Lake Forest Academy
22 Capítulo 22
Acordei no outro dia com batidas na porta eu estava morto. Minhas costas estavam mais doloridas do que o dia anterior. Levantei cambaleando e fui abrir a porta.
- Até que em fim em. – Selena entrou no quarto.
- Te convidei pra entrar? – Perguntei ainda com os olhos fechados.
- Quer levar mais alguns pontos? – Selena adorava me ameaçar, ela era baixinha, me desafiava me ameaçando.
- Não os das costas já estão ótimos. – Dei alguns passos pra trás.
- Me deixa ver. – Ela sorriu.
- Qual é o seu problema com cortes? – Perguntei tirando a camisa.
- Sei Lá, é legal. – Virei de costas deixando Selena ver o corte.
- Parece que cortaram suas costas com uma faca sem corte algum. — Ela passou o dedo por cima dos pontos. – Tá roxo.
- Sério Selena? – Perguntei ironicamente colocando a camisa de volta.
- Allan vai se arruma vai, marcaram consulta com você as onze. – Selena disse brava. – A onde fica o quarto da Sellivem?
- Segundo andar primeiro quarto à esquerda. – Respondi. – Tem uma boneca na frente.
- Ok... Boa sorte pra você... Tomara que não tenha nem uma costela quebrada...
- Eu espero que não mesmo.
Selena saiu pela porta e Zoe entrou pela mesma.
- Quem era?
- Selena. – Respondi.
- Ah.
Troquei de roupa e antes das nove eu já estava saindo do colégio, fui até Lake Forest passei na joalheria pra pegar a corrente da minha irmã, vi uma corrente linda de outro com a letra 'k', bem o aniversario da Karla tava chegando não era?
Não demorou muito pra sair de Lake Forest, eu teria um bom tempo até as onze, desviei do caminho e fui pro meu apartamento em Chicago, eu morava no décimo quinto andar, era o lugar mais seguro que eu conhecia tirando a casa da minha mãe, claro.
Eu precisava me livrar de algumas coisas... Eu precisava me livrar de muitas coisas.
Estacionei o carro na garagem e subi pelo elevador até meu andar, abri a porta de casa e sorri animado, por depois de dias conseguir ver ele novamente.
- Casa que saudade de você. – Entrei e me joguei no sofá. – Agora ao trabalho.
Levantei e Interfonei para Bill pra saber se ele podia vir me ajudar com algumas coisas, não demorou muito pra ele aparecer no meu apartamento.
- O que precisa? – Ele perguntou se sentando no sofá.
- De ajuda. – Respondi tirando alguns enfeites da estante e jogando no chão, alguns se partiram outros continuaram inteiros.
- O que você tá fazendo? – Bill perguntou arregalando os olhos. – Há algumas semanas atrás você nem me deixava chegar perto desses enfeites porque foi a Viviane que colocou ai.
- E agora eu preciso de ajuda pra tirar tudo o que ela me deu daqui de dentro. – Sorri, abrindo uma porta de vidro e tirando as cartas que ela me mandava quando eu estudava, eu mantive tudo guardado por anos, por ela, por mim, agora tava na hora de jogar fora.
- Tudo mesmo? – Ele perguntou me olhando.
- Tudo.
- Vou pegar aquela camisa pra mim. – Bill entrou no meu quarto e pegou uma camisa que há tempos ele queria.
- E trás o resto. – Pedi.
- Tá.
Bill apareceu na sala com um punhado de roupa e jogou no chão.
- Os ursinhos Bill. – Falei o encarando.
- Achei que ia guarde eles pro seu filho. – Ele riu voltando pro quarto.
- Muito engraçado. – Até parece que eu pretendia ter filhos tão cedo. Até parece que eu ia ter filhos, né?
Bill voltou com segurando pelo menos dez ursinhos, Viviane tinha a mania de comprar usinhos de pelúcia e deixar na minha casa já que na casa do pai dela não tinha mais espaço, na verdade não tinha espaço nem um mais na casa dela, os espaços vagos foram ocupados por ursinhos suicidas. Alguns realmente tinham o rosto de assassinos e psicopatas, por isso os que estavam em minha casa ficavam no quarto que geralmente minha irmã ficava quando vinha.
- O que tá acontecendo aqui? – Vanessa entrou no meu apartamento.
- Alguém tá se livrando das coisas da Vivi. – Bill disse me provocando.
- Sério? – Ela sorriu animada.
- Eu quero aquele jogo de jantar...
- Não quer não. – Disse balançando a cabeça em um não.
- Mas foi ela...
- Não Vanessa. – A encarei.
- Que chato você é. O que vai fazer com tudo isso? – Vanessa perguntou.
- Não tenho idéia... Não é sua irmã que tem aquela instituição? – Perguntei a ela.
- É.
- Manda pra ela. – Problema resolvido. – Esqueci de alguma coisa?
- O aparelho de jantar.
- Esse não.
- Eu quero Allan, não acho um parecido em lugar nem um. – Ela choramingou.
- Leva ele e me trás o preto e branco.
- Tá. — Ela pulou e saiu pela porta.
- Não acredito que você tava discutindo com ela por causa de um aparelho de jantar. – Bill me olhava.
- Que por acaso é o único que tenho. – O encarei.
- Era só comprar outro... Então não esqueceu nada? – Ele perguntou ainda me olhando.
- As roupas dela. – Disse indo pro quarto abrindo uma gaveta que tinha algumas peças de roupa da Viviane, as peguei e voltei pra sala jogando ela em cima da pilha de coisas.
- Meu Deus cada vez aumenta mais. – Vanessa entrou no apartamento com uma caixa na mão. – Esse é novo, preto e branco também.
- Vai lá Vanessa pega o jogo de jantar que você quer tanto. – Ri a vendo pular animada e indo pra cozinha. – Bill pega tudo isso aê e leva pra algum lugar...
- Folgado, as tranqueiras são suas leva você. – Ele disse mal humorado.
- Eu tô com cinco pontos nas costas porque ontem a igreja de Lake Forest explodiu e um pedaço de concreto caiu nas minhas costas, eu tenho que ir pro hospital daqui uma hora e meia, então Bill não me faça romper os pontos.
- Tá boneca.
- Allan, arrumei lá tá? – Vanessa piscou.
- Vanessa arruma alguma caixa grande pra colocar essa tranqueirada aqui. – Bill pediu.
- Só porque eu consegui o que eu queria tá. – Ela saiu com uma outra caixa na mão com o jogo de jantar.
Vanessa não demorou a voltar, não voltou com uma caixa e sim com algumas sacolas enormes.
- Viram que uma igreja explodiu em L.F.?
- Aham eu tava lá. – Disse dando de ombros.
- Você ta bem? – Vanessa perguntou assustada.
- Acho que sim...
- Pra ela você não fala que tá com cinco pontos nas costas...
- Coitadinho.
- Pra mim ela não fala coitadinho quando alguma coisa acontece. – Bill revirou os olhos.
- Falo pro Allan porque ele não tem esposa e nem namorada pra cuidar dele. – Vanessa disse séria.
- E eu que tenho esposa e ela não cuida de mim. – Bill encarou Vanessa.
- EI. – Os dois desviaram o olhar pra mim. – Se querem brigar vão pro apartamento de vocês tá, não quero ficar no meio de discussão dos dois.
- Tá. – Bill revirou os olhos novamente.
- Porque tá se livrando de tudo? – Vanessa perguntou colocando os ursinhos em uma sacola separada, ela provavelmente ia levar pra algum orfanato.
- Quero me livrar dela na verdade, chega de Viviane. – Respondi.
- Tem mulher no meio. – Ela sorriu. – Quem é?
- Alguém. – Respondi.
- Agora vai fica de segredo? – Ela me perguntou brava.
- Só não tenho certeza do que sinto por ela Vanessa. – Cocei a nuca.
- Pra se livrar de tudo isso, provavelmente a ama. — Bill sorriu de lado.
- Não sei.
- Me fala quem é? — Vanessa choramingou.
- Não.
- Vocês dois parecem adolescentes que isso. – Ele saiu arrastando duas sacolas com ele. – Depois nos falamos, avisa se tiver uma costela quebrada pra eu quebrar outra.
- Eu vou indo Allan, depois nos falamos. – Vanessa saiu pela porta a fechando.
- Sofá... – Me joguei nele. – Saudade de você, mesmo me jogando pra fora, eu gosto de você.
Não fiquei muito tempo em casa, logo em seguida fui pro hospital.
A minha vontade era de matar a Karla, foi por causa dela que eu fui pro Hospital e é por causa dela que eu vou ter que fazer pelo menos quinze exames que de acordo com o medico são de rotina. Eu realmente queria matar ela. Não se força um homem a ir ao medico, mas não, eu estava falando de uma Sellivem ela me forçaria até roubar um banco se fosse preciso.
Mas até que não demorou tanto, eu entrei no hospital as onze e sai as antes das duas, com a noticia de que não tinha nem um ferimento interno, se eu tivesse eu provavelmente esganaria Karla, seria preso depois, mas valeria à pena. Os outros exames só sairiam em alguns dias e iriam direto pras mãos do medico do FBI.
Voltei pra Lake Forest aliviado por não ter que ficar muito mais tempo em um hospital e por não ter quebrado nada. Estacionei o carro em Lake Forest e no mesmo momento estava estacionando duas viaturas. Alguém teria problemas hoje, e suspeitava que fosse eu.
- Stewart? – Um deles perguntou.
- Sim.
- Viemos pra recolher seu depoimento e de mais uma menina que estavam no dia da explosão.
- Eu só preciso achar ela. – Disse pra mim mesmo. – Pois bem, aconselharia a passar por Katharine primeiro e então lhe trago a garota. – Disse entrando na escola.
Entrei no prédio principal procurando algum monitor pra perguntar se viraram alguma a gente e uma menina de cabelo rosa e preto, mas não foi preciso ao invés de achar um monitor vi Selena conversando com Tomas o que significava que Karla estava perto. Olhei pela sala e ela conversava com Anda em um canto distante. Parei na porta e a observei por um tempo.
- Ninguém morreu certo? – Perguntei em um tom de deboche, ela se virou e me olhou dos pés a cabeça.
- Você não tem nada quebrado certo? – Ela perguntou no mesmo tom de voz.
- Felizmente não. – Respondi.
- Que bom. – Ela piscou.
- Meu turno acabou. – Selena se levantou. – Então eu me vou.
- Não, você fica por mais uma hora. – Selena me encarou e aquele olhar deu medo. – Guardas vieram tomar nossos depoimentos.
- Isso pode ser bom. – Selena se sentou novamente no sofá.
- Vem. – Fiz sinal com a cabeça. – Você também Selena.
Fomos até a sala de Katharine, a onde os dois policiais permaneceram, Katharine nos olhou e saiu da sala sem dizer nada.
- Senta porque vai demorar. – Sussurrei no ouvida de Karla que se encolheu.
Ela se sentou de frente a mesa e esperou até que os policiais começassem a falar.
- Quero falar só com a garota. – O mais alto disse sério.
- Impossível. – Cruzei os braços.
- Como senhor? – O mais baixo encarou Allan. – Esta desafiando as autoridades.
- Está você desafiando as autoridades. – Selena elevou a voz. – Se falar nesse tom mais uma vez tiro seu distintivo. – Ela colocou a mão no bolso e tirou a identidade do FBI. – E digo que nos ficaremos. Eu tanto quando vocês quero o depoimento dos dois.
- Esta bem senhora. – Os dois policiais concordaram.
Segurei pra não rir, Selena não costumava ter paciência, e não gostava de ser desafiada.
Eles começaram a perguntar coisas pra Karla, ela respondeu tudo o que podia e o que lembrava antes de entrar em choque, depois do seu depoimento eles se viraram pra mim.
- Querem saber de mim o que já escutaram dela? – Perguntei arqueando a sobrancelha.
- Sim, talvez algo passou em branco pela senhorita. – O homem mais alto me encarava.
- Ok. – Concordei e contei todo o que havia acontecido, com alguns detalhes as mais o que fez Karla ficar me olhado.
Selena gravava o que eu dizia ela precisava do meu depoimento, com mais uma evidencia do que estava ocorrendo, os policiais foram embora e Selena se foi pouco tempo depois ela não tinha mais nada para fazer em Lake Forest.
Foi com Karla até seu quarto e como sempre enrolei algumas horas por lá. Ultimamente eu tava passando muito tempo no quarto dela.
- Então Como foi no medico? – Ela perguntou se sentando na cama.
- Me mandaram fazer muitos exames e eu não vou te perdoar por isso. – Respondi sério. – A pior coisa que possa existir são hospitais e exames.
- Tem algum tipo de trauma?
- Tenho.
- Coitadinho. – Ela falou como se tivesse falando com uma criança.
- Na próxima vez que tentarem te matar e eu sofrer por isso não me faça ir novamente a um hospital. – Disse a encarando.
- Não lhe prometo nada. – Ela piscou.
Ótimo!
Entrei no meu quarto simplesmente querendo dormir por umas quinze horas seguidas. Bati o olho nos computadores e as luzes dele estavam acesas, alguém mexeu nele, procurei nas minhas coisas um plástico com cola e o colei no mouse e tirei, ali tinha uma digital que não era a minha e a guardei na minha gaveta de roupas. Teria que entregar a algum agente quando visse um.
A porta se abriu e Zoe entrou.
- Vamos ter um jogo de futebol americano aqui na escola. – Ela pulou animada. – Mas é segredo nem um dos alunos pode saber.
- Que escola vai vir? – Perguntei.
- Carver! – Ela respondeu.
- A militar? – Perguntei me virando para encará-la.
- É. – Ela curvou a boca. – Eles são bons.
- Eu sei, estudei lá. – Dei de ombros.
- Estudou na Carver? – Zoe arregalo os olhos. Agora ela era surda?
- Aham.
- Então suponho que vai torcer pra eles...
- Supondo certo.
- Então tem algo quebrado? – Ela perguntou se sentando na cama.
- Não...
- Ainda bem... Eu vi pela TV o estado que a igreja ficou, e nossa parece que o teto da igreja esta ameaçando cair também, sorte sua não ter caído em cima de vocês. – Ela disse me olhando. – Karla não teve nem um arranhão?
- Felizmente não.
- E porque você chegou todo acabado e ela não teve nem um hematoma pra contar historia? – Zoe me olhava brava.
- Porque fiquei na frente dela pra ela não se machucar. – Respondi.
- Isso é errado, não é justo você se machucar por...
- Se eu tiver que morrer pra salvar a vida dela, acredite Zoe eu vou fazer. – A encarei.
Ela riu sem humor e balançou a cabeça em um não.
Notas finais
então vim aqui só pra dizer a vocês que:
- Não, eu não vou contar pra vocês o que vai acontecer
- Não adianta perguntar porque eu sou má u_u
Eu acho que que se eu falar algo que vai acontecer a estória vai acabar perdendo a graça e vocês vão perder a vontade de ler, realmente vocês só vão saber quando chegar a hora pra saber, então espero que não fiquem chateadas comigo =/
Mas se eu contar vai perder a graça não vai? D=
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