Entramos no salão e levei Karla até o irmão que ria com seus amigos.

– Se alguma bomba explodir você entra na minha frente Carlos. – Karla disse séria.

– Porque eu?

– Porque você é meu irmão, se um cara que eu não conheço direito pode fazer isso porque você não pode? – Ela perguntou com meio sorriso.

– Ela é sua irmã... — Levantei a mão quando Carlos me olhou. – Segura ela pra não cair, Selena quer ver ela sem nem um arranhão. – E eu também.

Karla segurou no braço de Carlos e sai de fininho de perto deles.

Charles se aproximou de mim e me mandou da uma olhada pelo lugar pra saber se tinha algo errado ou não. Passei pelo lugar com calma analisando os pontos do lugar. Tinha mais que algo errado, simplesmente o lugar estava infestado de explosivos, todos em pontos estratégicos, olhei pela janela do lugar e pelo que deu pra ver do prédio da frente no primeiro andar havia um atirado, e não era um dos nossos. Passei pelas mesas e havia um explosivo a cada cinco delas, mas isso não foi pensado só foi colocado, se aquela mulher estava envolvida ela realmente queria matar.

Havia alguns a gentes espalhados pelo lugar todos disfarçados como convidados de Charles, digamos que a festas não seria uma das melhores, olhei para eles os analisando e reconheci dois por já ter trabalhado com eles.

Fui até Charles e contei a ele a situação do lugar.

– Temos que tirar eles daqui, agora. — Disse sério. – Não imaginei que já tivessem preparado tudo, era para nós estarmos na frente. – Ele socou a mesa.

Olhei pra Karla que estava sentada em uma mesa junto com Mark, eles conversavam e eu fiz uma contagem rápida pelas mesas e se eu estava certo, Karla estava na mesa que dava cinco.

– Karla sai daí. – Me aproximei dela pra ver se eu estava certo. Se ela batesse na mesa com força dispararia o explosivo que faria os outros dispararem.

– O que tá acontecendo? – Ela elevou a voz.

– Só sai daí. – Disse irritado. – Some garoto.

Karla fez o que eu mandei e Mark ficou me olhando sério de um jeito assassino. Eu ia ter que fazer o que? Espancá-lo? E essa não seria nem uma má idéia. O encarei como se fosse atirar nele em qualquer momento e ele se virou de costas e se afastou. Karla parou ao lado do seu irmão que tinha um olhar preocupado, olhei em baixo da mesa.

– Então? – Charles perguntou.

– Manda todo mundo sair. – Avisei. – Agora.

– Allan? – Karla me chamou calmamente, eu olhei pra ela a pedindo pra falar. – Me responde?

– Igreja. – Disse a fazendo pensar.

– Vai explodi. – Ela disse me olhado.

– O que? – Mark perguntou.

– Vai fazer cabum Mark. – Karla aviou como se estivesse explicando pra uma criança.

– Quero que todo mundo saia daqui agora. – Charles pediu a algumas pessoas que estavam no salão.

A maioria das pessoas estavam sem entender, mas fizeram o que Charles pediu. Os a gentes que lá estavam já seguravam as armas na mão discretamente, prontos para qualquer coisa.

Sai de perto da mesa e Karla estava no mesmo lugar que antes me olhando.

– O que tá fazendo aqui ainda? – Perguntei.

– Te esperando.

– Vem. – A puxei pela mão, indo em direção a Charles. – Eu não sei desarmar bombas Charles. Posso explodir elas, desarmá-las não.

– Isso eu também posso. – Ele sorriu sem humor. – Quantas delas?

– Algumas... Pelo menos três fora do salão, outras em baixo das mesas e algumas escondidas. – Disse puxando Karla pra fora do salão.

Quando colocamos o pé fora do salão um tiro acertou a parede do lado de Karla que soltou um grito me deixando surdo.

– Merda. – Xinguei.

– De novo. — Ela gritava com voz de choro.

Muitas pessoas saíram correndo, muitas passaram na nossa frente o que ajudou um pouco a levá-la com mais segurança perto do carro. Quem quer que seja não queria acertar outras pessoas queria só ela, e pra isso teriam que passar por mim primeiro.

Escutei a mãe de Karla gritando com ela, algo sobre sempre ela ser culpada que merecia a morte por ter feito tudo o que fez. Definitivamente ela entrou pra minha lista de suspeitos. Ela não via que a filha dela estava quase morrendo e que se falasse aquilo de novo ela podia mesmo morrer?

– Tira ela daqui. – Charles pediu ignorando o que se passava em volta. – Não leve ela de volta pra casa... Leva ela pra longe. – Ele me entregou um envelope que eu até sabia o que era, e mais um tiro acertou a parede fazendo Karla grudar em mim.

– CARALHO. — Karla xingou assustada.

– Vem. – A puxei pela mão e olhei pro alto da onde vinham os tiros. – Fica atrás de mim. – Avisei, tirei a arma do cós da calça e atirei em direção ao primeiro andar do prédio. – Errei. — Disse pra mim mesmo atirando de novo e tentando levar ela em direção ao carro.

Eu não podia me concentra em duas coisas a prioridade era tirar ela de lá. Continuei a levá-la em direção o carro que estava um pouco longe da entrada, as paredes do salão explodiram espalhando concreto pra todos os lados, algumas pedras bateram em mim e Karla que soltou alguns palavrões sem perceber, provavelmente algumas pedras acertaram ela, mas não podia parar pra ter certeza disso.

Karla parou no meio do caminho, olhei pra trás e ela estava assustada. Será que estava em choque de novo? Ela respirava com dificuldade e mais tiros vieram em nossa direção e ela nem ao menos se movia. Isso me fez a olhar irritado, ela não via que estava prestes a morrer? Puxei seu braço com força a fazendo cambalear, mas o que surgiu efeito já que ela voltou a andar até mais rápido do que antes. Chegamos à frente do carro e antes de entrar olhei em volta, aparentemente tranquilo, mas não ia acabar assim tão fácil, olhei pro carro e se eu pegasse o infeliz que explodiu aquele lugar eu acertava um tiro no meio do crânio.

– Puta merda no carro não. – Havia um risco feito provavelmente por uma pedra de concreto na lataria do carro. – Não faz nem dois meses que arrumaram a lataria dele. – Abri a porta do Carro e Karla entrou. – Porque caralho eles tem que acertar o carro? Ele não tem nada a ver com a história!

– Isso tá virando rotina. – Karla ignorou tudo o que eu disse.

Não disse nada apenas liguei o carro e sai de lá.

Entramos na avenida principal que estava com poucos carros o que não era bom, olhei pelo retrovisor e tinha duas motos no seguindo, ótimo. Comecei a xingar e Karla ficou me olhando.

– Você não é de xingar.

– Estão no seguindo. – Ela olhou pra trás e soltou um grito histérico.

– Eu vou morrer. – Ela olhou pra cima.

– Não vai. – Discordei.

– Deus Tem tanta coisa que eu não fiz na vida ainda. Eu não pulei de paraquedas, bungeejump, nunca tive um amor de verdade, eu nem tive tempo de ter meu cabelo normal de novo, e eu queria ver a Sra. Thompson novamente, e eu queria mesmo beijar um cara de novo, depois eu posso morrer, juro que não reclamo.

– Karla para. – Ela ia me fazer dar risada na hora que eu não podia, eu tinha que me concentrar, mas ela não estava deixando.

– Poxa, só são alguns pedidos, eu nem faço questão de pular de paraquedas e de bungeejump, e nem de ter meu cabelo normal, mas os outros três eu quero mesmo. – Ela continuou falando e eu virei o carro na primeira rua que achei. – Sério Allan você não tá me ajudando.

– Desculpa.

Virei o carro mais algumas vezes, e felizmente as motos não estavam mais nos seguindo, dei a volta e fui em direção ao meu apartamento.

– Posso te perguntar a onde estamos indo? – Karla perguntou olhando pela janela.

– Não. – Olhei mais algumas vezes pelo retrovisor pra ver se ninguém estava nos seguindo. – Para algum lugar longe da sua casa.

Não demorou pra entrar no bairro a onde vivia, havia vários prédios em volta, ali era comum alguns agentes viverem, a maioria era os que não tinham família, já que os que tiveram a grande sorte de arrumar família moravam em casas gigantes como Charles. Entrei no prédio aonde vivia e Karla me olhava curiosa pra saber a onde estava.

– Posso saber a onde estamos? – Estacionei do lado da Mercedes branca que era do meu pai e estava passando um tempo comigo, desde que meu carro foi baleado e quase morreu em um confronto.

– Não. – Respondi.

Karla saiu do carro brava analisando a garagem do prédio. Fui até o porta malas e tirei a bolsa de Karla.

– Como isso foi aparecer ai? – Ela perguntou sem entender.

– Seu pai me mandou colocar sua bolsa no carro caso acontecesse alguma coisa. – Respondi entregando a bolsa a ela.

– Ah.

Meus olhos voltaram pra lataria do carro.

– Primeiro ele é baleado e agora foi apedrejado... — Analisei o risco mais de perto. — Não foi apedrejado. Alguém passou uma chave nele. – Choraminguei. — Alguém quer que eu venda essa carro só pode. Quem foi o filho da Puta que riscou meu carro com uma chave? — Fui em direção ao elevador um tanto furioso com o ser que fez aquilo. – Se eu pego o desgraçado que não tem vida, não vai poder ter mais filhos primeiro que eu fazer questão de cortar aquilo que o infeliz tem no meio das pernas com uma faca sem corte e sem anestesia. — Olhei pra trás e Karla estava parada. — Tá fazendo ai ainda? – Ela apontou pro sapatos, ri e voltei pra perto dela.

– Obrigada.

Entramos no elevador, eu apertei o botão do décimo quinto andar o elevador começou a subir e Parou na recepção, Vanessa entrou e me olhou dos pés a cabeça.

– Já estava achando que tinha se mudado. – Ela continuava a me olhar.

– Não. – Ri.

Karla me encarou curiosa, nesse instante ela já sabia que estava pra entrar na minha casa.

Vanessa e eu conversamos algumas pequenas coisas, ela saiu do sexto andar e nós fomos até o décimo quinto.

– Você esta bem? – Perguntei quando vi que ela não falava nada, Karla apenas respondeu com um sim fraco.

– Tá me levando pra sua casa por quê? – Ela perguntou me olhando.

– Porque não tenho autorização pra te levar da cidade. – Não podia dizer que o pai dela mandou. – E o único lugar que eu sei que é seguro tirando a casa da minha mãe é a minha.

O elevador parou. Abri espaço pra Karla passar, peguei a chave do bolso e abri a porta a deixando entrar.

– Não é do tamanho da sua casa, mas até que arranjem um lugar pra eu te levar...

– E daí que não é do tamanho da minha casa? Eu nem moro nela, minha casa é um quarto na Academia e você viu o tamanho dele. – Ela se virou pra me olhar brava. – Eu sei viver em 60².

– 75². – A corrigi.

– Que seja. – Ela revirou os olhos.

– Nós provavelmente ficaremos dois dias aqui...

– Cara eu não posso ficar dois dias aqui. – A encarei com a sobrancelha arqueada. – Não é por nada, mas eu preciso tomar banho e trocar de roupar, não sei se percebeu, mas eu tô com um vestido e um salto enorme.

– Liga pro Tomas. – Pedi contrariado.

Não queria que ele soubesse a onde estávamos, mas era a única solução no momento.

Ela tinha razão, o máximo que eu podia fazer por ela era emprestar minhas camisas porque seria a única coisa que serviria nela.

– Pra que?

– Diz pra ele entrar no seu quarto e pegar algumas roupas suas, tem uma mala em baixo da sua cama, então peça pra ele colocar tudo que conseguir. – Respondi.

– Ok. – Ela pegou o celular e ligou pra ele.

Ela conversava com ele e de virou pra mima.

– Allan que dia é hoje?

– Vinte e um. – Respondi desligado.

– Que merda.

– Por quê? – Perguntei.

– Nada. — Ela colocou o celular no ouvido de novo e conversava com Tomas.

Espera vinte e um? Arregalei os olhos e coloquei as mãos no bolso tirando os envelopes que havia guardado, hoje era aniversario dela, com tudo aquilo eu tinha esquecido. Ela desligou o telefone e me olhou.

– É seu aniversario! – Afirmei.

– É. – Ela olhou pros pés.

– Er... – Eu estava começando a ficar nervoso. – Tenho duas coisas pra você. — Ela me olhou. – Um seu pai mandou te entregar... E a outra... Comprei porque sabia que seu aniversario estava próximo. — Ela abriu um sorriso lindo. Entreguei o envelope que Charles havia me entregado no dia anterior e guardei o outro. — Seu pai me entregou isso antes de sair da sua casa, ele sabia que ia acontecer alguma coisa. – Ela pegou o envelope e o abriu.

– WOW. – Eu sinceramente achei que ela ia pular gritar, de felicidade, mas foi ao contrario ela fico mal humorada, fiquei a olhando sem entender. – Não me olha assim. Tenho certeza que você sabe o que é.

– É eu sei, ele me contou. – Sorri sem humor.

– Tá eu ganhei um carro, mas ai pra que? Me fala eu vou usar um carro quando? Sendo que eu nem posso andar pela rua, sem ser perseguida e sem que ninguém atire em mim? – Ela disse brava. – Isso foi à pior burrada que ele já fez. Eu me contentaria com dinheiro.

– Garota, ele te deu um carro, para de reclamar. – Falei sério.

– Que por acaso eu não posso dirigir, porque eu nem ao menos posso sair na rua, e que eu me lembre bem eu moro em um colégio que se eu passar dos portões sem autorização eu vou presa...

– Já acabou?

– Já. – Ela ficou quieta.

Peguei a caixinha de veludo que estava em cima da estante quase escondida pela TV a onde estava a corrente e entreguei a ela. Karla abriu a caixinha e abriu um sorriso, ela passou os dedos pela corrente e me olhou.

– É linda. Obrigada. – Ela veio em minha direção e me abraçou.

– Por nada. – Sorri a abraçando de volta. – Feliz aniversario.

– Obrigada. – Ela beijou minha bochecha e o celular dela tocou, só comigo.

– Fala Tomas.

Revirei os olhos e me joguei no sofá.

Enquanto Karla falava com tomas Dulce me ligou dizendo que só poderia vir no dia seguinte. Suspeito de duas coisas, ela estava ocupada com o marido e sem nem uma vontade de sair de casa naquele momento, e por segurança, mas acho que o primeiro é o mais provável.

– Minha mala só chega amanha. –Karla disse fazendo bico de choro.

– Eu sei. – A olhava. – Vai ficar de pé mesmo?

Ela olhou sem entender e caiu na risada em seguida e depois parou, bipolaridade.

Ela se sentou ao meu lado no sofá, e seus olhos correram pelo apartamento. Eu parei prestando atenção no desenho que estava passando Karla disse alguma coisa, mas não prestei atenção no que era.

– Que? – Me virei pra ela que revirou os olhos e apontou pro PS. — Ah, isso. É meu terceiro hobbie favorito. – Dei de ombros, tirando transar e dormir, eu costumava jogar bastante. – Tá com fome?

– Não.

– Certeza? – Perguntei.

– Sim.

– Eu não tenho suco de laranja, mas se você me pedir qualquer outra coisa eu te arranjo. – Me levantei e fui pra cozinha.

– Vodka. – Ela provavelmente tinha meio sorriso.

– Menos vodka. – Soltei um riso.

– Sabia.

– Não quer dizer que eu não tenha, quer dizer que eu não quero que fique bêbada. — Disse abrindo os armários procurando qualquer coisa que fizesse mal pra saúde.

– Tá eu aceito água.

– Garota você tem problema sério. Na onde que na casa de um cara solteiro vai ter água? — Pra beber!

– Eu desisto. – Ela bufou.

Voltei pra sala rindo e entreguei uma lata de refrigerante e um saquinho de Doritos pra ela.

– Quer que eu engorde ou o que? – Ela perguntou me olhando

– Você não vai sair de forma se comer porcaria por dois dias. – A olhei e pisquei.

– Isso é o que preguiça de fazer comida? — Ela perguntou abrindo a lata de refrigerante.

– Também, como eu só passo dois dias em casa eu só compro esse tipo de coisa. — Disse encostando-me no sofá.

– Mas você é bem organizado pra um cara que mora sozinho.

– Sou organizado porque não tenho tempo de ficar em casa. – Disse sem humor. – Se a deixo organizada quando saio, quando volto ela vai estar no mesmo estado, é agradável chegar em casa e ver tudo no lugar... Você vai ficar no meu quarto.

– E você?

– No outro. – Respondi.

– E porque você não fica com o seu quarto e eu com o outro? – Ela perguntou como se fosse obvio.

– Porque o outro quarto é uma bagunça, tem muito equipamento lá. Então é melhor você ficar com o quarto organizado.

– Ok. — Ela concordou.

Eu só queria ver o meu estado à noite, ela no quarto do lado e eu sem poder nem ao menos encostar um dedo nela. Isso nunca aconteceu na minha vida, de uma mulher que não tem o meu sangue ir pro meu apartamento e dormir sem que eu não possa fazer nada, nem um tapa na bunda dela eu posso dar.


Notas finais
Como eu disse dois post por hoje
o Terceiro que a Carol pediu #fail porque eu vou assistir diários de um vampiro e não volto =/
Espero que gostem e comentem né gente linda *-*-*
Beijos da Tia Keller