Parei na porta da sala quando o sinal tocou, todos os alunos da sala haviam saído e só Karla e Ananda estavam lá, conversando por sinal

– Mulheres. — Revirei os olhos.

Ela me viu e saiu da sala vindo em minha direção.

– Achei que ia ficar esperando. – Disse quando ela parou na minha frente.

– Acordou de mau humor né? – Ela bufou revirando os olhos.

– Não, foi o que aconteceu um pouco depois. – Respondi, mas não entrei em detalhes.

Ela ficou me olhando provavelmente tentando adivinhar o que havia acontecido e saiu andando na minha frente. Ela deveria estar brava só fazia isso quando estava brava, a olhei andando e fechei os olhos por um instante, ela não estava de salto então não estava rebolando na verdade ela parecia uma moleca andando, ela já estava se afastando e eu corri para alcançá-la. Ela ainda continuava na frente e eu apenas dois passos atrás dela a sua direita.

Entramos no prédio e fomos direto para o quarto que estava sendo dela nesses últimos dias.

Karla juntou todas as suas coisas e guardou na bolsa sofrendo pra fechar o zíper.

– Melhora essa cara? – Ela pediu sem me olhar.

– Vou tentar.

– O que aconteceu? – Ela jogou a bolsa em cima da cama brava e me encarou.

– Tá falando como uma esposa que não... Esquece. – Sorri de lado.

– Que não tem relação com o marido há umas duas semanas? – Ela Perguntou com um sorriso sem humor.

– Eu diria um pouco mais pela cara que você fez, mas duas semanas estão ótimas. – Peguei a bolsa dela e sai pela porta sem a esperar, ela saiu do quarto batendo a porta e vindo em minha direção.

Saímos do prédio e fomos pra em direção a garagem.

Passamos por vários carros até parar na frente do meu, Apertei o controle do alarme destravando as portas, a porta de trás e coloquei a bolsa de Karla lá, ela deu a volta no carro abriu a porta e se jogou no banco da frente mal humorada batendo a porta com força me fazendo olhar feio pra ela.

– Não desconta no carro. – Disse mal humorado.

– Já disse que seu mau humor pega? – Ela disse no mesmo tom sério e mal humorado que eu.

Saímos do colégio e fomos em direção a Lake Forest passamos por ela sem fazer nem uma parada e fomos em direção de Chicago, o que ficava aproximadamente uma hora de viagem de Lake Forest.

Ficamos um tempo em silencio, o que me irritava às vezes, quando eu olhava pra ela, ela desviava o olhar e mordia o lábio e quando estava olhando pra frente ela ficava me olhando.

– Acho que você vai finalmente conseguir folga de mim. – Ela olhava pela janela.

– Na verdade não. – Respondi calmo, ela me olhou e eu sorri. – Não me deixaram tirar folga, eu vou com você pra sua casa e vou ficar lá, é um tanto desagradável, mas não tenho escolha. – Dei de ombros.

– Vai ser desagradável porque eu vou estar lá. Se você fosse sozinho sua vida seria férias, piscina, sol e dormir. – Já vai ser férias com ela lá.

– Não, vai ser desagradável porque não conheço sua família e vou ter que ficar em um quarto do lado do seu. – Me defendi. – Eu não estou na minha casa vai ser um tanto estranho.

– Relaxa não vão nem saber que você esta lá, vão saber que eu estou, mas você não. – Ela curvou a boca. – Meu quarto fica longe do resto da casa. Então você só vai ficar sem dormir bem por uns três dias.

– Hã? Como? – A olhei querendo que me dissesse que eu escutei aquilo errado.

– É meu quarto fica do lado do quarto de Carlos, e ele é meio barulhento, barulhento do tipo pegar uma guitarra e quebrar os vidros três horas da manha, eu escuto musica alta quando estou em casa, e o quarto que sobra fica bem na frente do nosso. – Ela escondeu o riso. – Então eu espero que você tenha tido um bom sono mais cedo.

– O que eu fiz pra merecer isso? Eu preciso dormir. – Disse pra mim mesmo.

– Eu te empresto o colchão inflável ai você consegue dormir na piscina. – Karla riu. – Eu já dormi na piscina e foi legal.

– Você é estranha garota.

– É, eu sei, descobri isso quando pintei meu cabelo de rosa quando tinha treze anos. – Suspirou.

– E falando nisso, porque decidiu pintar o cabelo de outras cores? – Perguntei, essa era uma curiosidade que eu queria matar, essa e a tatuagem que ela tinha.

– Vai entender quando ver do jeito que minha mãe me trata. – Assunto desagradável pelo jeito.

– Então é por causa dela? – Perguntei

– Sim. Tudo é por causa dela. — Ela tinha ficado séria, olhando pra fora da janela.

Eu não perguntei mais sobre o assunto, era desconfortável pra ela, então começaria a ser pra mim se eu perguntasse de mais.

Não demorou muito pra chegarmos a sua casa, ela era bem parecida com que minha família tinha na Califórnia, o portão da casa se abriu e eu guiei o carro até a garagem, que por acaso tinha espaço pra mais de seis carros. A BMW do Charles não estava, o que significava que estava trabalhando, havia um porsche que deveria ser de sua mãe, e uma Mercedes que não tinha ideia de quem era.

– Merda. – Karla xingou saindo do carro.

– Que? – Olhei pra todos os lados desconfiado, vai que ela viu alguma coisa que eu não.

– Desgraçado ele conseguiu um carro. – Ela bateu a porta do carro que me fez olhar feio pra ela.

– Já disse pra não desconta no carro. – Disse um tanto irritado.

– Eu vou matá-lo. – Ela choramingou chegando perto da Mercedes preta. – Porque ele ganhou um carro e eu não. – Karla fez cara de choro.

– Ah é isso. – Revirei os olhos tirando as coisas dela do carro.

– Ah desculpa se eu não fugi da escola. – Carlos disse atrás de Karla. – Foi mal se você não quis me levar junto. – Karla foi em sua direção e o abraçou.

– Sério. Eu quero um. – Ela fez voz de choro.

– Desisti, eu tentei tudo o que podia pra fazer ele te dar um também, e ele disse “não, se ela tivesse ficado eu teria lhe dado um também.” – Carlos tentava imitar a voz de Charles não tento muito sucesso.

– Eu vou chorar. – Karla resmungou soltando Carlos e vindo em minha direção pegando sua bolsa.

– Tá cuidando da minha irmã né? – Carlos me perguntou sério.

– Deixa de ser idiota. – Ela deu um soco em seu braço.

– Não precisa me bater.

Karla o ignorou e foi em direção ao interior da casa, mas voltou me olhando séria, olhei pra ela com uma expressão de “que?” e ela revirou os olhos apontando pra dentro. Ela voltou a entrar na casa e eu a segui andando do lado de Karla que deixou o irmão ir à frente, por um lado ela não queria entrar por outro parecia ansiosa.

– A casa é sua pode ir à frente. – Disse a observando. Ela olhava o lugar como se há muito tempo não viesse pra casa.

– Não, tenho trauma. — Revirei os olhos a fazendo rir.

Passamos pela cozinha que era toda branca, Carlos pegou algo de lá e jogava pro alto, fomos em frente e passamos por uma sala de jantar a onde tudo era de madeira, da sala de jantar passamos por outra que era aparentemente de TV que a maior parte tinha uma cor esquisita e berrante, havia uma estante com varias fotos de família, e uma em especial que eu jurava ter visto em algum lugar só não lembrava exatamente a onde.

– Olha eu quando pintei meu cabelo pela primeira vez. – Karla apontou uma foto com os olhos brilhando.

– Rosa. – Disse olhando a foto que ela estava com o cabelo rosa.

– Olha que bonitinha ela era quando tinha dois anos, depois virou uma praga. – Carlos apontou pra foto a onde Karla estava com um vestido branco e Carlos de terno.

– Odeio essa foto. – Ela bufou e continuou a andar.

Entramos em uma anti sala, era uma sala grande com parede de vidros. Havia sofás pretos e brancos, alguns quadros estranhos e algumas obras de arte mais estranhas ainda, havia um grande bar com muitas bebidas o que levou o olhar de Karla e um sorriso grande de sua parte. Em um canto distante da sala havia uma mulher tinha o rosto do mesmo formato de Karla e eu não precisava perguntar quem era ela estava em um canto da sala lendo um livro, seus olhos de desviaram e foram pra Karla, naquele momento eu achei que ela ia se levantar e ir abraçar a filha, mas seus olhos não mostraram ação nem uma.

– Ah, é você Karla.

– Esperava quem a pantera cor de rosa? – Ela perguntou baixo revirando os olhos. – Esperava quem?

– Não achei que chegaria cedo. – Seus olhos voltaram para o livro.

– Ah.

Eu achava que a Karla era estranha, mas essa Ashley batia recorde de qualquer pessoa. Ela nem se importou que sua Filha passou mais de seis meses fora, nem se levantou, é ela era estranha. Carlos subiu a escadas
de caracol e eu e Karla o seguimos, passamos pelo segundo andar e subimos a escadas simples que levava ao terceiro andar. Karla parou na frente da porta de um quarto que havia um desenho de uma menina com o cabelo azul.

– Ela é tão linda. – Karla disse olhando o desenho. – Senti saudade de você. – Ela passou a mão pelo desenho.

– Ela só tá piorando com o tempo... – Carlos disse se lamentando.

– O desenho? – Ela perguntou.

– Não você. – Carlos e eu respondemos juntos.

– Credo gente. – Ela fez uma careta.

– Allan esse vai ser seu quarto por quase três dias. – Carlos abriu a porta que ficava de frente pro quarto de Karla.

O quarto era branco, havia uma cama de casal, uma cômoda, uma mesa que ficava do lado da cama com um abajur uma TV na parede e um banheiro.

– Se você precisar de mim grita. – Entrei no quarto. – Eu vou dormir.

– Aproveita. – Karla disse rindo.

Essa com certeza era uma cama muito melhor do que a de Lake Forest, era melhor até do que a minha.

Escutei duas vozes no corredor, Karla e Carlos conversavam, seria difícil essa estadia na casa dela. Respirei fundo e virei de lado pra dormir quando estava quase pegando no sono escutei uma voz conhecida surgir no corredor que me fez levantar correndo e sair do quarto.

– Charles. – Parei na porta de Carlos a onde ele estava.

Nos cumprimentamos o que fez Karla ficar olhando.

– Fiquei sabendo do que aconteceu. – Charles disse preocupado. – Ainda bem que estava lá.

– Sua filha soube agir. Se ela não tivesse me procurado...

– Fica quieto Allan. – Karla disse séria. – Olha já foi ruim o bastante eu ter levado um tiro... Um quase tiro.

– Se tá viva maninha e é isso que tá valendo. – Carlos piscou pra ela.

Karla fez uma careta e se jogou pra trás caindo na cama.

– Não quero deixar aquela pestinha sozinha, por isso pedi pra você ficar aqui. – Charles disse em um quase pedido de desculpa.

– Tudo bem.

– Eu acho bom vocês colaborarem e dar pelo menos uma folga a ele, sério quem é que me aguenta por muito tempo? – Ela perguntou rindo. – Ele merece uma folga.

Eu ia rir, mas segurei, apesar de tudo era fácil ficar perto dela.

– Você viu sua mãe? – Charles Perguntou a Karla.

– Aham... Não tenho contato com ela esqueceu? Ela nem ao menos me xingou por ter fugido, ela agiu como se eu fosse mais uma empregada dela... Esquece ela nunca foi uma mãe, nunca vai ser. — Ela se levantou da cama bateu levemente no ombro do seu pai e saiu do quarto.

– Essas duas não mudam. — Charles respirou fundo.

– Eu vou tentar... Falar com ela. — Disse indo pro seu quarto. — Karla? — A chamei abrindo um pouco da porta.

– Entra. – Ela se virou pra me olhar e sorriu.

O quarto dela era roxo e branco, tinha uma cama enorme, um sofá virado pra uma estante, um banheiro e um closet, essa menina vivia no céu.
Entrei no quarto dela e parei na sua frente a olhando, do seu lado havia um gato que ela o puxou colocando o em seu colo.

– Não se preocupa toma banho duas vezes por semana. – Ela apontou pro gato, como se eu tivesse perguntado alguma coisa sobre o gato.

– Você esta...

– Bem? – Ela terminou a pergunta. – Eu nunca estou bem lembra?

– É lembro, mas tinha tentado ignorar ela da ultima vez. – Eu tinha mesmo, olhei o gato que me olhava de um jeito estranho.

– Acho que você entendeu porque não me dou bem com a minha mãe. – Ela forçou um sorriso.

– Eu achei estranho quando ela nem ao menos se levantou pra te abraçar. – Peguei sua mão e comecei a brinca com seus dedos.

– Ela nunca foi uma mãe Allan, você viu ela nem ao menos me deu um bronca por ter fugido da escola, nem ao menos disse que havia ficado preocupada. – Um sorriso sem humor surgiu. – Ela nem ao menos sabe o que uma mãe significa... Me fala o que sua mãe fez quando você fugiu?

– Primeiro ela me procurou, depois que me achou disse que me amava e que nunca mais era pra eu fazer uma coisa dessas, ai ela me mandou pro colégio militar. – Soltei um riso.

– Isso significa que ela se preocupa com você, tenho certeza que ela reza todos os dias por você, pede proteção pra não deixar nada acontecer com você. – Ela sorriu.

– Ela costuma me ligar sempre pra saber como estou. – Disse curvando a boca, minha mãe costumava ligar até pra vizinha pra saber se estava tudo bem, então né...

– Ela se preocupa, em todo esse tempo minha mãe nem ao menos tentou me ligar... – O sorriso sumiu do seu rosto. – Desde pequena ela nunca se importou comigo ou com Carlos, fomos criados por babas, ela nem ia nos ver, ao contrario dela meu pai faltava no trabalho para poder passar um dia com a gente, ele e Carlos são tudo que eu tenho, é a única família que eu conheci. – Uma lagrima escorreu pelo seu rosto e como sempre ela se apreçou para limpa-la.

– Eu acho que ela se preocupa, apenas não demonstra... — Ela me olhou e um sorriso irônico apareceu. Eu deveria ter ficado quieto essa é a verdade.

– Acha mesmo? Você viu do jeito que ela me olhou? Um olhar frio, sem emoção, sem sentimentos... Ela nunca me quis. – Ela encostou a cabeça no sofá e olhei o teto. – Quando eu precisava dela ela simplesmente me ignorava. Toda garota tem sua primeira desilusão amorosa, eu tive a minha e quem ficou do meu lado dizendo que era passageira não foi ela foi Linda a capitã das animadoras ela foi o exemplo de mulher mais velha que eu tive, tirando a minha avó. – Ela parou pra pensar e sorriu. – Foi ela quem me ensinou a andar de salto, e foi ela que me ensinou boas maneiras.

– Então foi ela quem te ensinou a rebolar quando anda de salto? – Perguntei rindo.

– Eu não rebolo. – Karla fez bico. – Apesar de que eu nunca me vi andando de salto.

– Então o que você teve de mais próximo como mãe foi sua avó? – Perguntei parando de rir.

– Quase, não tenho muito contato com ela, mas ela soube ser mãe criou meu pai, quando entravamos de férias eu e Carlos íamos para sua casa então ela nós ensinava tudo que podia... Ela nunca gostou da minha mãe então quem nos ensinava as coisas boas era ela. – Disse sorrindo. – Se ela me ver hoje me manda pra um manicômio.

– Por quê?

– Cabelo rosa e preto, seis piercing, meia calça colorida, all star... Ela acha o cumulo mulheres usarem tênis, ela acha que toda mulher tem que andar com saltos e sapatilhas. E fora que ela acha que piercing e tatuagens são do demônio. – Meu olhos pararam nos dela a fazendo sorrir.

– Isso tudo é você, não conseguira te imaginar em uma saia cheia de florzinha com uma sapatilha...

– Pois é nem eu. – Ela curvou a boca.

– Agora me fala porque do cabelo, algo pra chamar a atenção da sua mãe?

–Não. – Ela deu meio sorriso. – Em uma briga que eu tive com ela quando eu tinha treze anos ela me disse “eu gostaria mesmo que você tivesse morrido no parto, assim não teria que te aguentar todos os dias da minha vida”. Aquilo foi à pior coisa que escutei na vida, naquele momento eu realmente fiquei paralisada são tive reação nem uma, quando realmente as palavras pararam de rodar na minha cabeça eu fiz minhas decisões e já que ela queria que eu estivesse morta, eu não seria mais sua filha, comecei a ser tudo que ela mais odiava. Ela sempre disse que odiava Cindy Lauper pelo cabelo e as roupas estranhas que ela usava, então porque não ter um cabelo colorido? Foi a primeira vez que eu pintei o cabelo, então comecei a me vestir estranhamente blusas e calças rasgadas, ai veio o primeiro piercing. Comecei aumentar o som quando eu estava em casa o que gerava confusões extremas com ela, uma vez ela me ameaçou dizendo que iria me expulsar de casa, não sei como sendo que a casa é do meu pai. Eu tornei a vida dela um inferno depois das amorosas palavras dela.

– Eu sinto muito. – A olhei com certa pena. — Mas pessoas não são do tipo que te ofender sem você fazer nada...

– É, eu xinguei ela. – Karla deu de ombros. – Disse que ela era uma vadia e que tinha engravidado pra fica com a grana do meu pai.

– Desconfiava. – Ela olhou pra mim e riu.

– Eu fiz tanto pra infernizar a vida dela que acabei achando um estilo em meio de tantos acabei gostando de mim desse jeito, hoje já não faço mais pra infernizar ninguém. Faço porque gosto! – Ela disse enrolando a mecha do cabelo com os dedos. – Não sei mais ser normal.

– Você não seria mais a única entre tantas se tivesse uma cor normal no cabelo. – Disse por impulso e ela paralisou me olhando.

– FOI VOCÊ? FOI VOCÊ QUE ME MANDOU AS ROSAS! – Agora eu apanhava.

– Que merda... – Olhei pra sacada que ficava do lado da cama.

– Foi por isso que ficou preocupado quando não viu a rosa vermelha no vaso... Seu cretino. – Ela me deu um soco no braço. – Eu tinha feito uma promessa por causa dessa rosa.

– Qual? — perguntei desconfiado.

– Uma que você me fez jurar que não faria mais. – Ela disse me fazendo desconfiar do que era. Arqueei a sobrancelha e a encarei. — Eu prometi que beijaria a pessoa que me mandou as rosas se um dia eu descobrisse quem foi. – Ela disse como se fosse obvio, era eu só queria ter certeza. – Mas eu não posso cumprir.

– Você não deveria fazer promessas que não pode cumprir. – Disse calmo.

– Fica quieto se não eu te beijo de novo. – Ela me ameaçou, seu gato se levantou do seu colo e me encarou apoiando a cabeça na minha perna, passei a mão em sua cabeça o fazendo fechar os olhos.

– Como que isso fosse uma coisa ruim. – Revirei os olhos. – Mas você não pode eu também não, porque não posso ter nada com você e nem você comigo, é contra as minhas regras e contra ao termo dos agentes ter um caso com seu protegido, então você guarde esse beijo pra alguém que você vai realmente amar um dia.

– Eu te prometi que não ia te beijar de novo, eu cumpro minhas promessas... Metade delas já que algumas se tornam impossíveis de ser realizadas. – Ela sentou em cima da sua própria perna.

– Eu não confio em você. – Disse a olhando desconfiado.

– Às vezes nem eu confio em mim.

Bateram na porta e entraram em seguida.

– Carlos quantas vezes eu já disse pra bater e esperar o “entra”? – Karla perguntou brava.

– Não aprendi isso ainda. – O sorriso irônico que vive no rosto de Karla estava no dele. – Querem que você experimente o vestido pro “casamento” – Ele fez aspas no ar.

– Vestido? – Ela perguntou debochando.

– Então aquele preto que eu te fiz levar outro dia foi mesmo assim pro ensaio de domingo à noite, no casamento mesmo você vai usar um vestido enorme...

– Não vou. – Ela discordou.

– Você nem viu o vestido. – Carlos jogou as mãos pra cima.

– E é por isso. Tenho certeza que foi sua mãe quem escolheu o vestido então eu não vou usar.

Agora ela estava com um sorriso um tanto amigável.

– Não sei como ela não te matou quando entraram no assunto “mãe.” – Carlos se virou pra mim. – É ela escolheu o vestido.

– Ok, vou ser legal com você e vou ir ver o vestido. – Karla se levantou.

– Allan você é o guarda costas então nós leve. – Carlos pediu.

– Nós levar a onde? – Karla perguntou desconfiada.

– A três quarteirões a onde fica a loja de vestidos. – Ele respondeu.

– Eu mereço. – A garota revirou os olhos. – Tá então vamos antes que eu mude de ideia.

Levantei-me do sofá indo em direção a porta.

– Jujuba, Jujuba. – Karla disse séria. – O que você tem? Que eu bem saiba você não gosta de estranhos. O que te faz gostar dele. – Karla se ajoelhou no chão e encarou o gato.

– Você colocou o nome do gato de Jujuba? – Perguntei achando estranho.

– É Gata, e se fosse gato se chamaria Marshmallow. – Ela me olhou por alguns segundos.

A gata passou por Karla e parou na minha frente levantando a cabeça pra me olhar.

– Tá Jujuba eu sei que ele é bonito, mas para de olhá-lo tá? Tá me deixando com ciúmes. – Karla pegou o gato do chão e a colocou em cima da cama, tá aquilo foi engraçado, ciúmes do gato, ela se virou pra ir pra porta e me olhou séria. – Que?

– Foi engraçado. – Respondi indo pra porta.


Notas finais
Gente em primeiro lugar eu queria pedir desculpas por não ter postando ontem, eu sai e voltei tarde =/
Segundo, eu tô com muitas preguiça de revisar os capítulos então a qualquer minuto de pequenos erros vocês vão achar grandes erros *animo zero*
Terceiro...
Se até o final da historia tiver mais de 10 recomendações eu vou postar os extras pra vocês que estão divididos em três capítulos, que é uma pequena extensão da historia.
então agora é com vocês n_n
PS: Algumas das recomendações não estão chegando, três leitoras avisaram que recomendaram, mas eles não apareceram aqui o que provavelmente foi erro do site, então peço que reenviem.
Obrigada *-*
Erros na postagem avisem =}
Beijos da tia Keller