Ela foi em direção ao garoto e o abraçou e começou a conversar com ele, me aproximei de Charles que estava sorrindo.

- Perco a paciência com eles, mas é minha família. – Ele disse desviando o olhar pra mim. – Agora sei que pelo menos aquela pirralha não vai fugir de novo, vai ficar segura e perto, assim vou saber o que ela apronta.

Do nada a garota vira e encara seu pai com raiva nos olhos e gritou:

- Você não confia mesmo em mim?

- Depois da ultima? Definitivamente não. – Ele respondeu e ela voltou a falar com o irmão.

A onde exatamente Charles estava me colocando?

Do aeroporto, os dois filinhos de Charles foram pro shopping, e olha que legal todos os seguranças incluindo eu, tiveram que ir também. Isso realmente estava me irritando não havia nascido pra uma coisa dessas.

Aonde Charles ia todos nós tínhamos que ir junto, não sei por que ele mantinha tantos seguranças, ainda acho que ele esta envolvido com alguma coisa ilegal.

Karla entrou em uma loja junto com o irmão, Charles e dois seguranças, o resto de nós ficamos do lado de fora. A garota passava por prateleiras e pegava todas as roupas que via pela sua frente, se algum dia eu chegasse a fazer isso minha mãe me bateria na frente de todos, mas felizmente eu não morava mais com ela.

Da loja de roupas ela foi pra uma loja de sapatos. Odeio mulher e shopping, é uma combinação que realmente odeio.

***

Depois de muito tempo dentro daquele Shopping com aquela garota estranha, finalmente Charles disse que ela tinha que ir embora. Ela se despediu do irmão e nós seguimos pra Lake Forest, e novamente ela passou o caminho todo quieta, felizmente.

Mas eu teria que me acostumar querendo ou não, iria passar muito tempo com ela, muito mesmo!

Não demorou tanto para chegarmos aos domínios da escola. Era uma grande escola, com grandes muros, com um grande portão, e uma grande segurança. Mas isso não foi o bastante pra segurar aquela pirralha lá dentro. Olhei para os portões e tive a sensação de que não era um bom lugar pra se viver.

O carro parou na frente do prédio principal, a onde ficava a diretoria. Eu já ouvira falar de Lake Forest, houve coisas ali coisas que até hoje ficaram sem explicações.

- Allan vai com você. – Charles avisou olhando Karla.

Sai do Carro e peguei as coisas dela que estavam no porta malas.

- Ele vai dormir no meu quarto também? – Ela perguntou irônica em uma voz um tanto quanto maliciosa e desejosa e eu tive que segurar pra não sorrir com a idéia.

Charles revirou os olhos e encarou a filha, esse eram um dos típicos momentos que eu deveria fingir que não estava escutando.

- O que você não sabe, tem seguranças por toda a parte, depois que você fugiu, eles os contratou para ficarem vinte e quatro horas. – O sorriso dele era vitorioso.

- Ótimo. – A garota bufou saindo do carro. – A gente se vê daqui a seis meses.

- Um na verdade. Cuide bem dela Stewart. – Seu pai sorriu fechando a porta mandando seguir em frente.

Olhei o carro se afastando até sumir de vista, desviei meu olhar pra garota que me olhava um tanto intrigada, ela olhou para frente e começou a caminhar, a segui em silencio e fomos até a sala da diretora. Paramos na porta de sua sala que estava aberta a onde ela estava nos esperando. Era uma sala bonita um tanto rústica com moveis antigos, mas bonito.

- Sra. Sellivem. – Katharine pelo o que sei diretora a dez anos de Lake Forest.

Ela era bonita, deveria ter uns quarenta anos, usava um terninho, uma mulher elegante, seus cabelos eram escuros e seus olhos um tom de castanho claro, sua afeição não estava nada boa, estava séria sem humor algum.

- E aí? – Karla deu risada. – Vejo que não te tiraram daqui ainda.

- Ao contrario do que pensa tenho muito a oferecer a esta escola Sellivem. – Sua feição mudou e ela sorriu.

- Ok, na próxima vez que enviarem seu formulário me chame para preenchê-lo para você então eu te mando pra algum colégio militar. – A garota soltou riso sem humor e o sorriso do rosto de Katharine se
perdeu.

- Sorte sua seu pai ter muito dinheiro. – Ela se virou de costas e fez sinal para segui-la,
entramos em sua sala ela se sentou em sua confortável cadeira. – Seu quarto é o mesmo Sellivem, o Sr. Stewart ficara no prédio dos funcionários. E eu espero que não fuja novamente.

- Tá, tá, tá... – Ela se virou de costas bufando.

- Sua chave Sellivem. – Karla revirou os olhos e voltou para pegar as chaves.

Saímos da sala da diretora e fomos em direção aos dormitórios.

- Pode ir pro seu dormitório. Prometo que vou ficar quietinha no meu. – A garota esticou os braços pra pegar as sacolas, a tá que eu ia deixá-la voltar sozinha pro dormitório, ela era esperte se fugisse de novo eu teria problemas.

- Eu levo. – Ela olhou pra mim surpresa e depois sorriu de um jeito malandro.

- Homens são proibidos no prédio das mulheres. – Ela disse com meio sorriso mordendo o lábio inferior.

- Infelizmente sou seu segurança então eu posso entrar e sair de lá quando eu bem entender. – Meu mau humor estava começando a ser evidente o que não era tão bom. Eu andava na sua frente um tanto mais rápido que ela.

- Posso saber por que meu pai te contratou? – Ela perguntou tentando me acompanhar.

- Não me contratou. – Ela deu meio sorriso. – O FBI me mandou para te proteger.

- Me proteger? – Ela arqueou a sobrancelha.

- É... – Parei no meio do gramado sem saber pra onde ir. Ela riu de um jeito gostoso e tomou a frente.

- Porque te mandaram pra “me proteger”? – Ela fez aspar no ar como se fosse à coisa mais absurda do mundo.

- Não posso te dizer. – Respondi, na verdade eu podia só queria ver a cara dela.

- Ótimo. – Bufei.

- Mas posso te mostrar o que te mandaram há algum tempo. – Entramos no prédio a onde só ficavam as mulheres e seguimos pro quarto da bonequinha com cabelo verde.

Era um prédio grande com elevador que nesse dia estava com um papel marcado “em manutenção”. Karla abriu a porta da escadaria e eu a segui.

- O que me mandaram? – Ela perguntou sem entender.

Chegamos a um andar passando pelo corredor e fomos diretos para uma porta a onde tinha uma
boneca de pano pendurada ela abriu a porta acendendo a luz. Era visível os tijolos no quarto porque não havia papel de parede em uma das paredes, de frente pra porta de entrada tinha porta do banheiro, o guarda roupa ficava praticamente atrás da porta, a cama ficava distante da porta e tinha um edredom laranja em cima, do lado da cama havia uma pequena mesa com um livro em cima, na frente da cama havia uma mesa com um computador, havia uma poltrona do lado da janela e perto da poltrona uma estante com livros uma pequena TV e alguns objetos.

Coloquei as sacolas no chão e ela me encarou com aqueles olhos penetrantes, aquele olhar me dava medo, mas eram realmente bonitos de se olhar. Puxei do bolso uma das cartas que haviam me entregado após a análise de DNA e entreguei a ela.

Ela abriu sem da muita importância e leu o conteúdo. Ela arregalou os olhos em pânico e certo medo e me e me encarou.

- O que é isso? – Ela perguntou assustada.

- Te mandaram a algumas semanas, então seu pai colocou todos atrás de você, com medo... Então me mandaram pra ficar de olho em você quando te achassem. – Respondi tirando o papel das suas mãos.

- Como me mandaram isso?

- Mandaram para o colégio, como você fugiu Katharine se responsabilizava de abrir todas as suas correspondências achando que alguma poderia ser sua, não me pergunte por que, então quando mandaram à carta ela ligou pro seu pai, que ligou pra Deus e o mundo e me colocaram no caso, junto com mais cinco pessoas.

- Cadê as outras cinco? – Ela olhou o quarto procurando os outros.

Dei meio sorriso achando graça da cena.

- Não estão aqui. Estão trabalhando pra saber quem mandou a outra carta.

- Que outra carta? – Curiosa!

- Outra que falava que sua despedida vai ser trágica... Tem algum inimigo? – Perguntei.

- Não que eu me lembre. Também não fiz nada a ninguém recentemente, só fugi da policia, conta? – Ela perguntou.

- Não.

- Então se estão trabalhando para descobrir quem mandou a outra carta, posso saber o que esta fazendo com essa? – Ela perguntou cruzando os braços em um tom de superioridade.

- Ela passou por vários processos e por mais que essa carta foi escrita a mão não tem nem ao menos uma digital.

- Vai ver que ele usou luvas. – Karla parecia achar graça da situação.

- Mesmo assim poderia conter DNA e nem isso tem. – Olhei o nada pensativo. – Vou te deixar descansar. Se acontecer alguma coisa, aperte o botão vermelho do telefone, ele tem ligação direta meu celular.

Sai do quarto a deixando sozinha, desci as escadas até o térreo, e dei de cara com uma garota que não estava ali quando entrei.

- Homens são proibidos nesse prédio. – Ela disse séria cruzando os braços.

- Eu... – Ela era bonita, loira, olhos claros, alta, lábios vermelhos que me deu vontade
de morder. – Eu sei. – Seu rosto era arredondado e suas bochechas começaram a avermelhar.

- E esta fazendo o que aqui? – Ela ainda estava séria.

- Desculpe... Allan Stewart. – Estendi a mão e ela abriu um sorriso segurando minha mão.

- Zoe Blumm. – Ela respondeu ainda sorrindo. – Você é o segurança da Sellivem não é?

- É. – Concordei.

- Boa sorte com ela, ela é um problema aqui. – Ela revirou os olhos.

- Eu soube. – Sorri.

- Mesmo sendo Segurança de uma das alunas não posso permitir que fique muito tempo aqui... – Ela voltou a ficar séria. – Então vamos pra fora. – Zoe apontou a saída e eu tive que rir.

Fui em direção a porta de entrada do prédio e sai ainda rindo e Zoe me seguiu.

- Não gosto de homens com olhos verdes, ainda mais verdes esmeralda. – Ela me olhava. – É como se um imã não deixasse desviar os olhos.

- Mais uma. – Eu ri. – Queria saber qual é o problema das pessoas com meus olhos.

- É bonitos, Você é bonito. E você sabe disse. – Ela sorriu tímida.

- Não sou muito de achar homens bonitos, e eu não sou muito dos que gostam de garotas
loiras com olhos claros, elas sabem seduzir. – A olhei e seu olhar estava no chão com um sorriso. — Você é o que aqui? – Perguntei.

- Monitora. – Ela sorriu.

- Então seu quarto fica no...

- Prédio dos funcionários. – Zoe complementou.

Na trave. Sorri pra mim mesmo.

- Então você me dizer pra onde fica o prédio dos funcionários. – A olhei.

- É, na verdade eu posso te levar até lá. – Ela sorriu e me mudou a direção do caminho. – Então Stewart que quarto? — A olhei sem entender. – Na chave tem o numero do quarto.

- Ah. – Puxei a chave do bolso e nele tinha marcado o numero 12. – Quarto doze.

- Primeiro andar. – Ela abriu um sorriso maior que ela. – O meu é o dez.

- Mesmo andar? – Perguntei.

- Sim, na frente. – Ela ainda sorria.