Eu estava em um sono realmente profundo, deveria estar até babando no travesseiro, e eu não me lembrava que aquela cama era tão pequena, e acho que era por isso que eu vivia sozinho.

- Allan. – Minha mãe gritou e eu levantei desesperado batendo a cabeça de novo na cama de cima.

- Caralho, de novo. – Xinguei fazendo Karla rir, olhei pra minha mãe e arregalei os olhos. – Fudeu.

- O café da manha esta na mesa. – Minha mãe avisou mal humorada e saiu do quarto. – E tire ela daí.

É eu ia escutar.

- Desce daí. — Pedi saindo da cama.

- Desço como? – Ela perguntou sentada na cama.

A segurei pela cintura e a coloquei no chão.

- Ela vai me castrar. – Disse me afastando dela.

- Não vai. – Karla disse indo pro quarto de Sammy. – Vou trocar de roupa e eu não vou descer porque não quero morrer.

- Não vai. – A imitei.

- Eu sei que é pedir de mais, só que você derrubou minhas roupas em uma poça de lama e eu preciso mesmo lavar elas. – Ela curvou a boca.

- A lavanderia fica lá fora eu vou pedir pra minha mãe lavar...

- Não vai pedir nada não. – Ela disse brava. – Eu vou lá e lavo. — A encarei e ergui a sobrancelha. – Qual é? Acha que eu não sei lavar minha roupa?

- Eu tenho certeza.

- Adoro homens que não colocam fé em mim. — Ela revirou os olhos e entrou no quarto da minha irmã.

- Tá bom que ela lava roupa. – Ri e voltei para o meu quarto para escovar os dentes.

Sai do quarto e desci as escadas de vagar indo em direção a cozinha.

— Mãe a Karla quer lavar as roupas dela. — Disse com sono.

Ela estava de costas virada pra pia provavelmente lavando a louça.

— Ela vai lavar as roupas dela? — Ela se virou pra me olhar.

— Foi o que ela disse. — Dei de ombros.

— Vou arrumar a lavandeira, aquilo tá bagunçado... — Ela saiu pela portada cozinha e voltou. – O que ela estava fazendo no mesmo quarto que você?

- Dormindo? – Perguntei a olhando. – Ela perdeu o sono e foi me acorda ai a mandei ela pra cama de cima...

- Deveria ter a mandado pro quarto de Sammy...

- Mãe, você acha que se tivesse acontecido alguma coisa ela teria dormido na cama de cima? Você ia abrir a porta e ver nos dois na mesma cama. – Ri.

- E você tivesse feito algo dentro da minha casa eu teria cortado algo seu, já tenho um neto não quero outro. – Ela disse séria e saiu pela porta novamente.

- Mas é exagerada.

Comecei a fuçar nos armários pra arrumar algo pra comer, e não tinha café, ninguém naquela família tomava café alem de mim e do meu pai, tive que me sustentar com o suco de laranja que tinha na geladeira, alguém ia gostar de saber que tinha suco de laranja. Olhei o copo e o coloquei na pia, eu preferia café.

Karla entrou na cozinha preocupada olhando pros lados, deveria tá com medo da minha mãe, até eu estava.

- Cadê sua mãe? — Ela perguntou num sussurro.

- Tá lá fora limpando a lavanderia. – Respondi.

- Pra que?

- Porque você vai usar. – Respondi como se fosse óbvio.

- Hey, eu só preciso de uma maquina de lavar, água e sabão.

- Vai lá e fala isso pra ela. – Pisquei.

- Então né, bem hospedeira ela. – Karla disse com um sorriso satisfeito.

- Tá com fome? – Perguntei a olhando, ela tava com regata branca, com short e sem meias. – Sem meia calça?

- Esqueci que você jogou todas as minhas em uma poça de lama. – Ela me encarou.

- Você sabe que foi sem querer, não sabia que a mala estava aberta. – Abri o armário a onde eu sabia que havias bombons. – Não me respondeu se esta com fome.

- Não... Eu quero isso ai.

- Não quer não. – Coloquei a mão pra trás escondendo o bombom.

- Hey, só um pedaço. – Ela pediu.

- Não.

- Deixe de ser ruim. – Ela chegou perto de mim segurando minha camisa me olhando mordendo o lábio inferior.

- Toma. – Entreguei o bombom pra ela.

- Doce. – Ela abriu a embalagem e mordeu um pedaço. – Quer um pedaço?

- Não, o peguei pra você. – Ela olhou pro chão sem graça.

- Allan me ajude aqui. – Minha mãe me gritou e eu fui até ela, na lavandeira. — Leva pra dentro. — Ela me entregou dois cestos de roupa.

— Como vive sem mim? — Perguntei pra ela fazendo careta, ela me olhou feio e eu fui pra dentro antes que alguém me acertasse uns tapas. — Não sei como ela se vira sem mim. – Disse passando por Karla indo pro corredor do primeiro andar parando em uma porta. – Karla abre aqui pro seu guarda costas que ele tá com um probleminha.

- Tá bom professor particular. – Ela sorriu ironicamente abrindo a porta.

- Karla, pode vir aqui um segundo querida? – Minha mãe pediu delicadamente. Ela era um amor quando queria.

- Você é meu guarda costas vai na frente. – Karla disse me encarando.

- Sou guarda costas então tenho que ficar atrás de você. – Pisquei.

- Se eu morrer te mato. – Ela disse séria.

Ela saiu pra fora e eu fiquei bem quietinho dentro de casa pra não ter que escutar nada.

Karla voltou pro quarto de Sammy e minha mãe veio na minha direção irritada.

- Que? — Perguntei.

- Vai ver se ela precisa de alguma coisa... Anda. — Ela fez sinal pra eu ir.

- Eu em...

Parei na frente do quarto e Karla estava mexendo nas roupas.

- Precisa de algo? – Perguntei.

- Aham. – Ela pegou um punhado de roupa e jogou em mim. – Leva elas.

- Como a madame quiser. – Disse irônico.

Fui para lavandeira jogando as roupas em cima do balcão e voltei pro quarto jogando uma cesta de roupa do lado dela.

- Sabe... É pra isso que serve essas cestas.

- Te fode. – Ela disse com meio sorriso.

- Não vai da não. – Me sentei na cama de Sammy e fiquei olhando ela. – O que tá fazendo?

- Separando minhas roupas, se colocar tudo junto vai manchar. – Ela separou as roupas por pilhas dentro da cesta e jogou as lingeries por cima. – Leva vai?

- Abusando da minha boa vontade em. – Disse sério.

- Você perguntou se eu precisava de ajuda e não reclama não. – Ela disse séria olhando a mala.

Levei as roupas pra lavanderia e Karla veio atrás de mim.

Coloquei o cesto em cima do balcão e olhei suas roupas, no meio das roupas tinha alguma coisa azul fluorescente.

- O que é isso? – Perguntei puxando a peça, era um sutiã, ou um biquíni.

- Culpe Tomas, ele que mexeu nas minhas coisas. Mas ele é bonitinho. – Ela pegou algumas peças de roupa e colocou na maquina de lavar.

- Tem mais alguma lingerie estranha que eu deveria saber? – Perguntei jogando o sutiã azul de volta na cesta.

- É tem. Algumas... Tá varias... Só que eu não vou falar sobre elas.

Revirei os olhos e sentei no balcão da lavanderia.

- Porque a lavanderia daqui fica fora da casa?

- Minha mãe quis assim, ela diz ser melhor... Não corre o risco de alguém entrar em casa e ver a lavanderia cheia de roupas...

- Ah sim. – Ela ligou a maquina de lavar e se sentou ao meu lado.

***

Karla estava estendendo as roupas e eu brincava com a água da torneira com as mãos, ela estava brava porque fiquei falando das roupas dela, que muitas mostravam o que não devia. Tampei o bocal da torneira com os dedos fazendo a água se espalhar e boa parte dela cair em Karla.

- Allan. – Ela se virou brava.

- Desculpa, foi sem querer. – Joguei de novo.

Ela se aproximou de mim e colocou a mão na torneira fazendo a água desviar pra mim me molhando, joguei água nela novamente e ela em mim, ela me empurrou e eu perdi o equilíbrio indo pro chão levando ela junto.

- Desculpa, foi sem querer. – Ela piscou se levantando e voltando a estender a as roupas, isso ia ter volta só espera ele termina de estender as roupas.

Levantei-me e fiquei a olhando.

Quando ela terminou a puxei pela cintura e a derrubei na grama nos rolando algumas vezes e parando por cima dela, segurei suas mãos que me batiam pra tentar se levantar e me aproximei para beijá-la.

- Não sua mãe vai ver. – Ela choramingou.

- Ela sabe sua boba. – Ela congelou por um instante e eu a beijei.

Ela parou de se mexer e a soltei me arrependendo logo em seguida quando me empurrou pra se levantar.

- Poxa Allan. – Karla Choramingou fazendo bico.

Levantei-me ficando de costas pra ela e tive a sensação de que ela ia apronta alguma coisa, e não demorou até que ela pulasse em mim, seus pés saíram do chão e eu comecei a rir.

- Desce que eu vou tirar a terra de você. – Pedi e ela pulou no chão.

Peguei a mangueira e abri em sua direção, molhei sua roupa a fazendo grudar no corpo, a blusa branca ficou transparente, mostrando o sutiã roxo.

- Seu sutiã é roxo. – Disse com sorriso pervertido.

- Me admira não ter visto ontem. – Ela fechou os olhos por causa da água.

- Eu estava com sono, se me perguntar qual é meu nome eu não saberia dizer. – Sorri. – Vira de costas. – Ela se virou e eu joguei água das costas dela a fazendo gritar. – Que foi?

- A água tá gelada.

- Pronto. — Desviei a água pro chão. – Sua vez já que me derrubou primeiro.

Ela jogou água no meu abdômen e ficou olhando mordendo o lábio inferior. Essa garota adorava me secar só podia.

Eu a olhava querendo rir, mas era melhor me segurar.

- Vira. – Ela pediu e eu me virei.

- Aproveita. – Disse rindo. Ela jogou água na minha cabeça e eu exclamei um "ai'. – Golpe sujo.

Ela riu e desviou a água pro chão indo até a torneira a fechando.

Olhei pra ela que inda ria, duas crianças no meio do quintal brincando com água.

- Vamos entrar, antes que minha mãe diga que vamos ficar com resfriado se ficarmos aqui fora molhados. – Revirei os olhos.

Minha mãe era dessas não importa o quanto você crescia ela ainda falaria que era perigoso ficar no tempo e ainda por cima encharcados por água.

Fui em direção a cozinha e passei pela porta, Samara estava sentada na mesa da cozinha com meu sobrinho no colo.

- Quer dar um abraço no seu irmão? – Perguntei abrindo os braços indo sem sua direção.

- Se encostar em mim ou em meu filho encharcado desse jeito te enforco. – Ela disse irritada.

- Vejo que ainda é mal humorada, sabe dizem que quando mulher tem filho elas ficam mais legais com coração mole e tal, você é ao contrario... – Ela me olhou séria me metralhando e eu resolvi parar. — E como Michael esta? – Passei na frente do menino que riu.

- Animado. – Ela respondeu.

- Samara, essa é a Karla...

- Hey Karla. – Ela sorriu.

- Oi Samara. – Ela disse sem graça.

- As duas crianças podem, por favor, sair do meio da minha cozinha? – Minha mãe perguntou nos encarando séria provavelmente porque molhamos a cozinha dela.

- Desculpa. – Karla disse olhando o chão caminhando pra fora da cozinha, a segui e quando saímos da cozinha Karla me olhou. – Acho que ela não gosta de mim.

- Você dormiu no mesmo quarto que eu isso fez com que ela ficasse um tanto irritada. – Disse coçando a nuca.

- Não, ela não gosta de mim mesmo. – Ela Curvou a boca. — Eu vou te perguntar uma coisinha...

- Pergunte.

- E se essa por acaso fosse a minha ultima roupa limpa, que você não derrubou na lama, e que não esta molhada lá fora? – Ela me perguntou passando pela sala a onde tinha alguns adolescentes juntos.

- Aquele é seu irmão da escola militar? – Uma garota perguntou a Sammy alto suficiente pra eu escutar.

- Não, é meu irmão mais velho, Andersom quase não vem. – Sammy respondeu.

- Não sabia que tinha outro irmão. – A garota disse animada.

- Porque não eram pra saber, ele tem dona. – Sammy disse brava e eu dei risada, Karla estava me olhando brava então resolvi responde-la.

- Você tem outra, né? Porque se não tiver eu vou me sentir culpado.

- Comece a se sentir então, porque desde quando o uniforme da academia é considerado uma roupa? Eles quiseram economizar nos uniformes e veio faltando pedaço. – Ela disse brava.

- Aqueles uniformes são bonitinhos sabia? – Perguntei rindo.

- Percebi quando ficou olhando as garotas fizeram Ed. Física. – Ela me provocou.

- E o que seu uniforme esta fazendo na mala? – Perguntei.

- Pergunta pro Tomas. – Karla disse brava, subimos as escadas e do primeiro andar dava pra escutar os meninos conversando.

- Sammy aquela garota é muito gostosa.

- Se meu irmão escutar te quebra. – Sammy disse irritada.

Se ele falasse aquilo na minha frente provavelmente quebraria mesmo. E era bom ele não falar daquele jeito com minha irmã se não ai mesmo eu quebraria a cara dele, porque ela é minha irmãzinha.

- Quando se trocar desce porque quero te mostrar algumas cidades que nós podemos ir. – Avisei a deixando no quarto de Sammy.

Fui para o meu quarto trocar de roupa e desci em seguida.

— Allan. — Sammy me chamou. — Você é nerd responde isso pra mim. — Ela jogou o livro pra mim. — Pagina vinte e cinco.

— Não sou pago pra isso não tá? — Disse lendo a questão. — Já não basta eu ter que ajuda a Karla porque a garota é lerda pra fazer lição você também? Cadê os genes bons da sua mãe?

— Acho que esses eu não herdei. — Ela respirou fundo decepcionada.

— Sammy segundo parágrafo. — Joguei o livro de volta.

— Nerd...

— Lerda. — Ela riu e começou a copiar o segundo parágrafo.

— Sammy não quer ser minha cunhada. — Uma menina perguntou quando entrei na cozinha.

— Só se for do Andersom, esse aê tá indisponível no momento. — Ela respondeu sem da muita bola.

Peguei um mapa que havia na cozinha e levei pra sala, Karla desceu as escadas com o uniforme da escola e com o sapato de salto que ela estava no ensaio de casamento.

- Não me olha com essa cara, você é responsável por isso. – Ela me culpou quando chegou à mesa de jantar.

- Não foi por querer, se eu soubesse que a mala estava aberta eu tinha a jogado no pântano. – Disse irônico.

Ela revirou os olhos, havia dois garotos olhando pra ela na sala.

- Acho que nossa escola esta precisando de uns uniformes assim. – O garoto do lado de Sammy disse olhando Karla, Sammy deu um tapa em sua cabeça que o fez ficar quieto.

- Eu tô me sentindo mal, com essa roupa. – Ela disse irritada. – Sério, Eu quero te matar por ter que me fazer usar isso longe da Academia.

- Não esta tão ruim assim. – A olhei dos pés a cabeça.

- Percebi, nem pra você nem pros dois ali na sala. – Ela revirou os olhos. – Eu me olhei no espelho antes de descer, e sei que da pra ver a cor do meu sutiã e não me faça pular, rodar, correr e o escambal a quatro, eu não tô afim que vejam minha calcinha. – Disse séria.

Ela deu a volta na mesa ficando escondida pra ninguém ficar olhando pra ela, eu não conseguia parar de rir, era engraçado ver ela irritada por usar o uniforme da academia longe da escola, mas ela ficava bonita com ele então era difícil parar de olhar.

Abri o mapa na mesa e mostrei algumas opções de cidades a ela as mais distantes que eu conhecia, eu tava prestes a fazer uma loucura que ia fazer com que eu perdesse o emprego. Ela olhou o mapa com atenção e sorriu.

- Eu já sei pra onde vamos.

- Hã? – A olhei.

Ela colocou o dedo em cima da cidade e eu abri um sorriso.

- Estava mesmo com saudades de lá. – Ela disse com meio sorriso. – Talvez seja óbvio de mais.

- Não é, todos que te conhecem sabem que você não voltaria para lá, lembra do que disse, nem internet lá tem, não existe nada para ser feito, esse seria o ultimo lugar que te procurariam. – Circulei três cidades bens distantes da que íamos.

- Pista falsa? – Ela perguntou sorrindo.

- É.

Notas finais
Fiz um post maiorzinho hoje *-*
não quero ver ninguém reclamando hoje em u_u
Então qualquer erro avisem, tô com preguiça então não cobrem muito de mim =}
comentem pra me deixar feliz ai eu deixo você felizes e posto mais *-*
Beijinhos da tia Keller
PS: Sejam legais e sigam meu blog http://kellerdanielle.blogspot.com/ *-*