Já havia se passado dois dias desde o ‘incidente’ com a Zoe. Karla já havia voltado pro seu quarto, e hoje era dia dezenove agora ia perder meu tempo em uma missa. Adorável eu sei. Nunca fui de gostar de ir a igrejas poucos menos de missas e cultos, ia porque minha mãe me obrigava, mas depois de alguns anos morando sozinho quem conseguiria me levar em uma missa? Pois é Karla Sellivem.

Entrei no quarto dela sem bater, ela encarava a porta provavelmente pra ver quem era Karla estava sentada na cama comendo salgadinho, revirei os olhos quando vi que ela nem ao menos tava pronta ainda.

- Tá querendo me pegar desprevenida ou algo assim? – Ela perguntou com a boca cheia.

- Nem um dos dois. – Respondi. – Que dia é hoje mesmo?

- Dezenove.

- Achei que já estava pronta. – A olhava.

- Não, preciso de ajuda... – Só me faltava essa. – É fácil, isso é uma missa certo? Então eu tenho que ir com que cor de roupa?

- Sei lá... Preto?

- É eu pensei nisso também. – Ela abriu a porta do guarda roupa e começou a tirar algumas peças e em seguida se trancou no banheiro.

Sentei na poltrona e esperei ela sair do banheiro. Olhei pela janela e alguns alunos saiam do prédio.

- Diz pra mim que eu estou bem. – Ela saiu do banheiro com os olhos fechados.

Respirei fundo e a analisei, ela tava com uma mini saia e uma blusa preta, uma meia arrastão e um sapato de salto alto branco, ela tava bonita... Pra ir pra qualquer lugar menos pra uma igreja.

Quem é que vai a uma igreja com uma mini saia?

- Acho melhor colocar uma saia maior, sabe é uma igreja. – De acordo com minha família roupa curta em igreja é um dos piores pecados que se pode cometer.

Claro que se algum senhor que humildemente está lá com sua família rezando para Deus perdoar seus pecados, uma mulher com a bunda empinada igual à Karla aparece lá ele teria que passar pelo menos dez anos rezando pra poder ser perdoado pelas coisas que passaram em sua cabeça no momento em que a garota andar e saia pular.

- Droga. – Ela mexeu no guarda roupa e puxou uma calça jeans.

Ela entrou no banheiro e saiu logo em seguida com a calça que tava bem colocada nas pernas.

- Agora eu posso entrar em uma igreja né? – Karla perguntou um tanto revoltada.

- Não quer ir com um vestido até o pé? – Perguntei ironicamente, mas ela não percebeu e choramingou. – Está ótima.

Ela prendeu o cabelo em um rabo de cavalo deixando apenas uma pequena parte da franja preta, prendendo o resto do cabelo rosa e escondeu o piercing do septo.

- Tá eu estou pronta. – Ela se olhou no espelho.

- Certeza? – Perguntei.

- Não. – Ela pegou o celular e algumas notas de dinheiro e me olhou. – Agora eu estou.

Ela tava me analisando, odiava quando fazia isso.

- Não sabia que usava all star. – Ela sorriu sem humor e eu acabei rindo.

- Vamos. – Apontei pra porta e ela saiu.

A igreja era a principal da cidade, era realmente grande, tinha um jardim enorme na frente, estacionei o carro, saímos e paramos na frente do caminho de pedra que havia até chegar a igreja, ótimo agora eu ia ter que carregar a madame no colo por causa do tamanho do salto.

- Porque não vim com meu all star? – Ainda bem que ela sabia. Karla jogou uma mecha do cabelo que tinha caído em seu rosto pra trás e encarou o caminho de pedra.

- Vem. – A puxei pra perto de mim e segurei sua mão a ajudando a andar pelas pedras. Perto da porta da igreja ela escorregou e agarrou meu braço. – Calma...

- Eu tô bem. – Ela se equilibrou e olhou o nada rindo logo em seguida.

O bom dessa garota é que sempre ria da sua própria tragédia.

Na porta da igreja havia uma mulher que sorriu quando viu Karla.

- Você veio. – Ela a abraçou.

- Não tinha como não vir. – Karla forçou um sorriso e a mulher me olhou sorrindo gentilmente. – Este é Allan meu mais novo guarda costas. – A garota sorriu e eu revirei os olhos, tava me enchendo essa coisa de segurança e guarda costas.

- Seu pai colocou ágüem para cuidar de você? – A mulher perguntou preocupada.

- É algo um pouco mais sério, mas não se preocupe. – Pelo jeito ela deveria ser a mãe da garota que morreu.

- Entrem e se acomodem vamos começar já já. – Ela apontou para dentro.

Tinha coisa errada nessa igreja, não sabia bem o que era, mas tinha, olhei pra todos os lados inclusive pra cima. A igreja era grande, tinha uns lustres maiores ainda. Nos sentamos pelo meio da igreja, eu estava na defensiva nos estávamos longe da escola, mas isso não significava que havia menos chances dela sofrer um tentado e eu raramente relaxava quando tinha a sensação de algo errado.

- Porque tá tenso? – Karla perguntou me analisando.

- Não vou relaxar o corpo se é isso que esta prestes a pedir. – Disse sério.

- Não é isso... Quero saber por que esta com aquele olhar de desconfiado, quando acha que eu aprontei alguma coisa só que está misturado com alguma coisa que eu não sei o que é. – Ela me observava. É ela era boa.

- Sim eu estou desconfiado, tem alguma coisa de errado aqui. – Mais uma vez olhei por toda a igreja.

- Que lindo. – Ela olhava os lustres, é era mesmo bonito.

O padre subiu no altar e começou a missa fazendo os que falavam ficarem quietos. Ele falava, mas eu não prestava a atenção no que dizia, tinha algo errado, em tudo do jeito que a mãe da garota falecida me olhava e olhava Karla.

Algo apitou perto da parede, desviei meu olhar a ela e Karla me olhou sem entender.

- O que foi isso? – Ela me perguntou.

- Não fui eu. – Avisei.

O que quer que tenha sido apitou mais uma vez, e isso não era bom. Lancei um olhar pra Karla que percebeu que a coisa não era boa. Pelo treinamento que eu havia recebido, não, a situação não era nada boa.
— Não quero te assustar, mas acho que a gente tem que sair daqui antes que algo exploda. – Avisei.

- Não podemos sair... O que você quis dizer com explodir? – Ela perguntou baixo me olhando.

- Esses apitos não são normais, é alguma bomba caseira, algumas costumam ter esse apito pelo relógio que apita de hora em hora que usaram, mas no caso reajustaram o alarme. – Respondi.

- Tem uma bomba aqui? – Ela perguntou um pouco mais alto depois olhando em volta pra ver se alguém havia escutado.

- Não tenho certeza. – É não tinha, mas não podia correr o risco de deixar ela ali com ou sem bomba. – A gente tem que sair daqui.

- Se sairmos e falta de respeito. – Agora ela deu pra ter respeito com alguma coisa.

- Tá preocupada com a missa? – Perguntei indignado.

Ela tava mais preocupada com a missa do que com a vida dela? Qual é o problema dela afinal?

- Tô, poxa foi à única amiga que eu tive naquela porra de escola. – Ela disse chateada.

- Estamos na casa de Deus respeite. – Um homem disse atrás de nós.

- Viu. – Respirei fundo. O nosso respeito maior seria levantarmos e sairmos de lá o quanto antes.

Aquilo apitou mais duas vezes com o intervalo de pelo menos cinco minutos, na ultima vez apitou três vezes com menos de segundos de intervalo, é ia explodir.

- Vai explodir. – Disse pra mim mesmo em um tom baixo.

Karla me olhou tentando traduzir o que eu falei e arregalou os olhos, a puxei pra perto coloquei meu corpo na frente do dela e a parede explodiu em alguns milhares de pedaço, tudo em nossa direção, pó, pedaços de concreto e tijolos voaram em nossa direção tive a sensação de que alguma coisa pontuda caiu nas minhas costas rascando minha pele que me fez soltar um gemido de dor, gritos ecoavam pela igreja, haviam crianças chorando algumas pessoas gritando outras pedindo ajuda, eu só havia escutado algo assim quando participei de um tiroteio no meio de um bairro pobre.

Olhei pra Karla quando tudo que tinha pra desmoronar já havia desmoronado e acho que Karla estava em choque porque ela não se mexia, ela nem ao menos piscava. Sai de sua frente quando tive a certeza que mais nada ia explodir ou cair na nossa cabeça.

- Você tá bem? – Perguntei.

- Seu idiota, como que você pergunta se eu estou bem, seu imbecil? Você se coloca na minha frente e pergunta se eu tô bem? – Ela falava alto e acertou um soco no meu braço por raiva. – Você tá bem? – Ela me abraçou respirando fundo engolindo o choro.

- Calma! Eu tô bem... Eu acho. – Tirando a dor que eu tava sentindo naquele momento nas costas eu tava bem. – Você não me respondeu se está bem.

- Não. – Ela respondeu soluçando, a olhei e lagrimas escorriam do seu rosto.

- Porque tá chorando? – Perguntei limpando suas lagrimas que teimavam em escorrer.

- Eu não sei... Eu só tô assustada, e com medo. – Ela continuava a chorar a rodeei com os braços e a abracei, ela respirava fundo tentando se acalmar, o que não resultou em muita coisa.

- A gente precisa sair daqui. – Avisei e ela balançou a cabeça em um sim limpando as lagrimas que ainda teimavam em cair.

Segurei sua mão e a puxei para fora da igreja vários olhares pararam sobre nós provavelmente se perguntando o que havia acontecido, muitos estavam desesperados e outros com o celular no ouvido provavelmente chamando a policia. O que era muito bom na nossa situação. – Chamaram a policia e nós não podemos ficar... – E a policia acaba de estacionar o carro na frente da igreja. – Porque não fiquei quieto? – Revirei os olhos.

- Allan suas costas... – Ela estava alguns passos atrás de mim. – Tem um corte enorme.

- Então foi isso, bem que eu senti alguma coisa caindo nas minhas costas. – Disse indo em direção aos policiais. – Eu tenho que sair daqui agora. – Disse ao policial que acabara de sair do carro.

- E eu quero ir pra casa, mas não posso. – O policial disse ironicamente.

Bufei revirando os olhos e tirei minha identidade do FBI e mostrei a ele.

- Eu preciso sair daqui agora, estou em serviço, se essa garota morrer por culpa de algum policial que não fez seu trabalho direito as conseqüências não vão ser nada boas. – Tinha um par de olhos em cima de mim um tanto preocupados, olhei pra trás e Karla me olhava.

O Policial pegou minha identidade e a analisou em seguida arregalando os olhos. É meu sobrenome não costumava ser desafiado, tinha nome dentro daquele lugar e muitos conheciam.

- Desculpe-me senhor. – O policial anotou alguma coisa me entregando a identidade. – Pode ir.

- Vem. – Puxei Karla em direção ao carro, e ela não disse uma palavra acho que ainda estava em choque.

- O que foi aquilo? – Ela perguntou olhando o chão.

- Digamos que meu nome não costuma ser é muito desafiado. – Respondi.

- Quanto mais eu te conheço mais eu tenho medo de você. – Ela engoliu seco.

- Não tenha a menos se matou alguém. – Pisquei abrindo a porta do carro pra ela entrar.

Dei a volta, entrei no carro e tirei a arma da cintura a jogando no porta luvas.

- Achei que ia me matar. – Karla ergueu as mãos pra cima.

- A arma tá travada, se aperta o gatilho não vai disparar. – Respondi rindo.

Liguei o carro e foi em direção a Academia Lake Forest, a dor nas costas só piorava com o tempo em que passávamos no carro, eu precisava de comprimidos pra dor.

Notas finais
Gente esse é o momento...
Eu quero saber o que se passa na mente de vocês
Quem vocês acham que tá por trás dos "atentados"?
O porque que vocês acham que estão fazendo isso com ela?
Eu vou refazer essas perguntas daqui um tempo pra vocês pra ver se mudaram de ideia então respondão ok?
Quero saber o que vocês acham.
E não esqueçam, quanto mais comentários tiver, mas posts vocês ganham n_n