POV. Allan.

No outro dia eu tava meio apreensivo por causa da Karla, eu sabia que ela iria fazer coisa errada, mas ainda queria que ela tivesse um pouco de cérebro e não fizesse nada.

Bati na porta e a esperei dá sinal de vida.

- Entra. – Ela berrou.

- Tá gritando por quê? – Perguntei entrando no quarto.

- Sei lá. – Ela colocou a cabeça pra fora do banheiro e me olhou depois desviou o olhar pra dentro do banheiro novamente — Linda. – Ela disse pra si mesma o que me fez rir. – Que foi?

- Você fala com você mesma? – Perguntei rindo.

- Desculpa, eu falo com a minha beleza interior. – Ela se virou de costas. – E com as minhas paranóias... É eu falo comigo mesma.

A olhei com atenção, ela tava com um blusa fininha de mangas cumpridas, a saia da escola e com uma meia calça roxa.

- Porque tá com uma blusa de mangas cumpridas? — Perguntei encostando-me a parede cruzando os braços.

- Porque eu estou com frio? – Ela deu de ombros se virando pra ir pro banheiro a segurei ela pelo braço e a virei pra mim.

- Não esta com frio! – Levantei a manga da blusa, do braço certo pelo jeito porque estava com um curativo, fechei os olhos e respirei fundo. – Porque se cortou?

- Não me cortei da onde tirou isso? – Ela tinha um sorriso de deboche.

- Eu vi Tomas olhando pros seus braços ontem, e quando eu sai do seu quarto eu fui falar com ele sobre a lamina que estava segurando. – Puxei o curativo do seu braço. – E ele me avisou sobre isso. – Ela olhou pro chão e respirou fundo.

- Que merda você vai fazer o que? Já tirou a bebida, e eu já me cortei não pode fazer nada. – Ela disse com o sorriso de deboche. — E isso nem ao menos interessa a você, então me deixa.

- Porque se cortou? – Perguntei elevando a voz.

- E porque te interessa porque eu me cortei? – Ela puxou o braço e se trancou no banheiro.

- Eu só quero entender. – Disse mais calmo.

- Não vai.

- Foi por causa de ontem não foi? – A culpa era minha, eu deveria ter ficado com ela no quarto, isso não teria acontecido, ela não teria se cortado.

- NÃO ME CORTEI POR SUA CAUSA. – Ela gritou do banheiro. – Esta alem disso.

- Mentira.

- E quem é você pra dizer que eu estou mentido? – Ela saiu do banheiro brava.

- Quando você mente não consegue me olhar. – Respondi a olhando nos olhos, que se desviaram do meu. – E quando a mentira é um pouco mais dolorida você entra no banheiro e fala de lá.

Ela tinha a sobrancelha erguida e me olhava.

- Terminou?

- Quero saber por que se cortou. – Insisti.

- Achei que já tinha descoberto. – Aquele sorriso sem humor apareceu. – Você levou as bebidas lembra? Foi por sua causa, se você tivesse deixado eu estaria com ressaca agora, e não com um dos pulsos cortados. — Ela pegou a mochila e abriu a porta do quarto saído.

- A onde vai? – Perguntei sério

- Pro refeitório.

- Nem ao menos bateu o sinal. – Arqueei a sobrancelha.

- E daí? – A segui também saindo do quarto.

- Quando eu sai do quarto você disse que ia ficar bem, disse que não ia tentar se matar. – Entrei no elevador junto com ela.

- Não tentei me matar se é isso que esta achando. – Olhai no espelho e me encarei por um segundo.

- Não tentou se matar? – Eu a encarava e ela fazia o mesmo.

- Não!

- Então foi o que? Um ataque de depressão que passou em menos de oito horas? — Perguntei no mesmo tom de ironia que ela sempre usava.

- É legal ver o sangue escorrendo pelo braço e caindo no chão, gota por gota. – Ela encarava a porta. – A dor pode continuar ali, a dor física se supera, a emocional é um transtorno, se eu não tenho a bebida eu vou arrumar outra coisa pra acabar comigo mesma, se não tiver nem uma lamina por perto eu vou ser a ginasta mais maluca do mundo fazendo mortais para trás até cair e torcer o pé ou quebrar um braço, você pode tirar tudo de perto de mim que eu ainda vou arrumar uma maneira de me destruir. – Ela tinha aquele tom de voz psicótico que usava às vezes.

- Por quê?

- Porque eu me sinto bem. A dor física tampa a dor emocional... Eu não acredito tanto nisso, a dor física passa e a emocional fica o que me faz continuar em um ciclo louco. – Ela escondeu o rosto nas mãos rapidamente mente. – Eu fiquei quase sete meses sem nem uma recaída. Então minha vida vira um inferno quando eu volto pra essa merda.

Ela chutou a porta do elevador e ela se abriu.

Seguimos para o refeitório e Karla continuou explicando sua crise de depressão.

- Você ficou seis meses sem bebida, sem loucuras e agora...

- Eu estava longe de tudo, das lembranças ruins, de Clarisse, da escola e da minha mãe... – Ela olhava o chão. – Não sabe o quão bom foi ficar longe disso e tudo.

- Você não precisava ter feito isso... Eu poderia ter ficado no quarto até você dormir. – Disse me culpando.

- Para.

- Você disse que ia ficar bem. – A olhei.

- Allan cala a boca. – Ela tinha um sorriso esquisito. – Aprende uma coisa eu nunca estou bem, nunca.

- Então porque simplesmente não disse que não estava tudo bem, você poderia ter morrido...

- Cara é sério cala essa boca se não vou fazer uma coisa que você não vai gostar. – Ela elevou a voz estava quase gritando.

Ela me ameaçando? E ela estava em posição de ameaçar alguém?

- O que? Você não consegue medir seus próprios atos acha mesmo que esta em posição de ameaçar alguém? – Perguntei furioso, como que ela tinha coragem de me ameaçar?

Ela chegou perto de mim e me olhou atentamente, ela ficou nas pontas dos pés e entrelaçou os dedos no meu cabelo, eu sabia o que ela ia fazer, não sabia se a parava ou se cedia, ela encostou nossos lábios e senti sua língua invadindo minha boca, fazendo com que nossas línguas se cruzassem, senti como se um choque tivesse percorrido meu corpo, ao contrário dos beijos eu costumava dar, esse era calmo, que por um lado mostrava realmente sentimento. Coloquei uma das minhas mãos em sua cintura a puxando pra mais perto e a outra em sua nuca a impedindo de se afastar, mexi em seu cabelo o que a fez soltar um suspiro a puxei mais pra mim a colocando no meu corpo, eu sabia que a queria pra mim, sabia disso desde o primeiro dia que tinha a visto só não queria dar o braço a torcer, eu a queria, queria ela pra mim, mas nem tudo que se quer realmente se pode ter.

O sinal tocou e eu a soltei

- Não faz mais isso. – Pedi de olhos fechados.

- Não faço. – Ela concordou o que me fez olhar pra ela.

- Eu tô falando sério.

- Eu também. – Ela se virou de costas e foi pegar seu café da manha.

Eu não deveria ter cedido ao beijo, isso ia acabar com ela e comigo.

Sentei ao lado dela em uma mesa, Karla parecia animada e eu um tanto preocupado, ela começou a cantarolando e bater o pé no chão.

- Ela vai começar a cantar alto já já. – Tomas se sentou ao lado dela.

- Me deixa. – Disse séria.

- Acordo de mal humor. – Ele a encarou.

- Se eu tivesse de mau humor já tinha jogado alguma coisa na sua cabeça. – Ela começou a bater os dedos na mesa.

- Que musica é? — Tomas perguntou a olhando.

- Burn It To The Ground, só veio na cabeça, o que não é boa coisa. – Ela disse pensativa.

- Não mesmo se você começar a cantar. – Tomas riu.

- Tá falando isso porque nunca na sua vida você soube cantar...

- Rapunzel...

- Tomas. – Ela riu. – Olha, eu sei que você é um ótimo musico...

- Não sou. – Ele disse desconfiado.

- É, não é. – Ela fez uma careta. – Porque meu pai foi tirar Carlos daqui.

- Ele era um ótimo músico...

- Eu sei, foi o DNA bom da família do meu pai. Se não fosse por minha querida avó... — Ela olhou pro nada pensativa.

- Você cantaria mal pra caralho. – Tomas deu risada.

- Então... Vou ter que cantar no casamento dos meus pais...

- Eles já não se casaram?

- Renovação dos votos... O que não vai adiantar muita coisa. – Ela tocou um gole do suco de laranja.

- Casar uma vez é burrada, agora duas é perca de tempo. – Tomas dividia os mesmos pensamentos que Karla, mereciam ser da mesma família.

- Ainda mais se for com a mesma pessoa. – Karla tomou mais um gole do suco.

- Que musica vai cantar? – Tomas a olhava.

- Não sei. – Respondi. – Mas acho que vai ser uma bem lenta.

- Seu irmão vai pirar.

- Eu sei. – Ela disse vitoriosa. – Tento fazer isso há quase dezoito anos.

- E falando em dezoito anos, seu aniversario tá chegando. – Tomas abriu um sorriso maior que ele.

- Eu sei. – Karla disse um tanto desanimada. – O que eu quero ganhar eu não posso ter então nem adianta Tomas.

- Tá eu ia te chamar pra sair um pouco dessa escola, mas se não quer tá bom...

- Eu quero. – Ela se animou.

- Tá vendo. – Ele piscou.

O sinal tocou Karla se levantou e me olhou rápido com certa vergonha.

- Boa aula. — Disse a olhando.

- Valeu. – Ela olhou pra mim e piscou.

***

Quando o sinal da ultima aula tocou eu estava a esperando na frente da sala, ela tinha o rosto todo rabiscado de preto, provavelmente por lápis de olho a olhei dentando identificava os desenhos e acabei dando risada, ela me olhou e riu também sabendo que o rosto tava rabiscado.

- Tá vendo Tomas eu nunca mais te contrato como maquiador. – Ela disse séria, mas acabou rindo.

- Eu tentei, tava ficando legal no começo, só que ai eu não consegui parar é legal desenhar com lápis de olho. – Tomas disse rindo.

- Não viu o delineador liquido ainda. – Ela curvou a boca. – Ele parece canetinha.

- Me empresta? — Tomas pulou animado.

- Não, aquele é sagrado ninguém põe a mão. – Disse séria.

- Sem graça. – Tomas abaixou a cabeça e se afastou.

E como sempre fui com Karla pro quarto, eu não disse nada ela não disse nada, eu queria perguntar algo, mas ela ia surtar e não ia me responder. Ela jogou a bolsa no chão e se trancou no banheiro, voltou pro quarto com o rosto limpo apenas com a maquiagem dos olhos, se sentou na cama e pegou o notebook na mão.

- Porque me beijou? – Perguntei a olhando.

- Porque me beijou de volta? – Ela escondeu o riso me fazendo revirar os olhos. – Disse que se não ficasse quieto iria fazer uma coisa que não iria gostar...

- E o que te faz pensar que não gostei? – Perguntei a observando com atenção.

- Você pediu pra eu não te beijar novamente. – Ela arqueou a sobrancelha.

- Isso não significa que eu não tenha gostado. – Arqueei a sobrancelha também.

- E você gostou? – Um sorriso irônico apareceu em sua face.

- Você joga sujo garota...

- Não jogo não. – O meio sorriso ainda estava lá.

- Eu te beijei de volta por algum motivo. – Respondi com os olhos pregados nos dela. – Mas isso não quer dizer que você deva fazer isso de novo...

- Já disse que não vou fazer. – Ela me olhava.

- Se alguém descobrir eu perco o emprego. – Desviei o olhar dela. Não era mentira, porque o pai dela ia fazer questão de me demitir. E me matar também.

- Quer saber... Esquece isso finge que não aconteceu, eu faço isso tanto com o Tomas que pra mim não é problema e pra você também não deve ser. – Ela disse olhando pra tela do notebook.

- Eu não consigo te entender. – Me levantei e fui até a porta.

- Você disse que não devo fazer isso de novo, então é melhor fingir que nunca ouve uma primeira vez. – Karla disse séria.

- Eu já volto. – Sai do quarto batendo a porta.

Eu simplesmente não conseguia entender ela, primeiro me beija, depois fala pra esquecer, o que exatamente ela quer? Eu queria ela, mas muita coisa me impedia de tela, mas isso foi de mais, eu não era o Tomas, não era como ela, simplesmente não posso esquecer!

Entrei na academia e dei um murro na parede com toda força que tinha com tudo aquilo de ela vai me deixar louco, ela conseguiu, ela conseguiu me tirar do sério, segurei um dos pesos na mão e o taquei no chão.

- Caralho. — Pela dor que senti repuxando nas costas os pontos deveriam ter se rompido e meu braço saiu do lugar.

Sai de lá me amaldiçoando por tá sendo tão fraco por causa do uma garota que não se decidia o que queria.

Fui pra enfermaria, pelas noticias, desloquei o ombro, e rompi três pontos que foram refeitos.

- Ficou sabendo que teve uma invasão no ultimo andar do prédio feminino pela janela? — A enfermeira me perguntou quando terminou de dar os pontos.

- Não. – Respondi a olhando.

Como assim houve uma invasão no prédio feminino e ninguém me avisa?

- Só vasculharam, não tiraram nada. — Ela deu de ombros.

Voltei pro quarto de Karla um tanto revoltado com Katherina, como que ela não me avisa que uma invasão aconteceu? Ela queria o que, que outra garota morresse na sua escola?

Entrei no quarto da garota sem bater, ela me olhou assustada e revisou os olhos.

- Se continuar assim vai me pegar desprevenida ainda. – Se sentou na cama.

Foi a minha vez de revirar os olhos e fui até a Janela.

- Você deixa a janela aberta? – Perguntei olhando a janela que estava aberta.

- Não. – Respondeu.

- Porque esta aberta? – Virei pra olhá-la.

- Sei lá, pode ser que as faxineiras tenham deixado aberta. – Ela deu de ombro. – O que ouve com seu braço?

- Desloquei. – Respondi.

- Como?

- Tava malhando. – Eu não ia dizer pra ela que eu surtei. – Se eu estivesse na minha casa eu provavelmente teria socado alguma parede. — Como tinha feito. — Mas como não estou tive que arrumar alguma coisa pra me acalmar...

- Zoe... — Ela disse baixo, mas o suficiente pra eu escutar.

- E isso não inclui a Zoe. – A encarei.

- Wow. – Ela exclamou. Ela se deitou e encarou o teto. – Me desculpe...

- Por?

- Por tudo, por tentar ferrar Zoe, por jogar na sua cara o que não precisava saber, e pelo beijo. – Respondeu sem olhar.

Me aproximei dela e fiquei a olhando.

- Não tem que pedir desculpas. Por nada. Foi legal ver Zoe chorando, foi traumatizante o que você me contou, e eu voltaria no tempo pra poder te beijar de novo. – Me aproximei dela e beijei sua testa. – Boa noite.

- Pra você também. – Ela tinha um sorriso fraco no rosto, mas era lindo.

Notas finais
Agora eu tô meia chateada com algumas coisas, mas tudo nem não é?
não podemos agradar a todos =}
Eu só quero que saibam *os que ficaram logico =}*
que todos os acontecimentos envolvidos na fanfic vai ajuda-los a entender a historia, vai ajudar a vocês a terem mais suspeitos, pode ser que as pessoas não gostem de drama, mas isso vai ser muito preciso aqui
A partir de acontecimentos é que vocês leitores vão descobrir os próximos suspeitos de quem quer matar a Karla.