- Allan me ensina uma coisa? – Ela perguntou descendo as escadas.

- Não vou te ensinar a atirar. – Disse sem a olhá-la.

- Não é isso... Me ensina a me defender? – Ela perguntou animada.

- Se você sabe da um bom soco não precisa disso...

- Eu to começando a achar que você quer que eu dependa de você a vida toda. – Karla cruzou os braços e me encarou séria.

- Sou só eu? Você não me escuta quer que eu te ensine algo assim como? – A encarei.

- É só tentar poxa. – Ela fez bico.

- Tá. – Me levantei contrariado e fui em direção a academia.

Karla me seguiu toda animada.

Coloquei alguns colchonetes no chão e apontei pra ela subir em cima.

- Primeira coisa, nunca, nunca, N-U-N-C-A reaja se o cara tiver armado, só se tiver algum poder de regeneração, se tiver armado entrega o que tem que entregar e sai correndo, se não tiver armado, simples joelhada você sabe a onde e sai correndo. Tem a opção também do spray de pimenta, mas aquele bagulho arda pra caralho então melhor não, vai que você tem um ataque de raiva súbita comigo e vai querer usar em mim... Então acerta um soco em mim com toda força que tiver.

- Acho melhor não...

- Vai logo, se não no rosto porque não quero ficar sem dente. – Avisei.

- Não vou acertar seu rosto ele é muito perfeito pra ficar roxo. – Ela fechou a mão e acertou meu peito.

- É doeu. – Disse fazendo careta.

- É a minha mão também. — Ela esticou os dedos conferindo cada um.

- Não colocou o dedo dentro da mão não, né? – Perguntei olhando sua mão.

- Allan não sou otaria pra fazer isso. Pareço, mas não sou. – Ela inclinou a cabeça. – Tá eu acho que consigo dar outro soco desses...

- Não em mim. – A olhei dando três passos pra trás.

- Então tá, se tiver armado entrega tudo, se não tiver armado acerta um soco ou joelhada e foge. – Ela disse pra si mesma.

- É isso aê. – Concordei. – Agora vem aqui, vou te ensinar a fugir... — Karla se aproximou eu a segurei pelos ombros e ela ficou me olhando sem entender. – É muito comum assaltantes segurarem nas vitimas assim, passa a cabeça por baixo do braço e de leve me da um chute na perna, se me der com força te imobilizo ai você vai saber o que é ficar sem fazer nada...

- Tá já entendi. – Ela disse séria. – Cabeça por baixo do braço e chute na perna. – Karla repetiu pra si mesma e fez o que eu disse se soltando das minhas mãos.

- Agora faz isso rápido. – Falei voltando a segurar seus ombros. — Ela fez com um pouco mais de velocidade conseguindo se livrar de mim com mais facilidade. – Outra coisa que você precisa saber é que quando uma mulher tá de salto ela não consegue correr, isso dificulta...

- Tá sem salto. – Ela concluiu o que eu queria dizer.

Ensinei mais algumas coisas simples a ela, que me escutava com atenção e fazia o que eu pedia, algum milagre havia acontecido hoje porque ela nunca me escutava.

Karla se jogou no chão encarando o teto respirando fundo algumas vezes.

- Até que é legalzinho, se eu pudesse bater em você de verdade seria melhor. – Ela desviou o olhar pra mim.

- O que eu te fiz dessa vez? – Perguntei a olhando.

- Nada, só é vontade de te bater. – Ela disse sorrindo.

- Ah. – Me sentei ao seu lado.

- Então, quantos desses faltam pra eu conseguir fugir de alguém...

- Alguns e até amanha você não lembra mais de nada. – A encarei. – Tudo que eu te ensinei hoje amanha você só vai se lembrar das mais fáceis, então fique com elas na cabeça.

- Vou tentar, vou tentar. – Karla respirou fundo pela ultima vez e ficou me olhando. – Parece que consegui tirar o assunto Susane da sua cabeça...

- Não era assunto Susane... Ela era a culpada, mas não era exatamente ela.

- Você tá se complicando. – Karla riu. – Quer jantar?

- Vai fazer comida congelada? – Perguntei rindo.

- Tem outra idéia na cabeça...

- Sei lá um restaurante?

- Se tivesse algum por aqui que não servisse x-burg... Vamos comer comida congelada. – Ela se levantou e saiu da academia.

- Você vai aprender a cozinhar né? – Perguntei me levantando.

- Pra que?

- Não quero comer comida congelada pro resto da minha vida. – Disse entrando na casa.

- HAHA, Allan você é muito machista, porque você não vai aprender a cozinhar? – Ela parou na escada e ficou me esperando de braços cruzados.

- Porque aprenderia algo que já sei? – Perguntei a olhando.

- Você sabe cozinhar e tá me deixando comer comida congelada há alguns dias? – Karla perguntou surpresa.

- Você tem preguiça e eu tenho mais, depois você não lava a louça. – Disse a olhando.

- Lavadora serve pra que?

- Comida congelada serve pra que?

Ela revirou os olhos e continuou a descer as escadas.

- Você é muito chato, sabe cozinhar e fica me fazendo passar fome...

- Não tô fazendo você passar fome... Comprei tudo o que queria outro dia e você pegou um monte de comida congelada então não reclama, essas foram as suas escolhas. – Pisquei indo pro sofá.

- Você é muito preguiçoso, vive no sofá, vive dormindo...

- Você vive reclamando, nunca me escuta, acha que pode mandar em todo mundo, tá reclamando de mim por quê? Quem que ficava reclamando por acordar cedo quando estava na escola? – Perguntei a olhando.

- Eu tô começando a achar que nossa convivência tá começando a ser insuportável...

- Você leva tudo muito a sério, tem coisas que você tem que ver e ficar quieta, tentar levar numa boa ou falar com calma sabe? Sem querer ofender, tentar explicar que certas coisas te incomodam. – Disse a olhando.

- Não consigo entender como que é tão calmo em relação a nossa convivência. – Ela me encarava.

- Adianta eu ficar estressado? Você fica nervosa e joga coisas na minha cara eu faço o mesmo de uma maneira mais calma... Tem tanta coisa que me incomoda em você e têm outras tantas que te incomoda em mim...

- Tipo o que?

- A maldita mania de colocar a toalha em cima da cama, de deixar a calcinha na torneira, a louça em cima da pia... Só que eu não fico reclamando vou lá e faço eu. – Disse a olhando.

- Odeio essa coisa que você tem de achar que pode mandar em mim, não gosto quando age como se tivesse poder sobre mim...

- Gosto de te irritar. – Pisquei.

- Seu babaca. – Ela jogou uma toalha que segurava em mim.

Eu ri pelo cinco minutos dela e ela foi em direção ao quarto.

***

Ela foi fazer a comida congelada e eu fiquei na sala rindo da cara dela. Karla trouxe o prato pra mim no sofá e naquele momento eu me senti o cara mais preguiçoso do mundo, daqueles que a mulher tem que fazer tudo porque tem preguiça de levantar.

- Cadê a cerveja? — Perguntei a olhando.

- Não achei graça. – Ela se sentou ao meu lado com outro prato na mão.

Jantamos quietos eu assistindo TV e Karla pensando na morde da bezerra.

Levei os pratos pra cozinha e voltei pra sala, voltei a me sentar e Karla se sentou no meu colo.

- Quero ficar com você... Pra sempre. – Ela sussurrou meio sonolenta.

- Tá falando isso porque tá com sono, ou porque quer alguma coisa? – Perguntei a segurando pela cintura.

- Porque é a verdade, me incomodam certas atitudes suas, mas é você que eu quero do meu lado. Você foi à maior experiência que eu tive com um cara, foi o que eu mais tive contato foi o único que eu convive, espero que de tudo certo depois disso aqui. – Ela disse escondendo o rosto no meu pescoço.

- A gente vai enfrenta um tempo longe depois ‘disso aqui’. Provavelmente alguns meses...

- Se perto tá ruim não quero imaginar o quão estranho vai ser ficar longe de você. – Ela mordeu meu pescoço.

- Eu to tão preocupado com tudo isso que tá acontecendo, to me sentindo culpado, vou ter que te levar de volta por uma irresponsabilidade minha... Desculpa.

- Talvez com tudo isso, com esse nosso tempo isolados eles já tenham achado a pessoa, já tenham pego ela, e agora estão esperando nós voltarmos... – Ela disse passando os dedos pelo meu peito.

- Você não acredita nisso, não é? Tá dizendo pra me animar não é? – Perguntei a olhando.

- Você disse que minha função como sua namorada era te animar, eu to tentando. – Ela me olhou e sorriu.

- Mesmo não acreditando nas suas próprias palavras. – Disse rindo. – Você poderia me animar de outro jeito sabe... – Passei a mão em sua perna.

- Não poderia não. – Ela sussurrou. – Com essa sua mente ligada cem por cento nesse probleminha não sei se consegue ficar muito tempo ativo.

- Legal fui ofendido. – Ela riu e mordeu minha orelha.

- Só não acho que seja boa idéia nessas circunstâncias...

- Seria se você ajudasse um pouco. – Disse a olhando.

- Depois Allan, Depois... – Ela se levantou e subiu as escadas.

- Odeio quando ela faz isso. – Afundei no sofá.

Dormi no sofá e acordei um tempo depois com dedos passando pelo meu rosto.

- Achei que tava dormindo. – Disse olhando Karla parada na minha frente.

- Eu tava, mas acordei pra ir ao banheiro e você não estava no quarto, vim te procurar...

- Achou que eu tinha ido embora ou que?

- Fugido com alguma vadia e me deixado com três filhos pequenos. – Ela disse rindo. – Vim ver se tinha ficado acordado igual ontem, eu sei Allan isso tá tirando seu sono, você tá preocupado por minha causa... Vem pra cama. – Ela pegou na minha mão.

- Agora ta me chamando pra ir pra cama?

- Só não quero que eu seja um poço pra você jogar suas preocupações, não que não queira escutar pelo contrario... Quero tá do seu lado, mas não só pra sexo...

- Não é só para sexo. – Beijei seu rosto e me levantei.

Subimos as escadas até a porta do quarto, Pequei Karla no colo e entrei no quarto a colocando em cima da cama.

- Vai fazer isso no dia do meu casamento também? – Ela perguntou me puxando pra deitar a seu lado.

- Se eu for o noivo. – Respondi a abraçando. – Tu não quer transar então eu vou dormir...

- Homens. – Ela revirou os olhos brava.

- Mulheres... – Fiz o mesmo. – Quando um não quer o outro vira e dorme que é a coisa mais sensata a fazer depois de um não.

- Dorme logo vai. – ela me acertou um tapa e depois me abraçou.

- Ai essa bipolaridade. – Respirei fundo e fechei os olhos.

Acordei no outro dia com algo caindo no banheiro do quarto, abri um dos olhos pra ver a onde eu estava exatamente, eu estava todo largado na cama praticamente abraçando um travesseiro, me virei pra olhar o quarto e Karla estava resmungando no banheiro.

- Porque isso acontece comigo? Por quê? A hora que ele ver isso vai me dar um sermão maior do que o do padre. – Ela disse choramingando.

- O que aconteceu Karla? – Perguntei sonolento.

- Nada. – Ela disse desesperada. – Tá aconteceu sim. – Ela saiu do banheiro e me olhou. – Derrubei seu perfume na pia... Não foi de propósito, mas caiu quando fui pegar o meu...

- Quebro? – Perguntei com os olhos fechados.

- Não, deve ter metade ainda...

- Então tá. – Me virei me largando na cama de novo.

- Só falou isso porque tá com sono. – Ela disse pra si mesma. Ri e abracei o travesseiro novamente. – Dorme abraçando o travesseiro, mas não dorme me abraçando...

- Karla eu te abraço toda noite pra dormir, tá com ciúmes do travesseiro? – Perguntei rindo.

- Tô.

- Quem tem ciúmes de um travesseiro? Quem é que tem ciúmes de um gato? – Perguntei pra ver se ela respondia.

- Eu tenho. – Ela disse brava.

- Eu falo, você é única. – Disse rindo.

- linda. – Ela disse do nada, deveria ta falando com o reflexo do espelho.

- Gostosa, agora tira a roupa...

- Você tá muito engraçadinho, precisa parar com essas piadinhas, to te estranhando cara você não é assim...

- Meu humor melhora quando tô sem trabalhar...

- Eu to aqui Allan, eu ainda sou seu trabalho. – Ela disse brava.

- Pra mim eu to de férias.

- Não gostei!

- Vai comer sorvete vai. – Puxei a coberta cobrindo a cabeça.

- Só porque eu tô irritada. – Ela saiu do quarto batendo o pé.

- A mulher que eu arrumei. — Disse pra mim mesmo.

Levantei da cama meia hora depois desci as escadas e fui pra cozinha tomar café da manha.

Karla como a maioria das vezes estava se afogando de novo no sorvete.

- Tem café na cafeteira. – ela disse com a boca cheia.

- E esse café foi para lá como? – Perguntei a olhando.

- Eu fiz. – Ela disse sem me olhar.

- Não colocou veneno não né? – A encarei.

- Experimenta, se você sentir dor no coração então sim se não...

- Se eu morrer daqui a três dias pode se culpar. – Disse sério.

- Tá.

Peguei o café e coloquei na caneca e experimentei, ela fez isso antes, porque não tava tão ruim quanto imaginei que estaria.

- Não tá tão ruim quanto eu imaginei que estaria... – Disse olhando a caneca.

- Eu não sou tão leiga assim. – Karla piscou.

- Percebi.

Ela respirou fundo e continuou a se afogar no sorvete.

- Eu vou da uma volta, tentar arrumar uma solução pra isso tudo, ver se consigo te levar pra outro lugar ao invés de te levar de volta. – Disse colocando a caneca na pia.

- Tá bom. – Karla concordou balançando a cabeça em um sim.

Subi as escadas troquei de roupa e voltei pro primeiro andar.

- Se precisar liga. – Pedi.

- Tá. – Ela sorriu.

Sai pela porta e caminhei pelas ruas, o mais sensato a fazer era voltar e entregar Karla ao seu pai, mas depois de tudo que eu fiz, era pra eu virar um fugitivo e ir pra outro estado junto com ela, apesar de que na minha ficha já deveria estar escrito seqüestrador de adolescente.

Eu podia levá-la pra Califórnia, ninguém nós pegaria a menos que eu fosse pra mesma cidade a onde a cede do FBI estava estalada. Ou podia levar ela pra outro país... Sei lá Colômbia... Não era capaz dela ser seqüestrada, ou eu. Tem a Argentina, cidade do tango... Meu espanhol sempre foi ruim o máximo que eu conseguia falar era bom dia e oi. Tem o Chile se eu levá-la pro Chile... Seria estranho levar ela pra um país que tem mais coisa estranha que o nosso. E tem o Brasil seria interessante, lá as mulheres tem bunda eu ia passar o dia todo na praia com óculos escuros olhando pras elas, e tem a comida... O que eu to pensando, eu nem sei o que isso vai virar e to pensando em levá-la pro Brasil? Eu tava desesperado pra me livrar dessa pra tá pensando em outros países.

Notas finais
Dios mio '-'
eu ia postar oito paginas de uma vez só, só que a preguiça bateu =/
mas juro que até as 21:00 de hoje eu posto o que falta desse capítulo
~*~
respondendo os coments
~*~
paulatays
Então né? G_G
~*~
Pamela Bueno
Pois é só que eu preciso da fim nesse bagulho né kkk' vocês precisam saber o final então eles tem que voltar G_G
COntei de mais u-u
~*~
Marina Bieber
Concordo plenamente sobre a aparte da susane
~*~
saraMcCann
Sim sim, ela não sabe receber um não '-'
então tudo que ela tá fazendo é de proposito porque ela quer ele e ele não quer ela .-.
~*~
Kira
Eu acho que não é só você que tá com raiva dela '-'
~*~
bitterends
Só no final da historia u_u
e se você for uma boa menina u_u se não tia Keller não vai te dar a sobremesa da janta u_u
shuashuahsuahs
~*~
clara
Revido deixando ela sem cabelo também G_G
tá agora eu queria ter visto isso kkkk'
~*~
caroldallan
Calma muié u_u
Só no final da historia e se for uma boa menina se não tia Keller não vai te dar a sobremesa da janta u_u
kkk'
~*~
KikaMarques
Isso porque as duas são irmãs G_G
a diferença é que por mais que Meddie também havia sido mimada ela aprendeu a dar valor e ao certo e errado, e Susane por ter tido uma vida complicada sempre recua ao pai.
~*~
GEnte linda não se esqueçam eles precisam voltar '-'
é o unico modo de vocês saberem o fim shuahsuahsuah
beijos da tia keller *-*
e até daqui a algumas horinhas n_n