Lake Forest Academy
3 Capítulo 3
Já fazia alguns minutos que estávamos no jato particular de Charles. Não sei de onde ele tirava tanto dinheiro, deveria estar envolvido em alguma coisa ilegal, ou simplesmente antes de entrar pro FBI fazia alguma coisa que dava dinheiro. Eu sabia que ele ganhava bem ao ponto de ter uma casa e um carro bom, manter os filhos em escolas caras, mas manter um jato particular, nem meu pai tinha um desses.
Um telefone tocou e Charles o atendeu.
– Obrigado. – Foi tudo que ele disse e desligou. – Ela esta em East Helena.
Quando Pousamos havia guardas locais e vários carros esperando.
Da equipe de seis que Charles tinha escolhido apenas eu o acompanhei, todos os outros que ali estavam eram seus seguranças particulares. Ele nos separou e mandou três pra cada carro, eu fui com Charles que me passava instruções.
– Ela se irrita fácil, não deixe fazer tudo o que ela quer se desobedecer mande pra Katharine ela sabe o que fazer, não quero que ela saia à noite do dormitório e você é responsável por garantir isso. – Ele dizia sério. – Confio em você.
Assenti com um sim, essa garota ia me fazer pirar em uma semana, ou até menos.
Pelas informações ela estava na rodoviária e era para lá que estávamos indo.
Os carros pararam a dois quarteirões da rodoviária dali iríamos de a pé.
Pov. Karla
Pov. Karla
Fazia seis meses que eu tinha saído do colégio interno... Tá bom, na verdade faz seis meses que eu fugi de lá.
Por quê?
Digamos que eu nunca fui muito com acara daquela escola e também não me dava bem com os professores e com a diretora.
Eu estava bem longe de casa, da escola, dos meus amigos, estava longe da sociedade na verdade.
Eu estava em uma cidadezinha tão pacata que nem ao menos sei o que é energia elétrica a um bom tempo. Ok, isso é mentira, mas eu não sei mesmo o que é internet há três meses.
Pelo o que eu sei, não vai demorar muito pro meu pai colocar o FBI, CIA, Interpol, SWAT e o escabal a quatro atrás de mim. Sinceramente acho que me tornei uma criminosa para ele desde o dia que lhe contaram que eu havia fugido.
É meu pai era uma pessoa influente, o único problema da minha família era minha querida e adorável mãe. Outra mentira, ela não é querida e nem adorável.
Alguns fatos sobre minha pessoa.
- Eu odeio minha mãe desde que nasci.
- Sou revoltada por isso meu cabelo é verde.
- Tenho seis piercings, dois no lábio inferior, um no nariz, um no septo, uma transversal e um no umbigo.
Revoltada?
Não imagina nem um pouco!
— Toco bateria.
— Canto muito mal.
— Tenho um irmão gêmeo.
— Meu pai trabalha em alguma coisa muito importante que eu não sei bem o que é.
Eu sempre vivi em um colégio interno por vontade da minha mãe. Meu pai sempre foi contra, bem na verdade... Meu pai não amava tanto minha mãe quando eu pensava que amava. Ele só se casou com ela porque minha mãe ficou grávida, e ela nem se aproveita da situação, pega milhares de dólares por mês do meu querido pai. Pois sim meu pai é querido.
Meu irmão... Meu irmão é um chato, besta, idiota, que tem algumas brincadeiras de retardado, mas eu amo ele de verdade. Porque ele sempre viveu comigo e um sempre apoiou o outro quando precisávamos.
Quando eu fugi não contei a ninguém nem a ele. Eu nem sei se ele está preocupado comigo, mas eu sinto falta dele.
Eu fiquei farta daquela escola, professores agem como se fossem nossos pais. A diretora achava que estávamos em um quartel general e que devíamos fazer qualquer coisa pelo bem da pátria, ou melhor, da escola.
O dinheiro que trouxe comigo acabou a uma semana. E agora?
A uma senhora na cidade que conheci quando cheguei que me ofereceu um quarto em sua casa e eu tive que aceitar, ela não me deixa passar fome e sempre pergunta se eu preciso de algo.
E eu sabia que meu pai estava atrás de mim.
Como?
Durante seis meses eu venho fugindo da policia. Cada cidade é um problema, a parte boa é que os policiais das cidades não podem entrar em outra e é o que me ajuda a fugir.
Mas o meu problema é agora eu tenho que deixá-los me pegar. Eu preciso voltar. Tá eu não preciso, eu preciso é de dinheiro.
Egoísta né?
É assim que uma pessoa fica quando sempre teve todo o dinheiro que queria nas mãos, e quando fica sem, se vê obrigada a fazer coisas terríveis, como voltar para casa.
***
Eu estava no quarto arrumando minhas coisas para ir até a rodoviária.
Eu tinha que voltar certo?
Então nada melhor do que ir até a rodoviária para que eles não me deixem voltar e trazer alguém (meu pai) até a minha querida pessoa.
Sai do quarto com a bolsa nas costas e olhei a Sra. Thonsem sentada na sala.
- Então você vai mesmo! – Sra. Thonsem era um amor, ela era baixinha com os cabelos começando a ficar grisalhos, tinha cinqüenta e dois anos e adorava dançar. – Achei que não iria se deixar derrotar. – Gostava dela porque ela estava ao meu favor, me apoiava nas maiores burradas.
- Não posso ficar aqui com a Senhora Me ajudando financeiramente, quando minha família pode fazer isso. – Disse a olhando.
- Já lhe disse que não vejo problema com isso...
- Eu venho te ver...
- E bom mesmo, querida. – Ela me abraçou.
- Obrigada por tudo. – EU agradeci. – Agora eu tenho que ir.
- Boa sorte. – Ela me disse quando passei pela porta.
- Vou precisar. – Sem olhar para trás comecei a caminhar e fui em direção a rodoviária.
Esperei na fila como uma pessoa normal dessa vez. É porque eu sempre corto fila, não sou uma pessoa paciente, nunca fui.
A vendedora me olhou e arregalou os olhos, olhei pra mim mesma para ter certeza que não estava suja ou algo do tipo.
- Karla Sellivem? – Seus olhos castanhos claros estavam impacientes, ela colocou o cabelo loiro tingido para trás e me olhava com atenção.
- Tá agora eu fiquei com medo. – Eu disse em voz alta.
- Estão te procurando em todo país. – Não falei, meu pai coloco o FBI atrás de mim só pode.
— É eu desconfiava. – Eu disse com uma careta, desviando meu olhar para o chão.
- Ótimo vou ligar para a policia. – Ela disse pegando o telefone.
- WOW, sem policia tá, não assaltei ninguém. Apesar de estar precisando de dinheiro. – Disse a encarnado.
A vendedora continuou com o telefone discando um numero e conversando com alguém com uma voz baixa.
- Meu pai ofereceu alguma recompensa né? – Perguntei com meio sorriso.
- É.
Sentei-me em um banco que tinha ali perto e esperei a boa vontade dos policiais ou de qualquer um aparecer.
Peguei meu Ipod coloquei os fones e dei play. Fechei os olhos cantarolando a musica que batia em meus ouvidos e escutei algo caindo do meu lado. Abri os olhos assustada e vi que a faxineira tirando o lixo. Olhei para os lados e vi uma cena épica, meu pai chegando com cinco seguranças e dois guardas locais, aquela típica cena de filme que todo mundo da um sorriso de lado ao ver o chefão da máfia chegando com seus capangas. E falando em capangas tinha um até que bonitinho do meio, bonitinho era uma ofensa pro cara que estava ao seu lado, ele era muito gostoso, aqueles olhos dele dava pra se notar de longe e que olhos eram aqueles eram um verde tão intenso que chegava a prender aqueles olhos me lembravam claramente esmeraldas, seus cabelos eram escuros e o corte combinava muito com ele, e realmente ele ficava muito bem de terno.
Olhei pro lado e pela primeira vez reparei no meu pai, ele era alto, alto mesmo tinha um metro e noventa e cinco de altura, para alguém que parou de crescer nos um e sessenta e dois. Ele tinha o cabelo castanhos claro iguais aos meus ( quando não estavam tingidos claro) e os olhos azuis fofos também iguais aos meus. Era genética boa do meu pai, ele usava um terno bege e óculos escuros.
- Hey, veio rápido dessa vez. – Eu disse com meio sorriso irônico.
Pov. Allan
Charles caminhava na frente como se fosse o chefe de uma máfia, terno, óculos escuros...
Não tão longe uma menina de cabelos verdes nos olhou com um sorriso sapeca, ela não era tão alta quanto o pai, mas tinha os mesmo olhos, o azul penetrante que dava medo às vezes.
– Hey, veio rápido dessa vez. – Ela disse com um sorriso irônico.
Aproximamos-nos sem dizem nada o que a deixou meio desconfiada, seu pai se aproximou maximo que podia dela e a observou.
– O que você tem nessa sua cabeça, Karla Christine Sellivem? – Ele me perguntou sério.
– Qual quer coisa menos cérebro. – Ela respondeu irônica novamente.
– Não é hora de brincadeira. – Charles estava sério, e parecia que garota não dava muita importância.
– Não estou brincando. Você me privou de vida desde sempre graças a sua mulher que só serve pra pegar seu dinheiro acha que eu queria ficar trancada lá pro resto da vida? Acha que eu quis ir para aquela maldita escola? – Ela começou a elevar a voz, aquilo não era um assunto pra ser discutido em publico, mas como eu sou pago pra escutar.
– Você vai voltar para lá. – Ele avisou sério.
– O QUE? – Karla gritou furiosa.
– Seu castigo. – Um sorriso sem humor apareceu na face de Charles. – Tirei seu irmão de lá há cinco meses, e o seu castigo por ter fugido é voltar para lá e terminar sua educação.
– Só pode estar me zuando. – Ela deu volta de 360º graus choramingando.
– E pra garantir que não vai acontecer de novo Allan vai com você. – Charles apontou pra mim.
Fiz um sinal com a cabeça e ela fez o mesmo.
Não vou mentir ela tinha realmente um rosto bonito, ela era bonita, o cabelo apesar de
ser verde estava desbotado e boa parte de raiz já estava à mostra, tinha quatro piercings, dois no lábio inferior, um no nariz, e uma transversal na orelha. Ela estava me olhando, me analisando na verdade. Eu não podia reclamar fazia o mesmo com ela.
– Vai colocar um guarda costas atrás de mim? – Ela ergueu a sobrancelha.
– É.
– Eu preciso de Vodka. – A garota se virou de costas procurando algo.
– Antes de voltar para aquele quartel, eu quero ver Carlos. – Carlos era o irmão gêmeo dela, pelo que sei não se parecem nada um com o outro. De acordo com Charles ele era alto igualmente o pai, tinha cabelos negros e o rosto mais quadrado, mas ainda sim havia herdado os mesmos olhos de Charles, os azuis penetrantes que davam medo, às vezes me faziam achar que não era realmente desse mundo. — E mais preciso de roupas novas perdi a maioria quando estava fugindo da policia, Também preciso de dinheiro extra pro meu cabelo. – Ela olhou o cabelo desapontada, aquilo tava me incomodando e incomodando ela pelo jeito.
– Se tirar esse verde do cabelo... – Charles parou pra pensar. – Te doou o que você quiser... Menos Sair do colégio.
– Ah. – Ela deixou os ombros caírem um tanto desapontada. – Ok. Eu tiro o verde do cabelo.
– Vamos. – Ele passou o braço por cima do ombro da filha e fez sinal pra todos nós o seguir.
– Senhor O jato já foi preparado, então esperando pelo Senhor – Um dos seguranças que eu não tinha idéia de como se chamava avisou Charles.
– Ótimo.
Fomos até os carros e seguimos para o aeroporto, Charles novamente me pediu que fosse com ele no mesmo carro, eu fui junto com o motorista na frente e Charles e Karla foram atrás, a garota estava mal humorada, não olhava pro pai e nem ao menos falava.
O carro parou perto da pista de decolagem, antes mesmo se abria porta para sair à menina já tinha saído correndo de encontro com o jato.
– Jatinho. – Disse animada. – Conforto. – Ela entrou no jato e eu entrei logo em seguida. – Quem me trás o litro de Vodka? – Eu ri, mas Charles a olhou sério fazendo a fazendo rir. – Ok. Pode ser água.
Uma moça trouxe uma garrafa de água e a entregou, me sentei alguns bancos a frente da onde ela estava e Charles se sentou ao meu lado.
– Vai lá falar com ela. – Ele disse se levantando e saindo
Isso tudo era o que? Pra eu conhecê-la ou pra ela ir com a minha cara? Talvez os dois.
Sentei-me ao seu lado e pensei como começar uma conversa.
Ela estava meio desligada, parecia pensar na vida, nem percebeu que me sentei ao seu lado.
– Karla, certo? – Foi à única coisa que me veio na cabeça, ela se virou pra me olhar, mordeu o lábio inferior e me analisou novamente.
– É. – Ela sorriu amigavelmente.
– Olha isso não vai ser legal pra mim, tanto quando pra você. Não estou acostumando com esse tipo de trabalho, então espero mesmo que colabore...
– Novato?
– Não exatamente. Só não estou acostumando com esse tipo de trabalho. – Cocei a nuca.
– Hey, relaxa, se eu tiver que fugir você não vai nem ao menos ver. – Ela tomou um gole de água e eu a encarei. – Já vi que não vou conseguir fugir tão cedo. – Disse a si mesma.
Ainda bem que ela sabe disso.
Não demorou muito pra que ela fiasse quieta e eu não sou uma pessoa que se da muito bem com o silêncio e com tudo quieto isso me deixava um pouco nervoso.
– Não vou pular do avião. – Ela me disse olhando pra frente.
– Eu espero que não, pular atrás de vocês seria complicado. – Eu disse sério.
Pousamos em Lake Forest em Illinois depois de mais alguns minutos, alguns longos minutos por causa do
silencio.
Descemos do aviar e Charles foi até a filha conversar com ela.
– Vai querer ver seu irmão ou vai fazer suas compras? – Charles perguntou a Karla.
– Ver Carlos depois vamos para minhas compras. – Ela avisou pulando.
– Que bom, porque ele esta te esperando. – Ele apontou para a porta do aeroporto a onde tinha um garoto idêntico a Charles, alto, com os mesmo olhos, cabelos negros, só um pouco mais novo ele estava parado de braços cruzados com um sorriso irônico igual ao da irmã.
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