontade dos seus amigos saírem também. ANDA ALLAN. – Ela gritou apontando a porta.
Sai do prédio rindo e Zoe saiu em seguida.
- Zoe a academia fica aberta a noite?
- Vinte e quatro horas, Alunos que não são jogadores são proibidos lá já aviso, então nada de levar aquela louca pra lá.
- O que ela te fez? – Perguntei a olhando.
- Assuntos antigos. – Ela não quis responder.
E se eram antigos porque caralho ela não sossegava e deixava a garota quieta?
Entramos no prédio dos funcionários e Zoe foi direto pro seu quarto.
- Boa noite Stewart. – Ela sorriu e entrou no quarto.
- Boa noite Blumm. – Ri entrei no quarto.
Já que a academia ficava aberta vinte e quatro horas e a noite era a única hora livre que eu tinha naquela escola, troquei de roupa e sai do quarto novamente agora com o intuito de ir pra academia.
- Clari, tá tudo certo não se preocupe, eu sei me cuidar. – Zoe conversa com alguém pelo jeito por telefone. – Até parece que você matou alguém. – Ela rio.
Ignorei a conversa de Zoe e fui em direção a academia.
Eu devo ter passado umas duas horas erguendo peso, paranóia, eu precisava parar com aquilo. Olhei no relógio e eram quase duas da manha, eu precisava dormir se não ninguém conseguiria me acordar de manha. Voltei pro quarto tomei um banho e me joguei na cama.
No outro dia com muito custo eu levantei. Parei na frente da porta do quarto da Karla e
bati, demorou um pouco até ela dar um sinal de vida e responder.
- Entra.
Entrei no quarto e a olhei toda largada na cama com os olhos fechados.
- Tava dormindo? – Perguntei com um tom de implicância.
- Aham, até você entrar. – Ela esfregou os olhos e reclamou. – Droga. Dormi com maquiagem. — Ela levantou tropeçando nos próprios pés fuçou no guarda roupas pegando algumas peças e se entrando no banheiro
- Vou tomar banho. – Avisou bocejando.
Ela entrou no banheiro tropeçando pela segunda vez, escutei a água do chuveiro caindo e ela reclamando porque chutou alguma coisa.
Mulher é banho é uma coisa complicada, elas ficam horas em baixo do chuveiro esperando o que? Ficam vendo a água caindo... Que graça elas acham nisso? Demorou pelo menos meia hora pra ela sair do banheiro com o cabelo todo encharcado pingando por onde passava. Seus olhos pararam em mim de um jeito cansado.
- Que horas são?
- Oito. – Respondi.
- Ótimo. – Ela foi até a mesa que ficava do lado da cama e ligou o secador, odiava o barulho
daquilo.
Em seguida tirou uma caixinha de uma gaveta, pela primeira vez eu vi alguém virando um
piercing do septo, era meio nojento, mas nada que me fizesse vomitar. Ela tirou e colocou outro no lugar, trocou os do lábio inferior e me olhou pelo espelho.
- É bizarro eu sei.
- Só é diferente. – Disse dando de ombros, ela deu meio sorriso.
- Allan tira pra mim. – Ela se levantou e parou na minha frente colocando o cabelo pra trás, pra eu tirar à transversal.
Tentei uma vez inutilmente, não havia colocado força o suficiente e na segunda coloquei força de mais.
- Não precisava arrancar minha orelha junto, poxa. – Ela choramingou pegando a transversal na mão.
- Desculpa. – Ela sorriu e fui trocar o piercing do umbigo.
- Droga. –Ela exclamou alto. A olhei assustado tentando entender.
Ela pegou um vidrinho molhou o algodão nele e passou na barriga.
- ME deixe ver. – Me aproximei dela, ela tirou o algodão de cima do umbigo. – Não cicatrizou? – O umbigo dela ela era uma mina de sangue.
- Faz muito tempo que o tenho, foi o primeiro que eu furei, mas toda vez que mecho nele sangra. – Peguei o algodão da mão dela limpando o sangue.
- Coloca outro no lugar e limpe de uma em uma hora. – Avisei.
- Agora você teve piercing também? – Ela perguntou com meio sorriso.
- Não, mas minha irmã tem. – Respondi.
- Vou te perguntar uma coisa pessoal. – Ela ficou com vergonha.
- Pergunte. – Fazer o que, ela era filha do chefe deixe ela à-vontade.
- Selena tem uma filha de sete meses, ok, isso prova que ela tem vida pessoal, mas e você? Porque você veio pra cá, mas e ai? Namorada, esposa, filho, mãe, pai, irmãos? – Ela me olhava de um jeito estranho.
- Há dois anos eu não tenho vida pessoal eu nem sei o que é isso, o maximo que eu consigo são dois dias de folga, minha ultima namorada cansou dessa vida que eu levo, por isso pra quem trabalha igual condenado é difícil ter relacionamentos, e é por isso que eu sou solteiro, problema na minha vida já basta eu.
Viviane era bonita, loira, olhos castanhos, sorriso apaixonante. Ela era filha do amigo do meu pai, crescemos juntos, meu primeiro beijo foi com ela, ela sempre fora mais inocente do que eu então era fácil de manipulá-la. Quando entrei na academia militar nós afastamos, no meu penúltimo ano na academia nós nos vimos em um natal em minha casa, ela sorriu quando me viu entrando pela porta e foi me abraçar, naquela mesma noite eu a pedi em namoro uma semana depois eu passei dos limites com ela e descobri que o restinho de inocência que ela tinha um cara qualquer a tirou, depois disse era meio difícil da gente fica longe, quando sai da academia ela passou dois dias em casa e há um ano a coisas simplesmente saíram do meu controle, eu chegava a passar a semana toda fora de casa e quando chegava ela ia especialmente ao meu apartamento gritar comigo dizendo que eu estava a atraído.
Depois da primeira discussão sobre o porquê eu passava a semana toda fora de casa eu até tinha pensado em traí-la, mas não seria certo com ela. As discussões ficaram constantes, toda semana, até que na semana que eu ia a pedir em casamento ela terminou comigo. Eu passei cinco dias em casa, passei três deles praticamente inconsciente de tanto beber, parecia um corno afogando as magoas, até hoje eu realmente sinto a falta dela, eu ia a pedir em casamento isso significava algo não é?
Karla estava mordendo o lábio inferior e fez outra pergunta.
- E agora? Você veio pra cá, e um dia da semana vai vir outra pessoa?
- Na verdade não, eu vou ficar no seu pé sete dias por semana, se você sai da academia eu saiu junto. – A encarei.
- Você não tem mesmo vida pessoal. – Ela concordou. – Nesse fim de semana eu preciso ir ao cabeleireiro. – Eu dizer se não dava pra marcar outro dia, mas ela não me deixou falar. — Não reclama, olha meu cabelo preciso mesmo ir. E dia dezenove eu quero ir à missa de dois anos da morte de Clarisse.
- Tudo bem. – Era o melhor que eu podia fazer concordar sem reclamar.
- Hoje é sexta então preciso ligar pro meu querido pai, para que ele me libere amanha. – Ela falava com sigo mesma.
Ela conversava com seu pai que perguntava algumas coisas e ela respondia ”aham, sim, tá, uhum...”
- Allan vai junto? – Escutei Charles perguntando.
- Vai sim. – Ela desligou logo em seguida e olhou o celular. — Pode deixar eu vou me
divertir escolhendo as cores do meu cabelo. – Seus olhos reviraram.
Ela ligou pra outra pessoa e quando desligou seus olhos pararam nos meus me encarando.
- E bom você ir planejando o que vai fazer nesse seu cabelo, porque não tô a fim de perder meu sábado. – Disse sério.
- Achei que tinha dito que não tinha vida pessoal. – Ela provocou.
- Isso não quer dizer que eu queira perder meu sábado em um cabeleireiro. – Têm certas coisas que eu não tenho paciência e uma delas era esperar mulher em um salão de beleza.
- Calma ai. – Ela deu risada. – Eu já tenho idéia do que vou fazer, só preciso da opinião de Joseph pra saber se vai dar certo.
Ela pegou o estojo de maquiagem e se tranco no banheiro, menos de quinze minutos depois ela saiu com o rosto perfeitamente maquiado.
- É a primeira garota que se maquia em menos de quinze minutos. – Olhei no relógio.
- Quando você tem pratica, faz as coisas melhores não é? – Perguntei pegando o rimel que eu havia esquecido.
- É. – Concordei.
- Essa é a única coisa que eu sei fazer certo, e não tenho dificuldades. – Ela sorriu. — Eu também sei tocar bateria bem, mas essa não conta no momento.
- Quinze minutos. – A apressei.
Ela tocava bateria? Fiz uma careta enquanto a via colocando o all star. Que tipo de garota era aquela? Cabelo verde, roupas estranhas, toca bateria, tem seis piercings, uma tatuagem. A onde foi mesmo que Charles me colocou?
- Satisfeito? – Ela perguntou na porta de braços cruzados.
- Sorte do seu namorado. – ME levantei rindo.
- Se eu tivesse um. – Ela revirou os olhos.
Ela era bonita isso era um fato, e deveria ter alguns garotos atrás dela, e pelo jeito Tomas era um eles.
Saímos do quarto e fomos em direção ao refeitório, Entramos nele e Karla veio com um assunto um tanto intrigante.
- Tá com vergonha do que estão falando na escola? – Ela olhava o chão.
- É que eu sempre evitei ser o alvo entende? Então venho a serviço e tudo que eu evitei há anos acontece. – Olhei pra Zoe que estava do outro lado do refeitório que sorriu.
- Vamos lá, na verdade o problema sou eu, se eu tivesse uma cor de cabelo normal, não usasse roupas estranhas, e não tivesse seis piercings você não veria problemas em ter um caso comigo. – Ela estava me provocando, ela queria rir, queria ver, me testar.
- Não é por causa do seu cabelo, e não é por causa dos seus piercing e nem das suas roupas. Isso tudo é você, não veria problema em ficar com uma garota de cabelo colorido e piercings, só que você é menor de idade, eu estou em trabalho e se alguém disser isso pra minha chefe ela tem um infarto e eu... E eu sou demitido. – Mentira Dulce não teria um infarto, quem teria um infarto e me demitiria seria Charles
se suspeitasse que eu tava pegando a filha dele de jeito. — Isso arisca meu emprego e arrisca minha relação de bom agente que tenho... Acredite não é seu estilo.
- Digamos que uma mulher mais velha, tá uma da sua idade, tivesse o jeito que eu tenho principalmente o cabelo colorido. Teria vergonha de sair na rua com ela? – A garota perguntou sem jeito. –
E se ela não fosse à filha do meu a gente até poderia conversar.
- Provavelmente não, de qualquer forma, ela sendo minha namorada ou amiga, eu vou conhecer ela melhor do que as pessoas que a viram uma só vez e já a julgaram por ter um cabelo diferente. – Parei um pouco pra pensar. — Eu fiz isso com você e estou me arrependendo.
- É eu sei que você me julgou por ter cabelo verde desbotado com a raiz enorme e quatro piercings. – Ela riu.
- Se você esconde o piercing do septo ficam cinco, e o do umbigo que ninguém vê, então fica quatro. – Pisquei.
- Nós nos conhecemos há dois dias e fico com raiva de mim por te dar razão. – Ela falou séria.
Ri da observação dela. Eu queria ver até quando nossa relação de paz duraria.
Notas finais
Qualquer duvida, criticas ou sugestão só perguntar pelos comentários ou ir no meu forms http://www.formspring.me/tattyta
Obrigada =}
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