- Oi Allan. – Zoe se sentou do meu lado quebrando meu transe.

- Resolveu me chamar pelo primeiro nome? – Perguntou desviando meu olhar para ela.

- Prefere Stewart? – Ela perguntou com um sorriso de deboche.

- Prefiro Allan. – Ri.

- Já tomou café da manha? – Ela se levantou em um pulo. – Acho que já né? – Ela curvou a boca.

- Na verdade não. – Respondi a olhando.

- Então não vai se incomodar de fazer companhia pra mim não é? – Ela sorriu.

Qualquer coisa Zoe, qualquer coisa! Pensei comigo.

Tomamos café juntos, mais próximos do que eu realmente esperava.

- Então vai ficar aqui até as aulas da madame terminar? – Zoe perguntou sorridente.

- Não sei exatamente até quando ficarei por aqui. – Respondi. Ela me olhou sem entender. – Complicado, posso ficar até o ano letivo acabar, posso ir embora semana que vem, ou posso ficar anos no pé da “madame” como você diz.

- Então espero que essa sua estadia aqui seja boa. – Zoe mordeu o lábio.

- Não faz isso. – A fiz soltar o lábio interior com o dedo.

- Por quê? – Agora deu uma de inocente?

Segurei sua nuca com a mão e me aproximei pra beijá-la, e alguma coisa apitou.

- Desculpa, tenho que ir. – Ela tirou minha mão de sua nuca e se levantou. – Ocorrência no primeiro ano. – Zoe disse sem jeito encolhendo os ombros se afastando.

- Trocado por um pirralho do primeiro ano. – Revirei os olhos.

Levantei da mesa do refeitório e sai pela escola pra conhecê-la melhor e saber seus prontos fracos. O único problema da escola era uma “floresta”, se passasse por ela daria na cidade, e havia uma clareira enorme no centro que recentemente foi visitada, provavelmente por alguns alunos, seja lá o que eles estavam fazendo não seria nada bom.

Dulce minha adorável e compreensiva chefe me ligou querendo saber de Tomas.

- Allan, quero saber por que meu filho foi pra diretoria semana passada, e é bom ele ter uma ótima explicação. – Ótimo agora eu sou baba de um garoto também.

- Vou tentar descobrir Dulce. – Desliguei o celular em seguida e ele voltou a tocar dessa vez avisando que a boneca sairia das aulas para almoço. Entrei no prédio das salas de aula e fiquei a esperando na frente de sua sala. Ela me olhou com espanto, deveria ter esquecido que eu estava ali. Ela caminhou devagar e parou na minha frente.

- Ninguém vai me matar aqui. – Karla me encarou séria.

- Diz isso pra minha chefa. – Disse no mesmo tom sério que ela.

- Uma mulher manda em você. – Ela deu meio sorriso debochado.

- Pois é. – Fiz sinal pra ela começar a andar e sem questionar ela me obedeceu.

Fomos em direção ao refeitório entramos nele e metade dos alunos e professores estavam olhando pra garota, acho que as pessoas não gostavam muito dela. Ela pegou seu almoço e eu uma lata de refrigerante, não ia fica passando fome porque tava em horário de trabalho.

- Desistiu de passar fome e sede? – Karla perguntou mexendo na comida...

- Iria desistir mais cedo ou mais tarde, então que seja mais cedo. – Abri a lata e tomei um gole.

Tomas se sentou ao lado da garota animado com um x-burg em seu prato e Milk sheik de chocolate.

- É isso que come todos os dias? – Ela perguntou o encarando.

- Não, só seis dias por semana, de domingo eu como batata frita com bife. – Ele deu risada comendo seu lanche.

- Sua mãe me ligou. – Disse olhando Tomas.

- Novidade, eu estava mesmo esperando o dia que algum agente entrasse na escola pra ficar de olho em mim. – Tomas bufou.

- Quer saber por que você foi pra diretoria semana passada. – Ignorei o que ele disse.

- Porque me deram um soco e eu devolvi. – Tomas disse como se fosse obvio. – Eu disse isso a ela por telefone, mas ela não acredita em mim então não posso fazer nada.

- Não quero me intrometer e eu não vou, e também não vou ficar de baba correndo pra cima e para baixo atrás de você, então se fizer qualquer coisa me diga, porque se sua mãe souber e eu não perco o emprego. – Isso era mentira, o único que podia me demitir era o Charles, mas ele se sentiria culpado se eu fosse demitido então não custava tentar.

- Porque vai perder o emprego se não contar a mãe dele o que ele faz? – Karla perguntou me encarando.

- Porque a mãe dele e minha chefa. –Respondi com a voz firme.

- Sério não sei como não se demitiu ainda, se fosse eu me demitira. Nunca que eu agüentaria minha mãe me dando ordens. – Tomas revirou os olhos.

Não sei o porquê exatamente Tomas estava em Lake Forest, mas sei que ele é um tanto revoltado, e como Dulce não tem tempo suficiente pra ficar resolvendo os problemas do filho mandou ele pro interno.

- Ela é sua mãe, isso a faz ficar insuportável, no meu caso ela é minha chefe e não é tão ruim quanto parece... – Se fosse minha mãe séria terrível isso sim.

- Não quando ela te manda pra missões normais, tipo ir para o novo Novo México procurar um terrorista que todos sabem que estão lá. – Tomas deu risada.

- Um dia eu me acostumo com a idéia de ficar de baba. – Dei de ombros e um olhar assassino estava sobre mim.

Tomas e Karla começaram a conversar sobre lições de casa, pra mim uma conversa inútil.

- A apostila de Inglês, vocês faz a lição de casa destaca e entrega a ela, é simples se tiver qualquer duvida é só perguntar a ela no final na aula que ela vai te responder. – Tomas disse animado.

- Tá bom né, vou ver se começo a fazer hoje. – Karla disse sem animo.

O sinal bateu anunciando a continuação das aulas fazendo Karla choramingar.

- Mais tortura. – Tomas disse se levantando. – Vamos lá Rapunzel.

Ela deu risada e se levantou acompanhando Tomas.

- Boa aula. – Disse brincando com o lacre da latinha.

- Obrigada. – Ela se virou piscando e voltou a acompanhar Tomas.

Voltei pro quarto com atenção de dormir por mais algumas horas, meio impossível eu tava meio atentado pela Zoe, ela era bonita, tinha um corpo bonito e eu queria colocar a mão a onde não deveria.

Fechei os olhos tentando dormi e dois olhos azuis penetrantes invadiram minha mente, e esses olhos só podiam ser de uma pessoa, primeiro porque enfeitiçam, segundo por estavam maquiados.