Chegamos à escola, estacionei o carro e bati minha cabeça contra o volante.

- Que foi? – Karla perguntou preocupada.

- Minhas costas. – Respondi.

- Está doendo né? – Ela puxou uma parte da camisa que estava grudada em minhas costas provavelmente por causa do sangue. Tirei o celular do bolso e entreguei a ela.

- Liga pra Selena e diz pra ela que uma bomba explodiu na igreja e que eu te trouxe de volta para o colégio. – Abri o porta luvas retirei a arma de lá e sai do carro.

- A onde vai? – Ela perguntou saindo do carro.

- Pra enfermaria.

- Eu vou junto. – Karla veio atrás de mim brava.

- Vai pro quarto descansar. – Disse tranquilamente, ela merecia descanso depois, e eu também.

- Você se jogou na minha frente não esqueça então eu quero saber se vai sofrer muito por minha causa. – A voz dela estava se elevando.

- Sei que não vai me escutar então vai na frente que ai posso ver se alguém vai te matar. – Ela começou a rir, e eu tava mais prestando atenção na minha arma.

- Isso é desculpa pra ver minha bunda? – Ela perguntou andando alguns passos na minha frente.

- Não, mas já que disse. – Olhei pra ela, que parou de andar e esperou eu chegar até ela pra continuar.

- Eu sei que olhar não mata, mas a gente tá falando da minha bunda tá? – Não respondi, mas eu tinha um sorriso meio malicioso nos lábios.

Entramos na enfermaria e a enfermeira se aproximou se perguntando o que aconteceu.

- Allan o bagulho caiu em cima de você. – Ela me olhava.

- Que tal parar de falar um pouco de gíria? – Perguntei e ela riu.

- Então? – A enfermeira perguntou. Virei de costas a deixando ver o ferimento. – O que você fez?

- Uma bomba explodiu e caiu alguma coisa nas minhas costas. – Respondi.

- Eu vou ligar pra Selena. – Karla avisou saindo da enfermaria.

- Sente-se, na cama. – A enfermeira pediu. – E tira a camisa. Eu ia rir com o pedido, mas fiz o que ela mandou. — Como assim uma bomba explodiu? – Ela perguntou.

- Digamos que foi um atentado todos aqui sabem que eu estou aqui por causa da Karla, e bem acho que tentaram matar ela hoje. – Respondi.

- Têm suspeitas?

- Infelizmente não. – Mesmo se tivesse não iria ser com uma enfermeira que iria dividir meus pensamentos, provavelmente com o diretor do FBI que por acaso é pai da Karla.

- Isso vai doer. – Ela avisou e passou alguma coisa nas minhas costas que fez arder. – Vou ter que dar alguns pontos, cinco pelo menos.

- Ok.

Karla entrou na enfermaria novamente e se sentou de frente pra mim, seus olhos estavam me encarando atentamente, mas não meu rosto seus olhos estavam no meu abdômen o que me fez querer rir, ela deu uma rápida olhada pra cima e percebeu que eu estava a olhando ela desviou o olhar pro meu rosto.

- E ai? – Ela perguntou.

- Acho que eu vou ter que levar alguns pontos. – Curvei a boca.

- Tá vendo, ninguém mandou entrar na minha frente. – Ela disse séria.

- É meu trabalho lembra? – Sorri sem humor.

- Mas você não precisa morrer pra isso. – Ela ainda estava séria.

- Preciso, se eu tiver que morrer pra te salvar eu vou fazer qual...

- Mesmo sendo contra a sua vontade. – Karla afirmou.

- Eles iam fazer uma grande homenagem a minha pessoa, um grande enterro, e provavelmente seria lembrado por ter dado a minha vida pela sua... Morrei feliz se fizerem isso. – Encarei o nada.

- Cala a boca. – Ela soltou um riso sem graça.

- Falou com Selena? – Perguntei quanto tudo ficou quieto.

- Sim, ela pediu pra você ligar quando sair daqui, e disse que vão mandar policiais pra recolher nosso depoimento. – Ela curvou a boca olhando o chão depois desviando pra mim.

Ela estava olhando exatamente pra mim, ela tava olhando pro meu corpo de novo. Ela tentava desviar o olhar, mas acabava olhando de novo.

- Vou começar a dar os pontos. – A enfermeira avisou.

Respirei fundo e fiz uma careta quando a enfermeira deu o primeiro ponto.

- Isso é agonia, dor...

- Agonia. – Respondo. – Dor é superável. – Às vezes.

A enfermeira cujo nome eu não sabia terminou de dar os pontos me entregou uma camisa branca, a coloquei enquanto a enfermeira me dizia algumas coisas.

- Acho que você vai precisar ir para o hospital para ver se não quebrou uma costela ou algum ferimento interno. – Ela disse preocupada. – Comprimidos pra dor. – Peguei a Cartela de comprimidos que ela segurava.

- Obrigado. – Dei de ombros e sai de cima da cama.

Saímos da enfermaria e Karla me entregou o celular.

- Você vai ao hospital não é? – Ela perguntou me olhando.

- Não tenho como ir. Não posso sair daqui sem você, se lembra? – A olhei rapidamente.

- Que merda Allan, são só algumas horas, eu não vou me matar. – Ela disse brava.

- Não é você que me preocupa são as pessoas que podem te matar, então eu não vou. – Disse de um modo que ela não tentasse discutir, mas eu tô lhe dando com uma Sellivem, lógico que ela vai discuti o assunto.

- Liga pra Selena e diga que você precisa ir, ela vai arrumar outra pessoa pra colocar no seu lugar...

- Não. – A encarei sério.

- Então me da o celular que eu ligo. – Ela tava me desafiando.

- Karla...

- Allan... – Ela falou meu nome no mesmo tom de voz que eu disse o dela.

- Eu só vou se Selena vier.

- Por quê? São seis agentes não dois, lembra? – Ela fez cara de deboche.

- Não confio nos outros. – A olhei.

- Tá então liga pra ela e pergunta se ela pode vir.

Peguei o celular contrariado e liguei para Selena.

- Selena...

- Allan, você tá bem? O que aconteceu? Foi grave?... – Ela perguntava sem parar.

- Calma eu tô bem... Mas a enfermeira me mandou ir pra um hospital ver se eu não quebrei nem uma costela e a Karla tá me enchendo pra ir... – A olhei e dei risada.

- Então foi grave, porque ela tá te enchendo pra ir?

– Na verdade acho que ela não me agüenta mais...

- Não é verdade eu só estou preocupada, você se jogou na minha frente lembra a culpa é minha... – Ela disse brava me olhando.

- Como eu sei que ela é uma Sellivem, vai te encher até você dizer que vai, e não confia em ninguém suficiente pra olhar dessa menina amanha eu tô ai as oito tá? – Selena disse animada.

- Valeu. – Desliguei o celular e olhei pra madame que me encarava. – Ela vem amanha satisfeita?

- Não. – Disse séria. – Era pra vir hoje.

- Garota as coisas não funcionam assim...

- É eu sei, mas ainda bem que ela vem. – Ela passou na minha frente andando.

- Finalmente me escutou. – Disse vitorioso.

- Não se acostuma, porque eu sei que é desculpa pra ver minha bunda.

- Você me deve essa. – Minha voz saiu em um tom divertido e malicioso.

- Como assim eu te devo essa? – Ela me olhou e mordeu o lábio inferior provavelmente lembrou-se que estava me olhando na enfermaria. Ergui a sobrancelha sem dizer nada. – Tá eu te devo essa.
Ela se virou e voltou a andar.

- Olhar não mata lembra? E você tem olhos. – Meu tom de voz continuava malicioso. – E eu não tinha reparado na sua bunda até você falar dela. – Pelo menos hoje.

- Porque eu não fiquei quieta? – Ela perguntou pra si mesma.

- Porque você rebola quando anda de salto? – Perguntei olhando ela andando, era charmoso e sexy, prendeu minha atenção.

- Não tô rebolando. – Ela fez bico e colocando as mãos pra trás tampando a bunda.

- Tá sim. – Disse rindo.

Karla parou de andar e esperou eu chegar ao seu lado pra retomar a caminhada até seu prédio.

- Não da pra andar na sua frente. – Ela fez bico de novo.

- Você que começou. – Dei meio sorriso.

- Você tem um sorriso lindo. – Karla disse olhando o chão.

- Achei que só minha irmã achava isso. – Disse pensativo. – Eu nunca te vi sorrindo de verdade, sorrisos irônicos, meio sorriso, às vezes sem humor algum. – Ela deu meio sorriso. – Tá vendo.

- Meus sorrisos verdadeiros não costumam aparecer freqüentemente, mas se souber me dizer a coisa certa ele provavelmente vai escapar. – O meio sorrido ainda estava em seu rosto. – São raros.

- Será que antes desse caso acabar eu vou ver ele? – Perguntei a olhando.

- Quem sabe. – Ela encolheu os ombros e entrou no prédio feminino.

A deixei subir sozinha e fui pro prédio dos funcionários.

Por algum motivo Karla não parecia estar tão abalada com tudo, aquele momento descontraído deve ter a feito esquecer o que ocorreu um pouco mais cedo.

Entrei no meu quarto e fui tomar um banho, minhas costas deveriam estar com sangue ainda, e eu precisava me livrar de todo o pó que estava em mim.

Tomei o banho e quando sai do banheiro Zoe estava no sentada na minha cama.

- A onde esteve? – Ela perguntou séria.

Isso pra mim era crise de ciúmes de namorada, coisa que ela não era.

- Com Karla. – Respondi de costas pra ela.

- O que é isso nas suas costas?

- Eu acho que é um corte, posso tá enganado né, mas se a enfermeira teve que dar ponto...

- O que aconteceu? – Ela se levantou.

- Um incidente com a Karla...

- Ela fez isso? – Zoe perguntou brava.

- Não. – Coloquei uma bermuda e uma camisa.

- Então que foi que aconteceu...

- Um pedaço de concreto caiu em cima de mim. – Respondi.

- Coitadinho do meu bebe. – Ela beijou minha bochecha. – Mas você tá bem né?

- Aparentemente sim, mas só vou ter certeza amanha quando for pro hospital fazer exames. – Disse me sentando na cama.

- Vai deixar Karla sozinha? – Zoe perguntou se sentando ao meu lado, balancei a cabeça em um não. – Com quem?

- Selena vai vir pra olhá-la. – Respondi.

- Ah... Mas ela não vai morrer por ficar duas horas sozinha...

- Zoe, o segurança sou eu, eu decido se ela vai ou não ficar sozinha, mas ela não vai porque eu não quero. Entendeu? – Perguntei a encarando e ela balançou a cabeça em um sim.

Notas finais
Já sabem né, erros, criticas, sugestões só deixar um comentários ou http://www.formspring.me/tattyta =}