Eu estava amaldiçoando o infeliz, porque sempre tem que ter um que atrapalhe?

Mas provavelmente era Dulce e eu tinha que atender, soltei Karla me afastando dela, mas ela não me soltou ainda tinha os braços em volta do meu pescoço.

– Não. – Ela falou manhosa me dando um selinho.

– É pra ser a Dulce. – Disse dando um beijo rápido nela.

– Quem? – Ela perguntou me beijando de novo.

– A mãe de Tomas. – Respondi e ela se desesperou me empurrando, o que me rir. – Disfarça.

Abri a porta Tomas passou por mim e foi direto falar com Karla. Mal educado nem pra falar oi.

Dulce me olhou de um jeito estranho o que não era coisa boa. Tomas abraçou Karla o que me fez fechar a cara quando a vi sorrindo.

– Não conseguimos Allan. — Dulce disse me olhando. — Não podemos mandar ela de volta pra escola, ela não pode voltar pra casa, ela não tem mais um lugar seguro pra ficar...

– Dulce o pai dela é o cara mais poderoso e influente que eu conheço, nem meu pai consegue ficar na frente daquele cara, e porque só colocou seis a gentes pra esse caso? É filha dele ele podia ter colocado o mundo pra proteger ela, e quem ele coloca? Eu! E todo mundo sabe que eu sozinho não consigo proteger ela. Morreria? Sim... — Disse nervoso.

– Allan cala a boca. — Dulce mandou. — Você é o único que ele confia, não sei por que motivo, mas confia, ele espera mais de você do que de todos lá dentro, se você tá protegendo ela é por um motivo, então não o decepcione.

Peguei a mala que estava na mão de Dulce e a levei para o quarto tentando me acalmar.

– Ela fica. – Dulce disse quando voltei pra sala. — Não temos escolha Allan, até encontrarmos um lugar seguro para tirá-la daqui.

– Sem problemas.

– Tomas, temos que ir. – Dulce disse séria. – Tenho que voltar e te levar de volta.

– Tchau Rapunzel se cuida. Vou sentir saudades. – Tomas a abraçou outra vez e beijou sua bochecha.

– Eu também Tomas, eu também.

– Cuida dela cara. – Tomas disse se virando pra mim.

– É meu dever lembra? – Disse sério.

– Só pra reforçar. – Tomas saiu pela porta e Dulce o acompanhou, eles entraram no elevador e eu parti a porta do apartamento.

Assim que eu me virei Karla pulou algumas vezes animada.

– Minhas roupas. Agora é banho. — Ela saiu correndo em direção ao quarto.

Ri indo pra cozinha esquenta meu café no micro-ondas que já havia gelado. Aproveitei pra jogar algumas coisas da geladeira fora, sobrando só cerveja na geladeira, eu precisava parar com essa mania de beber.

Karla saiu do banheiro e voltou pra sala animada.

– Nunca imaginei que seria tão bom rever minhas meias.

– Tenho agonia de te ver com elas. – Voltei pra sala e sentei no chão encostando as costas no sofá.

– Sentou no chão por quê? – Ela perguntou me olhando.

– Esse sofá me odeia, ele sempre me joga pra fora. – Mais eu ainda o amava. – Sorte sua ser magrinha e pequena. — Ela sorriu e entrelaçou os dedos no meu cabelo. — Tenho ciúmes dele. – Disse sério.

– Hã? – Ela parecia pensar. – Tem ciúmes do Tomas?

– É. – Concordei.

– Por quê?

– Porque ele podia te beijar e eu não, quando ele te beijou na minha frente a minha vontade era de dar um murro na cara dele com um soco inglês. – Respirei fundo. – Não gosto do jeito que ele te olha, e pouco menos quando vocês dois ficam abraçados.

– Que lindo você tem ciúmes de mim. – Ela disse sorrindo.

– E Muito por sinal. Aquele dia em que subiu em Chad quase pirei. – O que eu estava fazendo? Me confessando pra um padre? Eu deveria ficar quieto essa era a verdade.

– Só foi uma brincadeira. – Eu não precisava olhá-la pra saber que estava mordendo o lábio inferior.

– Não mordi o lábio inferior. – Pedi. – Eu sei, mas ele estava segurando nas suas pernas. — Ela deu risada.

– Se ele não me segurasse ia cair.

– Mas eles podiam estar do seu lado o tempo todo, podiam te abraçar quando dessem na telha, te beijar, encostar nas suas PERNAS, e eu? Tinha que olhar e fica babando, né?! Não sabe o quão foi bom te abraçar aquelas vezes. E aquele maldito beijo que você roubou e eu cedi depois dele eu fiquei te olhando sem conseguir parar, e nem ao menos conseguia disfarçar. E ainda tem aquela historia do cara que você beijou na sua casa, não gostei de saber daquilo, do jeito que ele te olhava dava vontade de afogar em uma privada, e ainda suspeito que quem riscou meu carro tenha sido ele. — Ela escondeu o riso, deveria tá toda animada por saber que tinha ciúmes dela.

– Lembra quando você segurou minha mão quando eu disse que iria me matar? – Ela perguntou mexendo no meu cabelo.

– Difícil de esquecer.

– Pela primeira vez eu me senti amada... – Ela tinha um sorriso bobo que refletiu na TV. – Você disse que eu não podia morrer e que não ia deixar...

– Eu não vou. – A olhei.

– E na enfermaria quando pegou na minha mão enquanto eu choramingava de dor, você me passou segurança, calma... Foi bom ter você do meu lado. – Ela dizia com o mesmo sorriso.

– Tem idéia do porque eu estava com a Zoe? – Perguntei.

– Não fala dela... Não sei.

– Você não podia ser minha e eu tinha que afogar minhas magoas em alguém e ela simplesmente apareceu e...

– Então você...

– Eu sabia que tinha alguma coisa em você, eu jurava que era atração física porque você tem um corpo bonito e eu queria você sexualmente falando... Só que sabia que não poderia e não deveria ter. Aquilo realmente estava me matando pouco a pouco, a atração física começou quando você sentou de frente pra mim e cruzou as pernas logo nos primeiros dias, depois você começou a usar o uniforme com dois botões abertos... E você já sabe,né?

– Era pra te provocar. – Ela escondeu o riso.

– Então se sinta com o dever comprido porque conseguiu. – Sorriu. – Então você vem com a historia de que eu estava mandando você andar na minha frente pra olhar sua bunda, tudo bem que você tem um corpo lindo uma bunda empinadinha e tudo, mas se você não tivesse falado eu não teria olhado e prestado atenção. – Joguei a cabeça pra trás e ela me de meu selinho. – E tem o salto.

– O que tem o salto? – Karla arregalando os olhos.

– Você muda em cima dele, fica sexy, não tem ideia isso me perturba. Quando esta de all star você tem o jeito moleca de andar e de brincar, quando coloca o salto se torna mulher, e das boas por sinal, você muda a postura de andar, de olhar, de falar e nem ao menos percebe. – Respirei fundo. – Quando eu te vi a primeira vez salto achei que era paranóia minha porque queria você, mas depois comecei a perceber que não era, era você mesma e quando te vi naquele vestido azul a minha vontade era de te agarrar e sair correndo com você pra bem longe pra poder te beijar.

– Podia ter feito. – Ela sussurrou.

– É podia, ninguém ia perceber. – Disse em um tom irônico. – Você tem esse seu jeito de garota encrenqueira, que não quer se enturmar, mas não sabe o quão boa pessoa você é. No começo eu achei que você seria um problema na minha vida ai comecei a te conhecer com esse seu jeito percebi que não era aquilo que todo mundo falava, era uma garota maravilhosa.

– Sabe na maioria das vezes que eu usei salto foi por sua causa. – Ela mordeu o lábio inferior de novo.

– Disse pra não morder o lábio... Pra que?

– Não sei, uma parte de mim dizia para que eu usasse...

– Você pode ficar linda em cima de um salto, sexy, andando igual uma deusa... – A puxei para o chão e a encarei. – Mas não troco esse seu jeito moleca por nada. — Ela abriu um sorriso, um dos raros, aqueles realmente verdadeiros. – Consegui tirei um sorriso seu, um verdadeiro.

– Só seu. – Ela encostou nossos lábios e eu a beijei.

Eu estava cedendo ao que sentia, até mais do que esperava, ela se sentou em cima de mim colocando as pernas ao meu redor entrelaçando seus dedos no meu cabelo os puxando pra trás, eu segurava sua cintura com força achando mesmo que ela iria fugir, mas sabia que e não ia, ela queria tanto quanto eu estar ali.

– Er... E a gente? – Ela perguntou terminando o beijo com um selinho.

– Esta disposta a sofrer pela ausência de um cara sem reclamar? – Peguei sua mão e entrelacei nossos dedos.

– Por enquanto não. – Ela tinha meio sorriso. – Depois desse caso quem sabe.

– Quem sabe nada Karla...

– Allan agora não, eu acabei de conseguir o que eu queria então me deixa aproveitar. – Ela me olhou fazendo bico.

– Esta disposta a guardar o que esta existindo entre nós por três meses até que eu possa falar que estávamos juntos? – Perguntei colando nossas testas.

– Quanto tempo for preciso. – Ela sorriu. – Mas três meses é muito não acha?

– É pra dar a desculpa de que resolvemos nos “conhecer melhor” depois da solução do seu caso. – Lhe dei um selinho.

– Acho que um mês e meio é o suficiente. – Ela mordeu meu lábio. – Até menos.

– Começo... Depois a gente vê isso com calma tá? – Beijei sua mandíbula passando pro seu pescoço. — Sabe de uma coisa... – Mordi o lóbulo da sua orelha.

– O que? – Ela perguntou com a voz fraca.

– Eu quero saber daquela sua tatuagem. – Sussurrei em seu ouvido.

– Já disse que vai ter que procurar. – Ela sussurrou de volta.

– É no seio? – Beijei seu pescoço novamente.

– Não vou te contar. – Karla riu.

– Uma dica? – A olhei nos olhos.

– Nem uma.

– Uma só? – Pedi igual criança.

Ela se aproximou do meu ouvido.

– Não vou te contar, não adianta. – Ela sussurrou e passou os dentes pela minha orelha.

– Tomas sabe não sabe? – Perguntei desconfiado, eu queria saber.

– Não. – Ela me encarou. – Eu te disse, só eu e a tatuadora vimos à tatuagem. Tomas não tem nem ideia de que isso existe, eu nunca contei pra ninguém, contei pra você porque perguntou. — Ela se aproximou e me beijou. — Quebrei uma promessa e cumpri outra. – Ela sorriu me olhando, nossas testas estavam coladas e eu a olhava nos olhos. – Ter ciúmes do Tomas é paranóia.

– Ter ciúmes de uma mulher que eu nunca vi na vida também. – Me defendi.

– Mas foi por isso mesmo. – Ela disse brava.

Revirei os olhos e a beijei.


Notas finais
Gente sem anda pra fala, então já sabem né
erros avisem porque não acho tudo sozinha e acaba ficando.
Beijinhos da tia e até daqui apouco (?)