Entramos no refeitório e pegamos o café da manha e fomos pra mesa, Tomas apareceu como se tivesse perdido o jogo do ano.

- Que foi? – Karla perguntou.

- Nos pegaram ontem à noite. – Karla escondeu o riso e Tomas ficou sério. – Não ri se não vão achar que foi você.

- Tenho provas de que não fui eu. – Ela ficou séria. – Estava ocupada com problemas pessoais.

- Você sempre tem problemas pessoais Rapunzel. – Tomas disse devorando seu café da manha.

- E falando em Rapunzel, eu estou pensando seriamente em pintar meu cabelo de rosa, mas não um rosa, rosa, um rosa quase vermelho. – Ai vai um assunto inútil pra minha vida.

- Pintou de rosa há três anos. – Tomas parou de comer pra olhar Karla. – E você lembra que desbotou em duas semanas.

- É. – Karla curvou a boca. – Mas aquele rosa era estranho, era um rosa Patty, eu quero um puxado pro vermelho.

- Azul. – Tomas segurou uma mexa do cabelo dela.

- Vai detonar ele de novo, azul precisa descolorir de mais. – Ela choramingou.

- Roxo? – Não falei que era inútil , provalmente minha cara de tédio estava explicita, era só raspa que tudo se resolvia, sem mais preocupações com o cabelo.

Agora Tomas tava parecendo o amigo gay da Karla que fala tudo sobre cabelos e unhas, era uma cena engraçada apesar de tudo.

- Passei meses com o roxo. Tô há quase um ano com o verde, eu preciso de algo novo. – Ela olhou pra cima como se tivesse fazendo um pedido.

- Você pode ficar loira. Não loira descolori até o zero. Deixar ele branco, ia ficar legal. – Tomas comentou dando de ombros.

- Não, isso vai levar dois dias, não tenho isso, tenho doze horas.

- Porque não pinta de verde de novo e pronto? — Tomas tava começando a ficar irritado com a conversa

- Porque eu vou ganhar alguma coisa do meu pai se eu tirar o verde. – Um sorriso interesseiro foi de orelha a orelha.

- Faz o seguinte vai lá conversa com o Joseph, ele vai te dar uma idéia louca como sempre, ai você faz o que ele te indicar. Ai quando você chegar eu vou ser o terceiro a ver. – Tomas piscou e o sinal bateu.

- A gente se vê na hora do almoço. – Karla piscou pra mim e foi atrás de Tomas.

Levantei-me e voltou pro meu quarto, eu tava cansado, não tinha dormido quase nada, entrei no quarto batendo a porta e me joguei na cama.
Meu celular tocou e revirei os olhos ao ver quem era.

- Fala mãe.

- Olha o respeito garoto. – Ela disse brava. – Porque não tá em casa?

- Porque eu tô trabalhando. – Respondi como se fosse obvio.

- Não estava de férias? – Ela perguntou no mesmo tom de voz que eu.

- Suspenderam minhas Férias novamente. Charles me mandou ficar no pé da filha dele. – Respondi.

- A filha de Charles? – Ela perguntou preocupada.

- É.

- Vai vir quando?

- Não sei.

- E como esta? – Agora ela tava falando como minha mãe.

- Bem e a Senhora?

- Se me chamar de Senhora novamente eu vou até ai te bater. – Eu ri da ameaça boba dela. – Mas estou bem.

- E Sammy?

- Liguei por causa dela, quer saber quando vai mandar arrumar a corrente dela.

- Sábado, na próxima vez que eu for ai eu levo a corrente da madame revoltada... E a Samara e Andersom? – Perguntei novamente.

- Andersom não vem pra casa há tempos, e Samara não sai de casa porque não sabe por que Michael chora tanto. – Ela rio. – Vou desligar, se cuida criança.

- Vou me cuidar mãe, vou me cuidar. – Ela desligou e eu joguei o celular no meio da cama.

Agora eu poderia virar e dormir... E algum infeliz bateu na porta. Me levantei com a maior preguiça do mundo e fui abrir a porta.

- Sua protegida respondeu um professor agora pouco, se ela fizer isso novamente vai levar duas advertências...

- Zoe, eu tava tentando dormir, não podia me avisar isso depois? – Perguntei me apoiando na porta.

- Não. – Ela disse brava. – Ocorrências, tenho que avisar na hora que ocorrem.

Aproximei-me dela.

- Zoe, eu não sou o responsável dela. – Disse a olhando. – E que eu saiba isso deve ser passado pra Katharine primeiro e depois pra mim.

- Não Allan, as coisas funcionam diferente com você aqui, primeiro pra você e depois pra Katharine. – Ela me encarava.

Peguei no braço dela e a puxei pra dentro do quarto fechando a porta.

- Certeza que veio aqui só pra isso? – Perguntei deixando meu rosto a centímetros do dela.

Zoe colocou o dedo indicador na minha boca e chegou perto do meu ouvido.

- Claro Allan, pra que mais eu viria aqui? – Ela sussurrou e soltou um riso. — Eu tenho que ir, e você quer dormir, então bom soninho. – Ela beijou minha bochecha e saiu do quarto.

E eu fiquei parado com cara de besta do meio do quarto.

Ela estava brincando comigo!