Abri a porta e Tomas estava parado ansioso estralando os dedos.

- Como que ela tá? – Ele perguntou.

Abri espaço e o deixei entrar.

- E ai Rapunzel? – Tomas se sentou a onde eu estava há alguns minutos atrás. – Como você tá?

- Sentindo vontade de morrer. – Ela respondeu com uma voz fraca.

- Karla. – Ele a olhou sério e depois discretamente olhou pros braços de Karla.

- Uma faca séria mais fácil. – Karla deu meio sorriso. – Você só me chama de Karla quando esta muito bravo comigo.

- É porque eu estou. – Tomas disse sério.

- Hey, eu tô bem, só tá me faltando à bebida... E uma caixa de cigarros, mas eu tô mesmo bem. – Ela deu de ombros.

- Você não fuma. – Tomas avisou.

- Eu sei, só queria da uma enfatizada na frase. – Ela riu.

- Me mandaram te trazer a lição de casa e mais algumas coisas. – Tomas abriu a bolsa e tirou alguns papeis e entregou a Karla que os colocou em cima da mesa.

- Tomas, nem adiante, não tenho animo nem pra levantar. – Ela o olhava séria.

- Espero mesmo que se anime, porque as coisas então chatas sem você, Chad esta preocupado, Sara falou que vem mais tarde junto com Ananda... John quer levar você pro treino e te colocar no meio do campo.

- Ótimo vou morrer. Tá vendo não vai ser a pessoa que me persegue e nem um suicídio, eu vou morrer no meio do campo de futebol americano. – Ela fez cara de choro.

- Eu tenho que ir, disse que só traria o dever, então não posso demorar. – Tomas ignorou o que ela disse. — Foi desculpa pra te ver.

- Obrigada Tomas. – Karla o abraçou.

- Não sei por que esta me agradecendo, mas não foi nada. – Tomas apertou ela no abraço a fazendo exclamar `ai`.

- Vai quebrar alguma coisa. – Ela riu.

- É por isso que tenho medo de te abraçar. – Ele a soltou rindo. – Bom fim de tarde pra você. – Tomas se levantou e saiu pela porta um pouco mais calmo do que quando entrou.

- Sai da minha frente Tomas eu quero ir falar com ela. – Escutei Sara gritando. – Te ferra... – Sara entrou no quarto e se sentou a onde Tomas estava. – Vim te ver... Como tá?

- Bem. – Sorriu.

- Kira, como você tá? – Ananda tropeçou em algo, estava meio descoordenada como se algo tivesse acontecido.

- Bem. – Karla Revirei os olhos.

- Que bom. – Ela sorriu. – Você precisa ver o que Tomas fez pra poder entrar aqui hoje.

- Eu nunca vi ele daquele jeito, deu medo. – Sara olhava o chão.

- O que ele fez? – Karla perguntou desconfiada.

- Ele ameaçou a diretora de destituir ela do seu cargo, na frente de toda escola, e disse que ele tinha como conseguir isso, e não era piadinha dessa vez. – Ananda respondeu.

Karla arregalou os olhos de uma tal maneira que chegou a ser engraçado, eu não duvidaria que Tomas conseguisse isso, a mãe dele tinha poder pra isso.

- Que filho da mãe, eu disse pra ele nunca fazer isso sem eu estar junto pra ameaçá-la. – Karla pulou da cama brava fazendo Sara e Ananda rirem.

- Ele estava muito bravo. Alegou que funcionários da escola podem entrar e sair do quarto que bem entende, mas quando se trata de um aluno poder visitar outro com supervisão as regras são diferentes...

- Ele estava por acaso falando de mim? – Perguntei. Se tivesse Tomas ia escutar muito quando eu saísse daquele quarto.

- Não, de Mart. – As três responderam.

- Você não é funcionário. – Karla disse séria.

Pensando bem, não era mesmo.

- Ele entra e sai dos quartos das meninas do primeiro andar com muita frequência, e ninguém diz nada, ele fala que estava dando aula particular. – Ananda disse me olhando.

- Nem quero imaginar que aulas são essas. – Karla tinha uma expressão de nojo.

- Nem eu. – Sara disse com a mesma expressão.

- Ananda? – Karla a Chamou, Ananda tinha os olho colados no chão o que não era bom, ela teve um caso com aquele professor e eu não precisava ser gênio pra descobrir.

- Eu vou... Anda por ai. – Disse me levantando e indo até a porta. – Se precisar liga. — Avisei e sai pela porta.

Eu não queria escutar detalhes de um relacionamento catastrófico entre uma aluno e professor.

Sai do Prédio e não muito longe Tomas e Chad conversavam. Eu precisava fazer umas perguntas pra Tomas ele conhecia a Karla muito melhor do que eu e há muito mais tempo, poderia me dizer tudo que eu precisava saber naquele instante. Ele podia me dizer o porquê da lamina e a vontade de se matar.

- Tomas. — O Chamei.

— Cadê a Rapunzel? — Tomas perguntou.

- Tá no quarto com a Sara e a Ananda. — Respondi. — Preciso te pergunta uma coisa.

— Pergunte!

- Sabe me respondeu por que a Karla tava com isso? — Tirei a lamina do bolso e mostrei a ele.

— Achei que soubesse. — Ele me encarou.

— Na verdade não. – Respondi.

— Ela é depressiva Allan. — Tomas respondeu. — Chad eu falo com você mais tarde, vou resolver esse pequeno problema.

- Ok, resolva, mas eu quero aquela ajuda com aquela garota. – Chad disse sério.

- Tá depois resolvo isso. – Tomas revisou os olhos e desviou sua atenção pra mim. – Começamos a caminhar e eu encarei o nada.

Depressiva? Karla era depressiva?

— Toda depressão tem um motivo. – Disse desviando meu olhar pra ele.

— Mãe, Clarisse... — Ele disse curvando a boca. — Mais pela mãe, elas não se dão bem a tempo, esse é um dos motivos pra ela quase não ir pra casa, quando ia voltava pior ai ela tinha uns ataques de se isolar e passar horas sem querer ver ninguém, enchia a cara passava mal, chorava por horas e depois que Clarisse morreu ela começou a se mutilar, seus braços e pulsos são cheios de cicatrizes, e a mãe dela não ajuda muito, cada vez que se encontram uma tenta acertar a outra com palavras, algumas muito estranhas. Uma vez ela queimou varias partes do corpo por ficar muito tempo em baixo do chuveiro com a água pelando.

— Isso não estava na fixa dela. — Disse o encarando.

— É porque ela nunca passou por psicólogo. — Tomas desviou o olhar pro nada. — Sabe por que ela colocou fogo na cozinha? Isso deve tá na fixa dele. — Ele riu sem humor algum.

— Isso tá. — Concordei.

— Ela estava se queimando naquele dia... Com uma vela. Ela tem uma queimadura no pulo por causa disso, a vela caiu e incendiou tudo, ela me acordou a três da manha desesperada por causa disso. — Ele parou pra
pensar.

- Eu vi essa cicatriz. — Me lembrei do dia em que a vi dormindo.

— Se ela estava com essa lamina, acredite ela tem mais de uma, e vai usá-las. — Tomas pegou a lamina da minha mão e a analisou. — É de gilete, ela deve ter mais uma ou duas.

Meu celular começou a tocar, o tirei do bolso e olhei o visor, Charles estava me ligando Novamente, o que será que vinha dessa vez.

— É o Charles... Tomas, nos vemos depois. E obrigado. – Agradeci.

- Toma conta dela Allan, é assim que você vai me agradecer. – Ele disse se afastando e eu atendi o telefone.

— Quero Karla em Casa esse final de semana. Ensaio de casamento foi adiantado, montamos uma armadilha nos vamos pegar quem quer que seja que esteja ameaçando minha filha nesse final de semana. — Ele disse em um tom sério. – E quando o pegar não sei se vai ter muito mais tempo de vida.

— Então eu vou ser dispensado? — Perguntei.

— Não você vira junto, vai ter poucos agentes envolvidos, e eu quero que fique com ela. — Ele respondeu.

— Ok. — Concordei.

Como sempre ele desligou na minha cara.

- Ele não pode dizer então nos vemos no fim de semana, ah e obrigado por manter minha filha vida? – Encarei o celular.

— Allan. — Zoe me chamou. Ah tava demorando pra ela aparecer. — Queria falar com você.

— Agora eu tenho que voltar pro quarto da Karla...

— Tudo bem, eu vou tá na no térreo quando sair. — Ela se abraçou e se afastou.

Isso era estranho.

Caminhei de volta pro prédio feminino.

Então era depressão? Mas quem podia garantir isso já que nunca passou por psicólogo? Mas fazia sentido, a vontade de se matar o isolamento. Eu não acredito que ela sofria tanto por causa da mãe, apesar de saber pouco sobre as duas sabia que a relação delas não era nada boa, de acordo com Charles elas nem se olhavam.

Quando entrei no corredor, Sara e Ananda estavam saindo do quarto de Karla quando elas fecharam a porta eu a abri de novo entrando em seu quarto.

- Tá fazendo aqui? – Ela perguntou desconfiada.

- Seu pai me mandou te dizer que você vai pra sua casa nesse final de semana. – Respondi.

- Pra que?

- Algo relacionado ao ensaio do casamento. – Ela fechou a casa.

- Casar uma vez com a mulher errada é uma coisa, agora se casar pela segunda vez com a mesma mulher é burrada. – Ela disse me fazendo rir.

- Você vai ficar bem né? – Perguntei indo pra porta.

- Sim.

- Não vai tentar se matar? – Perguntei a olhando.

- Não. – Um sorriso escapou.

- Eu vou... – Parei pra pesar. – Pra academia.

- Vai se encontrar com a Zoe que sei. – Ela me encarou com um sorriso irônico. – Não precisa mentir Allan eu sei de vocês a um bom tempo.

- Me desculpa. – Disse me sentindo mal até por ela.

- Hey, tá tudo bem. – Ela disse com um sorriso fraco.

Sai do quarto sabendo que não iria ficar tudo bem, mas por um lado não custava nada acreditar na palavra dela.

Cheguei ao térreo e Zoe tava me esperando.

— Tava com saudade de você. — Ela disse me abraçando.

Eu não.

Não demorei muito pra me livrar de Zoe, o que foi bem fácil já que ela estava com o turno da noite. O que me fez uma pessoa mais feliz já que pude dormir sem encheção de saco.

POV. KARLA

Ele saiu do quarto e eu me levantei e entrei pro banheiro.

- Desgraçado. – Bati minhas costas contra a parede e escorregando até sentir o chão gélido.

Eu e a mania de falar que tudo esta sempre bem, deveria ter ficado quieta, eu não queria saber que eles iam se ver, mas eu sabia e minha maldita mente me traia passando imagens dos dois juntos, passando coisas que eu queria passar com ele.

Abri a gaveta do balcão da pia e peguei uma das laminas na mão.

- O que eu tô fazendo? – A larguei no chão. – As coisas não se resolvem assim Karla, nada se resolve assim.

Tá se resolvem sim, é assim que sempre foi pra me sentir melhor eu dava um jeito de acabar comigo mesmo, eu bebo pra me sentir melhor e sempre passo mal por isso, sempre dava mortais de mais e acabava torcendo o tornozelo, e quando sofria e não conseguia beber eu dar um bom jeito de me machucar me mutilava. Eu sabia que estava me destruindo, mas me ajudava tanto.

Peguei novamente a lamina e dei uma boa olhada nela, quem diria depois de tanto tempo eu faria isso novamente.

A passei pelo meu no punho vagarosamente e com certa força, a pele começou se abrir e o liquido vermelho começou a fluir, forcei mais a lamina no meu pulso até o sangue começar a fluir com mais intensidade então joguei a lamina no chão deixando o sangue se espalhar, olhei pro meu pulso e meu olhar permaneceu ali olhando o sangue que fluía e começava a escorrer pelo meu braço e mão.

A dor já não me incomodava tanto quanto me incomodava, eu tinha muito mais prazer em ver o sangue escorrendo do que me aliviar com a dor que sentia internamente.

Eu era uma masoquista e tinha consciência disso, mas eu me sentia tão bem.

Quando vi que não havia mais sangue para fluir do meu pulso me levantei do chão, abri a torneira e passei os dedos tirando o sangue da frente do corte, o líquido vermelho se espalhou manchando meus dedos e os coloquei em baixo d’água. Limpei o sangue dos dedos e coloquei a outra mão que havia feito o corte, o sangue começa a se devolver e sumir no meio da água.

Abri algumas gavetas do balcão e tirei curativos, eu tinha alguns já fazia algum tempo, sempre tive meus problemas e sempre dizia a todos que sabia resolve-los, então no meu banheiro o que mais tinha era curativos.

Fiz o curativo e voltei pro quarto, me deitei na cama e adormeci.

Em breve não teria mais marcas sobre o que ouve essa noite.


Notas finais
Oi pessoal =}
vocês tão chegando a um ponto em que tão conhecendo alguns pontos negativos da Karla que são realmente tristes, mas vocês vão entender melhor sobre isso daqui a alguns capítulos =}
PS: como sempre erros na postagem como repetir o nome do personagem a onde não deveria é só avisar assim eu posso arruma-lo =}
Obrigada por ler n_n